quarta-feira, 3 de junho de 2026

FLYING LAPS – MAIO DE 2026

            E já chegamos ao mês de junho, chegando perto de fecharmos a primeira metade do ano de 2026. Logo partiremos para o segundo semestre de 2026, e parece que o ano começou estes dias mesmo. O mundo da velocidade segue firme e decidido, não desacelerando, com, seus vários campeonatos ao redor do mundo. E todo início de mês é hora de mais uma coluna Flying Laps, mencionando algumas ocorrências e fatos de campeonatos do mundo do esporte a motor ocorridos neste último mês de maio, com destaque para a Formula-E, e um pouco sobre as 500 Milhas de Indianápolis, sempre com notas rápidas e alguns comentários a respeito de cada assunto. Uma boa leitura a todos, portanto, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem, com certeza de trazer muitos relatos de fatos deste novo mês de junho...

Pascal Wehrlein não vai guardar boas lembranças deste último mês de maio na temporada atual da Formula-E. O piloto alemão da equipe de fábrica da Porsche teve apenas um momento positivo nas quatro corridas disputadas no mês, mais especificamente na segunda corrida de Berlim, disputada no circuito montado na antiga pista do aeroporto de Tempelhoff, onde subiu ao pódio com um 3º lugar. Apesar do bom resultado, mesmo assim o piloto saiu insatisfeito, já que tinha largado na pole-position, e claro, era a vitória que ele mirava, ainda mais por estar correndo na terra não apenas dele, mas de seu time, a Porsche. Mas claro que, de certa forma, não dava para reclamar propriamente, porque na primeira corrida da rodada dupla, disputada no dia anterior, o resultado foi um desastre: apesar de largar na primeira fila, Pascal teve um pneu furado ao se envolver em uma disputa de posição com Jake Dennis, da Andretti, e o resultado foi ter de fazer um pit stop para resolver o problema, o que jogou o alemão lá para o fundo do pelotão, comprometendo completamente o resultado da sua corrida, terminando apenas em 19º lugar. Para a equipe, o resultado só não foi pior porque Nico Muller, companheiro de Pascal na Porsche, venceu a prova, resguardando a honra do time da casa, e claro, justificando sua contratação pela escuderia, depois de um início de campeonato mediano. O resultado mantinha Wehrlein na dianteira do campeonato, mas Mith Evans, com o triunfo na segunda corrida de Berlim, vinha chegando muito rápido na vice-liderança da competição, estando apenas 3 pontos atrás, indicando que a pressão na luta pelo bicampeonato seria pesada nas etapas seguintes.

 

 

Mas se o alemão teve problemas em Berlim, em Mônaco, palco da rodada dupla seguinte, o desastre seria completo, com Wehrlein saindo de Monte Carlo praticamente zerado na pontuação. Na primeira corrida, a Porsche teve um desempenho satisfatório, largando com sua dupla na terceira fila do grid, com Pascal à frente de Muller. As disputas nas apertadas ruas monegascas, contudo, são diferentes na F-E, ao contrário da F-1, e logo o clima pegou fogo entre vários pilotos, e numa destas disputas, eis que Nico Muller, sim, o próprio companheiro de Pascal Wherlein na Porsche, o acertou na curva da Rascasse, e com isso, arruinou a corrida de ambos. Muller perdeu o bico do carro, e Wehrlein, vejam só, teve mais um pneu furado. Fantasmas da primeira corrida em Berlim voltaram à cena, e não sem justificativa: Pascal foi apenas o 18º e último colocado na pista. Como desgraça pouca era bobagem, Mith Evans, com o 2º lugar, ali mesmo já roubava do alemão a liderança do campeonato, deixando o clima mais azedo na boca do alemão. E o azar seguiu no domingo, na segunda corrida: dessa vez, as coisas complicaram já na classificação, com Pascal saindo apenas em 14º, o que não é exatamente uma tragédia em Monte Carlo, em se tratando da F-E, mas claro que também não ajuda muito a ficar entusiasmado. Bem que ele tentou, mas as confusões na pista complicaram as estratégias do piloto e da equipe, e Wehrlein finalizou apenas em 11º lugar, fora da zona de pontuação. Com mais um 4º lugar de Mith Evans, a vitória de Oliver Rowland, e um 3º e 5º lugares de Edoardo Mortara, Pascal terminou maio despencando da liderança para a 4ª posição no campeonato de pilotos da F-E. Nico Muller foi o único alento da Porsche, com um 6º lugar na segunda corrida no Principado, fora o 2º lugar de Felipe Drugovich com a Andretti, time cliente da marca alemã no trem de força.

