quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – OUTUBRO DE 1994

            Dando seguimento à publicação de minhas antigas colunas, eis aqui a que escrevi em outubro de 1994. O campeonato naquela altura já estava quente: Damon Hill aproveitou bem as etapas em que Michael Schumacher foi suspenso e encostou no piloto alemão. Mas bastou o germânico retornar para ele mostrar porque era considerado o melhor da categoria após a morte de Ayrton Senna. E para muitos, Hill não passava de um piloto “comum”, e portanto, até indigno de ser campeão de F-1. Claro que a história da categoria já mostrava que nem sempre apenas pilotos acima da média eram campeões, e como vimos depois, Damon nos mostrou que podia sim ser campeão, tendo qualidades para tanto, embora não estivesse à altura de Michael Schumacher. E vamos ao texto então...

BASTIDORES QUENTES

Adriano de Avance Moreno

            A F-1 experimenta uma verdadeira ebulição nos bastidores neste fim de temporada. Há muitas negociações, jogadas, lances e troca-trocas em andamento. A única jogada que continua na mesma é a disputa do título mundial, que continua como sempre esteve, e que aponta o alemão Michael Schumacher como provável campeão de 1994. Vamos para as duas últimas etapas com o campeonato em aberto, e os melhores prognósticos indicam que a decisão do título deve dar-se apenas em Adelaide. Embora muitos concordem que o título já é de Schumacher, não devemos nos esquecer que tudo pode acontecer numa corrida. Damon Hill pode não merecer ser campeão, mas já houve muitos pilotos nesta situação. Só para citar dois nomes, é o caso de James Hunt e Jody Schekter.
            Hunt era considerado mais um playboy do que um excelente piloto: levou o título por ter nas mãos o excelente carro preparado por Émerson Fitipaldi no ano anterior, o McLaren M23, e ao violento acidente que quase matou Niki Lauda em Nurburgring, tirando-o de algumas corridas. Já Schekter também beneficiou-se do excelente carro que tinha em 1979, quando a Ferrari foi imbatível: o sul-africano era considerado por muitos um “troglodita” ao volante, sem nada de excepcional como piloto. Não fosse a inconstância de Gilles Villeneuve, seu companheiro de time na escuderia italiana, Jody provavelmente nunca teria um título no currículo. Pode ser o caso de Hill, que é tido por muitos apenas um piloto “comum”.
            A maneira como Schumacher humilhou Hill no GP da Europa credencia o alemão como melhor piloto da temporada. Nigel Mansell, retornando à Williams, terá de mostrar serviço se quiser continuar no time em 95. Muitos dizem que o “Leão” já está velho para a F-1. Pode até ser verdade, mas aqueles que dizem que ele está acabado para a categoria estão exagerando. A meu ver, é impossível alguém se adaptar perfeitamente à F-1, depois de passar o ano inteiro competindo na F-Indy, em apenas 4 dias. Lembrem-se de que Mansell, quando mudou-se para a F-Indy, fez mais de 30 dias de testes com seu novo Lola/Ford, antes de estrear oficialmente em sua primeira corrida na categoria. Na minha opinião, o piloto inglês precisa apenas de mais quilometragem para voltar a mostrar o que sabe. A questão é se a Williams vai lhe dar chance de conseguir esta quilometragem.
            A Mercedes agitou o fim deste mês com o anúncio de que passará a equipar a McLaren em 95, com um contrato válido por 5 anos. Não há dúvidas de que a Mercedes está jogando alto para voltar a ter na F-1 o domínio que teve na categoria quando participou das corridas na década de 1950. Tamanho investimento está fazendo todas as outras marcas de motores se mexerem também, cada uma à sua maneira, o que perfaz um novo e interessante horizonte para a F-1 nos próximos anos.
            A nova “era” Schumacher na F-1 também significa o fim dos grandes nomes da década de 1980 na F-1. Apenas Gerhard Berger deve continuar nas pistas em 1995, dos pilotos que já venceram corridas na década passada, caso Nigel Mansell não continue na categoria. Mansell, aliás, não deve continuar mesmo na Williams, mas essa é uma corda que está pendendo para os dois lados: muitos dos patrocinadores do time querem um piloto campeão na escuderia, e para eles, Mansell é este piloto. A Williams, entretanto, vem demonstrando preferência pelo jovem David Couthard, um piloto que já mostrou suas habilidades nas corridas que teve chance de disputar este ano, e que muitos consideram como um piloto muito promissor.


Terminou o campeonato da F-Indy, e ficou provado que a Penske massacrou mesmo a concorrência na temporada 94. Para 95, a tendência é diminuir tal domínio, já que apenas Al Unser Jr. E Émerson Fittipaldi serão os pilotos do time. O tiro, entretanto, para desespero da concorrência, pode sair pela culatra, pois a Penske terá apenas 2 carros para se concentrar, e não 3. Roger Penske tem uma mentalidade vencedora que se equivale à de Ron Dennis na McLaren, e para ele, o objetivo é manter o domínio da Penske, e quem sabe, até aumentá-lo. A F-Indy constantemente fica se gabando de ter provas mais competitivas do que a F-1. Este ano, entretanto, não teve muito equilíbrio, o que mostra que, mesmo na F-Indy, apesar de seu regulamento propiciar maior competitividade, também há espaço para desigualdade entre as equipes, e que ficou patente este ano...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O QUE ESPERAR DA WILLIAMS?

