quarta-feira, 5 de junho de 2019

FLYING LAPS – MAIO DE 2019


            E já chegamos no mês de junho, quase terminando metade do ano de 2019, que logo, logo, entrará em seu segundo semestre. O tempo sempre parece voar, como se tivesse a velocidade do mundo do esporte a motor. E todo início de cada mês é hora da sessão Flying Laps, comentando alguns dos acontecimentos do mundo da velocidade ocorridos no mês de maio, que não puderam ser citados nas colunas semanais regulares, desta vez com um destaque maior nos campeonatos da Formula-E e MotoGP, que estão tendo muito mais disputa e duelos que a Fórmula 1, o que de certa forma não é tão difícil assim, se considerarmos a situação da categoria máxima do automobilismo. Então, aproveitem e curtam o texto, com os tradicionais comentários sobre cada uma delas. Um boa semana para todos, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem...


Estava muito bom o campeonato da Formula-E na atual temporada. Depois de 8 provas, com oito vencedores diferentes, enfim, era hora de cair na real, e na etapa de Mônaco, vimos o primeiro piloto a repetir uma vitória. E a honra coube ao atual campeão da categoria, o francês Jean-Éric Vergne, da Techeetah, que subiu ao degrau mais alto do pódio de Monte Carlo, e reafirmou sua força na disputa ao título da competição. O piloto largou na pole-position da pista monegasca, e tal qual na F-1, o circuito de rua mais charmoso da costa do Mediterrâneo, lá se manteve, apesar dos ataques insistentes de Oliver Rowland, da e.dams, que tentou de todas as formas superar o rival na pista, sem sucesso. A prova de Mônaco foi mais tranquila que as corridas anteriores, mas houve alguns percalços. Lucas Di Grassi, da Audi, lutava para tentar chegar mais à frente, após largar numa péssima 13ª posição no grid, mas acabou levando um toque de Alexander Sims, da Andretti, e com isso abandonou a corrida, marcando o seu primeiro abandono na atual temporada. Já Felipe Massa, da Venturi, com time e piloto correndo em casa, mostrou a melhor atuação de Felipe na competição até agora. Largando em 4º, Massa manteve-se firme entre os primeiros, e aproveitou o erro de Pascal Wehrlein para ganhar a 3ª posição, que manteve até a bandeirada, para subir ao pódio pela primeira vez no certame de carros de competição monopostos totalmente elétricos. Wehrlein bem que tentou dar o troco, mas Felipe conseguiu segurar bem a posição. O alemão da equipe Mahindra teve de se contentar com o 4º lugar. Sébastien Buemi, vencedor da edição anterior deste ePrix, largou em 5º, e chegou na mesma posição, um pouco eclipsado pelo desempenho do colega de equipe Rowland. Postulantes ao título, Sam Bird (Virgin) e Antonio Félix da Costa (Andretti), tiveram um dia negativo em Monte Carlo, abandonando a prova devido a acidentes, resultado que compromete um pouco suas esperanças de chegar ao título da competição. E o brasileiro Felipe Nasr não retornou ao cockpit da equipe Dragon, preferindo permanecer no IMSA Wheater Tech Sportscar. E não é difícil imaginar o motivo: Maximilian Gunther, que voltou ao seu posto no time de Jay Penske, foi o primeiro a abandonar a etapa monegasca, depois de largar em último. Jerôme D’Ambrosio, que também tem esperanças de lutar pelo título, cruzou a linha de chegada apenas em 11º, ficando sem marcar pontos, depois de uma corrida difícil tendo largado em 19º.


