quarta-feira, 12 de junho de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – JULHO DE 1996 – 05.07.1996



            Voltando com mais uma de minhas antigas colunas, esta aqui foi lançada em 5 de julho de 1996, e o assunto era a disputa pelo campeonato da F-Indy, onde Jimmy Vasser, depois de um excelente início de campeonato, dava sinais de estar sentindo não apenas a pressão da concorrência, como do próprio companheiro de equipe, um piloto italiano que, apesar de ser novato no certame, já começava a se mostrar mais à vontade e mostrar do que era capaz. Seu nome: Alessandro Zanardi. Fiquem agora com o texto, e boa leitura, que em breve tem mais textos antigos por aqui...


FOGO CERRADO

            Jimmy Vasser que se cuide! A sua caminhada rumo ao título da F-Indy de 1996, que até algumas semanas atrás parecia tranqüila, complicou de vez após a bandeirada final do Grande Prêmio de Cleveland, disputado no último domingo.

            O californiano da equipe Chip Ganassi ainda é o líder do campeonato, com 102 pontos, mas a concorrência está em seus calcanhares: Al Unser Jr. vem na segunda posição, com 99 pontos; e Gil de Ferran, depois de sua espetacular vitória na última etapa, tem 92 pontos e promete engrossar a briga. Até Christian Fittipaldi, que vem mais atrás, com 78 pontos no campeonato até aqui, promete reagir e entrar na luta pelo caneco.

            Da parte dos pilotos brasileiros, a ameaça que Gil e Christian faziam era de que, nos circuitos mistos, eles começariam a reagir. O resultado das últimas etapas mostra que o aviso não foi um blefe. Tanto Gil quanto Christian marcaram pontos em todas as etapas, enquanto Vasser via a sua confortável vantagem virar poeira etapa a etapa. Al Unser Jr. e Michael Andretti engrossaram a briga, pontuando mais que o líder do campeonato.

            Problema de Vasser ou do carro? A resposta é óbvia: Vasser. O desempenho dos carros nas últimas duas corridas foi excelente: Alessandro Zanardi, companheiro de equipe de Jimmy Vasser na Chip Ganassi faturou a vitória em Portland e lutou até a última curva em Cleveland com Gil de Ferran, demonstrando ter o melhor carro da corrida em ambas as ocasiões. Vasser, entretanto, parece sentir a pressão dos rivais se avolumando em suas costas e começa a perder o controle na pista. Em Portland, rodou no piso molhado; em Cleveland, acabou se atrapalhando na estratégia de box, e para completar, atropelou meia dúzia de cones de pista, sendo que passou a levar metade deles junto no carro, forçando-o a uma parada extra nos boxes. Não é exagero perguntar o que Vasser irá aprontar na próxima etapa, em Toronto, mas a opinião é que o líder do campeonato irá perder a liderança na etapa da metrópole canadense.

            As apostas estão centradas em Al Unser Jr. Sua capacidade de partir para corridas de recuperação, seja qual for a posição de largada no grid o fazem um adversário altamente perigoso. Suas atuações em Portland e Cleveland provam isso: chegou em 4º lugar em ambas, largando lá de trás. Já Gil de Ferran mostra outro trunfo em sua manga: o motor Honda, o que o deixa mais equiparado ao nível de equipamento em relação à Ganassi. O único trunfo técnico da escuderia de Chip são os pneus Firestone, ainda bem superiores aos da Goodyear, usados pelo piloto brasileiro, mas isso pode ser contornado na corrida, se utilizar a estratégia corretamente.

            Foi o que aconteceu em Cleveland, onde Gil conquistou uma vitória na raça, em cima de Alessandro Zanardi. Além do braço, foi uma vitória obtida na estratégia de corrida. Depois do azar em algumas corridas como a do Brasil, desta vez a equipe de Jim Hall foi perfeita em todos os momentos da prova, permitindo a Gil poupar o seu equipamento e atacar quando foi necessário. E andar forte, tendo de poupar o carro ao mesmo tempo, não é para qualquer piloto. Quando assumiu a liderança, nas voltas finais, o piloto brasileiro mostrou força para reagir ao ataque total de Zanardi. Não fossem os retardatários, a coisa poderia até ser mais fácil, pois com pista livre, os tempos do brasileiro e do italiano eram muito próximos e uma aproximação e eventual ultrapassagem seria muito difícil. As últimas voltas foram dramáticas, e Gil conquistou a melhor vitória de sempre, mostrando todo o seu imenso talento.

            Das provas de agora em diante até o encerramento da temporada, a coisa tende a ficar preta para Jimmy Vasser: com exceção das 500 Milhas de Michigan e da prova de Road America, aquela a última em circuito oval e esta o mais longo circuito misto do calendário, todas as demais etapas privilegiam mais um carro bem acertado do que a potência do motor. As etapas em circuitos travados devem dificultar as coisas para Vasser, enquanto seus perseguidores não vêem a hora de chegar nestas pistas.

            Mas, para não dizer que desgraça pouca é bobagem, há outros pilotos que podem azarar os planos de Vasser, dada a competitividade da F-Indy. Por azarar entenda-se entrar na luta pelas vitórias nos circuitos que faltam. Candidatos não faltam: Christian Fittipaldi, André Ribeiro, Greg Moore, Bobby Rahal, Al Unser Jr., Paul Tracy, etc...

            O tempo promete fechar nas próximas etapas. Que feche então, e que o melhor vença, é claro!





Damon Hill segue em disparada para seu primeiro título mundial. Embora o campeonato ainda esteja em aberto, ninguém duvida que o filho de Graham Hill ganhará o título. O que se viu nas últimas etapas foi Hill dominando a corrida e nem mesmo Jacques Villeneuve consegue dar luta contra o inglês. Michael Schumacher, por sua vez, ficou a ver navios nas últimas etapas e já admite estar fora de combate. Para as próximas etapas, a situação não é boa para os rivais. A próxima parada, na Inglaterra, deve dar Hill. Além do favoritismo de equipamento, por ser o seu GP caseiro, Damon não deve dar colher de chá para ninguém. Depois vem a Alemanha, onde o piloto inglês deve arrasar Schumacher perante sua torcida, segundo alguns comentam, por uma questão de honra. Será que vai ser assim, tão previsível?





Quem apostava em um declínio da Renault, logo após o seu anúncio de se retirar da F-1 ao fim de 97, deu com os burros n’ água: a fábrica francesa conquistou as 4 primeiras posições em Magny-Cours, no GP de seu país...





Para quem gosta de detalhes interessantes: a Honda também conseguiu, em uma corrida, conquistar os 4 primeiros lugares com carros equipados com seus motores. A ocasião foi no Grande Prêmio da Inglaterra de 1987. Nigel Mansell venceu a corrida, com Williams/Honda. Logo a seguir, veio Nélson Piquet (Williams/Honda), Ayrton Senna (Lótus/Honda), e Satoru Nakajima (Lótus/Honda.





A torcida italiana vive um inferno astral: além da “Squadra Azurra” ter perdido a Eurocopa, a Ferrari está desiludindo a cada corrida. O estouro do motor da Ferrari de Michael Schumacher, na volta de apresentação do GP da França, foi classificada pela imprensa italiana de “vergonhosa”. Sinceramente, um motor estourar em plena volta de apresentação...Sem comentários...





