quarta-feira, 12 de abril de 2023

ARQUIVO PISTA & BOX – JANEIRO DE 2000 – 28.01.2000

            Hora de trazer mais um de meus antigos textos aqui no blog, e a coluna de hoje foi publicada no dia 28 de janeiro de 2000, e o assunto principal era o lançamento dos novos carros da F-1 para a temporada daquele ano. Desde sempre, o lançamento de novos carros sempre foi algo que era aguardado com ansiedade e impaciência pelos fãs do automobilismo. Todo mundo sempre queria ver as novas máquinas, como seriam os carros, e às vezes, até quem seriam os pilotos. Ao longo do tempo, as cerimônias de lançamento foram variando, das mais simples, até as mais opulentas e faraônicas. Nos tempos atuais, com o advento da internet, isso ganhou maior alcance, mas este ano, por exemplo, algumas cerimônias foram “fakes”, já que os carros novos não eram efetivamente mostrados, apenas um simulacro do carro antigo, muitas vezes com pintura nova do ano, o que até contribui para brochar o interesse e a expectativa gerada, para não falar que, com os regulamentos atuais tão restritivos à criatividade, e com o teto de gastos, perdeu-se parte da “personalidade” que os antigos carros exibiam no seu lançamento, com detalhes próprios de cada time, algo muito mais difícil nos dias atuais. De quebra, algumas notas rápidas de notícias do mundo da velocidade naquela semana. Uma boa leitura a todos, e em breve volto com mais textos antigos por aqui...

FESTIVAL DE LANÇAMENTOS

             A F-1 continua se preparando para a temporada deste ano, que começa em março, mas a principal atividade das escuderias neste mês de janeiro, junto com os testes, são os lançamentos dos novos carros da temporada 2000. Até agora a maioria dos times já fez seus lançamentos ou os têm para muito em breve. Só a McLaren e a Ferrari vão deixar seus novos carros para serem lançados por último. O novo chassi MP4/15 da McLaren deve ser mostrado na próxima semana em Barcelona, enquanto o novo carro da Ferrari será apresentado em Maranello no dia 7 de fevereiro.

             Enquanto isso, as escuderias alternam testes com as apresentações dos novos modelos. Para a próxima semana, além da McLaren, a Jordan e a Prost já têm confirmados os lançamentos oficiais de seus novos carros. Até o momento, Jaguar, BAR, Williams, Benetton e Sauber já mostraram seus novos carros. Alguns, como o novo BAR02, já estão rodando pelas pistas desde o início de dezembro passado, mas só nos últimos dias é que ocorreu o “lançamento oficial” dos novos modelos. Isso é uma tática até comum na categoria. Os lançamentos costumam ser o “preview” da escuderia para a nova temporada, e visa a chamar a atenção da mídia, especialmente, bem como agradar aos patrocinadores.

             Foi o caso da apresentação do novo Williams FW22, onde se mostrou o novo visual dos carros para este ano, que terão o patrocínio principal da Compaq, empresa do ramo de informática, além de mostrar o novo companheiro de equipe de Ralf Schumacher para a temporada, o jovem Jenson Button, considerado o novo prodígio do automobilismo inglês, ainda que esta afirmação seja meio exagerada, ainda mais que vem da imprensa inglesa, que com a aposentadoria de Damon Hill, anda mais ávida do que nunca por um novo ídolo inglês nas pistas da F-1.

             As apresentações costumam variar. Algumas são faraônicas, como a McLaren, que na apresentação de seus últimos carros promoveram verdadeiros shows, com direito a diversos artistas, em uma festa de encher os olhos. Para outras equipes, o que importa é ser original, e não tentar fazer muito barulho à toa, como a Benetton, que na apresentação do novo B2000 utilizou um painel basculante para mostrar o carro saindo do chão.

             Alguns, entretanto, resolvem pisar um pouco mais no chão, mostrando um pouco mais de prudência no que promete para a temporada. É o caso da BAR, que armou o maior estardalhaço no ano passado, ao apresentar seus carros com pinturas diferentes, e chegando até a comprar uma briga com a FIA por causa disso, sem falar que lutaria por vitórias e incomodaria os favoritos. Depois do que se passou em toda a temporada de 99, sem conseguir marcar sequer um mísero ponto, este ano a BAR foi mais discreta e talvez um pouco mais humilde, não prometendo mundos e fundos e optando por um pouco mais de sobriedade em vez do estardalhaço.

             Outro objetivo dos lançamentos é chamar atenção da mídia. É disso que vive a categoria, e mesmo nesta época de testes, as novidades ficam meio reduzidas. Então, para evitar que a categoria caia no esquecimento, surgem as festas de lançamento, até mesmo para se exibir os novos patrocinadores, ou no mínimo, o novo visual do carro. Tudo o que for novidade vira notícia para se veicular nos dias seguintes, até que surja outra novidade aqui ou ali, e se mantenha a categoria sempre em foco. Se o que é prometido nestas festas de lançamento é cumprido já são outros quinhentos, mas o importante é aparecer. E quando o assunto é mídia, o pessoal da F-1 é muito competente.

