E aqui estamos com mais uma antiga coluna, esta, publicada no dia 15 de setembro de 2000, e o assunto principal era a disputa pelo título da então F-CART, a F-Indy original, não a atual Indycar, criada em 1996. E a disputa pegaria fogo como de costume, e para os torcedores brasileiros, víamos algo que há tempos não esperávamos: um brasileiro, Gil de Ferran, assumia a liderança do campeonato. E em grande estilo, com dobradinha da Penske na etapa de Laguna Seca, que na época, tinha dois brasileiros como titulares, e não poderia deixar Roger Penske mais feliz, encerrando um período de vacas magras que o time do capitão vivia desde 1996. E Gil não largaria mais a liderança a partir dali, se tornando nosso segundo campeão na competição, repetindo o feito de Émerson Fittipaldi, em 1989. Gil iria além de Émerson, conquistando o bicampeonato em 2001, e Cristiano da Matta manteria o domínio verde-amarelo também em 2002, sendo campeão, na última década de existência da categoria. Aproveitem o texto, e boa leitura a todos...
DISPUTA EM ABERTO
Com 16 etapas cumpridas de um calendário de 20 provas, a F-CART este ano está mostrando uma boa briga pelo título. E os brasileiros têm boas chances de conquistar o segundo título na categoria, depois da vitória de Émerson Fittipaldi no já distante ano de 1989. No fim de semana passado, em Laguna Seca, na Califórnia, a Penske fez dobradinha com seus pilotos: Hélio Castro Neves venceu a corrida de ponta a ponta, e Gil de Ferran foi o 2° colocado. Foi a segunda dobradinha do time de Roger Penske na temporada, e a 5ª vitória da escuderia, e o resultado colocou Gil na liderança da competição, com 132 pontos. Todos apostam que o brasileiro é um forte nome para o título.
Mas a parada dificilmente se definirá antes da prova derradeira, no superoval de Fontana. Ainda temos 4 provas, duas em ovais, e outras duas em circuitos de rua, e com nada menos do que 88 pontos em jogo, muita coisa pode acontecer. Gil está na liderança, mas sua vantagem para os concorrentes é efêmera: Michael Andretti está logo atrás do brasileiro, com 126 pontos, apenas 6 de desvantagem, e não é bom subestimar a capacidade do filho de Mario Andretti, que continua buscando seu segundo título, depois de ter sido campeão em 1991. A Newmann-Hass é um time que só perde para a Penske em estrutura, e tem plenas condições de apresentar um carro competitivo para Michael fazer o que sabe melhor. Com duas vitórias e dois segundos lugares, Michael está firme no páreo pelo campeonato. O problema é sua constância ser menor do que de Gil: ele não marcou pontos em 6 etapas, incluída a prova de Laguna Seca, onde foi um medíocre 14° lugar na linha de chegada. Em contrapartida, Gil não marcou pontos em 4 etapas, já contabiliza 2 vitórias, e mais 2 segundos lugares e 1 terceiro, fora o carro da Penske ter demonstrado melhor performance na maioria das pistas do que o monoposto da escuderia de Carl Hass e Paul Newmann.
Da mesma forma, não se pode menosprezar as possibilidades de Paul Tracy, que ocupa a 3ª colocação no certame, com 122 pontos. O problema do piloto canadense, como sempre, é sua aptidão para se envolver em encrencas na pista. Entre azares por culpa própria e outros alheios a seu controle, Tracy ficou sem pontuar em 6 corridas. Em contrapartida, venceu 3 provas, e ainda tem um terceiro lugar. Mas, da mesma forma que Michael Andretti, é um adversário perigoso, ainda mais se estiver dividindo posição na pista, onde tudo pode acontecer, desde apenas perder a posição, ou ambos acabarem fora da corrida. Pelo sim, pelo não, é sempre bom manter distância dele.
Na base da regularidade, Adrian Fernandez, Kenny Brack, e Roberto Moreno também têm boas chances de chegar ao título. Apesar de vencerem pouco (Brack ainda está sem vencer), o trio tem se mantido sempre nas primeiras colocações, procurando aproveitar todas as oportunidades de pontuação, e assim, vão se mantendo com chances de levar a competição. Mas é hora de reforçar a performance, se o objetivo é mesmo arrebatar o título do campeonato. Neste ponto, Roberto Moreno infelizmente não deu sorte na última corrida, sofrendo um abandono que pode ter sido crucial para suas expectativas. Com apenas 3 provas sem marcar pontos este ano, Adrian Fernandez também vai precisar de um pouco mais para desbancar a concorrência.
Com 103 pontos, Hélio Castro Neves está apenas em 7° lugar, mas vem subindo de produção nas últimas corridas. Companheiro de Gil na poderosa Penske, Helinho já mostrou que também é um piloto vencedor, sendo, ao lado de Paul Tracy, quem mais venceu corridas na temporada, com 3 triunfos, em Detroit, Mid-Ohio, e domingo passado em Laguna Seca. O que pesa contra o "Homem-Aranha" é seu início de temporada ruim, onde passou 4 das 5 primeiras corridas praticamente sem pontuar, com alguns abandonos por problemas mecânicos. E, mesmo depois de passar a terminar as corridas com mais constância, ainda ficou zerado em mais 3 etapas, o que explica sua diferença de pontos para o compatriota colega de time.
Quem está sentindo a falta de fiabilidade mecânica é o atual campeão da categoria, Juan Pablo Montoya. O colombiano já venceu 2 corridas no campeonato, mas está longe de apresentar a mesma eficiência dos anos anteriores. Não fossem os vários abandonos no ano, certamente estaria brigando pelo bicampeonato. Sua velocidade continua a mesma, e diante da troca de equipamento efetuada pela Ganassi, pode-se dizer que o time conseguiu um excelente desenvolvimento tanto dos chassis Lola quanto dos motores Toyota. Mas as constantes quebras deixaram Montoya em uma 11° colocação no mundial, com 85 pontos, atrás até de Cristiano da Matta, que vem fazendo um ano muito bom pela modesta escuderia PPI Motorsports, tendo vencido de forma brilhante na etapa de Chicago, conquistando seu primeiro triunfo na categoria, e sendo atualmente o 10° colocado, com 88 pontos. Mas, diferente do colombiano, Cristiano não tem muitas chances de entrar na disputa pelo título. Seu objetivo firme é ficar dentro dos 10 primeiros colocados. Já Juan Pablo, pelos recursos e condições da Ganassi, tem tudo para efetuar uma reação, se seu equipamento colaborar mais e lhe permitir maior fiabilidade.
Como de costume, o campeonato da F-CART vem mostrando seu costumeiro equilíbrio de forças. Nada menos do que 9 pilotos venceram corridas nas 16 etapas disputadas até aqui. Maxximiliano Papis, que começou o ano com vitória no oval de Homestead, entretanto, foi ficando para trás conforme o campeonato avançava, sendo no momento apenas o 12° colocado. Quem também ainda está tendo um ano a baixo do seu potencial é Christian Fittipaldi, que defendendo a Newmann-Hass, é apenas o 14° na classificação, com apenas 67 pontos. Mesmo com boas performances em várias corridas, a falta de fiabilidade e constância de resultados tem deixado o sobrinho de Émerson longe da disputa pelo título, e ainda em busca de sua primeira vitória na categoria, onde estreou em 1995, pela equipe Walker, e desde 1996 defendendo o time de Carl Hass e Paul Newmann. Sua hora vai chegar, só precisa que tudo dê certo no momento certo, e na hora correta.
Mesmo assim, é a melhor temporada para os pilotos brasileiros desde o campeonato vencido por Émerson Fittipaldi em 1989. Das 16 corridas disputadas até aqui, já são 7 vitórias de nossos pilotos, sendo que em Portland, o pódio foi todo do Brasil: Gil de Ferran venceu, seguido de Roberto Moreno em 2° lugar, e Christian Fittipaldi em 3°. E não fosse as "intromissões" de Michael Andretti em 4°, e de Kenny Brack em 6°, teríamos tido 5 brasileiros nas 5 primeiras colocações, pois Cristiano da Matta foi 5° colocado, e Helinho o 7°.
Hoje, os pilotos já voltam à pista, para os primeiros treinos da etapa de Saint Louis, no circuito de Gateway, pista oval com 1,25 milhas de extensão. É hora de voltar ao combate. Depois, a próxima etapa será dia 1° de outubro, no circuito de rua montado nas ruas de Houston, no Texas. Por fim, a visita a Surfer's Paradise para a corrida no dia 15 de outubro, e dia 30, o encerramento da competição, em Fontana, na Califórnia.
A briga pelo campeonato continua plenamente aberta, e pelo histórico de equilíbrio da categoria, apesar dos exageros, até Christian Fittipaldi poderia levar o caneco, mesmo com toda a sua desvantagem. De forma mais realista, as chances maiores são de que um dos 7 primeiros colocados na classificação leve a taça. Há muitos pontos em jogo, e as combinações de resultados favorecem muitas opções que não podem ser descartadas. Em outras palavras, tudo pode acontecer nestas 4 corridas finais. Quem gosta de uma boa disputa tem tudo para curtir a briga, que promete ser boa nas pistas. Os fãs do esporte a motor certamente agradecem. E que vença o melhor...
O Grande Prêmio da Itália domingo passado foi marcado pelo acidente que envolveu vários pilotos logo na primeira volta. Envolveram-se na confusão Rubens Barrichello, Heinz-Harald Frentzen, Pedro de La Rosa, e David Couthard, na Variante Della Roggia. Johnny Herbert, Jarno Trulli e Eddie Irvinne também ficaram de fora no momento. Se todos os pilotos conseguiram sair ilesos do que sobrou de seus carros, infelizmente um fiscal de pista não teve a mesma sorte: Paolo Ghilimsberti, de 33 anos, foi atingido por uma das rodas que voaram do carro de Pedro de La Rosa, sofrendo traumatismo craniano. Atendido na pista pelos fiscais e pelo Dr. Sid Watkins, Paolo foi levado para o Hospital de Monza, mas faleceu em decorrência dos ferimentos. Isso acabou quebrando parte do espírito de comemoração da torcida, que vibrou com a vitória de Michael Schumacher, que volta a entrar firme na luta pelo título, estando apenas 2 pontos atrás de Mika Hakkinem, da McLaren, que foi 2° colocado na prova. Ralf Schumacher, da Williams, fez uma boa corrida, e fechou o pódio na 3ª colocação.
Quem também tinha motivos para comemorar em Monza era o brasileiro Ricardo Zonta: sem lugar garantido em 2001, Ricardo fez boa corrida e terminou em 6° lugar, marcando seu segundo ponto no campeonato. Pode ser pouco, mas num momento onde estão sendo feitas negociações para o próximo ano, resultados são o melhor cartão de visita, e Zonta precisa ter o que mostrar, e torcer para que até o encerramento do campeonato consiga desempenhar mais belas performances a fim de garantir uma vaga de titular, ou no mínimo, de piloto de testes em um time de ponta, como por exemplo a McLaren, onde é um dos nomes cogitados para a vaga.
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