 

 

Semanas atrás, Pascal Wehrlein deu uma alfinetada em Antonio Félix da Costa, louvando o novo companheiro de equipe Nico Muller, ao afirmar que a Porsche “voltava a ser um time de verdade”, dando a entender que o piloto português, atualmente na Jaguar, não ajudava o time como deveria. Claro que isso se deveu também ao fato de Wehrlein e Da Costa terem se desentendido na pista algumas vezes, chegando até a terem se tocado em treinos livres, o que certamente não contribuiu para Pascal aceitar que Antonio também tinha direito de disputar na pista. Mas em Mônaco, eis que Muller acabou acertando justamente Pascal numa dividida na Curva da Rascasse, o que arruinou a corrida de ambos. E foi de forma similar que o ambiente entre Pascal e Antonio entornou o caldo. Será que depois dessa, os elogios de Wehrlein a Muller seguirão, ou o destino poderá ser igual muito em breve, caso aconteça um novo entrevero entre ambos, mesmo que involuntário…?

 

 

Mônaco enfim entregou um fim de semana mais positivo para os brasileiros na temporada atual da F-E. Felipe Drugovich, depois de conquistar os primeiros pontos válidos do ano, com o 9º lugar na segunda corrida de Berlim, mostrou as garras em Monte Carlo, e pontuou nas duas corridas do fim de semana monegasco. Felipe terminou a primeira corrida em 5º lugar, mas aproveitando-se de punição a Dan Ticktum, foi classificado em 4º lugar, seu melhor resultado na competição. Na segunda corrida, Drugovich foi ainda melhor, mantendo-se sempre com o pódio ao alcance, e novamente, contou com punição de uma piloto para maximizar o resultado, tendo terminado em 3º lugar, mas sendo classificado em 2º, obtendo seu primeiro pódio na competição, e confirmando seu potencial como piloto para a escuderia norte-americana. Lucas Di Grassi também teve uma excelente performance em Mônaco, diante da fraca competitividade da Lola Yamaha, e também conseguindo se manter longe das confusões e problemas que sempre aparecem em Monte Carlo. Lucas terminou a primeira prova em 8º lugar, e foi o 9º colocado na segunda corrida, marcando enfim seus primeiros pontos na temporada de despedida de sua carreira de piloto, conforme o piloto anunciou em abril.

 

 

A Andretti confirmou em Mônaco o fim de sua parceria com a Porsche no fornecimento de trens de força para a nova era dos carros Gen4. O relacionamento entre as partes já vinha estremecendo desde a temporada passada, mas o contrato para este ano foi mantido, porém o time norte-americano já vem desenvolvendo negociações desde o ano passado. O nome não foi divulgado, mas tudo indica que deve ser a Nissan o novo fornecedor de powertrains para a escuderia. Com a saída da McLaren da competição de carros elétricos, a Nissan perdeu seu time cliente, sendo atualmente a única equipe desfrutando de seu próprio trem de força, o que viabiliza perfeitamente o fornecimento do equipamento para um segundo time. A Porsche, por outro lado, deve manter três escuderias no grid, incluso seu próprio time de fábrica. A marca alemã fornece seus trens de força para a Kiro, e deverá ter um segundo time próprio na competição no próximo campeonato, o que deve elevar o número de carros no grid para 24. Confirmada a parceria com a Nissan, seria a quarta marca de powertrain a ser usada pela Andretti desde o início da F-E. Na era Gen1, a equipe usou o trem de força padrão fornecido pela Spark, sendo substituído pelos powertrains da BMW na era Gen2. Com a saída da marca da Bavária, a Andretti migrou para a também alemã Porsche, cuja parceria agora se encerra ao fim da atual temporada da competição.

