sexta-feira, 24 de março de 2017

HORA DA VERDADE


A Fórmula 1 inicia a temporada 2017 com muita expectativa.

            Chegou a hora da verdade. Depois de apenas ridículos oito dias de testes de uma pré-temporada que deveria ser maior do que realmente foi, em virtude das mudanças técnicas implantadas para esta temporada, os carros enfim entraram na pista para iniciarem as atividades do primeiro Grande Prêmio da temporada da Fórmula 1, que será disputado neste domingo. No paddock do Albert Park, a expectativa é se esta temporada será de fato melhor do que as últimas, e se as mudanças técnicas implantadas realmente devolverão a emoção às corridas. Como esta coluna foi fechada antes do início dos treinos oficiais, quando ela estiver sendo lida no Brasil, é provável que parte das dúvidas do que é discutido a seguir já tenha tido algumas respostas, durante os dois treinos oficiais desta sexta-feira. Ou talvez não...
            O clima aqui no paddock é sempre otimista em um início de temporada, mas receio que o circuito de Melbourne talvez não nos dê uma idéia muito exata do que será a competição. Mas permitirá bons indícios. O primeiro deles é praticamente já uma certeza: os carros estão muito mais velozes, e com pneus mais duráveis, e uma carga de combustível um pouco mais generosa, os pilotos estão livres para acelerarem com muito mais vontade do que nos últimos três anos. O aumento da carga aerodinâmica permitirá contornar as curvas com muito mais agressividade, e o aumento de potência dos motores certamente jogará muito mais lenha na fogueira nestes trechos de pista. Paralelamente, os novos carros também exigem muito mais fisicamente dos pilotos, de modo que muitos deles tiveram que caprichar na preparação física para não ficarem esgotados com os novos aumentos de força G laterais que os novos bólidos proporcionam. E vários competidores confirmaram que os novos carros exigem muito mais do piloto na condução, não apenas no aspecto físico, mas também em relação ao comportamento das reações do bólido.
            Com relação à disputa pela vitória, todo mundo quer ver se a Ferrari realmente virá com a força que deu a entender possuir nos testes de Barcelona. O novo modelo SF70H despertou a curiosidade de todo mundo no paddock, e quando isso acontece, é porque algo realmente efetivo está em curso. Mas a equipe rossa preferiu sempre desconversar a respeito de um possível favoritismo, e embora tenha exagerado um pouco no silêncio com a imprensa, o comedimento fez bem: a expectativa de torcedores e da imprensa especializada está em alta pelo que Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen poderão render na pista, mas a escuderia, oficialmente, não promete nada. Portanto, cuidado com o excesso de otimismo para com os carros vermelhos. É claro que, depois de três anos vendo os carros prateados da Mercedes ditarem os rumos do campeonato, a esperança de haver finalmente uma disputa de posição pelo campeonato de forma efetiva é o que todos esperam, para não termos de ficar novamente reféns de uma disputa interna dos pilotos do time alemão. O problema é que até o presente momento ninguém faz uma idéia exata do potencial do novo modelo W08 da Mercedes, que tem tudo para ser tão ou até mais forte que seus antecessores. Um carro ruim certamente não é. Vai brigar por poles e vitórias? Certamente. Só não sabemos se estará sozinho na brincadeira ou irá ganhar companhia nessa hora.
A Ferrari mostrou força e deu indícios de que não mostrou tudo do que é capaz nos testes de Barcelona. Mas qual é o verdadeiro potencial do novo carro do time italiano? Hora de sabermos a verdade.
            Em termos de cavalaria, a nova unidade de potência da Mercedes já estaria efetivamente rendendo mil HPs de potência, com previsão de subir ainda mais de acordo com as evoluções que serão implantadas durante a temporada. E com uma integração das mais azeitadas entre motor e chassi, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas são os favoritos para a vitória na Austrália. Claro, falta combinar com os concorrentes, em especial a Ferrari, que se mostrar que está realmente na briga, virá com tudo para cima. Em termos de motor, os italianos já mostraram que podem estar atrás das unidades da Mercedes, mas a diferença não é tão gritante. Já a Red Bull, de quem se esperava mais na pré-temporada, também não pode ser subestimada. Lembro-me da pré-temporada problemática vivida pelo time dos