quarta-feira, 6 de julho de 2016

FLYING LAPS - JUNHO DE 2016



            E metade de 2016 já foi embora. Parece até que foi ontem que o ano começou. Realmente, em alguns momentos o tempo parece realmente voar, e já estamos no mêsde julho, iniciando o segundo semestre deste ano. E como é de praxe no início de cada mês, é hora de relacionar alguns dos acontecimentos ocorridos no último mês, que não foram relatados e comentados nas minhas colunas regulares. Por isso, vamos a mais uma sessão da Flying Laps, com algumas notas rápidas destes acontecimentos do mundo da velocidade em junho, destacando um pouco dos campeonatos da Indy Racing League e da MotoGP, sempre com alguns comentários sobre o assunto. Portanto, uma boa leitura para todos, e no mês que vem tem mais notas na próxima Flying Laps. Até breve.


A Indycar teve um fim de semana movimentado com a rodada dupla disputada no Belle Isle Park, em Detroit, poucos dias após a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis. Na primeira corrida, Simon Pagenaud largou na frente, mas depois de alguns percalços durante a corrida, onde algumas das bandeiras amarelas que surgiram devido a alguns pilotos acertarem seus carros nos muros do traçado, o francês acabou ficando fora da luta pelo pódio, e arriscando na tática de combustível, acabou precisando de uma parada extra nos boxes nas voltas finais, despencando para o 13° lugar. Hélio Castro Neves, que também largou na primeira fila, deu mais sorte, e acabou cruzando a linha de chegada em 5° lugar. Tony Kanaan também foi outro que acabou tendo a estratégia de corrida bagunçada pelas bandeiras amarelas, e foi somente o 9° colocado. Quem acertou em cheio nas estratégias foi Sebástien Bourdais, que levou a KV a mais uma vitória. Conor Daly também acertou o momento de suas paradas, e conseguiu um excelente segundo lugar para a Dale Coyne. Na corrida de domingo, Pagenaud novamente largou na frente, e desta vez não deu moleza para o azar, chegando em 2° lugar, logo atrás de Will Power, que venceu pela primeira vez na temporada, apagando um pouco o mau momento vivido na corrida do sábado, quando seu carro parou na pista devido a um problema, forçando-o a abandonar a prova. Quem deu azar na prova de domingo foi Hélio Castro Neves, que vinha firme para vencer, até que uma bandeira amarela justo no momento em que ele precisava ir ao box aconteceu, e com isso, o fez despencar para o fim do pelotão, terminando a prova apenas em 14°. Quem também teve um domingo para esquecer foi o colombiano Juan Pablo Montoya: 3° colocado na corrida do sábado, o piloto acabou acertando o muro e dando adeus à corrida. Quem também teve sorte diferente do sábado foi Scott Dixon: o neozelandês havia abandonado a corrida de sábado, mas conseguiu um bom 5° lugar na prova de domingo. Já Bourdais, vencedor no sábado, finalizou o domingo com a 8ª posição. Tony Kanaan, mais uma vez enrolado com a estratégia de corrida e as bandeiras amarelas, foi o 7° colocado.


Se o fim de semana da Indy em Detroit foi complicado, a etapa seguinte do campeonato, no Texas, foi pior ainda. A chuva resolveu dar as caras, e isso forçou o adiamento da corrida, que começaria no fim da tarde e terminaria à noite no Texas Motor Speedway, para o domingo, já que se tratava de uma pista oval. E a chuva acabou voltando no domingo também, após a corrida ter cerca de 71 voltas completadas. Mas o susto foi o violento acidente entre Josef Newgarden e Conor Daly, que resultou até em fratura na clavícula e na mão direita. Sem condições de recomeçar a corrida, a direção da Indycar tomou uma decisão inusitada, transferindo a continuação da corrida para a última semana de agosto, dali a pouco mais de dois meses. Cogitou-se de permitir a participação de Newgarden e Daly na continuação da corrida, mas isso não foi permitido. Aliás, pode-se dizer que a continuação da prova será meio complicada de ser feita na sequência exata, por não ser exatamente possível recuperar até a condição dos carros no momento de sua interrupção. Na verdade, parece que foi exagerado o adiamento da corrida para tão longe. E, pendengas à parte, o mais sensato seria descartar o que foi feito de corrida no fim de semana original, e disputar a corrida praticamente do zero, fazendo apenas um treino livre para reacerto dos carros, aproveitando-se o grid de largada já formado. Infelizmente, uma das consequências da direção da Indycar de comprimir o campeonato em meio ano resulta no acúmulo de corridas em finais de semana muito próximos, o que inviabiliza certas datas no caso de algo precisar ser remanejado. E muitos fãs são favoráveis à extensão da competição para todo o mês de setembro e outubro também, a fim de permitir um descanso maior de equipes e pilotos, relaxando um pouco a logística apertada de transporte dos equipamentos para todos os circuitos. Quem sabe para o ano que vem eles atentem um pouco mais para este fato. Já é consenso que a tática de deixar o campeonato “comprimido” de março a agosto para evitar de bater com outros eventos na disputa de audiência pela TV não está rendendo os resultados esperados.


A Indycar finalmente estreou a etapa de Road America no seu calendário, que havia sediado pela última vez uma prova de categoria Indy em 2007, ainda nos tempos da F-Indy original. E o público, mostrando sua predileção por aquele que é considerado o melhor circuito misto dos Estados Unidos, compareceu em peso, com um mais de 100 mil pessoas no fim de semana. Will Power largou na frente, e conseguiu vencer sua segunda corrida na temporada, mas o australiano precisou suar o macacão nas voltas finais, defendendo-se de um embalado Tony Kanaan que estava determinado a roubar a primeira colocação do piloto da Penske. Quem também fez uma grande corrida foi Graham Rahal, com o 3° posto. Curiosamente, Rahal também foi 3° colocado na última corrida da Indy original na pista, em 2007, quando o filho de Bobby Rahal defendia a equipe Newmann/Hass/Lannigan. A corrida de Road America até que foi tranquila, tendo apenas dois abandonos: Scott Dixon, e Conor Daly, sendo que este último teve uma quebra de suspensão no fim da reta dos boxes e foi de encontro à barreira de pneus, gerando a única bandeira amarela da corrida, a poucas voltas do final. Foi o que bastou para o restante da prova pegar fogo, com todos os pilotos, novamente juntos, partirem para o duelo direto, com sucesso para alguns e fracasso para outros. Quem acabou se dando mal foi justamente o líder do campeonato, Simon Pagenaud, que acabou despencando para o meio do pelotão, e finalizou a corrida na 13ª posição. Com o 5° lugar de Hélio Castro Neves, que sempre andou entre os primeiros, mas nunca conseguiu discutir a vitória, o brasileiro reassumiu a vice-liderança do campeonato, com 301 pontos, 74 atrás de Pagenaud, que continua com boa folga na dianteira da competição. Com a segunda vitória consecutiva, Power ascendeu à 3ª posição, com 294 pontos. Scott Dixon caiu para o 4° posto, com 285 pontos, acossado por Josef Newgarden, que mesmo com dores no corpo pelos ferimentos da prova do Texas, participou da corrida e terminou num razoável 8° lugar, agora tendo 283 pontos na classificação. Tony Kanaan também evoluiu na tabela, ocupando agora a 6ª posição, com 280 pontos. A próxima corrida é no dia 10 de julho, no circuito oval de Iowa.


O mundo da motovelocidade sofreu um baque nos treinos da categoria Moto2 na etapa de Barcelona, quando o jovem piloto espanhol Luis Salom saiu reto com sua moto na curva 12 da pista da Catalunha. Ao atingir a barreira de proteção, de acordo com testemunhas, a moto teria caído em cima do piloto, ocasionando inúmeros ferimentos. Salom foi socorrido imediatamente e levado para o Hospital Central da Catalunha, onde passou por cirurgia, mas não resistiu, falecendo no fim da tarde. A direção da MotoGP resolveu alterar o traçado usado na pista, adotando a faixa que é usada atualmente pela Fórmula 1, que transforma o trecho em pista de baixa velocidade, ao contrária do antigo trecho que já foi usado pela categoria máxima do automobilismo, cuja área de escape é bem menor.


Valentino Rossi fez uma exibição primorosa no GP da Catalunha: o “Doutor” largou em 5°, mas caiu para a 9ª colocação, e veio recuperando terreno, assumindo a liderança da competição e conquistando a 7ª vitória na classe rainha no circuito de Barcelona. Marc Márquez bem que tentou dificultar as coisas para o italiano da Yamaha, mas a exemplo de Mugello, onde o piloto da Honda travou um duelo épico com Jorge Lorenzo, em Barcelona Marc também acabou perdendo a vitória, e ficou com o 2° lugar. O pódio foi completado por Dani Pedrosa, e os três pilotos homenagearam o falecido Luis Salom, vestindo camisetas por cima de seus macacões no pódio com dizeres referentes ao piloto. Um gesto bonito de se ver. Aliás, Rossi decidiu dar o primeiro passo para se reconciliar com Márquez, com quem as relações andavam estremecidas desde o fim do campeonato do ano passado, cumprimentando o rival. Quem saiu esbravejando de Barcelona foi Jorge Lorenzo: o tricampeão espanhol, além de não conseguir ter a mesma performance dos rivais na pista da Catalunha, ainda acabou fora da prova em virtude de uma disputa de posição com Andrea Iannonne, que mais uma vez exagerou na dose, acertou Lorenzo, e ambos foram parar fora da pista. O espanhol, aliás, deve estar aliviado por ver que o italiano foi dispensado pela Ducati para 2017, que preferiu manter Andrea Dovizioso no time. Certamente, os ânimos entre os dois não seriam os mais amigáveis depois do que aconteceu em Barcelona...


Querem uma corrida agitada? É só convidar São Pedro, que a chuva garante o fim da monotonia de qualquer competição. Que o digam os torcedores da MotoGP na mais tradicional corrida do campeonato, em Assen, na Holanda, onde o aguaceiro fez vários pilotos se enrolarem no trato com o piso molhado, enquanto outros ficaram pelo meio do caminho. A chuva forte, aliás, provocou até a interrupção da corrida, que foi reiniciada algum tempo depois. Os principais nomes para vencer a corrida, Andrea Dovizioso e Valentino Rossi, acabaram sucumbindo ao piso escorregadio, e caíram com suas motos. Dani Pedro e Jorge Lorenzo, por sua vez, não conseguiam render nada no aguaceiro holandês. Marc Márquez, por sua vez, se segurava firme, tentando seguir para o final, na luta pela vitória. Mas eis que o australiano Marc Miller, da equipe satélite Marc VDS, estava literalmente encapetado, e assumiu a ponta para não mais soltá-la, vencendo a corrida, e quebrando um domínio de uma década dos times de fábrica na classe rainha do motociclismo. Vendo o destino de seus rivais na pista lisa, e com Pedrosa e Lorenzo sem ritmo várias posições atrás, Márquez fez o certo: preferiu garantir mais um pódio, e abrir ainda mais vantagem na classificação do campeonato, do que forçar o ritmo em busca da vitória e ir conhecer a caixa de brita da pista holandesa. Scott Redding, da Pramac, equipe satélite da Ducati, completou o pódio. Com o resultado de Assen, Marc Márquez (Honda) lidera o campeonato, com 145 ponto. Jorge Lorenzo (Yamaha) é o 2° colocado, com 121 pontos. Valentino Rossi (Yamaha) vem na 3ª posição, com 103 pontos, seguido por Dani Pedrosa (Honda) com 86, Maverick Viñalez (Suzuki) com 79, e Pol Spargaró (Tech3), com 72. A próxima etapa da competição é no dia 17 de julho, em Sachsenring, na Alemanha.
 

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