             Testes e festas de apresentações. O panorama geral do mês de janeiro. Todo ano é assim. Pode parecer sempre igual e monótono, mas sempre é bom ver quais são as novidades que a categoria apresenta. É um ar de renovação e novidade que faz muito bem, e por vezes, traz algumas surpresas bem agradáveis. Vamos ver o que a F-1 pode apresentar este ano nas pistas. De visual, até agora as coisas foram interessantes, mas vale lembrar: visual não ganha corrida, então vamos ver no que tudo isso vai dar...

 

 

A F-CART começa a esquentar os motores para a temporada 2000. Para a próxima semana está programado o Spring Training. Durante dois dias, 02 e 03 de fevereiro, todas as escuderias estarão presentes no Homestead Motorsport Complex para testes intensivos com cobertura total da imprensa. Mais do que uma jogada de marketing, os testes servem para dar uma prévia do que esperar, em parte, da categoria este ano. A maior expectativa vem da nova Penske/Honda, que terá dois pilotos brasileiros em seus carros na tentativa de recuperar o caminho das vitórias. E com a decisão da Ganassi de correr com os motores Toyota este ano, a Green, que mantém o mesmo pacote técnico do ano passado, é a candidata a favorita na luta pelo campeonato. Mas há especulação e especulação, e o Spring Training deve dar uma boa indicação de quem está mesmo preparado para surpreender este ano, ou deve passar o ano na fila.

 

 

Enquanto isso, a Indy Racing League dá a largada para o seu campeonato 2000. Amanhã será disputado o Grande Prêmio da Disney, que será realizado no Walt Disney Speedway, situado dentro do parque da Disney em Orlando, na Flórida. A maior expectativa é a estréia do bicampeão da CART, Al Unser Jr., que volta à equipe Galles, de onde saiu em 1993 para a Penske.

 

 

A Williams acabou escolhendo o inglês Jenson Button para ser o companheiro de Ralf Schumacher. Com isso, o brasileiro Bruno Junqueiro, que era o preferido pelo staff técnico da escuderia por sua sensibilidade e precisão no desenvolvimento do carro, acabou sem ter a sua chance de estrear na F-1, pelo menos este ano. Apesar dos motivos óbvios da escolha do piloto inglês, é consenso geral de que a Williams deve encarar um ano bem pior do que se imaginava, pois não é apenas velocidade que será necessária de seus pilotos, mas capacidade de desenvolvimento dos carros. Ralf Schumacher já aprendeu um pouco disso, mas Button ainda não tem nenhuma experiência nisso com um F-1. E, para quem não tem nem 2 anos de automobilismo, um salto direto para a F-1 pode “queimar” os talentos de qualquer piloto. Resta saber o que o time espera de seu novo piloto...

sexta-feira, 7 de abril de 2023

BADERNA NA F-1

A F-1 marcou novamente besteira na condução de um GP este ano, agora na prova australiana, exagerando na dose. Até onde isso vai?

            Difícil dizer o que anda acontecendo na Fórmula 1 ultimamente, no que tange às regras da categoria, e à sua utilização. A chamada “categoria máxima do automobilismo” parece estar virando uma categoria que de máxima, parece ser a imbecilidade, tamanhas as palhaçadas que temos visto em tempos recentes. E pior, quanto mais parecem querer botar ordem na casa, mais parecem transformar o certame numa verdadeira casa da mãe Joana, onde não seguir as regras já gera debates, mas seguir as regras parece complicar ainda mais a situação.

            Não é de hoje que bato na tecla de que a FIA parece complicar ainda mais as regras, ao invés de simplificar. Além de limites completamente imbecis para o número de certos equipamentos que podem ser utilizados pelos pilotos, em um campeonato cada vez mais longo, a entidade ainda bate cabeça com regras que, teoricamente, até podem fazer sentido pela justificativa apresentada, mas que na prática, só ajuda a “queimar” o filme da F-1, que já anda com seus problemas, e parece deixar até mesmo seus comissários de corrida perdidos, tomando decisões ou atabalhoadas, ou exageradas. E tudo em nome do “show”, que se já não anda muito bom, só fica pior ainda quando são tomadas atitudes que bagunçam ainda mais a situação, ao invés de resolver.

