quinta-feira, 18 de julho de 2013

DIXON NA COLA



Dixon: três vitórias consecutivas e a vice-liderança no campeonato.

            O campeonato da Indy Racing League promete pegar fogo no restante do ano. Se Hélio Castro Neves continua liderando a competição, o brasileiro da Penske ganhou um novo adversário potencialmente perigoso após a rodada dupla disputada no último final de semana em Toronto, no Canadá. O neozelandês Scott Dixon venceu com categoria as duas provas disputadas no centro da metrópole canadense, e levando em consideração que ele já havia vencido a corrida disputada em Pocono, na semana passada, o retrospecto sugere uma ameaça potencial fortíssima, afinal, foram 3 vitórias consecutivas do piloto da Ganassi.
            Com o resultado, Dixon assumiu a vice-liderança do campeonato, com 396 pontos. Helinho lidera o certame, com 425 pontos, uma diferença que pode ser considerada pequena, se lembrarmos que uma vitória vale 50 pontos. Até as etapas de Toronto, a maior ameaça a Hélio vinha dos pilotos da Andretti: Ryan Hunter-Reay e Marco Andretti vinham se revezando nos bons resultados, e ora um era o vice-líder, ora o outro. Um pouco mais atrás, o canadense James Hinchcliffe também era uma ameaça potencial, pois havia vencido 3 corridas e só não estava tão perto do brasileiro porque não tinha a mesma constância dos demais colegas de time. Mantendo-se sempre em bons lugares na pontuação, Hélio vinha sustentando a liderança da competição, aproveitando que os rivais não conseguiam manter a mesma regularidade.
            Mas a trinca de vitórias de Dixon preocupa. Se o neozelandês venceu com base na estratégia a primeira corrida de Toronto, na segunda prova ele praticamente venceu a etapa de ponta a ponta. Helinho também fez uma boa apresentação sobretudo no domingo, quando afirmou que teve seu melhor carro no ano. De fato, o brasileiro assumiu a segunda posição na largada, e lá ficou a prova inteira, sem ser ameaçado por ninguém, mesmo nas relargadas. Mas Helinho foi incapaz de ameaçar Dixon na luta pela vitória: o piloto da Ganassi simplesmente detonou toda a concorrência. Bicampeão da IRL, Dixon pode ser um adversário mais perigoso que os demais pilotos, pela experiência, e também pela estrutura da Ganassi, que parece ter finalmente se entendido com o novo chassi DW-12, utilizado desde o ano passado. Dixon ficou na sombra no time nos últimos anos, quando foi eclipsado por Dario Franchitti, que venceu 3 campeonatos consecutivos em 2009, 2010, e 2011, mas no ano passado o escocês não exibiu a mesma forma com o novo carro, ao passo que Dixon parece ter tido mais sintonia com as reações do novo modelo adotado pela categoria.
            Tanto é que, no ano passado, Dixon foi 3º colocado no campeonato, com 2 vitórias, enquanto Franchitti foi apenas o 7º colocado, vencendo apenas a Indy500. Este ano, Scott já assumiu a vice-liderança, venceu 3 vezes, e Franchitti ocupa só a 7ª posição, sem ter vencido nenhuma corrida. Poderia se dizer que o resultado em Toronto seria derivado de um excelente acerto do time da Ganassi para a pista de rua da cidade, mas a vitória anterior, obtida com uma trinca da Ganassi no pódio de Pocono, foi conseguida em um oval gigante. A próxima corrida do campeonato é em Mid-Ohio, e foi lá que Dixon venceu pela última vez no ano passado. Se a Ganassi mostrar boa forma no circuito de Lexington, estará confirmada que é uma nova e potencial ameaça ao possível título de Hélio Castro Neves.
            Independente de quem seja o adversário, a Penske e Helinho precisam melhorar de ritmo. O brasileiro tem apenas uma vitória no campeonato, enquanto os rivais mais próximos, Dixon e Hunter-Reay, já venceram mais de uma corrida. Para afastar qualquer ameaça dos concorrentes chegarem mais perto, o brasileiro precisa vencer novamente, e a Penske tem que conseguir dar a seu piloto um carro nas melhores condições possíveis, além de ter sempre uma boa estratégia para as corridas. Ainda tem muito chão pela frente até o encerramento do campeonato em outubro, na pista de Fontana, e quanto mais dianteira Helinho puder conseguir, melhor para suas disputas, podendo evitar alguns riscos potenciais, como se envolver em algum acidente. E, o mais importante: não perder a cabeça em nenhum momento.
            Falando em perder a cabeça, Will Power, companheiro do brasileiro na equipe Penske, está mostrando que este não é mesmo seu ano. Disputando sua pior temporada desde que virou titular integral na Penske, o australiano jogou para o alto duas oportunidades de bons resultados na rodada dupla de Toronto: na primeira corrida, em disputa estabanada com Dario Franchiti pelo terceiro lugar, errou feio a freada no fim da reta oposta e acertou a barreira de pneus, despencando para a 15ª posição na classificação final da prova de sábado; no domingo, o australiano vacilou na relargada a 2 voltas do final, patinou com seu carro e acabou provocando um engavetamento que levou também Ryan Hunter-Reay e Takuma Sato, e jogando fora um possível 3° lugar para acabar classificado apenas em 18°. Depois de 3 temporadas em que deixou Helinho na sobra dentro da Penske, o brasileiro este ano já está mais de 150 pontos na frente. Ainda há tempo de Power se recuperar para tentar uma reação e apagar a má temporada, mas se não puser a cabeça no lugar, vai ser difícil. Perder os últimos 3 campeonatos sempre na última corrida parece ter deixado Power meio fora de foco.
            E perder o foco é algo que dificilmente acontecerá com Dixon. O neozelandês costuma sempre manter a cabeça fria, e não é de desperdiçar oportunidades. Se a Ganassi enfim encontrou o rumo para acertar seus carros, será o mais forte adversário contra o piloto brasileiro. A favor de Helinho, está o fato de poder esperar que seus rivais troquem lutas entre si, enquanto procura marcar o maior número de pontos possível. Mas, como já mencionei, é vital voltar a vencer corridas, para minimizar os riscos.
            Desde que chegou à Penske, Hélio já foi vice-campeão da IRL em duas oportunidades, enquanto viu seus companheiros de equipe conquistarem 3 campeonatos. Gil de Ferran foi bicampeão da F-Indy original em 2000 e 2001; e Sam Hornish Jr. foi campeão da IRL em 2006, naquela que foi a última conquista da Penske de um campeonato. Disputando seu melhor campeonato dos últimos anos, o brasileiro tem que caprichar para finalmente conquistar o tão sonhado título da categoria. Uma oportunidade que não pode ser perdida.


Principal rival de Helinho na luta pelo título até Toronto, o atual campeão da IRL, Ryan Hunter-Reay teve um fim de semana para esquecer nas etapas da cidade canadense, com resultados pífios que o fizeram ficar mais distante do brasileiro na classificação do campeonato, além de perder a vice-liderança para Scott Dixon. Mas é bom não subestimar o poderio da escuderia de Michael Andretti, que apesar de não ter tido um bom fim de semana em Toronto, ainda é a equipe que mais venceu no ano, com 5 vitórias.


Enquanto isso, na F-1, a equipe Marussia confirmou esta semana que usará os novos motores Ferrari V-6 turbo a partir de 2014. A escuderia é a única que ainda usa os motores Cosworth V-8, depois que a Hispania faliu no fim do ano passado. Sem recursos para desenvolver um motor turbo, a Cosworth deixará a F-1 pela segunda vez na última década. No próximo ano, a F-1 terá apenas 3 marcas de motor nas equipes do grid: Mercedes, Renault, e Ferrari.


O péssimo ano da Williams já teve seu primeiro “crucificado”: Mike Coughlan, diretor técnico desde 2011 do time inglês, foi demitido esta semana. Para seu lugar, foi contratado Pat Symonds. Como de costume, Frank Williams disse que Symonds tem todas as condições de elevar a capacidade técnica do time. Coughlan também foi recebido com elogios deste tipo quando chegou à escuderia em 2011. Nada como um dia depois do outro...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – JULHO DE 1996 – 26.07.1996



            Novamente com a seção Arquivo, o texto de hoje é do dia 26 de julho de 1996. Era o fim de semana do Grande Prêmio da Alemanha, e o clima de expectativa entre os torcedores de Michael Schumacher não era dos melhores, em virtude da avalanche de problemas mecânicos e resultados ruins que haviam surgido nas últimas etapas, depois de verem o então bicampeão mundial vencer a prova da Espanha, debaixo de chuva, e ter dado impressão momentânea de que a Ferrari iria sim disputar o título, o que acabou não acontecendo, pelo menos naquele ano. De quebra, ainda várias notas rápidas sobre outros acontecimentos do esporte a motor naquela semana. Uma boa leitura a todos, e semana que vem tem mais...


OU VAI OU RACHA

            A Fórmula 1 retorna à Alemanha para a 2ª e última prova do ano em terras germânicas. Depois do GP da Europa, disputado no circuito de Nurburgring, agora é a vez do Grande Prêmio da Alemanha, a ser disputado no belo circuito de Hockeinhein, localizado ao lado da cidade de mesmo nome. O clima da torcida local é de total apreensão e incerteza. Um clima bem diferente do vivido em abril, durante o GP da Europa.

            Em Nurburgring, a torcida alemã foi à loucura ao ver seu ídolo nacional, Michael Schumacher, lutando pela vitória curva a curva com a Williams de Jacques Villeneuve. Para melhorar, Damon Hill, o maior rival de Schumacher nos últimos anos, ficara em 4º lugar, sem conseguir ameaçar os líderes. A vitória foi de Villeneuve, mas a torcida comemorou como nunca.

            Agora, entretanto, o clima que impera na torcida alemã não é dos mais agradáveis. Para piorar o ânimo dos torcedores de Schumacher, a Williams está afinada como nunca para o veloz circuito alemão, que só perde para Monza em velocidade média alta. Até a Benetton já mostra mais poderio, insuficiente para ameaçar os carros de Frank Williams, mas o bastante para superar a Ferrari de Schumacher. Como se desgraça pouca é bobagem, a escuderia vermelha anda novamente às voltas com aquela nuvem negra que vive pairando sobre o time e parece não querer sair de lá. Desde a última corrida disputada aqui na Alemanha, os fãs do bicampeão mundial foram ao céu, e depois disso, desceram direto para o inferno, sem escalas...

            Na prova seguinte, em San Marino, Schumacher conseguiu a pole e acabou em um convincente 2º lugar. Depois, veio Mônaco, onde o alemão assombrou a todos com uma pole demoníaca, digna de Ayrton Senna. Um erro infantil do piloto, contanto, frustrou seus fãs: Schumacher bateu logo na primeira volta. Em Barcelona, veio a redenção de Michael: debaixo de uma chuva torrencial, o alemão massacrou a concorrência e ainda viu Hill cometer vários erros e abandonar a corrida. Estava concretizada a primeira vitória de Schumacher na Ferrari, e tudo indicava, que daí para a frente, retornar à luta pelo título e a novas vitórias já era uma realidade. Coitados. Daí em diante, Schumacher, Irvinne, e a própria Ferrari, passaram a viver um inferno astral que ainda não acabou. Tanto Schumacher quanto Irvinne nem conseguiram terminar as últimas 3 corridas. Para piorar, o desempenho do time vermelho começou a decair. Na França, então, foi o cúmulo do ridículo: Schumacher nem conseguiu largar, com seu motor estourando na volta de apresentação e forçando o bicampeão a dar adeus à corrida antes mesmo dela começar, ainda mais após conquistar, no braço, mais uma pole-position. Desgraça de uns, festa de outros: Damon Hill venceu novamente, enquanto Michael amargava um dos piores vexames de toda a história da Ferrari. Já em Silverstone, outra atuação pífia, com abandono logo no início da corrida...

            Os piadistas do circo não deixaram escapar: já apelidaram a equipe italiana de “esquadrilha da fumaça”. Houve quem dissesse que o time de Maranello, apesar dos pesares, havia evoluído: se na França Schumacher nem conseguiu largar, em Silverstone o alemão pelo menos conseguiu andar 2 voltas na pista antes de quebrar, e andam estimando que domingo o bicampeão consiga dar pelo menos 5 voltas antes de pifar em Hockeinhein...

            Mais ainda: outro motor foi pro brejo durante testes em Monza na semana passada. Análise da situação: se fosse o GP da Itália, a torcida italiana iria querer linchar alguém na Ferrari. Com certeza, a crise está novamente nas vizinhanças de Maranello.

            Pelo balanço do GP da Inglaterra, a coisa tende a piorar para o lado de Schumacher. A Benetton já mostra seu avanço e superou a escuderia italiana no campeonato de construtores, sem falar que a McLaren vem se aproximando rápido. Não vai ser um fim de semana tranqüilo para o bicampeão alemão, que aqui em Hockeinhein tem muitas satisfações para dar à sua fiel torcida. Prevê-se excelente público para domingo, mas dependendo do que acontecer nos treinos de hoje e amanhã, parte do público pode desaparecer antes mesmo de chegar.

            Para Schumacher, não há meio termo: ou consegue um bom resultado aqui ou vai ter muita frustração para agüentar até o fim do campeonato. Depois de tantos resultados de sucesso na Benetton nos últimos dois anos, será que o piloto alemão vai conseguir segurar essa barra? E a torcida alemã, igualmente acostumada às vitórias de seu ídolo. Para os torcedores e seu ídolo, vai ser um final de semana na base do vai ou racha. E tudo indica que poderá rachar mesmo...