 

 

Quem também deve mudar de powertrain na F-E é a Penske. A Stellantis, com a aquisição da Maserati, e sua transformação na atual equipe Citroen, e a estréia de uma segunda escuderia no grid usando a marca Opel, motivou a saída da marca DS, e de sua atual parceria com o time de Jay Penske. Mas o time norte-americano não está parado em relação a isso. Eles declararam que estão em desenvolvimento de seu próprio trem de força, que está ocorrendo há mais de um ano e meio, visando voltar a ter independência no grid. Equipe presente no grid desde o início da F-E, tal com o a Andretti, a Penske, chamada de Dragon nos primeiros anos, também competiu com o trem de força da Spark, tendo partido posteriormente para a adoção de um trem de força próprio, desenvolvido pela Penske Automotive, mas que foi ficando pouco competitivo, diante da evolução dos equipamentos rivais, o que motivou sua adoção pelo trem de força da DS, após o fim da equipe Techeetah, usado desde então. Agora, a escuderia pode voltar a usar um equipamento próprio na competição, mas já avisa que também trabalha em uma estratégia alternativa: usar um powertrain de terceiros, até seu equipamento estar devidamente pronto e competitivo para uso. O time segue trabalhando em seu equipamento, e, caso seja necessário usar um trem de força externo, a Mahindra, que também equipa apenas seu próprio time, é uma das opções que poderão ser acionadas caso necessário.

 

 

Os brasileiros não tiveram o que comemora nas 500 Milhas de Indianápolis deste ano. Caio Collet e Hélio Castro Neves fizeram testes e treinos promissores, mas infelizmente a classificação para o grid começou logo a apagar parte do entusiasmo. Caio chegou à 10ª posição no grid de largada, um feito comemorado pelo piloto, mas que foi jogado no lixo devido a um erro técnico da equipe Foyt, que resultou na desclassificação do brasileiro, obrigando-o a largar da última fila, em 32º lugar. Hélio Castro Neves, que buscava a 5ª vitória na Indy500, e se tornar o recordista absoluto de triunfos, tinha as melhores expectativas desde 2021, o ano em que conquistou sua 4ª e última vitória. Mas na classificação as coisas não correram exatamente como se esperava, e Hélio ficou classificado em 15º lugar, largando em 14º devido à punição do compatriota. Na corrida, apostando em táticas alternativas, Collet chegou inclusive a liderar a corrida, uma situação irreal, claro, mas que com o andamento da corrida, poderia vir a se converter em um resultado final positivo. Infelizmente, na parte final da corrida, Caio acabou acertando o muro, e com isso, deu adeus às expectativas de um bom resultado em sua estréia na Indy500. Helinho vinha tentando andar forte, mas a manutenção de uma estratégia conservadora acabou prejudicando o brasileiro, que perdeu contato com os primeiros colocados. A cerca de seis voltas para o final, ele ainda amargou o abandono, com problemas mecânicos. O jeito é apostar em melhores dias em 2027…

 

 

Um exemplo de como Hélio não conseguiu capitalizar a melhor sorte foi que seu time, a Meyer Shank, acabou vencendo a corrida com o sueco Felix Rosenqvist, que apostou em uma estratégia diferente dos líderes, e se colocou em posição de discutir a vitória, em que pese Felix ter andado muito forte a corrida inteira. Mas a volta final do piloto foi magistral, sendo superado por David Malukas e Patricio O’Ward, e conseguindo superá-los no giro final, inclusive ultrapassando o piloto da Penske na linha de chegada, por meros 0s023, na chegada mais apertada em 110 corridas das 500 Milhas de Indianápolis até hoje. A Indy500 foi um grande sucesso este ano, com uma corrida bem mais movimentada e agitada do que no ano passado. O único senão, segundo os organizadores, foi não ter havido o Bump Day, uma vez que só houve 33 carros inscritos, o número exato de vagas para a largada na corrida. Na verdade, tem sido meio raro haver mais que 33 inscritos em tempos recentes...

Nenhum comentário: