
Oscar Piastri garantiu que o milésimo Grande Prêmio disputado pela McLaren não passasse em branco, apesar de não ter subido ao pódio, justamente em Mônaco, onde a própria McLaren estreou em 1966...
O resultado do Grande Prêmio de Mônaco, disputado domingo
passado, pode não ter sido o mais esperado de todos – apenas um 5º lugar de
Oscar Piastri, e um abandono de Lando Norris, mas a McLaren teve muitos motivos
para comemorar a participação no GP em Monte Carlo: a escuderia anotou sua
1.000 corrida como time do Mundial de F-1. Sim, o time sediado em Woking é hoje
a segunda equipe com mais corridas disputadas na Fórmula 1, perdendo apenas
para a Ferrari, lógico. Enquanto a escuderia de Maranello está presente desde a
primeira temporada,a McLaren estreou apenas em 1966. Dos times tradicionais, a
Lotus também faria parte deste grupo de equipes com mais de mil participações,
tendo sido fundada em 1958 por Colin Chapman, se a escuderia não tivesse
entrado em crise e falido em 1995.
O time foi fundado pelo piloto neozelandês Bruce McLaren, e vejam só, a equipe disputou seu primeiro grande prêmio da história justamente em Mônaco, naquele distante ano de 1966. De lá pra cá, contudo, a escuderia fez história, tornando-se um dos mais bem-sucedidos times de toda a história da categoria máxima do automobilismo mundial. Ao todo, a McLaren conquistou nada menos que 203 vitórias, obteve 561 pódios, venceu dez títulos de construtores e 13 de pilotos, sendo que os últimos foram em 2025, com Lando Norris. O time conquistou 177 pole-positions, e marcou 184 voltas mais rápidas ao todo.
Somente a Ferrari tem números maiores nas estatísticas da F-1: o time de Maranello, pela óbvia vantagem de estar presente desde o primeiro campeonato, até agora contabiliza 1.128 GPs disputados, tendo obtido 15 títulos de pilotos, e 16 de construtores, com 248 vitórias, 841 pódios, 254 pole-positions, e marcou por 265 vezes a volta mais rápida em um GP.
A primeira vitória viria justamente com o próprio Bruce McLaren, ao vencer o GP da Grã-Bretanha de 1968, com o modelo M7A. No mesmo ano, Dennis Hulme ainda averbou mais dois triunfos para a escuderia. Estas vitórias, contudo, foram as únicas que Bruce McLaren vislumbrou enquanto dono de equipe. Em 1970, quando testava um modelo Can-Am de sua escuderia na Inglaterra, quando seu carro perdeu parte do suporte aerodinâmico, e desestabilizou-se a mais de 250 Km/h, atingindo uma construção de concreto onde McLaren morreu na hora. Assim, Bruce nunca conseguiu repetir o feito de Jack Brabham, que até hoje é o único piloto que foi campeão da F-1 com um carro construído pelo próprio piloto. Teddy Meyer, grande amigo e parceiro de Bruce na equipe, assumiu o comando, e manteria a escuderia McLaren na F-1 por mais uma década, garantindo a continuidade da equipe e do sonho de Bruce na competição, onde o fundador da escuderia nunca imaginaria o que seu time viria a se tornar.
O primeiro título da McLaren na F-1, aliás, foi conquistado por Émerson Fittipaldi. O piloto brasileiro, que era o grande nome da competição com o abandono de Jackie Stewart ao fim de 1973, estava desgostoso na Lotus, e resolveu se mudar para a equipe fundada por Brucve McLaren. Foi uma sinergia quase imediata, e Émerson conquistou o título em 1974, o primeiro título de pilotos da equipe inglesa, que no mesmo ano também conquistaria pela primeira vez o campeonato de construtores. Émerson ainda batalhou pelo título em 1975, sendo derrotado por Niki Lauda, antes de deixar a McLaren para apostar no projeto da equipe Copersucar/Fittipaldi na F-1. Mas, com o carro ajustado pelo brasileiro, eis que a McLaren conquistou o seu segundo título de pilotos, com James Hunt, em 1976. Nos anos seguintes, o time perderia parte de sua força, deixando de ser uma equipe com capacidade para ser campeã novamente.

A primeira corrida: Bruce McLaren pilota seu próprio carro de competição nas ruas de Mônaco, em 1966...
A história da McLaren mudaria nos anos 1980 com a entrada
de Ron Dennis, que adquiriu o time de Teddy Meyer, e da fusão com seu time de
competições, a Project Four, a escuderia de F-1 passaria a se chamar McLaren
International, e Dennis promoveria uma reestruturação ampla e completa no time
que até então, era “apenas” mais uma equipe a competir na categoria máxima do
automobilismo, longe de seus dias de glória de alguns anos antes, mas que dali
em diante, se tornaria referência de vitória e competência na F-1.
Ele trouxe Niki Lauda de volta de sua aposentadoria, e da aposta nas idéias de um projetista de muito potencial, John Barnard, criou o primeiro monocoque construído com fibra de carbono na história da F-1, um material muito mais forte, leve, e maleável que os demais compostos que a competição usava até então. Através do Grupo TAG, de Mansour Ojejh, com quem firmou parceria de propriedade da escuderia, financiou a Porsche para a construção de um propulsor para competir na F-1. O resultado engrenou com notável rapidez, e em 1984, apenas dois anos após começar a reestruturação e reunir os talentos de Lauda, Barnard, e a entrada da Porsche, e à gestão empresarial inovadora de Dennis, a McLaren arrasava a concorrência em 1984 com uma campanha jamais vista até então na F-1, com um domínio avassalador onde os rivais apenas comeram poeira dos carros. Niki Lauda foi tricampeão em 1984, e em 1986 e 1986, Alain Prost conquistaria o bicampeonato. O time da McLaren era a nova referência de sucesso na F-1, e batê-los seria tarefa árdua.
Depois de um ano mediano em 1986, em 1988, a equipe fez aquela que talvez tenha sido a dupla mais poderosa de toda a história da F-1: Alain Prost e Ayrton Senna. O piloto brasileiro, pela primeira vez em um carro capaz de ser campeão, não deixou por menos e venceu a temporada de 1988. No ano seguinte, porém, a rivalidade entre a dupla explodiu com tudo. Prost venceu em 1989, mas deixou o time, que ainda seria campeão em 1990 e 1991 com Ayrton Senna. O brasileiro tinha se tornado a nova grande estrela do time, como seu compatriota Émerson Fittipaldi já tinha sido quase 20 anos antes.
Mas esta fase vencedora também teve fim, quando o time perdeu o apoio da Honda, que deixou a F-1, e depois, viu partir Ayrton Senna também. De 1994 a 1996, foram três anos longe do degrau mais alto do pódio, até que em 1997 o time de Woking voltou a vencer, sendo novamente campeão em 1998 e 1999. A escuderia continuou vencendo, mas apenas em 2008 voltaria a ser campeã, com Lewis Hamilton. A McLaren seguiu como uma força respeitável no grid, até 2012, dando início, dali em diante, ao período mais tenebroso da história do time. Uma nova associação com a Honda não deu certo, e os resultados da escuderia afundaram a olhos vistos. Ron Dennis, que passou a travar uma batalha de controle com Mansour Ojejh, acabou saindo a escuderia, que atingiu o seu ponto mais baixo, com a chegada então deb Zak Brown com o objetivo de restaurar a grandeza a glória da McLaren, que voltou a ser protagonista a partir de 2023, culminando com um novo título de construtores em 2024, e o título de pilotos de 2025, com Lando Norris.

A força brasileira na McLaren: Émerson Fittipaldi (acima) deu o primeiro título à McLaren. Já Ayreton Senna (abaixo) conquistou todos os seus três títulos defendendo a equipe de Woking.
Este ano, infelizmente, as novas regras técnicas bagunçaram um pouco a ordem de forças no grid, e a McLaren foi um dos times que acabaram afetados pelo novo regulamento, tendo problemas até para largar na etapa da China. O time de Woking ensaiou uma recuperação na temporada a partir de Miami, mas infelizmente a sorte tem tido dificuldade para se mostrar, e mesmo usando aquele que é considerado o melhor propulsor do grid, a McLaren ainda não conseguiu deslanchar como gostaria em 2026. Mesmo assim, o time manteve seu otimismo, e apresentou até uma pintura especial para a prova monegasca. A pintura mantém o tom laranja papaya e preto adotados pela equipe nos últimos anos, mas com um design diferenciado, fora ter denominado esse layout de "A McLaren Nunca Desiste", slogan que carrega menções a marcos importantes do time de Woking em sua história: a primeira corrida, vitórias, títulos, a Tríplice Coroa do automobilismo (vencendo as 500 Milhas de Indianápolis, as 24 Horas de Le Mas e o GP de Mônaco) e o pit stop recorde da F1, de 1s8, registrado na parada de Norris durante o GP do Catar de 2023.
E, de fato, a McLaren nunca desistiu, apesar do momento crítico do fim da década passada, onde Zak Brown declarou que o time chegou a uma situação pré-falimentar, quando de sua chegada à escuderia, tendo que fazer uma completa reestruturação para trazer de volta a McLaren ao seu lugar de protagonismo que já tinha ocupado por várias vezes na história da F-1. A McLaren correria o risco de sofrer o que a Williams sofreu, que depois de 1997, nunca mais voltou a ser uma força na categoria, com apenas brilhos esporádicos? Muitos fizeram essa pergunta, mas felizmente, a resposta foi negativa: a McLaren iria voltar, mas precisava de algum tempo para isso.

Lewis Hamilton conquistou o seu primeiro dos sete títulos na F-1 como piloto da McLaren.
E com
paciência, muito esforço e trabalho, a McLaren conseguiu se reerguer, montando
um time técnico de renome que soube conceber excelentes carros nos últimos
anos, proporcionando a seus pilotos condições de vencer corridas, e até conquistar
o título. Pode ser que os pilotos atuais possam ser considerados “inferiores”,
se levarmos em conta nomes de peso que já defenderam a escuderia no passado,
como Émerson, Prost, Senna, etc, mas é o que a McLaren tem para o momento, e
pelo menos, parece estar satisfeita com isso. O time ainda vive cometendo
vários erros em corridas, seja na pista, seja nos boxes, mostrando que, mesmo
com o retorno às vitórias e títulos, ainda precisa recuperar aquela excelência
de comando e estratégia que fizeram da McLaren o time por excelência na F-1 em
seus melhores dias.
Mas os piores dias, estes, felizmente ficaram no passado. O time voltou a ter estabilidade financeira, patrocinadores fortes, e acima de tudo, uma liderança que pelo menos tem conseguido devolver a glória e grandiosidade do nome McLaren ao meio automobilísticos, tendo ingressado também na Indycar, feito participação na Formula-E, e agora preparando-se também para ingressar no Mundial de Endurance a partir do ano que vem, na classe Hypercar, a principal do certame. Mas é a marca dos mil grandes prêmios disputados na F-1 que realça a longevidade e persistência da McLaren nos anais do esporte a motor, e que espera, continue firme e forte, por pelo menos mais mil GPs no futuro, e além. Vida longa à McLaren na F-1, portanto...
A FIA parece trabalhar para se superar em incompetência. Domingo passado, Pierre Gasly, da Alpine, terminou a corrida de Mônaco na 3ª colocação, mas tomou duas punições de 5s, que o jogaram para a 7ª posição na bandeirada. Pois bem, hoje, em Barcelona, a entidade que diz “comandar” o automobilismo mundial acatou as contestações apresentadas pela Alpine, expondo que os sensores da entidade calcularam errado a velocidade do francês nos boxes. Como resultado, Gasly recupera o 3º lugar conquistado na pista, ainda que tenha sido desfalcado do pódio no principado, após a corrida. Mas, claro que a situação, que não deveria nem ter acontecido, não deve terminar por aqui, embora devesse: McLaren e Red Bull, que foram impactadas pela reversão da punição, já avisaram que pretendem recorrer da decisão, e claro, irão apresentar seus argumentos contra a anulação da punição que devolveu o pódio a Gasly, e que acabou por deixar Isack Hadjar sem o seu sonhado primeiro pódio pela Red Bull. E a McLaren, claro, não quer perder o 4º lugar de Piastri... E durma-se com um barulho desses...

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