Balanço do campeonato até aqui para os pilotos da Williams: Damon Hill tem 6 vitórias, e Jacques Villeneuve, apenas 2. Contra o canadense pesa-se o fato de que apenas a vitória de Hill na Austrália foi obtida em cima de problemas do filho de Gilles em seu carro, enquanto as duas vitórias do piloto canadense foram obtidas em corridas onde seu companheiro inglês teve problemas. Nos confrontos diretos, Hill ganhou quase todas.





O brasileiro Tarso Marques vai ser piloto de testes da Arrows até o fim do ano. Tarso terá a incumbência de desenvolver os novos pneus da Firestone, que tem planos de estrear na F-1 em 1998, mas possivelmente em 97 ainda . Mas é só para ser piloto de testes do time. O próprio piloto brasileiro já avisa que não há nenhuma previsão de pilotar para a Arrows como titular no campeonato de F-1.





Michael Schumacher já avisa: deve renovar contrato com a Ferrari até o fim de 1998. Apareceram especulações de que a Mercedes teria oferecido cerca de US$ 38 milhões para colocá-lo na McLaren em 98, mas o próprio piloto alemão tratou de desmentir o boato.





E a Peugeot confirma: para 97, seus motores continuam exclusivos da equipe Jordan. Isso esfria as pretensões dos times que disputavam a preferência de segunda equipe oficial da fábrica francesa na categoria. Para 98, entretanto, tudo continua em aberto.





A F-Indy volta às pistas neste fim de semana. Disputam-se as 500 Milhas de Michigan. O favoritismo vai para os carros com motor Honda e pneus Firestone. No leque dos requisitos, temos: André Ribeiro, Jimmy Vasser, Alessandro Zanardi, e Adrian Fernandez, este último com a moral em alta pela vitória na última corrida, em Toronto. Por fora, mas mantendo o favoritismo dos motores Honda, vem Gil de Ferran.





Damon Hill está a fim de recuperar o favoritismo no campeonato, e as próximas pistas são favoráveis ao inglês. Jacques Villeneuve não conhece as pistas de Hockeinhein (onde a F-1 corre neste fim de semana), Hungaroring (Hungria), e Spa-Francorchamps (Bélgica). Já em Monza (Itália) e no Estoril (Portugal), a parada promete ser dura.





Gary Anderson, projetista da Jordan, vai ter suas funções diminuídas na equipe. Eddie Jordan está ampliando o staff técnico da escuderia, e Gary vai se concentrar apenas no projeto do novo EJ197, carro para a temporada do ano que vem. A centralização das decisões técnicas em Anderson estava dificultando a evolução técnica da escuderia.
 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

GANASSI E TARGET: 100 VITÓRIAS



Comemoração da vitória da Chip Ganassi em Pocono feita em grande estilo: 100 triunfos com o patrocínio da Target.

            A corrida de Pocono, disputada domingo passado, e válida pelo campeonato 2013 da Indy Racing League, teve bons motivos para fazer valer o dia para os amantes do automobilismo. Em primeiro lugar, foi a estréia de um grande circuito superspeedway no calendário da categoria, e que há muito tempo estava fora do certame das categorias Indy, tendo sediado sua última prova em 1989, na F-Indy, e de lá para cá tendo como maior atração duas provas de 500 milhas da Nascar. O visual da pista de Pocono é espetacular, permitindo aos carros atingirem altíssimas velocidades, e a largura da pista, em especial na reta dos boxes, dá a impressão de que os carros parecem até miniaturas. E Pocono marcou a volta da Chip Ganassi ao lugar mais alto do pódio, de onde andava ausente desde Mid-Ohio no ano passado. E em ambas as ocasiões, foi o neozelandês Scott Dixon o vitorioso. Foi uma vitória tripla para Chip Ganassi, uma vez que Charlie Kimball foi o 2° colocado, da equipe “B” Nordisk Ganassi, seguido por Dario Franchiti, parceiro de Dixon, em seu primeiro bom resultado do ano. E a vitória do time de Chip foi também histórica, por ter sido o 100° triunfo da equipe contando com o patrocínio da Target, patrocinador que sempre esteve presente no time de Chip Ganassi, desde sua fundação.
            Trata-se de uma marca importante, e que reforça a identidade da parceria entre a Target e Chip Ganassi, desde que este estreou seu time de competição na F-Indy original em 1990, tendo como piloto o conterrâneo Eddie Cheever. Floyd “Chip” Ganassi Jr. já tinha sido piloto na categoria, correndo pela escuderia de Pat Patrick, até sofrer um forte acidente em Michigan, em 1984. Recuperado, Ganassi encerrou sua carreira de piloto, mas seguiu no automobilismo, associando-se a Patrick Racing, que para o lugar do americano contratou o brasileiro Émerson Fittipaldi, que seria campeão com o time em 1989. No mesmo ano, Chip desfez sua parceria com Pat Patrick, e em 1990, estreava no campeonato com sua Chip Ganassi Racing. Contando desde o início com o patrocínio da Target, iniciava-se ali uma parceria que se mantém firme até hoje.
A estréia da Chip Ganassi Racing, em 1990, já contava com o apoio da Target no carro de Eddie Cheever.
            Competindo inicialmente com um chassi Penske de 1989, o time mudou para os Lola a meio do campeonato de 1990, tendo um desempenho bastante aceitável para um time estreante, com Eddie Cheever, recém-saído da F-1, a terminar o campeonato em 9° lugar, com 80 pontos. Cheever repetiu a mesma posição em 1991, sendo 10° colocado em 1992, quando deixou a equipe. Em 1993, contou com Arie Luyendick, vencedor da Indy500 de 1990, 8° colocado naquele ano. Apenas em 1994 a equipe venceria pela primeira vez: foi em Surfer’s Paradise, na Austrália, com Michael Andretti. A vitória continuou com a tradição da Reynard de vencer sempre na estréia das categorias que disputava, tendo entrado na F-Indy naquele ano, e para Michael Andretti, foi a redenção depois de um ano catastrófico na McLaren correndo na F-1. Michael venceria mais uma corrida em 1994, sendo 4° colocado no mundial, a melhor colocação até então. Naquele ano, o brasileiro Maurício Gugelmim fez sua primeira temporada completa na F-Indy, sendo companheiro de Andretti na Chip Ganassi, terminando a temporada apenas em 16° lugar.
            No ano seguinte, tendo Jimmy Vasser e Brian Herta como pilotos, o time voltou a ficar em posições intermediárias na competição. Para 1996, o time ganharia o reforço dos motores Honda e do italiano Alessandro Zanardi, e a partir daí, Chip Ganassi daria um novo status à sua escuderia. A combinação técnica Reynard/Honda/Firestone mostrou ser o melhor conjunto da categoria, mas a afinação, acerto e desenvolvimento dos carros atingida pelo time de Chip foi a mais eficiente de todas, e Jimmy Vasser conquistou o primeiro campeonato da história da escuderia. E não foi apenas Vasser que brilhou: Alessandro Zanardi foi a revelação da temporada, terminando em 3° lugar. A Chip Ganassi agora era o time a ser batido.
            O domínio se repetiu nos anos seguintes, com o bicampeonato de Zanardi (1997/1998) e o título de Juan Pablo Montoya (1999). Em 2000, Chip fez uma nova parceria com técnica com a Lola e a Toyota, mas a Penske, usando a combinação Reynard/Honda/Firestone foi a campeã. Mesmo assim, Montoya ainda venceu 3 provas, mostrando que a Ganassi havia se tornado de fato um time de ponta. O ano de 2001 foi mais difícil, mas o time ainda venceu corrida, agora com o brasileiro Bruno Junqueira, apesar de ficar apenas em 16° no campeonato. Mesmo com todos os altos e baixos que o time eventualmente sofria, e com alguns patrocínios mudando, a Target sempre se manteve firme e fiel ao time, numa solidariedade poucas vezes vista no mundo do automobilismo mundial. Em 2002, o time seria vice-campeão com Bruno Junqueira, em sua última participação na F-Indy.
            Para 2003, a Chip Ganassi mudou para a Indy Racing League, onde já tinha feito participação apenas nas 500 Milhas de Indianápolis, e competido com um time próprio durante a temporada de 2002. Agora dedicada apenas à IRL nos monopostos, o time voltou a mostrar sua força: foi campeã com Scott Dixon, repetindo o feito em 2008. Nos anos seguintes, a escuderia monopolizou a disputa do campeonato com a rival Penske, conquistando 3 títulos consecutivos com o escocês Dario Franchiti em 2009, 2010 e 2011. Desde a adoção do novo chassi DW-12 da Dallara, o time tem tido dificuldades em recuperar a forma dominadora de antes, mas a grande estrutura montada nos bons anos de sucesso por Chip Ganassi tornam a escuderia hoje uma das grandes forças do automobilismo americano, competindo atualmente com 4 pilotos na IRL, contando com Scott Dixon e Dario Franchiti no time “principal”, e Charlie Kimball numa estrutura “B” intitulada Nordisk/Ganassi.
            Até domingo passado, foram 90 vitórias contando ambas as categorias Indy, a F-Indy e a IRL. Mas Chip Ganassi não resumiu sua participação a estes dois campeonatos. Em 2001, Chip expandiu suas atividades, criando um time para competir na Nascar, a Stock Car americana. O sucesso na Nascar não foi tão freqüente como na Indy, mas o time venceu algumas corridas nesta competição, obtendo 4 triunfos na série ARCA, e uma na Sprint Cup. Mais proeminente foram as incursões de Chip no campeonato da Grand-Am, onde conseguiu 5 vitórias, e na prova mais destacada de todas, as 24 Horas de Daytona. E em todas estas participações, a Target, eterna parceria de Chip Ganassi, sempre esteve presente.
            Uma das maiores redes de supermercados dos Estados Unidos, a Target só perde para a rede do Walmart, a maior cadeia de supermercados do país. Originária da Dayton Hudson Corporation, uma empresa fundada em 1902 no Estado de Minnesota, a primeira loja com o nome Target foi aberta em 1962, tornando-se, ao longo dos anos, a maior divisão da Dayton Hudson, que no ano 2000 mudou seu nome para Target Corporation. Neste ano, a Target iniciou suas operações no Canadá, já tendo até o momento mais de 100 lojas abertas no vizinho do norte dos Estados Unidos. Durante a década de 1990, a Target foi a principal rival no ramo de lojas de varejo da K-Mart, durante o campeonato da F-Indy. A K-Mart patrocinava a equipe Newmann-Hass, uma das potências da categoria, e encontrou um rival à altura na Target, apesar de só a partir de 1996 a Ganassi se tornasse de fato uma potência no campeonato. Mas a K-Mart deixou a equipe de Carl Hass e Paul Newmann, que na década passada deixou de contar com o apoio da loja de departamentos, ao passo que a Chip Ganassi e a Target nunca se separaram, e continuam firmes até hoje.
            A ligação da Target com Chip Ganassi atingiu um número histórico de vitórias nos certames em que estiveram presentes, e isso é admirável. Talvez apenas a ligação da Marlboro com a Ferrari tenha sido tão vitoriosa, embora atualmente a Phillip Morris tinha apenas um menção implícita nos carros vermelhos, em virtude da proibição da propaganda tabaqueira na F-1. Chip e a Target já estão juntos há quase 25 anos, e mesmo que o time não esteja hoje na mesma posição dominante de outros anos, a parceria segue firme e forte, e quem sabe ambos estejam juntos daqui a outros 25 anos. Pode parecer sonhar alto demais, mas a América sempre se caracterizou por permitir que certos sonhos se tornassem realidade.
            Os parabéns a Chip Ganassi e sua escuderia, e à Target pela marca alcançada, mostrando que fidelidade e solidariedade, nos bons e maus momentos, ainda são possíveis de serem encontrados no mundo do automobilismo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – JULHO DE 1996 – 19.07.1996



            De volta à seção Arquivo, trago hoje a coluna do dia 19 de julho de 1996, que relatava as frustrações e decepções com os resultados apresentados no Grande Prêmio da Inglaterra de F-1 daquela temporada, além dos acontecimentos vistos no Grande Prêmio de Toronto da F-Indy, onde houve também uma tragédia durante a prova. Fiquem agora com o texto, e boa leitura para todos. Na semana que vem tem mais...


DECEPÇÕES E TRAGÉDIA

            Terminado o domingo passado, as etapas automobilísticas da F-1 e da F-Indy não corresponderam muito às expectativas gerais do público e da mídia. Muito pelo contrário, foram várias as decepções em ambas as provas.

            Na Fórmula 1, em Silverstone, tudo indicava que Damon Hill era o favorito para vencer o GP de seu país. Entretanto, uma largada falha e uma suposta roda bloqueada fizeram as expectativas da torcida inglesa, que lotou o autódromo inglês, irem por terra. Erro de Hill ou falha mecânica do carro? A largada falha, sem dúvida, fazendo o piloto inglês da Williams cair para a 5ª posição, e ter de recuperar tais posições, ajudou a animar a expectativa de quem pensava que veria apenas uma passeio do filho de Graham Hill. Jacques Villeneuve viu na ocasião a chance de vencer a prova e foi abrindo vantagem. Hill adotara a tática de fazer apenas 1 parada no box, e até sua rodada, vinha cumprindo bem o seu papel; dali em diante, seria apenas repetir a performance exibida em outros GPs, quando sempre foi mais constante e rápido que o piloto canadense. Mas não foi o que aconteceu. Damon teve um das rodas dianteiras de sua Williams travada, e ao fazer a Copse, saiu forte da pista, sem maiores conseqüências além do abandono. Se a falha foi do carro, não importa: para a torcida, foi Hill quem errou e ponto final, terminando de forma desalentadora o GP britânico.