energéticos em 2014, mas aqui no Albert Park, ao iniciar a temporada, Daniel Ricciardo fez uma corrida estupenda, subindo ao pódio em 2° lugar, com uma performance sólida e eficaz, que se não ameaçou o então vencedor Nico Rosberg, por outro lado não deu chances ao resto dos competidores. O piloto australiano só não levou o troféu para casa porque acabou desclassificado por um consumo irregular de combustível no sensor, mas isso dá uma idéia da capacidade de recuperação da Red Bull. Afinal, quem tem Adrian Newey na prancheta não pode ser considerada carta fora do baralho, ainda mais em um momento onde as novas regras técnicas reforçaram a área da aerodinâmica, o ponto forte de Newey. Mas essa reação também passa por um esforço da Renault, que reprojetou o seu propulsor para este ano, e garante ter tido um incremento de performance considerável, com o objetivo de diminuir sua diferença de performance em relação aos rivais. O novo motor ficou devendo um pouco em Barcelona, com alguns problemas técnicos, além de um pouco a menos de potência do que todos esperavam, mas a fábrica francesa garante que tudo já foi devidamente resolvido, faltando apenas desenvolver melhor a unidade para que ela possa ganhar toda a cavalaria necessária para ajudar nesta disputa. A confiança da Renault é grande, a ponto de ter dispensado a consultoria de Mario Illen, que no ano passado permitiu aos franceses darem um salto de performance que ajudou a Red Bull a se recuperar na competição, permitindo-a ser a vice-campeã. Confiança total no seu novo projeto, ou tentativa de se mostrar autossuficiente u melhor do que realmente está? Torço para ser a primeira opção, pela melhoria da competição. Mas espero que os franceses saibam o que estão fazendo...
            Infelizmente, o aumento da carga aerodinâmica nos carros também os tornou muito mais difíceis de serem ultrapassados. Apesar das novas dimensões da asa dianteira, com o objetivo de darem mais sustentação aerodinâmica à frente do carro, os efeitos práticos não pareceram tão eficazes assim. Os bólidos estão muito mais sensíveis ao fluxo de ar “sujo” gerado pelo carro que vai à frente, de modo que nem mesmo os novos e maiores pneus parecem conseguir contrabalançar. Felipe Massa disse não ter conseguido ultrapassar um carro da Sauber em Barcelona, mesmo tendo um carro 1s5 mais veloz. Se isso e confirmar, as disputas de posição tenderão a ser mais acirradas, mas sem garantias de maior número de ultrapassagens, talvez muito pelo contrário.
            E este circuito vai ser particularmente complicado neste quesito. Mesmo sendo uma pista de rua, o traçado do Albert Park tem mais cara de autódromo, e as freadas aqui são bem fortes, pois a grande maioria das curvas é de baixa, alguma em ângulos de 90°. Ultrapassar aqui, mesmo com o uso da asa móvel, o DRS, tem sido complicado nos últimos anos, e desta vez, tende a ser ainda mais complicado. Os novos pneus, bem mais duráveis e consistentes, não degradam-se com a mesma velocidade dos compostos do ano passado, e mantém sua faixa de performance ideal por muito mais tempo. Se ambos os pilotos estiverem com o mesmo tipo de composto, não haverá diferença de performance significativa entre eles, o que será um complicador a mais para as tentativas de ultrapassagens. Mas não é só isso: a maior carga aerodinâmica, aliada à maior durabilidade dos compostos, permite aos pilotos frearem muito mais dentro da curva do que antes, e aqui nesta pista, isso reduzirá significativamente as zonas de freadas. Tentar dividir a freada em uma curva tenderá a ser bem complicado.
            Por isso mesmo, muitos esperam que o treino de classificação seja muito disputado, pois quem largar na frente terá a pista livre para ir embora como puder, enquanto quem estiver mais para trás terá de arriscar bem mais para superar um adversário na pista. A questão é o grau de dificuldade que os novos carros terão para esse propósito. Dependendo da situação, não vai bastar apenas o braço e a determinação e arrojo do piloto para arrancar uma ultrapassagem. Talvez apenas na etapa da China possamos ver qual será a real dificuldade que os novos carros apresentarão, por ser um autódromo muito mais característico do que a pista da metrópole australiana, cujas características são mais particulares.
A McLaren pode ser a grande decepção da temporada.
