sexta-feira, 21 de agosto de 2015

DUCHA DE ÁGUA FRIA



Acabou o suspense sobre Kimi Raikkonen: o finlandês fica na Ferrari em 2016. A "expressão" do Homem de Gelo diz tudo...

            A F-1 está de volta, e no belo palco de Spa-Francorchamps, onde hoje começam os treinos oficiais para o Grande Prêmio da Bélgica, que acontece neste domingo. E, como não poderia deixar de ser, o grande mote do retorno das atividades é a notícia da confirmação do finlandês Kimi Raikkonen na Ferrari para a temporada de 2016, que praticamente jogou uma tremenda ducha de água fria nas expectativas de muita gente, especialmente alguns pilotos que eram tidos como opções do time italiano para o próximo ano.
            E ninguém está mais decepcionado do que Valtteri Bottas, conforme o próprio demonstrou ontem no paddock, nas entrevistas, onde tentava esconder a frustração, mas exibindo uma cara de poucos amigos, denunciando seu estado de espírito. Depois da excelente temporada feita em 2014, Bottas se transformou num dos nomes mais veiculados nos bastidores como potencial campeão da F-1, tão logo tenha um carro decente para competir. E não foi surpresa que seu nome era o mais visado para ser companheiro de Sebastian Vettel no time italiano no próximo ano, em vista dos maus resultados apresentados por Raikkonen nesta temporada.
            O próprio Bottas ultimamente veio dando alguns sinais de que tentaria sair da Williams para o próximo ano, dando algumas indiretas de que não seria no time inglês que ele venceria, numa alegação de que a escuderia não tem capacidade para vencer na categoria. De fato, a Williams não vence há um bom tempo, mas diante da supremacia da Mercedes, isso não é exatamente demérito. Por outro lado, se recordarmos algumas temporadas sofríveis vividas pela escuderia recentemente, seu estado atual é de um grande renascimento, que mais dia, menos dia, a colocará de volta no topo. Só precisa continuar melhorando. Mas haviam alguns obstáculos no caminho do finlandês. O primeiro deles é o fato de ainda ter contrato com a Williams para 2016. Nada que não pudesse ser resolvido com um acordo financeiro, afinal, tanto Williams quanto Ferrari já fizeram isso antes. Jean Alesi, sensação da F-1 em 1990, tinha assinado com o time inglês para 1991, mas a Ferrari conseguiu sua liberação com um bom acordo financeiro, e um modelo 640 de bônus que Frank Williams exibe em sua coleção de monopostos na sede de sua escuderia. Por que não poderia acontecer novamente? Até porque, depois dos resultados de Raikkonen nas últimas corridas, Kimi já era quase dado como carta fora do baralho da Ferrari para 2016.
Principal nome cotado para substituir Kimi na Ferrari, Bottas agora reclama do excesso de especulação sobre seu nome pela imprensa. Mas que ele queria a vaga, queria...
            Mas, a F-1 de vez em quando costuma surpreender, e a manutenção de Kimi ao lado de Vettel demonstra uma paciência de um time que sabe que precisa continuar crescendo, e depois de apresentar um ambiente de muita politicagem nos últimos anos, é quase um milagre o time italiano ser hoje um dos mais descontraídos da categoria. Não que tenha sumido a pressão por resultados e suas cobranças, mas o clima interno, que nos últimos anos sempre foi carregado e conturbado, está espantosamente "zen" na escuderia. Tem mais: Vettel e Raikkonen se dão muito bem, ao contrário do clima que imperava na "era" Alonso no time, onde o piloto espanhol sempre exigia ser o centro das atenções. Isso já faz uma diferença tremenda, e ter um ambiente sem conflitos é um trunfo na busca por melhorias. E não há como negar que a Ferrari hoje é o principal nome a desafiar a Mercedes. Vettel já conseguiu vencer duas vezes no ano, e mesmo com a superioridade da Mercedes atualmente, a meta é de médio prazo, com vistas a realmente desafiar a supremacia alemã a partir do próximo ano. O próprio Maurizio Arrivabene declarou que vencer pelo menos 2 vezes em 2015 era a meta mais ambiciosa. Com metade da temporada ainda pela frente, e já tendo atingido este objetivo, o que vier daqui para a frente pode ser considerado lucro. E manter a base da escuderia o mais incólume possível é a receita para manter a equipe focada para 2016.
            Até o presente momento, não dá para especular como será a relação de forças da F-1 em 2016. A Mercedes pode continuar sendo tão ou até mais forte do que é atualmente, mas a Ferrari tem planos de eliminar sua desvantagem e lutar fortemente pelo título. Raikkonen, aliás, não está fazendo um campeonato tão ruim assim. Alguns resultados, como na Áustria e na Hungria, onde ele abandonou sem marcar pontos, não foram culpa dele, enquanto em outras provas o finlandês realmente ficou devendo. Mas não foi a Ferrari que manteve Felipe Massa por vários anos, mesmo o brasileiro rendendo menos do que Alonso? O espanhol defendia o brasileiro como companheiro de equipe, até porque não queria ninguém de peso a seu lado, e em parte, Vettel também defende Kimi como um bom colega de time, e isso certamente contou para a sua manutenção. Que Kimi aproveite a chance e mostre do que ainda é capaz ao volante de um carro de F-1, como fez no seus dois anos na Lotus.
            Outro nome que tinha chances de ser o novo companheiro de Vettel no time italiano era do alemão Nico Hulkenberg, da Force India, cuja cotação cresceu bastante após sua vitória nas 24 Horas de Le Mans deste ano, ao volante dos carros da Porshe. Por ser um nome menos badalado, e correndo por um time que anda curto de orçamento, sua liberação era muito mais simples e fácil do que a Valtteri Bottas, que ainda tinha contra si o fato de Toto Wolf, seu empresário, ter planos velados de colocá-lo na Mercedes, muito possivelmente no lugar de Nico Rosberg, a partir de 2017, ano em que a opção de renovação certamente penderia para a escuderia alemã, no caso de Rosberg perder novamente a disputa contra Lewis Hamilton nesta e na próxima temporada. Por isso, um acordo entre Bottas e a Ferrari teria de passar por Wolf, o que certamente dificultaria a obtenção de um acordo. Pelo seu lado, Hulkenberg, que já vem há algum tempo manifestando inconformismo por não ter chances de ser efetivado em um time realmente competitivo, vem pensando seriamente em se bandear para o Mundial de Endurance, ainda mais depois de seu belo desempenho em Le Sarthe com a Porshe. O time alemão certamente vai querer que seu piloto campeão em Le Mans guie novamente para eles, e se não visualizar melhor perspectiva na F-1, o que acho difícil, Nico certamente deixará a F-1, a exemplo do que Mark Webber fez ao fim de 2013. O momento seria agora, pois em 2016, sabe-se lá e o prestígio de Hulkenberg se manteria nos níveis atuais pilotando novamente um carro limitado na F-1.
Se não tiver perspectiva de um time competitivo para 2016 na F-1, Nico Hulkenberg deve ir para o Mundial de Endurance.
            O australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull, era talvez o menos provável candidato a ser companheiro de Vettel na Ferrari, afinal, ele derrotou sistematicamente o tetracampeão no ano passado na equipe Red Bull, conseguindo inclusive vencer 3 provas, contra nenhuma de Sebastian, que inconformado resolveu pular fora e foi para a escuderia italiana. Com Vettel rendendo bastante no time, o estrago de uma possível reedição da dupla com nova vitória do australiano sobre o alemão poderia deixar o ambiente extremamente conturbado. É mais um forte indício de que a Ferrari optou por manter o bom clima no time mantendo Raikkonen do que contratando um piloto potencialmente forte que desestabilizasse Vettel novamente.
            Outro nome que poderia ir para o time italiano era o inglês Jenson Button, atualmente na McLaren. Outro piloto com excelente histórico de não se envolver em confusões com seus companheiros de equipe, o campeão de 2009 poderia ser um opção bem viável para ser companheiro de Vettel, até porque ele não tem contrato para 2016, nem mesmo com a McLaren. Sua contratação seria a mais fácil de ser conseguida entre os possíveis "pretendentes" à vaga.
            Com a manutenção de Kimi na Ferrari, as movimentações do próprio mercado de pilotos para 2016 também tomam uma bela ducha fria, pois significa que a grande maioria dos pilotos ficará onde está. A Mercedes já está fechada, e a Red Bull também não deve mexer em sua dupla. A Williams agora deve permanecer tanto com Felipe Massa quanto com Bottas. O brasileiro está fazendo uma boa temporada, e é muito elogiado pela área técnica da escuderia. Bottas, apesar do contrato ainda válido para 2016, disse querer negociar alguns termos de seu contrato, mas a exemplo do que aconteceu com Fernando Alonso no ano passado, as portas se fecharam, e as opções ficaram reduzidas, de modo que o finlandês deve se contentar em manter seu atual status no time. Todas as outras opções de vagas não muito menos atrativas.
            A Sauber já renovou com sua dupla. A Toro Rosso deve seguir com Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. Marussia e a nova equipe Hass até o momento são totais incógnitas. Na Force India Sérgio Perez tem mais um ano de contrato, e se Nico Hulkenberg sair, abre-se uma vaga razoável, mas que precisará de aporte financeiro por parte dos interessados. E na Lotus, tudo dependerá se a Renault irá adquirir novamente o time ou não: com finanças combalidas, Pastor Maldonado deve ficar com seu patrocínio milionário da PDVSA, enquanto Romain Grosjean ainda tem cacife para se manter na escuderia, se a situação não piorar e forçar o time a escolher outro piloto com patrocínios de monta.
            De qualquer forma, a principal peça do xadrez do mercado já teve seu movimento definitivo feito, restando agora às peças coadjuvantes do jogo se virarem do melhor jeito que puderem. Aguardemos ver o que elas farão.