            Fora o drama de Hill, a Ferrari também teve mais um dia de calvário: Michael Schumacher desta vez conseguiu largar, ao contrário da França, mas foram apenas 2 voltas até as esperanças do bicampeão mundial ruírem novamente. Eddie Irvinne, repetindo o que acontecera nas corridas anteriores, despediu-se igualmente cedo da disputa, ainda nas voltas iniciais do GP. Fico imaginando o que vai acontecer na próxima corrida se isso se repetir com Schumacher novamente...

            Jean Alesi, que até agora é a maior estrela da Benetton, parece estar sendo um piloto de pouco fôlego: fez uma largada relâmpago, e por pouco não assumiu a liderança na arrancada para a curva Copse. O piloto francês até manteve um bom trem de corrida inicial mas, na segunda metade da prova, perdeu muito rendimento. O carro quebrou, é verdade, mas antes disso, Gerhard Berger, seu companheiro de equipe, que largara bem atrás, recuperava terreno e estava pressionando fortemente seu colega de time, cena que já vem sendo comum nas últimas corridas. O pódio de Berger foi uma recompensa à persistência do austríaco. Apesar dos boatos de sua dispensa pela Benetton ao fim do ano, já há rumores de que a reação do piloto no campeonato podem inverter a querela. Quem sai e quem fica na Benetton? Pode ser difícil dizer...

            Outras decepções em Silverstone: Pedro Paulo Diniz, mais uma vez andando à frente de Olivier Panis, teve sua bela atuação novamente malograda por um motor estourado, como na França. David Couthard não conseguiu se impor à concorrência, ficando na sombra de Mika Hakkinem durante todo o fim de semana.

            Mais tarde, em Toronto, no Canadá, em etapa válida pela F-Indy, nada a se comemorar. A concorrência, que imaginava-se todos, aplicaria o golpe final na liderança do campeonato de Jimmy Vasser, acabou capitulando ao azar, que atingiu a todos nesta prova. O único ponto positivo foi o de Christian Fittipaldi, o menos azarado, que diminuiu sua desvantagem para Vasser, em apenas 1 ponto, muito pouco para suas aspirações ao título. Em contrapartida, os demais perseguidores do piloto americano da Chip Ganassi, Michael Andretti, Al Unser Jr., e Gil de Ferran, não tiveram os resultados esperados. O piloto brasileiro e “little” Al tiveram toques de carro na largada e perderam tempo precioso nos boxes reparando seus bólidos. Estava perdida a chance de pontuar para ambos. Michael Andretti parecia ser o vitorioso da contenda até o azar também acertá-lo. Tudo isso, mais um satisfatório 8º lugar de Jimmy Vasser deram ao californiano boas e renovadas perspectivas na luta pelo título, já que aproxima corrida é em Michigan, onde o conjunto Reynard/Honda/Firestone foi imbatível na US 500, e tudo indica que poderá haver uma reprise de tal desempenho.

            O brasileiro de maior destaque na prova também não conseguiu escapar do azar. André Ribeiro conseguiu a pole-position, mas erros do piloto, e outros azares durante a corrida, tiraram André da zona de pontuação. Para piorar o astral do piloto, viu seu companheiro de equipe vencer a prova, sinal de que também poderia tê-lo feito.

            Outra decepção já nem foi novidade: Raul Boesel mais uma vez ficou pelo caminho. Confesso já ter perdido a conta de quantos defeitos surgiram no carro do paranaense este ano. Duvido que outro carro tenha pifado tantas vezes, à exceção do Eagle/Toyota de Juan Manuel Fangio II...

            Já o outro enunciado do título desta coluna, tragédia, foi o ocorrido nas voltas finais do GP de Toronto de F-Indy. Uma fechada involuntária de Stefan Johnsson acabou catapultando o Reynard/Toyota do americano Jeff Krosnoff para o ar. O carro acertou o alambrado e uma árvore rente ao mesmo, bateu em um poste de iluminação e caiu sobre a pista, dividido ao meio pelo forte impacto contra a árvore. Krosnoff morreu na hora, e piorando a desgraça, dois fiscais de pista postados por infeliz coincidência no mesmo ponto, foram atingidos pelo carro. Um deles, Gary Arvin, de 44 anos, também morreu na hora, ao ser atingido na cabeça. O outro fiscal, Bárbara Johnston, foi hospitalizada, mas já passa bem. A cena foi apavorante, e todos os pilotos presentes no momento do violento acidente por pouco não escaparam de sofrer também sérios ferimentos. Johnsson acabou tonto com o impacto de parte do carro de Krosnoff, que despencou em cima de seu bólido. O sueco, felizmente, não sofreu nada. André Ribeiro desviou instintivamente e evitou colidir com o motor do carro do americano, que voou em sua direção. Para isso, o brasileiro precisou seguir reto em uma curva, afundando seu carro Lola/Honda na proteção de pneus. Émerson Fittipaldi também foi atingido por destroços do carro de Jeff, mas os danos se resumiram à suspensão e bico de seu Penske/Mercedes.

            Já é o segundo acidente com morte este ano nas categorias Indy: primeiro foi a morte de Scott Brayton em Indianápolis, pela Indy Racing League. Agora, foi Jeff Krosnoff. Não importa quem seja o piloto, depois de ver a morte de Ayrton Senna, todo acidente, por menor que seja, me arrepia. E o do último domingo é mais um ponto negro na história do automobilismo que vai ficar gravado na memória de muita gente. E como vai...





Na Indy Lights, o campeonato está embolado. Guálter Salles, em sua 3ª vitória consecutiva, diminuiu ainda mais a vantagem do líder do certame, David Empringham. O canadense lidera com 117 pontos, mas o piloto brasileiro já soma 108. A desvantagem, que era de 22 pontos, despencou para 9. E Guálter promete chumbo grosso nas 3 etapas que faltam. Ameaça real ou blefe? Empringham pode não querer pagar para ver...





Eis uma das últimas “bombas” soltas no paddock de Silverstone: Damon Hill, caso ganhe o campeonato, deve pedir cerca de US$ 34 milhões por dois anos de salário para renovar com a Williams. Se isso for verdade, Hill irá repetir o ocorrido com, Nigel Mansell em 92, quando o campeão também ficou desempregado por querer aumento salarial, e foi para a F-Indy...





Outra fofoca nos bastidores do GP inglês: a Marlboro, depois de mais de 20 anos, deixará de patrocinar a McLaren. Se isso se confirmar, deixará a equipe de Ron Dennis totalmente desfigurada visualmente para a próxima temporada.





“Eu sou Michael Schumacher e não David Cooperfield.”, declaração do bicampeão alemão à imprensa, depois do fiasco da Ferrari no Grande Prêmio da Inglaterra de F-1. Schumacher diz que é um piloto, não um mágico, e não faz milagres na pista...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ENCONTRANDO UMA SOLUÇÃO



Hamilton e seu pneu Pirelli traseiro dechapado: FIA, Pirelli,  e F-1 precisam agir juntas para evitar o pior. Isso se conseguirem se entender direito...

            Depois de duas corridas tranquilas, eis que o assunto dos pneus voltou com carga total à F-1, especialmente depois de vermos nada menos do que 4 estouros de compostos durante a realização do Grande Prêmio da Inglaterra, dois deles praticamente determinantes para arruinar a performance de pilotos que poderiam ter subido ao pódio em Silverstone. O maior afetado foi Lewis Hamilton, que arrebatou a torcida com uma pole arrasadora na pista inglesa, e vinha defendendo bem sua posição dos ataques de Sebastian Vettel até que um de seus pneus traseiros rebentasse praticamente sem aviso prévio. O inglês conseguiu voltar aos boxes para trocar seus compostos e retomar a corrida, de onde passou a fazer uma grande prova de recuperação. Felipe Massa foi outro que fazia sua melhor apresentação no ano, brigando pelo pódio, quando teve o mesmo desprazer de Hamilton, e o mesmo calvário para retormar a corrida.
            Jean-Éric Vergne e Sérgio Perez também tiveram seus pneus praticamente desmantelados e viram suas corridas irem para o vinagre. Outros pilotos tiveram também problemas, com furos nos compostos, mas conseguindo chegar aos boxes e trocar sem maiores percalços. A intervenção do Safety Car para limpar a pista dos detritos reagrupou o pelotão, mas a corrida só tomou fôlego mesmo nas voltas finais, depois de mais um Safety Car para retirada do carro de Sebastian Vettel, que parou com problemas no câmbio. A vitória acabou sendo de Nico Rosberg, sua 2ª no ano, mas o triunfo do filho de Keke Rosberg acabou virando assunto secundário depois nas conversas do paddock.
            Não é para menos: todos queriam satisfações da Pirelli, que ficou praticamente desorientada com o que se viu na pista inglesa. Uma reunião da FIA acabou marcada para a última quarta-feira, e decidiu-se que o teste dos jovens pilotos, semana que vem, em Silverstone, será aberto também aos pilotos titulares de todos os times, para que sejam efetuados testes de pneus para a Pirelli verificar o comportamento de seus compostos e providenciar soluções. E para este fim de semana, com a disputa do Grande Prêmio da Alemanha, em Nurburgring, a fabricante de pneus já introduziu, emergencialmente, a mudança das cintas dos seus pneus, substituindo o aço por kevlar, que era usado nos pneus do ano passado. Isso deve provocar mudanças no comportamento dos pneus, e bagunçar ainda mais a cabeça dos engenheiros das escuderias, que terão de ver como lidar o possível novo comportamento dos pneus. Os pilotos, por sua vez, elogiam a atitude, mas ainda estão com o pé atrás. E as escuderias, ainda um pouco céticas, ainda vivem o rescaldo da troca de acusações do fim de semana passado, quando foram acusadas pela Pirelli de usar medidas de pressão não recomendadas para os pneus, e montagens equivocadas dos compostos, o que pode ter sido determinante para os estouros verificados. Uma prática até de certa maneira conhecida pela Pirelli, que contudo, não fez muito esforço para mudar a mentalidade dos times. Para a corrida da Hungria, devem entrar em cena os novos pneus experimentais disponibilizados em Montreal, que devem ser ainda mais resistentes, o que deve eliminar quaisquer riscos de se repetir o ocorrido na etapa inglesa.
            Mas da mesma maneira como já afirmei aqui em texto passado, é errado jogar toda a culpa nas costas da Pirelli. A fabricante italiana faz os pneus sob encomenda para a FIA e FOM, que em nome de melhorar as corridas, pediram que os pneus não fossem extremamente duráveis, e que demonstrassem uma vida útil até certo ponto instável. Mas os pneus da Pirelli acabam testados, em sua maioria, com um chassi defasado, cujas reações não são totalmente fiéis aos modelos atuais em uso pelas escuderias. Isso deveria ter sido resolvido na pré-temporada, mas além dos dias serem poucos, a baixa temperatura do inverno europeu impediu que se colhessem dados mais exatos do comportamento dos pneus, uma vez que boa parte das corridas é feita em dias de forte calor.
            E, com os treinos livres da sexta-feira, onde os times estão mais preocupados com o desenvolvimento e ajuste dos carros do que com os pneus, estava na cara que a Pirelli travava uma batalha sem muitos parâmetros para definir seus pneus. No Canadá, quando disponibilizou enfim um jogo de pneus experimental para teste, a fim de melhorar os compostos, a chuva inviabilizou o treino, e em Silverstone, o panorama foi similar. Pior, a tentativa da Pirelli de mudar a estrutura dos compostos para prevenir acontecimentos como o de domingo foram vetados por algumas escuderias, que temiam perder sua vantagem de trato dos pneus. A partir daí, a própria F-1 começou a inviabilizar a melhoria dos pneus, uma vez que as regras da categoria exigem unanimidade geral para se efetuar tais mudanças durante a competição.
            Seria muito mais fácil para a Pirelli produzir pneus resistentes que durassem a corrida inteira, e que muito provavelmente possibilitassem aos pilotos andar a pé no fundo. Mas as corridas andavam monótonas, com raríssimas ultrapassagens devido ao refinamento aerodinâmico dos carros. Produzir pneus menos duráveis foi uma maneira de devolver emoção e disputa às provas, e nos dois últimos anos, a Pirelli cumpriu com sua função. Mas, claro, uma hora poderia errar, e agora que esse erro surgiu, a F-1 precisa se rever e mudar para permitir os meios de se corrigir tais equívocos. Da mesma maneira, os testes durante o campeonato precisam voltar, mesmo que limitados, para permitir que os times acertem melhor seus carros, e possam permitir mais disputa sem desequilibrar financeiramente as escuderias. Assim, além de aproveitar o teste coletivo da semana que vem, já está sendo acertado uma sessão de testes coletivos em Interlagos, logo após o GP do Brasil, que encerra o campeonato 2013, para a Pirelli avaliar os pneus que irá disponibilizar no próximo ano. Isso deve ajudar bastante na concepção dos pneus de 2014, e certamente. Evitar os passos em falso que acabaram sendo dados este ano.
            Dá para se chegar a um acordo que seja bom para todos, e possibilite encontrar todas as respostas necessárias para se resolver os dilemas que se apresentam. Mas a F-1 precisa parar de virar um ninho de intrigas e quedas-de-braço entre tudo e todos, e saber trabalhar em conjunto para se chegar às soluções. Que o episódio de Silverstone tenha servido para fazer com que a cartolagem e as escuderias deixem suas birras de lado e acertem uma colaboração mais íntima e global para fazer da competição algo mais sadio, emocionante, e seguro para todos, tanto quanto possível. E que a FIA também se mostre mais ativa e responsável, pois ultimamente não tem feito grande coisa no que tange a mostrar força em questões que sejam realmente importantes. A entidade já tinha de ter batido o pé e providenciado aval legal para efetuar as mudanças, e não ficar esperando que as escuderias se entendessem sozinhas.
            Felizmente, ninguém saiu ferido na prova inglesa. E espero que, a partir de hoje, com as mudanças feitas nos pneus, gostem ou não os times que temiam perder vantagem na competição, se possa colocar uma pá de cal sobre o assunto e encerrar estas discussões, que só chegaram a tal ponto por causa da própria idiossincrasia reinante na F-1. É...assim como o Brasil, que nos últimos dias vive uma onda de manifestações pedindo por mudanças, a F-1 também precisa mudar seus hábitos para crescer de forma efetiva e decente...