O dia dos pilotos brasileiros na F-Indy, em Cleveland, não foi dos melhores, à exceção de Gil de Ferran. Émerson Fittipaldi ficou novamente pelo caminho, quando seu motor Mercedes engoliu uma pedra; André Ribeiro ficou sem marchas e sem corrida, enquanto Raul Boesel descobre um defeito novo a cada curva que seu carro faz. Maurício Gugelmim e Roberto Moreno, com carros desequilibrados, ficaram fora da zona de pontuação. Christian Fittipaldi, por sua vez, ainda salvou o 7º lugar, mantendo-se na luta pelo título.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

ROLOS E CONFUSÕES



A belíssima Montreal recebe a F-1 no belo circuito Gilles Villeneuve.

            Quando o assunto é arrumar sarna para se coçar, a Fórmula 1 é pródiga em se ver enrolada com decisões tomadas por ela própria, e isso quando a FIA ainda não ajuda a deixar o ambiente ainda mais enrolado. E ao chegarmos ao Canadá para a corrida que é disputada no circuito de Montreal, já nos deparamos com mais uma destas bagunças onde fica claro que a categoria e a entidade máxima do automobilismo mundial são capazes de dar tiros nos próprios pés.
            O assunto em voga no momento é o referido teste “secreto” feito pela Mercedes a pedido da Pirelli no circuito de Barcelona, logo após a realização do GP da Espanha. O teste foi feito com base em uma regra que permite que o fabricante fornecedor de pneus da F-1 requisite um teste com algum time, em um limite de 1.000 Km, praticamente pouco mais de 3 vezes a distância de um Grande Prêmio. O teste foi realizado a cabo com o modelo 2013 da escuderia alemã, e contando com seus dois pilotos titulares. A notícia do teste chegou ao conhecimento das demais escuderias no paddock de Monte Carlo, e o efeito foi semelhante a uma verdadeira bomba, pois afinal, desde 2009, o regulamento da categoria máxima do automobilismo proíbe testes das escuderias do início do campeonato até o fim do corrente ano. As únicas exceções são alguns poucos dias de testes coletivos agendados pela FIA com os times para testar alguns pilotos novatos. A medida, tomada como contenção de custos em virtude da crise econômica mundial que ainda afeta em cheio a Europa, tem se tornado de certa forma um empecilho para a categoria, dependendo do prisma por onde se olha a questão. Se por um lado ajuda a conter os custos, por outra impede que pilotos novatos ganhem intimidade com os carros, além de também ser um problema para equipes que precisem dar uma “consertada” no comportamento de seus modelos. E é preciso achar uma saída de meio-termo para que se possa pelo menos voltar a fazer alguns testes durante o ano, pois isso pode ajudar a dar mais competitividade ao campeonato. Mas, enquanto times e entidade não chegam a um acordo, testes são oficialmente proibidos. E quem também sai prejudicada neste sentido é a Pirelli, pois o fabricante de pneus precisa ver como seus compostos reagem, e tendo apenas um carro de dois anos atrás como material de trabalho, não se consegue dados totalmente precisos, uma vez que os carros atuais podem ter comportamento distinto dos de anos anteriores. E, sem poder fazer testes, os times não podem ajudar a fabricante de pneus.
            Só que a regra da solicitação de teste também existe, e a Pirelli, precisando obter estes dados mais confiáveis do comportamento dos carros atuais da F-1, resolveu fazer uso da regra, pedindo, como manda o regulamento, a anuência da FIA, no que esta concordou, desde que os demais times também tivessem tal direito. Até aí, nada mais lógico. O que está deixando todo mundo irritado é que até agora, este “direito” só foi exercido com relação à Mercedes, e como o time venceu em Mônaco com Nico Rosberg, de certa forma até surpreendendo os demais, que não esperavam ver os carros prateados cuidando tão bem dos pneus, todos estão bradando que a Mercedes levou vantagem injusta com a realização deste teste, que não foi oferecido aos outros times. A FIA meio que deu o assunto por encerrado, mas ao chegarem no Canadá, as escuderias e imprensa especializada foram informadas de que a FIA levará o time alemão ao tribunal internacional da entidade, sob argumentação de desobediência do regulamento que proíbe testes durante o campeonato, que permite no máximo, quando muito, alguma atividade “promocional” ou testes em linha reta com o monoposto, e mesmo assim, solicita que se use o carro de pelo menos dois anos antes, para evitar auferir quaisquer vantagens na ocasião.
            Levar a Mercedes ao tribunal internacional da FIA significa que pode surgir alguma punição para a escuderia alemã, que pode ir de uma simples multa até perda de pontos e suspensão de corridas do atual campeonato. E a Mercedes, certa de que havia pelo menos cumprido com os protocolos requeridos, não está gostando nem um pouco da idéia. E a Pirelli, acusada de favorecer os alemães, também não está gostando do rumo que as coisas estão tomando. E tem razões para ficarem irritados com a postura dúbia da FIA, além das choradeiras dos outros times. Afinal, se a FIA foi comunicada e deu sinal positivo de que poderiam realizar o teste, como agora muda de idéia e resolve que há uma infração e que o seu tribunal deve julgar o caso? O que está valendo: o documento onde a FIA consentiu a realização do teste, ou as regras do regulamento que proíbem testar? O que pode e o que não pode? A entidade agora muda de atitude em relação a uma posição na qual já tinha se posicionado, e isso só traz insegurança e confusão. E é preciso também provar que, de fato, a Mercedes se beneficiou efetivamente do teste realizado.
            Em primeiro lugar, a Pirelli alega ter usado o teste para desenvolver os compostos para o próximo ano. Neste caso, os dados não são viáveis de fornecerem vantagem para este ano, uma vez que os compostos têm características que poderão ser modificadas para 2014, e isso se a Pirelli renovar acordo de fornecimento com a F-1, que termina no fim desta temporada. A fábrica italiana está se antecipando para colher dados mais fiáveis do que os obtidos com um modelo de dois anos atrás, e tem todo o direito de fazer isso, pois é com base nestes dados que poderá fornecer compostos que sejam mais adequados para a categoria. A falta de possibilidade de treinar a contento com os carros deste ano são um dos motivos para os pneus da atual temporada estarem causando tanta celeuma entre pilotos e times. O desgaste acentuado até demais é apenas uma conseqüência da falta de mais dados disponíveis para a Pirelli calcular o comportamento de seus compostos, uma vez que os únicos treinos foram numa pré-temporada onde, além de poucos dias, o clima estava muito frio, impossibilitando o recolhimento de dados do modo como se precisava. A Pirelli passa a fornecer, a partir de hoje, às sextas-feiras, um jogo de composto a cada piloto para teste livre durante os treinos das sextas, a fim de recolher mais dados, mas é claro que se fosse feito uma sessão coletiva de treinos, os resultados seriam muito mais expressivos.