Definitivamente, Lucas Di Grassi parece ter algumas pistas onde costuma andar muito forte na Formula-E. Uma delas é o circuito Hermanos Rodriguez, na Cidade do México, mas podemos dizer que a pista do aeroporto de Tempelhof, em Berlim, é um local que costuma ver grandes exibições do piloto brasileiro da equipe Audi. E Lucas fez uma corrida forte, largando em 3º, para superar sem muitas dificuldades Stoffel Vandoorne, da HWA, e em seguida partir para cima de Sébastien Buemi, que largou na pole-position, mas não conseguiu resistir ao ataque de Lucas, que assumiu a liderança, e a partir dali, comandou a etapa como bem quis, controlando seu ritmo para ser o segundo piloto a vencer duas corridas na atual temporada. O brasileiro ainda marcou a volta mais rápida da corrida, mostrando como estava no domínio da situação, e posicionando-se firme na luta pelo título. Buemi fez uma corrida consistente, voltando a subir ao pódio, depois de um longo período onde ficou à sombra de seu companheiro de equipe na e.dams, Oliver Rowland, que nesta etapa terminou em 8º. O pódio foi completado por Jean-Éric Vergne, que fez outra corrida vigorosa, para colher outro resultado consistente, que o manteve na liderança do campeonato, colocando-se definitivamente na luta pelo bicampeonato na categoria de carros monopostos elétricos. Depois de abandonar em Mônaco, Antonio Félix da Costa teve mais sorte, e foi o 4º colocado. Depois do pódio em Monte Carlo, Felipe Massa não teve um bom dia em Berlim, largando em 19ª, e finalizando apenas em 15º. Seu companheiro, Edoardo Mortara, largou em 16º e terminou em 11º, mostrando que a Venturi não conseguiu encontrar o melhor acerto na pista de Tempelhof. Rival de Vergne no campeonato, e companheiro de equipe na Techeetah, André Lotterer ficou fora de combate nesta corrida. Sam Bird, por sua vez, teve um pouco menos de azar que em Monte Carlo, mas mesmo assim, não teve muito o que comemorar de um 9º lugar que definitivamente não o ajuda em praticamente nada na tentativa de voltar à luta pelo título, que algumas corridas atrás até estava no meio dos favoritos.


Finda a etapa de Berlim, o campeonato da F-E entra na sua reta final. Há apenas 3 provas para encerrar a quinta temporada da competição, com a etapa nas ruas de Berna, na Suíça, no dia 22 de junho, para encerrar na rodada dupla de Nova Iorque, nos dias 13 e 14 de julho. E depois de muita indefinição, com a oscilação no resultado de vários pilotos, e o fim do rodízio de vencedores diferentes, a disputa vai se afunilando a menos competidores. Atual campeão da categoria, Jean-Éric Vergne lidera o certame, com 102 pontos. Com o triunfo em Berlim, Lucas Di Grassi assumiu a vice-liderança, com 96 pontos. Com o abandono na prova da capital alemã, André Lottter ficou mais para trás, embora ainda seja o 3º colocado, com 86 pontos, à frente de Antonio Félix da Costa, com 82 pontos. O português, aliás, não pode marcar bobeira, pois Robin Frijns vem colado logo atrás, com 81 pontos. Dali para baixo, as chances de algum piloto entrar na disputa pelo título se reduzem bastante. Mith Evans é o 6º colocado, com 69 pontos, 2 à frente de Daniel Abt, e 4 na frente de Jerôme D’Ambrosio. Oliver Rowland é o 9º, com 63 pontos, à frente de Sébastien Buemi, o 10º, com 61 pontos. Vergne e Di Grassi devem ser os duelistas para o título da temporada, embora as possibilidades de haver alguma surpresa ainda existam, embora tenham diminuído bastante. André Lotterer tem andado forte na maioria das provas, e poderia entrar junto na briga. Ou Jean-Éric e Lucas podem ter um azar danado em alguma corrida, e tudo embolar um pouco mais novamente. O balanço da temporada da F-E com os novos carros até aqui vem sendo positivo, em que pese alguns erros cometidos. O desfecho da temporada ainda pode nos reservar várias emoções. Aguardemos para ver o que irá acontecer...


Alguém consegue deter Marc Márquez? A “Formiga Atômica” largou em 3º no GP da Espanha, em Jerez de La Fronteira, e não demorou a assumir a liderança, e rumar firme para a bandeirada, sem que ninguém conseguisse impedir o triunfo do piloto da Honda. Alguns rivais bem que tentaram, mas só puderam tentar, porque Márquez foi soberano na pista da Andaluzia, depois de tomar a dianteira. Alex Rins, da Suzuki, foi o vencedor “moral” da corrida, depois de largar em 9º e escalar o pelotão para terminar numa excelente 2ª colocação, à frente de um até surpreendente Maverick Viñales, que pela primeira vez na temporada teve uma performance positiva numa corrida, e fechou o pódio. Quem negou combate na etapa foi da Ducati, ainda que Andrea Dovizioso tenha terminado em 4º, logo à frente do companheiro de equipe Danilo Petrucci. Valentino Rossi, depois de uma péssima qualificação, precisou tirar leite de pedra da Yamaha para chegar em um suado 6º lugar. E Jorge Lorenzo continua sua fase de “adaptação” à moto da Honda, tendo sido apenas o 12º colocado na bandeirada, depois de largar em 11º. Sensação na qualificação, Fabio Quartararo, da equipe satélite SRT Yamaha, largou na pole-position, tornando-se o mais jovem piloto a largar na frente na classe rainha do motociclismo, mas acabou tendo problemas mecânicos em sua moto, e deixou a corrida depois de 13 voltas, ficando inconsolável com o azar. Mas o garoto tem tudo para ser uma das sensações da temporada, se tiver um pouco mais de sorte.


E mostrando que está mesmo em ponto de bala, Marc Márquez resolveu faturar mais uma corrida, desta vez o GP da França da MotoGP, disputado no autódromo de Le Mans, no traçado Bugatti. O piloto da Honda começou arrasando já nos treinos, marcando a pole-position, e na largada partiu firme para não dar chances a ninguém. Mas a concorrência bem que tentou atrapalhar: Danilo Petrucci disputou algumas freadas com Márquez, e Jack Miller, mostrando um forte ritmo, até chegou a tomar a dianteira da corrida do espanhol. Mas o australiano da equipe Pramac sucumbiu a Marc, que reassumiu a liderança, e seguiu em frente até a bandeirada, ainda que nunca tenha construído uma vantagem significativa, mas sem permitir que os adversários se aproximassem também. Miller acabaria por ser superado pela dupla da Ducati, que até duelou por algum tempo na pista, para ver quem seria o 2º colocado, mas por fim, Andrea Dovizioso acabou chegando na frente, impedindo que Márquez disparasse na classificação com mais uma vitória. Danilo Petrucci acabou fechando o pódio, em um bom resultado para o time de Borgo Panigale. Valentino Rossi largou na 5ª posição, e acabou terminando nesta mesma posição, tendo de dar duro para acompanhar o ritmo dos ponteiros. Paul Spargaró, com a KTM, conseguiu um excelente resultado para a marca austríaca, com o 6º lugar. Depois de marcar a pole na Espanha, e ter de abandonar a corrida com problemas mecânicos, Fabio Quartararo teve uma atuação mais modesta na França, largando em 10º, e ao menos recebendo a bandeirada, em 8º. Já Jorge Lorenzo até que conseguiu uma posição de largada razoável, com o 8º posto, mas na corrida, caiu para trás, e foi receber a bandeirada apenas em 11º lugar. E Alex Rins, da Suzuki, também não teve um de seus melhores dias, terminando a corrida em 10º lugar.


Com três triunfos na temporada, ninguém pode negar que Marc Márquez é novamente o homem a ser batido. Mas as circunstâncias não o permitiram escapulir na classificação como se imaginava. Marc lidera com 95 pontos, mas Andrea Dovizioso está bem perto, com 87 pontos, na vice-liderança do campeonato, mostrando que a Ducati é, mais uma vez, a desafiante da Honda, ainda que o time italiano não pareça estar tão forte como deveria. Mas a verdade é que é Márquez que vem levando a Honda nas costas. A Ducati no momento tem uma dupla um pouco mais homogênea nos resultados, pois Danilo Petrucci, companheiro de Dovizioso, está em 5º lugar, com 57 pontos, 30 atrás de Andrea. Já na Honda, temos Marc na liderança, mas seu companheiro Jorge Lorenzo é apenas o 14º colocado, com meros 16 pontos, ou uma diferença de 79 pontos. Pode-se dizer que a Honda está literalmente correndo com um piloto só até aqui na temporada. Está ficando mal para o Jorge Lorenzo, que até tem algumas boas justificativas, mas a coisa pesa quando se lembra que ele é um tricampeão da MotoGP... Enquanto isso, com uma excelente campanha até agora no ano, Alex Rins está levando a Suzuki à 3ª posição na classificação, com 75 pontos, deixando Valentino Rossi em 4º com 72 pontos. Pelo andar da carruagem, Dovizioso terá a missão de impedir Márquez de ser campeão novamente, ou pelo menos, adiar o quanto puder a conquista de mais um caneco por parte da “Formiga Atômica”, o que muitos já consideram quase inevitável, diante da incapacidade dos adversários de frear o pentacampeão mundial... Será que eles ainda conseguem dificultar as coisas? Muitos não estão botando muita fé nisso...


No campeonato do Jaguar i-Pace eTrophy, os carros elétricos de competição, disputadas nos finais de semana da F-E, Cacá Bueno e Sérgio Jimenez arrepiaram nas provas de Mônaco e Berlim, conquistando duas dobradinhas consecutivas, em 1º e 2º lugares, respectivamente. O resultado colocou Jimenez na liderança do campeonato, faltando apenas as duas corridas de Nova Iorque para finalizar a competição. O rival do brasileiro é Bryan Sellers, o vice-líder, com 101 pontos, enquanto Sérgio tem 107. A disputa promete pegar fogo na rodada dupla nos Estados Unidos. As duas vitórias consecutivas fizeram Cacá Bueno ocupar a 3ª posição, com 91 pontos, e tendo esperanças de embolar a disputa pelo título ainda mais. Veremos quem vai sair vencedor deste duelo...
 



sexta-feira, 31 de maio de 2019

A VOLTA POR CIMA DE PAGENAUD

Simon Pagenaud foi preciso na pista e nos boxes (acima), e venceu com categoria sua primeira Indy500, trazendo o piloto francês de volta à luta pelo título da Indycar (abaixo).

            Como de costume, as 500 Milhas de Indianápolis reservaram algumas surpresas para a sua 103ª edição. A maior delas, obviamente, foi o fracasso da tentativa de Fernando Alonso em se classificar para a corrida, obtendo apenas o 34º tempo, e ficando de fora do grid, em uma operação onde a McLaren, em uma associação com a equipe Carlin, cometeu diversos erros que fulminaram o sonho de Alonso em tentar a vitória na mais famosa corrida do continente americano. Outra surpresa, foi o vencedor da corrida, alguém que, nos últimos tempos, vinha tendo um desempenho apenas mediano, considerando-se pilotar para o mais poderoso time da Indycar, a Penske: Simon Pagenaud, que até chegar ao Indianapolis Motor Speedway este ano, vinha muito atrás de seus companheiros de time em termos de resultados na pista.
            Mas eis que o piloto francês da Penske, que largara em 8º lugar na prova disputado no circuito misto do famoso autódromo da capital do Estado de Indiana, faz uma bela corrida, supera os adversários, e vence a prova, um resultado que ele não obtinha desde a corrida de encerramento da temporada de 2017, na pista de Sonoma, na Califórnia. Sim, Pagenaud estava há praticamente um ano e meio sem vencer, enquanto seus companheiros de equipe venciam corridas, e obtinham melhores classificações no campeonato do ano passado. Pagenaud terminou a temporada de 2018 em 6º lugar, com 492 pontos, enquanto Will Power foi o 3º colocado, com 582 pontos; e Josef Newgarden o 5º, com 560.
            E, para completar, com a cereja do bolo, Pagenaud surpreende, e conquista a pole-position para a Indy500, algo que por si só já chama a atenção de todos, mostrando que teria o que demonstrar na corrida para calar seus críticos. Mas posição de largada, apesar de importante, é algo apenas relativo nas chances de vitória numa corrida de 500 milhas. Mas Simon mostrou que a forma exibida no treino de classificação não era mero fogo de palha: o piloto francês andou sempre nas primeiras colocações da corrida, e nas voltas finais, sofrendo o assédio de dois pilotos que já venceram a Indy500 recentemente, Alexander Rossi e Takuma Sato, mostrou categoria para não apenas refutar as investidas dos rivais, como sobrepuja-los, e vencer a corrida. Sato, apesar de chegar junto, nunca conseguiu ameaçar seriamente o francês da Penske, mas Rossi, mostrando um ritmo fortíssimo, partiu para o ataque, obrigando Pagenaud a adotar uma trajetória defensiva na entrada das retas, para impedir que Alexander embutisse no seu vácuo de forma a tentar uma ultrapassagem por dentro, obrigando-o a ir para o lado externo da pista, num caminho mais difícil de se obter êxito na manobra. Mesmo assim, Rossi conseguiu ir para a liderança, a poucas voltas do fim. Pagenaud, contudo, manteve a cabeça fria, e tratou de retomar a dianteira logo a seguir, partindo para o triunfo, o seu primeiro nas 500 Milhas de Indianápolis, e a 18ª vitória da Penske no Brickyard Line, recordista absoluta de vitórias na Indy500.
            E quem vence a Indy500 entra para a história. Mas o melhor também foi recolocar Pagenaud, que vinha até a corrida de Long Beach sem empolgar, na disputa pelo título. O francês é o novo líder do campeonato, com 250 pontos, contra 249 de seu companheiro de equipe Josef Newgarden, que era o principal favorito a chegar ao bicampeonato. Pois agora, Simon também está na luta pelo seu segundo título. Mas é cedo para ambos comemorarem: ainda temos 11 corridas no campeonato, e muita coisa pode acontecer. Depois de praticamente renascer, Pagenaud não pode voltar à rotina de resultados medianos que vinha tendo desde a temporada passada, sob o risco de perder o bonde na luta pelo título.
            Aconteça o que acontecer, Pagenaud já lucra por antecipação: Roger Penske já se adiantou em anunciar que o francês segue firme no seu time em 2020, a despeito das fofocas e boatos que até já o davam fora da escuderia para o próximo ano, quando poderia ser substituído por Alexander Rossi, atualmente na Andretti, mas cujo contrato vence ao final deste ano. Alguns chegaram até mesmo a especular uma troca nas equipes de Roger Penske, com o retorno de Hélio Castro Neves à Indycar em tempo integral, enquanto Pagenaud seria realocado para o IMSA Wheater Tech Sportscar. Penske, aliás, não gostou dos boatos envolvendo seu piloto para a próxima temporada, e criticou a forma como a mídia “inventou” essa situação toda. Mas, pode ser também que tenha ficado chateado pelo possível interesse em Alexander Rossi vir à tona, o que poderia complicar eventuais negociações com o piloto, que poderia usar de sua posição valorizada para garantir um contrato mais vantajoso financeiramente, fosse com a Penske, e principalmente, em uma renovação com o time de Michael Andretti. Afinal, foi dessa forma que tanto Pagenaud quanto Newgarden chegaram à Penske, mostrando grandes performances em times rivais, e sendo arregimentados para a esquadra de Roger, dono do mais poderoso e vencedor time da categoria. E quem recusaria?
            Simon Pagenaud teve estes bons momentos, nas temporadas de 2012, 2013, e 2014, defendendo o time de Sam Schmidt. O francês, na base da regularidade, foi o 5º colocado em 2012, com 387 pontos. Em 2013, venceu sua primeira corrida, em Detroit, e finalizou a temporada em 3º lugar, com 508 pontos. No ano seguinte, venceu mais uma corrida, no traçado misto de Indianápolis, e foi 5º colocado no final da temporada, com 565 pontos. E o grande prêmio de ser contratado para pilotar para a Penske na temporada de 2015. É verdade que seu primeiro ano na escuderia não foi lá essas coisas, tendo que se adaptar a uma nova escuderia, o que justifica ter terminado apenas em 11º lugar, com 384 pontos, ficando bem abaixo de seus novos companheiros de equipe. Mas era apenas questão de dar tempo ao tempo. E Simon mostrou a que veio na temporada de 2016, com a conquista do título, vencendo 5 corridas, em um duelo onde Will Power perdeu feio na tentativa de ser bicampeão. Mais uma vez, Roger Penske mostrou que seu faro para contratações andava afiado, e o “capitão” repetiria a dose com a contratação de Josef Newgarden, nova estrela em ascenção na Indycar, para a temporada de 2017.
O toque entre James Davison e Hélio Castro Neves (acima) arruinou as chances do brasileiro brilhar na Indy500 deste ano. Hélio acabou punido e ainda ficou com o carro danificado. Já Tony Kanaan (abaixo) brilhou para terminar em 9º, com um carro que ainda deixa muito a desejar na equipe Foyt.
          Newgarden chegou à Penske “chegando”, e deixando seus novos colegas de equipe comendo poeira, vencendo 4 corridas, e conquistando o título logo em seu primeiro ano no time. Mas Pagenaud deu luta ao novo parceiro de equipe, e mesmo vencendo apenas 2 provas, só foi perder o título na prova final, em Sonoma. A diferença foi apertada: Newgarden foi campeão com 642 pontos, enquanto Pagenaud, o vice, somou 629. O francês mostrava que o reinado de Newgarden na Penske não seria tão tranquilo como ele imaginava. Mas a temporada de 2018 mostrou um Simon Pagenaud menos eficiente, sendo suplantado até com certa facilidade por seus companheiros de time. Não se pode dizer que foi exatamente um mau ano, até porque a própria Penske ficou alijada da luta pelo título na reta final da competição, tendo de assistir de longe o duelo travado por Scott Dixon e Alexander Rossi, e vendo Will Power ter muito azar em algumas corridas, que deixaram o australiano como azarão na disputa. Mas o problema estava na performance do francês, que parecia meio acomodado, enquanto em outros momentos, as coisas não se encaixavam de modo que ele pudesse ter os resultados esperados. Mas, até aí, Hélio Castro Neves também teve alguns anos de resultados um pouco aquém do esperado na Penske, chegando a ficar mais de dois anos sem vencer uma única corrida, mesmo andando na frente.
            O problema é que a temporada de 2019 começou, e mais uma vez, Will Power e Josef Newgarden colocavam a faca entre os dentes e iam para a luta, enquanto Pagenaud ficava para trás, sendo superado por muitos pilotos os quais tinha obrigação de superar. Daí, o surgimento dos boatos que davam seu lugar na Penske estando em risco. Afinal, Roger costuma ser um bom patrão, mas exige dedicação e empenho de seus contratados, o que significa obter resultados. Não era nada difícil imaginar que Simon poderia correr risco, se permanecesse naquele ritmo de resultados. Mas toda fase, seja de bons, maus, ou médios resultados, uma hora acaba, com sorte, e Pagenaud conseguiu reverter as expectativas no melhor palco de todos, Indianápolis, tanto na prova da pista mista, como no circuito oval, com performances que chamaram a atenção de todos, não podendo ser creditadas apenas ao bom carro que tinha em mãos.
            Passada a euforia de Indianápolis, Pagenaud tem de mostrar que o momento mágico vivido neste mês de maio não foi apenas um acaso. Se quiser de fato lutar pelo bicampeonato, o francês terá de se aplicar a fundo, afinal, um dos maiores rivais é seu próprio companheiro de equipe Josef Newgarden, que vem mostrando performances sólidas e constantes na atual temporada. E não há tempo para descansar, pois hoje mesmo a turma toda da Indycar já está novamente na pista, para a rodada dupla de Detroit, com corridas neste sábado e no domingo, no horário das 16:30 horas, com transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports nos dois dias. E os duelos recomeçam com tudo. Pagenaud tem de aproveitar e partir para o ataque. Resta ver se os rivais vão ficar parados vendo o renascimento do piloto francês no campeonato...


A Indy500 de 2019 não foi das mais felizes para os pilotos brasileiros, mas um deles não tem muito o que reclamar: Tony Kanaan obteve um excelente 9º lugar na bandeirada, resultado considerado muito bom para as condições de seu time, a Foyt, que apesar da boa preparação para a corrida das 500 milhas, teve sua cota de problemas na prova, depois de ficar bem entusiasmada com o 1º lugar de Kanaan no Carburation Day, o treino de warm-up da prova, realizado na sexta-feira anterior à corrida. Matheus Leist também foi relativamente bem, diante das circunstâncias, terminando em 15º. Quem não teve o que comemorar foi Hélio Castro Neves, que acabou atingindo o carro de James Davison nos boxes, e acabou sofrendo uma punição por causa disso, além dos danos sofridos em seu carro, que o fizeram perder 2 voltas em relação aos líderes, e quaisquer chances de tentar sua 4ª vitória nas 500 milhas, uma vez que tinha um bom carro, e podia entrar na disputa pelos primeiros lugares. O sonho de uma nova vitória de Helinho fica para 2020. Já para a dupla brasileira da Foyt, agora é tentar evoluir no campeonato, algo que ainda deve ser bem difícil, uma vez que o carro demonstra ainda precisar de muito trabalho para melhorar a performance.


