sexta-feira, 11 de outubro de 2013

HOUSTON, TEMOS PROBLEMAS


O pavoroso acidente de Dario Franchiti visto da arquibancada logo em frente, com pedaços do carro voando para todos os lados. Felizmente ninguém se feriu gravemente por ali. E o escocês, pela violência da pancada, que praticamente destroçou seu carro, também deu sorte de sofrer poucos ferimentos...

            Os circuitos de rua utilizados no campeonato da Indy Racing League parecem estar em uma competição esquisita nos últimos tempos. Quem havia achado a corrida em Baltimore caótica pelo excesso de rodadas e trombadas que os pilotos andaram dando uns nos outros, além de ver uma ridícula chicane no meio da reta dos boxes por causa de trilhos de trem que existem por ali, nem imaginava que a rodada dupla disputada em Houston, no fim de semana passado, pudesse ser tão ou até mais complicada, a ponto de promover até uma reviravolta na luta pelo título da temporada.
            Reviravolta mesmo: quem esperava ver o brasileiro Hélio Castro Neves conseguir liquidar a fatura e comemorar a conquista do caneco de campeão, levou uma ducha de água fria tão grande quanto o próprio piloto e a equipe Penske. Todo o azar que o brasileiro conseguiu evitar durante todo o ano, apesar de ter encarado várias adversidades em várias corridas, atingiu Hélio de forma contundente nas duas corridas do fim de semana. O resultado foi desastroso: de uma liderança com folga de 49 pontos sobre Scott Dixon, Helinho agora vai para Fontana, etapa final da competição, com 25 pontos de desvantagem para o neozelandês, que passou de desafiante a favorito para a conquista do título.
            Pior de tudo, é que mesmo que não tivesse problemas mecânicos, dificilmente o brasileiro deixaria de perder boa parte de sua vantagem. Em nenhum momento do fim de semana seu carro esteve com desempenho comparável ao de Dixon. O piloto da Ganassi só não venceu as duas corridas porque no domingo, com Will Power à sua frente, e lembrando-se dos incidentes que teve com o australiano nas últimas corridas, passou a jogar pela segurança de terminar em 2° lugar do que arriscar uma ultrapassagem e acabar se enrolando novamente com o piloto da Penske. Aliás, o desempenho dos carros do time de Roger Penske foi inverso durante o fim de semana: enquanto Power teve sempre um dos carros mais rápidos, o mesmo não se deu com Hélio, que fez bobeada no treino de classificação e largou entre os últimos colocados, o que por sí só já complicava toda a estratégia de corrida. No domingo, mesmo largando na frente por ser o líder do campeonato, nunca mostrou ter ritmo para competir com Dixon, que mostrava desempenho ímpar nas duas provas.
            Mérito para Dixon e a Ganassi, que chegaram como azarões, mas fizeram seu trabalho como se devia, e o neozelandês teve um carro redondo durante ambas as corridas, que parecia imune aos percalços que o piso ruim da pista infligiu a diversos competidores. Sim, e bote piso ruim nisso. O calçamento irregular da pista montada na maior cidade do Texas fez os carros pularem como nunca, e a consequência foram vários deles apresentando problemas mecânicos devido a tanta pancada sofrida. Hélio que o diga, com 2 câmbios partidos nas duas provas, e não foi o único a precisar de consertos nos boxes. Por outro lado, o fato de alguns carros terem passado incólumes a tantas irregularidades de piso também demonstra que o problema podia ser minimizado com um bom acerto do monoposto.
            O único ponto positivo da nova pista urbana de Houston é que não foi tão travada como se imaginava, oferecendo boas ultrapassagens. E, claro, alguns pilotos resolveram conhecer as proteções de pneus de perto, com erros de freada e outros equívocos que normalmente ocorrem em pistas de rua, onde as áreas de escape são sempre escassas.
            Mas o que deixou um ponto extremamente negativo sobre a corrida, no domingo, foi o pavoroso acidente envolvendo Takuma Sato, Ernesto Viso, e Dario Franchiti. Ao tentar superar o piloto japonês da Foyt, Dario acabou fechado e seu carro catapultado sobre o alambrado, logo ao lado. O impacto foi impressionante, com o alambrado praticamente destruído, e o carro do escocês desmanchando-se e voltando a pista, onde foi parar dezenas de metros adiante. Viso, chegando logo a seguir, não conseguiu frear tudo e ainda acertou o carro de Sato, felizmente sem consequências para ambos, além de danificarem mais ainda os carros. Franchiti não teve a mesma sorte, mas levando-se em conta a violência da pancada, e o que aconteceu com seu carro, teve muita sorte: sofreu uma concussão, fratura em duas vértebras e no tornozelo, e vários hematomas, mas sem risco de vida, felizmente.
            Foi mais um acidente provocado pelo piso irregular, uma vez que Takuma afirmou que seu carro deu um pequeno salto, o que o jogou de leve contra o carro de Franchiti, que tentava a ultrapassagem, por azar, do mesmo lado da pista. E mais um acidente no currículo de Sato, que em que pese seu talento, ainda parece carregar o estigma de azar que seus compatriotas fizeram surgir nas categorias TOP de monopostos, de pilotos batedores, sempre se metendo em alguma confusão. Mas também um aviso para se levar em consideração: ninguém olha pelos espelhos retrovisores dos carros? Em Baltimore, Power fechou a porta em cima de Dixon, fazendo ambos irem parar junto ao muro, e acabando com a corrida do piloto neozelandês, felizmente sem nada além do carro avariado. E agora, Sato ainda estava, de certa forma, fechando Franchiti tentando evitar uma ultrapassagem, ou não viu o escocês ali ao lado? Certo, a irregularidade da pista fez o carro saltar um pouco justo no ponto de se engancharem as rodas dianteiras de ambos os carros, o que provocou o lançamento do escocês no alambrado, e é algo a ser discutido na melhoria de segurança dos monopostos, que no ano passado, com a adoção do novo modelo DW12, já havia adotado uma proteção traseira justamente para prevenir alavancagens deste tipo. O piloto japonês ainda acrescentou que sujou os pneus numa leve saída de pista em uma curva, e que isso fez o carro escorregar um pouco nas curvas seguintes, o que só ajudou a complicar manter o carro no traçado certo com o piso irregular.
            O público na arquibancada logo em frente ao acidente também teve sorte: apesar de várias pessoas terem se ferido com os estilhaços do carro de Franchiti, nenhuma teve ferimentos graves, mas o incidente deve motivar estudos para se aumentar a segurança que os alambrados possam fornecer nas corridas em pistas de rua. Foi também na base da sorte que o alambrado arrancado pelo impacto não voou sobre os torcedores, assim como estilhaços mais volumosos do carro do escocês. Deve-se aproveitar a experiência do infeliz momento para estudar como reforçar a segurança, de forma que tais acidentes não possam infligir riscos ao público, e também aos pilotos.
            A direção da Indycar tem que rever seus conceitos sobre os circuitos de rua, e exigir melhores condições de estrutura para as corridas. Por apresentar poucas áreas de escape, e muros muito próximos, as chances de acidentes sempre são maiores do que em pistas de autódromos, e mesmo em ovais. Direta ou indiretamente, as ondulações de piso foram responsáveis pela maioria das interrupções de ambas as etapas do fim de semana, e apesar de alguns times e pilotos terem sofrido menos do que outros, as chances de um acidente forte com um carro em alta velocidade não podem ser desprezadas. Corridas sempre são um esporte de risco, mas com alguns cuidados, e critérios de segurança mais rigorosos, é possível minimizar alguns riscos e evitar certos problemas que podem acontecer. Como foi a última corrida neste tipo de pista em 2013, a direção da categoria tem agora um bom tempo para analisar e estudar com calma a situação, a tempo de promover mudanças e exigir condições melhores nas provas deste tipo de circuito em 2014. Felizmente para equipes e pilotos, pelo menos no próximo ano Baltimore está fora do calendário da IRL, o que já deixa alguns mais tranquilos. Restarão os demais circuitos urbanos para serem trabalhados na busca por maior segurança.
            Mas, claro, esperando-se que a direção da Indycar faça sua lição de casa, tirando lições importantes do que se viu em Houston, e saiba fazer as mudanças necessárias para que tanto pilotos quanto público possam desfrutar de maior segurança nas etapas de pistas urbanas.