            Um dos assuntos em voga recentemente na Fórmula 1 tem sido o destino de Rubens Barrichello na categoria. Será que o veterano piloto, que está disputando sua 19ª temporada, conseguirá renovar com a Williams para 2012, e assim atingir sua 20ª temporada na competição, o que seria um recorde absoluto para um piloto na história da F-1, ou poderá ser obrigado a encerrar a carreira, caso o time inglês opte por não renovar o vínculo com o brasileiro? Até algumas semanas atrás, tudo parecia bem encaminhado, tanto que o próprio Rubens declarava que só faltava praticamente assinar o novo contrato. Nos últimos dias, contudo, o tom mudou, e a renovação parece ter empacado em algum ponto. Não há dúvidas de que a Williams é a grande decepção da atual temporada, que é praticamente a pior da história da escuderia, em seus mais de 30 anos de existência.
            Mas fica a pergunta: o que se pode esperar da Williams para o futuro? A escuderia iniciou uma reestruturação na área técnica, com um pessoal novo que estará coordenando os projetos, ao mesmo tempo que alguns nomes importantes na estrutura da equipe estarão se despedindo, entre eles Sam Michael, que foi o grande nome técnico do time nos últimos anos, e mais importante, Patrick Head, sócio do time e praticamente braço direito de Frank Williams, uma dupla que iniciou sua aventura na categoria lá nos anos 1970, e tem estado junta até agora. Até o momento, a única notícia mesmo positiva para a próxima temporada é a confirmação do uso dos motores Renault, bem melhores do que os atuais Cosworths usados pelo time sediado em Grove. Mas apenas um motor melhor não será a salvação da pátria para a Williams. A Lótus está aí para provar isso: continua sendo um time ainda incapaz de ameaçar os já estabelecidos, tendo se sobressaído apenas sobre a Virgin e a Hispania, o que não quer dizer muita coisa, uma vez que estas duas escuderias ocupam sempre os finais dos grids e classificações de corridas.
            Pela lógica, o mais sensato para a Williams seria manter sua dupla de pilotos. Tanto Rubens Barrichello quanto Pastor Maldonado estão fazendo o máximo dentro de suas possibilidades para levar a Williams adiante nos grids e nas corridas, mas o carro é tão ruim que nem um nem outro tem conseguido obter resultados satisfatórios. Para piorar, quase todos os novos desenvolvimentos projetados têm sido infrutíferos, levando Barrichello a perder literalmente as sextas-feiras de cada GP testando peças e sistemas que muitas vezes não têm levado a lugar nenhum. Por mais que a capacidade de acertar carros do brasileiro seja reconhecida – com exceção claro, de um punhado de brasileiros que acha Rubens a maior enganação do mundo, e que nos últimos dias voltaram com tudo a fazer coro para que a F-1 se livre do piloto veterano, que na sua opinião só envergonha o Brasil perante o mundo (na opinião deles, claro), ele não vai conseguir produzir avanço se o corpo técnico não consegue desenvolver melhorias no projeto do carro, que infelizmente, nasceu errado, e quando isso acontece, é muito difícil conseguir corrigir o rumo. A direção da Williams já deu a entender que os pilotos estão fazendo o que podem, e neste caso, renovar o contrato de ambos seria o mais coerente, para manter a base de comparação técnica para a nova estrutura que está sendo montada, com vistas a promover uma renovação no projeto do carro de 2012. Mas, em sua história, a Williams já deu vários exemplos de que toma atitudes muitas vezes ilógicas quando o assunto é manter coerência tanto na área técnica quanto na direção da escuderia, especialmente no que tange a seus pilotos. Não há time na história da F-1 que tenha dispensado e/ou perdido tantos pilotos campeões quanto a escuderia inglesa. Nomes de peso como Nélson Piquet, Alain Prost, Nigel Mansell, e até mesmo Damon Hill, Alan Jones e Jacques Villeneuve mostram como o time não pensou duas vezes quando o assunto era deixar seus melhores pilotos partirem para novos lugares.
            Para piorar a situação, o caixa da escuderia não está necessariamente nos seus melhores dias. O time perdeu patrocínios importantes nos últimos dois anos, e nesta temporada, o orçamento trazido por Maldonado da PDVSA foi a salvação do time. Contudo, apesar do contrato de patrocínio ser longo, os fracos resultados podem levar à revisão dos valores, para não mencionar que, depois de mais de uma década sendo usada a torto e a direito nos devaneios populistas de Hugo Chávez, a empresa petrolífera venezuelana anda bem mal das pernas, técnica e financeiramente. E, com o caixa baixo, a PDVSA poderia também rebaixar a quantia que paga à Williams para estampar sua marca na escuderia.
            A possibilidade de o time contar com ainda menos recursos na próxima temporada é bem séria e real. Os fracos resultados deste ano já irão render ao time muito menos recursos oriundos da divisão de lucros da FOM para o próximo ano. E a chance de o patrocínio da petrolífera venezuelana encolher só tenderão a tornar os recursos de Grove mais escassos do que nunca. Será preciso muito trabalho, criatividade e seriedade para conseguir dar a volta por cima em um panorama sombrio destes. Não é impossível para a Williams dar a volta por cima em 2012, mas é extremamente difícil. E a história mostra que um time dificilmente consegue recuperar-se tanto de um ano para o outro. O exemplo do carro fracassado da Honda de 2008, que em 2009 tornou-se vencedor não pode ser aplicado, pois em meados de 2008, quando se percebeu que o carro daquela temporada era um fiasco total, todos os recursos foram empregados no desenvolvimento do monoposto que surpreendeu a categoria em 2009. E estes recursos eram fartos, bancados pela Honda, antes da fábrica japonesa decidir por abandonar a competição. Calcula-se que pelo menos mais de US$ 400 milhões foram dispendidos no projeto. E ainda teve o adicional motor Mercedes-Benz, que conseguido à última hora, ainda se encaixou como uma luva no carro, somando forças ao que já era bom. Se a Williams terá de fato um motor melhor em 2012, não há os recursos fartos que permitiram a Ross Brawn transformar um panorama que todos julgavam ser quase um fracasso certo em um sucesso estrondoso.
            Neste panorama que se apresenta incerto e até tenebroso com relação ao possível futuro da Williams, algumas publicações lançam mão de boatos que colocam novamente Nico Hulkenberg de volta na Williams. Nem mesmo Pastor Maldonado estaria garantido, pois o contrato com a PDVSA não liga a petrolífera necessariamente ao piloto venezuelano, mas a um grupo de pilotos que poderia ser mudado o titular de acordo com a necessidade ou conveniência. Até mesmo Adrian Sutil estaria na parada para ser titular da Williams, mas o maior problema do time não são seus atuais pilotos. Barrichello tem andado bem, e superado Maldonado em quase todas as corridas, embora o venezuelano tenha se dado melhor nas classificações. Mas se o brasileiro não tem alcançado o Q3 como seu companheiro tem feito algumas vezes, Barrichello por outro lado tem avançado para a frente nas corridas, enquanto Pastor, vitimado pelo péssimo desempenho de corrida do FW33, vai caindo para trás em todas as provas que larga no Q3, impossibilitado de se defender de carros com melhor ritmo de corrida. E, analisando pela lógica, Adrian Sutil está em um time em ascenção no momento, a Force Índia. Trocaria um time que no momento está crescendo, por um futuro incerto na Williams? E Nico Hulkenberg sabe que é questão de tempo até a Mercedes requisitar Paul Di Resta, o que abriria uma vaga para ele no time indiano, onde já está se dando muito bem. Voltaria à Williams, que o dispensou? Neste momento, seria infrutífero.
            Uma troca de pilotos neste momento também não agregaria melhoras significativas à escuderia, muito pelo contrário. Já há mudanças demais ocorrendo no staff técnico, e manter os pilotos, que são quem menos tem culpa no mal desempenho do carro atual, é até uma questão de justiça, além de se manter um ponto de referência seguro para se avaliar nas novidades que deverão ser implantadas no projeto do carro de 2012. Frank Williams mais do que ninguém sabe que eles estão fazendo o seu possível, tentando se manter firmes e motivados, mesmo com os resultados ruins, e não se pode cobrar menos ou mais do que isso.
            Ao lado da Ferrari e da McLaren, a Williams é um dos times mais tradicionais da história da F-1. Sua luta para competir nos últimos anos faz lembrar a lenta decadência da equipe Tyrrel e da Lótus original, que lutaram o quanto puderam contra as adversidades que os custos descabidos adotados pela categoria nos últimos anos impuseram a uma série de times. Que a Williams consiga se reerguer para competir novamente, e não ser mais um nome a figurar apenas na história e estatísticas da F-1...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – SETEMBRO DE 1994 – II

            Continuando com a publicação de minhas antigas colunas, eis aqui a segunda coluna que escrevi no mês de setembro de 1994. O assunto da coluna destacava como o campeonato de F-1 daquele ano havia tido sua emoção e disputa “resgatada” meio que à força, e como Damon Hill aproveitou a oportunidade para embolar a disputa, que ninguém imaginava no início do ano que atingiria tal nível. E vamos ao texto...