Uma das expectativas para a prova de domingo em Spa é ver como os pilotos irão se portar tendo de fazer sozinhos os ajustes de embreagem para a largada da corrida. Até a Hungria, os pilotos recebiam os dados dos engenheiros do box para ajustarem a embreagem de acordo com os dados obtidos pelos sensores ao longo das voltas de verificação quando saíam do box para ocuparem suas posições no grid de largada. Agora, esta ajuda está proibida pelo regulamento, a exemplo da proibição de repassar informações de ajuda de pilotagem instituídas durante o ano passado, visando tornar o papel dos pilotos mais decisivo e menos comandado pelos engenheiros nos boxes. Os pilotos deverão fazer eles mesmos os ajustes com base na sua sensibilidade do carro a partir de agora, e há o temor de que isso possa provocar algum acidente por ajustes malfeitos por parte de algum piloto, ainda mais porque nesta pista, a posição de largada é em descida, e logo temos a curva fechada La Source, onde vários acidentes já ocorreram em edições passadas. Creio que não deveremos ter maiores problemas nesse sentido, a exemplo do que falaram em ocasiões passadas quando outros recursos, como freios ABS ou controle de tração foram retirados, visando tornar a condução do piloto mais determinante na performance de um carro. Pode haver um ou outro piloto que se confunda, mas acredito que as equipes aproveitem os treinos livres de hoje e amanhã para fazer os pilotos testarem os ajustes no procedimento de largada, ao fim de cada treino, ou na saída dos boxes. Será uma tarefa a mais para os pilotos, mas servirá para mostrar como eles usam sua sensibilidade na percepção das condições de pista, que por mais sensores e computadores que tenham para fazer esse tipo de análise, é o piloto que deve decidir qual é a melhor opção. Aliás, antes de sensores e computadores, a percepção do piloto era crucial para saber como efetuar o melhor movimento na condução de um carro de corrida, e não vai fazer mal aos pilotos atuais melhorar sua percepção e sensibilidade. Os melhores pilotos deverão se adaptar rapidamente a essa nova condição. Resta saber quem terá as maiores dificuldades com a falta desta ajuda dos engenheiros dos boxes. E tomar cuidado redobrado com a freada para a La Source no domingo...


Um caso de invasão de pista parou um dos treinos livres da Camping World Truck Series, uma das subcategorias da Nascar, nesta última quarta-feira, no circuito de Bristol Speedway, no Estado do Tennessee. O invasor em questão era um coelhinho marrom que acabou surgindo na pista em meio ao treino. Bandeira vermelha acionada, lá foram os fiscais tentar pegar o simpático bichinho, que arisco como ele só, deu uma tremenda canseira no pessoal que tentava, ao menos, espantá-lo para sair da pista, o que acabou acontecendo depois de escapar do cerco dos fiscais. Felizmente o coelho deu sorte de sair dessa inteiro, pois em outras ocasiões, animais que invadiram pistas de corrida não apenas foram atropelados como causaram sérios acidentes. Ah, e o coelho corria pela pista que era uma barbaridade dos fiscais, a ponto de ter quem perguntasse qual era o tempo que o bichinho tinha feito, que segundo eles, seria mais ligeiro que vários dos competidores...


A Indy Racing League entra novamente na pista neste fim de semana, para a disputa das 500 Milhas de Pocono, última prova em circuito oval da temporada, que encerra-se no domingo da semana que vem, em Sonoma. Juan Pablo Montoya está fortemente acossado por Graham Rahal, que está apenas 9 pontos atrás na classificação, e desponta como grande sensação da temporada, desafiando o piloto da poderosa Penske, e tendo superado também Scott Dixon, da Ganassi. E, por se tratar de uma pista superspeedway, em uma corrida de 500 milhas, tudo pode acontecer. Montoya, que começou o ano vencendo em São Petesburgo, e favorito ao título na maior parte da temporada, vai conseguir se manter na frente, ou o jovem Rahal vai conseguir inverter as posições? É conferir no domingo, com transmissão ao vivo no canal pago Bandsports a partir das 15:30 Hrs.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

HAVOC SERIES - AS AVENTURAS E DESVENTURAS DO MUNDO DOS RALLYS



            De volta com a sessão de vídeos, o tema hoje são as competições de rally. Espalhadas pelo mundo afora, as competições off-road despertam a admiração e a adrenalina por vermos máquinas altamente potentes correrem por lugares muitas vezes inimagináveis para competições automobilísticas. De competições locais a provas de grande porte, como o famoso Rally Dakar, os participantes deste tipo de competição costumam mostrar sua destreza ao volante com grande desenvoltura, para delírio dos espectadores que ocupam os arredores para verem os carros acelerarem fundo no percurso, seja ele no asfalto, terra, lama, ou até mesmo na neve.
            Claro, por ser uma competição em terreno aberto, as vizinhanças nem sempre contam com artefatos de segurança ou zonas de escape. Uma derrapada pode ter consequências variadas, desde um simples despiste, ou um acidente de grandes proporções. Esta postagem de hoje traz uma pequena seleção de vídeos mostrando como os competidores das provas de rally tem seus altos e baixos, onde as chances de sair da pista e entrar numa fria são invariavelmente maiores do que as provas realizadas em autódromos concebidos propriamente para provas de competição.
            No primeiro vídeo da seleção, alguns dos momentos mais impactantes de provas do ano de 2012. Há de tudo um pouco aqui: carros possantes, carros de passeio convencionais, pilotagens arrojadas, e também algumas barbeiragens homéricas, que certamente devem ter feito a alegria de muitos funileiros e oficias de conserto de carros, para não falar dos vendedores de peças sobressalentes. Alguns trechos de pistas parecem propícios a atrair competidores para o mau caminho (ou mais especificamente para ir para fora do caminho), enquanto vocês podem conferir porque as valetas se tornaram as inimigas mortais dos pilotos deste tipo de competição...coitadas, elas não tem culpa de estarem por ali, ainda mais porque os pilotos insistem em passar por qualquer lugar... O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário fukku666:



            Neste vídeo seguinte, mais algumas peripécias de provas de 2012, com os competidores voando baixo nos percursos, no sentido mais literal da palavra, e também mostrando que não importa se o chão é de asfalto, terra, ou neve, tudo é pista, e a ordem é acelerar, tanto quanto o carro aguentar ou o percurso permitir. Geralmente, tanto um quanto o outro acabam não entrando em um acordo, e o resultado são alguns acidentes que certamente fizeram a alegria do sucateiro mais próximo, para não dizer do público espectador que adora catar lembranças de carros de competição batidos nestas provas... Ah, sim, neste vídeo, algumas câmeras infelizmente se juntaram aos infortúnios ocorridos, quando não foram sumariamente atropeladas pelos competidores. Confiram o vídeo do usuário Rallye-MAD postado no You Tube:



            O vídeo seguinte mostra algumas das melhores "pancadas" do ano de 2013 no mundo do off-road, mostrando que tudo o que está à beira do percurso de um rally pode ser vítima de atropelamento, das inocentes faixas delimitando o percurso a qualquer construção ou vegetação existente à beira da estrada. Se é verdade que uma árvore pode parar um carro, veja uma cerca mostrando que pode ser tão durona quanto, e decididamente, quanto alguns caras resolvem capotar, deviam evitar fazê-lo em trechos de areia, onde levantam tanta poeira que não é possível ver as reviravoltas dos carros, pois quando a poeira assenta, lá está o carro todo ou meio batido, e os caras já saindo (felizmente) do que sobrou de seu veículo de competição. Muitos aqui neste vídeo parecem seguir o ditado "nóis capota mais num breca...", e eles mostram muita determinação neste sentido. O vídeo é do You Tube, postado pelo usuário petrorally:



            O vídeo seguinte traz outras confusões do ano de 2013 no mundo dos rallys, com algumas tomadas interessantes de como alguns trechos são realmente mais acidentados ou propensos a acidentes do que outros. E é sempre bom ver o público ir dar uma mão aos acidentados, muitas vezes ajudando até a desvirar os carros capotados, mesmo que eles não tenham mais condição de seguir em frente. Um trecho interessante deste vídeo mostra alguns acidentes com carros mais antigos, incluindo até um fusca, só para lembrar que o mundo destas competições off-road não é povoado apenas de máquinas "envenenadas", mas também de carros comuns iguais ao que você vê na rua, que nas mãos de um aventureiro do volante, mostra a sua velocidade nestas competições. Se o veículo vai sair inteiro dela, bem, isso é outra história. Confiram o vídeo do You Tube postado pelo usuário JPeltsi, e vejam como alguns pilotos acidentam-se com seus carros e continuam acelerando forte, e até conseguindo voltar à competição:



            Fechando esta sessão de vídeos, uma compilação de alguns acidentes ocorridos em 2014 e 2015, mostrando como estes ases do volante são capazes de algumas proezas impressionantes, como capotar sem amassar a lataria do carro, ou simplesmente passar pelo pior de um acidente potencial escapando dele, apenas para se acidentar logo a seguir, quando tudo parecia mais fácil. E isso sem falar que alguns carros andam perdendo seus pneus durante a competição (será que as rodas pressentiam que vinha alguma fria alguns metros adiante?). O vídeo é do usuário JokTV, postado no You Tube:



            E assim, ficamos por hoje, com esta bela compilação de alguns acidentes e infortúnios ocorridos nas provas do off-road, assunto que ainda tem muito a ser explorado, quem sabe em uma postagem futura, com mais algumas cacetadas que estes caras dão em suas competições sobre qualquer tido de terreno. Até a próxima...

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

E SURGE UMA NOVA CATEGORIA...



A F-Inter e o seu monoposto de competição, que será alugado para os pilotos que quiserem competir no certame.

            Ontem, em São Paulo, foi feito o lançamento oficial da mais nova categoria do automobilismo nacional, a F-INTER, que surge como uma nova proposta de formação e desenvolvimento para os pilotos no Brasil, com custos bem acessíveis para todos os interessados. A nova categoria é fruto da paixão do empresário Marcos Galassi, que comandou a apresentação do certame, que iniciará seu campeonato no próximo ano, e fará parte do Campeonato Paulista de Automobilismo, sob administração da Federação de Automobilismo de São Paulo.
            Começando hoje, dia 14, e indo até domingo, dia 16, a F-Inter estará fazendo sua apresentação aos pilotos, ao mercado, e a todos os fãs que amam o automobilismo. O objetivo é promover hoje 2 eventos programados voltados especialmente para os pilotos interessados em competir na nova categoria, e amanhã e no domingo, fazer uma apresentação geral ao público, para divulgar a todos o projeto e permitir que os fãs possam ver de perto os planos da categoria. Pelo cronograma, hoje, dàs 11 e as 16 horas, os eventos serão destinados aos pilotos e pretendentes a pilotos que estejam interessados em participar da competição. O objetivo é permitir que possam conhecer o carro que será utilizado no certame, além de ficarem a par de todas as condições comerciais, a plataforma de comunicação e o calendário da primeira temporada. Em ambos os eventos os participantes já poderão convidar potenciais patrocinadores e apoiadores para seus planos de participação, podendo assim receber todo o suporte da equipe F-Inter sobre todos os temas a serem expostos. Para o sábado e o domingo, a intenção é abrir as portas à visitação do público interessado em geral, no horário entre as 10 e as 18 horas, para que todos os fãs de corridas tenham a chance em conhecer de perto o carro, saber detalhes sobre a categoria, tirar fotos, etc. Tudo será realizado na sede da nova categoria, localizada em São Paulo, capital, na Rua Aurea, 36, no bairro da Vila Mariana, zona sul.
            O esquema de competição será no estilo "sente e pague". Por um valor determinado, o piloto ou candidato a piloto poderá disputar o campeonato que será realizado no ano que vem. Obviamente que não será qualquer um que poderá pilotar os carros. Os candidatos terão de possuir licença de competição da Federação Paulista de Automobilismo. Para quem não tiver a licença, a própria F-Inter irá indicar o candidato a uma escola de pilotagem credenciada, onde a pessoa precisará passar pelos trâmites normais de obtenção de uma licença desse porte.
            O valor de locação do carro de competição inclui pneus + combústivel + operação para todas as 11 etapas (compreendido o Torneio Interfest 2015 mais a Temporada 2016 da F-Inter). Cada etapa inclui um mínimo de 2 sessões de treinos livres, mais o treino de classificação e a corrida propriamente dita por final de semana. Mas o pacote é bem mais abrangente do que se imagina, e inclui outros benefícios, entre eles: equipe e infraestrutura de box completas; Hospitality Center com Buffet em cada uma das etapas para até 4 pessoas adicionais (poderão ser convidados mais pessoas, mas nesse caso os convites adicionais devem ser comprados separadamente); gravação de todas as etapas para eventual veiculação em série de TV e outros meios; participação no Clube F-Inter, que será um clube de pilotos que desfrutará das parcerias firmadas pela F-Inter, bem como descontos em produtos da Corsa Racing e descontos na Escola de Pilotagem Alpie; assessoria de imprensa especializada para a categoria; produção de conteúdo com o piloto, relacionando-o à F-Inter; concepção e produção de produtos de marketing pessoal para cada piloto, como camisetas, bonés, camisas, etc...; merchandising nas áreas designadas do carro e Hospitality Center; participação na série de TV F-Inter (ainda em negociação) e nas ações de mídias sociais proporcionando um maior apelo de mídia para o piloto e seu patrocinador; programa de treinamento em pilotagem, marketing, media training, coleta e análise de dados e mecânica ministrados pelo time da F-Inter composto por profissionais em cada uma das áreas, que ocorrerão após o início da temporada; além de outros benefícios que ainda estão sendo desenvolvidos pela direção da nova categoria.
F-Inter MG-15 será o monoposto de competição que será oferecido aos pilotos interessados, e foi desenvolvido no Brasil para a nova competição.
            O carro será igual para todos os pilotos, não haverá equipes, uma vez que todos os monopostos pertencerão à própria F-Inter. O modelo foi desenvolvido e concebido no Brasil, utilizando os mais modernos conhecimentos de construção de carros de competição monoposto. Com a intenção de produzir um carro com os custos mais acessíveis possível, praticamente mais de 90% do bólido foi desenvolvido e produzido na Minelli Racing. O monoposto é designado F-Inter MG-15, com estrutura de chassi tubular, suspensões independentes, e conta com um motor 2.0, de quatro cilindros, 16 válvulas, com injeção direta, e potência de cerca de 191 HPs. A caixa de câmbio é nacional, com 4 marchas em "H". O bólido deve ser capaz de chegar próximo dos 250 Km/h nas retas do circuito de Interlagos, e utilizará rodas de fabricação própria em magnésio de aro 13 polegadas, com tamanho de 8 polegadas na dianteira e 10 polegadas na traseira. Os pneus serão fornecidos pela Pirelli, uma das apoiadoras do projeto do novo certame. A carenagem será de fibra de vidro e carbono, além de outros materiais compostos. O carro contará com asas dianteira e traseiras, ajustáveis.
            Marcus Galassi, que comanda a iniciativa desta nova categoria de competição, viveu nos Estados Unidos nos últimos tempos, e lá adquiriu conhecimento e experiência com as categorias de acesso à Indycar, como a Pro Mazda. Num momento particularmente difícil na economia nacional, e no próprio automobilismo nacional, tudo o que ele vivenciou por lá lhe permitiu conhecer as necessidades e desafios que terão de ser vencidos no estabelecimento desta nova categoria de competição nacional. A empreitada, na verdade, já vem sendo desenvolvida há vários meses, numa preparação meticulosa para não dar passos em falso. Mesmo com o lançamento oficial que está sendo feito neste fim de semana em São Paulo, capital, Galassi e toda a sua equipe continuam desenvolvendo o projeto, em busca do maior número de parcerias possível, para garantir a máxima estabilidade do projeto. Tudo isso com um planejamento de divulgação profissional e que permita a exposição da categoria e de seus parceiros e patrocinadores. E divulgação é um dos fatores primordiais para que uma categoria de competição tenha sucesso. Visando garantir uma boa divulgação, a nova F-Inter terá um canal exclusivo no site Grande Prêmio (www.grandepremio.uol.com.br), especializado em cobertura e notícias do mundo das competições automobilísticas, onde será feita a cobertura de todas as etapas do campeonato, bem como programas especiais sobre a categoria.
            Trata-se de uma excelente iniciativa para melhorar e desenvolver o automobilismo nacional, que hoje é praticamente uma sombra do que já foi, quando nosso país possuía diversas categorias, que nos permitiram brilhar no automobilismo internacional, com a obtenção de títulos nas mais respeitadas competições do mundo do esporte a motor, como os títulos conquistados na F-1, na F-Indy, IRL, F-3 inglesa, etc. Tínhamos tantos nomes bons com potencial de ser campeões que ser brasileiro já era uma recomendação quase básica. Infelizmente, nosso mercado nacional de competição foi definhando, e hoje, praticamente não oferece mais as mesmas oportunidades de formação aos pilotos que querem seguir carreira.
            As competições de kart seguem firmes, revelando nomes todos os anos, mas após o kart, não há mais categorias-escola, onde os pilotos possam dar o passo seguinte em suas carreiras, e começar a formar melhor sua base de conhecimento de competições mais aprimoradas. Antigamente, ao sair do kart, havia várias categorias monoposto onde o piloto poderia continuar seu aprendizado, como a F-Vê, F-Ford, F-Chevrolet, F-2, F-3, etc. Hoje, temos apenas a F-3 Brasil, um novo campeonato monoposto formado após o fim da antiga F-3 brasileira, e F-3 sul-americana. As fábricas deixaram de apoiar os campeonatos que levavam seus nomes, como a F-Ford, e a F-Chevrolet. E, fora a F-3 Brasil, temos a Stock Car e a F-Truck, que já são competições voltadas mais para pilotos formados e experientes. Não há outras opções de competição mais viáveis, e quem quer dar um seguimento à carreira, tem de ir para o exterior, em um momento onde os custos de competição andam altos em vários lugares, e mesmo onde os custos são mais acessíveis, os patrocínios andam escassos.
            A nova F-Inter tem o objetivo de preencher parte desta lacuna que surgiu no automobilismo nacional nos últimos anos. A idéia é dar aos pilotos a chance de competirem por um custo relativamente baixo, dados os benefícios inclusos no pacote. Além dos patrocínios oficiais da competição, a idéia é também ajudar os pilotos a terem condições de batalhar por patrocínios no mercado, ajudando o piloto a desenvolver suas habilidades de negociação e gerenciamento. E, oferecendo suporte técnico profissional, permitir aos pilotos aumentarem seus conhecimentos sobre o comportamento dos carros, como fazer seus ajustes, entender sua mecânica, etc. Outro ponto interessante é a premissa de formar pilotos através da Academia F-Inter, para fomento de novos talentos no mundo do automobilismo, onde os candidatos terão aulas e cursos sobre várias disciplinas. A academia, aliás, já tem sua primeira turma de pilotos formados, cuja supervisão esteve a cargo de Roberto Moreno, piloto brasileiro com larga experiência no mundo do automobilismo, tendo passado pela F-1 e pela F-Indy.
            A parceria com o site Grande Prêmio também é uma ótima oportunidade de se garantir uma excelente divulgação. Não é segredo de ninguém que nos últimos tempos, a mídia "tradicional", leia-se jornais e revistas, praticamente sumiu com seus espaços dedicados às competições do esporte a motor. Havia época onde os principais jornais divulgavam as provas e acontecimentos das categorias de base de nosso automobilismo, o que também acontecia em revistas como a Quatro Rodas e a AutoEsporte, títulos que hoje praticamente varreram do mapa suas seções que falavam de corridas. Hoje, a divulgação está na internet, e é preciso um bom projeto para que isso não apenas garanta visibilidade, mas também viabilidade financeira.
            O custo de competição da nova categoria deve ficar abaixo de R$ 15 mil por corrida, e quem quiser disputar a F-Inter terá de adquirir o pacote de locação para toda a temporada, com suas 11 etapas, com um preço total de pouco mais de R$ 150 mil, não sendo aceitas inscrições apenas para uma corrida. Acho justo, pois está sendo dada uma excelente oportunidade de competição com custos acessíveis, e um piloto que queira mesmo seguir firme na carreira, tem de se planejar e aproveitar de forma séria a chance que o novo certame está oferecendo, não sendo certo correr apenas uma ou outra corrida, desistir logo em seguida e pular para outro canto, para seguir outro caminho, dependendo das conveniências.
            E a pergunta é: este novo campeonato irá prosperar? Só saberemos a resposta no próximo ano. Espero que ele tenha melhor sorte do que a Fórmula Futuro, campeonato que foi criado com ajuda do piloto Felipe Massa, mas que definhou após poucos anos de existência, ficando sem apoio da CBA e das montadoras de automóveis. Tudo indica que a F-Inter terá condições melhores de êxito. Os custos serão mais baixos, e a competição se dará entre pilotos, e não equipes. Os carros serão iguais, e seu desenvolvimento será controlado pela própria direção da categoria, uma vez que todos os carros lhe pertencem. As provas deverão ser disputadas unicamente em Interlagos, uma vez que a categoria fará parte do Campeonato Paulista de Automobilismo. Aliás, o próprio nome F-Inter é em referência ao autódromo da capital paulista. Quem sabe, futuramente, o certame possa disputar provas em outras pistas e Estados do país. E o mais importante de tudo é que é uma categoria criada por uma iniciativa privada, ou seja, sem ter de depender da cartolagem da CBA para se desenvolver. Só isso já ajudará bastante, e ajudará ainda mais se a entidade não resolver se meter a besta querendo impor sua autoridade e condições para que a nova competição possa desempenhar seu papel. O maior medo é da entidade resolver meter a mão no meio e ajudar a entornar o caldo, azedando-o. Não é querer ser pessimista, mas de saber que boas e positivas iniciativas que são tomadas neste país sempre despertam inveja e ciumeira de quem está por cima, e se acha no direito de impor sua visão aos demais.
            A F-Inter tem um projeto e desafio entusiasmantes. Que possam ser bem sucedidos em todos os seus objetivos, e ajudem a resgatar o brilho, a força, e o respeito que o automobilismo nacional já teve um dia. Boa sorte a Marcos Galassi e todos os envolvidos neste projeto. E que possa ser apenas o primeiro de outros na área. Temos potencial e mercado para isso. Cabe apenas ser explorado e conduzido como se deve.


Depois da etapa de Curitiba, a Stock Car chegou a Goiânia para a disputa da mais esperada corrida do campeonato, a Corrida do Milhão, onde o vencedor leva a quantia de R$ 1 milhão. Foi nesta corrida ano passado que Rubens Barrichello obteve sua primeira vitória na Stock, e iniciou sua arrancada para a luta pelo título. Depois de ter cumprido a suspensão imposta pela CBA pelo ocorrido na etapa de Ribeirão Preto, Cacá Bueno está de volta à pista, mas o estrago a se recuperar será grande: Cacá é o 3° no campeonato, com 113 pontos. À sua frente estão Júlio Campos, com 115 pontos; e o líder da competição, Marcos Gomes, com 145 pontos. Atual campeão, Rubens Barrichello é o 5° colocado, com 107 pontos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - VOLUME 1



            Olá a todos! Venho novamente lembrar que lancei meu primeiro livro com uma compilação das minhas primeiras colunas periódicas sobre automobilismo. Sendo um aficcionado pelo assunto desde os anos 1980 e tendo começado a escrever profissionalmente sobre o assunto no início dos anos 1990, a partir de outubro de 1993 passei a atuar como colunista regular, com a coluna PISTA & BOX, que segue firme até hoje, mais de 20 anos depois, primeiro publicada em jornais, e atualmente, também na internet.
            O livro tem o título de PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - Volume 1, e este primeiro volume compila os textos produzidos por mim de 1993 até o fim de 1995, totalizando 44 colunas, inicialmente publicadas de forma mensal, e depois de forma semanal, já tendo atingido agora em 2015 mais de 1.000 colunas escritas regularmente estes anos todos.
            A edição tem 128 páginas, capa cartão colorida, tamanho A4, e miolo em preto e branco, ao preço de R$ 50,00, disponível para venda no site da Bookess, um sistema de autopublicação que facilita em muito a tarefa de lançar um livro, sem depender das burocracias impostas por muitas editoras do mercado.
            Todas as colunas lançadas neste primeiro volume já foram reproduzidas neste meu blog, o PISTA & BOX (www.pista-e-box.blogspot.com.br), há tempos atrás, nas postagens da seção "Arquivo". O livro contém ainda textos de introdução para cada um dos anos abrangidos (1993, 1994, e 1995) e, após cada coluna, vem uma pequena sinopse dos acontecimentos mencionados no texto, de forma a colocar o leitor a par do momento em que cada texto foi escrito na época, de modo que quem não tem muita intimidade com o assunto possa se situar melhor sobre os fatos comentados.
            Meus primeiros textos eram focados inicialmente mais a Fórmula 1, e aos poucos fui diversificando um pouco os assuntos e categorias sobre as quais passei a dissertar, de modo que neste primeiro volume do PISTA & BOX, a grande maioria das colunas refere-se quase que exclusivamente sobre a F-1. Hoje, apesar de meu foco principal continuar sendo a categoria máxima do automobilismo, acompanho e escrevo também de outros campeonatos de competição, como a MotoGP, Endurance, Indy Racing League, entre outras competições.
            Para adquirir o meu livro, é só seguir o link abaixo, para ir direto ao site da Bookess. O preço é de R$ 50,00, e já inclui o frete pelo correio. Para efetuar a compra é preciso fazer cadastro no site, como em qualquer livraria virtual. O livro está disponível apenas no formato impresso, e possivelmente mais à frente talvez eu o disponibilize no modo e-book, formato digital que ganha cada vez mais adeptos no mundo inteiro.

http://www.bookess.com/read/21091-pista-box-cronicas-do-mundo-da-velocidade-volume-1/

            A entrega da Bookess é um pouco demorada, portanto, não se espantem com eventuais atrasos. A impressão é de excelente qualidade, feita sob demanda. Basta efetuar a compra que o exemplar é impresso e encaminhado ao comprador. Infelizmente, isso faz com que o custo de cada exemplar seja um pouco mais alto do que o de um livro impresso por editoras, quando são produzidos grande número de exemplares, mas evita a manutenção de estoques desnecessários, cuja manutenção seria cara de ser feita.
            Várias pessoas já adquiriram meu livro, e a grande maioria até agora elogiou a qualidade de impressão gráfica da edição, bem como dos textos, de fácil compreensão até para quem não está familiarizado com todos os pormenores do universo das corridas automobilísticas. Todos os exemplares de que eu dispunha inicialmente foram vendidos rapidamente, surpreendendo a grande aceitação que minha obra teve até o presente momento. Mas meu livro continua disponível para compra pelo site da Bookess: basta efetuar cadastro no site para poder efetuar a compra do livro. E lembrem-se, o frete é grátis, não havendo custos adicionais na compra de cada exemplar.
             Então, não percam tempo: convido todos que ainda não conhecem minha obra, a conferirem este meu livro, e espero que possam aproveitar para desfrutar de meus primeiros textos, como já o fazem tanto em versão impressa em jornal quanto pelo meu blog.

Adriano de Avance Moreno

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

FORA COM A CENSURA


Cacá Bueno chamou o pessoal da CBA de imbecil numa conversa que deveria ser privada entre ele e sua escuderia e a entidade se doeu, suspendendo-o por uma corrida e aplicando uma forte multa.

            Domingo passado, tivemos a rodada dupla de Curitiba, válida pelo campeonato brasileiro da Stock Car. Mas um dos principais pilotos da competição, Cacá Bueno, não participou das corridas do fim de semana. Ele cumpriu punição de suspensão da etapa na capital paranaense, após perder um recurso para reverter a punição. E qual foi o motivo da suspensão? Ele causou um acidente? Teve atitude antidesportiva? Competiu dopado? Nada disso... Apenas falou o que pensava, e para a CBA, a liberdade de expressão parece ter sido jogada no lixo, afinal, o piloto apenas chamou a turma da Confederação Brasileira de Automobilismo de "bando de imbecis", o que convenhamos, pelo que a confederação vem fazendo pelo automobilismo nacional nos últimos tempos, não está longe da verdade.
            O incidente ocorreu na etapa de Ribeirão Preto. Em disputa com Marcos Gomes, Cacá Bueno continuou acelerando forte, mesmo depois do fim da prova. Acontece que a bandeira quadriculada não fora mostrada aos pilotos, e estes, sem saber do fim da corrida, mantiveram suas disputas e a alta velocidade, ao mesmo tempo em que o pessoal de apoio já começava a entrar na pista para os procedimentos costumeiros pós-corrida. Irritado com o fato, que poderia ter resultado num acidente grave e de grandes proporções, Cacá não se conteve, e numa conversa de rádio com seu time, chamou o pessoal da CBA de imbecis pela trapalhada. Até aí, nada demais, tanto que a responsável pela bandeirada foi conversar com o piloto, explicou sua falha, e tudo se resolveu numa boa entre eles, como certamente deveria ter acabado por aí.
            Mas não, a turma da CBA, do alto de sua prepotência e arrogância, ao ver o tom da conversa do piloto com sua equipe, que acabou indo ao ar, se doeu, e pronto, punição a Cacá, com suspensão de uma etapa, e multa de R$ 30 mil. O piloto da Red Bull conseguiu um efeito suspensivo da decisão, e por isso, pôde disputar a etapa de Santa Cruz do Sul, enquanto o caso aguardava julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Só que o piloto perdeu o recurso, e além de ter de cumprir a pena, ainda viu a multa ser aumentada para R$ 50 mil. Atitude esdrúxula e cretina da CBA, que deveria se ocupar de coisas mais importantes do que ficar ofendida por algo que o piloto falou quando estava de cabeça quente em um diálogo com seu time.
            Infelizmente, o mundo do automobilismo andou pegando umas práticas nada saudáveis de uns tempos para cá, que viraram pragas. E uma destas pragas é a censura que várias categorias resolveram impôr a seus participantes. E lamentavelmente, a Stock Car é uma delas, tendo estabelecido há algum tempo regras que simplesmente proíbem que seus pilotos falem mal da categoria e, por tabela, também da CBA. Acho isso algo inaceitável e condenável, tirando o respeito e credibilidade dos dirigentes, por mostrar que eles não aceitam críticas e opiniões contrárias, muito pelo contrário...
            Mais do que isso, o gesto da CBA na dura punição de Cacá teve ares de fazer dele um exemplo para qualquer um que resolva abrir a boca de modo "subversivo" aos olhos da entidade pense duas vezes. Pentacampeão da Stock Car, Cacá é o piloto mais bem-sucedido da categoria atualmente, e um dos mais famosos da história da competição. É hostilizado por muitos, que vêem seu sucesso como algo "arranjado" pelo fato de ser filho do locutor Galvão Bueno, da TV Globo, mas tem méritos próprios para seu grande sucesso nas pistas, mesmo que tenha eventualmente tido algumas facilidades por ser filho de quem é. Está longe de ser um piloto encrenqueiro, ou um braço duro, e não é 5 vezes campeão da principal categoria do automobilismo nacional à toa. Mas ele tem personalidade forte, e não é de levar desaforo para casa. Ele fala o que pensa, e esse é o problema para a cartolagem, que infelizmente infesta o esporte hoje em dia, para quem os pilotos devem apenas pilotar e ficar quietos, sem direito a opinião.
            Há um bom tempo já vemos este tipo de comportamento na F-1, onde os pilotos são censurados por seus times. Oficialmente, é a "lei" do politicamente correto, algo até mais danoso do que a censura propriamente dita, onde todo mundo fala de forma educada e pensada, e nunca ficamos sabendo exatamente o que pensam. E, quando falam um pouco mais do que deviam, alguns levam uma boa puxada de orelha de seus times, com raras exceções. Nas horas das entrevistas, cada piloto está quase sempre com o assessor de imprensa de seu time, que nos últimos tempos, virou mais um leão de chácara do que assessor propriamente dito, mais com a função de "policiar" o que o piloto fala do que ajudar na informação exatamente. E quase sempre, dando declarações por vezes "fabricadas", ou assépticas. Hoje os times não vêem com olhos muito agradáveis quando seus pilotos querem dizer abertamente o que pensam. O que era antes uma exceção virou a regra entre os times. Nélson Piquet, que sempre se caracterizou por falar o que pensa, doa a quem doer, provavelmente não conseguiria andar nos dias de hoje em algumas competições, por causa de sua boca ferina... Saudades dos tempos em que os pilotos diziam que o carro era uma draga, ou falavam em mandar para o inferno um rival. Hoje, levantar o dedo indicando "aquilo" já sujeita o piloto a tomar uma punição disso, ou uma penalização daquilo...Os pilotos não precisam disso, e o público, menos ainda. Eles querem ver transparência, os pilotos falarem o que pensam, serem mais legítimos. O aspecto corporativo, que impõe que todos falem bem e de acordo com o figurino "oficial", não desagradando a gregos e troianos, é um dos motivos pelo qual a popularidade da F-1 anda em baixa. Felizmente, ainda há um ou outro caso onde podemos ver os ânimos exaltados na categoria, como a recente discussão da Red Bull com sua fornecedora de motores Renault pelos problemas de suas unidades de potência atuais...
            No caso de Cacá, a grande maioria do pessoal da Stock achou a punição exagerada e desproporcional, para não dizer adjetivos menos elogiáveis, mostrando-se do lado do piloto. E, para azar da CBA, a primeira corrida em Curitiba teve cenas grotescas que beiraram o absurdo, além de um acidente violento envolvendo vários pilotos, como que para apenas afirmar a veracidade da declaração do piloto sobre a "competência da entidade que comanda o automobilismo nacional. E Galvão Bueno, em seu programa "Bem, amigos!" na última segunda-feira, no SporTV, aproveitou para tomar um pouco as dores do filho, em que pese ter atacado pontos cruciais ao afirmar que a CBA "não está fazendo nada pelo automobilismo nacional", afirmando também que a entidade não tem sequer um projeto de formação de pilotos, e também declarando que os dirigentes por vezes não sabem nada do que estão fazendo, nunca tendo entrado em um carro de corrida. Galvão foi direto ao ponto. Mas fica chato esse tipo de crítica, há muito necessária, ter sido feita unicamente depois que o filho foi punido pela entidade. São críticas que já deveriam ser feitas ininterruptamente nos últimos anos, com nosso automobilismo indo para o buraco, da forma como vai, sendo hoje uma sombra do que já foi em tempos não tão distantes.
            O piloto Átila Abreu também foi contundente ao afirmar que quando tem um erro, o piloto é penalizado, mas os comissários não, o que dá a entender a lógica da citação "dois pesos e duas medidas", ao referir-se que ninguém foi punido pelo erro cometido em Ribeirão Preto. Para o piloto Felipe Fraga, o erro da CBA poderia ter resultado em um grave acidente, cujas consequências iriam recair sobre a própria entidade, e Cacá e Gomes se veriam em uma situação difícil causando um acidente inadvertidamente por culpa da direção de prova. Isso é algo que precisa sim ser levado em consideração, pelos riscos inerentes que o automobilismo apresenta.
No ano passado, o piloto Beto Monteiro também tomou um gancho de uma corrida e mais uma multa, por reclamar com o pessoal da CBA em Caruaru.
            Infelizmente, a cartolagem parece pensar de forma diferente.No ano passado, o piloto Beto Monteiro, bicampeão da F-Truck, acabou levando também uma corrida de suspensão, mais uma multa de R$ 25 mil, não tendo participado da etapa de Cascavel, no Paraná. Seu "pecado" foi "ofender" os comissários na etapa de Caruaru. O piloto havia sido punido no treino classificatório por seu caminhão soltar muita fumaça. Monteiro foi à torre da direção de prova e criticou os comissários. Foi o suficiente para a CBA novamente se doer e lascar a punição ao piloto, que declarou apenas ter falado alto com o pessoal, sem xingar nem destratar ninguém. E não adiantou recorrer: o STJD novamente não deu ouvidos e manteve a punição imposta ao piloto. Pior: de acordo com o piloto, o tribunal justificou-se afirmando que tinham de dar o exemplo pelo fato de ele ser um piloto famoso no meio. Totalmente condenável. Isso deixou os ânimos relativamente estremecidos na equipe da Iveco, time onde Monteiro corre.
            Mais recentemente, foi a vez da Indy Racing League engrossar contra seus pilotos, tendo baixado no mês passado uma nova norma onde os pilotos não podem ter ou incentivar atitudes que possam ameaçar ou denegrir a imagem de qualquer competidor, ou da marca "Indy"; seu calendário, eventos, qualquer relação comercial da categoria, sua integridade, reputação, ou confiança do público, bem como pôr em dúvida a legitimidade do regulamento ou de sua aplicação, construção ou interpretação. Isso aconteceu depois da etapa de Fontana, onde os pilotos andaram soltando mais críticas do que o habitual, ao que parece a direção da Indycar não ter ficado muito satisfeita com seus pilotos falando demais. Mark Miles, diretor da entidade que comanda a IRL, apressou-se em declarar que a nova regra do regulamento não é uma "lei da mordaça", afirmando que ela será mais para garantir que eles terão autoridade para agir quando sentir que for preciso. Certo, finjo que acredito, ainda mais porque, mesmo sem esta regra, na mesma prova de Fontana, por ter dado um empurrão em um médico da equipe de resgate após seu acidente na corrida, o atual campeão da categoria, Will Power, da Penske, levou uma multa de US$ 25 mil, além de ter sido posto "sob observação" pelo restante da temporada. Power tinha todo o direito de estar de cabeça quente naquele momento, até porque o acidente que o tirou da prova não foi culpa dele, mas de Takuma Sato, que rodou e atingiu o australiano, que felizmente saiu ileso da pancada que sofreu no muro. Ah, a punição também se deveu às críticas feita por Power à categoria, quando falou sobre a insegurança que o novo pacote aerodinâmico proporcionou pelo fato dos pilotos andarem muito juntos durante a etapa no California Speedway, que poderia gerar inúmeros acidentes nos toques involuntários entre os carros.
Em julho, foi a vez da IRL baixar regra proibindo os pilotos de "denegrir" a imagem da categoria, o que incluiu proibir também críticas e questionar os regulamentos da entidade. Censura na cara dura, e ainda dizem que não é "lei da mordaça"...
            É normal que cada categoria tenha regras para disciplinar o comportamento de seus participantes. O problema está em fazer destas regras obstáculos claros para qualquer piloto que resolva fazer críticas à categoria, sejam elas fundamentadas ou não. Se um piloto costuma ser sujo, desleal, ou antidesportivo na pista, certamente sua credibilidade não será das melhores quando reclama de algo. Porém, se o piloto não está fazendo nada de errado, e quer mostrar que algo não está correto, ou sendo feito de maneira errada, não há motivo porque puni-lo por simplesmente falar o que pensa ou o que precisa ser dito. Em categorias de alto nível no automobilismo, nenhum dos participantes que compete ali é um inconsequente ou um irresponsável, salvo raras exceções. Todos deram duro para chegar onde estão, e por estarem sempre ao volante dos carros, sofrendo em primeira mão os efeitos de certas regras que por vezes são baixadas de forma inepta ou equivocada, eles precisam ser ouvidos, suas idéias discutida, e se chegar a um consenso que permita que seja obtido um proveito da troca de opiniões.
            Mas casos como o de Cacá Bueno e Beto Monteiro, só para exemplificar o que citei neste texto, demonstra que os dirigentes parecem mesmo pouco propensos, senão completamente contrários, a ouvir os pilotos de forma mais imparcial e neutra. Eles vêem as críticas a seus subalternos e à entidade que comandam como desafio à sua autoridade, e que isso não pode passar sem um castigo, para que não sejam novamente questionados, e também não tenham seu poder enfraquecido. Basta lembrar da "justificativa" do STJD na punição de Beto Monteiro: sua punição foi para dar o exemplo de que não importa se o piloto é famoso ou campeão, ele vai ser punido do mesmo jeito, talvez até mais, justamente por ser alguém de renome no meio. Alguém lembrou também da punição da FIA a Ayrton Senna pelas críticas que o piloto fez pela sua desclassificação em Suzuka, no Grande Prêmio do Japão de 1989? Jean-Marie Balestre, presidente da FIA, ameaçou expulsar o brasileiro da F-1 se ele não pedisse desculpas pelo que disse. E Senna precisou engolir as palavras e se desculpar. Esse tipo de palhaçada já não é algo novo. Aliás, já faz um bom tempo que as entidades que comandam o esporte, não apenas no Brasil, andam com a moral em baixa, se é que tem alguma. Posso citar o caso dos vários membros da FIFA, e até da CBF, presos recentemente por picaretagens na condução do futebol em suas áreas. Se a CBA não tem nenhum escândalo que justifique a prisão de algum de seus integrantes, por outro lado eles também não estão fazendo muito para merecerem o que ganham, do contrário, o automobilismo brasileiro não estaria do jeito que está hoje. E nem preciso citar como não apenas a CBA, mas o COB, além de vários outros cartolas e políticos, se juntaram para "destruir" o autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, movidos a interesses escusos dos quais o do desenvolvimento do esporte é que não foi.
            Por essas e outras, os pilotos não podem ser tratados da forma que são hoje em dia. E quem tem cacife no meio, que fale pelos demais. Cacá, indignado com sua punição, já adiantou que não vai mudar o que pensa, nem ficar quieto, se precisar dizer alguma coisa. Infelizmente, os pilotos, sejam de quais categorias forem, dificilmente se unem atualmente para defender um dos seus quando este é injustamente punido pela cartolagem. Nessa hora, cada um está cuidando de sua própria vida, e lamentavelmente, é com isso que os dirigentes contam para manterem seu poder e não serem desafiados quando algum piloto expõe suas mazelas. As regras do regulamento viraram apenas uma ferramenta para se justificar calar a voz de quem ouse falar mais do que lhe é reservado, e a censura não pode prevalecer. Portanto, fora com a censura!
            E tenho dito...
Por receber ajuda e voltar à pista cortando a chicane na pista de Suzuka, após seu acidente com Alain Prost em 1989, Ayrton Senna foi desclassificado. Por criticar a FIA, esta ameaçou cassar sua superlicença, que na prática o baniria da F-1. Jean-Marie Balestre exigiu desculpas e Senna teve de voltar atrás...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FLYING LAPS - JULHO DE 2015