Se as 500 Milhas de Indianápolis tiveram bem mais emoção e disputas do que em 2018, o mesmo não se pode dizer do Grande Prêmio de Mônaco de F-1, que mais uma vez, mostrou aquela fila quase interminável de carros onde ninguém passava ninguém. Ou quase: Charles LeClerc, vítima de mais um erro da Ferrari, acabou tendo o desprazer de cair logo no Q1 do treino de classificação para a corrida em casa, e tendo de largar de 15º, a única alternativa mesmo era tentar ser agressivo na prova para tentar um melhor resultado. E Charles até foi à luta, conseguindo duas ultrapassagens, uma delas na Rascasse, muito bonita, sobre Romain Grosjean. Mas, ao tentar a mesma manobra sobre Nico Hulkenberg, o alemão não deu mole, e houve um toque entre os carros dos pilotos, resultando em um pneu traseiro furado para a Ferrari do monegasco, que apesar de ter ido ao box, trocado os compostos, e voltado à pista, os danos decorrentes do incidente em seu carro o fizeram abandonar a corrida. LeClerc acabou sendo o único piloto a abandonar a prova no Principado, um tremendo desalento para a torcida, que tinha nele seu grande destaque, já que Charles nasceu em Mônaco. A Ferrari pediu desculpas pelo erro tático na classificação que acabou complicando as chances de LeClerc na corrida, mas se a situação de erros persistir, as chances de o time de Maranello desgastar a motivação de seu jovem piloto podem crescer bastante, e para alguns, poderia significar “queimar” a carreira de Charles, e até incentivá-lo a procurar outro time para correr futuramente. Pode ser até um exagero, mas a Ferrari, de sonho de qualquer piloto, está mais virando pesadelo do que qualquer outra coisa...


Uma pole-position obtida com perfeição, e uma boa largada sacramentaram o triunfo de Lewis Hamilton na etapa de Mônaco. Mas não foi uma vitória exatamente fácil. Ao trocar os pneus do carro do inglês para compostos macios durante a bandeira amarela desencadeada para limpar a pista dos detritos do pneu furado de Charles LeClerc, a Mercedes apostava numa chuva que até apareceu, mas foi muito fraca para alterar o andamento da corrida. Como fazer uma nova troca significaria perder a liderança da corrida, e consequentemente, a vitória, Hamilton teve que guiar a maior parte da corrida com luva de pelica, moderando seu ritmo para não desgastar prematuramente seus pneus, enquanto seus perseguidores diretos, Max Verstappen e Sebastian Vettel, com compostos duros, tinham pneus em melhores condições. Mas a tarefa de segurar a liderança foi muito facilitada por ser a pista de Mônaco, onde ninguém passa ninguém, se o piloto que vai à frente não cometer um erro ou abrir sua defesa. E Hamilton, apesar da choradeira dramática pelo rádio com o time, não cometeu nenhuma falha durante todas as voltas em que teve Verstappen e Vettel atrás de si, o que não é pouca coisa, se lembrarmos que em Mônaco os guard-rails estão bem ali ao lado, e ao menor deslize com o carro, algo que pode ser potencializado pelo estado desgastado dos pneus, é batida na certa. E Lewis ainda deu sorte quando Max fez uma tentativa, já no finalzinho da corrida, que felizmente não resultou em problemas nos carros de ambos. Com isso, Lewis venceu sua 4ª prova no ano, e com o 3º lugar de seu companheiro Valtteri Bottas, abriu 17 pontos de vantagem para o finlandês. Para a concorrência, o único “consolo”, se é que pode se dizer isso, foi o fato de a Mercedes não ter conquistado sua 6ª dobradinha consecutiva, muito pouco para garantir a emoção do campeonato de 2019.


Lewis Hamilton e Sebastian Vettel homenagearam Niki Lauda, competindo com capacete com os desenhos usados pelo austríaco durante sua carreira. Hamilton usou o desenho de quando Lauda correu pela McLaren, e obviamente, dedicou sua vitória em Mônaco ao amigo, falecido na semana passada. Vettel usou o desenho de quando Lauda defendeu a Ferrari, e dedicou o resultado também ao ex-campeão, cujo velório foi feito nesta última quarta-feira, na Catedral de Santo Estevão, em Viena, na Áustria, com a presença de vários pilotos e ex-pilotos, que foram se despedir de Niki.
Alain Prost, Lewis Hamilton, Jean Alesi, Nélson Piquet, Gerhard Berger, Valtteri Bottas, entre outros, acompanharam o funeral de Niki Lauda em Viena.