DISPUTA QUENTE

Adriano de Avance Moreno

            O campeonato da F-1 vai pegar fogo. Esta é a definição do que vamos ter nas últimas 3 etapas do ano. É verdade que a emoção foi resgatada à força pela FIA, com a punição de Michael Schumacher por 2 corridas, por causa das mancadas e tropeços da Benetton, que custou ao alemão 4 corridas perdidas (as 2 de suspensão, e 2 de desclassificação), mas enfim teremos uma forte disputa. Apesar disso, o ano ainda não se recuperou do forte baque dos acontecimentos de Ímola.
            Damon Hill conseguiu tudo o que queria, reduziu a vantagem de Schumacher para apenas 1 ponto, e agora tem a grande chance de ser campeão, mas chegou a hora de o inglês mostrar que merece o título. O piloto alemão tem muito mais talento que Hill, e vai ser um páreo duríssimo nas provas finais. Não só Hill, mas a própria Williams vai ter de mostrar estar apta para conquistar o título. Por sua parte, a escuderia está preparada para tentar novamente não só vencer o título de pilotos, como também o de construtores, agora que passou à frente da Benetton na classificação do campeonato. Benetton e Williams vão decidir tudo no final da temporada, e as perspectivas indicam que talvez a coisa só fique decidida na Austrália, em Adelaide, a última prova do ano, algo que só aconteceu em 1986, quando Alain Prost, Nélson Piquet e Nigel Mansell chegaram para a prova australiana disputando o título, que acabou ficando com Prost.
            Tanto a Williams quanto a Benetton já estão preparando suas armas e neste ponto o time do velho Frank Williams está em vantagem: enquanto a Benetton só pode confiar no seu excelente carro e no talento de Schumacher, a Williams já conseguiu reverter boa parte de seu atraso técnico no chassi FW16, Hill está mais motivado do que nunca, e para finalizar, terá Nigel Mansell para ser o escudeiro de Hill nas provas finais. Pode até ser que Mansell não esteja em sua melhor forma, mas o “Leão”, sem dúvida, será um companheiro de equipe muito mais eficiente para Hill do que o holandês Jos Verstappen para Schumacher na Benetton.
            Jerez de La Fronteira, palco do GP da Europa, é um circuito travado, que deve favorecer a Benetton, mas se Hill conseguir sair na frente, provavelmente terá a corrida em suas mãos. No mínimo, Schumacher não terá mais aquelas corridas tranqüilas do início do ano, e chega a hora de vermos como o alemão se comportará sob pressão na pista. Já tivemos um exemplo este ano, na Alemanha, onde vimos Michael tentar tudo para passar a Ferrari de Gerhard Berger, o que resultou num motor estourado. Está na hora de Schumacher mostrar que tem cabeça fria, além de braço.
            Quem vem evoluindo bem é a McLaren. Os motores Peugeot parecem ter sua durabilidade confirmada, tanto que o time de Ron Dennis conseguiu subir ao pódio nas últimas 3 corridas, todas as vezes com Mika Hakkinen, que vem se confirmando como novo piloto TOP na F-1. Martin Brundle também tem mostrado resultados, conseguindo pontuar regularmente. Já Rubens Barrichello, da Jordan, vem mostrando também todo o seu talento, conseguindo dois 4° lugares nas últimas corridas. Esta é a melhor temporada da Jordan na F-1, e tem tudo para crescer mais em 95, se for confirmada a utilização do motor Ford Zetec-R. JJ Letho parece estar acabado para a categoria. O finlandês, que sempre surpreendeu nas equipes anteriores que defendeu, não teve sorte com a Benetton este ano. O fortíssimo acidente que sofreu no início do ano parece ter feito Letho perder a garra e parte das condições físicas necessárias para guiar um F-1.
            A Lótus teve uma brilhante atuação em Monza, mas os problemas que afligem uma das mais tradicionais escuderias da F-1 retornaram no Estoril, mas há possibilidades de melhora no fim do túnel escuro que a Lótus atravessa nos últimos anos em relação a 95. Será que a equipe conseguirá se reerguer novamente. Para muitos fãs da história da categoria, tomara!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

VETTEL CORRENDO SOLTO

            Depois de um corridaço em Nurburgring, na Alemanha, pouca gente esperava ter a mesma satisfação na Hungria, ainda mais que o travado circuito de Hungaroring nunca foi muito favorável à prestação de boas provas, a não ser as tradicionais “procissões” onde ninguém conseguia ultrapassar ninguém quase. Havia esperanças de que os novos pneus de baixa duração da Pirelli, a asa móvel e o kers pudessem mexer um pouco com a mesmice que o circuito húngaro costuma proporcionar, mas para alegria geral de todos, São Pedro resolveu aparecer no dia da corrida, e mesmo ficando por pouco tempo, foi o suficiente para bagunçar as coisas e nos proporcionar outro espetáculo de competição como há muito não se via na Hungria.
            Quem se deu melhor acabou sendo justamente Jenson Button, que sobreviveu às condições desafiadoras da pista escorregadia e úmida para conseguir vencer o seu 200° Grande Prêmio na F-1, e reafirmar-se na luta pelo vice-campeonato. Mas, apenas a confirmar o que já falei na coluna da semana passada, o resultado da Hungria apenas reforça a dia de que Sebastian Vettel está correndo solto rumo ao seu bicampeonato. Embora não vença já há 4 corridas, o atual campeão mundial está aumentando sua vantagem na classificação, e agora detém nada menos do que 85 pontos para seu mais direto perseguidor na tabela, justamente seu companheiro de equipe Mark Webber. E Button, que reforça sua posição na luta pelo vice-campeonato, está distante de Vettel exatos 100 pontos. E entre Webber e Button ainda temos Fernando Alonso e Lewis Hamilton. E agora, são apenas 8 corridas para fechar o campeonato.
            Nessa conta, se considerarmos Mark Webber, ele precisa tirar praticamente 10,625 pontos por corrida de Vettel. No caso de Button, a matemática é mais complicada: Jenson precisaria descontar 12,5 pontos por prova. Isso também dá uma idéia de como é difícil também para Alonso e Hamilton o desafio de tentar conquistar o título deste ano. A vantagem de Vettel já se tornou tão grande que ele apenas precisa administrar seus resultados para conquistar seu segundo caneco, mas para sua sorte, a não ser que aconteça um desastre, como ele deixar de pontuar por mais de uma corrida seguida, seu trabalho está sendo facilitado por seus próprios concorrentes. Mark Webber, Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Jenson Button estão se engalfinhando nas últimas corridas, e embora Button tenha vencido 2 provas, ele é quem mais está atrás na pontuação, tendo abandonado também 2 corridas nestas últimas 4 provas. Nas outras corridas, vitória de Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que nas demais corridas, alternaram abandonos com resultados menos vigorosos. Mark Webber, por sua vez, não consegue deslanchar apesar do ótimo carro que tem, e no meio de toda esta briga, Vettel continua somando seus pontos com relativa tranqüilidade. Seu pior resultado foi na Alemanha, onde terminou em 4°, e até o presente momento, seu único erro nas corridas foi justamente no Canadá, quando sucumbiu à pressão de Button e rodou na última volta, perdendo uma vitória que parecia certa, mas ainda assim, terminou em 2° lugar com facilidade.
            Button, Alonso, Webber e Hamilton estão duelando entre si, e com isso, Vettel vai desgarrando cada vez mais na dianteira. Sua vantagem vai subindo pouco, é verdade, mas a cada etapa, vai diminuindo a chance da concorrência se recuperar. Há 2 corridas atrás, ao findar a prova da Inglaterra, a vantagem do alemão da Red Bull era de 80 pontos sobre o mais próximo colocado. Agora, é de 85 pontos. Só que antes, eram 10 corridas ainda pela frente; agora, além da dianteira ter aumentado mais 5 pontos, são 2 corridas a menos para descontar a diferença. E, para piorar a situação, se em 2010 Vettel cometeu diversos erros nas corridas, que quase comprometeram sua disputa do título, este ano, com exceção do Canadá, como relatado acima, ele não cometeu um erro sequer. Continuando neste ritmo, sem se envolver em confusões, e garantindo pontuações satisfatórias com o carro que tem em mãos, o que significa que pode correr pelo pódio em todas as etapas que faltam, ou ainda vencer corridas, é questão de tempo até Vettel encerrar matematicamente a disputa do título.
            Mesmo não sendo dominante, o carro da Red Bull é muito competitivo, e Vettel tem demonstrado aproveitar as oportunidades que estas corridas sem poder vencer tem oferecido. Teria sido 5° colocado em Nurburgring, mas um pit stop desastroso da Ferrari tirou Felipe Massa de sua frente; e em Hungaroring, a rodada de Hamilton em momento crucial da corrida lhe permitiu chegar em 2° lugar. E nada impede que Vettel volte a vencer na atual temporada: os desempenhos de McLaren e Ferrari ficaram bem parelhos ao da Red Bull, o que significa que qualquer um pode vencer as corridas restantes no campeonato. O problema é que os opositores potenciais, além de se digladiarem entre si, tem tido um comportamento de performance mais irregular. Hamilton que o diga: após vencer de maneira categórica na Alemanha, estava repetindo a dose na Hungria, mas uma rodada em um momento crucial da corrida arruinou boa parte de seu esforço, fazendo-o perder posições e ter de recuperar o terreno perdido, acabando em 4° lugar. Alonso, que venceu em Silverstone, também discutiu a vitória na Alemanha, mas foi incapaz de repetir o mesmo desempenho na Hungria, salvando um pódio mais pela sorte do que pela performance. E Button, como já falado acima, venceu duas vezes, mas abandonou outras duas, perdendo importantes chances de pontuar.
            As chances de Vettel encerrar o campeonato antes do tempo ainda são grandes. E agora, com as “férias” de agosto, tudo ficará ainda mais incerto quanto ao restante do campeonato. A Red Bull admitiu que o lance da proibição dos difusores aquecidos tirou seu foco de atenção no mês de julho, mas agora com a normalidade de volta, que ninguém duvide que Adrian Newey já colocar suas idéias em ordem e que a Red Bull possa surgir em Spa de novo na frente da concorrência, voltando a exibir, se não toda, parte da supremacia vista nas primeiras corridas do ano. Mas, mesmo que o equilíbrio de forças visto nas últimas corridas acabe se mantendo, Sebastian só tem que manter a cabeça fria e continuar pontuando como vem fazendo. È até exagerado dizer que o campeonato já acabou, pois tudo ainda pode acontecer. Na hipótese de um abandono de Vettel, tudo pode mudar, e o campeonato pegar fogo de verdade na disputa das etapas que faltam.
            Por isso, apesar de uma certeza quase absoluta – a de que Vettel será bicampeão este ano, tudo o mais são incertezas, com a forte expectativa de que o restante do campeonato pode ser muito mais emocionante do que o que já foi mostrado até agora. Pode até voltar o marasmo do domínio da Red Bull, mas isso não tem nenhuma garantia. E, nesse momento, não ter garantia de nada do que pode vir a acontecer nas 8 corridas restantes é a garantia de que este é o melhor campeonato em muitos anos recentes da Fórmula 1.
            Que venham as férias de verão europeu, portanto...