            O mês de julho já foi, e a segunda metade de 2015 já tem um mês a menos. Tentando sempre acompanhar os acontecimentos que rolam por vezes tão rápido quanto os carros na pista no o mundo da velocidade, é hora de mais uma edição da Flying Laps, trazendo algumas considerações em notas breves sobre alguns dos acontecimentos ocorridos neste último mês de julho. Portanto, boa leitura a todos, e no mês que vem, tem muito mais por aqui...


O bicampeão da MotoGP, Marc Márquez, enfim deu um tempo para o azar, e conseguiu quebrar a sequência de vitórias da dupla da Yamaha, e mostrar que ele e a Honda ainda podem promover uma reviravolta na disputa pelo título da classe rainha do motociclismo. Na etapa da Alemanha, disputada no circuito de Sachsenring, Márquez largou na pole, e enfrentou um Jorge Lorenzo inspirado de início, roubando-lhe a ponta e prometendo complicar a situação. Mas a liderança do piloto da Yamaha não durou muito, e Márquez retomou a ponta para não mais perdê-la até a bandeirada final. Em contrapartida, Valentino Rossi começou sua escalada rumo às primeiras posições, e chegou mesmo a estar em 2° lugar na prova, deixando seu parceiro de time Lorenzo para trás. Mas quem também estava disposto a mostrar a força da Honda na pista alemã foi Dani Pedrosa, que depois de uma forte disputa, deixou Rossi também para trás, assumindo a 2ª colocação, e chegando até a diminuir a distância que o separava do parceiro Márquez. Assim, a Honda conseguiu sua primeira dobradinha na temporada, que chegou à sua metade com o time da Yamaha comandando a classificação do campeonato, mas com o aviso de que a Honda, especialmente com o atual bicampeão Márquez, ainda tem o que oferecer na disputa, mesmo com a desvantagem atual de seu principal piloto na classificação. Valentino Rossi ainda é o líder da competição, com 179 pontos, seguido de seu parceiro Jorge Lorenzo, com 166. Andrea Iannonne, da Ducati, ainda é o 3° colocado na tabela, com 118 pontos, mas Marc Márquez já encostou no italiano, estando logo atrás, com 114 pontos. Andrea Dovizioso, com a outra Ducati, é o 5° colocado, com 87 pontos. Dani Pedrosa, depois de ficar de fora de várias etapas, se recuperando de uma cirurgia feita no início de abril, é o 7° colocado, com 67 pontos. A etapa de Sachsenring foi a primeira corrida da temporada em que Pedrosa andou firme no mesmo ritmo dos ponteiros e acompanhando Marc Márquez com afinco, e promete pelo menos engrossar a luta pelos primeiros lugares nas corridas da segunda fase do campeonato. A próxima etapa será no dia 9 de agosto, no traçado misto do autódromo de Indianápolis.