O veloz superspeedway de Pocono estréia no campeonato da Indy Racing League: circuito tem 2,5 milhas de extensão.
A Indy Racing League volta à pista neste final de semana para sua primeira incursão no circuito de Pocono, onde será disputada a Pocono 400, prova de 400 milhas com a qual a Indycar pretende, junto com as provas de Fontana e Indianápolis, reviver a “Tríplice Coroa” que já existiu na F-Indy original. Descontado o fato de que a “Tríplice Coroa”, que teve sua última edição na antiga F-Indy em 1989, serem todas corridas de 500 milhas, a iniciativa é louvável, mas seria muito bem-vindo que as corridas em Fontana e Pocono também tivessem a duração de 500 milhas. Dá a impressão de que a direção da IRL tem receio de confrontar as pistas com Indianápolis, que é a única prova de 500 milhas da categoria, desde sua fundação, em 1996, até hoje. Circuito trioval de altíssima velocidade, a pista do Pocono International Raceway tem 2,5 milhas de extensão, e seu formato triangular impõe acertos totalmente diferentes dos demais ovais do campeonato, ao mesmo tempo em que seus longos trechos de reta permitirão aos carros Indy atingirem altas velocidades. Em 1989, última edição da corrida em uma categoria Indy, disputada no dia 20 de agosto daquele ano, teve vitória de Danny Sullivan, o então campeão da categoria, que corria pela Penske. Roger Penske, aliás, fez dobradinha com seu time naquela prova, com o 2º lugar ocupado por Rick Mears (conhecido como o “rei dos ovais”). A pole-position, aliás, também foi com um carro de Roger Penske: Émerson Fittipaldi, apesar de correr pela equipe Patrick Racing, pilotava um chassi PC18 de Roger Penske. O brasileiro, infelizmente, abandonou a corrida com uma quebra de suspensão. Raul Boesel, nosso outro representante na corrida na época, também abandonou a corrida por problemas mecânicos. Os tempos daqueles dias, aliás, deverão ir para o espaço com os atuais modelos DW-12 da Dallara: nos testes da semana passada, Will Power atingiu a média de 219 milhas horárias no circuito, enquanto a pole de Émerson, em 1989, foi obtida com a velocidade média de 211 milhas. Os carros atuais deverão mesmo voar em Long Pond...


Hoje, teremos como representantes em Pocono Hélio Castro Neves, que defende a liderança do campeonato; Tony Kanaan, que tenta repetir em Long Pond o belo resultado da Indy500, onde venceu; e ambos com certeza brigarão pela vitória no rapidíssimo trioval da Pensilvânia.


Durante o tempo em que ficou fora das categorias Indy, os maiores destaques de corridas em Pocono foram as edições de 500 Milhas disputadas pela Nascar, cujo calendário tem duas provas deste tipo na pista: as tradicionais Pocono 500, realizadas no mês de Junho, e a Pennsylvania 500, no mês de Julho. Curiosamente, foi nesta pista que Roger Penske obteve a primeira vitória de seu time nas categorias TOP de monopostos americanos: em 1971, quando o circuito estreou na F-Indy original, a vitória foi de Mark Donahue. No mesmo ano a direção da categoria, então promovida pela USAC, criou a “Tríplice Coroa” da Indy, com um prêmio especial para quem conseguisse vencer as 3 grandes provas de 500 Milhas do calendário, que tinha, além de Pocono, a Indy500, e outra prova de 500 Milhas disputadas no Ontário Motor Speedway. Anos depois, esta última corrida seria substituída pelo circuito de Michigan.


Um dos pilotos da prova de Pocono terá de largar em último no grid: Ryan Briscoe, ex-piloto da Penske, acertou com a Panther para correr em Long Pond, mas como no sábado também irá participar de outra corrida, a Lime Rock, do calendário da American Le Mans Series, Briscoe não terá como participar dos treinos livres e da classificação. Mesmo assim, a Panther manteve o acordo com Ryan, que se revela otimista e confiante para a corrida, por se tratar de uma prova de 400 milhas de duração.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

FLYING LAPS – JUNHO DE 2013



            Até que o mês de junho foi agitado, em especial no campeonato da Indy Racing League, onde posto nesta edição da Flying Laps alguns dos acontecimentos que foram notícia no certame Indy durante o último mês, além de postar comentários sobre mais algumas coisinhas. Então, uma boa leitura a todos os amantes do círculo da velocidade...


A equipe Dale Coyne foi quem mais comemorou os resultados da rodada dupla promovida pela Indy Racing League como um de seus atrativos para o campeonato deste ano. Na corrida disputada no sábado, a pequena escuderia venceu a prova, tendo como piloto o inglês Mke Conway, que fechou acordo para correr pelo time naquele final de semana. Para completar a festa, o inglês Justin Wilson, o outro piloto do time, fechou o pódio na 3ª posição. Um resultado muito festejado pelo time. Na corrida de domingo, Conway voltou a se destacar, subindo novamente ao pódio, agora em 3º lugar. Justin Wilson, infelizmente, não teve o que comemorar na segunda corrida, pois abandonou a prova. Como Conway decidiu não mais participar de provas em pistas ovais, o time não pôde contar com o piloto inglês nas etapas seguintes, tendo de recorrer a outros competidores. Mas o principal fato a ser destacada pelo belo resultado obtido nas etapas de Detroit é que Conway venceu com o carro que era pilotado, até as 500 Milhas de Indianápolis, pela brasileira Bia Figueiredo, que teve até então, um 14º lugar como melhor resultado. Por mais que a Dale Coyne tenha conseguido um excelente acerto para o circuito de Belle Isle Park, onde a prova de Detroit foi disputada, é inegável admitir que isso deixa a brasileira em uma tremenda saia justa, pois não apenas Conway teve um bom carro: ele pilotou muito, e isso já deixa dúvidas se Bia estava de fato fazendo um bom trabalho no time. Infelizmente, para colaborar com a afirmação de que a performance da brasileira estava mesmo abaixo do esperado, Bia não conseguiu fazer nada de notável na corrida de Milwaukee, onde voltou a correr pela Dale Coyne, assim como na etapa de Iowa. Certo que o time não conseguiu ter o mesmo desempenho no pequeno oval de West Allis, mas novamente Bia ficou devendo se considerarmos que ela ficou muito atrás de Justin Wilson, seu companheiro de time, que levou uma verdadeira lavada de Conway em Detroit.


A pista de Detroit, inclusive, recebeu reformas para as etapas deste ano. Com apoio de Roger Penske, que deu importante força para a manutenção da cidade no calendário, o circuito dentro do Belle Isle teve alguns trechos alargados, e algumas curvas e zebras redimensionadas e reformadas. Depois do fiasco do asfalto soltando pedaços e remendos vistos no ano passado, não há dúvidas de que o circuito ficou bem melhor para este ano, e isso ficou nítido nas corridas. Deixar a pista mais larga em certos trechos também ajudou a tornar as ultrapassagens mais fáceis, embora as mesmas tenham continuado serem difíceis de acontecer. Mas o balanço do fim de semana da rodada dupla promovida pela Indycar em Detroit foi positiva. Estão previstas mais rodadas duplas para as etapas de Toronto e Houston este ano, e vamos ver se por lá isso tudo também será bem aproveitado.


Quem teve balanço extremamente negativo em Detroit foi o americano A. J. Allmendinger. Em sua última participação, até notícia em contrário, no campeonato deste ano, o piloto conseguiu a proeza de bater nas duas corridas disputadas no fim de semana, e na primeira volta de cada uma delas, causando vários estragos no seu carro, o que sinceramente não deixou Roger Penske nem um pouco satisfeito. Há 10 anos atrás, Allmendinger era considerado uma das estrelas em ascenção quando estreou na F-Indy original, tendo inclusive vencido 5 provas no campeonato de 2006, quando pilotou para a equipe Forsythe. O piloto optou então por mudar-se para a Nascar, em 2007, em busca de melhores salários e visibilidade profissional. Só que na Stock Car americana A. J. praticamente passou em branco, sem conseguir nenhum resultado de destaque, e no ano passado, acabou tomando uma suspensão por ter sido pego no exame antidoping da categoria. Roger Penske lhe deu uma chance de correr este ano em algumas etapas da Indy Racing League, mas a julgar pelo que mostrou nestas oportunidades, parece ter sido perda de tempo por parte de Penske. O piloto, contudo, deu sorte em seu retorno à Nascar, onde acabou sendo pole-position e vencedor da etapa da Nationwide disputada no belo circuito de Elkhart Lake, compensando um pouco a fé de Roger Penske nele. Se a Penske vai lhe dar chance de correr de novo na IRL este ano, entretanto, só esperando pra ver...


Hélio Castro Neves venceu a etapa do Texas, obtendo sua primeira vitória no atual campeonato, e assumindo a liderança da competição. O brasileiro ainda contou com a presença do compatriota Tony Kanaan no pódio do circuito de Forth Worth, após uma boa apresentação também do piloto da KV na primeira etapa em pista oval depois da Indy500. Mas a Penske acabou multada pela direção da categoria, e perdeu parte dos pontos da vitória no campeonato de equipes, por uma pequena irregularidade descoberta no carro de Helinho, que segundo afirmaram, estava proporcionando mais downforce no seu carro. A direção da categoria não especificou mais detalhes da irregularidade, mas o brasileiro não foi penalizado e manteve sua vitória.


Fechando o mês da IRL, a vitória em Iowa foi de James Hinchcliffe, que conquistou sua 3ª vitória na temporada e é o piloto que mais venceu no ano. Só que, sem conseguir manter uma constância igual à de seu companheiro de equipe, Ryan Hunter-Reay, o canadense é apenas 4º colocado no campeonato, e só não é o pior piloto de seu time porque a Andretti tem Ernesto Viso, piloto venezuelano que volta e meia arruma confusões nas corridas, e no momento é o 11º colocado na tabela. Assim que conseguir ter mais constância de resultados, podem apostar que James vai incomodar pra valer...


E o “Doutor” está de volta: depois de quase 3 anos após vencer pela última vez na MotoGP, Valentino Rossi deu um show de pilotagem num dos mais tradicionais GPs da categoria máxima do motociclismo, o da Holanda, prova disputada em Assen. Rossi travou duelos empolgantes com a dupla da Honda, Dani Pedrosa e Marc Márquez, e o britânico Cal Crutchlow. Pedrosa acabou ficando fora do pódio de Assen, mas manteve sua dianteira no campeonato. Mas quem deu outro show, pela superação e determinação, foi Jorge Lorenzo. O bicampeão levou um tombo no treino de quinta-feira, fraturando a clavícula, e foi operado no mesmo dia para implantar um pino no local. Lorenzo voltou à pista na sexta-feira e participou da corrida no sábado, lutando fortemente contra as dores da cirurgia, terminando a prova em 5º lugar, praticamente cambaleando de dor, mas surpreendendo todo mundo com sua performance e persistência. Espera-se que o espanhol só se recupere completamente em algumas semanas, mas pelo que demonstrou em Assen, o bicampeão não está disposto da baixar o combate assim tão fácil. Pedrosa ainda lidera o certame, com 136 pontos, enquanto Lorenzo tem 127, uma margem curta para os padrões da MotoGP. Márquez, companheiro de Pedrosa, é o 3º colocado, com 113 pontos. Valentino Rossi, depois de vencer a prova da Holanda, tem tudo para se recuperar na competição e engrossar a briga, mas ainda está muito atrás, com 85 pontos, na 5ª colocação.


Mesmo fora do Mundial de Rali, o eneacampeão Sébastian Loeb continua barbarizando. E seu último show foi na tradicional prova americana da Subida de Pikes Peak, no Colorando, onde o mito dos ralis simplesmente pulverizou o recorde da prova, marcando o tempo de 8min13s878, marca cerca de 1min30s mais rápido que o recorde anterior, que havia sido conquistado por Rhys Miller, no ano passado, quando havia feito o percurso de cerca de 20 Km com o tempo de 9min46s164. Loeb competiu com um protótipo da Peugeot na categoria “Unlimited”. Enquanto isso, no Mundial de Rali, Sébastian Oggier certamente agradece a ausência do rival no campeonato deste ano, liderando com mais de 60 pontos de vantagem para o adversário mais próximo...