A Stock Car disputa neste domingo, em Interlagos, a Corrida do Milhão, cujo prêmio ao vencedor será justamente de R$ 1 milhão. E uma das atrações da etapa deste ano será a presença do ex-campeão de F-1 Jacques Villeneuve, que disputará a corrida como convidado especial, pela equipe Mico’s Racing. Além de ter de resolver o que fazer com a chicane que atencede a curva do Café, que foi reformada ao contrário, a participação do piloto canadense é uma bela promoção para a etapa. Mas convenhamos, Mico’s Racing é um nome bem sugestivo para uma escuderia, e muitos já estão apostando que Jacques pode mesmo pagar um tremendo mico na corrida da categoria brasileira...Mas para não dizer que a participação de Villeneuve não será interessante, o filho do lendário Gilles vai pilotar um carro todo vermelho, e levará o número que seu pai imortalizou na Ferrari, o 27. De qualquer maneira, vai ser interessante rever Villeneuve em Interlagos, onde ele venceu em 1997 correndo pela Williams na F-1, no ano em que foi campeão da categoria...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ESTRÉIA – SEÇÃO FLYING LAPS

            Nunca foi minha intenção fazer deste humilde blog um site de teor jornalístico intenso, devido às minhas limitações de tempo e outras atividades que exerço. Mas alguns conhecidos me externaram a opinião de que poderiam ser feitas algumas notas sobre alguns outros acontecimentos do mundo do esporte a motor, que muitas vezes não têm como serem devidamente comentados em minhas colunas jornalísticas. Então pensei em criar, para ver no que vai dar, uma nova seção mensal, a exemplo da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com algumas notas rápidas sobre alguns acontecimentos do mundo das corridas, tais quais as notas que coloco ao final de algumas de minhas colunas semanais, quando há espaço disponível.
            Obviamente, não dá para falar de tudo, mas tentarei colocar algumas notas rápidas sobre certas categorias e acontecimentos que tenham tido espaço no mês anterior à sua publicação, que pretendo tentar fazer sempre na primeira quarta-feira de cada mês, assim como na última quarta-feira fica sempre reservado para a COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA. E, pensando em um nome legal para esta nova seção, me veio à cabeça o nome em inglês das “voltas voadoras” na classificação das corridas, as “Flying Laps”, e é com este nome que batizo esta nova seção, com algumas notas sobre algumas notícias do último mês de julho. E até que venha a seção FLYING LAPS do mês que vem, fiquem com minhas primeiras notas...


A equipe Ganassi faturou a corrida de Toronto da Indy Racing League, disputada no dia 10 de julho passado, após uma corrida cheia de toques e empurrões de vários pilotos na disputa por posições. O ponto mais crítico foi o fim da reta oposta, onde ocorreram a grande maioria dos incidentes, que começaram logo cedo na corrida, sendo que Tony Kanaan acabou sendo a primeira “vítima” dos enroscos ocorridos na referida curva. Dario Franchiti venceu a corrida, e foi um dos que se envolveu em alguns toques também, o mais polêmico deles com o seu rival direto na luta pelo campeonato, Will Power. Ambos tocaram rodas, mas foi o australiano da Penske quem se deu mal, ficando com o carro virado para o sentido contrário, e perdendo qualquer chance de disputar as primeiras posições. Power, encolerizado com o ocorrido, não poupou Franchiti de críticas e outros adjetivos menos educados. Para mim, foram incidentes de corrida, normais em pistas onde os pontos de ultrapassagem são escassos, sendo que no final da reta oposta sempre foi o melhor ponto para se tentar ganhar posições. E numa categoria onde todos correm com o mesmo equipamento, as performances em determinados pontos acabam sendo bem parelhas, o que significa que qualquer oportunidade que seja para ultrapassar deve ser aproveitada. Claro que, infelizmente, nem sempre as coisas saem do jeito que esperamos, mas quem entra em uma prova de carros de corrida tem que esperar que, mais hora, menos hora, todo mundo acabe se esbarrando. Ninguém está batendo por bater, simplesmente...


Se a Ganassi conquistou a vitória com uma dobradinha em Toronto, com Scott Dixon a fazer companhia ao vencedor Dario Franchiti, em Edmonton foi a vez da Penske conquistar sua primeira dobradinha na atual temporada. Will Power, sempre confirmando sua excelente forma nas pistas mistas, venceu no circuito montado no aeroporto da cidade canadense, mas teve de suar o macacão para se defender na parte final da corrida de Hélio Castro Neves, que em sua melhor atuação no campeonato de 2011, pressionou o companheiro fortemente na luta pela vitória. Power não cedeu, mas Helinho parece enfim ter espantado parte da má fase que o perseguia desde o início do ano, e conquistou seu primeiro pódio, com o 2° lugar. A intenção do brasileiro agora é melhorar sua posição no campeonato, uma vez que a luta pelo título a esta altura já está fora de cogitação...