            Um exemplo é o debate, aparentemente eterno, sobre a palhaçada da decisão de 2021 em Abu Dhabi, onde Michael Masi simplesmente deixou a luta correr solta entre Lewis Hamilton e Max Verstappen, quando as regras ditavam que todos os retardatários teriam que passar à frente do Safety Car, o que não foi feito, tirando apenas aqueles que se encontravam entre os dois detentores do título, o que negligenciou o direito de quem vinha atrás de ter chances de entrar na briga, não pelo campeonato, lógico, mas pela vitória na corrida. Poderia não ter dado em nada diferente do que ocorreu, mas também poderia ter acontecido o contrário, com Verstappen sendo atacado, e talvez até superado por quem vinha atrás, e mudar o destino da decisão. Isso vai gerar bate-boca por muito e muito tempo, e a própria FIA admitiu depois que a decisão de Masi acabou sendo errada, mas findo a temporada, o estrago já foi feito, e se Hamilton perdeu o título, que seria o seu 8º, Verstappen vai carregar sempre a pecha de “título forjado” na opinião de muitos, o que não seria justo com o piloto holandês, que merecia ter tido uma conquista sem máculas, como foi a de 2022. Bem, a FIA tentou dar uma “arrumada” na situação no ano passado, mas como vimos, ela mesma se complicou em alguns momentos.

            Claro, errar é humano. Mas insistir no erro é burrice, e assim, para 2023, o que deveríamos esperar era que a entidade se tocasse, e parasse de procurar pelo em ovo, se preocupando mais com assuntos realmente relevantes, do que ficar se concentrando em querer promover a competição, quando na verdade só está conseguindo “tacar mais fogo” na situação, e com isso, desagradar a gregos e troianos. Na Arábia Saudita, por exemplo, o uso do Safety Car para retirada do carro quebrado de Lance Stroll, da Aston Martin, foi completamente desnecessário, na medida em que o canadense tinha conseguido deixar seu bólido junto a uma saída, onde foi prontamente retirado da pista, sem maiores percalços. Uma bandeira amarela no setor teria sido suficiente, e num exagero, talvez o Safety Car virtual, por uma volta ou duas no máximo. Mas não, tascaram logo o Safety Car, que ao contrário de outras ocasiões, só serviu para deixar a prova, que já não era nenhum show de disputas e duelos, ainda mais morna e tediosa, pois todos os pilotos aproveitaram para fazer seus pit stops únicos, matando as estratégias de corrida diferenciadas que poderiam ter sido utilizadas pelos competidores. Se a intenção era promover um “reset” na corrida, com mais disputas e emoção, o tirou saiu completamente pela culatra, e com várias críticas pela atitude.

            Bom, o que dizer então do GP da Austrália? A corrida já ia ter novidade, quando anunciaram que teria 4 zonas de DRS na pista do Albert Park, contra as 3 do ano passado, deixadas de última hora porque as 4 zonas poderiam ser exageradas. Gosto da pista australiana, mas sei lá, o Albert Park raramente consegue apresentar uma corrida decente, e a prova deste ano, mais uma vez, não parecia ter grandes atrativos. Verstappen acabou surpreendido na largada, mas seria questão de tempo até o holandês recuperar a ponta, dada a supremacia do carro da Red Bull, que só não fez dobradinha porque Sergio Pérez teve em Melbourne todo o azar que não teve no ano até aqui. Mas ele não foi o único: Alexander Albon, na melhor prova da Williams dos últimos anos, vinha bem quando acabou acertando a barreira de pneus logo na primeira curva, o que promoveria a entrada do Safety Car para colocar ordem na bagunça, certo? ERRADO! Os comissários resolveram logo tascar uma bandeira vermelha, e interromper a prova para colocar tudo em ordem, com mais calma e segurança. Dessa forma, imagino, resetariam novamente a corrida, e promoveriam uma melhor atração para todo mundo, fosse no autódromo, fosse mundo afora, pelas transmissões da corrida. Nos velhos tempos, isso se justificava. Lembro do GP do México de 1987, quando alguém escapou na Peraltada, bateu forte, e desmantelou além do carro a proteção de pneus. Na época, não existia o precedimento do Safety Car, de modo que a corrida foi interrompida, e depois de tudo consertado, a prova foi retomada, mas com um detalhe: tempos agregados. Ou seja, os tempos de antes da interrupção da prova eram considerados, e agregados aos tempos de corrida pós-retomada. Dessa forma, Nigel Mansell, que liderava com folga antes da interrupção, venceu a corrida, mesmo tendo sido superado por Nélson Piquet, que asssumiu a dianteira na relargada, e sumiu na dianteira, mas sem conseguir abrir o suficiente para anular a vantagem do inglês.

Momentos complicados na prova australiana que foram tratados de forma exagerada e equivocada pela direção de prova: Alexander Albon bate com sua Williams (acima); na relargada para apenas duas voltas, os dois carros da Alpine colidem entre si (abaixo).