            É verdade, contudo, que o teste feito pela Mercedes a serviço da Pirelli serviu também para se obter dados importantes do comportamento do modelo W04, que certamente foram úteis para ajudar a escuderia a possivelmente encontrar soluções para minimizar o desgaste excessivo que seu carro provoca durante as corridas. Comparando os dados de comportamento do carro, e fazendo os devidos ajustes, mesmo com os pneus que a princípio não serão utilizados este ano, é possível encontrar dados que possam ter ajudado a Mercedes a efetuar algumas correções no comportamento do monoposto. Se em Mônaco a baixa velocidade e características particulares do circuito citadino impediram que isso pudesse ser avaliado a fundo, teremos chance de ver domingo se a Mercedes de fato conseguiu evoluir seu carro neste sentido, deixando-o de ser apenas “leão de treino”, como tem acontecido nas últimas provas até Monte Carlo.
            Com relação à “acusação” dos outros times de a Pirelli ter favorecido a Mercedes, que entrem com o pedido do mesmo tipo de teste com os pneus, marquem dias e horas, avisem tudo à FIA, e vão para a pista efetuar os mesmos 1.000 Km a que têm direito. Ninguém falou que a oportunidade dos outros times precisava ser junto uns dos outros. Na verdade, quanto mais a Pirelli puder treinar, melhor ainda, então, na opinião dela, se cada um dos 11 times da categoria quiser treinar isolado uns dos outros, não há melhor cenário possível. Além disso, há outro argumento que os times até agora nem quiseram tocar, ou convenientemente “se esqueceram” de falar: todos eles agora podem obter mais dividendos do que os alemães.
            O raciocínio é que a Mercedes já “usou” a sua possibilidade de treinar para a Pirelli por 1.000 Km. Logo, os alemães agora não podem mais efetuar este tipo de teste, pelo menos não este ano, assim, o que eles ganharam de possível vantagem sobre os demais não irá aumentar. Por outro lado, os demais times podem obter melhor vantagem em fazer o teste mais à frente, auferindo mais conhecimentos sobre seus carros em um momento que seja mais propício, dependendo da data que forem fazer seu teste. E como em ritmo de corrida carros como Lótus, Ferrari e Red Bull têm se mostrado superiores no trato com os pneus do que a Mercedes, ao efetuarem tal teste, poderão obter possivelmente dados que tornem seus bólidos ainda melhores do que já são, e retomando dianteira sobre a Mercedes. Mas, claro, é preciso confirmar mesmo se os alemães conseguiram desenvolver de fato seu carro neste treino com os pneus, ou se isso não é fruto do desenvolvimento da fábrica normalmente obtido entre um GP e outro com a análise dos dados das provas do campeonato.
            De qualquer modo, a melhor maneira de encerrar esta discussão é todos os outros times usarem do mesmo direito da regra e fazerem seus testes de quilometragem permitida para a Pirelli. Assim, ninguém poderá alegar que foi preterido ou obteve vantagem adicional e injusta sobre os demais. E, por esta mesma razão, não deveria haver punição à Mercedes, se a FIA fica se confundindo sobre seus próprios procedimentos. E, claro, se a regra possui esta exceção, por que nenhum time ainda havia solicitado efetuar tal teste? A Mercedes foi a primeira escuderia a realizá-lo, qual o problema se usou um direito previsto? Os outros que corram atrás, agora, e parem de chiar. A argumentação que estão usando é de que a entidade autorizou o teste, mas não foi avisada de que ele foi feito. Ora, e daí? Se pediram autorização, é claro que a idéia era fazer o teste, do contrário, para que comunicar e verificar se poderia ser feito? Entra no raciocínio novamente o lance de que a oportunidade deveria ser oferecida a todos os times, só que nada especificava que isso precisava ser um teste coletivo, com todos juntos, e teoricamente, nada impede que os outros times ainda peçam a oportunidade, agendem data e lugar, se se mandem para a pista. Mas parece que a FIA resolveu se fazer de marido traído, e agora pode sobrar para os alemães, que se tivessem recebido uma negativa da entidade quando fizeram o pedido e consulta, não teriam de passar pela crucificação esdrúxula que estão sendo vítimas.
            A Ferrari também fez teste similar, mas usou o carro de 2011, como se entendia então o regulamento. Neste caso, nada a declarar, disse a FIA no caso do time italiano também ter feito um teste do mês gênero. Mas e se depois se confirmar que o teste poderia ser feito com o carro atual? O time italiano vai querer ter a chance de testar com o carro 2013? Seria justo considerar que sim, se o raciocínio valer a fundo, pois poderiam alegar ter direito a nova chance por serem induzidos a erro de usar um carro defasado. E por aí vai, de acordo com o que está sendo afirmado antes ou depois. Mudando de posição de um momento para o outro, dali a pouco nada mais é certo ou errado, dependendo das circunstâncias, e é com situações assim que a FIA e a F-1 perdem a credibilidade, e pior, se o ambiente entre os times nunca foi de confiança mútua a bom nível, aí é que todo mundo perde mesmo o respeito pelo adversário e todos começam a se acusar de qualquer coisa. Vale lembrar que as escuderias nunca foram de conseguir concordar direito sobre tudo na categoria, então...
            As conseqüências dessa confusão que a FIA está ajudando a aumentar podem ser uma punição que a Mercedes considere extremamente injusta. E no caso de se sentir prejudicada, a fábrica alemã pode até mesmo cogitar abandonar a categoria, que perderia não apenas um fornecedor de motor, mas também uma escuderia de renome. Por seu lado, se sobrar para a Pirelli, a fabricante italiana também pode resolver pular fora da F-1 ao fim do ano, sem precisar prestar maiores esclarecimentos, por estar vencendo seu contrato, e com isso, quem iria fornecer pneus para 2014? A FIA e FOM precisariam correr atrás dos fabricantes, e ainda seria preciso ver se eles topariam a parada. Da última vez, só a Pirelli encarou as exigências que estavam sendo feitas para que os pneus tivessem comportamento menos previsível e não durassem tanto quanto poderiam...
            Com tanto barulho fora da pista, vamos ver se conseguimos ouvir o barulho dos motores dentro da pista, onde aliás o ambiente parece muito menos complicado e chato...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