            Para os brasileiros, o que interessa é ver quais as possibilidades de Felipe Massa com a nova Williams FW40, que nas suas mãos, mostrou um excelente rendimento em Barcelona, mostrando ser um carro fiável, e veloz, pelo menos a ponto de estar logo atrás de Mercedes e Ferrari, e à frente dos demais times, Red Bull inclusa. Mas, mesmo que a Williams tenha de fato recuperado sua competividade frente aos concorrentes, é a nova configuração técnica dos carros que irá ajudar Massa a render o seu melhor. Os carros voltaram a permitir aceleração mais plena do piloto, com a ajuda de pneus muito mais constantes e duráveis, características que vigoravam nos primeiros anos de Felipe na Ferrari, onde ele mostrou a sua melhor forma na F-1, com o ápice em 2008, quando quase foi campeão. Massa nunca foi um piloto genial em administrar o desgaste dos pneus e tendo de moderar a aceleração para economizar equipamento. Isso ajuda a explicar em parte sua queda de performance a partir de 2009, quando os carros tiveram outras características que envolviam mais a habilidade do piloto de conservar o seu equipamento. Livre destas amarras, Felipe poderá voltar a mostrar a sua melhor forma na condução de um bólido de F-1. E com o bônus de mais uma década de experiência, que certamente o ajudará muito neste ano.
            E mais do que tudo, Massa está empolgado com as possibilidades, além do fato de que será efetivamente o líder da Williams na pista, já que seu companheiro de time é um estreante de 18 anos. Nas últimas temporadas, Massa tinha tratamento igualitário com Valtteri Bottas dentro do time, e embora sua opinião fosse de grande valia, agora a sua importância é muito mais crucial, já que o novato Lance Stroll não poderá dar o timming e o felling que os engenheiros necessitam do comportamento do carro. Por se sentir muito mais valorizado e importante para a escuderia, Felipe está extremamente motivado, e nada melhor do que isso para um piloto render tudo o que pode e mais um pouco.
            A briga pelo pelotão intermediário tem tudo para ser das melhores. E seria ainda mais se pelo menos duas escuderias estivessem em condições de se manterem nesta briga. Infelizmente, a Sauber deverá ser a equipe mais lenta do grid, e nem mesmo a fiabilidade técnica do carro poderá contar muito. E utilizar o motor Ferrari do ano passado, em um carro mais pesado, e com muito mais downforce, já indica que a unidade de potência não renderá como o esperado. E, claro, temos a McLaren, que deveria estar subindo de produção, e não descendo. Aliás, a piada corrente no paddock é o rol de apostas sobre em qual volta os carros de Woking irão pifar, já que em Barcelona eles mal conseguiam dar mais de 10 voltas seguidas, com a unidade de potência em “modo de segurança”, para evitar danos ao propulsor. Mas aqui a parada é pra valer, e pelo que vejo nos integrantes da equipe, sejam os ingleses ou os japoneses da Honda, por mais otimismo que queiram passar, o que parece é que ninguém sabe exatamente o que o equipamento pode render. O clima de incerteza diante dos acontecimentos, visto durante os testes de Barcelona, ainda não se dissipou, e dependendo do que os carros mostrarem na pista, pode melhorar ou piorar. Pelo sim, pelo não, Fernando Alonso não tem expectativa alguma para este fim de semana. O que vier poderá ser considerado lucro. E é a opinião de muita gente no paddock, ciente de que realmente não há muito o que se esperar da equipe de Woking.
O novo visual da pintura da Force India.
            A Force India vem com sua nova pintura rosa, em virtude de seu novo patrocinador, e é uma das atrações no pit line, em que pese algumas piadinhas na rede mundial pela cor rosa dos carros de Vijay Mallya. Mas o time do bilionário indiano (não tão bilionário assim, pelas dívidas que tem) quer manter a excelente forma exibida no final do ano passado, quando terminou o campeonato na 4ª posição de construtores, uma parada que certamente será bem difícil, já que normalmente seria complicado medir forças com Mercedes e Ferrari, e até a Red Bull, mas com a Williams a confirmar a sua melhora, Sergio Pérez e Esteban Ocon terão de se preocupar mesmo é com os outros times. Renault e Hass, além da Toro Rosso, tem confiança em melhorar seus desempenhos, e a briga no meio do grid deverá ser bem aguerrida.
            Portanto, hora de vermos quem é quem de fato nesta nova Fórmula 1 muito mais veloz que inicia 2017. E que possamos apreciar um bom campeonato, com muitas disputas e emoções. Que venha o sinal verde!