E a Red Bull resolveu promover a estréia de um de seus pilotos na Fórmula 1. Daniel Ricciardo enfim teve a chance de alinhar num grid de F-1. Mas, para quem esperava  que o jovem australiano fosse ocupar um dos lugares da Toro Rosso, ou até mesmo a vaga de Mark Webber na equipe “matriz”, Ricciardo fez sua estréia ao volante da Hispania. Quem acabou rifado do time espanhol acabou sendo o indiano Narain Karthikeyan. Com a operação, a Hispania receberá algum suporte técnico da Red Bull, além, claro, de alguns recursos financeiros. O principal motivo de promover a estréia de Ricciardo em um time como a Hispania é dar uma chance de o rapaz mostrar do que é capaz sem ter nenhum tipo de pressão. Como todos sabem que a Hispania é a pior escuderia do grid, Ricciardo poderá acumular quilometragem e desenvolver seu conhecimento sobre os circuitos e estratégias sem maiores preocupações. Visto como principal piloto do programa de apoio e formação mantido pela Red Bull, a oportunidade é para confirmar se Daniel faz por merecer uma vaga na Toro Rosso, ou mesmo na Red Bull. Na escuderia “filial”, persiste a dúvida sobre quem é melhor: Sebastian Buemi ou Jaime Alguerssuari. Como Webber deve se manter na Red Bull até o fim de 2012, Ricciardo pode não ter pressa em seu desenvolvimento como piloto de F-1. A Hispania, claro, agradece a chance de abrigar o jovem australiano. Por enquanto, nas suas primeiras corridas, Ricciardo tem alternado melhores resultados frente a Vitantonio Liuzzi, mas nada que seja exatamente empolgante em termos de performance...


Timo Glock resolveu mostrar que bota fé em sua atual escuderia de F-1, mesmo que esteja passando por um tremendo calvário quando o assunto é performance e fiabilidade do atual modelo MRV-02: renovou contrato com a Virgin Marussia até 2014! Seu contrato ia até o final deste ano. Glock agora tem apenas que torcer para que a escuderia não vire uma pagação de mico permanente, pois alguns dizem que Lucas Di Grassi, que foi preterido em favor do belga Jerome D’Ambrosio, acabou sendo o mais favorecido na disputa por um bom lugar este ano. Lucas tornou-se o atual test driver da Pirelli, e está tendo bom reconhecimento dos técnicos da fábrica italiana de pneus. Já o piloto belga, assim como Glock, está vendo como é o mundo do fim do grid da Fórmula 1. Isso para não mencionar que a Hispania, considerado o pior time da categoria, vem impondo algumas derrotas vergonhosas à escuderia em algumas das corridas deste ano...


Felipe Nasr vem mostrando, além de um grande talento, também muita sorte no campeonato inglês de F-3 deste ano. Na etapa tripla disputada no circuito francês de Paul Ricard, Felipe faturou nada menos do que 2 vitórias nas 3 corridas realizadas na pista francesa que até 1990 recebeu o GP da França de F-1. Na primeira corrida, Nasr aproveitou-se de um erro de Kevin Magnussen, que largava na pole-position, mas caiu para a 7ª posição na largada da primeira corrida. Felipe largou em 2°, mas assumiu a ponta na largada e assim seguiu até a bandeirada. Na segunda corrida, com uma série de confusões, Nasr acabou ficando em 16°, numa prova bem curta que viu a primeira vitória de William Buller. Mas na 3ª e última corrida da rodada, Felipe faturou nova vitória, após Antonio Félix da Costa e Kevin Magnussen baterem na última curva da última volta da prova, em uma disputa de posição. Felipe vinha na 3ª posição, e acabou ganhando a vitória de presente. Foi seu 7° triunfo na atual temporada da F-3 inglesa...


E a Volkswagen fez sua estréia no Mundial de Rali na prova da Finlândia. Estreando apenas como equipe, tendo os carros fornecidos pela parceira Skoda e pilotados por Andreas Mikkelsen e Joonas Lindroos, o novo time da categoria tem por objetivo apenas ganhar experiência, tencionando participar de mais 4 etapas do campeonato de rali deste ano. Entre os demais objetivos da fábrica alemã, estaria a avaliação dos carros da Skoda, com vistas ao aprimoramento de seu modelo Pólo R. Tudo indica que a Volkswagen pode entrar mais firme no rali em breve, mas isso dependerá das performances e resultados obtidos por sua dupla de pilotos. Para quem já foi até cortejada pela F-1 em tempos não tão distantes, há boas chances de a Volkswagen entrar firme nos ralis, até porque as corridas de monopostos, em especial da F-1, não atendem muito aos objetivos da montadora, que sempre se caracterizou por carros mais populares. Os ralis, contudo, por utilizarem carros mais similares aos que são vendidos ao consumidor, podem ter maior apelo e racionalidade no uso de recursos. Afinal, o automobilismo não vive apenas de F-1...


A BMW apresentou este mês o modelo M3, carro com o qual a montadora bávara irá correr no campeonato DTM de 2012. E o retorno da marca ao campeonato do DTM teá um piloto brasileiro ao volante: Augusto Farfus foi confirmado com piloto do time alemão, ao lado de Andy Priaulx. O campeonato do ano que vem vai assistir ao confronto de uma verdadeira tríade alemã do automobilismo, pois Audi e Mercedes também estarão na pista. Farfus, que já venceu diversas corridas com a BMW no campeonato do WTCC, agradece a oportunidade, e pretende continuar conquistando vitórias com os bávaros agora no DTM...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DISPUTA PELO VICE