A Fórmula 1 iniciou hoje os treinos para a etapa de Suzuka, no Japão. Apesar de pequena, Sebastian Vettel tem a oportunidade de fechar aqui a conquista do título de 2013, e ser tetracampeão. Para isto, entretanto, é preciso que Fernando Alonso não termine acima de 9° lugar, o que é um pouco difícil, e Vettel vença a corrida, o que é muito fácil de acontecer. Pelo andar da situação, todo mundo preferiria que a fatura fosse liquidada em Suzuka, pois a pista da Índia, próxima corrida, não oferece clima nem carisma para uma decisão de título. Suzuka, por outro lado, já viu 11 decisões de título. Se Vettel faturar o título no Japão, a pista de Suzuka irá se igualar a Monza como o circuito que mais sediou decisões de título: a pista italiana tem 12 decisões de campeonato em sua história. E que venha logo 2014...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX - SETEMBRO DE 1996 - 06.09.1996



            De volta com a seção Arquivo, eis minha coluna do dia 06 de setembro de 1996. Era o fim de semana do Grande Prêmio da Itália, um dos meus favoritos de sempre na Fórmula 1, na mítica pista de Monza, que graças aos deuses do automobilismo continua firme e forte no calendário, apesar da ameaça dos "tilkódromos" que vivem empesteando a categoria máxima do automobilismo mundial. Ao contrário de hoje, quando o GP da Itália marca a despedida da Europa no calendário da F-1, naquele ano ainda teríamos o GP de Portugual, no saudoso circuito do Estoril. Só aí a F-1 embarcava para o Oriente, que naqueles tempos tinha apenas a prova do Japão e da Austrália. Mas a partir de 1996, o país da Oceania passou a ter o seu GP abrindo o campeonato, e não mais fechando-o, então, a prova final seria em Suzuka, outra pista que, felizmente, continua firme até hoje no calendário.
            De resto, algumas notas rápidas sobre outros acontecimentos do mundo da velocidade. Fiquem agora com o texto e boa leitura a todos, e em breve trarei mais alguns textos antigos por aqui...


MONZA

            Aproxima-se o encerramento da temporada 1996 da Fórmula 1. Depois de passar pela bela pista de Spa-Francorchamps, a categoria chega a um circuito sagrado do automobilismo mundial: Monza, na Itália.

            Junto com Silverstone e Mônaco, este circuito compõe a “Tríplice Coroa” dos circuitos da F-1, e esteve presente em todas as temporadas até hoje da categoria, como sede do Grande Prêmio da Itália, à exceção de 1980, quando a prova italiana foi disputada no circuito de Ímola.

            O circuito de Monza conta com uma extensão atual de 5,8 Km, e o GP é disputado em 53 voltas, totalizando um percurso total de 307,4 Km. Depois das reformas de Silverstone, Monza passou a ser o circuito mais veloz da F-1. Aqui as médias horárias passam dos 250 Km/h. Há grandes espaços de retas, entremeadas por poucas curvas. A reta dos boxes é o principal ponto para ultrapassagens. As curvas do circuito são conhecidas por todos que amam o automobilismo: temos as curvas Di Lesmo, a Variante Ascari, a Curva Grande, e claro, a mais famosa curva do autódromo, a famosa Parabólica, que liga a reta oposta à reta dos boxes.

            O Grande Prêmio da Itália tem como maior vencedor até hoje um piloto brasileiro: Nélson Piquet. Piquet, venceu a corrida de 1980, disputada em Ímola, ao volante de um Brabham/Ford. Repetiu a dose em 1983, agora ao volante de um Brabham/BMW turbo, já em Monza. E venceu novamente em 1986 e 1987, pilotando uma Williams/Honda turbo. Dos demais brasileiros, Émerson Fittipaldi venceu em 1972 com a Lótus, conquistando seu primeiro título; e Ayrton Senna venceu a prova em 1990 e 1992, com McLaren. Para a torcida local, Monza é um lugar sagrado, tal como o Vaticano para os religiosos. O motivo não poderia ser outro: Ferrari. Só que nos últimos anos os torcedores italianos não têm podido comemorar de forma como gostariam. Sempre acontece alguma coisa que impossibilita a vitória de um carro da Ferrari. A última vitória “rossa” em casa aconteceu em 1988, com Gerhard Berger. Foi uma vitória em dobradinha, pois Michele Alboreto, também da Ferrari, ficou em 2º lugar. E, antes disso, os italianos só puderam comemorar em 1979, quando Jody Schekter venceu a corrida, naquela que foi a última temporada a ver um campeão pela Ferrari na F-1.

            Nos últimos dois anos, a Ferrari chegou ao cúmulo de perder a prova em Monza pelo mais puro azar. Jean Alesi arrancou na pole em 1994, e fazia uma corrida impecável até a parada nos boxes, quando o câmbio de seu carro literalmente engripou, deixando o jovem francês fora da corrida. Alesi ficou tão furioso que deixou o autódromo sem falar com ninguém e sem tirar até o macacão. Gerhard Berger, por sua vez, teve um forte acidente no sábado e correu no domingo na base da força de vontade. Ficou em 2º lugar. Já em 1995, o azar voltou a bater à porta da equipe italiana. Desta vez, Berger teve sua suspensão avariada pela queda da, imaginem só, minicâmera do carro que ia à sua frente. Alesi estava com a vitória à vista quando seu carro também apresentou problemas e o deixou novamente a pé. Para a torcida mais fanática do planeta, não houve quem não sentisse que seu santuário automobilístico parecia estar amaldiçoado.

            Agora, o clima continua otimista este ano. Principalmente depois da excepcional vitória de Michael Schumacher na Bélgica na última etapa.Os “tiffosi” estão animados como nunca. Só para se ter uma idéia do otimismo, cerca de 8 mil torcedores estiveram presentes no circuito semana passada, só para ver Schumacher testar novidades no carro visando a prova deste fim de seman. Os resultados não foram lá essas coisas, mas o torcedor italiano não desiste tão fácil. Hoje, quando os carros entrarem na pista, vai se poder comprovar novamente a fundo a sua devoção àquela que é, sem dúvida alguma, a mais carismática equipe do automobilismo mundial.