Adelaide, cidade australiana que sediou o GP da Austrália de 1985 a 1995, iniciou estudos para analisar as possibilidades de voltar a sediar a etapa de F-1. O traçado urbano ainda é usado como circuito em disputas da V-8 Supercars, campeonato de turismo australiano, e boa parte da estrutura que um dia serviu para o GP de F-1 ainda está lá. Seria interessante rever a competição da F-1 naquele circuito, onde Ayrton Senna venceu pela última vez na categoria máxima do automobilismo, em sua prova de despedida da McLaren, em 1993. Mas são apenas estudos, não há nada garantido que indique que o GP saia de Melbourne a curto prazo. É verdade que os organizadores tiveram algumas rusgas com Bernie Ecclestone nos últimos tempos, devido a algumas desavenças, mas nada que tivesse colocado a prova em risco efetivo. E agora com o Liberty Media comandando a categoria, é de se esperar que tudo seja conduzido de maneira diferente, e quem sabe, mais flexível e acessível. E, claro, o mais importante: Melbourne não tem intenção alguma de perder a corrida de F-1. O contrato atual vai até 2023.

quarta-feira, 22 de março de 2017

ESPECIAL MOTOGP 2017



            Fãs das duas rodas, acabou a espera. Neste final de semana a MotoGP dá a largada para o seu Mundial de 2017 prometendo várias disputas e muita emoção roda a roda (e alguns tombos, também). O palco de estréia é a pista de Losail, no Qatar, na única corrida noturna do calendário, que terá 18 provas recheadas de competição ferrenha até o mês de novembro, com seu encerramento na pista de Valência, na Espanha. Hora de colocar o leitor um pouco por dentro do que vai rolar na disputa da classe rainha do motociclismo mundial, com o texto que segue abaixo, e preparem-se para acelerar fundo na competição de motos...


MOTOGP 2017: TODOS CONTRA MARC MÁRQUEZ

Tricampeão da categoria, aos 24 anos, o piloto da Honda vai em busca do tetracampeonato, mostrando além de sua grande velocidade, maturidade e constância.