O campeonato da Indy Racing League teve um mês bem agitado em se tratando da disputa pela vitória nas etapas de julho. na segunda corrida de 500 milhas do campeonato, disputada no California Speedway, em Fontana, a vitória ficou com Graham Rahal, que conquistou assim seu segundo triunfo na categoria. Filho do tricampeão da F-Indy Bobby Rahal, Graham defende atualmente a escuderia fundada por seu pai, que estreou em 1992 na F-Indy, onde o pai conquistou seu 3° e último título. Rahal havia vencido a corrida de estréia na categoria, em 2008, no circuito de rua de São Petesburgo, no que foi a última vitória da equipe Newmann/Hass em uma categoria Indy, e também a sua única no certame da IRL. Tony Kanaan bateu novamente na trave, terminando a prova em 2° lugar, com Marco Andretti fechando o pódio na 3ª colocação. Juan Pablo Montoya fez uma corrida competente, e finalizou em 4° lugar, mantendo-se sempre constante e reafirmando sua liderança no campeonato. Scott Dixon, que também luta pelo campeonato, fez um 6° lugar, e também se manteve firme na disputa. Para a Penske, apenas Montoya conseguiu um bom resultado em Fontana, com seu 4° lugar: Simon Pagenaud terminou a corrida em 9° lugar, depois de largar na pole-position, numa primeira fila toda da Penske, com Hélio Castro Neves largando em 2° lugar, mas tendo o azar de sofrer um acidente durante a prova, felizmente, sem ferimentos para o piloto, destino que também foi compartilhado pelo atual campeão, Will Power.


Um ponto negativo na corrida de Fontana foi o pouco público presente no circuito. Embora a corrida tenha sido emocionante, com os carros andando sempre próximos uns dos outros (aliás, na opinião dos pilotos, próximos até demais, favorecendo a possibilidade de acidentes, como o que tirou Helinho da corrida, e perto do final, com a capotagem sofrida por Ryan Briscoe, após decolar com o carro em um toque com Ryan Hunter-Reay), as enormes arquibancadas do California Speedway estava praticamente vazias em sua grande maioria. A divulgação da corrida foi pífia, no que pode ser um mancha para a imagem da categoria, que ainda tenta se reerguer perante o público americano. Consta que Ryan Hunter-Reay, ao visitar sua família no fim de semana da corrida, teria ficado surpreso por eles nem mesmo saberem que seria disputada a prova naquele fim de semana. E olha que era a família de um dos principais pilotos da competição, que já foi campeão pela equipe de Michael Andretti. Embora a responsabilidade de divulgação das corridas caibam aos promotores locais das mesmas, não há como negar que a própria Indycar tem de se mobilizar para conseguir efetivar melhor a divulgação das provas. Correr numa pista onde as arquibancadas estão praticamente sem ninguém é algo muito triste e que compromete a seriedade e o trabalho desenvolvido para se conduzir uma competição com credibilidade. Para não mencionar que, sem um público decente, uma corrida não dá lucro, e sem lucro, não se tem corrida. E, sem corrida, podemos ficar sem campeonato, ou quase isso. Os dirigentes que se mexam e dêem um jeito de promover melhor o campeonato, porque as corridas têm sido boas, e com um equilíbrio de vencedores até interessante. E autódromos lotados mostram bem como uma categoria interage com seu público e a promove com competência. Alguém já viu uma prova da Nascar com pouco público nas arquibancadas? De memória, não me lembro de nenhuma...


Na prova seguinte, no circuito oval de Milwaukee, foi Sebastian Bourdais a triunfar, com a KV Racing. Hélio Castro Neves fechou a corrida na 2ª posição, após uma corrida de recuperação, tendo largado em último. Graham Rahal novamente esteve no pódio, em 3° lugar, e Juan Pablo Montoya, por sua vez, conseguiu outro 4° lugar, mantendo sua regularidade na competição. E quem pareceu ter voltado a sentir a maldição dos ovais foi Will Power. No seu início como piloto do time de Roger Penske, o australiano arrepiava nos circuitos de rua e mistos, mas não conseguia mostrar o mesmo domínio nas pistas ovais. Nos últimos tempos, Power tratou de corrigir esse problema, como mostrou o seu 2° lugar na Indy500 deste ano. Mas, vez por outra, ele ainda volta a ter alguns azares neste tipo de pista. Foi o que ocorreu em West Allis, quando o atual campeão da IRL acabou sendo acertado numa das relargadas da prova por Ryan Briscoe, que rodou sozinho e acabou acertando o carro do australiano, com ambos dizendo adeus à corrida. Vale lembrar que o australiano também acabou sofrendo um acidente na corrida de Fontana, outra pista oval, desta vez em um enrosco com o japonês Takuma Sato.


Enquanto Penske, Ganassi e a Rahal/Letterman/Lanigan discutem o campeonato na IRl 2015, quem anda por baixo na atual temporada é a Andretti Autosport. A escuderia aparentemente não tem conseguido se encontrar com o novo kit aerodinâmico produzido pela Honda, e o desempenho de seus pilotos no campeonato tem dependido mais de brilhos esporádicos do que de performance propriamente. O melhor que o time havia conseguido no ano foi a vitória de Carlos Muñoz na primeira corrida de Detroit, com direito a dobradinha com Marco Andretti, que também conseguiu um pódio na etapa de Fontana, mas para a fama do time de Michael Andretti, estava sendo muito pouco. E eis que a etapa de Iowa sorriu para a escuderia, ou mais propriamente para Ryan Hunter-Reay, que conseguiu para seu time a 5ª vitória consecutiva no menor circuito oval do campeonato. Para os brasileiros na corrida, o início promissor não se confirmou durante a prova: Hélio Castro Neves largou na pole, mas foi perdendo rendimento durante a parte final da corrida, finalizando em 11° lugar. Já Tony Kanaan, que largou na primeira fila ao lado do compatriota da equipe Penske, foi ainda pior: depois de liderar um bom tempo, e estar sempre entre os primeiros colocados, o piloto baiano enfrentou problemas em seu carro e abandonou a corrida. E a prova de Iowa marcou o primeiro abandono de Juan Pablo Montoya na temporada. O colombiano vinha terminando todas as corridas até então, mas no pequeno circuito oval, enfrentou sua primeira quebra na temporada, quando sua suspensão quebrou e o líder do campeonato foi parar no muro. Melhor para Montoya que um de seus principais perseguidores na luta pelo título, Scott Dixon, também não viu a bandeirada, sofrendo um abandono na prova. O resultado da corrida deixou Graham Rahal, que terminou a prova em 4° lugar, na vice-liderança do campeonato, superando Dixon na pontuação.


No Mundial de Rali 2015, o francês Sébastien Ogier continua deitando e rolando. A etapa da Polônia, disputada neste mês de julho, viu novamente a vitória do atual campeão da categoria. Para a Volkswagen, melhor, impossível: Andreas Mikkelsen fechou a dobradinha do time de fábrica no pódio, e de quebra, assumiu a vice-liderança da competição, com 83 pontos, pouco mais do que a metade da pontuação de Ogier no campeonato, que é de 161 pontos. O terceiro lugar na classificação está bem disputado, entre o norueguês Mads Ostberg, com 69 pontos, e o finlandês Jari-Matti Latvala, com 66 pontos. Com 6 etapas para fechar o campeonato de 2015, por mais esperanças que tenham, o tricampeonato de Ogier na competição é apenas uma questão de tempo. A única dúvida é saber em que prova o francês vai conseguir fechar matematicamente a disputa, uma vez que mesmo tendo o mesmo equipamento, seus companheiros na equipe Volkswagen pouco conseguem fazer para equilibrar a disputa: Latvala ficou sem pontuar em 3 etapas, enquanto Mikkelsen zerou os pontos em uma etapa. Ogier, por outro lado, não deixou de pontuar em nenhuma etapa até aqui, mesmo quando zerou no resultado geral, como na Argentina, mas marcou 3 pontos pelo triunfo no Power Stage da etapa. E Mads Ostberg, da Citroen, só teve como melhor resultado dois segundos lugares nas etapas disputadas até aqui. Só um desastre mesmo para deter o piloto francês da Volkswagen...