Gil de Ferran anuncia este fim de semana, em Laguna Seca, seu contrato para correr na equipe Walker em 1997, no campeonato da F-Indy. O pacote técnico do time será a combinação Reynard/Honda/Goodyear. Além do motor Honda, Gil leva para a nova escuderia seu engenheiro de pista, Bil Pappas. Segundo alguns dados, o valor do contrato do piloto brasileiro é de cerca de US$ 1,5 milhões.





Este é o fim de semana decisivo da F-Indy: disputa-se o Grande Prêmio de Laguna Seca, prova de encerramento do campeonato. Jimmy Vasser lidera o certame, à frente de Michael Andretti e Al Unser Jr., que ainda disputam o título. Vasser tem 142 pontos, contra 128 de Andretti e 125 de “Little” Al, e depende apenas de seus próprios resultados para levar o título. Michael e Al, entretanto, costumam derrubar adversários na base da pressão psicológica, e o ambiente em torno de Jimmy Vasser anda carregado nas últimas corridas. Simplificando, tudo pode acontecer no domingo.





Robby Gordon disputa em Laguna Seca seu último GP pela F-Indy. Em 97, o piloto americano disputará a Nascar, a stock car americana, cujo prestígio e público são, indiscutivelmente, maiores que os da F-Indy. É bom que Gordon aprenda a dosar o acelerador, pois na Nascar é muito fácil se envolver em acidentes e quem acompanha a Indy conhece a fama de Gordon na categoria. Só para exemplificar, na prova de Vancouver, o americano acabou tocando rodas com Jan Magnussen em uma tentativa atrapalhada de ultrapassar o dinamarquês, que acabou levando a pior e saiu para a área de escape.





Depois de demitir sumariamente Damon Hill, a Williams anuncia que a partir de 1998 usará motores BMW. A fábrica alemã, que competiu pela última vez em 1987, está preparando seu retorno à F-1.





As equipes impulsionadas pelo motor Ford na F-1 vivem um impasse: a nova escuderia de Jackie Stewart será o time oficial da fábrica. A Sauber, atual escuderia oficial, quer continuar usando os motores da Ford, mas um novo contrato exige resultados da escuderia. Já Minardi e Forti Corse também pleiteiam os motores, mas o novo V-10, pois os atuais V-8 usados este ano não deram nenhum resultado em termos de performance. Outro time na parada pelos propulsores Ford é a Arrows, que está reformulando completamente sua escuderia para 97.





Na queda de braço que alguns países travam para integrar o calendário da F-1, eis uma complicação para o retorno do GP da Áustria: o país também proíbe a propaganda de cigarro, assim como ocorre na França, Inglaterra e Alemanha. Os patrocinadores do ramo não andam muito contentes com isso. Já a Hungria, que vive sob a constante ameaça de perder seu GP, não tem essa restrição.





A Indy Lights já definiu seu campeão da temporada 1996 em Vancouver. David Empringham faturou o título com um 5º lugar. Depois de 5 etapas vencidas por pilotos brasileiros, Claude Borbonais venceu a etapa canadense. Mas não faltou brasileiro no pódio: Tony Kanaan garantiu o 2º lugar na corrida.





A equipe Green da F-Indy perdeu o patrocínio da Brahma e o piloto Raul Boesel. Ambos devem integrar a nova equipe que está sendo montada por Gerald Davis, atualmente na Hall Racing, que está montando um novo time para o ano que vem. Além disso, a Green deve perder o patrocínio da Kool, que iria garantir o lugar de Robby Gordon na equipe em 97, antes que o americano resolvesse ir para a Nascar...
 


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

MOMENTO DECISIVO


Hélio Castro Neves defende a liderança do campeonato em Houston, e pode até conquistar o título no fim de semana.