            Mas, nos dias de hoje, corridas interrompidas mandam para o espaço o tempo de prova disputado até então, reagrupando todo mundo, e resetando a disputa. A única coisa que se mantém é a ordem da prova. Só que, com o procedimento do Safety Car, o lance de interrupção de uma corrida deve ser reservado para situações muito graves, que exijam procedimentos bem mais amplos para debelar a situação. O carro de Albon ficou em posição perigosa, e detritos foram espalhados na pista, assim como a barreira de pneus ficou danificada. NADA, porém, que não pudesse ser resolvido com a presença do Safety Car, pois tudo poderia ser resolvido sem maiores problemas. O carro de Albon teria sido removido sem complicações, a pista não ficou tão suja assim, e a barreira de pneus não foi desmantelada com a batida. Mas, novamente, exageram na dose. Sem necessidade, mais uma vez. E daí, vieram com outra genialidade: relargar com carros parados no grid!

            OK, isso nem parece assim tão absurdo, afinal, a corrida havia sido interrompida geral. O procedimento de relargada com o carro de segurança não teria esse problema, já que seria em movimento, em fila indiana, se tivesse sido corretamente utilizado. Mas, já que resolveram apimentar a situação, assim foi, e pelo menos, não se arrumou maiores confusões por isso. E a corrida seguiu seu ritmo, mas novamente, sem apresentar uma emoção maior do que o que já mostrava. Max Verstappen controlava a prova a seu bel-prazer, com Lewis Hamilton vindo em segundo, fazendo o mesmo em relação a Fernando Alonso, que até ameaçava vez ou outra, mas nunca conseguiu consumar um ataque ao heptacampeão. Só Perez dava um pouco de graça, vindo lá de trás, tendo largado dos boxes, e mesmo assim, sem empolgar tanto como poderia, pelo carro que tinha nas mãos. Mas, com os problemas de freios que já havia tido, e que complicaram totalmente sua classificação, não se podia culpar totalmente o mexicano se ele ainda tivesse receio disso no carro durante a corrida.

            E aí, a batida de Kevin Magnussen a duas voltas do final da corrida. Apesar da violência da pancada, que arrancou o pneu direito traseiro de sua Haas, e de uma posição perigosa após a primeira curva, e faltando apenas 2 voltas para se encerrar a prova, tudo certo termos um Safety Car, e encerrar a corrida, mesmo sob bandeira amarela, não é? Que nada! resolveram apimentar ainda mais a situação, com nova bandeira vermelha, e colocar todo mundo para relargar, faltando as duas voltas. E lá foi todo mundo de novo para o grid, em largada parada. O show tinha que ser bom, e nada de terminar em bandeira amarela, imagino que devam ter pensado. Só que, desta vez, o pessoal se enrolou na relargada, com vários problemas, obrigando novamente uma bandeira vermelha, e tudo parado de novo. Carlos Sainz tocou em Fernando Alonso, fazendo o espanhol rodar. Pierre Gasly tentou evitar a confusão, mas acabou atingindo seu próprio colega de time Esteban Ocón, promovendo uma batida dupla da Alpine. E mais lá atrás, Logan Sargent abalroava Nyck De Vries... Depois, talvez a atitude mais patética de todo o fim de semana: ao invés de anular a relargada, e declarar a prova encerrada, fizeram todo mundo esperar mais meia hora, até anunciarem o retorno dos carros à pista, para fazerem a volta final, atrás do Safety Car, e liberando os pilotos apenas para cruzarem a linha de chegada e receberem a bandeirada de encerramento da corrida. Uma palhaçada total.

            Pior para a dupla da Alpine, que nessa, perdeu suas posições de pista, já que não tinham como retornar para a volta final devido à batida de seus dois pilotos. Fernando Alonso, que tinha rodado pelo toque de Sainz, mas não batido, pode retomar sua posição de pista, mas o piloto da Ferrari tomou uma punição esdrúxula de 5s pelo toque no compatriota da Aston Martin, e como todo mundo estava junto, atrás do Safety Car, Carlos foi jogado para fora da zona de pontuação, sem a menor chance de defesa. Uma verdadeira zona... A F-1 precisa disso?

            A FIA já havia se enrolado quando aplicou a Fernando Alonso a punição de 5s por alinhar o carro de forma errada na posição de largada, quando vimos que ele não foi o único a fazer isso, mas acabou sendo o único a ser punido, revelando uma falha na aplicação da regra, que aliás, não resultou em ganho para nenhum dos pilotos, até mesmo Alonso. E depois, o rolo com relação ao pagamento da punição, avisada tardiamente, e que no final, acabou revertida com a apelação da Aston Martin, obrigado a entidade a ser mais clara com suas próprias regras, que agora foram mais específicas do que pode ou não fazer. Mas, ao mesmo tempo, precisa ser tão detalhista em assuntos que não se traduzem em vantagem propriamente dita? A F-1 ficou atulhada de regras disso, e daquilo, que muitas vezes representam apenas preciosismo regulamentar, que só serve para encher o saco de todo mundo, sem de fato contribuir para a melhoria do espetáculo, que precisa ocorrer, mas que, quando se revela tedioso, não pode também sofrer interferências ao bel prazer da interpretação das regras. Isso acaba com a credibilidade da competição, e acaba trazendo ao protagonismo dos eventos as falhas das regras e sua aplicação, algo que deveria ficar discretamente ignorado. Mas, pior de tudo, é não saber o que fazer para corrigir a situação, contribuindo para complicar ainda mais ao invés de achar uma solução.

