terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – MARÇO DE 1996 – 22.03.1996


            Por motivos de agenda, estou colocando hoje a postagem do meio da semana, em mais um texto da seção Arquivo. Este foi escrito na semana seguinte ao primeiro Grande Prêmio Brasil de F-Indy, disputado na pista oval construída dentro de Jacarepaguá, que hoje foi totalmente destruída pelos interesses cretinos de políticos e cartolas do “esporte”. A corrida foi vencida por André Ribeiro, que guardadas as proporções em relação à F-1, deixou o público eufórico com o feito, após uma corrida cheia de alternativas. Podia-se dizer que Indy chegava ao Brasil com o pé direito, e a categoria fincava sua bandeira por estas paragens, para desgosto de Bernie Ecclestone, pois na época a categoria americana chegava a causar alguns incômodos, mesmo nunca tendo ameaçado os índices de audiência e influência da F-1. Pena que o bom momento vivido naquele GP não tenha durado tanto quanto se imaginava. Os anos seguintes se mostraram mais complicados, especialmente para as expectativas de vitórias de nossos pilotos na categoria americana. Bom, fiquem com o texto, e na sexta-feira, vem mais uma antiga coluna, para relembrar tempos hoje distantes, mas que deixam boas saudades...

 
VALEU, ANDRÉ!
            O primeiro Grande Prêmio do Brasil de F-Indy pode não ter sido o sucesso de público que se esperava, mas não deixou de satisfazer os torcedores com aquilo que eles mais queriam: um vencedor brasileiro no lugar mais alto do pódio. André Ribeiro, como boa parte da imprensa já se referiu no início da semana, lavou a alma do torcedor brasileiro, que desde 1993, quando Ayrton Senna venceu em Interlagos, não via um piloto brasileiro vencer uma prova de uma categoria internacional em terras brasileiras. Houve até quem comparasse André com Ayrton, mas o próprio piloto evitou fazer comparações deste tipo.
            A corrida mostrou muito mais emoção do que na prova de estréia do campeonato, em Miami. A longa reta dos boxes proporcionou várias ultrapassagens, para delírio do público. Ao contrário do que se previa, a curva 1 não trouxe problemas para os pilotos. A curva 4, entretanto, mostrou-se mais favorável às ultrapassagens, e foi nesse ponto que ocorreram os lances mais perigosos, como a violenta batida de Mark Blundell, na corrida; e o acidente de Scott Goodyear, nos treinos livres. Mais do que isso, contornar bem a curva 4 era fator decisivo para se fazer bem a reta dos boxes. Ficou nítido durante a corrida que aqueles que faziam a curva sem muita precisão tinha o seu rendimento na reta prejudicado. Isso deu origem a várias ultrapassagens, de quem vinha de trás, aproveitando-se o vácuo dos carros.
            As ondulações da pista diminuíram, mas ainda foi um desafio para todos, que tinham de conciliar o acerto do carro com mais este detalhe. Os ajustes variaram: alguns priorizaram o rendimento nas retas, como André Ribeiro, para aproveitar a maior velocidade, enquanto outros preferiram maior apoio para ganhar terreno nas curvas, tencionando ganhar estabilidade em eventuais ultrapassagens.
            A velocidade estimada acabou ficando aquém do esperado: a maior velocidade em reta ficou na casa dos 330 Km/h, com os motores Honda. Até a velocidade média foi menor: na casa dos 265 Km/h. Mas a força dos motores Honda ditou o ritmo nos treinos livres e na classificação. Alessandro Zanardi e Jimmy Vasser, da equipe Chip Ganassi, ficaram sempre com os melhores tempos, e o italiano conquistou a pole-position para a corrida. André Ribeiro veio logo a seguir, e conforme já avisava, a posição De largada não era tão importante, pois na corrida a situação seria outra. Dito e feito: Christian Fittipaldi, que largou em último, chegou em 5º lugar. Raul Boesel, que também saiu lá atrás, chegou a ocupar a 4ª posição, mas problemas nos pneus impediram um melhor rendimento e posicionamento, terminando na 7ª posição.
            Além da emoção da corrida, o resultado não poderia ser melhor para a torcida: todos os pilotos brasileiros marcaram pontos, à exceção de Maurício Gugelmim, que abandonou a prova devido a problemas nos freios, o mesmo defeito que provocou a batida de seu companheiro Blundell no muro. Assim que a corrida terminou, houve até invasão da pista pelos torcedores, que cercaram os carros e o vencedor da prova.
            Para melhorar o clima, a declaração oficial da CART de que a corrida de 97 já está nos planos da entidade, e com vistas a aumentar ainda mais. Deverá ser agora uma prova de 500 Km, e não 400, como foi a deste ano. Então, seja bem-vindo ao Campeonato Mundial da F-Indy, Brasil!
O público do Grande Prêmio do Brasil de F-Indy não foi o esperado: cerca de 35 mil pessoas assistiram a corrida nas arquibancadas. A organização da prova diz ter vendido 52 mil ingressos. Esperava-se lotação completa do circuito: 70 mil pessoas.

Nélson Piquet foi uma atração à parte no paddock de Jacarepaguá: deu autógrafos, entrevistas, conversou com os pilotos e fãs e brindou a todos com sua irreverência e simpatia. E, para delírio da torcida, deu a ordem aos pilotos para ligarem seus motores, em inglês e português.

Eis aí uma comparação de preços para quem quiser entender: em Miami, o ingresso mais barato custava cerca de US$ 40, e o mais caro, o PIT SPASS, que ainda dava acesso aos boxes, US$ 120. Aqui no Brasil, os mesmos custavam, respectivamente, R$ 90 e R$ 300...

Quem apostava que, com a vinda da F-Indy para o Brasil, a F-1 perderia o interesse, deu com os burros n’água: enquanto sobraram ingressos para o GP da Indy, os organizadores da prova de F-1 já tencionam colocar mais 10 mil lugares em Interlagos, sendo que algumas arquibancadas já estão quase esgotadas.

Gil de Ferran e Émerson Fittipaldi não tiveram muito o que comemorar no GP do Brasil de F-Indy. Ambos tiveram suas corridas arruinadas pela falta de metanol em seus carros. Émerson teve pane seca, enquanto Gil sofreu situação quase idêntica, causada por um defeito no pescador de combustível de seu carro. Ambos perderam 2 voltas em relação aos líderes por causa disso.

Para Gil de Ferran, foi o inferno: ele liderava a corrida e tinha feito a melhor volta da prova. Já Émerson fazia uma recuperação espetacular, e já estava em 11º lugar, depois de perder quase 1 volta nos boxes para mudar a regulagem do carro.

Aviso de amigo: quem estiver conversando com Émerson Fittipaldi deve evitar mencionar a palavra “decadência”, do contrário...

Semana que vem, emoção em dose dupla: Grande Prêmio de Surfer’s Paradise, pela F-Indy; e o Grande Prêmio do Brasil de F-1. Até lá, então...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