            O campeonato da Indy Racing League chega a um momento decisivo neste final de semana, com a rodada dupla no circuito de rua de Houston, no Texas. O brasileiro Hélio Castro Neves defende a liderança da competição, com o neozelandês Scott Dixon como ameaça mais próxima ao possível título do piloto da Penske. Com 49 pontos de vantagem, Hélio pode ser dar ao luxo de correr marcando o rival da Ganassi, mas com 3 provas para fechar a competição, todo cuidado é pouco numa categoria onde o vencedor leva 50 pontos pela vitória, sem contar os pontos extras por liderar as corridas e fazer a pole-position.
            Por isso, é premente que o brasileiro consiga liquidar a fatura neste fim de semana. A etapa final do campeonato, em Fontana, é numa corrida em oval, da classe superspeedway, e é uma corrida longa, onde tudo pode acontecer. Basta lembrar do que ocorreu com Will Power no ano passado, quando tinha tudo para ser campeão, e mais uma vez ficou a ver navios. As provas de Houston se passam em um circuito de rua, que por outro lado, também podem virar uma tremenda loteria, com resultados imprevisíveis. Tomemos a última corrida do campeonato, em Baltimore, como exemplo. E surpresas inesperadas é o que menos Hélio e Dixon esperam neste momento.
            O brasileiro faz um campeonato constante como nunca. Embora tenha vencido apenas uma corrida, em Forth Worth, Texas, em todas as demais provas, terminou sempre entre os 10 primeiros, com alguns pódios importantes pelo caminho, e terminando todas as voltas das provas até o presente momento. Seu momento mais "baixo" no campeonato foi justamente em São Paulo, onde após uma corrida complicada, ficou em 13° lugar, no que foi sua pior posição de chegada no ano. E, nas últimas corridas, contou com uma tremenda sorte, pois teve provas atribuladas, se envolvendo em toques e até confusões, mas conseguiu permanecer firme na pista e terminar até relativamente bem. O problema é que em raras ocasiões esteve na luta pela vitória, ao contrário de Dixon, que desde que venceu 3 provas consecutivas a meio do ano, veio escalando a tabela da classificação de modo quase avassalador sobre Hélio. Nas últimas duas provas, tudo parecia indicar que o piloto do Chip Ganassi, detentor de dois títulos na categoria, iria superar o brasileiro na classificação e rumar para o terceiro título.
            Só que ninguém esperava que Dixon fosse ter alguns azares quase inacreditáveis. Em Sonoma, um toque em um mecânico no box da frente lhe custou uma penalização que arruinou suas expectativas de reduzir a desvantagem para Helinho. E, quando ninguém poderia imaginar o pior, eis que em Baltimore, na prova mais conturbada dos últimos tempos, com esbarrões, rodadas, e batidas entre vários pilotos, Scott acabou levando uma bela pancada por trás, e abandonou a corrida, ficando a ver navios em mais uma etapa, e perdendo nova chance de aplicar um golpe mortal nas pretensões de título do piloto brasileiro. A situação das últimas duas corridas fica ainda mais incendiária se levarmos em conta que em ambas as ocasiões, as encrencas que Dixon sofreu foram exatamente com o mesmo piloto: Will Power, que ainda por cima é companheiro de Hélio Castro Neves na equipe Penske.
            Antes que possam afirmar que o time de Roger Penske premeditou os incidentes para favorecer seu piloto brasileiro na luta pelo campeonato, esse tipo de atitude nunca seria usado pela escuderia. Se na Fórmula 1 o jogo de equipe por vezes já virou algo descarado, na IRL tal tipo de atitude é raro, e embora possa ocorrer, jogadas desleais deste tipo são totalmente descabidas. Vencedor como poucos no automobilismo americano, Roger Penske nunca tomaria tal tipo de atitude, e olha que nos últimos 3 anos, em que Power foi vice-campeão, teria sido muito fácil ele ordenar um jogo de equipe para fazer seu piloto campeão. Mas nada disso aconteceu. Foi coincidência que Dixon tenha tido Power como pivô de seu azar nas últimas corridas, e nada mais. Mas que isso foi suficiente para incendiar os ânimos e alimentar algumas teorias da conspiração, não há dúvidas de que foi. E o pior de tudo é que Dixon acusou o golpe, perdendo sua calma nos dias após a prova de Baltimore, disparando para todos os lados, em um momento onde manter a cabeça fria era o melhor a se fazer.
            Os carros entram na pista hoje, e podem apostar que o neozelandês precisa virar o jogo o quanto antes. Se ainda estiver com os ânimos exaltados pelos acontecimentos de Sonoma e Baltimore, pode se complicar e jogar tudo a perder. Mas como já faz praticamente um mês desde a última corrida, a aposta mais provável é que o piloto da Ganassi já esteja com a cabeça fria, e totalmente voltado para a corrida. O retrospecto da Ganassi nos últimos circuitos de rua dão vantagem ao time de Dixon tanto em classificação como em ritmo de corrida, e não há dúvidas de que no atual momento, só a vitória interessa, para não apenas diminuir o quanto antes a vantagem na pontuação de Hélio quanto aplicar um golpe certeiro na Penske.
            O brasileiro, por sua vez, precisa também manter a cabeça fria, e concentrar-se em terminar da melhor maneira possível. Pistas de rua são sempre propensas a apresentar acidentes, e sofrer um a esta altura do campeonato seria catastrófico para as pretensões de título. Helinho precisa tentar não apenas se manter longe das confusões, mas também torcer pela sorte de não estar por perto quando surgir um acidente de percurso. E precisa também melhorar sua performance: nas duas últimas corridas o brasileiro correu por pontos, enquanto Dixon lutava pela vitória. Terminar na frente do neozelandês é o objetivo principal, mas se puder andar melhor do que o rival, ótimo. Se não for possível, é preciso minimizar o prejuízo, e o perigo é dobrado: serão duas corridas, uma amanhã, e a outra no domingo. Se houver um acidente na prova de amanhã, o prejuízo pode comprometer a corrida de domingo.
            O circuito, aliás, joga contra os times: Houston está estreando no calendário da IRL, e logo em uma rodada dupla. O traçado do circuito tem alguns trechos que podem favorecer ultrapassagens, mas é preciso esperar os carros entrarem de fato na pista para ver se a teoria corresponde na realidade. A Fórmula Indy já correu em Houston nas temporadas de 1998 a 2001, mas o traçado não é igual ao atual. Dois times que participaram daquelas corridas da finada F-Indy, coincidentemente, Penske e Ganassi, são as equipes que lutam pelo título atualmente na IRL.
            Se Helinho tem como preocupação maior Scott Dixon, este, por sua vez, não pode se preocupar apenas em caçar o brasileiro, mas também em defender sua posição no campeonato. Atrás do piloto da Ganassi vem nada menos do que 3 pilotos, em campanhas bem regulares, e se o título lhes parece mais distante, isso não vai impedi-los de se intrometerem na briga e roubar a cena, e até algo mais, se as circunstâncias permitirem. O francês Simon Pagenaud, da equipe de Sam Schmidt, vem fazendo uma boa campanha no ano, e com 2 vitórias, já se acha no direito de sonhar pelo menos com o vice-campeonato. E embolado junto com ele vem dois pilotos da Andretti Autosport, Ryan Hunter-Reay, o atual campeão, e Marco Andretti, ambos ávidos para subir posições na classificação. E eles estão bem mais próximos de Dixon na pontuação do que este de Hélio, o que pode significar dor de cabeça maior nas pretensões de luta pelo título por parte do neozelandês. Se Pagenaud, Hunter-Reay e Andretti se embolarem com Dixon, Helinho pode se beneficiar e aumentar sua vantagem, e quem sabe definir matematicamente a conquista do título já na prova de domingo.
            Mas o brasileiro não pode dar moleza, pois essa turma toda pode vir para cima ao mesmo tempo e complicar a situação do piloto da Penske. Hélio, por sua vez, garante que vai manter o mesmo foco de trabalho das últimas corridas, mantendo sempre a calma e visando o título, procurando garantir o melhor resultado de pista ao alcance dependendo das oportunidades que surgirem, procurando se focar em uma coisa de cada vez. Arriscar demais em busca da vitória pode levar a atitudes precipitadas, como a do próprio Hélio em Baltimore, onde fazendo uma largada agressiva acabou danificando o bico do carro logo no início da prova, obrigando-o a uma parada que o jogou para o fundo do pelotão, o que poderia ter comprometido qualquer possibilidade de um bom resultado, o que acabou não acontecendo, devido à corrida ter sido muito mais complicada e acidentada do que todos previam. Na opinião de Rick Mears, tricampeão da antiga Fórmula Indy, e atual consultor da Penske, Hélio está mantendo a atitude correta, e apóia a postura do brasileiro, que até o presente momento vem garantindo sua liderança na competição. E Helinho merece conquistar finalmente um título: está na Penske desde 2000, e de lá para cá já foi 2 vezes vice-campeão. E para 2014, já teve seu contrato renovado com Roger Penske, para defender o time mais poderoso da categoria pelo 15° ano consecutivo, que continua tendo fé no piloto brasileiro, que nunca passou um ano sem vencer corridas, mesmo em seus piores momentos na categoria. Aliás, ao fim da temporada de 2014, Hélio igualará Rick Mears como o piloto que mais defendeu a Penske em toda a sua história nas categorias Indy: Mears correu por 15 temporadas para Roger Penske, de 1978 a 1992, na Fórmula Indy. Contando a F-Indy e IRL, Hélio poderá superar Mears se permanecer na escuderia em 2015. Não é pouco, conhecendo-se o nível de exigência de Roger Penske em relação a seus pilotos, e olha que ele já teve nomes como Mario Andretti, Al Unser, Émerson Fittipaldi, Gil de Ferran, Al Unser Jr. e Sam Hornish Jr. como seus maiores pilotos, além claro, de Rick Mears, que na sua época era conhecido como o "Rei dos Ovais", pelas suas grandes performances neste tipo de pista.
            Para o fã brasileiro de corridas, além de manter a torcida para Hélio ser campeão, é aproveitar para assistir e curtir as provas, que podem ser as últimas que serão transmitidas pela TV brasileira, uma vez que a situação da categoria continua totalmente indefinida para o próximo ano, com a Bandeirantes desistindo de transmitir o campeonato, e não se sabe se algum outro canal, aberto ou pago, terá interesse em transmitir as provas da IRL em 2014, mesmo com o brasileiro sendo campeão.
            Que venha a bandeira verde...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FLYING LAPS - SETEMBRO DE 2013



            Já chegamos ao mês de outubro, e como é praxe no início de cada mês, lá vamos nós com mais uma sessão Flying Laps, com notas rápidas sobre alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridos em setembro, com alguns comentários sobre eles. Uma boa leitura a todos, e até a edição da Flying Laps do mês que vem...


Jorge Lorenzo tem praticamente feito das  tripas coração para tentar deter a escalada de Marc Márquez, o novato-sensação da MotoGP, rumo ao título do campeonato deste ano. O atual bicampeão do mundo pilotou como nunca sua Yamaha, e conseguiu vencer de forma determinada as etapas da Inglaterra e de San Marino. Nestas duas provas, o piloto da Yamaha conseguiu sobrepujar a dupla da Honda, que completou o pódio nas duas oportunidades, com Márquez ficando em 2° lugar em ambas as provas, sempre na frente de Dani Pedrosa, seu companheiro de equipe. Mas em Aragão, Lorenzo acabou sendo superado por Márquez, que averbou sua 6ª vitória na atual temporada. Com o resultado, o jovem Marc abriu nada menos do que 39 pontos sobre Lorenzo, com 4 corridas ainda para fechar o campeonato, uma vantagem difícil de ser descontada normalmente. Pior ainda para Dani Pedrosa, companheiro de Márquez na equipe Honda, que com seu acidente em Aragão, ficou 59 pontos atrás do jovem parceiro, e pode ter dito adeus às esperanças de ainda disputar o título.


O brasileiro Augusto Farfus Jr. venceu a penúltima etapa do campeonato alemão de Turismo, o DTM, disputada em Zandvort. Foi a 3ª vitória de Farfus, que defende a equipe oficial da BMW na competição. Mas quem comemorou mesmo foi Mike Rockenfeller, da equipe da Audi, que conquistou o título de 2013. A etapa final será disputada dia 20 de outubro, em Hockenhein, e Farfus, já com o vice-campeonato também garantido, vai tentar pelo menos ser o piloto com maior número de vitórias no ano, com o forma de manter a moral. Com 3 triunfos em 2013, ele é o piloto que já venceu mais provas, enquanto Rockenfeller, o campeão, teve apenas 2 vitórias, assim como Robert Wickens, que também venceu 2 vezes. Além deles, apenas outros dois pilotos, Gary Paffett, e Bruno Spengler, conseguiram vencer no ano, com 1 vitória cada um.


Simon Pagenaud, da equipe Sam Schmidt, conquistou na etapa de Baltimore sua 2ª vitória na Indy Racing League. Com o triunfo, o francês assumiu a 3ª posição no campeonato, com 431 pontos, atrás apenas de Scott Dixon, e de Hélio Castro Neves. O piloto brasileiro da Penske, aliás, foi o grande vitorioso da etapa de Baltimore. Com uma atuação apenas mediana, o brasileiro teve inúmeros azares a comprometerem sua atuação, e até mesmo sua liderança no campeonato, em uma prova que foi marcada por vários incidentes e rodadas, mas nem de perto teve o infortúnio de seu rival Scott Dixon, que numa das relargadas, acabou atingido por trás e acertou o muro danificando seu carro e praticamente abandonando a corrida. E quem foi que acabou atingindo Dixon? Will Power, companheiro de Hélio na Penske. Foi o segundo incidente entre os dois pilotos, em duas corridas consecutivas, agora com consequências mais nefastas para o neozelandês, que saiu praguejando contra o australiano, que tentou se desculpar pela manobra equivocada que provocou a colisão de ambos. O resultado, fez Helinho ampliar ainda mais sua vantagem, chegando a 49 pontos. Com 3 corridas para fechar o campeonato, tudo ainda pode acontecer, mas Dixon vai precisar se benzer para não ter mais azares. E Helinho também precisa tomar cuidado: o brasileiro parece estar com o santo forte este ano, mas nos anos anteriores, Will Power também parecia estar garantido para a conquista do título, e todos sabem o que aconteceu nos momentos finais...


O ano de 2014 marcará a estréia do colombiano Juan Pablo Montoya no campeonato da Indy Racing League. Sem ter seu contrato com a Ganassi renovado para a próxima temporada na Sprint Cup, o piloto chegou a ser contatado por Michael Andretti, visando contratar o colombiano para sua escuderia na próxima temporada, e iniciou conversas com patrocinadores dispostos a bancar a empreitada. As tratativas, contudo, não evoluíram, e o próprio Montoya dava a entender que preferia continuar na Nascar no próximo ano. Mas eis que surgiu a notícia de um acordo de Juan Pablo com ninguém menos do que Roger Penske, dono da mais poderosa escuderia da IRL, que assim terá novamente 3 carros no campeonato do ano que vem. Montoya terá como colegas de time os atuais titulares da Penske, o australiano Will Power, e o brasileiro Hélio Castro Neves. Agora, o principal desafio do colombiano é fazer uma dieta brava, já que ele andou engordando um pouco em seus anos na Nascar. Dizem que ele precisará perder algo em torno de uns 10 Kilos, ou não vai conseguir caber dentro do carro. Brincadeiras à parte, para sorte de Montoya, ele terá praticamente 6 meses para entrar em forma a fim de voltar a competir em monopostos. O colombiano foi campeão da Fórmula Indy em 1999, ano em que também competiu pela primeira e única vez nas 500 Milhas de Indianápolis, quando venceu a corrida, na sua única participação no campeonato da IRL até hoje. No ano que vem, ele fará sua estréia como piloto em tempo integral do campeonato. Resta saber se vai dar show como costumava fazer na Fórmula Indy e tentou fazer na F-1...


O Campeonato Mundial de Endurance continua sendo um passeio da equipe Audi em cima da concorrência na série LMP1. O modelo R18 E-tron quattro averbou sua 5ª vitória consecutiva este ano, fazendo os rivais da Toyota sentirem novamente o gosto amargo da derrota. O palco do 5° triunfo consecutivo foi nas 6 Horas do Circuito das Américas, em Austin, no Texas, no mesmo circuito que em novembro receberá a F-1, e já foi lugar este ano de um das etapas da MotoGP. O circuito texano só não viu uma dobradinha da Audi porque o carro do trio André Lotterer/Marcel Fässler/Benoît Tréluyer teve um incidente durante a corrida, e precisou de reparos nos boxes. Coube ao outro carro da Audi garantir que a Toyota continuasse sem vencer em 2013, e o carro N° 2, pilotado pelo trio Tom Kristensen/Allan McNish/Loïc Duval chegou com quase 25s de vantagem para o Toyota TS-030 pilotado pelo trio Anthony Davidson/Sébastien Buemi/Stéphane Sarrazin. A próxima etapa será no dia 20 de outubro, nas 6 Horas de Fuji, no Japão.


Bruno Senna conquistou em Austin sua segunda vitória na Endurance. Ao volante do modelo Aston Martin Vantage V8, o piloto brasileiro foi o vencedor na categoria GTEPro, e foi 12° colocado na classificação geral da prova, com 20 voltas de desvantagem para o carro vencedor da Audi na categoria LMP1. Bruno já havia vencido na etapa inaugural do campeonato, e seu segundo triunfo é uma injeção de ânimo para tentar voltar à luta pelo título em sua categoria. O brasileiro tem 71 pontos, contra 99 dos líderes Giancarlo Fisichella e Gianmaria Brunni. Restam 3 provas para fechar o campeonato.


A segunda edição das 6 Horas de São Paulo teve um público melhor do que o da edição de estréia, em 2012. Ao contrário da corrida do ano passado, que viu a vitória da Toyota, este ano a Audi não deu chances para a rival japonesa, que ainda por cima abandonou a prova logo no início, devido a um acidente. Mas a prova ainda precisa evoluir para assegurar sua posição no campeonato, tanto que, das etapas anunciadas para o Mundial de Endurance em 2014, a etapa brasileira é a única que ainda precisa ser "confirmada", o que significa que a etapa de Interlagos ainda não está garantida no próximo ano. Émerson Fittipaldi tem feito um esforço digno de nota para promover a corrida e fornecer opções de entretenimento, mas parece que ainda falta algo para conseguir popularizar os carros que fazem a festa em Le Mans entre os torcedores nacionais. Estimativas de público ficaram em cerca de 38 mil pessoas no fim de semana. Muito melhor do que os 25 mil anunciados no ano passado. Resta saber se não ficaram novas dívidas a serem quitadas da edição deste ano, a exemplo do que aconteceu em 2012, com gente que prestou serviço e ainda não viu a cor do pagamento até agora...
 



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A F-1 EM 2013 JÁ ERA...


A placa parece dizer tudo: "Cingapura é sua".  Foi a 3ª vitória consecutiva de Sebastian Vettel no circuito de Marina Bay...

            Findo o Grande Prêmio de Cingapura, que foi uma das provas mais monótonas da temporada até aqui, a sensação que fica é que não dá para esperar muito mais deste campeonato. O domínio imposto por Sebastian Vettel foi tão retumbante que até a concorrência já jogou a toalha na disputa pelo campeonato. O atual tricampeão abriu 60 pontos de vantagem para o vice-líder, Fernando Alonso, e mesmo que resolvesse não disputar as próximas 2 corridas, e o espanhol vencesse ambas, ainda estaria na liderança da competição, e com 10 pontos de vantagem, e nem isso seria suficiente para animar a disputa.
            Esperava-se que o circuito de Cingapura, por ser de rua, com os muros muito próximos, e sempre onde pode surgir a intervenção do Safety Car, pudesse dar um alento, ainda que tímido, de esperança de mais competição no campeonato, mas o resultado foi exatamente o oposto. O único momento de real perigo para o piloto da Red Bull foi na largada, onde por pouco Nico Rosberg não assumiu a ponta. Na frente, Vettel, no melhor estilo consagrado por Ayrton Senna, pisou fundo para conseguir vantagem logo de cara e fugir de todos. E lá foi ficando, enquanto seus perseguidores tentavam diferentes estratégias visando subir na corrida, mas sem nenhuma hipótese de ameaçar o piloto da Red Bull, que mostrou que, se preciso fosse, poderia aumentar ainda mais seu ritmo e fazer os demais comerem mais poeira do que já estavam comendo.
            Nem mesmo a tão aguardada intervenção do Safety Car, causada por - vejam só, Daniel Ricciardo, futuro piloto da Red Bull na próxima temporada, que errou na curva que passa debaixo de uma das arquibancadas, conseguiu mudar o panorama de vitória da prova. Já de sobreaviso para não ser surpreendido como na largada do início da corrida, Sebastian não deu mole e desapareceu na frente com uma facilidade assustadora, chegando a andar quase 3s mais rápido que os demais. Não havia mais nada que os demais pudessem fazer. A disputa seria apenas para ver quem seria o melhor do "resto". Deu Fernando Alonso, pela 3ª corrida consecutiva, apostando numa tática arriscada de parar uma vez a menos para alcançar o pódio, numa prova onde a Ferrari não tinha o melhor dos ritmos. Mais um feito para o piloto espanhol, que conseguiu dosar o desgaste de seus pneus na medida certa para não ser ameaçado por quem vinha atrás, que apesar de terem pneus mais novos, teriam de ser muito mais velozes na pista para descontar o tempo do pit stop.
            Quem também mereceu aplausos foi Kimmi Raikkonem, que largando de meio do grid, e com dores nas costas, superou todas as adversidades para chegar a um espetacular 3° lugar. E se não tivesse perdido tanto tempo atrás de Jenson Button, que tentou a mesma tática de Alonso de não parar novamente para trocar os pneus, talvez até pudesse ter discutido o 2° lugar com o espanhol. Um sinal de que a Ferrari terá definitivamente a dupla de pilotos mais forte de todo o grid em 2014, só precisando mesmo é dar um carro decente para eles mostrarem do que são capazes.
            Não que seus carros atuais sejam ruins, mas perto do que rende o modelo RB09 da Red Bull nas mãos de Vettel, eles precisarão de carros muito melhores para fazer frente à escuderia dos energéticos, se eles continuarem dispondo do melhor carro da categoria. Porque de sua parte, Vettel está se garantindo na pista. Do contrário, como explicar que Mark Webber, com o mesmo carro, não está assustando ninguém? E quem precisa ter carros mais decentes também é a Mercedes, que possui uma dupla competente, mas que está na mesma posição de Lotus e Ferrari: se seus pilotos não tiverem máquinas mais fortes, eles pouco poderão fazer além de comboiarem Vettel na luta pelas vitórias.
            As táticas diferentes de pneus deram uma pequena agitada na prova noturna na parte final da competição, quando nada menos do que 6 pilotos entraram em luta direta pelas posições pontuáveis restantes. Foi pouco para compensar a monotonia da corrida até então. Vettel dominou de tal forma que durante parte da corrida até foi "esquecido" pela emissora de TV, que preferiu se concentrar onde tinha alguma ação em curso. No final, Vettel chegou com mais de 30s de vantagem. Se resolvesse parar de novo para trocar pneus, ainda voltaria na frente e poderia aumentar sem maiores problemas sua vantagem, pois teria, além do bom carro, pneus novinhos em folha, enquanto seus adversários lutavam entre si e com os pneus, sem conseguirem sobrepujar o binômio Sebastian-RB08.
            Outro ponto negativo da prova de Cingapura foram as vaias que Vettel levou na cerimônia do pódio, totalmente injustas. Certo, ele pode estar guiando o melhor carro da categoria, superior a todos os demais, mas e daí? Ele está fazendo o dever dele, que é extrair todo o potencial da máquina e vencer corridas, algo que Webber não conseguiu fazer ainda este ano, exceto em uma ocasião onde o time ficou com cara de tacho ao mandar o australiano reduzir o ritmo enquanto Vettel ignorou a ordem e venceu a única corrida onde o australiano merecia ter ganho pelo que fez durante a maior parte da prova. Se Sebastian não conseguisse vencer com esta bela máquina que tem em mãos, aí sim as vaias seriam justificáveis. Mas está fazendo seu serviço com tanta competência que praticamente está arrasando a competição, e isso ele não tem a menor culpa, muito pelo contrário. Vai ser tetracampeão com todos os méritos.
            Mas as maiores vaias quem deve levar é a própria F-1, que ao longo dos anos mais do que aceitou e incentivou os times a terem apenas um "galo" em seus dois poleiros, de forma que se fosse possível que Vettel tivesse um companheiro mais à altura, talvez não estivesse dominando com a facilidade que se apresenta. Raramente, contudo, os próprios campeões aceitam dividir espaço e provar a fundo o seu talento, de forma incontestável. A última vez que vimos um duelo pelo título de grandes nomes da velocidade sem ter um clima de guerra declarada dentro do próprio time foi em 1988, na McLaren, quando tiveram como pilotos Ayrton Senna e Alain Prost. De lá para cá, o mais perto disso foi a disputa de Damon Hill e Jacques Villeneuve dentro da Williams em 1996, mas nenhum dos dois poderia ser considerado do naipe dos gigantes da velocidade. Mas isso é outra história. Se Vettel está fazendo sua lição de casa, ele é o menor culpado nesta história toda, o que não se pode falar de Helmut Marko, homem de confiança do dono da escuderia, que prefere que seu protegido não tenha concorrência efetiva dentro do time, a fim de "resguardá-lo" de estresses "desneessários". Pelo que vem mostrando, Sebastian já dá mostras de que pode encarar qualquer um, e até com o mesmo carro, não precisando ser "protegido" de nada, mas isso também é outro assunto.
            O que se conclui nesse momento é que infelizmente não há mais nada o que esperar do campeonato de 2013, a não ser ver quem leva o vice-campeonato. Mas até isso parece meio óbvio: se continuar pilotando como vem fazendo nas últimas corridas, o vice-campeonato é de Alonso e de mais ninguém, embora não seja a posição mais desejada pelo espanhol neste momento. O problema é que ele pouco pode fazer para superar o desnível técnico entre sua Ferrari e a Red Bull, quando esta conta com alguém quase tão talentoso quanto ele, se não já no mesmo nível. E o resto da concorrência, se alternando em altos e baixos, só ajuda mesmo na disputa para ver quem leva o 3° lugar no campeonato, numa briga que deve ficar entre Raikkonem e os pilotos da Mercedes. O resto é apenas o resto, infelizmente, incluído aí Felipe Massa, que passando a correr "livre" em suas últimas provas na Ferrari, não teve um bom começo, levando mais um baile de seu companheiro de equipe espanhol na escuderia italiana.
            Com praticamente todos os times agora concentrados no desenvolvimento de seus projetos para 2014, certos de que nada mais há para conquistar de relevante este ano, o panorama das provas restantes do campeonato de 2013 não permite muitas esperanças. Certo, nada ainda está decidido matematicamente, mas depois do que vimos nas últimas 3 corridas, não dá mesmo para esperar grandes mudanças até a prova final aqui no Brasil. Mesmo que não apresente mais nenhuma evolução, a Red Bull e Vettel continuarão sobrando em relação a todo o resto do pelotão. A menos que chova em todas as corridas restantes, e as provas virem loterias completamente inesperadas, a F-1 em 2013 já era mesmo...
            Que venha 2014 o quanto antes...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - SETEMBRO DE 2013



            E o mês de setembro já vai indo embora. E sempre nesta época perto do final de cada mês, vem uma edição da COTAÇÃO AUTOBILÍSTICA, fazendo um pequeno balanço de alguns dos acontecimentos deste mês no mundo do esporte a motor, com apresentação no esquema de texto de sempre: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura para todos, e espero estar de volta no mês que vem, com mais uma edição da Cotação. E até a próxima postagem...



EM ALTA:

Sebastian Vettel: Ignorando os adversários, o intrépido alemão da Red Bull venceu as provas da Itália e de Cingapura, enterrando cada vez mais as esperanças dos concorrentes de ainda conseguirem disputar o título, e já deixou Alonso para trás no número de vitórias na história da categoria, ficando agora atrás apenas de Michael Schumacher, Alain Prost, e Ayrton Senna. No ritmo em que vai, o brasileiro será superado no ano que vem, o francês em 2015, e Schumacher...bem, vai demorar, mas seu recorde de vitórias já não parece tão inalcansável quanto afirmavam...

Fernando Alonso: O piloto asturiano tem feito tudo o que pode para manter-se na luta pelo título, mas para muitos, está apenas adiando o inevitável. Mesmo assim, Alonso foi 2° colocado nas últimas corridas, mesmo quando o carro da Ferrari não parecia ter condições de lhe permitir tal resultado. Mas, por mais que faça o possível e o impossível, ele só tem visto seu principal adversário ir aumentando cada vez mais sua vantagem, ficando praticamente com uma das mãos na taça. Pelo menos na pista o espanhol está mostrando porque vale a pena tê-lo como piloto. Fora da pista, o lance ainda são outros quinhentos, como mostra sua relação recente com o time, ainda estremecida nos bastidores...

Jorge Lorenzo: O piloto espanhol da Yamaha não se dá por vencido, e mesmo com a deslanchada de Marc Márquez rumo ao título da MotoGP, vai vender caro a disputa. O atual bicampeão deu um verdadeiro show nas etapas de Silverstone e Misano, conquistando duas vitórias cruciais, e voltando a mirar um título que já parecia destinado a ficar apenas com os pilotos da Honda. Lorenzo empatou com Dani Pedrosa na classificação, e apesar de estar 34 pontos atrás do garoto prodígio Márquez, tem esperanças de virar o jogo nas 5 etapas que faltam para fechar o campeonato. Vai ser uma tarefa bem difícil, mas Jorge vem decidido a dar tudo por tudo. Se vai conseguir, é outra história, mas o show da competição está garantido...

Kimmi Raikkonen: O piloto finlandês, depois de ser dispensado pela Ferrari em 2009 por estar "desinteressado" pela F-1, vai retornar a Maranello em grande estilo em 2014, onde fará com Alonso a dupla mais forte de todo o grid. Faltará a Ferrari dar um carro verdadeiramente competitivo para fazer da equipe vermelha a escuderia a ser batida. E já se prevê que o clima interno no time será sujeito a várias tempestades, a se levar em conta o temperamento do espanhol, que não aceita levar desaforo para cara, ainda mais ser superado por um companheiro de equipe. Raikkonen. com seu jeitão "tô nem aí" para as adversidades, vai precisar manter a cabeça fria mais do que nunca para encarar o furação asturiano, que até agora tem conseguido destroçar todos os seus companheiros de equipe, à exceção de Lewis Hamilton na McLaren em 2007...

Juan Pablo Montoya: O piloto colombiano, de aviso prévio da equipe Ganassi na Nascar, passou a ser cortejado pela Andretti Autosports, visando contratar o campeão da F-Indy de 1999 para competir na Indy Racing League na próxima temporada. Mas, quando se parecia que ele ainda permaneceria na Stock Car americana, foi Roger Penske quem se adiantou e garantiu a contratação de Montoya para seu time em 2014, quando voltará a competir com 3 carros em tempo integral, contando também com Hélio Castro Neves e Will Power. Resta agora a Juan Pablo entrar em um regime de guerra para conseguir entrar de novo em um monoposto de competição, o qual não pilota desde que saiu da F-1 em 2006. Felizmente, ele terá pelo menos 6 meses para isso. O interesse e a contratação de Montoya por duas escuderias de ponta da IRL mostra que o colombiano ainda tem muita fama pelas performances exibidas na antiga F-Indy. Resta saber se ele ainda será capaz de voltar a exibir as mesmas performances, depois de tanto tempo afastado de uma categoria Indy...



NA MESMA:

Mundial de Rali: Sebastian Ogier por pouco não comemorou antecipadamente o título ao vencer a etapa da Austrália. Thierry Neuville, com o 2° lugar, ainda tem chances matemáticas, mas ninguém mais espera nenhum milagre, e Ogier deve comemorar enfim o título na próxima etapa, justamente na França, seu país. Depois, ainda terá mais 2 etapas, onde a briga pelo vice deve ser um pouco mais interessante, entre Neuville, Jari-Matti Latvala, e Mikko Hirvonen.

Mundial de Endurance: Mais uma etapa do campeonato de endurance, e mais uma vitória da Audi. Assim, foram 5 provas em 2013, com 5 vitórias da fábrica das quatro argolas vendo seus modelos R18 largando poeira em cima da concorrência, para desespero dos japoneses da Toyota, que chegaram mostrando disposição no ano passado e acenderam a luz amarela na Audi, que tratou de colocar as coisas em seu devido lugar. Os japoneses tentam endurecer o jogo, e estão até chegando perto dos alemães, mas a folga da Audi ainda parece forte o suficiente para neutralizar a ameaça nipônica. Melhor esperar por melhores dias em 2014, quando terá ainda mais competição, com a volta da Porshe. E a Audi já avisa que está preparada...

Disputa na Indy Racing League: A 3 provas do fim do campeonato, a briga parece polarizada entre o brasileiro Hélio Castro Neves e o neozelandês Scott Dixon. Mas, enquanto o brasileiro parece não ter fôlego para disputar as primeiras posições nas corridas, ele tem tido a sorte de terminar todas as provas em posições até razoáveis. Por outro lado, Dixon, apesar de estar sempre cotado para vencer nas últimas provas, tem enfrentado uma série de percalços que arruinaram as possibilidades de obter melhores resultados, o que o fez ficar um pouco para trás em relação a Helinho, que tem 49 pontos de vantagem para o rival da Ganassi. Mas isso não garante que o brasileiro esteja com a situação tranquila. Basta lembrar o que viveu seu companheiro de equipe Will Power nos últimos anos, quando sempre parecia estar com título quase assegurado, e o viu escapar em todas as ocasiões. Hélio vai conseguir escapar desta sina? A conferir neste fim de campeonato em outubro...

Transmissão da F-1 na Globo: Quem temia que sem um brasileiro poderíamos ficar sem F-1 na Tv aberta nacional, pode respirar aliviado, por pelo menos mais um ano: a Globo anunciou em pleno Jornal Nacional que já renovou seu contrato de patrocínio com todas as cotas vendidas para a transmissão da categoria máxima do automobilismo na próxima temporada. Para quem gosta de corridas, é uma boa notícia. Resta agora a Globo melhorar o conteúdo de sua transmissão, e quem sabe, aproveitar para fidelizar o fã que gosta por gostar do automobilismo, e não ficar dependente de termos ou não um piloto na categoria...

Equipe Red Bull: Desde que a F-1 voltou das férias do verão europeu, a Red Bull venceu todas as corridas, e pelo andar do equilibrado modelo RB09 nas mãos de Sebastian Vettel, que caminha a passos largos para o título, se melhorar, estraga, como diz o ditado. Com os adversários se debatendo, e já focando nos carros do ano que vem, não há porque melhorar os carros deste ano, que já não têm rivais, desde que nas mãos do piloto certo...



EM BAIXA:

Felipe Massa: Enfim, acabou-se a permanência do brasileiro em Maranello, onde já tinha convivência há praticamente uma década, se contarmos que desde que chegou à F-1 já era piloto da escuderia italiana. Livre para buscar novos caminhos, Massa terá de batalhar por uma vaga, já que seu nome não é tão valorizado como já foi há alguns anos, e arrumar patrocinadores deverá ser vital para garantir um lugar na F-1 em 2014. Infelizmente, em sua primeira corrida "livre" para fazer sua prova, em Cingapura, Felipe acabou errando na estratégia, e levou um baile de Fernando Alonso, o que não ajuda muito em sua autopromoção. Apesar de ter alguns times em vista, se aparecer um nome de talento com uma boa mala de dinheiro junto em patrocínio, o brasileiro fica em clara desvantagem. Mas nem tudo está perdido, e a julgar pela calmaria de Massa, algum trunfo ele tem na manga do macacão. Resta saber se vai garantir mais um ano na categoria...

Valentino Rossi: O "Doutor", um dos maiores nomes do motociclismo mundial, virou praticamente um coadjuvante de luxo no atual campeonato da MotoGP. Há 4 provas que o italiano vem terminando sempre abaixo do pódio, ocupado sempre pela trinca de destaque da competição, Márquez, Pedrosa, e Lorenzo. E ainda está com sua posição no campeonato ameaçada pela turma que vem logo a seguir, como Carl Cruthlow, que vem fazendo um campeonato razoável para o equipamento que tem. Enquanto seu companheiro de equipe tenta manter-se firme na luta pelo título, esperava-se mais de Valentino no seu retorno à Yamaha, depois de penar dois anos com as motos pouco competitivas da Ducati. Pelo jeito, o italiano vai demorar a conseguir encantar novamente seus torcedores como antigamente...

Campeonato 2013 da Fórmula 1: Diferente do ano passado, quando conhecemos o campeão apenas na última corrida, o campeonato deste ano da categoria máxima do automobilismo já tem praticamente seu campeão definido, bastando apenas ver em qual etapa o caneco estará definitivamente assegurado por Sebastian Vettel. Restará a luta pelo vice-campeonato, que tem maiores chances de se prolongar, mas pelo que se viu nas últimas etapas, o vice deve ficar com Fernando Alonso, mais uma vez. Resta a briga pelo 3° lugar, entre Kimmi Raikkonen, Lewis Hamilton, e quem sabe, Mark Webber e Nico Rosberg, mas esta luta já não está empolgando ninguém, e muitos querem que 2013 acabe logo e que chegue 2014...

Seis Horas de São Paulo: A etapa brasileira do campeonato de Endurance teve uma melhor organização este ano, e contou também com um público melhor em relação à edição de 2012, mas mesmo assim, a etapa ainda está capengando no calendário do Mundial de Endurance, que de todas as etapas listas para o campeonato de 2014, tem na prova brasileira a única com sua realização não garantida plenamente. Por mais que Émerson Fittipaldi se esforce para promover e reforçar o leque de atrações da prova em Interlagos, pegou mal o calote que várias empresas levaram na corrida do ano passado, com dívidas que ainda não foram quitadas, o que não ajuda nem um pouco quando se tenta promover uma corrida de um campeonato mundial. Émerson vai ter de suar mais ainda para garantir que a corrida aconteça no próximo ano, e ainda torcer para o público colaborar mais, num país onde muitos só conhecem mesmo é a F-1...

Automobilismo brasileiro: Com o ambiente ruim pela possibilidade real de não termos mais um piloto na F-1 em 2014, consequência da péssima gestão da CBA no automobilismo nacional, que virou uma pálida sombra do que já foi um dia, ainda temos as novelas malfadadas do "futuro" cada vez mais longe autódromo carioca em Deodoro, e agora, mais um rolo é trazido à tona pela equipe do site Grande Prêmio, mostrando um festival de irregularidades envolvendo o autódromo de Brasília, que mostra que, assim como outros endereços considerados "nobres" da capital federal, está mais sujo que pau de galinheiro. Descaso, politicagens, dirigentes picaretas e toda uma sorte de más condutas, não é surpresa nenhuma o atual panorama do automobilismo em nosso país, um triste retrato de um país que está carcomido em vários de seus órgãos por gente nefasta que precisa ser urgentemente varrida do mapa, antes que eles varram nosso país para a sarjeta do mundo...