            Que as corridas tem devido melhores disputas e emoções, é preciso manter a coerência da disputa. Intervenções durante a realização de uma corrida precisam ser bem avaliadas para que cumpram o seu propósito primordial, que é oferecer a segurança e condições necessárias para se efetuar algum trabalho ou procedimento crucial para solucionar algum acontecimento anormal durante a competição. Logicamente que isso irá impactar no andamento da corrida, podendo prejudicar alguns e favorecer outros. Todo mundo aceita isso, e é apenas uma questão de sorte ou azar, dependendo de cada um. Mas a intervenção tem de ser aplicada conforme a necessidade, e não com o intuito de “turbinar” o show, caso a corrida esteja sendo monótona. Na Arábia Saudita, o tiro já havia saído pela culatra. Na Austrália, ao invés de aplicar a lição demonstrada em Jeddah, eles resolveram dobrar a aposta, e mais uma vez, o tiro saiu novamente pela culatra, onde não apenas não melhoraram a situação, como deram ares de completo amadorismo e perda de controle sobre o que fazer, denegrindo a imagem da F-1 como uma categoria séria e profissional.

Duas situações totalmente opostas em 2023, em relação a 2022: Max Verstappen vence em mais um triunfo (acima), enquanto Charles LeClerc teve outro final de semana para esquecer (abaixo).


            Há regras demais, e parece estar havendo bom senso de menos. E a FIA, como já mencionei, ao invés de simplificar as regras, ou torná-las mais objetivas e compreensíveis, parece caminhar na direção oposta. E acordos “tácitos” entre os participantes, que poderiam ser uma chance para se pacificar alguns procedimentos, acabam por vezes virando um efeito bumerangue com resultados igualmente desastrosos. Falei da situação de Abu Dhabi 2021, onde rolou o que rolou, para que não se terminasse a prova em bandeira amarela, e choveram críticas. Mas, em Monza, no ano passado, o regulamento foi seguido conforme se determinava, e a prova terminou atrás do Safety Car, em um final que muitos consideraram brochante, por não ter sido com os carros em disputa. O problema não são apenas os regulamentos, mas as pessoas, que parecem não saber o que querem de fato, algo que também não ajuda a acharmos uma melhor solução. Algo que mais bom senso ajudaria, e muito, a evitar discussões inúteis, e compreender e lidar com eventos que ocorrem. Mas a F-1 parece insistir em tropeçar em si mesma, mesmo quando o melhor meio de resolver algo é a solução mais simples a ser adotada, como se houvesse uma necessidade de deixar tudo muito mais complicado do que é de fato. E depois das palhaçadas cometidas, reclamam das consequências...

            Em tempo, algumas horas mais tarde, domingo passado, a Indycar disputou o GP do Texas, no circuito oval de Forth Worth, e faltando duas voltas para o final, Romain Grosjean, da Andretti, bateu no muro, provocando bandeira amarela, que garantiu a vitória de Josef Newgarden com Patrício O’Ward em 2º lugar numa disputa que tinha sendo roda a roda. A prova texana terminou com bandeira amarela, e ninguém ficou exatamente deprimido por causa disso. Ao contrário da F-1, que quis inventar demais, e mostrou que perdeu completamente as estribeiras...

 

 

Fernando Alonso vem sendo uma das sensações da temporada. O bicampeão, depois de apostas furadas na condução de sua carreira na F-1 nos últimos anos, parece ter dado o tiro certo quando anunciou sua transferência para a Aston Martin no meio do ano passado, deixando uma Alpine que parecia claudicante quanto a seus objetivos na catégoria máxima do automobilismo, e declarando que seu novo time tinha “fome de vitória”. E o asturiano, com um carro competitivo, volta a mostrar toda a sua qualidade como piloto, e mesmo sendo o decano do grid, tem lenha para queimar, e com o novo AMR23, já tem três pódios em três corridas na temporada 2023, ocupando a 3ª colocação no campeonato, com 45 pontos. Mas a disputa para ver quem será a segunda força da temporada no grid promete ser apertada. A Aston Martin começou bem, mas precisará manter o ritmo de desenvolvimento de seu carro para fazer frente aos rivais. Na Austrália, a Mercedes se recuperou um pouco, e terminou à frente do time inglês com Hamilton, em uma corrida onde a Ferrari mais uma vez se enrolou, e não conseguiu mostrar o que poderia render. Fernando está fazendo o seu papel de liderar o time na pista, e Lawrence Stroll, proprietário do time, já estaria cobrando vitória da escuderia, um objetivo possível, mas somente se algo acontecer com a Red Bull, que mostrou ser ainda imbatível na pista em condições normais. Como em algum momento algo poderá dar errado, cabe a Alonso estar de prontidão para se encontrar no lugar certo, no momento certo, para aproveitar essa oportunidade, e se colocar como candidato à vitória. Não vai ser fácil, mas pode acontecer. Quando, contudo, não dá para saber...