Adriano de Avance Moreno

A MotoGP dá a largada para o Mundial de 2017 no Catar. Preparem suas emoções para disputas em alta velocidade!
            A MotoGP dá a sua largada para o campeonato de 2017 neste próximo domingo, na pista de Losail, no Catar, e a expectativa é de uma temporada com muita disputa, centrada principalmente nas duas melhores equipes do grid, a Yamaha e a Honda, e com a perspectiva de uma Ducati em ascenção para tentar se intrometer com maior regularidade nos pegas pelas primeiras posições.
            O grande destaque desta temporada foi a mudança de alguns dos principais pilotos do grid. Jorge Lorenzo, depois de várias temporadas defendendo o time de fábrica da Yamaha, aceitou finalmente o desafio de comandar a equipe Ducati no mundial, assumindo o lugar que era do italiano Andrea Iannonne, que foi dispensado da equipe italiana. Iannonne foi achar lugar em outra equipe de fábrica, a Suzuki, que por sua vez, perdeu sua principal estrela, Maverick Viñalez, que foi para a equipe da Yamaha, no lugar de... Jorge Lorenzo.
            Com relação ao regulamento técnico, a grande mudança é a proibição das asas nas motos. Cada equipe terá direito de homologar dois desenhos de carenagens para uso durante a temporada, e a Ducati chegou a apresentar um design onde recriava as asas aerodinâmicas em um outro formato, que ainda está tendo sua permissão de uso discutida. De resto, não houve nenhuma mudança do ano passado para cá. Os times estão mais experientes no uso das centralinas eletrônicas padrão para todas as escuderias, em que pese algumas ainda estarem enfrentando alguns problemas em obter o melhor rendimento deste equipamento. Os pneus da Michelin, que estrearam no ano passado, agora já tem um ano de experiência e resultados acumulados, permitindo um desenvolvimento dos compostos que tende a torná-los menos imprevisíveis para pilotos e equipes.
            No ano passado a categoria apresentou nada menos do que nove pilotos diferentes vencendo corridas, em que pese a disputa pelo título ter continuado restrita entre as poderosas Yamaha e Honda, panorama que deve se repetir mais uma vez este ano. Mas dificilmente a MotoGP deverá ver um grande número de pilotos vencendo como houve em 2016: muitas corridas surpreenderam pela presença da chuva, que esteve presente em várias provas, o que fez com que vários pilotos favoritos errassem ou apresentassem performance inferior ao esperado. Se São Pedro não colaborar este ano, as chances de vitória dos demais times caem bastante. Em condições normais, Yamaha e Honda devem dividir novamente as vitórias, com a Ducati correndo por fora, mas podendo surpreender dependendo da pista, mas sem apresentar a mesma constância de desempenho das duas marcas nipônicas. E tudo indica que a disputa acirrada entre Yamaha e Honda tem tudo para ser novamente eletrizante este ano.
            Na Yamaha, Maverick Viñalez, egresso da equipe da Suzuki, onde pilotou nas duas últimas temporadas, desde que estreou na classe rainha do motociclismo, já se ambientou com seu novo equipamento, o modelo YZR-M1, que guiará nesta temporada. O espanhol, aliás, deixou a modéstia de lado, e após terminar todas as sessões coletivas de testes da pré-temporada na frente, já assumiu a condição de favorito, dizendo que não está incomodado com a pressão, agora que finalmente tem uma moto capaz de fazê-lo campeão, e que não aceitará ser segundo ou terceiro colocado nas corridas, e que irá sempre em busca da vitória. E até já deu sua opinião de que adoraria conquistar o título e ter Valentino Rossi como vice-campeão. Mas é muito cedo para descartar o “Doutor” nessa luta. Rossi foi vice-campeão nos três últimos campeonatos, e está sedento por aumentar sua coleção de títulos. Embora não tenha terminado os testes tão bem colocado quanto o novo parceiro de equipe em alguns dias, devido a alguns problemas, o piloto italiano não pode ser subestimado nas corridas. E, se lhe faltar velocidade, ele sabe compensar com muita experiência, mesmo que no ano passado ele tenha cometido alguns equívocos em algumas corridas que o deixaram sem condições de impedir o tricampeonato de Marc Márquez. Aos 38 anos, o italiano não parece se desmotivar com a idade, enfrentando pilotos com pouco mais do que a metade de sua idade, e renovou contrato com o time dos três diapasões até o fim da temporada de 2018.
Maverick Viñalez já está adaptado à sua nova equipe e andou arrepiando nos testes da pré-temporada. O piloto espanhol já se considera um dos favoritos ao título, e nem precisa ser muito modesto...
            Pelo mostrado nos testes da pré-temporada, a Yamaha começa o ano como a melhor moto da competição, mas o time dos três diapasões também iniciou 2016 como favorita, mas depois, não soube manter essa dianteira, sofrendo vários percalços durante a temporada, alguns evitáveis, como erros de seus pilotos, outros não. Por isso, o favoritismo aparente do time de Iwata pode ser momentâneo, precisando ser reafirmado ao longo do campeonato.
            E ninguém pode em sã consciência ignorar a Honda, pelo mais simples motivo: Marc Márquez! A “Formiga Atômica” surpreendeu em 2016 adotando uma postura mais cerebral e menos impulsiva, vencendo quando tinha condições, e garantindo as melhores posições quando não estava em condições de discutir a vitória. Com uma atuação mais constante e regular, Márquez conseguiu evitar se envolver em confusões e acidentes, uma certa tônica em suas apresentações quando não dispunha de equipamento para vencer, o que o levava a tentar tirar no braço a diferença, por vezes com muita ânsia e vontade, o que o levava a extremos indesejáveis. Com os erros e infortúnios dos adversários, Marc carimbou o tricampeonato na casa da Honda, em pleno Japão, para delírio de sua escuderia. E o espanhol é o homem a ser batido nesta temporada. A Honda treinou forte na pré-temporada, e se a Yamaha mostrou a melhor performance, a sua grande rival demonstrou que está muito perto, e que a disputa pelo título está plenamente aberta, com Márquez indo em busca do tetracampeonato. O atual campeão fez diversas simulações de corrida, e apesar de alguns tropeços, entra bem forte neste início de competição, segundo ele, com a Honda em melhor forma do que iniciou o campeonato do ano passado, quando seu time ainda tentava se adaptar às centrais eletrônicas padrão, e ao comportamento mais arisco de sua moto. E, se mesmo em ligeira desvantagem, Márquez conquistou o tricampeonato, imaginem se estiver com sua moto em melhores condições. O aviso está dado, e os concorrentes que se preparem.
Marc Márquez é o homem a ser batido na atual temporada da MotoGP, mas já ficou pressionado pela exibição de Viñalez na Yamaha. O tricampeão sofreu nove quedas na pré-temporada, tentando ir mais rápido. Pressão à vista?
            Fica novamente a expectativa do que Dani Pedrosa poderá render este ano. Veterano na Honda, Pedrosa ficou completamente eclipsado por Márquez, que já conquistou 3 títulos em 4 temporadas completas, enquanto Dani ainda busca seu primeiro mundial, algo que certamente será muito difícil convivendo na mesma garagem que o atual tricampeão, que é um páreo duríssimo na pista, e só se deixou superar por Pedrosa em poucas oportunidades desde que passaram a dividir os boxes da equipe oficial da Honda. Não deve ser diferente neste ano. O fato de manter sua dupla sem mudanças é um ponto positivo para a Honda, por saber o que esperar de seus pilotos, e eles conhecerem a fundo o seu equipamento, ajudando a identificar problemas e apontar soluções. O que não significa que seus adversários mais diretos, no caso, a Yamaha, aparente ter algum problema com a troca de Jorge Lorenzo por Maverick Viñalez, que se aclimatou rapidamente ao time. E Márquez aponta quem serão seus principais adversários na luta pelo título: a dupla da Yamaha, óbvio. Mas não descarta seu parceiro de equipe, Dani Pedrosa, que quando está inspirado, é um piloto rapidíssimo. Pelo que o tricampeão deu a entender, a Ducati não será ameaça este ano.
            Com a chegada de Jorge Lorenzo, a equipe de Borgo Panigale, que retornou às vitórias no ano passado, confirmando o seu crescimento, acredita que chegou a hora de encostar definitivamente nas favoritas Honda e Yamaha, por poder contar com um piloto do calibre de Lorenzo, tricampeão da classe rainha do motociclismo. Andrea Dovizioso terminou o certame de 2016 na 5ª posição, enquanto Andrea Iannonne foi apenas o 9° colocado. Mas a própria direção da Ducati admite que, mesmo com todas as melhoras conseguidas no equipamento do ano passado para cá, a Desmosedici GP 2017 ainda não está em condições de brigar de igual para igual contra as motos dos times oficiais de Honda e Yamaha. Mesmo com o bom resultado obtido no último teste no Catar, onde Dovizioso fez o segundo melhor tempo, e Lorenzo o 4°, a menos de 0s2 de diferença para o mais veloz, Viñalez, é preciso reconhecer que esse desempenho positivo não se repetirá em todas as pistas.
Depois de nove anos na Yamaha, Jorge Lorenzo agora está na Ducati, e já sabe que terá um ano difícil pela frente...
            Jorge Lorenzo, que trocou a Yamaha pela Ducati, concorda com esse prognóstico, mas com relação à corrida de estréia do campeonato, em Losail, admite que em termos de classificação, seu time tem condições de brigar pela pole-position, embora precise aprimorar o ritmo de corrida, onde os rivais poderão fazer a grande diferença. E será necessário muito trabalho para conseguir igualar este que até o presente momento é o principal ponto fraco da Ducati. Acostumado a ser um dos protagonistas na luta pelo título nos seus tempos de Yamaha, Lorenzo terá de se acostumar a ter uma temporada não tão competitiva como esperava, mas tem esperanças no trabalho de desenvolvimento da fábrica italiana, que quer mais do que nunca voltar a disputar o título da MotoGP. Mas, não apenas a Ducati terá de melhorar, como o próprio Lorenzo ainda tem de se adaptar melhor ao estilo de pilotagem exigido pela moto italiana, cujas reações são diferentes das Yamahas com as quais Jorge estava familiarizado nos últimos anos. E por conta dessa adaptação, Lorenzo admite que de início, seu companheiro de equipe Andrea Dovizioso tem tudo para ser mais rápido que ele. Para ajudar no desenvolvimento da Desmosedici, a Ducati ainda conta com os talentos de Casey Stoner, que há algum tempo atrás aceitou a posição de piloto de testes da equipe italiana, e foi o único campeão da marca italiana na categoria. Vejamos quão longe a Ducati conseguirá ir neste campeonato. Vontade é o que não falta a seus pilotos. E Andrea Dovizioso está ansioso por medir forças com seu novo companheiro de equipe, e mostrar porque mereceu ter o seu contrato renovado com a escuderia de Borgo Panigale.
Andrea Iannonne ocupou o lugar de Viñalez na Suzuki. Time japonês deve ter queda em relação a 2016 em sua performance, mas Iannone quer mostrar o contrário...
            Quem perdeu força em 2017 em relação a 2016 é a Suzuki. A equipe nipônica, que obteve uma vitória no ano passado, ficou desfalcada de seu maior talento, o espanhol Maverick Viñalez, que foi contratado pela rival Yamaha. Com isso, a Suzuki resolveu renovar a sua duplade pilotos para esta temporada, contando agora com o italiano Andrea Iannone e o espanhol Alex Rins. Iannone é rápido, mas inconstante, e precisará dosar um pouco o seu acelerador e a afobação, que o fizeram perder resultados importantes no ano passado, ficando completamente à sombra de seu companheiro Andrea Dovizioso na Ducati. Para não falar do mal estar gerado na colisão provocada por ele e levando junto seu parceiro de equipe em uma etapa onde ambos estavam com o pódio garantido, na Argentina, em 2016.
            Nos demais times da competição, algumas mudanças aqui e ali, enquanto alguns mantiveram suas duplas do ano passado inalteradas. E certamente torcendo para terem este ano a mesma sorte de 2016, quando puderam vencer algumas corridas, quebrando a sequência de triunfos monopolizada por Honda e Yamaha.
            E teremos também a estréia de mais uma equipe de fábrica na classe rainha: a KTM. A marca austríaca tem uma grande reputação nas provas de rali, em especial o Dakar, onde possui uma longa sequência de vitórias na competição, mas pelo que se viu nos testes da pré-temporada, vai penar neste seu início de disputa na classe rainha do motociclismo. Contando com a dupla de pilotos Bradley Smith e Pol Espargaro, a KTM acabou ficando quase sempre nas últimas posições na última sessão de testes coletivos em Losail, contando também com o piloto Mika Kallio. O resultado motivou a fábrica a construir um motor completamente novo, já a terceira versão, para disputar a temporada, em virtude da falta de performance. O novo propulsor, contudo, deverá estar disponível somente a partir da etapa de Jerez de La Fronteira, o que significa que nas primeiras etapas ninguém deverá esperar resultados decentes da marca austríaca. O time admitiu ter enfrentado problemas com a eletrônica padrão da categoria, e até agora não conseguiu obter a sincronia necessária para combinar o gerenciamento da centralina com a potência de seu motor.
A KTM faz sua estréia oficial na MotoGP, mas os testes da pré-temporada mostram que o início será bem complicado. A competitividade ainda deixa muito a desejar.
            Em termos de calendário, teremos novamente 18 provas, exatamente as mesmas de 2016. A única diferença é a troca de posição entre as corridas da Áustria e da República Tcheca. No mais, tudo continua igual. A Finlândia está preparando um circuito para fazer sua entrada no calendário, mas a nova pista só deverá estar plenamente pronta para a temporada de 2019. A expectativa inicial era de que o país nórdico poderia estrar já em 2018. A Bélgica até poderia fazer parte do calendário, quando os responsáveis pela pista de Spa-Francorchamps procuraram a Dorna, promotora da MotoGP, com vistas a tentar levar as motos de volta ao circuito belga, o que foi rechaçado pela entidade promotora, com a justificativa de que a pista de Spa não é segura para as corridas de moto, razão pela qual o circuito foi retirado da competição, no início da década de 1990. Indonésia e Tailândia estão em negociações para adentrar o mundial, e talvez tenhamos novidades já para 2018. Fica a dúvida se serão mantidas as 18 provas por ano, ou se haverá algum incremento no calendário. Em caso negativo, mantendo-se o mesmo número de corridas, a dúvida passa a ser quais provas deixariam a competição.
Com relação à transmissão das provas para o Brasil, tudo continuará a ser feito dentro dos canais pagos do SporTV, que irão transmitir também os treinos oficiais e de classificação de todas as corridas, tanto da MotoGP como das provas das categorias de acesso, a Moto2 e a Moto3, no mesmo esquema visto no ano passado. E tudo começa já neste final de semana, com todas as categorias sendo mostradas ao vivo no canal SporTV 2.
            É hora de acelerar fundo nas duas rodas, com o ronco dos motores subindo, e a emoção também...
A nova aerodinâmica apresentada pela Ducati para substituir as asas aerodinâmicas proibidas para esta temporada. Configuração ainda está sendo analisada para uso nas corridas da temporada.

