quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

ARQUIVO PISTA & BOX – AGOSTO DE 2000 – 25.08.2000

             Trago hoje novamente uma de minhas antigas colunas, sendo que esta foi publicada no dia 25 de agosto de 2000, e tinha como tema central o equilíbrio da disputa da F-CART, a F-Indy original, pelo título daquela temporada, onde faltando 6 corridas para o final da temporada, nada menos do que oito pilotos estava com chances de chegarem ao título, matematicamente falando. A categoria de monopostos dos Estados Unidos sobrava no quesito competitividade, ainda que os campeonatos anteriores tivessem sido conquistados pela Chip Ganassi, de modo que mesmo assim, as disputas eram infinitamente melhores do que as da rival F-1, em que pese naquele ano a categoria máxima do automobilismo ter tido uma disputa mais renhida que terminou com o então tricampeonato de Michael Schumacher. No final, deu Gil de Ferran como campeão, o primeiro brasileiro a repetir o feito de Émerson Fittipaldi na categoria norte-americana, em um ano que trouxe muitas alegrias para os pilotos brasileiros no certame, com as primeiras vitórias de Hélio Castro Neves, Roberto Moreno, e Cristiano da Matta na F-CART. De quebra, alguns tópicos rápidos de alguns acontecimentos do mundo da velocidade naquela semana. Uma boa leitura para todos, e até 2026...

 

EQUILÍBRIO TOTAL

 

          Com a fama de possuir o campeonato mais equilibrado de todas as categorias top do automobilismo mundial, a F-CART este ano está com a corda toda. Com a vitória do canadense Paul Tracy em Elkhart Lake no domingo passado, o campeonato da categoria embolou de vez, tendo agora nada menos do que 8 pilotos com chances de disputar o título da categoria. Do líder, Michael Andretti, com 125 pontos, até o oitavo piloto na classificação, Hélio Castro Neves, com 81 pontos, há uma diferença de apenas 44 pontos, o que equivalente à pontuação máxima de duas corridas. Com 6 etapas ainda para o término do campeonato, muita água ainda vai rolar até que a situação esteja matematicamente decidida, mas é arriscado apontar favoritos dentre os oito primeiros colocados no campeonato, pois tudo pode acontecer.

          O campeonato deste ano está sendo um dos mais equilibrados da categoria nos últimos anos, desde que a Chip Ganassi passou a exercer sua supremacia na F-CART, supremacia que desapareceu este ano quando a equipe mudou seu pacote técnico. Em contrapartida, a equipe Penske praticamente renasceu, conquistando até o momento, 4 vitórias e tendo seus dois pilotos em condições de vencer o campeonato potencialmente, embora até o presente momento todas as fichas da equipe devam ser depositadas em Gil de Ferran, terceiro colocado no mundial. Mas Hélio, oitavo colocado no campeonato, também não pode ser descartado, embora suas hipóteses de luta pelo título devam-se mais aos azares dos demais a partir de agora, para reverter os 44 pontos de desvantagem para Michael Andretti.

          Dentre os 6 primeiros colocados, a situação está mais ferrenha, com apenas 25 pontos de diferença entre eles. Além da Penske, a Patrick Racing também está em situação cômoda teoricamente, pois tem seus dois pilotos na luta pelo título: Roberto Moreno, vice-líder do certame, e Adrian Fernandez, 4º colocado no campeonato. A equipe até o momento tem duas vitórias, uma com cada um de seus pilotos, e a regularidade tem sido o forte de seus pilotos este ano, especialmente Moreno, que faz o melhor campeonato desde sua conquista da F-3000 internacional em 1988.

          Enquanto isso, a Green deposita todas as suas fichas no canadense Paul Tracy, que já acumula 2 vitórias no atual campeonato e tem deixado o vice-campeão de 99, Dario Franchiti, na sobra dentro da equipe de Barry Green. Apesar de alguns percalços, o impetuoso canadense, cujo nome foi por muito tempo sinônimo de encrenca na pista, parece ter encontrado o maior equilíbrio entre o arrojo e o talento que possui, e é um forte candidato ao título.

          Enquanto isso, na liderança do mundial, está o veterano Michael Andretti, praticamente o último dos nomes mais tradicionais da categoria, desde a aposentadoria de Al Unser Jr. e de Bobby Rahal. Defendendo mais uma vez a equipe Newmann-Hass, Andretti aparece novamente em condições de levar o seu time ao título da categoria, como o fez em seu primeiro e único título na CART, em 1991, também pela Newmann-Hass.