DESTINO 2013: STOCK CAR


            Depois de participar das 3 últimas etapas do campeonato deste ano da Stock Car, eis que Rubens Barrichello já teria anunciado que ficará em definitivo por lá. Ainda falta o tradicional “anúncio oficial”, mas praticamente já está sacramentada a ida do recordista de participações da F-1 para a categoria nacional no ano que vem. Era um destino que muitos já davam como certo, faltava apenas saber quando. Veio antes do que todo mundo esperava, até mesmo na minha opinião.
            Quem ainda imaginava que o piloto manteria firme a esperança de continuar em uma categoria TOP ficou dividido entre a decepção, e o conformismo. Muitos esperavam revê-lo no campeonato 2013 da Indy Racing League, onde mais experiente, e já conhecendo a dinâmica da competição, poderia render mais, competindo por um time mais bem estruturado. A Sam Schmidt afirmou que esperava ainda acertar um contrato com Barrichello, mas entende a decisão do brasileiro de ficar por aqui, e até ainda deixa em aberto a possibilidade de Rubens disputar algumas corridas “avulsas” em 2013, embora eu ache difícil isso acontecer. O maior entrave para Rubens se manter na IRL no próximo ano era estritamente financeiro: era preciso levar grana, e mesmo não sendo uma quantia absurda como a exigida pela F-1, a categoria americana nunca emplacou por aqui, ao contrário da F-Indy, e para piorar a situação, a maneira como a Bandeirantes exibe o certame só ajuda a piorar a situação, a ponto de o principal patrocinador de Barrichello este ano, a BMC, reclamar que a operação não deu retorno. E vale lembrar que Tony Kanaan, mesmo tendo um título de campeão da categoria, penou um bocado para conseguir patrocinador por estas hostes.
            Na Stock, pelo acordo firmado, Barrichello terá aporte garantido da Medley. Aliás, Rubens conseguiu um belo feito, pois a farmacêutica ia pular fora da categoria, mas o retorno da contratação de Rubens foi tão positivo que a empresa não apenas mudou de idéia quanto a sair, quanto irá continuar firme na equipe Full Time, que irá contar com Rubens por todo o campeonato de 2013. Do ponto de vista financeiro, ótimo. Do ponto de vista esportivo, é bom para a Stock, que ganha um nome de peso para o próximo ano, ainda mais em um momento em que a Vicar tenta demover a Globo de sua decisão de passar na TV aberta apenas uma ou outra corrida, e relegar todo o restante do campeonato aos canais pagos do SporTV.
            Do ponto de vista profissional, a decisão pode ser vista como o fim da carreira de piloto internacional de Barrichello. Como já afirmei, muitos ainda esperavam vê-lo continuar na IRL, onde ainda poderia render muito por alguns anos. Alguns ainda forçosamente esperavam até vê-lo de volta à F-1, para pelo menos disputar mais uma temporada e completar 20 anos de competição. Mas Rubens já estava vendo que, infelizmente, sua vida na F-1 ficou para trás. A IRL seria uma opção mais plausível, mas a necessidade de correr atrás de patrocínio e a pouca receptividade das empresas nacionais em investir nisso com certeza devem tê-lo feito considerar, até antes do que pensava, a opção da Stock. E a Medley não perdeu tempo em fazer um belo acordo, que será benéfico para ambos.
            Confesso que, de minha parte, gostaria de ver Barrichello ainda competindo lá fora, mostrando todo o talento que tem, em alguma categoria de renome. A Stock Car, na minha opinião, sinaliza o fim de sua carreira como piloto internacional. Poderá correr uns bons anos por aqui, e quem sabe, fazer sucesso nos carrões. Seu desempenho nas 3 corridas que disputou não empolgou muito nas provas, mas mostrou inegável adaptação nas classificações, mostrando que pegou o jeito da coisa. Se vai disputar o título de 2013, é muito cedo para dizer, mas nada impede que ele surpreenda e entre na luta pelo caneco. O tempo irá dizer.
            Mas para Rubens, um dado muito importante é sua família. Pai de dois filhos, e muito bem casado, mudar-se para a Stock Car significa ficar perto da esposa e filhos, e dar um basta na vida de cidadão itinerante que ele foi e é desde 1990, quando partiu para a Europa para disputar seu primeiro ano em uma categoria no Velho Continente, no caso, a F-Opel. O último campeonato nacional disputado por Barrichello foi a F-Ford em 1989, e de lá para cá, o então jovem piloto nacional passou a andar pelo mundo afora, primeiro na Europa, e desde 1993 viajando o mundo inteiro com a F-1. Neste ano, ficou nos Estados Unidos, Canadá e Brasil, seguindo a caravana da IRL. Ele passou mais da metade de seus quase 41 anos viajando pelos campeonatos que disputou, e tem todo o direito de se estabelecer novamente no Brasil. Seus filhos estão entrando na adolescência, e Rubens quer dar a eles um pai em período mais integral. Já está mais do que realizado financeiramente. No campo esportivo, pode até não ter conquistado tudo o que gostaria, mas teve uma carreira que pode se orgulhar, mesmo com algumas decisões erradas em momentos-chave de sua condução.
            Ao mesmo tempo, ele continuará competindo, adaptando-se a uma nova categoria, e se preparando paulatinamente para o dia em que irá pendurar mesmo o capacete. Dizem que ele pode voltar à F-1 ano que vem como parte da equipe da Globo, depois de sua excelente atuação em Interlagos este ano dando uma de repórter. Seria muito bom. Luciano Burti tem suas qualidades na transmissão da emissora, mas Barrichello, por ter tido 19 temporadas na competição, tem muito mais quilometragem e intimidade com tudo e todos, e seria um reforço considerável, ajudando a elevar e muito o nível das informações nas transmissões.
            O conhecimento técnico de Rubens também poderá ser útil na Stock Car, que poderia se beneficiar muito de alguém com sua experiência e cacife adquiridos nos quase 20 anos de participação da F-1. E a Stock, diga-se de passagem, precisa de gente com mais conhecimento de causa do que aqueles que têm atualmente. A direção e organização da categoria precisam melhorar muita coisa no certame para que ele tenha um nível melhor, não apenas técnico como esportivo e gerencial. Todos podem sair ganhando com esta nova direção na carreira de Rubens.
            Que Barrichello seja feliz e bem-sucedido em sua nova vida na Stock Car. E ele bem que merece...


Cacá Bueno teve um final de corrida dramático domingo passado em Interlagos. Acabou perdendo a corrida na reta de chegada, com a pane seca que enfrentou, mas o 3° lugar foi mais do que suficiente para coroar o seu 5° título na Stock Car brasileira, ficando agora atrás apenas de Ingo Hoffman como piloto mais vitorioso da história da categoria, com 12 títulos. A vitória da corrida ficou com Thiago Camilo, que conquistou pela segunda vez a “Corrida do Milhão”, prova que já havia vencido no ano passado. Na 2ª posição ficou o piloto Ricardo Maurício. O pódio garantiu o vice-campeonato para Maurício, que terminou a competição com 189 pontos, 6 a menos do que o campeão de 2012, Cacá Bueno. Átila Abreu finalizou o certame em 3° lugar, com 175 pontos, ao ficar apenas em 8° lugar em Interlagos. Dos pilotos “convidados” quem fez bonito na corrida foi Rafael Matos, que terminou a corrida em 9° lugar, depois de largar em 23°. Rubens Barrichello, por sua vez, depois de surpreender na classificação para largar em 7°, finalizou apenas em 22° lugar. Tony Kanaan, 26° no grid, abandonou a corrida depois de alguns toques mais agressivos que recebeu; e Hélio Castro Neves, saindo da 22ª colocação, terminou recebendo a bandeirada em 14°.


Com esta coluna, encerro os textos de 2012. Agora é curtir um pouco o final de ano, com o Natal e as festas de réveillon. E até 2013, pronto para mais um ano no mundo da velocidade. BOAS FESTAS! FELIZ NATAL! E que venha 2013!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – MARÇO DE 1996 – 15.03.1996


            Voltando com a seção Arquivo, trago hoje a coluna publicada no dia 15 de março de 1996, cujo assunto era a estréia da F-Indy no Brasil (a verdadeira e original, não esta “sobra” que é a atual IRL), no belo circuito oval construído dentro do autódromo de Jacarepaguá, que lamentavelmente hoje encontra-se praticamente destruído, por obra e desgraça dos patifes políticos cariocas e cartolas do COB, entre outros. Naqueles tempos, quem acreditaria que pouco mais de 15 anos depois tudo estaria destruído e acabado por causa da corja que assola nossos governos, que fazem e desfazem, e fica por isso mesmo. A chegada da nova categoria era uma festa, e por algum tempo, deu muito certo. Hoje, infelizmente, só deixa saudades, e uma raiva justificável contra aqueles miseráveis que deixaram com que o autódromo do Rio se acabasse. Fiquem agora com o texto, e boa leitura, de uma época onde tudo parecia ser mais positivo do que hoje em dia...


FINALMENTE, A INDY NO BRASIL!


            Neste fim de semana, pela primeira vez em toda a sua história, a F-Indy irá acelerar em terras tupiniquins. O Grande Prêmio do Brasil de F-Indy finalmente tornou-se realidade, depois de várias tentativas frustradas. A corrida, que leva o nome oficial de Rio 400, será disputada no novíssimo circuito oval construído dentro do autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
            Desde 1990 que Émerson Fittipaldi sonhava com a realização de um GP de F-Indy no Brasil. Várias tentativas foram feitas para que o Brasil fosse incluído no campeonato, ou mesmo que fosse palco de uma prova extra-campeonato, tal como aconteceu com o primeiro GP do Brasil de F-1, que depois passou a integrar oficialmente o calendário da F-1.
            Contatos eram feitos, idéias surgiam. Houve até uma proposta de utilizar o circuito externo de Interlagos, que tem forma semelhante a um oval, para a realização da F-Indy. Depois, outra proposta veio do empresário Beto Carreiro, que pretendia construir um circuito oval ao lado de seu parque de diversões, o Beto Carrero World, no Estado de Santa Catarina, mas nenhuma destas idéias vingou. Só no ano passado as negociações ficaram firmes, e finalmente a CART decidiu incluir o Brasil em seu calendário. Colaborou também o fato de que o número de pilotos brasileiros na categoria era o maior depois dos americanos. Sem perda de tempo, começaram os estudos para a criação do circuito, que originalmente, teria 2 Km de extensão. Depois, ao ser levantado um detalhe de um acordo da CART com a FIA, o circuito teve de ser ampliado para 3 Km. Mas tudo correu bem, mesmo com alguns pequenos problemas, e o resultado está aí, e nesta tarde de domingo, os bólidos da F-Indy estarão acelerando a mais de 340 Km/h no oval que passa a levar o nome de nosso primeiro campeão de F-1 e até o momento o único brasileiro campeão da F-Indy: Émerson Fittipaldi.
            O circuito impressiona: a reta dos boxes tem cerca de 1,1 Km de extensão, onde os carros deverão chegar próximos aos 375 Km/h. Mas este também é um circuito inédito na Indy: além da maior reta entre todos os circuitos do calendário, será também o único circuito oval onde os pilotos terão de trocar marchas e fazer freadas fortes durante a corrida. Em todas as demais pistas ovais, os pilotos só trocam as marchas para entrar e sair dos boxes, e as curvas são feitas aliviando-se o pé do acelerador. A forma trapezoidal do circuito faz com que as curvas 1 e 4 sejam bem fechadas, o que vai exigir uma forte freada e muita troca de marcha para reduzir a velocidade, e após contornar a curva, acelerar com tudo, pois o ângulo das curvas 2 e 3 faz prever que serão feitas com o pé embaixo. Os pilotos brasileiros foram unânimes em dizer que as curvas fechadas serão ótimos pontos de ultrapassagem, e pela largura da pista, não será surpresa se 3 ou 4 carros tentarem tais manobras ao mesmo tempo. Christian Fittipaldi foi categórico nesta questão: “Quem não se cuidar neste local vai encontrar o muro pela frente”, declarou referindo-se não só às tentativa de ultrapassagem, mas também àqueles que exagerarem na velocidade com que tentarão fazer a curva. “Vai ser uma corrida com muita briga”, prevê o melhor piloto brasileiro no campeonato, Gil de Ferran.
            O circuito brasileiro é o 2º maior oval do campeonato, só ficando atrás de Michigan (3,2 Km) e também deverá ser o 2º mais rápido, perdendo apenas para Michigan, também. Devido às suas características especiais, a regulagem dos carros deverá exigir um bom trabalho das equipes. Todos estão cientes disso e o assunto é segredo de Estado entre todas as escuderias.
            E quem é o favorito para vencer a corrida? Não dá para saber, mas podem apostar, nossos pilotos estarão nessa briga. Que venha a bandeira verde!


 

A F-1 começa bem o ano. O Grande Prêmio da Austrália, disputado na nova e excelente pista de Melbourne, foi digna de atenção. Conforme já se previa, Jacques Villeneuve vai brilhar muito na F-1. Não foi nenhuma surpresa para mim o seu excelente desempenho durante os treinos e a corrida. O campeão da F-Indy andou forte o tempo todo e liderou a maior parte da prova, mostrando seu arrojo e competência, como se fosse um veterano na categoria. Em parte, Villeneuve não pode ser considerado um “novato” para a F-1, pois o filho do lendário Gilles, desde setembro do ano passado, fez mais de 6 mil Km de testes com o carro da Williams, e já pode se considerar íntimo do bólido que pilota. Jacques fez de tudo, treinos de classificação, corridas e tudo o mais, em simulações que visaram prepará-lo adequadamente para o Mundial de 96. E ele aprendeu a lição sem maiores problemas. Isso não tira o brilho com que comandou a prova da Austrália, apenas confirma o seu enorme talento. E quem mostrou também uma excelente corrida foi Damon Hill, que não cometeu nenhum erro e durante a corrida inteira esteve colado na traseira de Villeneuve. Hill também suportou muito bem a pressão de Michael Schumacher na parte inicial da corrida, quando o bicampeão conseguiu acompanhar de perto as Williams. Hill, mais do que uma corrida segura e firme, também soube poupar seu equipamento, o que acabou sendo o ponto decisivo contra Villeneuve, cujo ritmo fortíssimo acabou provocando a queda da pressão de óleo do motor de seu carro, obrigando-o a diminuir muito o ritmo para conseguir terminar a corrida e permitindo a Hill disparar na frente. Assim que sanar esta pequena deficiência, o canadense será um páreo duríssimo na briga pelo título. E a Ferrari, como eu já dizia, não pode ser subestimada. Irvinne subiu ao pódio, e Michael Schumacher pressionou as Williams no início da corrida. E levando-se em conta que o time italiano nem testou direito o novo F-310, pode-se esperar um desempenho bem mais forte em Interlagos, daqui a 2 semanas. E Irvinne já confirma que pode bagunçar a situação em relação a Schumacher. O irlandês foi mais rápido que o alemão na classificação e chegou em 3º lugar, enquanto Schumacher amargava um abandono. Por enquanto, o ambiente entre os dois é cordial, mas pode vir tempestade por aí...



A segurança dos carros de F-1 foi mais uma vez posta à prova, em Melbourne. Martin Brundle saiu intacto depois de decolar e capotar, devido à fechada de David Couthard na freada para uma curva. A Jordan partiu-se ao meio, sendo que a traseira chegou a dobrar sobre si mesma. Foi uma cena impressionante ver o que sobrou do carro. Felizmente, foi apenas um susto, sem maiores conseqüências.



Rubens Barrichello está perdendo a paciência com a Peugeot. Depois de tantos testes sem nenhum problema, o propulsor, sem mais nem menos, deixou o brasileiro a pé durante o GP da Austrália. Rubinho disputava a 5ª posição com Mika Hakkinem, da McLaren. O bate boca no Box da Jordan não foi dos mais calmos e amigáveis...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A GUERRA DO MILHÃO


            O campeonato nacional da Stock Car está em Interlagos para a disputa da etapa final da temporada, que como atrativo especial, também será a “Corrida do Milhão”, a etapa do calendário que premiará o seu vencedor com a quantia de R$ 1 milhão, o que por si só já dá um grande atrativo à corrida, a ponto de, para muitos, fazer sombra até mesmo na decisão do título da categoria, onde ainda temos 7 pilotos com chances matemáticas de levar o caneco, embora saibamos, na prática, que a disputa pelo título deve se resumir a menos gente.
            O que não quer dizer que não possamos ver surpresas em Interlagos. A premiação especial da corrida tem o dom de fazer alguns pilotos acelerarem mais, pela chance de conquistar o polpudo prêmio, e fazer a corrida este ano justamente no encerramento do campeonato ajuda os pilotos a acirrarem ainda mais os ânimos dentro da pista. Muitos deles, já sem compromissos ou sem perspectivas de melhorarem na classificação, vão para a pista na base do tudo ou nada. Pra não mencionar que o prêmio pode dar um bela turbinada na conta daqueles que correm em busca de um lugar no próximo campeonato. Mas tem outro detalhe que pode dar uma bela engordada na classificação para alguns pilotos: por ser uma etapa especial, a pontuação da corrida é dobrada para todos os pilotos. Quem vencer, por exemplo, ganhará 44 pontos, em vez dos tradicionais 22. E é por essa pontuação especial que temos 7 pilotos com chances matemáticas de levar o título. A pontuação vai do 1° ao 20° colocado, sendo que este último receberá 2 pontos, ao invés de 1, como de costume.
            E, na luta pelo caneco, mais uma vez um dos grandes favoritos é Cacá Bueno, que pra variar, chegou a Interlagos liderando o campeonato, com 159 pontos. Na sua cola, em 2° lugar, estão Átila Abreu, Daniel Serra, e Ricardo Maurício, todos com 149 pontos, o que já dá uma idéia de como parada vai ser complicada. Qualquer um deles que vencer a corrida tem boas chances de faturar o título da temporada, desde que Cacá não termine pelo menos em 4° lugar. Pela pontuação dobrada, Cacá faturaria 34 pontos com a 4ª colocação, e se algum dos seus perseguidores diretos vencesse, ganhando os 44 pontos, acabaria empatando na pontuação, com 193 pontos. Mas Cacá levaria o título no desempate por vitórias: o filho de Galvão Bueno contabiliza 3 vitórias na atual temporada, contra apenas 1 de Átila Abreu e Daniel Serra, enquanto Ricardo Maurício não venceu nenhuma corrida em 2012, chegando à disputa na base da constância e regularidade. Mas não pensem que, por precisar apenas de um 4° lugar para conquistar o título, a situação de Cacá está tranqüila e folgada: basta vermos o que aconteceu em Interlagos na semana retrasada, quando Sebastian Vettel, na luta pelo título da F-1, também não precisava chegar exatamente na frente para ser campeão, e teve uma corrida dramática e tensa do começo ao fim. Nada impede Cacá de ter uma corrida nervosa e tensa no domingo, com possibilidade de perder o título por qualquer erro bobo ou situação inusitada que surgir, embora as circunstâncias climáticas que fizeram a corrida de F-1 sair do script tradicional não estejam em vias de se repetir. Mas, quem pode garantir que Interlagos não veja uma corrida cheia de alternativas no domingo?
            Logo atrás desta turma, Max Wilson vem com 138 pontos, e a tarefa de vencer o campeonato já é mais complicada, ainda mais tendo vencido apenas 1 vez na temporada. E Wilson tem de se preocupar com sua posição no campeonato, pois Valdeno Brito está apenas 1 ponto atrás dele, e ambos ainda estão na alça de mira de Nono Figueiredo, com 130 pontos, que quer terminar o ano com alguma satisfação. Isso já dá para imaginar que a briga está garantida dentro da pista.
            Mas, além dos competidores regulares da Stock Car, esta etapa também contará com “convidados especiais”. Se no ano passado a corrida contou com a presença do ex-campeão de Fórmula 1 Jacques Villeneuve, este ano haverá 4 pilotos participando da prova. Dois deles já estrearam nas últimas corridas, visando se adaptar melhor ao equipamento e tentar não fazer feio na corrida milionária: Rubens Barrichello e Tony Kanaan. E, domingo, estarão na pista mais duas feras brasileiras: Hélio Castro Neves e Rafael Matos. E, visando dar uma melhor oportunidade deles oferecerem um melhor espetáculo ao público, ontem os 4 pilotos tiveram o privilégio de testar por 3 horas no circuito de Interlagos, visando conhecer melhor os limites e comportamento do carro da categoria. A partir de hoje, eles se juntam aos 28 pilotos regulares da Stock para os treinos livres. A corrida será transmitida domingo ao vivo na TV Globo, às 9:30 horas da manhã.
            Aplaudida por muitos e criticada por outros, a presença de convidados “especiais” na corrida divide opiniões. Ao mesmo tempo em que eles muito provavelmente não terão muitas chances de repetir na Stock a forma com que se exibem nos campeonatos de monopostos, e possam até atrapalhar aqueles que estão correndo “a sério” o campeonato, por outro lado é uma bela chance de promover e aumentar o interesse pela corrida. E Barrichello, Kanaan, Helinho e Rafael sabem que suas chances podem ser até remotas, mas não estão lá apenas por diversão: eles são pilotos profissionais, e mesmo que seja apenas uma participação, estão encarando a situação com todo o profissionalismo e dedicação que tem em seus respectivos campeonatos de disputa tradicionais. Barrichello ainda procurou ganhar alguma experiência, participando das 2 últimas etapas do campeonato, para se enturmar e conhecer melhor as reações do equipamento, que são muito diferentes das de um monoposto. Kanaan também fez isso, tendo participado da última corrida. Já Helinho e Rafael apenas ontem sentiram o gosto de pilotar pra valer, mas nem por isso darão menos de si a partir de hoje. E o fazem pelo respeito ao público, sendo que muitos deles virão especialmente para vê-los em ação nos carros da Stock. E, sobre “atrapalhar” os pilotos “da casa”, bem, é uma corrida, e em corrida, você não corre com um: corre contra todos, não importa de onde eles venham. Quem quiser ser campeão tem que encarar o que vier pela frente, e ter talento, garra, e jogo de cintura para superar o que aparecer pela frente na corrida.
            A direção da Stock Car também aproveitou a semana que antecede a corrida de encerramento do campeonato 2012 para anunciar o calendário do próximo ano. Serão 12 etapas, que terão início novamente aqui em Interlagos, no dia 3 de março de 2013. E com encerramento no dia 15 de dezembro, que novamente será a Corrida do Milhão do ano que vem, repetindo o que está sendo feito este ano. Uma das novidades do próximo ano é a volta de Goiânia ao calendário, mas essa etapa ainda precisa de confirmação, uma vez que o autódromo precisará passar por obras de adequação.
            Mas, isso é atração para 2013. No momento, ainda temos um campeonato por decidir. E a dúvida de saber quem vai embolsar o milhão de reais domingo ao fim da corrida no tradicional autódromo José Carlos Pace, em Interlagos. Amantes da velocidade, preparem-se para o espetáculo da velocidade da Stock Car...


Depois das confirmações de Esteban Gutiérrez na Sauber, e de Charles Pic na Caterham, quem parece estar com o lugar a perigo é Romain Grossjean. A Lótus pode ter um novo dono em 2013, uma vez que, apesar do bom ano do time, com vitória e 3° lugar de Kimmi Raikkonem no campeonato, ainda está com a situação financeira meio abalada. O grupo Geni, que adquiriu o time da Renault há poucas temporadas, está estudando opções para o próximo ano, e se pintar um novo dono, o lugar do franco-suíço poderia ir para o espaço, dependendo dos gostos do novo proprietário. Ainda assim, o que pesa contra Grossejan é o seu histórico de acidentes e batidas nesta temporada, onde foi o piloto que mais confusões arrumou dentro da pista, tendo sido até suspenso de um GP por isso. Apesar do apoio da petrolífera Total, e de Eric Bouiller, chefe da escuderia, o futuro de Grossjean está pendente para 2013...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

FLYING LAPS – NOVEMBRO DE 2012

            Já estamos em dezembro, o último mês do ano, então chegou a hora de mais uma pequena relação de alguns acontecimentos no mundo da velocidade no mês passado, em mais uma sessão Flying Laps, com alguns comentários. Uma boa leitura, pessoal, e até a primeisa sessão do ano que vem...
 
A equipe Hispania disputou em Interlagos o seu último GP de F-1. O time já veio com o dinheiro contado para disputar as últimas etapas na América, e toda a escuderia já havia sido posta há venda há algumas semanas. O fechamento do time acabou confirmado alguns dias depois da corrida de Interlagos, e até o presente momento, não há expectativas de que alguém compre o espólio do time e dê seguimento aos serviços para tentar disputar a temporada de 2013. Aliás, devido à falta de recursos, não havia nem praticamente uma preparação para a próxima temporada, e se surgir algum comprador, já entrará no próximo campeonato atrás de todo mundo, visto que nem mesmo projeto para o carro de 2013 existe na prática. É o fim de um time que já começou de forma conturbada quando Max Mosley resolveu permitir o ingresso de novos times na F-1, no segundo semestre de 2009. De iniciativa do ex-piloto Adrian Campos, o time já estreou com outro nome e proprietário, e utilizando um projeto totalmente falho feito pela Dallara. Em seus 3 anos competindo na categoria máxima do automobilismo, a escuderia nunca conseguiu deixar as últimas colocações, apesar do esforço em melhorar a performance. Em outros tempos, a Hispania até teria condições de competir de forma mas decente, mas a F-1 virou um buraco negro que engole dinheiro numa velocidade assustadora, e sem recursos não dá para competir. Não vai ser o primeiro time que é devorado pelos custos crescentes da categoria, e infelizmente, não deverá ser o último...

A equipe Sauber fechou seu time para 2013. O time suíço confirmou em Interlagos que a vaga deixada por Sérgio Perez ficará com seu conterrâneo Esteban Gutierrez, que garantirá à escuderia a permanência do polpudo patrocínio da Telmex no próximo ano. E Kamui Kobayashi até o presente momento está a pé para o ano que vem, pois sua vaga já havia sido fechada com o alemão Nico Hulkenberg há algumas semanas. O time permanecerá utilizando motores Ferrari em 2013. Agora, o único lugar de renome ainda vago para 2013 é o de companheiro de Paul Di Resta na equipe Force Índia, que vai ser disputada a tapa e muita verba de patrocínio por vários pilotos.

A equipe Williams terminou o ano sem conseguir pontuar na corrida de Interlagos. Bruno Senna acabou fechado por Sebastian Vettel na curva do Lago logo na primeira volta da corrida, perdendo o bico do carro e sendo atingido por outro carro logo em seguida, danificando a suspensão e terminando a corrida do brasileiro logo ali. E Pastor Maldonado acabou rodando sozinho e saindo da pista, danificando também seu carro. Apesar da grande melhoria de performance da escuderia de Frank Williams este ano, o time só conseguiu ficar à frente da Toro Rosso, Caterham, Marussia e Hispania, um avanço muito tímido, tendo sido superado por larga margem por Sauber e Force Índia.

Ainda falando da Williams, o time confirmou logo após a prova de Interlagos o que todo mundo já sabia: Valtteri Bottas será o companheiro de Pastor Maldonado no time em 2013. Apesar das afimativas de que o finlandês impressionou nos treinos livres que fez nesta temporada, não deu para disfarçar que a decisão foi mais política do que técnica: Bottas é empresariado por Toto Wolf, que é sócio da equipe Williams e assumiu a direção do time este ano, depois da saída de Adan Parr. Assim como aconteceu na contratação de Bruno Senna no início do ano, o time ficou dividido na preferência, pois Bruno tinha até o apoio de Frank Williams para permanecer e tentar efetuar um ano melhor em 2013, mas Wolf bateu o pé e seu protegido ficou com a vaga. A esperança maior do time é que Pastor Maldonado coloque a cabeça no lugar e pilote com mais prudência e bom senso no próximo ano, pois o venezuelano, apesar de ter se mostrado extremamente rápido, bateu em demasia durante o ano, jogando inúmeros resultados potenciais pela janela, que com certeza não custaram barato ao time. Como a Williams não consegue arrumar patrocinadores de peso, a grana da PDVSA segura Maldonado na escuderia. Pastor, aliás, já fala até em disputar o título no ano que vem, mas ainda é totalmente prematuro fazer tal afirmação, uma vez que seu melhor resultado este ano – a vitória no GP da Espanha, acabou sendo um fato fortuito e isolado, que a Williams nunca esteve em condições de repetir, infelizmente.