FLYING LAPS – MAIO DE 2013



            Findo o mês de maio, eis aqui a nova edição da Flying Laps, comentando alguns dos acontecimentos do último mês em algumas categorias pelo mundo afora. Uma boa leitura a todos, e mês que vem tem mais...


O piloto J.R. Hildebrand parece ter desenvolvido uma relação conturbada com a pista de Indianápolis. Depois de quase ganhar a edição de 2011 das 500 Milhas de Indianápolis, ao bater na última curva da última volta e ver o inglês Dan Wheldon faturar a corrida nos metros finais, este ano o piloto acabou sendo o primeiro a provocar uma bandeira amarela na prova mais famosa dos Estados Unidos. O abandono do piloto na corrida foi até o de menos: logo depois, durante a semana, Hildebrand acabou sendo dispensado de seu time, a Panther, que resolveu apostar em outro piloto para o restante do campeonato da Indy Racing League, e o escolhido acabou sendo Ryan Briscoe, que até o ano passado era um dos pilotos da Penske. Briscoe já assumiria o lugar de Hildebrand na etapa dupla de Detroit. A confirmar se a Panther fez uma boa escolha...


Quem também fechou sua participação no atual campeonato da IRL foi a brasileira Bia Figueiredo. Acabou a grana de seus patrocinadores, e sem conseguir um novo acordo, aconteceu o que já se esperava desde o início da competição, de que só teria lugar garantido até a Indy500. Para o lugar da brasileira, pelo menos para as etapas de Detroit, a Dale Coyne contratou o piloto inglês Mike Conway. Conway, contudo, não quer participar das provas em pistas ovais, o que deverá levar o time a ter de recorrer a outro piloto para estas etapas. Bia tenta viabilizar um acordo que permita seu retorno nestas pistas, e no restante do campeonato, mas ao que parece, tal qual o ano passado, as chances da brasileira decolar na competição e conseguir competir a tempo integral novamente se esvaíram. Apesar de ter feito um bom 15° lugar em Indianápolis, a piloto precisava ter mostrado desempenhos mais consistentes nas provas que teve a chance de disputar, o que certamente teria atraído chances de obter mais patrocínios capazes de mantê-la na competição. Agora, pelo visto, só de novo em 2014...


E o grid da IRL perdeu um time para o restante da competição: conforme noticiado ainda no mês de abril, a equipe Dreyer & Reinbold encerrou sua participação nas 500 Milhas de Indianápolis. Sem orçamento para o restante do campeonato, a escuderia resolveu se retirar. Com isso, o piloto espanhol Oriol Sérvia está novamente a pé na categoria, e já começa a fazer contatos para arrumar novamente um cockpit para competir, talvez ainda este ano. O espanhol, aliás, fechou a Indy500 em um bom 11° lugar, mas nem isso foi suficiente para o time conseguir convencer patrocinadores potenciais a garantirem a permanência da escuderia no campeonato.


Na etapa do rali da Argentina, válida pelo Campeonato Mundial de Rali (WRC), Sébastien Loeb voltou a participar da competição, e novamente arrasou a concorrência, vencendo pela 8° vez a prova portenha, e deixando Sébastien Oggier comendo poeira literalmente. O piloto da Volkswagen finalizou a competição com quase 1 minuto de desvantagem para seu conterrâneo da Citroen, que para sua sorte, só retorna agora ao campeonato na prova da França, no segundo semestre, que irá marcar sua despedida definitiva da categoria. E Oggier agradece, pois lidera a competição com grande folga, e imagine que, mesmo participando apenas esporadicamente do campeonato deste ano, Loeb ocupa a vice-liderança, com 68 pontos, contra os 122 de Oggier. O mais próximo adversário em tempo integral do piloto da equipe Volkswagen é o finlandês Mirko Hirvonnen, que até o momento tem apenas 57 pontos, e é o 3° colocado na classificação do campeonato. Se Oggier vai enfim conquistar seu tão merecido título, já começam a pipocar os comentários de que ele só vai vencer pela desistência de Loeb em participar da categoria. Infelizmente, pelo que se viu até o momento, parece uma dura realidade, pois Oggier só superou Loeb em uma única prova este ano, na Suécia. Nos dois outros confrontos, acabou perdendo a parada. Pela diferença que ambos estabeleceram sobre a concorrência, o público certamente merecia ver o confronto de ambos por mais um título em tempo integral. Mas Loeb se mantém firme, e nem mesmo os apelos dos fãs ou da Citroen parecem tê-lo feito mudar de idéia de se retirar firme do Mundial de Rali. Então, o jeito é aproveitar sua última participação, na França, para vê-lo em ação pela última vez e reverenciar sua grande carreira...


Quem esperava uma reação da Toyota na segunda etapa do Mundial de Endurance, na Bélgica, ficou desconsolado. A Audi literalmente massacrou a concorrência na categoria LMP1, e praticamente fez uma trinca no pódio com seus 3 carros. Venceu o trio André Lotterer/Marcel F”assler/Benoît Tréluyer, seguido dos times Tom Kristensen/Allan McNish/Loïc Duval, e Lucas Di Grassi/Marc Gene/Oliver Jarvis, todos pilotando os modelos R18 e-tron quattro híbridos. O time nipônico teve de contentar-se com a 4ª colocação, com mais de uma volta de desvatagem. Na categoria GTE Pro, o time de Bruno Senna ficou em 2° lugar, e o brasileiro agora lidera no certame. Lucas Di Grassi ainda saiu de Spa-Francorchamps com o novo recorde em treinos na pista para a categoria protótipos, ao marcar o tempo de 1min58s934, e está muito animado para a prova seguinte, as 24 Horas de Le Mans. Quem infelizmente não teve um bom fim de semana foi Antonio Pizzonia, que depois da boa apresentação na etapa inaugural, acertou participação para correr novamente em Spa, mas acabou sofrendo um fortíssimo acidente com seu carro na curva Eau Rouge, felizmente sem sofrer ferimentos de monta. O brasileiro passava bem após o atendimento médico, e já está pronto para outra, embora sua próxima participação no Campeonato Mundial de Endurance ainda não esteja definida.


Depois de começar o campeonato 2013 da MotoGP totalmente eclipsado pelo novo parceiro na equipe Honda, Marc Márquez, que chegou inclusive a vencer já em sua segunda corrida na categoria máxima do motociclismo, o espanhol Daniel Pedrosa precisava reagir e mostrar que ainda tinha condições de ser o principal piloto da Honda. E conseguiu efetuar a reação com duas excelentes vitórias, nas etapas disputadas nas pistas de Jerez de La Fronteira e Le Mans, assumindo a dianteira da competição. Mas Pedrosa não pode baixar a guarda: Márquez, o novato-sensação da MotoGP, subiu ao pódio nas duas oportunidades, e ocupava, ao fim da etapa francesa, a vice-liderança da competição, mostrando que a equipe Honda tem tudo para dominar o campeonato deste ano. E quem sentiu o golpe foi o atual campeão, Jorge Lorenzo, que não conseguiu mostrar em Jerez e Le Mans a mesma performance do início da temporada. Quem parece ter perdido um pouco o “gás” inicial do ano foi o italiano Valentino Rossi, que depois do seu belo pódio em Losail, no Catar, não conseguiu terminar mais nenhuma etapa no pódio, e vem perdendo seguidamente o confronto com Lorenzo dentro da equipe da Yamaha. Será que o “Doutor” está vivendo a síndrome “Schumacher”, sem conseguir repetir as mesmas performances de antigamente? Talvez, mas no momento, parece que a Yamaha anda um pouco perdida com a força demonstrada pela arquirrival Honda no certame. As próximas etapas devem dar uma resposta mais clara se iremos assistir a um passeio da Honda ou se a Yamaha conseguirá reagir na competição.


De forma meio claudicante, o mais importante campeonato de F-3 do mundo iniciou seu campeonato no último dia 26 de maio. A F-3 Inglesa efetuou uma rodada tripla na pista de Silverstone, e o inglês William Buller, da equipe Fortec, foi o grande vencedor do fim de semana, vencendo a primeira corrida e terminando em 2° lugar nas duas provas seguintes. Companheiro de Buller na Fortec, o brasileiro Felipe Guimarães fez dobradinha na primeira corrida, terminando em 2° lugar, mas teve corridas mais complicadas depois, ficando em 8° na segunda prova, e em 5° lugar na terceira corrida. Buller lidera o campeonato com 52 pontos, seguido pelo italiano Antonio Giovinazzi (vencedor da segunda prova), com 34 pontos. Em 3° lugar está Sean Gelael, com 28 pontos. Jordan King vem a seguir, com 26 pontos, empatado com o brasileiro Felipe Guimarães, também com 26 pontos.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A VITÓRIA QUE FALTAVA...



Kanaan comemora a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis após 12 tentativas.