A Yamaha terminou a pré-temporada com os melhores resultados. Mas teste é teste, e corridas são corridas...


CALENDÁRIO DA MOTOGP 2017

DATA
ETAPA
CIRCUITO
26.03
Grande Prêmio do Catar
Losail
09.04
Grande Prêmio da Argentina
Termas de Rio Hondo
23.04
Grande Prêmio das Américas
Austin
07.05
Grande Prêmio da Espanha
Jerez de La Fronteira
21.05
Grande Prêmio da França
Le Mans
04.06
Grande Prêmio da Itália
Mugello
11.06
Grande Prêmio da Catalunha
Barcelona
25.06
Grande Prêmio da Holanda
Assen
02.07
Grande Prêmio da Alemanha
Sachsenring
06.08
Grande Prêmio da República Tcheca
Brno
13.08
Grande Prêmio da Áustria
Zeltweg
27.08
Grande Prêmio da Inglaterra
Silverstone
10.09
Grande Prêmio de San Marino
Misano
24.09
Grande Prêmio de Aragón
Aragón
15.10
Grande Prêmio do Japão
Motegi
22.10
Grande Prêmio da Austrália
Phillip Island
29.10
Grande Prêmio da Malásia
Sepang
12.11
Grande Prêmio da Comunidade Valenciana
Valência


EQUIPES E PILOTOS DA MOTOGP (Categoria Principal)

EQUIPE
PILOTOS
Avintia Racing
Hector Barbera
Loris Baz
Aspar Team MotoGP
Karel Abraham
Alvaro Bautista
Ducati Team
Andrea Dovizioso
Jorge Lorenzo
Estrella Galicia 0,0 Marc VDS
Jack Miller
Tito Rabat
Aprilia Racing Team Gresini
Sam Lowes
Aleix Espargaro
Monster Yamaha Tech 3
Johann Zarco
Jonas Folger
LCR Honda
Carl Crutchlow
Movistar Yamaha MotoGP
Valentino Rossi
Maverick Viñalez
Team Suzuki Ecstar
Alex Rins
Andrea Iannone
OCTO Pramac Racing
Danilo Petrucci
Scott Redding
Red Bull KTM Factory Racing
Bradley Smith
Pol Espargaro
Repsol Honda Team
Dani Pedrosa
Marc Marquez

Vice-campeão nas três últimas temporadas, Valentino Rossi parte novamente em busca de seu 8° título na classe rainha do motociclismo, mas o ano promete ser de disputas bastante acirradas com os rivais na pista.
Dani Pedrosa está muito mais animado e motivado para esta temporada. Será que agora ele consegue sair da sombra de Marc Márquez na Honda? A conferir...