O piloto brasileiro Felipe Nasr acertou seu time para disputar a temporada 2013 da GP2: será a Carlin, time com o qual foi campeão da F-3 Inglesa em 2011. Neste ano, Nasr correu pela equipe Dams, e terminou o campeonato da categoria em 10° lugar, com 95 pontos. Para o próximo ano, a meta é disputar o título, já conhecendo as pistas e o carro da categoria com mais familiaridade. A se confirmar o planejamento, será que teremos Felipe na F-1 em 2014. Não é impossível, mas vai ser difícil, com ou sem título.

A Argentina perdeu a sua etapa da MotoGP para o ano de 2013. O impasse começou com a estatização forçada da petrolífera YPF, que havia sido comprada pela Repsol na década passada. Os governos argentino e espanhol entraram em atrito por causa disso, e a petrolífera espanhola, que apóia fortemente o campeonato da MotoGP, já havia recomendado que a Argentina não era um país com segurança jurídica para sediar uma prova da modalidade. A expectativa é que a prova volte em 2014, mas a julgar pelo clima de confronto promovido pelo governo argentino com o mundo afora em assuntos em que a Casa Rosada não admite nem chegar a conversar, já promove um clima incerto para a volta do GP, que acima de tudo, se transformou mais num problema político do que técnico. A julgar pelos desmandos com que vem se portando o governo argentino recentemente, não seria surpresa se o país sul-americano acabar perdendo seus eventos internacionais do esporte, ainda mais com a política estatal de controle absoluto sobre a entrada de dólares no país, que tem causado vários problemas não só a exportadores que queiram comercializar seus produtos com a Argentina, mas também a empresários e grupos econômicos do próprio país. O calendário da MotoGP 2013 tem 18 provas programadas, com início previsto para 7 de abril no Qatar, e com encerramento no dia 10 de novembro em Valência, no circuito Ricardo Tormo. O espanhol Jorge Lorenzo tentará conquistar o tricampeonato mundial em 2013, liderando a equipe Yamaha, que voltará a contar com o italiano Valentino Rossi.

O piloto Brad Keselowski alcançou na noite do último dia 18 de novembro seu primeiro título no campeonato da Sprint Cup da Nascar, com um 15º lugar no oval de Homestead, na última etapa do campeonato. Com o abandono de Jimmie Johnson, o único que ainda poderia tirar o título de Brad, a 15ª colocação era tudo o que o piloto da Penske precisava para conquistar o título da principal divisão da Nascar. Foi também o primeiro título conquistado pela Penske na Stock Car americana, desde que começou a disputar a categoria. O triunfo também foi partilhado pela Dodge, que se despede da categoria com o título, em parceria com o time de Roger Penske, que a partir de 2013 passará a usar um modelo da Ford na Nascar. A vitória na última corrida do ano ficou com Jeff Gordon, com Clint Bowyer em 2° lugar, e Ryan Newman na 3ª posição. Jimmie Johnson ficou com o vice-campeonato, com 2.351 pontos, 20 a menos do que Keselowski. Além de ficar com o vice-campeonato de pilotos, a equipe Hendrick também teve outro motivo para comemorar: Kasey Kahne ficou com o 3° lugar na classificação final, com 2.321 pontos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

UMA DECISÃO ELETRIZANTE


            O Grande Prêmio do Brasil, disputado domingo passado, fechou com chave de ouro um dos melhores campeonatos da história da Fórmula 1, e também premiou o público e os telespectadores com uma das melhores corridas da história do circuito, em uma decisão de campeonato dramática e, acima de tudo, eletrizante. Talvez apenas na decisão de 2008 a situação tenha sido ainda mais dramática que a deste ano, tendo se resolvido praticamente nos metros finais da última volta da corrida, em favor de Lewis Hamilton, que batalhava contra Felipe Massa pelo título daquele ano.
            Este ano, deu Sebastian Vettel, que tornou-se o terceiro piloto da história da categoria a conquistar 3 títulos consecutivos, repetindo o feito que já fora alcançado por Juan Manuel Fangio em 1954, 1955, e 1956; e Michael Schumacher em 2000, 2001, e 2003. Mas não foi uma conquista fácil: Fernando Alonso, que lutava também pelo tricampeonato contra o piloto da Red Bull, tentou tudo o que pôde, terminando a corrida em 2° lugar, e ficando apenas 3 pontos atrás de Vettel na classificação. E, pelo andar de como de desenrolou o GP em Interlagos, nada estava garantido, desde a largada, até a bandeirada final. Foi uma corrida cheia de incertezas e surpresas, o pior cenário possível para pilotos e escuderias, mas o melhor de todos para quem curte corridas totalmente imprevisíveis e delirantes.
            Começou logo na primeira volta, onde Bruno Senna foi fechado justamente por Vettel na curva do lago, com ambos a rodarem ali no meio dos carros. O piloto alemão deu sorte: o impacto no seu carro foi forte, mas não comprometeu gravemente o monoposto, ao passo que Bruno ainda acabou acertado por outro carro, danificando suspensão e dando adeus à corrida ali mesmo. Vettel caíra para as últimas posições, a forma de seu carro era dúbia, e Alonso parecia ter tudo para conquistar o título. Mas, a exemplo de Abu Dhabi, o piloto da Red Bull foi à luta, e começou a escalar o pelotão, mostrando que seu carro não tinha sido tão afetado. Quem também ficou logo por ali foi Romain Grossjean e Sérgio Perez. Mais adiante, Pastor Maldonado rodava sozinho, e também dava adeus à corrida, deixando a Williams a ver navios em Interlagos.
            Para aumentar a emoção, começou a chover no autódromo paulistano, e o pior tipo de chuva possível: aquela garoa do tipo chove-pára, que deixava a pista escorregadia, mas não exatamente molhada. O que era mais recomendável: trocar pneus slicks para intermediários, ou arriscar permanecer na pista? Equipes e pilotos se embananaram com as decisões, com alguns pilotos arriscando permanecer no traçado traiçoeiro, enquanto alguns procuraram a segurança dos compostos teoricamente mais adequados para piso molhado. As escolhas, contudo, se revelaram incertas em ambos os casos, pois o piso não era exatamente molhado o suficiente para os pneus de chuva fazerem a diferença, muito pelo contrário, começaram a se desgastar ou a ter desempenho inferior aos slicks. Em contrapartida, rodar com os pneus de seco era andar no fio da navalha, e não foram poucos os pilotos que andaram conhecendo a grama ou as áreas de escape de Interlagos, conseguindo retomar a corrida, mas com perdas de tempo.
            Conforme a corrida se desenvolvia, ninguém conseguia apontar em que direção a corrida seguiria. As batidas ocorridas entre os pilotos motivaram a entrada do Safety Car para limpar alguns detritos que ficaram em posições potencialmente perigosas para os pilotos, reunindo todos os competidores e anulando as diferenças entre eles, o que ajudou ainda mais a incendiar as disputas de posição. E o chuvisqueiro começava a engrossar paulatinamente. Fernando Alonso seguia entre os primeiros, mas já havia dado algumas escapadas. Sebastian Vettel havia recuperado posições suficientes para conquistar o título, e teve algumas paradas para trocar pneus nos momentos errados, caindo lá para trás e tendo de recuperar terreno novamente, o que conseguia fazer. Na dianteira, a McLaren era desafiada de forma implacável por Nico Hulkenberg, que pilotava como nunca no seu último GP pela Force Índia, e que em um bom pedaço da corrida, parecia que teríamos mais um vencedor diferente neste ano. Lewis Hamilton, porém, queria se despedir da McLaren por cima, e travou um belo duelo com o alemão, ganhando a liderança quando Nico escorregou numa curva. Mas Hamilton não teve sossego: Hulkenberg veio para cima, e numa tentativa de recuperar a liderança, acabou vítima do piso molhado, escorregando para cima da McLaren e tirando-o da corrida. Levou uma punição desmerecida dos comissários, pois não teve culpa na manobra.
            A chuva chegara com mais força, e quem ainda não tinha se enrolado na prova até então, teve que tomar mais cuidado ainda. Felipe Massa foi outro que teve uma parada em momento errado e precisou recuperar terreno em condições instáveis debaixo das interpéries, um piso que não é de seu agrado. O abandono de Hamilton e a punição de Hulkenberg levaram Jenson Button para a liderança, e as Ferraris de Massa e Alonso logo atrás, onde pouco tempo depois o time italiano fez o brasileiro ceder a posição, de modo que o espanhol seria alçado à segunda colocação. Alonso tentou partir para cima de Button, mas parecia ter chegado ao limite: além de não conseguir se aproximar do piloto da McLaren, forçar o ritmo ficava mais perigoso, pois poderia acabar rodando.
            Lá atrás, Vettel alcançava a 6ª posição, mais do que suficiente para vencer o campeonato. Mesmo com esta posição de pista entre os contendores da luta pelo título, não dava para nada ser dado como garantido: as condições de pista pioravam lentamente, e ninguém estava imune a dar uma escapada ou se envolver em algum enrosco em disputa de posição, ou mesmo se embananar sozinho. E foi o que vimos no final: Paul Di Resta escapou no início da reta dos boxes, acertando o guard-rail e motivando o fim da corrida com nova entrada do Safety Car para evitar que alguém atingisse o carro do escocês, que ficara em um ponto perigoso.
            Jenson Button venceu a prova, e a Ferrari conquistou o resto do pódio, com Alonso em 2° e um radiante Felipe Massa em 3° lugar, merecido pelo que andou na pista, e que só não obteve resultado melhor devido à necessidade de o time priorizar Alonso na luta pelo título. Vettel, com a 6ª posição, ficava com o título. E o público de Interlagos teve um show mais do que à altura do que foi o campeonato, podendo relaxar mesmo só depois da bandeirada final. E ninguém pode dizer que foi uma corrida sem emoção. Tivemos disputas em todo o pelotão, da frente à última posição, recuperações firmes e determinadas de vários pilotos, toques entre carros em disputa ferrenha de posição, ultrapassagens a rodo, pilotos escapando da pista. Entre os que saíram da pista, Kimmi Raikkonem achou até tempo para passear pela antiga Junção da pista original, e perdendo ainda mais tempo por dar de cara com um portão fechando o acesso da pista antiga à nova.
            Durante toda a semana o clima no autódromo estava tenso entre as escuderias que postulavam o título de pilotos. Como franco-atirador, Alonso e a Ferrari procuravam desestabilizar fosse como fosse a Red Bull e Sebastian Vettel. O clima instável do domingo era tudo o que Alonso queria, para desespero de Vettel e da Red Bull, que sabiam que naquelas condições não tinham como fazer valer o seu melhor carro. E, na loteria que a corrida poderia se tornar, tudo era possível. E, por alguns momentos, quase tiveram certeza de que o campeonato teria ido para as cucuias. Vettel deu sorte de seu carro não se danificar muito, o que gerou uma ansiedade permanente na escuderia, apesar da telemetria e da performance de Sebastian na pista afirmarem o contrário. Alonso, por sua vez, pilotou como nunca, tentando aproveitar a oportunidade.
            Mas, tal qual em 2008, venceu quem chegara na véspera com vantagem à prova brasileira. E, assim como naquele ano, o que teoricamente deveria ter sido uma decisão mais tranqüila e calma, assumiu ares de drama e tensão a níveis que ninguém esperava. E foi uma decisão das mais equilibradas: fosse Fernando Alonso o campeão, o título também teria sido dos mais merecidos, pelo que o espanhol conseguira fazer durante todo o ano, levando a disputa do título para a última corrida. Foi de fato, um campeonato cheio de disputas e emoções. Tivemos corridas empolgantes durante a maior parte do ano. E a de Interlagos, como a coroar um ano espetacular, brindou a todos com uma prova imprevisível do começo ao fim.
            Que venha agora 2013...e mais emoções. O ano de 2012, uma hora, tinha de acabar, e o fez de uma das melhores maneiras possíveis, para sorte de todos os amantes da velocidade, que tiveram uma prova épica de decisão.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – NOVEMBRO DE 2012