            Vimos, domingo passado, em Nurburgring, que a disputa pelo vice-campeonato da Fórmula 1 este ano tem tudo para ser verdadeiramente emocionante. Eu disse vice-campeonato? Sim, e não nos enganemos: a taça de campeão deste ano já tem dono: Sebastian Vettel, que apesar de ter feito no GP da Alemanha sua “pior” prova na temporada, chegando em 4° lugar, ainda tem uma folga mais do que confortável em relação a seu adversário mais direto na classificação, seu companheiro de equipe Mark Webber, distante 77 pontos atrás do atual campeão do mundo, que precisaria deixar de pontuar pelas próximas 3 corridas consecutivas, e ainda ver Webber ganhar todas elas, para começar a se sentir ameaçado de fato na luta pelo título, um cenário que, convenhamos, é muito difícil de ocorrer.
            Então, já que a luta pelo título parece ser apenas questão de tempo até ser confirmada matematicamente, não se pode dizer o mesmo em relação ao vice-campeonato, que tem nada menos do que 4 pilotos na briga pelo 2° lugar do campeonato: Lewis Hamilton, Mark Webber, Fernando Alonso, e Jenson Button. Este último, depois do seu abandono em Nurburgring, já disse adeus à luta pelo título, mas nem por isso pode ser considerado fora da parada pelo vice. E se Button, que está em 5° lugar no certame, ainda não pode ser descartado, os demais então deverão travar uma briga ferrenha para ver quem vai ficar atrás unicamente de Vettel na classificação final do campeonato 2011. E a parada promete ser bem dura, e com muita disputa. O que vimos na corrida germânica, aliás, pode dar a tônica de muitas outras corridas no restante do calendário, uma vez que vimos Webber, Alonso e Hamilton correndo pau a pau entre eles praticamente a prova inteira, com algumas variações de posição, um panorama que muitos acham que poderão rever neste domingo, na corrida da Hungria.
            Saímos da região de Eiffel, na Alemanha, com a temperatura média de 10° para chegarmos aos arredores da cidade de Budapeste, onde está o circuito de Hungaroring, com cerca de 25° de temperatura, o que deverá provocar algumas mudanças no comportamento dos carros, que disputaram em Nurburgring o GP mais frio do ano até aqui. E o traçado travado da pista húngara, com suas mais do que conhecidas dificuldades de ultrapassagem irão colocar os novos pneus Pirelli e a asa móvel, além do Kers, à prova na função de favorecer as disputas entre os pilotos. Podemos esperar alguns duelos interessantes, e assim como em Mônaco, aqui, mais do que nunca, a classificação volta a ter fator primordial para garantir uma boa estratégia de corrida, pois ninguém garante que, com os pneus, kers e asa móvel, teremos um festival de ultrapassagens. Todos estão apostando mais em um esperado equilíbrio de performance entre McLaren, Ferrari e Red Bull, para vermos uma prova emocionante, como no domingo passado.
            Na disputa pelo vice-campeonato, isso deve significar uma briga daquelas, pois o que se tem visto até aqui na atual temporada, foram performances com alguns altos e baixos das equipes McLaren e Ferrari, ora se alternando na condição de principal adversária da Red Bull. Não é forçoso admitir que, no domingo passado, apesar da vitória de Lewis Hamilton, tanto Mark Webber e Fernando Alonso também poderiam ter ganho a corrida, uma vez que ninguém conseguiu abrir uma vantagem significativa sobre o outro. A Ferrari parece ter finalmente encontrado o rumo de seu 150° Itália, enquanto a McLaren, com a volta dos escapamentos aerodinâmicos, voltou a mostrar a velha forma de algumas corridas atrás. E não podemos esquecer da Red Bull, que se foi derrotada pela primeira vez em condições normais de pista, ainda possui um carro muito competitivo, o que faz teoricamente de Mark Webber o favorito ao vice-campeonato, até mesmo por uma obrigação moral. E, com o contrato praticamente renovado para 2012, o australiano ainda está devendo este ano performances como as exibidas no ano passado, quando em determinado momento da temporada era considerado o principal candidato ao título. Talvez com seu futuro garantido na escuderia por mais um ano, Webber volte a mostrar a velha forma, como na Alemanha, onde finalmente foi superior a Vettel em toda a corrida, embora tenha falhado na largada, perdendo a posição da pole para os rivais que largaram logo atrás. Webber precisa voltar a vencer para mostrar que pode ser um piloto combativo, algo que ficou bem questionado nesta temporada, quando perdeu praticamente todos os duelos internos para Vettel até Silverstone.
            Entre os demais postulantes ao vice, Fernando Alonso e Lewis Hamilton tem tudo para se engalfinhar feito gato e rato no restante do campeonato, lembrando a velha rivalidade surgida de quando dividiram a equipe McLaren em 2007. O piloto espanhol sabe levar o carro da Ferrari além de seus limites, e a recuperação da competitividade do carro parece ter reanimado o bicampeão o suficiente para que sua pilotagem faça a diferença quando isso é o ponto de desequilíbrio. E não podemos deixar de esquecer que o espanhol é considerado o melhor piloto da categoria atualmente, em que muitos achem que Vettel parece ter assumido esta postura, mas ainda é questionável se o jovem atual campeão mundial sabe tirar do carro mais do que ele pode da forma costumeira como Alonso é capaz. Hamilton, por sua vez, precisa fazer da corrida de Nurburgring o seu estilo normal de competição, onde foi arrojado na medida certa, pilotando com grande precisão e sem desgastar o equipamento, além claro, de evitar se envolver em acidentes, o que andou colecionando muito nesta temporada, o que lhe roubou pontos importantes. Se conseguir manter o controle emocional, vai ser um páreo duríssimo, pois é considerado o piloto mais veloz da atual F-1 no quesito velocidade pura.
            Fechando a lista de pretendentes, Jenson Button continua fazendo da estratégia de corrida sua principal arma. Se não pode bater Hamilton em velocidade pura, sabe poupar o carro e os pneus como ninguém, e não fosse os dois abandonos nas duas últimas etapas, por motivos alheios a seu controle, com certeza estaria bem mais à frente na classificação. E, como as performances de todos estão sujeitas a altos e baixos, como se tem visto até agora, não se pode deixar de ignorar a presença do campeão de 2009, que a qualquer momento, se a prova se mostrar complicada, pode nos brindar com performances inesperadas, como foram todas as suas vitórias na McLaren até agora.
            Se alguém se pergunta por que não considero Felipe Massa um candidato ao vice-campeonato, a resposta é mais do que óbvia: a Ferrari não vai deixar, ainda mais com a diferença de pontos entre o brasileiro e o espanhol no nível que está, com Felipe tendo até agora apenas 62 pontos, contra 130 de Alonso. Felizmente, Massa parece estar recuperando a combatividade de sua performance em corrida, mas infelizmente vem tomando um baile após o outro de Fernando Alonso. Seu principal objetivo precisa ser acompanhar o ritmo do espanhol, e estar pronto para faturar algum bônus se a oportunidade se apresentar. Com seu contrato assegurado para 2012, como a escuderia italiana deixa entender, Felipe tem de mostrar as garras e pelo menos andar junto do espanhol, para mostrar que a Ferrari, apesar de toda voltada para Alonso, pode contar com ele se precisar. O problema é que Massa se deixou abater muito no ano passado, quando foi relegado a “segundo plano” no time, e de lá para cá, dificilmente voltou a demonstrar conseguir andar no ritmo de Alonso com freqüência, requisito indispensável para poder faturar as chances que surgirem nas corridas. Sem isso, difícil ver Massa brigar até mesmo pelo vice-campeonato.
            A luta promete ser disputada, e os primeiros treinos de hoje podem dar uma amostra do que se esperar para domingo. Podemos dizer que começa com tudo a batalha pelo vice. Infelizmente, é o que nos restou, mas tem tudo para ser um duelo empolgante e acirrado, como bem gostam os fãs da velocidade.


Jenson Button comemora domingo a marca de 200 GPs disputados na F-1, desde sua estréia em 2000, pela Williams. E foi neste circuito da Hungria que Button conquistou sua primeira vitória na categoria, em 2006, pela Honda...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – JULHO DE 2011

            Chegamos ao final de julho, e como de hábito eis aqui minha mais nova Cotação Automobilística, com um balanço dos principais acontecimentos do esporte a motor deste mês. Sintam-se à vontade para concordar/discordar, dar opiniões, sobre as avaliações apresentadas, que serão apresentadas de forma sucinta, do modo de sempre, em três classificações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, vamos ao texto, e até a próxima avaliação, no mês que vem...


EM ALTA:

Campeonato da F-1: a prova de Nurburgring, onde as regras voltaram a ser as estabelecidas para Valência, com a volta dos escapamentos aerodinâmicos, mostrou que a FIA errou feito ao tentar mudar as regras no meio da temporada, algo totalmente desleal entre os competidores, sendo que alguns foram mais atingidos do que outros. Restabelecida a normalidade, a própria categoria mostrou uma corrida com briga ferrenha entre os líderes, e dando mostras de que o campeonato pode apresentar muitas surpresas até o fim do ano. Embora Sebastian Vettel ainda possua uma grande vantagem, atrás dele, tudo pode acontecer, e Ferrari e McLaren podem embolar a briga pelas vitórias nas próximas corridas. E o que os torcedores querem ver, acima de tudo, é disputa na pista. E isso, o atual campeonato está sendo um prato cheio.

Mark Webber: o piloto australiano da Red Bull ainda está devendo este ano, mas parece ter reencontrado parte de sua agressividade nas últimas corridas. Desafiou a ordem da equipe para manter posição em Silverstone e em Nurburgring terminou sua primeira corrida no ano à frente do companheiro Sebastian Vettel. E, apesar de levar uma pequena dura pública de Christian Horner, saiu fortalecido quando o dono da Red Bull, Dietrich Mateschitz, praticamente confirmou sua renovação para 2012 na escuderia, dizendo que seus pilotos não são para manterem posição. Não que Webber vá, de uma hora para outra, disputar o título com Vettel com afinco, mas tem a obrigação de conquistar pelo menos o vice-campeonato, e com a tremenda folga do alemão na liderança do certame, a Red Bull tem mais é que lhe dar os meios de ficar firme no campeonato, mesmo que seja na disputa pelo vice. Ponto para Webber, em um ano onde ele ainda precisa mostrar merecer o carro que pilota.

Casey Stoner: O piloto australiano da equipe Honda conquistou em Laguna Seca sua 5ª vitória no atual campeonato da MotoGP, e abriu nada menos do que 20 pontos de vantagem para o espanhol Jorge Lorenzo, atual campeão da categoria, e considerado no início do campeonato o grande favorito para o título. Contribuiu para o triunfo de Stoner em Laguna Seca o forte acidente de Lorenzo nos treinos para a corrida, o que obrigou o espanhol a correr com fortes dores. Mas não foi uma briga fácil, pois Lorenzo ainda conquistou a pole-position, e deu uma boa briga com Stoner durante a prova. Mas vai ser difícil segurar o australiano, que está pilotando como nunca, e foi quem mais venceu no ano até agora. No ano passado, Lorenzo se gabou de seu triunfo, conquistado em parte graças ao acidente sofrido por Valentino Rossi, que o tirou de parte do campeonato, facilitando as coisas para o espanhol. Está na hora de Lorenzo mostrar do que é capaz. Mas Casey Stoner mostra que a parada vai ser dura, e está pronto para a briga nas 8 etapas que ainda restam do campeonato da MotoGP.

KV Racing: o time de Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven mostra que está em franca ascenção no certame da Indy Racing League. A escuderia já conquistou duas pole-positions nesta temporada, ambas com Takuma Sato, e Tony Kanaan tem feito uso de toda a sua experiência para terminar bem as corridas, e apesar de alguns azares e imprevistos, o brasileiro ocupa a 4ª posição no campeonato, com 253 pontos, perdendo apenas para a dupla da Ganassi, e o piloto Will Power, da Penske. A vitória anda parecendo cada vez mais próxima, e pode não demorar até que Jimmy Vasser conquiste seu primeiro triunfo como dono de equipe. Falta também seus outros pilotos, Takuma Sato e Ernesto Viso, darem melhores resultados à escuderia, pois até tem andado bem, mas acabam se envolvendo em diversos acidentes e confusões durante as corridas, embora nem sempre por culpa própria...

Nelsinho Piquet: o piloto brasileiro vai, aos poucos, conquistando respeito na Truck Series, uma das divisões inferiores da Nascar. Na prova de Nashville, o filho do tricampeão Nélson Piquet conquistou um honroso 4° lugar, depois de uma corrida combativa e acirrada, em disputa com diversos outros pilotos. Ainda é cedo para afirmar que Nelsinho Piquet conquistará vitórias na categoria, dada a extrema competitividade da Truck Series, mas o jovem piloto já demonstra excelente intimidade com as provas, e que ninguém se surpreenda se em breve ele conquistar algum pódio. Talento nunca lhe faltou, e agora, na categoria americana, Nelsinho está confiante em conquistar o seu lugar, algo que não lhe foi permitido na F-1. E Nelsinho, claro, diz que não sente saudade nenhuma da principal categoria automobilística do mundo. E, diga-se a verdade, automobilismo não é apenas F-1. Juan Pablo Montoya, outro que foi defenestrado pela F-1, hoje compete feliz da vida na categoria principal da Nascar, e a vida segue em frente. E Nelsinho está seguindo em frente...



NA MESMA:

Dario Franchiti: o piloto escocês continua líder do campeonato da IndyRacing League, e mostra que, quando não vence, corre pelos pontos. Faturou as provas de Milwaukee e Toronto, e chegou entre os primeiros em Iwoa e Edmonton. Dario tem uma liderança de 38 pontos para seu rival direto Will Power, que já andou se estranhando com o piloto da Ganassi em Toronto, quando ambos tocaram seus carros e o australiano levou a pior. Franchiti tem que correr com a cabeça, pois nos circuitos mistos, tem sido difícil bater Power, que já não tem a mesma força nas pistas ovais. Mas as pistas ovais são minoria no restante do calendário, portanto, a luta pelo título está mais do que aberta, e o escocês não pode baixar a guarda.

Equipe Mercedes: o time de F-1 das “flechas de prata” ainda não mostrou a que veio nessa temporada, e ao que parece, não consegue se aproximar do trio Red Bull-McLaren-Ferrari, estando “estacionada” na 4ª posição do campeonato, bem distante das 3 principais equipes, e torcendo para a Renault, que vem logo atrás na classificação, não se acertar novamente. Pior, a dupla de pilotos do time francês está engalfinhada entre Nico Rosberg e Michael Schumacher na classificação de pilotos, e por incrível que pareça, pode superar os pilotos do time germânico a qualquer momento, embora isso pareça improvável. Nico Rosberg parece desanimado com a competitividade do carro 2011, e Michael Schumacher, em que pese parecer ter recuperado sua garra de pilotagem, tem se envolvido em vários incidentes que impediram o heptacampeão de obter melhores resultados. Recursos financeiros a Mercedes tem, além de possuírem o melhor motor da categoria atualmente. Falta conceber um carro mais competitivo. Ross Brawn e Norbert Haug que tratem de encontrá-la.

Karun Chandhok: o piloto indiano retornou à F-1 pela equipe Lótus no GP da Alemanha, e exibiu a velha classe demonstrada na Hispania no ano passado, ou seja, nada. Rodou várias vezes com o carro, tomou duas voltas na corrida de Heikki Kovalainen, terminando na última posição entre os que cruzaram a linha de chegada. Se a intenção de Tony Fernandes era melhorar a performance da escuderia, o tiro saiu pela culatra. Jarno Trulli pode estar em fim de carreira, mas ainda é capaz de render mais do que o piloto indiano. E em algumas provas, ele chegava bem junto de Kovalainen.

Bruno Senna: a situação do sobrinho do tricampeão Ayrton Senna na equipe Renault não evoluiu nada desde que foi apresentado pelo time meses atrás. Se por um lado se criou alguma esperança quando a escuderia anunciou que Bruno faria o primeiro treino livre de sexta-feira na Hungria no lugar de Nick Heidfeld, por outro lado seus fãs levaram uma tremenda ducha de água fria quando souberam que Eric Boiller, chefe da escuderia, anunciou estar decepcionado com a performance de Heidfeld, e que Romain Grossjean, piloto francês que está liderando o campeonato da GP2, e é o 2° piloto “reserva” da equipe Renault, mereceria uma nova chance de correr pela equipe, muito provavelmente ainda este ano, assim que terminar o certame da GP2, ou ao menos, assim que Grossjean liquide a conquista do título da categoria. Ao que parece, Bruno Senna não irá a nenhum lugar no time francês, o que pode significar mais um ano perdido na carreira, pois do que adianta ser o 1° piloto reserva, se o próprio chefe do time dá idéia de que ele não será aproveitado?

Circuitos da F-1 na berlinda: Continuam os boatos de circuitos que podem resolver deixar a F-1 devido às altas taxas cobradas por Bernie Ecclestone. As mais recentes notícias dizem que Nurbrugring pode ser o próximo a pedir a conta. O governo alemão resolveu deixar de ajudar financeiramente o autódromo germânico para receber a corrida de F-1, alegando que as taxas da FOM estão altas demais. Mesmo com o revezamento feito entre Nurburgring e Hockeinhein, tudo indica que ambos os circuitos podem deixar o calendário, pois os lucros com a corrida são muito escassos e até com certo prejuízo. Com contratos firmados até 2018 com ambos os autódromos, dependerá de Ecclestone encontrar um meio-termo em sua sede de ganância para que a Alemanha continue figurando no calendário da F-1. Enquanto isso, na Espanha, boatos indicaram que Valência e Barcelona poderiam revezar-se como sede da corrida espanhola, pondo fim ao GP da Europa que atualmente é disputado nas ruas de Valênncia. Mas até o momento, nada a respeito foi confirmado.



EM BAIXA:

Stock Car e CBA: Quando se pensa que nada mais pode acontecer, eis que temos um piloto que por pouco não morre queimado dentro do próprio carro na etapa do Rio de Janeiro, pra não mencionar na obra de reforma da chicane em Interlagos criada anos atrás para a etapa da Motovelocidade, que por uma dessas coisas estranhas que só acontecem por aqui, deixou a chicane ao contrário do que deveria ter ficado, inviabilizando sua utilização nas provas da Stock Car, a não ser que invertessem o sentido da prova no autódromo paulistano. Tuka Rocha, apesar do susto que o levou a pular do carro em alta velocidade para não morrer tostado dentro dele, escapou praticamente ileso, com alguns ferimentos leves. Já a malfadada obra da chicane de Interlagos, que reestrearia na prova de Marcas que ocorreu este mês no circuito José Carlos Pace, além de não ter podido ser usada, terá de ser refeita. O problema é que sua reforma custou a “bagatela” de R$ 100 mil, e onde foi parar todo este dinheiro e porque foi gasto tanto até agora não deram nenhuma justificativa válida. O local vai ser corrigido a tempo da corrida da Stock agora no início de agosto. Resta saber quanto mais será gasto para corrigir algo que nunca poderia ter sido feito errado como foi. Coisas do Brasil, lamentavelmente...

FIA: A entidade máxima do automobilismo meteu os pés pelas mãos bonito em Silverstone, na sua tentativa de proibir o uso do escapamento aerodinâmico. O fim de semana foi uma confusão só de regras, onde entraram na dança percentuais de escape aquecido, aceleração mapeada, entre outras coisas que o torcedor comum não faz questão de saber, mas que bagunçou o fim de semana das escuderias, que no fim correram sem os escapamentos aerodinâmicos, para poucos dias depois, em reunião, todas concordarem com a manutenção dos sistemas até o fim da atual temporada, ficando proibido apenas a partir do ano que vem, como deveria ter sido feito desde o início. Com isso, a FIA conseguiu jogar uma mancha em um campeonato que até então, apesar do domínio de Sebastian Vettel, estava apresentando as melhores corridas dos últimos tempos. Jean Todt começa a deixar todo mundo com alguma saudade de Max Mosley, e isso é preocupante...

Sebastian Buemi: o piloto suíço da Toro Rosso tem estado meio apreensivo nas últimas provas de F-1. Até então considerado o favorito para permanecer no time em 2012, com a provável entrada do novato Daniel Ricciardo, o suíço foi surpreendido com a reação de Jaime Alguerssuari, que nas provas de Montreal, Valência e Silverstone, largou lá de trás para marcar pontos, sendo superado pelo espanhol na classificação do campeonato. E neste último domingo, em Nurburgring, Buemi ainda deu uma fechada exagerada em Nick Heidfeld quando disputavam posição, tocando na Renault do alemão, que foi parar longe na caixa de brita. Pelo acidente, Buemi vai tomar uma punição de 5 posições no grid na prova da Hungria no próximo final de semana. Quanto a Daniel Ricciardo, a Red Bull comprou um lugar na Hispania para dar quilometragem ao jovem australiano, que se até agora não surpreendeu, também não comprometeu. Mas se até algumas provas atrás era Alguerssuari quem estava na corda bamba, agora é Buemi que está perigando. Helmut Marko vai ter mais trabalho do que pensava para decidir quem sai e quem fica...

Red Bull: a equipe ainda é a favorita ao título, embora talvez não mais com a força exibida no início do campeonato. Mas o que deixou o time austríaco “pra baixo” foi a ordem dada por Christian Horner durante as voltas finais do GP da Inglaterra, quando ele ordenou que Mark Webber mantivesse posição e não tentasse ultrapassar Sebastian Vettel, que estava à sua frente. Webbr ignorou a ordem e partiu para cima do companheiro, que conseguiu manter a posição até a bandeirada. Mas com isso, a Red Bull perdeu parte daquele seu ar “diferente”, quando afirmava com todas as letras no ano passado que seus pilotos tinham liberdade para disputar na pista. Horner tentou se justificar, mas para muitos, foi um jogo de equipe claro, em favor de Vettel, o que só serve para mostrar que a escuderia dos energéticos já se deixou contaminar pelos métodos antidesportivos praticados por certas equipes. O mesmo Horner declarou que não é interesse do time contar com dois pilotos de igual nível, para desestimular qualquer pretensão de Lewis Hamilton correr na escuderia enquanto Sebastian Vettel estiver por lá. Em suma, o time prefere um piloto TOP, e outro não TOP exatamente. Desnecessário dizer que tal atitude fez a Red Bull perder alguns fãs...

Teto de proteção nos carros da F-1: a FIA fez um teste com uma espécie de “carlinga” que poderia ser implantada nos carros da F-1 a fim de aumentar a proteção dos pilotos. Com um pneu atirado a alta velocidade, a peça sofreu deformação mínima, sem comprometer sua integridade. O vídeo foi apresentado às escuderias, que no entanto, se manifestam contrárias à adoção da peça nos bólidos, o que tornaria os F-1 “carenados” no cockpit. Entre as justificativas apresentadas, estava a possibilidade de a peça dificultar uma saída rápida do piloto do carro, bem como poder emperrar e impedir acesso de socorro eventual a um piloto. Outro motivo alegado seria que o cockpit aqueceria demais, sem receber o ar frontal, e isso poderia colocar a vida do piloto em perigo, o que exigiria possivelmente a instalação de uma espécie de ar-condicionado, para manter a temperatura em níveis razoáveis. Sem falar que este tipo de sistema, se sofresse falhas, comprometeria a segurança do piloto também. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que protegeria de perigos externos, poderia gerar perigos internos ao piloto. A idéia parece que não vai vingar com tanta facilidade. Não seria a primeira idéia de segurança a não dar certo sua implantação: há anos atrás, tentou-se propor a instalação de air-baggs nos monopostos, mas sua tremenda capacidade de frenagem poderia disparar o dispositivo acidentalmente, favorecendo um acidente potencialmente perigoso, quando deveria prevenir o piloto de suas conseqüências. Voltemos ao caderno de projetos...