            Domingo passado, o brasileiro Tony Kanaan finalmente conquistou a vitória que mais fazia falta em sua carreira no campeonato da Indy Racing League: venceu as 500 Milhas de Indianápolis. Com isto, tornou-se o 4° piloto brasileiro a conquistar tal feito, obtido pela primeira vez em 1989, quando Émerson Fittipaldi, nosso grande pioneiro em títulos no automobilismo mundial, venceu pela primeira vez na Brickyard Line, após uma disputa ferrenha com Al Unser Jr. nas voltas finais, que terminou, assim como o triunfo de Tony, sob bandeira amarela, com a batida de “little” Al no muro após tocar rodas com Émerson na luta pela liderança da corrida.
            Émerson ainda venceria a corrida uma segunda vez, em 1993, data que comemorou 20 anos esta semana. Depois disso, seria preciso esperar até 2001, quando Hélio Castro Neves se tornaria o segundo brasileiro a vencer a mítica prova, feito que repetiria no ano seguinte, em 2002, quando igualou a marca de Émerson. Em 2003, Gil de Ferran se juntaria ao grupo, perfilando nada menos de 3 vitórias brasileiras no oval mais famoso do mundo. Estaria a Indy500 rendendo-se ao talento brasileiro? Nem tanto. De lá para cá, apenas em 2009 voltaríamos a celebrar um triunfo na prova, novamente com Helinho, que naquele ano significou muito mais do que apenas vencer pela 3ª vez, pois algumas semanas antes havia sido absolvido de um processo de evasão de divisas movido pelo fisco americano, e com perspectivas, no caso de condenação, de encerrar prematuramente sua carreira de piloto. E agora, Tony, finalmente à 12ª tentativa, finalmente chegou lá, e com muito merecimento.
            Tony fez uma boa corrida. Largando com extrema competência, o brasileiro não tinha o melhor carro da corrida, mas compensava com muita garra e braço, mantendo-se sempre no grupo da frente, ora assumindo a liderança, ainda que por algumas voltas apenas, ora oscilando-se entre os primeiros colocados. Mais do que poupar o equipamento, a estratégia visava também economizar combustível, e Tony conseguiu executá-la com perfeição. Nas voltas finais da prova, onde aí sim os pilotos partem para o tudo ou nada, Kanaan mostrava-se um páreo duro, frente a concorrentes que estavam dispostos a vender caro suas posições. Assumia a liderança mas logo era também superado pelos rivais, que mostravam ter até um pouco mais de carro que o brasileiro. A chave para a vitória era conseguir cruzar em primeiro no ponto mais importante: a linha de chegada, e Tony calculava o momento certo de utilizar o vácuo para assumir a ponta bem na reta dos boxes, pois nos outros pontos da pista se via que logo ele era alcançado e superado, mas se conseguisse passar em primeiro na linha de chegada, pouco importava ser superado depois, pois era ali o ponto-chave da vitória. Se não foi preciso tanto, devido às batidas que ocorreram nas voltas finais e colocaram até mais tensão sobre a luta no final da corrida, foi crucial que Tony aproveitasse ao máximo sua capacidade de largar bem para fugir dos concorrentes.
            A batida de Dario Franchiti, e que motivou o encerramento da corrida sob bandeira amarela, apenas coroou um trabalho bem feito e muita determinação. Tony deu à KV sua primeira vitória na Indy Racing League no melhor palco de todos, e a conquista não poderia ter vindo em hora mais propícia. Como um time médio, a KV não tinha orçamento para completar o ano com o piloto brasileiro, que estava garantido apenas em 10 das 19 corridas. Apesar das afirmativas de Jimmy Vasser, proprietário da KV, de que manteria o brasileiro assim mesmo, a perspectiva de falta de dinheiro para terminar o ano certamente comprometeria as chances de boas performances potenciais do time. Com o triunfo em Indianápolis, o prêmio de mais de US$ 2 milhões vem em boa hora para reforçar o caixa financeiro do time, que já conseguiu arregimentar mais um patrocínio importante para garantir todo o ano. E Tony não está perdendo tempo, capitalizando seu triunfo para iniciar negociações que visem garantir também toda a temporada de 2014.
            Ainda é cedo para garantir que a KV vença novamente este ano alguma outra corrida, mas o esforço de Kanaan desde que chegou à escuderia, em 2011, é mais do que evidente, tendo ajudado o time a crescer, embora ainda esteja muito atrás em capacidade e estrutura frente às organizações mais poderosas da categoria, como a Andretti, Penske, e Ganassi. Kanaan já havia feito um trabalho notável em 2011, quando chegou à KV praticamente no fim de semana do início do campeonato, e terminou o ano na 5ª colocação, com muita constância e bons resultados, embora ainda sem vitória. No ano passado, infelizmente o time andou para trás, e Tony não conseguiu repetir as mesmas performances. Este ano, mais centrada, a KV parece ter recuperado parte do rumo de crescimento, e desde que tenha carro para tanto, Kanaan mostra do que é capaz na pista.
            Desde que estreou na IRL em 2003, Tony sempre se mostrou um dos pilotos mais rápidos da categoria. No ano de estréia, já venceu uma corrida, e em 2004, era campeão do certame, com 3 vitórias, sempre competindo pelo time de Michael Andretti, que havia encerrado a carreira de piloto e agora tinha se tornado dono de equipe. Mas a estréia de Tony na Indy500 havia sido antes, em 2002, quando piloto ainda disputava a F-Indy. Naquele ano, Morris Numm resolveu inscrever Tony para a corrida da IRL, e o brasileiro logo mostrou intimidade com o oval de Indiana: largou em 5° lugar logo na primeira participação, mas acabou terminando apenas em 28°. No ano seguinte, já como piloto da Andretti, e competindo regulamente na IRL, já terminava a corrida em 3° lugar, sendo um dos destaques da corrida, após largar em 2° lugar. Vencer, todos diziam, seria questão de tempo para o brasileiro, que naquele ano ainda vibrou com a vitória do compatriota Gil de Ferran, perfilando um resultado de maioria brasileira no pódio da Indy500.
            Mas vencer em Indianápolis nunca é algo fácil. E nos anos seguintes, Tony alternou boas participações com resultados frustrantes. Em 2004, terminou em 2° lugar, depois de largar na 5ª posição. Em 2005, foi pole-position da prova, mas finalizou apenas em 8° lugar, resultado muito inferior ao que esperava conseguir. Em 2006, largou em 5° e em 5° terminou. No ano seguinte, largou novamente na primeira fila (2° lugar), mas de novo terminou aquém do que esperava, apenas em 12° lugar. Em 2008, largou em 6°, mas foi classificado apenas em 29°. Em 2009, o dilema foi parecido: largou novamente em 6°, e acabou apenas em 27°. Em 2010, acabou largando em último lugar, para terminar em 11°. Apesar de boas apresentações, Tony parecia destinado a repetir o drama de outro conterrâneo, Raul Boesel, que apesar de ter feito algumas boas corridas em Indianápolis, parecia predestinado a nunca vencer a prova mais importante dos Estados Unidos. E, ao fim do ano, com a decisão de Michael Andretti de dispensar o brasileiro por perder o patrocínio da 7-Eleven, até mesmo a continuidade da carreira de Tony na IRL ficou em risco.
            Contratado pela KV para 2011, Tony iniciou uma nova fase na carreira, mais difícil e desafiadora, por não contar mais com um time de ponta por trás. Mas nem por isso baixou os braços e deixou de lutar como sempre fez. Em Indianápolis naquele ano, largou apenas em 22°, mas fez uma prova cheia de garra, terminando em 4° lugar. No ano passado, foi melhor ainda: largou em 8°, e finalizou em 3°. E neste ano, largando apenas em 12°, finalmente chegou à vitória, e beijou com muito gosto a Brickyard Line, a linha de tijolos do piso original do circuito que ainda hoje delimita a linha de chegada do oval mais famoso do mundo. Era a vitória que faltava para Kanaan em sua carreira, e também serviu para acabar com um jejum incômodo: já fazia praticamente 3 anos desde sua última vitória na IRL, em 2010, no circuito oval de Iwoa, seu último triunfo pelo time de Michael Andretti.
            Tony conseguiu a vitória que todo campeão da IRL sempre sonhou, e com isso, completou ainda mais os números de sua carreira. Há inúmeros casos de pilotos que foram campeões e nunca venceram a Indy500, como o reverso também é verdadeiro. Hélio Castro Neves que o diga: já venceu 3 vezes a corrida, mas nunca foi campeão da categoria, embora ele mesmo afirme com orgulho que, entre um e outro, prefere triunfar em Indianápolis. E ele não é o único a pensar desta maneira. As 500 Milhas são uma corrida praticamente à parte do que tange à fama e desafio, e quem fatura a corrida garante praticamente seu lugar na lista dos gigantes do automobilismo mundial, orgulho que é comparável àqueles que vencem as 24 Horas de Le Mans, ou faturam o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, embora neste último caso o título da categoria máxima do automobilismo ainda seja mais prestigiado do que apenas vencer no Principado.
            Os tempos da Indy500 certamente são outros: apenas 34 pilotos disputaram vaga este ano, sendo que em tempos recentes, houve apenas os 33 pilotos regulares no grid para competirem, e em determinados anos, foi até complicado encher todo o grid, sem dúvida um panorama muito distinto de épocas onde mais de 50 pilotos disputavam vaga na corrida mais famosa do continente americano. Mas, mesmo assim, as 500 Milhas ainda conservam um brilho próprio e único, e vencer ali sempre será motivo de orgulho para qualquer piloto, que passa a ter sua face imortalizada no famoso troféu Borg-Warner, que traz reprodução de todos os seus vencedores, e que acaba de ganhar a face de mais um piloto brasileiro.
            Parabéns a você, Tony, por mais esta conquista em sua carreira. É mais do que merecida, e que não seja a última. Mas hoje é hora de voltar a acelerar novamente, e a IRL inicia os treinos para a etapa de Detroit, que será em rodada dupla, com provas neste sábado e no domingo, em corridas completas e distintas, uma experiência nova na categoria. Vamos ver se a estrela de Kanaan continua brilhando nestas novas provas.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – MAIO DE 2013