          Correndo por fora nesta luta de gigantes encontra-se o mineiro Cristiano da Matta, sétimo piloto na classificação e o melhor piloto com motor Toyota no campeonato. Talento não falta ao intrépido mineirinho, o problema é sua equipe, a PPI Motorsports, que apesar de estar surpreendendo este ano, conseguindo até uma vitória com Cristiano, ainda é um time médio, e apesar de toda a competitividade da categoria, Da Matta vai depender muito mais de azares da concorrência do que de suas performances para almejar o título. Todos os demais times têm estruturas muito fortes e tecnicamente superiores à modesta PPI. Mas isso não quer dizer que ele vá abandonar a luta, muito pelo contrário.

          No campo técnico, desenrola-se outra luta nos bastidores da categoria. Depois de 4 anos de domínio avassalador do motor Honda, a Ford é a marca de motor com mais chances de conquistar o título de 2000, pois tem nada menos do que 4 pilotos entre os oito primeiros, sendo que Michael Andretti e Roberto Moreno, respectivamente líder e vice-líder do campeonato, usam os motores XF turbo V-8 da fábrica americana. Adrian Fernandez e Kenny Brack também correm com os Ford, enquanto o restante dos primeiros colocados, com exceção de Da Matta, usam os motores Honda turbo que foram campeões dos últimos campeonatos. A briga promete pegar fogo e tanto a Penske quanto a Green vão usar de todos os seus recursos para chegar novamente ao título.

No que tange à briga por equipes, a coisa vai ser acirrada. A Penske quer encerrar um jejum de títulos que já dura desde 94, quando Al Unser Jr. foi bicampeão, e a Green quer repetir a dose de quando era associada à Forsythe, quando conquistou o título de 95 com o canadense Jacques Villeneuve. Já a Newmann-Hass quer voltar ao topo, onde já esteve em 91 com Andretti. Mas o maior jejum mesmo é da Patrick, campeã pela última vez em 1989 com Émerson Fittipaldi.

No campo dos chassis, a Reynard luta para manter sua hegemonia e conquistar o seu 6º título consecutivo. Desde o título com Villeneuve que a fábrica de Adrian Reynard dita as normas de competitividade na categoria. A Reynard ainda é a favorita, equipando a maioria das equipes, mas o líder do campeonato usa um Lola, marca que anos atrás era sinônimo de confiabilidade e competitividade na F-CART e depois entrou em descrédito com duas temporadas desastrosas e problemas financeiros. A Lola passou por uma profunda reestruturação e voltou a oferecer um pacote competitivo, e vem dando mostras disso este ano, embora ainda esteja em posição inferior à Reynard.

Como se pode ver, a luta promete ser boa e vai agitar as etapas restantes do campeonato até o encerramento na prova de Fontana, na Califórnia. Vão ser 6 corridas para fã nenhum botar defeito. A emoção está garantida. E que vença o melhor.

 

 

Hoje começam os treinos oficiais para o Grande Prêmio da Bélgica de F-1. A Ferrari tenta dar uma reação no campeonato, depois de perder a liderança para a McLaren em Hungaroring. Entretanto, o que dominou o padock ontem aqui na Bélgica foram discussões sobre a segurança do circuito, que tem alguns pontos falhos. E, pelo menos em um ponto tanto Mika Hakkinen como Michael Schumacher concordaram: é preciso fazer algo para melhorar a segurança da pista belga, a mais bonita e desafiadora do calendário. Mas as discussões sobre segurança na F-1 já são uma tremenda novela nos últimos tempos, e com alguns resultados meio duvidosos, se bem que os cartolas da categoria tentam mostrar vontade de lutar por mais segurança...

 

 

Algumas novidades para 2001: Mika Salo vai ser piloto de testes da Toyota no próximo ano. O piloto finlandês aceitou a proposta da fábrica japonesa para desenvolver o projeto de equipe completa da Toyota com vistas a estrear como piloto titular da nova equipe Toyota que estréia em 2002. Com isso, abre-se uma nova vaga na Sauber. Uma das vagas é praticamente certa com Pedro Paulo Diniz, já a outra vaga tem entre seus pretendentes o brasileiro Ricardo Zonta.

 

 

Jenson Button assinou por dois anos com a equipe Benetton para ser o companheiro de Giancarlo Fisichella. Com isso, Frank Williams ainda o mantém sob contrato, pois o contrato da jovem nova esperança britânica foi apenas de empréstimo, a exemplo do que a McLaren fez com Ricardo Zonta, emprestado à BAR nos últimos dois anos. A Jordan vai manter seus dois pilotos para 2001, Heinz-Harald Frentzen e Jarno Trulli. Na Prost, Alesi é nome praticamente garantido no próximo ano, quem vai dançar é Nick Heidfeld, que até agora fez mais confusões na pista do que pilotagem propriamente dita. Alesi que o diga...

 

 

Para os aficcionados em F-1 e que gostam de sentir as emoções de pilotar uma máquina da categoria, já está nas lojas de informática o jogo Grand Prix 3, continuação do mega sucesso Grand Prix 2, da Brasoft Games. O novo jogo, baseado no campeonato real da F-1, possui as mais realistas simulações de um carro de F-1, permitindo ao jogador mexer em todo o setup do carro, escolher as condições do tempo, além de poder jogar via internet com outros jogadores. Emoção garantida para quem quer dominar carros como McLaren e Ferrari e mostrar seus dotes de piloto. O jogo, entretanto, pede uma máquina de respeito, com processador Pentium III 450 MHz ou AMD K-6 II equivalente, com pelo menos 64 MB de memória operacional. Se sua máquina possui estes requisitos, o jogo é diversão garantida para os amantes da velocidade. Quem já conhece a versão 2 do jogo não vai ter do que reclamar, exceto, claro, do preço do jogo, em torno de aproximadamente 70 reais...

 

 

O brasileiro Bruno Junqueira pode conquistar neste fim de semana aqui em Spa o título da F-3000 Internacional. É a última etapa do campeonato e, com 7 pontos de vantagem sobre o segundo campeonato, Bruno precisa apenas de um 3º lugar para liquidar a fatura e conquistar mais um título da F-3000 para o Brasil. Hoje acontece o treino de classificação. A corrida é amanhã, logo após o treino classificatório da F-1. Boa sorte, Bruno.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

HAVOC SERIES – O ANO DE 2025 EM ALGUMAS COMPETIÇÕES NAS DUAS RODAS

             O ano de 2025 foi pródigo em acidentes nos mais diversos campeonatos pelo mundo afora, nos lembrando de que este esporte é sempre perigoso. E embora carros e pistas tenham ficado extremamente seguros nos últimos tempos, nem sempre podemos garantir que, quando algo sai errado, ninguém vai se machucar. Por vezes, acidentes banais podem até resultar em ferimentos sérios enquanto acidentes espetaculares foram vistos com os pilotos saindo relativamente ilesos, graças à segurança dos bólidos de competição. Nesta seleção de vídeos, vamos ver algumas compilações diversas de várias categorias mundo afora e seus momentos mais dramáticos em termos de sustos e acidentes. Então, vamos aos vídeos...

 

O primeiro vídeo é do usuário Racing Gone Wild, e traz uma compilação de acidentes da categoria Moto America, e o motocilicsmo, claro, é um dos certames onde os competidores correm os maiores riscos, afinal, não são carros, com carenagens e cockpits que oferecem proteção aos pilotos. Nas motos, o risco é muito maior, e quedas ou batidas podem ser tremendamente perigosas, e quando há uma queda, o perigo é ser atingido por outro competidor, ou pela própria moto, e poderão ver como algumas situações foram bem perigosas nos vários acidentes aqui mostrados. Confiram tudo no link abaixo do vídeo, postado no You Tube:

 

https://www.youtube.com/watch?v=WzwyWEYag-I

 

O próximo vídeo, também do usuário Racing Gone Wild, traz outra compilação de vários acidentes, de categorias diversas, alguns bem assustadores, outros nem tanto, e só se pode torcer para não ter acontecido nada pior com os participantes dos percalços, que dão um frisson danado quando ocorrem no meio dos pelotões de disputa, onde o perigo é muito, muito maior. E claro que, não importa a potência da máquina, competição é competição, e até mesmo quando as motos parecem até lambretas, o perigo não deixa de existir, mesmo que o visual possa parecer não tão perigoso quando deveria ser. Podem conferir o vídeo no link abaixo no You Tube:

 

https://www.youtube.com/watch?v=4wHQrIfgPIo

O próximo vídeo, mais uma vez, também foi postado no You Tube pelo usuário Racing Gone Wild, e traz outra compilação de vários acidentes de competição nas duas rodas, com vários pilotos voando baixo, quase literalmente, rente ao chão, e ficando por lá em diversos momentos, com acidentes variáveis, sejam por toques, escorregadas, erros de aproximação, tangências exageradas, e claro, disputas acirradas além da conta. Confiram as presepadas dessa turma nos mais diversos certames no vídeo cujo link segue abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=3p8Zc2kyIg8

 

O próximo vídeo, postado no You Tube na conta oficial da própria MotoGP, não traz acidentes propriamente, mas os momentos que quase resultaram em acidentes neste ano de 2025, onde muitos pilotos foram ao chão, infelizmente, alguns com machucados sérios, como Jorge Martin, e até mesmo Marc Márquez, no fim da temporada, quando já tinha o título garantido, mas em muitos momentos os pilotos flertaram com o perigo, coisa absolutamente normal no mundo das duas rodas, onde o limite da condução na pista muitas vezes sempre é tênue e volátil, e o desastre está sempre à espreita. Portanto, confiram esta bela seleção de vídeos, e vamos ver nossos ases das duas rodas rebolando, literalmente, para não caírem do cavalo motorizado nos mais variados momentos e circuitos da MotoGP mundo afora em 2025, no link abaixo...

 

https://www.youtube.com/watch?v=lGEs9T4kzgk

 

E, claro, para não ficarmos somente nas duas rodas exclusivamente, esta pequena compilação postada no You Tube pelo usuário Racing Tube nos mostra os mais variados acidentes nas mais variadas competições do esporte a motor com alguns percalços vividos pelos pilotos neste ano de 2025, com resultados variados, mas que certamente provocaram amassados no orgulho dos competidores, além dos tradicionais amassados nos bólidos e demais veículos de competição... E tem de tudo um pouco aqui, os ralis, às provas de fórmulas básicas, onde os pilotos tentam superar suas limitações a todo custo, com alguns conseguindo, e outros, nem tanto, mas sempre dando o máximo que podem, mesmo que o carro às vezes não colabore muito... Confiram esta bela seleção de cacetadas em alta velocidade (algumas nem tão altas assim), no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=kOGpsVskcvc

 

E assim, encerramos nossa seleção de vídeos de hoje, mas ainda há muito mais para ser visto, mas agora deixaremos isso para o próximo ano, indo para um bom descanso neste final de 2025, e recarregando as baterias para o que vier em 2026. Portanto, cuidem-se, e até lá...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – DEZEMBRO DE 2025


            E quem diria, já estamos fechando o ano de 2025. Estamos às vésperas do Natal, e isso significa que este ano efetivamente terminou, e que agora estamos já perto de começar 2026. Momento de descansar, com os campeonatos encerrados, campeões apresentados, e uma pausa mais do que necessária, antes de retomarmos as atividades que o novo ano sempre trás. E, mais uma vez, como já é praxe por aqui no blog, chegamos à hora de mais uma edição da Cotação Automobilística, a última deste ano, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos e nomes do mundo da velocidade neste mês de dezembro, com o tradicional esquema de sempre: EM ALTA (cor verde); NA MESMA (cor azul); e EM BAIXA (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação Automobilística, já no próximo ano. E 2025 se vai, com muita coisa tendo acontecido, nem todas boas como esperávamos, e portanto, esperemos que 2026 seja melhor em muitos aspectos. Portanto, até o próximo ano, pessoal, e cuidem-se bem...

 

EM ALTA:

 

Lando Norris: O piloto inglês da McLaren chegou ao título da temporada 2025 da Fórmula 1, e coroou um campeonato onde quase chegou a ser dado como derrotado após o abandono na etapa da Holanda por quebra de motor, mas soube reagir, e aproveitar as oportunidades, em que pese ter evidenciado falhas em diversas outras etapas da temporada. Mas ele foi quem, no cômputo geral, errou menos, e soube se manter sempre nas chances de chegar ao título, apesar dos pesares, mesmo quando não parecia ser o melhor candidato disponível. Norris chegou lá, enfim, e agora, terá o desafio de provar que seu título foi devidamente merecido, e não porque os adversários mais capacitados ou não tiveram carro à altura para disputarem, ou porque erraram ainda mais. E todo campeão passa a ser o piloto a ser batido, não importa quem seja. Mas com o novo regulamento técnico em 2026, será que a McLaren manterá sua excelência técnica? A conferir...

 

Max Verstappen: O tetracampeão holandês encerrou a temporada 2025 da F-1 em alta, com três vitórias incontestáveis, e por pouco não levanto o pentacampeonato mundial, sendo o piloto que mais corridas venceu no ano, com oito triunfos, contra sete de Oscar Piastri e Lando Norris, o que demonstra que de fato, o melhor piloto não faturou o título este ano. Quando a Red Bull claudicou no início do ano, Verstappen pouco pode fazer para discutir a supremacia da McLaren, mas nem por isso o piloto do time dos energéticos baixou os braços, indo sempre à luta, às vezes de forma mais aguerrida do que o necessário, e sendo devidamente penalizado por isso. Mas quando a Red Bull conseguiu evoluir o seu carro, dando-lhe mais competitividade, coube a Verstappen fazer o que sempre fez de melhor: partir para o ataque, aproveitando as brechas e erros dos adversários para capitalizar de forma que só ele é capaz, e com isso, chegando para uma improvável disputa de título que ninguém, nem mesmo ele, acreditava ser possível no início do campeonato. Agora é partir para 2026 na esperança que a nova associação Red Bull/Ford consiga lhe proporcionar as condições ideais de se manter competitivo para tentar novas conquistas na categoria máxima do automobilismo...

 

Sébastien Ogier: Mesmo deixando de disputar três etapas na temporada 2025 do Mundial de Rali, o francês Sébastien Ogier conseguiu um grande feito, conquistar o título do campeonato, e chegar ao eneacampeonato na categoria, igualando o feito de seu compatriota Sébastien Loeb, que também levou nove taças de campeão na principal competição mundial de rali do planeta. Loeb, quando passou a disputar apenas etapas esporádicas do WRC, abdicou definitivamente das chances de conquistar um 10º título na competição, e parecia que Ogier seguiria pelo mesmo caminho, quando há alguns anos tomou decisão similar. Mas Ogier continuou competindo em diversas provas, e neste ano, mesmo ficando sem participar de três etapas, ainda conseguiu ir bem o suficiente nas demais provas para não apenas conquistar mais um título, mas ser o piloto que mais venceu no ano, o que mostra como os adversários falharam em impedir que Sébastien engordasse sua relação de títulos mais uma vez. E agora fica a dúvida: Ogier irá em busca do 10º título e superará Loeb na quantidade de campeonatos? Podemos ver isso já em 2026, e os adversários que se preparem...

 

Felipe Fraga: Felipe conseguiu chegar ao bicampeonato na Stock Car Brasil, e valorizar ainda mais seu talento e capacidade, em um ano onde a principal categoria do automobilismo nacional infelizmente patinou feio com os novos carros adotados, e se complicou sobremaneira em diversos problemas que tiraram boa parte do brilho da temporada, com a Stock se vendo às voltas com diversos percalços que deixaram manchas indeléveis sobre o profissionalismo e competência tanto por parte da Vicar quando da própria CBA para resolverem os problemas apresentados. Mas Fraga nada tinha a ver com isso, e averbou mais um título. Os rivais não conseguiram fazer o que era preciso para impedi-lo, e que tratem de fazer melhor em 2026, quando se espera, também, que a própria Stock reencontre o seu caminho e volte a ser de fato a categoria por excelência do automobilismo nacional, sem reprisar as confusões técnicas e esportivas vivenciadas este ano...

 

Equipe Williams: O time fundado por Frank Williams teve em 2025 a sua melhor temporada em vários anos, e o motivo básico, mas óbvio para isso, é que pôde contar com uma verdadeira dupla de pilotos em tempo integral, uma vez que nos últimos anos, a preferência por manter pilotos pagantes, por mais que tenha garantido fundos para se manter na competição, parece infelizmente ter se concentrado em pilotos de capacidade extremamente limitada em termos de talento e velocidade, como ficou provado no ano passando, assim que dispensou Logan Sargeant. O time também conquistou, com Carlos Sainz Jr., seus primeiros pódios em corridas efetivas em vários anos, e terminou a temporada no TOP-5, uma posição nada desprezível, em que pese adversários de peso como a Aston Martin terem tido anos realmente fracos, talvez até mais do que se esperasse deles... É também uma amostra do trabalho duro desenvolvido em 2024 para reorganizar a escuderia depois de anos de marasmo na área técnica, visando retornar ao pelotão da frente, o que não se concretizou este ano, mas gerou frutos expressivos só pelos pódios conquistados, que não foram exatamente obra do acaso, mas de performances genuínas por parte do piloto, e quem sabe, as esperanças de dias mais auspiciosos para uma das mais tradicionais equipes da história da F-1, que possa voltar a disputas de fato as primeiras posições nas corridas...

 

 

 

NA MESMA:

 

Equipe McLaren: O time de Woking conquistou pelo segundo ano consecutivo o mundial de construtores na F-1, e finalmente se tornou novamente campeão de pilotos também, com Lando Norris, o primeiro da escuderia desde o título de Lewis Hamilton em 2008, mas se a escuderia foi excelente na área técnica, na gestão de seus pilotos e na área estratégica, a equipe cometeu muitas burradas e foi inepta para gerenciar situações que uma escuderia que quer ser campeã jamais deveria permitir. A desclassificação em Las Vegas quase foi catastrófica, em um momento-chave da temporada onde a aproximação de Max Verstappen voltava a se tornar extremamente perigosa para o campeonato de pilotos, e o erro de não parar no safety car em Losail praticamente entregou de bandeja outra vitória que estava a vir para o time, e ainda em dobradinha. Além disso, apesar de permitir a luta interna de seus pilotos, o time não conseguiu controlar isso adequadamente durante a temporada, deixando transparecer um certo clima de favorecimento a Lando Norris que certamente não pegou bem para a imagem da McLaren, mais uma vez, repetindo algumas mazelas do time já vistas em 2024. Se o time mantiver-se competitivo e forte em 2026, precisará tomar cuidado para evitar erros deste tipo, e resgatar a imagem da escuderia impecável que era durante os tempos de glória dos anos 1980 e 1990.

 

Equipe Mercedes: A Mercedes ficou mais um ano em que, se não voltou a ser o time vencedor de antes, pelo menos também não caiu para trás. Mas a escuderia, a exemplo das últimas temporadas, continuou a ser uma figurante de luxo no cenário, chegando ao vice-campeonato de construtores com uma campanha sólida de George Russell, e pelo menos tendo uma performance honesta de Andrea Kimi Antonelli. Mas a escuderia contou com a má forma da Red Bull, e principalmente, da Ferrari, para se manter nesta colocação, pois a Red Bull, com Verstappen, mesmo ficando atrás nos construtores, foi para a disputa de título com Verstappen, enquanto a Ferrari, que foi vice-campeã de construtores em 2024, despencou com um novo carro que não rendeu o que se esperava. E assim, a Mercedes encerrou a atual era dos carros de efeito-solo como um time que não conseguiu encontrar a receita das vitórias, que se tornaram apenas ocasionais desde 2022. A esperança agora vem nas novas regras técnicas de 2026, quando carros e propulsores terão muitas diferenças, mas que ninguém se engane achando que a concorrência será menos feroz. As flechas de prata voltarão à sua forma áurea, ou continuarão claudicantes?

 

Começo complicado dos brasileiros na nova temporada da F-E: Mais um campeonato do certame de carros elétricos teve início neste mês de dezembro, e o Brasil, voltando a contar com dois pilotos brasileiros no grid, certamente não teve sorte com a etapa de estréia da temporada, aqui em São Paulo. Lucas Di Grassi, lutando contra a performance ainda incipiente da Lola ABT Yamaha, até conseguiu ficar firme nas posições de pontos, até se envolver em um enrosco com Edoardo Mortara e dar adeus à competição, e ainda ganhando punição para pagar na próxima etapa, na Cidade do México, como sendo desgraça pouca é bobagem. Já Felipe Drugovich até que teve uma estréia firme, mas o belo 5º lugar na bandeirada final acabou indo para o brejo por ter feito uma ultrapassagem em regime de safety car, o que derrubou nosso novo piloto na competição para a 12ª colocação, ficando de fora dos pontos. O único ponto positivo é que a Andretti, que venceu a corrida com Jake Dennis, gostou do desempenho de Drugovich, que tem um carro competitivo, e pode buscar melhores resultados, como foi visto no triunfo de seu companheiro de equipe. Agora é esperar ver se o azar sai de perto, e nossos pilotos, claro, fiquem sem cometer erros na pista...

 

Fernando Alonso: O bicampeão teve um ano duro na Aston Martin, que mais uma vez decaiu em termos de competitividade e performance na temporada da F-1, mas ainda assim, com todos os problemas, o espanhol voltou a mostrar serviço e suplantou Lance Stroll, que havia tido mais sorte nas corridas no início do ano. Alonso continua mostrando serviço, e em 2026 talvez tenha o desenlance definitivo de sua carreira na categoria máxima do automobilismo, quando terá à disposição um carro concebido por Adrian Newey, além de contar com os propulsores da Honda, já que o time inglês será a equipe oficial dos japoneses. Sem dúvida que Fernando ainda sonha com a possibilidade de um terceiro título, e se a Aston Martin tiver um carro competitivo, o asturiano mostra do que é capaz, como vimos em 2023, onde ele brilhou com um carro forte, mas só não venceu diante da hegemonia da Red Bull na competição. A esperança se renova para 2026, mas sem sabermos se irá de fato se concretizar...

 

Equipe de transmissão renova com a Bandeirantes: A Fórmula 1 deixou a Bandeirantes e voltou para a Globo, mas ao contrário do que aconteceu anos atrás, quando praticamente quase toda a equipe principal de transmissão da emissora carioca foi para o canal paulista, agora quase todo mundo ficou na Bandeirantes, uma vez que a Globo decidiu não trazer ninguém de lá para sua retomada das transmissões, preferindo usar apenas seus próprios profissionais. Sérgio Maurício, que foi o narrador nestes cinco anos da F-1 na Bandeirantes, renovou contrato e permanecerá na emissora, certamente narrando outras categorias do esporte a motor que a emissora possui, talvez a Indycar, ou até outros esportes. Reginaldo Leme, que afirmou ter se aposentado das transmissões da F-1 com o fim da temporada 2025, renovou contrato com a emissora paulista, onde já estava um ano antes da F-1 ir para lá, e deve continuar ligado às transmissões automobilísticas do canal, assim como Max Wilson e Felipe Giaffone. Mariana Becker, contudo, não renovou com a Bandeirantes, uma vez que trabalha no exterior, e segundo conversas, já teria sido sondada para integrar equipe de transmissão de outras emissoras, como a própria SKY Sports, que já possui um grande número de profissionais que cobrem a F-1. É o fim de uma era para muitos profissionais que se tornaram conhecidos pelas transmissões que fizeram da categoria máxima do automobilismo, mas que seguirão trabalhando agora em outros esportes e categorias na Bandeirantes.

 

 

 

EM BAIXA:

 

Presidente da FIA reeleito: Ben Sulayem ganhou um novo mandato de 4 anos à frente da FIA, mas isso não foi uma vitória, já que ele manobrou para ser candidato único, inviabilizando as candidaturas de potenciais opositores que poderiam complicar seus planos de reeleição, com óbvias ações na justiça européia com relação a estas regras esdrúxulas que foram implantadas justamente para inviabilizar que outros candidatos pudessem fazer oposição a ele, de modo que, até que as ações sejam julgadas, a aparente vitória de Sulkayem não passa de uma fragorosa derrota na prática, onde o dirigente se mostrou covarde e desonesto para enfrentar uma eleição limpa e decente, para se aferrar à presidência da Federação Internacional de Automobilismo por mais um mandato que cada vez ganha ares maiores de ser ilegítimo e manobrado, em um desgaste que a entidade que comanda o automobilismo mundial não precisava para ficar arrumando sarna para se coçar, infelizmente...

 

Lewis Hamilton: O heptacampeão mundial teve uma temporada melancólica de estréia pela Ferrari, onde piloto e time não conseguiram se encontrar na sintonia necessária para produzirem os resultados que se esperava desta união. Não apenas a escuderia errou no projeto do carro, como o piloto inglês sofreu mais do que se esperava para se acostumam com as relações de trabalho e com um projeto de bólido muito diferente do que ele se acostumou a ver na última década, quando defendeu a Mercedes. E o próprio Lewis teve desempenhos muito abaixo do que ele próprio e a torcida esperava, para não mencionar que nas últimas corridas, o próprio piloto conseguiu a proeza de ser eliminado logo no Q1, uma marca negativa nunca alcançada por um piloto ferrarista desde que o sistema passou a ser implantado na F-1. Será que Hamilton conseguirá se reerguer no time italiano como ele esperava fazer? Com o novo regulamento técnico a entrar em 2026, a resposta será mais crucial do que nunca, para vermos se o heptacampeão conseguirá renascer, ou se apagará de vez na categoria máxima do automobilismo...