Terceira corrida do ano, e terceiro pódio seguido para Fernando Alonso, com a Aston Martin. Uma das sensações do ano até aqui.

 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

FLYING LAPS – MARÇO DE 2023

              E já estamos no mês de abril, tendo encerrado o primeiro trimestre de 2023, que parece ter começado ontem. O tempo voa mesmo, e já tivemos o início de vários dos campeonatos do mundo da velocidade deste ano, garantindo emoção e disputas até o final do ano quase. E início de mês é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns acontecimentos do mundo da velocidade neste último mês de março, sempre com alguns comentários rápidos sobre os eventos citados. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do próximo mês, já em maio...

Sébastien Ogier garantiu sua segunda vitória na temporada 2023 do Mundial de Rali, ao triunfar na etapa do México, disputado neste mês de março. O francês, defendendo a equipe oficial da Toyota, já havia vencido a etapa de abertura do campeonato, em Monte Carlo, triunfo que já marcou a carreira do piloto por ser o seu 9º triunfo na prova, largando na frente na temporada. E agora, na etapa do México, Ogier repetiu a dose, e de quebra, assumiu a liderança do campeonato. Ogier assumiu a liderança no meio da etapa para não mais perde-la, cruzando a linha de chegada com cerca de 27s para o segundo colocado, o belga Thierry Neuville, da Hyundai, que superou Elfyn Evans, companheiro de Ogier na Toyota, na reta final da etapa, por míseros 0s4. O atual campeão, Kalle Rovanperä, também da Toyota, finalizou em 4º lugar. O resultado deixou a classificação do campeonato bem equilibrada, após 3 provas disputadas. Sébastien Ogier assumiu a ponta, com 56 pontos, apenas 3 à frente de Thierry Neuville, com 53. O belga, por sua vez, está apenas 1 ponto à frente de Kalle Rovanperä, que tem 52. Na 4ª posição vem Ott Tanak, da Ford, com 47 pontos, tendo vencido a etapa da Suécia, em fevereiro. Elfyn Evans, por sua vez, é o 5º colocado, com 44 pontos. Temos então 5 pilotos separados por apenas 12 pontos, um equilíbrio inusitado na competição. É verdade que foram realizadas até o momento apenas 3 provas, de um total de 13 etapas, e Ogier, apesar de estar liderando a competição, com 2 vitórias em 3 etapas, não disputou a 2ª prova, na Suécia, uma vez que octacampeão não estará disputando toda a temporada, e por isso mesmo, suas chances de levar o 9º título, e igualar-se ao compatriota Sébastien Loeb, são mais escassas, mas tudo pode acontecer, se os concorrentes não conseguirem aproveitar as etapas de ausência do francês. Será preciso aguardar para ver o que irá acontecer durante todo o campeonato, e quem conseguirá efetuar as melhores cartadas na competição, e conseguir disputar a fundo o título da temporada. A próxima etapa da competição é o Rali da Croácia, a ser disputado neste mês de abril, entre os dias 20 a 23. A temporada se encerra nos dias 16 a 19 de novembro, com o Rali do Japão.

 

Depois de ficar ausente das demais etapas da F-E este ano, por conta de ferimentos no pulso direito decorrentes de uma batida na corrida inaugural da temporada, na Cidade do México, Robin Frijns retornou à competição no ePrix de São Paulo, mas o cenário não foi muito positivo, não pelo piloto, que demonstrou estar plenamente recuperado, mas por ver que a ABT, seu time, continua sofrendo as consequências da falta de competitividade do trem de força da Mahindra. Frijns largou na penúltima fila, na 20ª posição, e de alento, terminou a corrida em 15º lugar, sem ter conseguido avançar muito, terminando à frente apenas de Oliver Rowland, da Mahindra, e de Sergio Sette Câmara, da NIO, entre os que receberam a bandeirada de chegada. A ABT, que retornou à F-E este ano, depois de um ano de ausência na competição, após disputar as primeiras 7 temporadas como parceira da Audi, ainda não conseguiu se reencontrar na competição dos carros monopostos elétricos, ocupando a última posição no campeonato, sendo o único time que ainda não conseguiu marcar pontos até aqui. O piloto holandês já havia mostrado estar recuperando quando disputou, na semana anterior ao ePrix de São Paulo a prova de abertura do Mundial de Endurance, na Flórida, Estados Unidos, as 1000 Milhas de Sebring, defendendo a equipe WRT, chegando em 6º lugar na classe LMP2.