            Novembro está acabando, e trago agora a última edição da Cotação Automobilística, fazendo uma consideração do que a F-1 apresentou neste ano, em algumas linhas gerais. Não deu para falar de tudo e de todos, mas espero ter relacionado o que achei mais interessante de se comentar. O mesmo esquema de sempre: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação, já em 2013...



EM ALTA:

Sebastian Vettel: O piloto alemão da Red Bull conquistou seu 3° título na F-1 e tornou-se o 3° piloto na história da categoria a vencer 3 campeonatos consecutivos. O primeiro a conseguir tal feito foi Juan Manuel Fangio, na década de 1950. Michael Schumacher foi o segundo piloto a faturar 3 títulos, na década passada. O jovem alemão ainda tornou-se o mais precoce de todos os tricampeões da história da F-1, ao vencer seu 3° campeonato com apenas 25 anos, e por pouco também não bateu o recorde de Jackie Stewart, que foi tricampeão com apenas 99 corridas disputadas: Vettel disputou seu 101° GP em Interlagos. Foi uma conquista cheia de drama e dificuldades, pois no início do ano, ninguém apostaria que a Red Bull conseguiria dar a volta por cima. E, quando conseguiu ter novamente um carro mais competitivo, coube a Sebastian aproveitar a oportunidade como ninguém, o que não foi conseguido por seu colega de time, Mark Webber, que acabou ficando novamente na sombra do seu parceiro de time.

Red Bull Racing: O time das bebidas energéticas conquistou seu 3° título consecutivo de pilotos e também de construtores. Vítima da mudança do regulamento que proibiu dos difusores aerodinâmicos, a escuderia austríaca havia perdido boa parte de sua competitividade, mas uma revisão no modelo RB-08 promovida durante as férias de agosto devolveram o time à dianteira na competição, ainda que sem aquela força monstruosa que havia demonstrado em 2011. E como a concorrência ficou meio perdida na segunda metade do campeonato, coube a Sebastian Vettel e ao time capitalizarem sua reconquistada competitividade, arrebatando 4 vitórias consecutivas que tornaram o jovem bicampeão o favorito ao título. A escuderia conviveu durante boa parte do ano com o preconceito dos outros times de ponta, por não ter a “tradição” nem ser uma escuderia ligada a algum grupo automobilístico, mas a Red Bull deu a melhor resposta dentro da pista. Não importa de onde o time tenha surgido e qual o seu principal controlador, pois dentro da pista o time sempre mostrou coesão e soube trabalhar os talentos que possui em seu staff técnico e de pilotos. E, desde já, é novamente a favorita ao campeonato de 2013. Os demais times que corram atrás, se não quiserem tomar outra lavada dos austríacos.

Campeonato 2012 da F-1: A categoria máxima do automobilismo teve este ano o seu maior campeonato de todos os tempos, com nada menos do que 20 corridas disputadas por todos os continentes (exceto a África). E a grande maioria das provas foi totalmente empolgante, com duelos a rodos, vencedores variados, alternância de líderes, disputas ferrenhas, etc. Tivemos 8 pilotos vencendo em 2012, por nada menos do que 6 times diferentes, e embora o campeonato tenha se afunilado na reta final para apenas 2 postulantes ao título, nem por isso as corridas finais deixaram de reservar emoção e competição aos amantes do esporte a motor. Interlagos viu uma decisão quase tão dramática e eletrizante quanto a de 2008, em um cenário de chove-não-molha que deixou público, equipes e pilotos tensos como não se via em uma decisão de campeonato. E a competição ainda viu o retorno de nomes tradicionais a vencerem uma corrida, ainda que tenham sido resultados esporádicos: Mercedes, Williams, e Lótus. Boa parte das emoções de várias corridas foram proporcionadas pelos pneus da Pirelli, que se mostraram mais difíceis de serem compreendidos este ano do que em 2011, deixando equipes e pilotos perdidos em muitas situações. Para 2013, espera-se que a situação se mantenha, e vejamos outro campeonato de perder o fôlego...

Kimmi Raikkonem: de volta à F-1 após dois anos afastado disputando ralis, o piloto finlandês foi uma das grandes e boas surpresas da temporada. Raikkonem levou a ex-Renault, agora com o nome Lótus, a figurar entre os primeiros lugares em vários GPs, mesmo sem o time ter a mesma performance dos principais nomes da categoria. Mas Kimmi fez da regularidade e constância sua principal arma, e enquanto seu colega de equipe Romains Grossjean acumulava encrencas e batidas, o finlandês nunca se envolveu em nenhuma confusão, deixando de pontuar apenas em uma corrida durante todo o ano, e completando praticamente todas as provas e voltas do campeonato mundial, alcançando e terminando o certame numa bela 3ª colocação, e ainda arrumando espaço para vencer novamente, em Abu Dhabi, quando  ninguém esperava mais que a equipe fosse capaz. Não fosse seu time se perder em estratégias conservadoras em algumas provas, o campeonato de Raikkonem poderia ter sido ainda mais impressionante nos resultados. De contrato renovado para 2013 com a Lótus, Kimmi tem tudo para continuar brilhando, basta que seu time acerte a mão no carro. Motivação, parece que Raikkonem já a recuperou, e isso é sua principal arma, pois seu talento nunca esteve em dúvida...

Fernando Alonso: o piloto espanhol mostrou que, mesmo na F-1 atual, o piloto ainda pode fazer a diferença, e mesmo não contando com um equipamento tão bom quanto o dos rivais em boa parte da temporada, conseguiu não apenas se manter entre os ponteiros como ainda liderar a classificação do campeonato por muito tempo. Tirando do F2012 mais do que o carro tinha para dar em várias ocasiões, Alonso praticamente não cometeu erros na pista durante o campeonato, vindo a sofrer dois abandonos por circunstâncias alheias a seu controle, que fulminaram com boa parte de suas expectativas de conquistar o tricampeonato mundial. Nas ocasiões em que teve um carro mais à altura para brigar com os rivais, Fernando não deixou escapar as oportunidades que teve para vencer, e conseguiu levar a disputa do título para a última corrida, feito que é reconhecido por todos no paddock e na imprensa especializada. E, diferente de 2010, quando o espanhol e a Ferrari perderam o título na corrida final por erro da estratégia, desta vez quem ficou devendo mais foi o time mesmo. Se Alonso tiver um carro competitivo desde o início em 2013, será um oponente dificílimo de bater...



NA MESMA:

Felipe Massa: O piloto brasileiro conseguiu não apenas reverter a sua má fase na F-1, e conseguir o que muitos consideravam impossível, que era renovar com a Ferrari por mais uma temporada, voltou a andar como nos velhos tempos, conseguindo voltar ao pódio, e fazer boas corridas, como na Coréia do Sul, nos Estados Unidos, e no Brasil, mas suas chances de conseguir melhores resultados tiveram de ser tolhidas pela equipe, que não permitiu que o brasileiro ultrapassasse Fernando Alonso na pista, tendo obrigatoriamente de terminar atrás do espanhol, devido à disputa do título, mesmo quando o brasileiro estava andando mais rápido que o asturiano. O episódio de Austin, quando o time ainda o fez tomar uma punição desnecessária apenas para privilegiar Alonso já dá uma amostra que o espera possivelmente no próximo ano: liberdade para correr, apenas se Alonso estiver fora de combate, do contrário, deverá continuar ficando em 2º plano. Mas Felipe deve aproveitar a oportunidade para se relançar no mercado, e se mantiver a performance demonstrada nesta segunda metade de campeonato, tem tudo para se tornar um nome importante a ser considerado no mercado de pilotos para 2014, quando teoricamente várias vagas em potencial poderão se abrir. Neste ano, além das vagas terem sido poucas, seu péssimo início de temporada o fizeram ser praticamente ignorado como opção pelos demais times. Ganhou uma renovação com a Ferrari mais pela falta de opções do time italiano, que provavelmente não encontrou ninguém que aceitasse se submeter à política do time de preferência por Alonso do que por suas qualidades como piloto. Massa terá de ser a perfeição em pessoa no início de 2013 para anular as possibilidades de o time se focar em Alonso, e com isso ganhar mais chances de competir a fundo pelo campeonato. Vai ser uma tarefa hercúlea, mas Felipe demonstrou nas últimas corridas que tem condições de fazer isso. Resta saber se vai conseguir...

Equipe Ferrari: O time italiano trabalhou como um louco durante todo o ano para finalmente voltar a ser campeão mundial, e novamente a taça escapou por pouco. Mais por culpa do time do que por Alonso, que fez dentro da pista tudo o que estava a seu alcance. Já a Ferrari teve um início de temporada que só não foi completamente catastrófico porque o espanhol salvou uma vitória completamente inesperada em Sepang, em um momento em que o F2012 mal permitia a seus pilotos largar entre os 10 primeiros no grid. A escuderia conseguiu maravilhas ao tornar o carro competitivo, mas o modelo 2012 raramente foi tão eficiente nas classificações como em corrida, e na parte final da temporada, exibiu sinais claros de ter alcançado o limite de seu desenvolvimento, uma vez que a base fraca do carro ainda permanecia. O grande mérito do time foi a fiabilidade de seus carros, que nunca apresentaram problemas em corrida. Por outro lado, continuando a praticar suas táticas de jogo de equipe lamentáveis, como a punição impingida a Felipe Massa no GP dos EUA, apenas para fazer Alonso largar mais à frente no grid e do melhor lado da pista, muitos preferiram ver o time italiano perder novamente um campeonato como forma de castigo por tais atos antiéticos e antidesportivos, ainda que não ilegais de acordo com o regulamento da categoria. O pior de tudo é que isso não fará diferença alguma em Maranello, que já demonstrou várias vezes que irá fazer novamente tais jogos, se necessário, e que na opinião deles dane-se o que os torcedores e o mundo irão achar...

Equipe McLaren: o time de Woking começou bem a temporada, mas infelizmente se perdeu a meio dela, tropeçando para entender melhor o comportamento dos pneus Pirelli deste ano. O fato de ser um ano muito equilibrado ajudou a mascarar a queda do time na classificação e na luta pelo título por algum tempo. Mas, mesmo quando corrigiu os defeitos de performance, voltando a ser o carro a ser batido, o time acabou vítima da falta de confiabilidade, que lhe roubou pelo menos duas vitórias certas, que poderiam ter deixado Lewis Hamilton em condições de disputar o título da temporada. Nem mesmo Jenson Button, com sua costumeira capacidade de guiar o carro com o fino da precisão, conseguiu se entender com os pneus durante todo o ano, ficando várias provas sem conseguir pontuar, quando também não era atingido por quebras mecânicas do próprio monoposto. A falta de fiabilidade, aliás, foi o principal calcanhar de Aquiles do time, que não conseguiu nem mesmo o vice-campeonato de construtores. O time ainda viu sua maior estrela, Lewis Hamilton, partir para a Mercedes. A maior aposta da McLaren agora é em seu novo contratado, Sérgio Perez, que terá enfim um carro vencedor para mostrar do que é capaz. Button, por sua vez, terá mais responsabilidade do que nunca em 2013, cabendo a ele liderar o time dentro da pista.

Pastor Maldonado: o intrépido piloto venezuelano assumiu a liderança da equipe Williams em 2013, e conseguiu o que muitos achavam impossível: fazer o time do velho Frank voltar a vencer, o que conseguiu em Barcelona, com direito a pole-position. O resultado, porém, foi ocasional, pois a partir dali, Maldonado envolveu-se em confusões durante quase todo o restante do campeonato, só conseguindo pontuar novamente nas últimas corridas da temporada. Piloto extremamente rápido, Pastor não perdeu o hábito de se envolver em confusões nas corridas e nos treinos, tendo tomado várias punições por causa disso, e perdendo inúmeras chances de pontuar. Seu maior mérito foi mostrar a velocidade do carro nas classificações, quase sempre indo para o Q3 na grande maioria das corridas. Infelizmente, as boas posições de largada acabaram comprometidas com as confusões em que Maldonado se envolveu, fazendo valer novamente o apelido de “Maldanado”. A vitória e pole em Barcelona foi o ponto alto de sua temporada, e ele tem seu lugar garantido na Williams para 2013, embora isso se deva muito mais ao polpudo patrocínio da PDVSA do que à sua capacidade de pilotagem, pois os inúmeros acidentes em que se envolveu custaram caro para o time. Em 2013, ele terá novamente chance para amadurecer sua pilotagem sem perder sua velocidade.

Equipe Sauber: o time de Peter Sauber teve sua melhor temporada em muitos anos. Conquistou pódios e, em alguns momentos, dava até pinta de conseguir poder vencer corridas. Mas a escuderia pecou durante parte do ano com uma certa instabilidade de performance de seu carro, que ora rendia muito, ora não rendia nada. Assim, enquanto em algumas pistas seus pilotos eram até candidatos ao pódio, em outras eles se mostravam incapazes até de pontuar. Conseguir uma performance mais estável será o principal foco do modelo 2013, pois neste ano, se o time suíço conseguiu até mesmo ter a expectativa de superar a Mercedes na classificação de construtores – o que faltou pouco para acontecer, é de se esperar que a concorrência venha mais forte no próximo ano. O ponto positivo é que o time manterá o vasto patrocínio da Telmex, graças à efetivação do jovem mexicano Esteban Gutierrez para o lugar de Sérgio Perez, que foi para a McLaren. E com a contratação de Nico Hulkenberg, a Sauber reforça seu caixa para ter um ano mais calmo em termos financeiros. A lamentar o despedimento de Kamui Kobayashi, que sem ter como arrumar patrocínios, foi rifado sem dó nem piedade pelo time, em prol de quem trouxesse verba.