 

Equipe Alpine: O time francês foi a decepção da temporada. Além de entrar na temporada 2025 já com um equipamento que não seria desenvolvido, o propulsor da Renault, diante de sua já anunciada desistência da F-1 ao fim deste ano, o carro foi o pior do grid, deixando os pilotos reféns de sua falta de performance, onde Pierre Gasly só salvou pontos em alguns momentos excepcionais. Além disso, a troca conturbada de Jack Doohan por Franco Colapinto, numa das manobras premeditadas de Flavio Briatore, que voltou a tratar pilotos como mercadorias substituíveis a seu bel prazer, não resultou em melhora nenhuma para a escuderia, que continuou a sofrer com más atuações, mais por conta do carro fraco do que pela qualidade dos pilotos propriamente. A manutenção do argentino, mais por conta dos patrocínios do que pela qualidade de pilotagem, merece uma nova chance em 2026, mas totalmente condicionada à qualidade do novo carro que será concebido, uma vez que motor decente eles terão, os Mercedes, mas não adiantará nada se o carro for mais uma vez uma draga que tornará a vida de seus pilotos um inferno na pista, sem chances de redenção. Flavio Briatore já foi muito mais competente em velhos tempos, onde apesar de sua condução ética duvidosa, pelo menos apresentava resultados...

 

Campeonato 2025 da Stock Car: a temporada 2025 da maior categoria do automobilismo brasileiro certamente foi das mais atribuladas de que há notícia. A introdução dos novos SUVs como carros de competição até que foi comemorada a princípio, como uma forma de renovação dos ares do certame, que há anos usavam as mesmas “bolhas” dos carros, mas certamente ninguém imaginou que a implantação dos novos carros e motores pudesse ser tão problemática, com falta de peças, problemas crônicos de fiabilidade, e ainda mais com denúncias de falta de segurança nos novos carros cujas consequências estão resultando até em processo de piloto contra a Vicar e CBA pelos desmandos ocorridos nesta área da competição, que felizmente não resultou em situações piores por muita sorte, mas que não pode se dar ao luxo de esperar que algo grave aconteça para finalmente serem tomadas medidas efetivas a respeito. Treinos cancelados, outros adiados, as programações de horários não-cumpridas, a ponto de a Globo, que transmite a categoria nos canais do SporTV, começar a ver até se continua a transmitir a competição em 2026, insatisfação de vários pilotos com o modo com as coisas foram sendo adotadas, tudo isso resultando em um ambiente de descontentamento que só não está explodindo de vez graças ao estapafúrdico regulamento que proíbe e pune severamente times e pilotos que criticarem o campeonato, sob justificativa de “denegrirem a imagem da competição”, algo que, se ocorreu, não foi por parte de times e pilotos, mas da própria Stock, que precisa descer de sei pedestal e botar a casa em ordem antes que tudo piore. Veremos se eles botam a casa em ordem em 2026... Ipiranga e Mobil, duas patrocinadoras de longa data da competição, resolveram não esperar para ver, e pularam fora...

 

Perspectivas de transmissões piores em 2026: A Fórmula 1 e a Indycar mudam de casa no Brasil no próximo ano, e a expectativa dos fãs é de uma queda generalizada na qualidade das transmissões, se comparado ao que vimos nos últimos anos. A Globo, que volta a transmitir a F-1, já avisou que só exibirá 15 provas na TV aberta, ficando o restante ao SporTV, para quem quiser acompanhar tudo, ao contrário da Bandeirantes que exibia tudo ao vivo no canal aberto, para não mencionar, claro, as velhas teimosias da emissora carioca, que quando mencionou a vitória de Max Verstappen em Abu Dhabi, já voltou a chamar a Red Bull apenas de “RBR”. Na Indycar, a Bandeirantes, que também volta a exibir a competição, também avisou que só irá transmitir metade das corridas no canal aberto, e o restante ficará com o Bandplay, reduzindo drasticamente a opção do fã de ver as corridas em TV aberta. Quem quiser acompanhar a competição na íntegra terá de ser pela TV por assinatura, uma vez que a ESPN transmite todas as provas do campeonato ao vivo... Tempos difíceis aguardam os fãs no próximo ano, de fato, no que tange às transmissões destas duas categorias na TV aberta nacional...