 

Falando na estréia do Mundial de Endurance, a Toyota faturou em dobradinha as 1000 Milhas de Sebring. A equipe japonesa havia sido surpreendida na luta pela pole position, que ficou com a Ferrari, em seu retorno como time oficial na principal classe após décadas de ausência, mas na corrida, a experiência, e porque não dizer, um pouco de sorte, garantiu o triunfo para o time campeão das últimas temporadas, que teve o trio Mike Conway, Kamui Kobayashi e José María López, ao volante do bólido Nº 7, receber a bandeirada em primeiro lugar, com o carro Nº 8, com o trio Sébastien Buemi/Brendon Hartley/Ryo Hirakawa chegando 2s168 atrás, numa chegada apertada para uma prova de longa duração. A Ferrari Nº 50, de Antonio Fuoco, Miguel Molina, e Nicklas Nielsen fechou em terceiro, com duas voltas de atraso, depois de se complicarem sozinhos com um período de safety-car e tomarem um drive-through na relargada, além de sofrerem uma punição de 5s por não cumprir o procedimento correto, o que acabou com qualquer chance de tentar a vitória no duelo com os carros da Toyota, sendo que até a entrada do Safety Car, parecia que teríamos um bom duelo da Ferrari contra os então favoritos carros nipônicos. Curiosamente, o único período de Safety Car da prova deveu-se a um acidente... da própria Ferrari, mas na classe LMGTE-AM, onde Luis Pérez-Companc, se perdeu ao contornar da curva 1 do circuito de Sebring, com o piloto argentino saindo da pista e capotando espetacularmente. Felizmente, apesar do grande susto do acidente, os danos foram apenas no carro, com o piloto saindo do que sobrou do veículo. E quando foi para os boxes, a Ferrari perdeu seu Hypercar Nº 51, que engasopou no reabastecimento, e o carro Nº 50 se enrolou sozinho, tendo de se contentar em terminar na 3ª colocação, fechando o pódio da classe Hypercar na primeira corrida do WEC 2023. O carro 51 do time italiano ainda retomaria a corrida, mas se envolveria em um acidente, imaginem só, com um carro da AF Course na classe LMGTE-AM, que além de resultar em danos no carro, ainda lhes renderia uma punição por causar o acidente, fazendo o segundo carro Hypercar da Ferrari cruzar em 15º lugar. O retorno de um nome como o da Ferrari à principal categoria das provas de endurance no seu principal campeonato foi comemorado, e percalços à parte, o time de Maranello mostrou categoria. Faltou só maior entrosamento e experiência para de fato dar mais briga aos Toyotas, que largam na frente da temporada deste ano, mas podem esperar por uma briga mais próxima nas demais provas da competição.

 

Uma máxima do automobilismo diz que corridas só terminam na bandeirada, e já vi vários exemplos de como isso não pode ser menosprezado. Já vi pilotos baterem na última curva da última volta em provas que estavam liderando, e verem seu esforço virar farelo em questão de segundos, seja por culpa própria, seja por azares alheios, e até mesmo o imponderável. E a etapa das 12 Horas de Sebring, disputadas pelo campeonato do IMSA Wheather Tech, o campeonato de endurance dos Estados Unidos, viu um verdadeiro salseiro na parte final da prova difícil de acreditar. A cerca de 20 minutos para o encerramento da corrida, de 12 horas de duração, vejam só que os três primeiros colocados da prova acabaram se envolvendo em uma confusão generalizada, arruinando uma potencial dobradinha da Penske/Porsche, e envolvendo também um carro da Wayne Taylor Racing. Mathieu Jaminet, piloto do Penske/Porsche liderava, quando acabou atingido numa disputa pela liderança com Filipe Albuquerque, da WTR. No enrosco entre os dois, sobrou para Felipe Nasr, com o outro Penske/Porsche, que acabou atingindo os dois, e sobrando também para, imaginam, o GDT de Daniel Serra, que disputava com outro piloto, e nada tinha a ver com a briga pela classe principal. Só nisso, cinco carros ficaram fora de combate, na reta final da competição. Nesse rolo todo, a vitória caiu no colo de Pipo Derani, defendendo a Whelen Engineering Action Express, cujo carro, aliás, havia largado na pole position, mas que teve vários altos e baixos na corrida, inclusive tomando uma punição e que já nem tinha condições de lutar pela vitória, mas que no final acabou premiado com ela, após 322 voltas completadas com o trio Alexander Sims, Jack Aitken e o brasileiro Pipo Derani. Este triunfo agora contabiliza nada menos que 4 vitórias de Derani em Sebring, um feito para poucos, encontrando-se agora atrás apenas de Tom Kristensen, que ganhou seis na pista da Flórida, e de Dindo Capello, com cinco triunfos. Com 4 vitórias, Pipo igualou o número de conqusitas de Frank Biela e Allan McNish. De ressaltar que na classe LMP3 tivemos mais uma vitória de pilotos brasileiros, com Felipe Fraga, em parceria com Josh Burdon e Gar Robinson no carro Nº 74 trazendo novo triunfo para a Riley Motorsport.