            Finalizando as postagens em atraso por aqui, eis a edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA do mês de maio, no tradicional esquema que todos conhecem: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro), com algumas avaliações do que andou acontecendo neste último mês no mundo da velocidade. Com isso, amanhã já deverei estar com as postagens totalmente em dia, e trazendo a coluna semanal tradicional. Uma boa leitura a todos então, e até a cotação do mês que vem...



EM ALTA:

Tony Kanaan: O piloto baiano enfim conseguiu levar seu time, a KV, à primeira vitória da escuderia no campeonato da Indy Racing League, e conseguiu fazê-lo no melhor palco de todos, as 500 Milhas de Indianápolis. Foi uma recompensa ao árduo trabalho que Tony vem desempenhando no time desde que foi dispensado pela equipe de Michael Andretti, que aliás, foi a principal derrotada pela vitória do brasileiro no circuito mais famoso dos Estados Unidos este ano, pois teve sempre pelo menos dois de seus pilotos entre os favoritos para a vitória durante a prova, e acabaram superados por Kanaan no momento decisivo. A KV, contudo, ainda precisa melhorar se quiser se tornar um time vencedor de fato, e o triunfo na Indy500 não é garantia de que dias melhores virão, mas apenas a comprovação do talento e capacidade de Tony, um dos melhores pilotos dos últimos tempos na IRL. Campeão em 2004 da categoria, ele agora tem o troféu que faltava em sua carreira, e ainda quer mais, como todo piloto que ambiciona ser vitorioso em sua carreira. Se a KV conseguir corresponder aos esforços de Tony, o brasileiro pode pensar em novos triunfos, e quem sabe até na disputa do título. E, pelo que mostrou domingo, Kanaan sabe se garantir na pista. Só precisa ter um carro competitivo o suficiente para que ele possa fazer a diferença...

Nico Rosberg: O piloto alemão vem mostrando serviço nas últimas corridas, e em Mônaco, conquistou sua 3ª pole-position consecutiva, superando Lewis Hamilton, que já começa a ficar meio perdido com suas atuações nas últimas corridas. Se em corrida o time infelizmente tem andado para trás, Nico aproveitou bem a chance de largar na frente no Principado e venceu a corrida com autoridade, averbando sua segunda vitória na F-1, e sendo até agora o único piloto a vencer pela Mercedes desde que a marca voltou a ter um time de competição próprio na categoria. Frequentemente subestimado até pela mídia especializada, Nico ainda conseguiu em Mônaco repetir o triunfo que seu pai, Keke Rosberg, conseguiu em 1983, quando também venceu em Monte Carlo. Nos últimos 3 anos, os feitos de Nico foram relativizados pela falta de competitividade de Michael Schumacher que nunca exibiu a mesma performance de seus tempos áureos. Agora, enfrentando Lewis Hamilton, que é tido como o piloto mais arrojado e veloz da F-1 atual, a capacidade do filho de Keke está sendo mais observada, e ele tem dado mostras de que pode, sim, ser um nome a ser considerado até para a luta pelo título, se a Mercedes conseguir dar-lhe um carro verdadeiramente competitivo em tempo integral, e não apenas nos treinos de classificação.

Kimmi Raikkonem: O piloto finlandês conseguiu, mesmo depois de ter sido atingido por Sérgio Perez em Mônaco e ter um pneu furado, pontuar ao conquistar o 10° lugar praticamente no finzinho da prova monegasca, após voltar em último lugar depois de trocar os pneus e fazer uma recuperação fulminante nas voltas finais. Com isso, Kimmi pontuou pela 23ª prova consecutiva, e está a apenas mais um GP de igualar o recorde histórico de pontuações consecutivas na F-1, que é de Michael Schumacher. E pelo retrospecto, Raikkonem tem tudo para igualar mesmo a marca de Michael em Montreal, próxima etapa da competição, desde que consiga ficar longe de alguns malucos na pista. E, deixando o politicamente correto de lado, ainda declarou que o problema dele com o mexicano em Monte Carlo não era nada que um bom soco na cara de Perez não resolvesse o assunto. E, para mostrar como o finlandês está com o moral elevado, seu nome é ventilado para ser o substituto de Mark Webber na Red Bull em 2014, o que pode provocar alguns arrepios em Sebastian Vettel, que apesar de falar que adoraria ter Kimmi como companheiro de time, é bom que se prepare, pois ele não deverá ser como Webber, a quem Vettel vem superando com certa facilidade. Raikkonem será outra história, e com um carro como a Red Bull nas mãos, então...


Sébastian Loeb: Voltando a participar de uma etapa do Mundial de Rali, Loeb não deixou por menos e venceu a etapa da Argentina. Foi sua 78ª vitória na competição, e para sorte da concorrência, em especial Sébastian Oggier, Loeb agora só irá participar do rali da França, no segundo semestre, que irá ser sua despedida oficial do Mundial de Rali. Uma pena, pois se continuasse competindo a fundo, certamente teria plenas condições de faturar seu 10° título na competição, o que seria um feito ainda maior do que os seus já fabulosos 9 títulos. Quem agradece é Oggier, que lidera a competição com 122 pontos. E Loeb ocupa no momento a vice-liderança, com 68 pontos, mesmo sem disputar integralmente a competição. O piloto francês da Citroen vai deixar saudades...

Daniel Pedrosa: Depois de começar o campeonato da MotoGP levando um baile do novato sensação Marc Márquez, o espanhol Daniel Pedrosa conseguiu se recompor, e venceu de forma categórica as etapas de Jerez de La Fronteira e Le Mans do campeonato, assumindo agora a dianteira na competição, com 83 pontos, superando seu jovem companheiro de time na equipe Honda, que havia vencido a prova de Austin, e que é no momento o vice-líder do certame, com 77 pontos. Mas Pedrosa tem que ficar atento, pois os rivais não vão dar sossego, mas a principal ameaça mesmo é Márquez, especialmente por contar com o mesmo equipamento, e que não está nem aí para respeitar os nomes já estabelecidos na categoria. Se Pedrosa quiser faturar o título, terá de pilotar como fez na Espanha e na França, e não dar chance aos rivais de tentar uma reação. Basta que ele mantenha a cabeça no lugar que ele pode dar conta do recado. Tem talento e equipamento para isso. Basta não deixar as coisas fugirem ao controle.



NA MESMA:

Sérgio Perez: Depois que o piloto mexicano “acordou” na McLaren na prova do Bahrein, os adversários na pista é que estão perdendo o sono na pista, e não no melhor sentido da palavra. Em Mônaco, o mexicano andou exagerando na agressividade na disputa de posições na corrida, terminando por dar uma pancada razoável na traseira de Kimmi Raikkonem, acabando por arruinar sua própria corrida, e derrubando o finlandês para a última posição ao lhe causar um pneu furado. Num raro momento de extravasão de suas idéias, o normalmente calmo Kimmi disse que seus entreveros com Perez não era nada que um soco na cara do mexicano não resolvesse. Sérgio precisa mesmo mostrar agresividade na pista para conseguir posições, mas também tem de aprender a não ficar sempre esbarrando nos outros para isso, e em Mônaco mostrou que ainda precisa saber fazer isso direito. Jenson Button, que já ficou incomodado com o excesso de impetuosidade do colega mexicano, vai aproveitando para ganhar pontos enquanto Perez vai desperdiçando chances por forçar demais a barra. Se ele continuar exagerando na dose, a paciência da McLaren vai acabar mais cedo para com suas estripulias.

Sebastian Vettel: Enquanto reclama dos pneus juntamente com seu time, o tricampeão alemão pelo menos vai mostrando que aprendeu uma lição valiosa: quando não dá para vencer, acumule pontos o melhor possível, e Vettel averbou um belo segundo lugar em Monte Carlo que, aliado aos maus resultados momentâneos dos principais adversários, já tem mais de 20 pontos de folga na liderança do campeonato, o que certamente será muito útil quando a concorrência se mostrar mais eficiente em alguma prova futura. E também ai abrindo larga vantagem para o companheiro de equipe Mark Webber, a fim de não deixar dúvidas sobre quem manda no time...

Bia Figueiredo: A piloto brasileira mais uma vez, pelo menos até ordem em contrário, encerrou sua participação no campeonato da Indy Racing League. Mesmo com a boa prestação em Indianápolis, onde conseguiu um belo 15° lugar ao fim da corrida, Bia já ficou a pé na equipe Dale Coyne, que para a etapa de Detroit terá o inglês Mike Conway ocupando o carro que era da brasileira. Como Conway não quer correr em pistas ovais, ainda há esperança de Beatriz voltar ao time nas provas deste tipo de pista restantes do campeonato, mas até o momento, não tem nada confirmado neste sentido. Mesmo que volte, o ruim é que a ausência já provoca uma quebra de ritmo no desenvolvimento da brasileira com o time, que apesar dos percalços enfrentados, vinha melhorando de produção corrida a corrida. A batalha dos patrocínios nos últimos anos tem se mostrado até certo ponto inglória, pois tem ficado sempre no lance de poucas corridas, e Bia precisava ter uma chance de correr integralmente o campeonato para poder destrinchar na categoria americana. Talvez seja a hora de tentar algo diferente, mas essa é uma decisão que cabe unicamente à piloto, que ainda tem esperanças de fincar pé na IRL.

Transmissão da F-1 na Globo: O novo formato de transmissão das corridas da F-1 pela TV Globo, começando 20 minutos antes da corrida, já completou um ano de realização, e até agora pouco mostrou de mais interessante além de algumas entrevistas em pleno grid de largada das provas. A entrada de Rubens Barrichello como comentarista convidado por enquanto adicionou apenas um pouco mais de carisma e intimidade nas entrevistas com o pessoal nos grids, enquanto em termos de maior informação e profundidade, não se evoluiu praticamente nada. A grade “engessada” da emissora, além de sua postura de tratar como “acessório” da programação tudo que não é produto da própria Globo ajuda a prejudicar a intenção de oferecer um espaço maior à cobertura das corridas, mas em termos de informação, mesmo com o pouco espaço, daria para se fazer algo melhor, com algumas matérias que certamente seriam bem-vindas no dia da corrida ou do treino de classificação. E mesmo quando há um material interessante produzido, ele é pulverizado no noticiário, como foi o caso dos 20 anos da última vitória de Ayrton Senna em Mônaco, que poderia muito bem ter sido apresentada no domingo antes da prova, com um pouco mais de amplitude, do que apenas veiculada como mais um assunto dentro do noticiário no fim de semana. Rubens Barrichello, por sua vez, precisa também ficar mais aberto e independente para colocar suas opiniões e contar curiosidades técnicas e históricas da categoria, e não ficar tanto a reboque dos repórteres e de Galvão Bueno, que cada vez mais dita a ordem das coisas na cabine de transmissão. A emissora, contudo, parece não querer sair da mesmice apresentada, e desse jeito, só pode correr o risco de decair a qualidade.

Novo autódromo do Rio em Deodoro: A “novela” em que se transformou a promessa de construir um novo e moderno autódromo na cidade do Rio de Janeiro ganhou mais um capítulo apimentado neste mês de maio, quando foi noticiado que além dos explosivos que infestam o local há anos, por ser uma área de treinos do exército brasileiro, agora substâncias derivadas destes explosivos podem estar contaminando todo o local, com complicações para a saúde até mesmo dos destacamentos militares encarregados de “limpar” o terreno, os quais podem estar com a vida exposta a riscos. Segundo a matéria publicada pela Folha de São Paulo, as substâncias podem afetar os lençóis freáticos, além de serem cancerígenas, mesmo em pequenas quantidades, devido à potência química dos componentes das fórmulas utilizadas nos explosivos. Isso pode significar ter de mudar amplamente o projeto de limpeza da área, não apenas para limpar os explosivos, como também para evitar a ameaça de contaminação das pessoas e plantas que venham a ser instaladas ali para compor o paisagismo da pista, se é que esta irá mesmo sair, pois tal novidade deve atrasar ainda mais todos os procedimentos de construção, uma vez que contaminação por materiais tóxicos é algo sério, e ao contrário de certas autoridades de nosso país, que simplesmente dão de ombros para as implicações de algo assim, se o autódromo quiser receber a certificação da FIA para corridas, algo terá de ser feito a sério. Agora, se o governo carioca e federal vai tomar providências sérias neste sentido, é melhor esperar sentado, pois isso vai demorar...



EM BAIXA:

Rede Bandeirantes: Mais uma vez o Grupo Bandeirantes mostra seu desprezo e falta de respeito para com o telespectador que acompanha o campeonato da IRL. Depois de fazer tanto alarde durante o último mês, primeiro pela etapa brasileira da categoria, e depois pelas 500 Milhas de Indianápolis, bastou Tony Kanaan receber a bandeirada da vitória em primeiro lugar para a emissora largar tudo e mudar-se de mala e cuia para o futebol. Mesmo que tenha mostrado, em flash, a premiação de Tony momentos depois, não se tratava de uma vitória comum, mas de um triunfo nas 500 Milhas de Indianápolis, uma das provas automobilísticas mais prestigiadas e famosas do mundo inteiro, e merecia pelo menos um acompanhamento decente por parte da emissora, ainda mais pelo fato de Tony não vencer há vários anos na IRL, e ser a primeira vitória brasileira no certame este ano. Os torcedores mereciam ter mais dedicação da emissora, que nem sequer mostrou também a premiação como se devia em seu canal esportivo pago, o Bandsports, que sem ter compromisso com o futebol, também cortou a transmissão sem mais nem menos. E, passada a Indy500, podem apostar que o campeonato Indy vai “sumir” do canal aberto, pois o futebol é mais importante do que qualquer outra coisa, e nem se digna a passar as corridas em VT completo após o futebol, o que seria a melhor opção para os torcedores. Se é fato que a IRL nunca conseguiu emplacar por aqui até hoje, a Bandeirantes também não se esforça para melhorar a situação, e que depois não venha reclamar que os torcedores não correspondem a seus “esforços” quando estes parecem mais piada de mau gosto para quem gosta de corridas. E nem chego a mencionar que a narração de Luciano do Valle está cada vez pior, e mesmo assim, eles ainda tem a ousadia de deixar Téo José de fora da transmissão para confiná-lo ao futebol. Ganham os torcedores do futebol, perdem os torcedores das corridas...

Equipe Williams: O time de Frank Williams continua caminhando ladeira abaixo no atual campeonato de F-1. Além de não conseguir pontuar nem mesmo em Mônaco, onde a equipe conseguia pelo menos salvar parte da reputação, desta vez até Pastor Maldonado andou perdendo a paciência com o time, e ainda por cima acabou sofrendo um acidente forte que só ajudou a encerrar o fim de semana que já andava pra lá de ruim. Neste ritmo, o atual campeonato tem tudo para ser o pior da história do time desde seus primeiros anos de atividades na F-1, deixando até 2011 parecendo algo mais promissor. Nem o anúncio da adoção de motores Mercedes turbo para 2014 pode dar um alento à situação, pois se mesmo no ano passado, com bons resultados, o time ainda continua “refém” do patrocínio da PDVSA, imagine o que o péssimo ano de 2013 está fazendo em termos de ajudar a capitalizar possíveis novos patrocinadores. Bruno Senna deve estar rindo à toa, liderando sua categoria no campeonato de Endurance...

Romain Grossjean: Se o piloto franco-suíço havia deixado suas estripulias de pista no passado, em Mônaco ele pareceu querer tirar todo o atraso das últimas corridas, ao conseguir a façanha de bater praticamente em todos os dias de atividades no Principado, culminando na pancada que deu em Daniel Ricciardo e sua Toro Rosso durante a corrida. Grossjean esteve irreconhecível em Monte Carlo, e ajudou, com certeza, a piorar as contas do time, que teve no ano passado um prejuízo recorde em sua participação na F-1, que com certeza foram agravadas pelas inúmeras batidas cometidas pelo piloto durante todo o campeonato, que chegaram a fazê-lo até ser suspenso da prova de Monza pelo grave acidente provocado na largada da prova da Bélgica, prova anterior à da Itália. Eric Bouillier ainda afirma ter confiança no seu piloto, mas se ele voltar a repetir este tipo de comportamento, ai estar cavando cada vez mais seu fim de carreira na F-1. Pela confusão que arrumou em Mônaco com Ricciardo, Grossjean perderá 10 posições no grid na próxima corrida, em Montreal.

Campeonato de F-1: Decididamente, a Fórmula 1 nunca consegue se manter longe de confusões. Depois de criar um bate-boca desmedido sobre a durabilidade dos pneus da Pirelli, agora a nova bomba nas discussões é o teste “secreto” feito pela Mercedes com os pneus da fábrica italiana em Barcelona logo depois do GP da Espanha, e que motivou protestos formais de Ferrari e Red Bull alegando quebra de respeito pelas regras da categoria, que proíbe testes privados durante o campeonato. Em um momento onde os times tentavam acertar um acordo de aprovação de mudanças de procedimentos por maioria simples, e não por unanimidade, a notícia ajudou a azedar o ambiente de cooperação entre as escuderias, que já não era dos melhores. Depois do conhecimento deste teste feito pela Mercedes, os demais times querem ter o mesmo benefício, e embora o teste de pneus tenha sido feito visando aos compostos de 2014, ninguém duvida que o time alemão certamente acumulou dividendos que certamente ajudaram a escuderia a vencer em Mônaco. E lá vamos nós outra vez para mais uma discussão acalorada que mostra como a categoria é pra lá de desunida e propensa a arrumar brigas desnecessárias...

Renault: em um momento de mudanças de motores, a Renault certamente ajudou a tumultuar o ambiente na F-1 ao anunciar que seus novos propulsores turbo irão custar muito mais caro para os times clientes do que os atuais motores aspirados. Com as finanças combalidas, a Williams foi a primeira a debandar da lista de fregueses da fábrica francesa, mudando para os motores Mercedes em 2014. Mas a Renault, que insiste em manter os altos novos preços de suas unidades, parece não estar preocupada com isso, já que acabou ganhando a Toro Rosso, que não irá renovar seu contrato de fornecimento com a Ferrari. A Red Bull continua firme com os propulsores franceses, e para estes, é o único time que de fato interessa manter. Caterham e Lótus devem continuar usando os motores Renault  em 2014, mas com as finanças ainda incertas, não se pode descartar que surjam mudanças inesperadas até o fim do ano, ainda mais depois que a Lótus anunciou um prejuízo recorde no balanço do ano passado, e sempre é bom lembrar que a escuderia capitaneada por Tony Fernandes ainda é um time pequeno, e que a qualquer momento também pode passar por um aperto financeiro. Todos esperam que Bernie Ecclestone tenha uma conversa com a direção da fábrica francesa para que fique mais maleável na negociação dos valores, a fim de ajudar na contenção de gastos dos times, mas a julgar pelo histórico de Carlos Ghosn, que nunca foi fã ardoroso do envolvimento da Renault em competições, os altos preços dos novos motores podem acabar sendo irredutíveis...