EM BAIXA:

Michael Schumacher: o maior vencedor da história da F-1 se aposentou em definitivo neste fim temporada, novamente na pista de Interlagos. Diferente de 2006, quando deu um show de pilotagem e levou o público ao delírio com o que seria sua última prova, desta vez Michael sai pela porta dos fundos, sem maiores comoções. Dispensado pela Mercedes, que contratou Lewis Hamilton para seu lugar, Schumacher ainda teria tentado arrumar lugar em outros times, no que não conseguiu ser bem-sucedido. Michael teve um ano apático em sua maior parte, e se o carro não ajudou, é verdade que o piloto alemão também não conseguiu demonstrar aquela tenacidade aguerrida que sempre o caracterizou. Michael não conseguiu superar as limitações atuais da competição, e embora tenha voltado a competir em níveis satisfatórios, não conseguiu superar as deficiências do equipamento como fazia em seus tempos áureos. A ausência de 3 anos acabou por se mostrar implacável para ele, e embora ele tivesse todo o direito de ter voltado a competir, muitos consideram que seu retorno foi um erro mesmo. A idade parece ter cobrado seu preço, mas Michael foi dispensado mesmo porque a Mercedes precisa de maiores resultados, e o heptacampeão deu mostras de que não poderia mais dar este tipo de contribuição ao time.

Equipes nanicas da F-1: Caterham, Marussia e Hispania (vulgo HRT) completaram seu 3° ano de competição na categoria máxima do automobilismo do mesmo jeito que começaram: sem conseguir marcar presença, a não ser na hora de virarem retardatárias nas corridas. Enquanto a Caterham continua demonstrando ser a única que parece levar a coisa mais a sério e de forma mais propensa a alcançar de fato o pelotão intermediário, a Marussia não parece ir a lugar algum, embora a resistência de seu carro este ano tenha levado o time a ficar teoricamente à frente da escuderia de Tony Fernandes. Esta, porém, não conseguiu evoluir este ano tanto quanto desejava, mesmo com maior experiência e contando pelo segundo ano consecutivo com o motor Renault, o mesmo da campioníssima Red Bull. E ainda temos o time espanhol, que há algumas semanas foi colocado à venda, e praticamente disputou as últimas duas corridas com o dinheiro contado. A corrida de Interlagos pode ter sido muito bem o adeus do time espanhol, que nunca conseguiu deixar de ser o pior do pelotão, ainda mais pelo modo como nasceu, mal gerido e sem conseguir demonstrar nenhuma qualidade técnica, situação que perdurou durante todas as 3 temporadas que disputou. No ritmo que a coisa vai, fica cada vez mais patente que a idéia de Max Mosley de incluir novos times era válida, mas seus critérios de escolha foram totalmente errados, preferindo escolher candidatos mais pelo perfil político do que pela competência técnica, e olhe que times de comprovado histórico, como a Prodrive, acabaram barrados para se aceitar estes times. Apenas a Caterham mostrou merecer a chance, enquanto tivemos até outro time que nem sequer chegou a estrear. Até os times pequenos de antigamente da F-1 pareciam que tinham mais capacidade, mas infelizmente a F-1 atual é ainda mais cruel com os pequenos do que antigamente...

Romain Grossjean: o piloto franco-suíço ganhou uma nova chance na F-1, embora muitos considerem que sua estréia, em 2009, não conte muito por ter sido jogado literalmente na fogueira que era a equipe Renault, com um carro pra lá de problemático, e ainda por cima com o time voltado unicamente para Fernando Alonso, além do clima quente no time pelo escândalo de Cingapura ocorrido no ano anterior. Grossjean precisou refazer a carreira, e ganhou sua nova chance na F-1 com todos os méritos. O piloto mostrou-se muito rápido desde o início, chegando a colocar em xeque a posição de Kimmi Raikkonem no time como líder da equipe. Mas Grossjean foi forte mesmo em colecionar confusões nas pistas durante toda a temporada, tendo como ponto “alto” o strike que criou na largada do GP da Bélgica, onde tirou vários pilotos da corrida, o que lhe valeu uma suspensão para a corrida seguinte, em Monza, além de uma bela multa. Os enroscos em que Romain se envolveu durante o ano lhe valeram a reprimenda de vários outros pilotos no grid, com críticas especialmente à sua postura demasiado agressiva na primeira volta, onde aconteceu a maioria dos acidentes. Mas Grossjean também mostrou certa predisposição para estar no lugar errado na hora errada, ou fazer a manobra errada, como na classificação para o GP do Brasil, onde acertou o guard-rail tentando passar um carro logo na tangência da curva para a reta dos boxes. Foi um ano cheio de altos e baixos, e com tantos acidentes pelo caminho, perdeu feio o duelo para Raikkonem conforme a temporada avançava, ainda mais com o finlandês não tendo se envolvido em praticamente nenhuma confusão o ano inteiro. Neste momento, sua posição no time é posta em dúvida para 2013. Seu maior trunfo é ter Eric Boullier como empresário, uma vez que ele também é diretor geral da Lótus.

Equipe Williams: O time de Frank Williams não podia ter um ano igual ao de 2011, precisando sair do buraco a qualquer custo. De certa forma, o time conseguiu, produzindo um carro que tinha muito potencial. Mas, ao escolher dois pilotos pagantes, a escuderia também assumiu o risco de os resultados não ficarem à altura do potencial do time, e foi isso que aconteceu: Pastor Maldonado mostrou-se muito rápido, especialmente nas classificações, mostrando a velocidade que o FW34 podia dar, dando esperança de um ano muito promissor. Mas o venezuelano, tirando a etapa de Barcelona, onde conseguiu uma pole, e principalmente, vitória, inesperadas até para o mais otimista dos membros do time, passou boa parte do campeonato envolvendo-se em confusões e acidentes durante as corridas, o que jogou muitos resultados potenciais no lixo, além dos prejuízos do conserto dos carros. Bruno Senna, por sua vez, embora envolve-se menos em confusões, também teve sua cota de batidas, e pior, demonstrou um ponto fraco persistente nas classificações durante todo o ano, raramente conseguindo demonstrar o potencial do carro como Maldonado. Bruno pontuou com mais constância que seu companheiro venezuelano, mas como largava sempre mais lá atrás, seus resultados eram muito menores, por ter de batalhar muito no pelotão intermediário. Todos no paddock concordaram que a dispensa de Rubens Barrichello foi um erro por parte da direção da equipe, pois o veterano piloto estava no mesmo nível de velocidade de Maldonado, e com certeza teria conseguido muito mais pontos para o time se tivesse permanecido. O resultado é que, mesmo tendo um ano muito melhor do que o de 2011, a Williams continuou na rabeira da classificação de construtores, superando apenas a Toro Rosso. A inexperiência, e as confusões em que seus pilotos se envolveram, minaram as chances de ficar à frente de outros times, como Sauber, e Force Índia, que tiveram anos muito mais expressivos.

Equipe Mercedes: pelo terceiro ano consecutivo, o time de Stutgart não conseguiu mostrar efetivamente a que veio na F-1. Uma pole e uma vitória, na China, deram a impressão de que o time prateado poderia enfim sonhar em desafiar os poderosos Red Bull, McLaren e Ferrari, mas tudo não passou de fogo de palha: o carro continuou não se entendendo com os pneus da Pirelli, os quais consumia demasiado, e a escuderia perdeu-se no desenvolvimento do modelo W-03. Michael Schumacher, apesar de ter voltado a recuperar boa parte de sua garra de pilotagem, começou a cometer diversos erros, e sua indefinição sobre o futuro indicava que o time precisaria de outro piloto para atingir seus objetivos. Assim, tudo ficou focado em concentrar forças para o campeonato de 2013, quando o time terá Lewis Hamilton para liderar a escuderia dentro da pista, e por tabela, alcançar os resultados que até agora não foram alcançados. Deve, também, ser a última cartada da Mercedes, que estuda seriamente voltar a ser apenas fornecedora de motores na categoria, se o time não demonstrar resultados condizentes ao investimento feito pela fábrica alemã, que nos últimos 3 anos, só viu sucesso com seus motores equipando seu ex-time oficial, a McLaren. Nico Rosberg que se cuide, pois se ele conseguiu cuidar de Schumacher, vai ter maiores dificuldades em domar Hamilton, que chega no time alemão aceitando o desafio de tornar a equipe uma potência na F-1. Há recursos e material técnico para isso. Resta saber se Ross Brawn e Norbert Haug vão finalmente acertar o passo e fazer o time desencantar de vez no próximo ano...