 

O início da temporada 2023 da MotoGp para Marc Márquez já começou complicado, mais uma vez. Depois de um belo pódio na Sprint Race de Portimão, onde largou na pole, e terminou em 3º lugar, surpreendendo mais uma vez, o hexacampeão acabou arrumando confusão na corrida do domingo, ao perder o controle da moto após um encosto em Jorge Martin, da Pramac, e ir para fora da pista, atingindo com força Miguel Oliveira, da RNF. Além de ambos os pilotos saírem lesionados, o que levou ambos a terem de ficar de fora da etapa seguinte, na Argentina, Márquez recebeu uma punição por conta do acidente, devendo cumprir duas voltas longas, que deverá ser paga na etapa de retorno do piloto da Honda. A princípio, o enunciado da MotoGP afirmava que a punição seria paga na Argentina, mas com o ausência de Marc, isso se tornaria uma medida inócua, de modo que o comunicado foi corrigido, para a punição ser aplicada no retorno do piloto, o que deve acontecer na prova de Austin. Claro que isso motivou um protesto da Honda contra a mudança do enunciado da punição, feito dois dias após a comunicação original, alegando que tal procedimento viola o regulamento da MotoGP. O recurso da Honda contra a aplicação da punição imposta a Marc Márquez agora será julgado pela Corte de Apelações da MotoGP. Mas, sejamos coerentes: do que adiantaria aplicar uma punição, se o piloto estará ausente da corrida onde inicialmente deveria cumpri-la? Isso poderia dar ensejo a um precedente onde pilotos punidos poderiam simplesmente “pular” a etapa onde deveriam pagar a punição, livrando-se da pena. Lógico que Marc Márquez já teve sua própria punição ao fraturar um osso da mão direita e ficar de fora da etapa argentina, mas isso o faria escapar da punição aplicada. Ter de pagar a punição no seu retorno é coerente no sentido do piloto ter de cumprir o seu castigo pelo acidente causado com Miguel Oliveira, evitando que ele se safe da penalização. O problema, é claro, não é se isso é justo ou não, mas de está de acordo com as regras, e daí parte a justificativa do recurso da Honda, que até o fechamento desta matéria, ainda seria julgado.

 

Justo ou não, o recurso da Honda é válido, mas a imagem de Marc Márquez junto ao restante do grid já não anda nos seus melhores dias, e não é de hoje. O hexacampeão cultivou um estilo extremamente agressivo desde que estreou na classe rainha do motociclismo, guiando em um limite extremo, e se expondo, segundo vários outros competidores, “mais do que o necessário” em um esporte que já é tremendamente arriscado. E olhe que não faltaram tombos e quedas nestes anos todos, muitas delas evitáveis, na opinião dos pilotos. Se Marc cai sozinho, o problema é dele, mas quando leva outros consigo, aí a situação muda de figura, e para eles, o temor de Márquez arriscar demasiado em algumas manobras colocou outros pilotos em riscos “além do esperado”. Diante da “recaída” em Portimão, em que pese o trocadilho, os pilotos torcem para uma punição mais exemplar ao piloto da Honda, ainda mais neste momento em que o time japonês não tem uma moto tão competitiva, e que pode fazer o piloto exagerar ainda mais na luta por posições na pista. Marc Márquez teve muita sorte nos acidentes sofridos, até isso acabar em Jerez, em 2020, quando fraturou o braço, e sua recuperação virou uma novela longa que só se encerrou após 4 cirurgias, a última em meados do ano passado, que parece ter solucionado de vez seus problemas de saúde. Diante do dilema vivido nos últimos três anos, seria de se esperar que Márquez passasse a ser um pouco menos atirado nas disputas na pista. Ele até pode ter melhorado neste quesito, mas o incidente em Portimão foi o suficiente para as críticas a seu velho estilo voltarem com tudo por parte dos concorrentes, e vai ser difícil ele convencer seus rivais do contrário. Miguel Oliveira que o diga, depois de ser atingido pelo espanhol e ir para o chão justo na prova de seu país, como consequência da manobra do piloto da Honda, que quase levou Jorge Martin junto com os dois naquele momento. O piloto da Pramac conseguiu escapar de ir junto, mas foi por pouco. Mas, e numa próxima vez?