sexta-feira, 21 de junho de 2019

MOMENTO RUIM É POUCO...

Marc Márquez faturou mais uma vitória na temporada 2019 da MotoGP ao vencer a etapa da Catalunha em Barcelona (acima), mas o grande destaque da corrida, negativo, foi o verdadeiro strike promovido por seu companheiro Jorge Lorenzo que tirou três rivais potenciais da corrida logo na segunda volta (abaixo), além dele próprio.

            Quem esperava um campeonato mais disputado na MotoGP este ano, melhor ir se preparando para ver Marc Márquez disparando para o hexacampeonato, a exemplo de Lewis Hamilton na Fórmula 1. A “Formiga Atômica” não apenas vem mostrando sua atual competência e talento, como ainda por cima vem tendo uma boa sorte enquanto seus adversários tem seus enguiços para resolver. E isso quando conseguem ficar em cima da moto. Quando não conseguem, o prejuízo é mais do que certo...
            E o campeonato pode ter tido um bom prejuízo domingo passado, no GP da Catalunha, na pista de Barcelona, quando Jorge Lorenzo errou a freada, e acabou tirando da corrida o principal rival de seu companheiro de equipe na luta pelo título, o italiano Andrea Dovizioso, da Ducati. E não contente de “abater” seu ex-companheiro de Ducati, sobrou ainda para seu outro ex-time, a Yamaha, com Maverick Viñales e Valentino Rossi a irem para o chão. Lorenzo admitiu que perdeu a freada, e foi se desculpar com os outros pilotos, embora a receptividade não tenha sido lá essas coisas. O único a não cuspir cobras e lagartos contra o espanhol foi Rossi, que entende que o ex-parceiro de time vem tendo um momento ruim.
            Aliás, pode-se dizer que o “Doutor” foi comedido em sua declaração. Momento ruim é pouco para o que Jorge Lorenzo vem vivendo nas últimas três temporadas na classe rainha do motociclismo. Fossem os tempos do patrocínio de cigarro nas competições do esporte a motor, o piloto espanhol poderia pegar o apelido de Jorge “Lucky Strike” Lorenzo, pois o ocorrido domingo passado na Espanha não foi a primeira vez nos últimos tempos que Lorenzo estragou o que poderia ser uma corrida bem disputada. No ano passado, também na Espanha, mas na pista de Jerez de La Fronteira, Lorenzo também foi o responsável por outro “strike”, onde acabaram fora da corrida ele, seu então parceiro na Ducati, Dovizioso, e Dani Pedrosa, da Honda, piloto que ele acabou substituindo este ano. E naquele época, a repercussão foi bem ruim para o lado de Jorge, que até então não vinha correspondendo, pelo segundo ano consecutivo, ao que a Ducati esperava dele quando o contratou para ser a principal estrela de seu time na pista.
Em 2018, em Jerez de La Fronteira, Lorenzo provocou um strike que tirou ele, Dani Pedrosa, e seu companheiro de equipe na Ducati da corrida na Andaluzia.
            Cansado das rusgas com Valentino Rossi, com quem dividia os boxes na equipe da Yamaha, o piloto espanhol anunciou, em 2016, sua ida para a Ducati. Lorenzo perderia a disputa com Valentino em 2016, tendo sido 3º colocado na competição, enquanto o “Doutor” foi o vice-campeão, ambos perdendo para Marc Márquez, que havia conquistado o título da temporada. A idéia era não dividir espaço com alguém do mesmo quilate nos boxes do time italiano, que teria Andrea Dovizioso para companheiro de equipe do espanhol. Afinal, Dovizioso, apesar de um brilho aqui e ali, estava longe de poder comparar currículo com Lorenzo, que era nada menos do que tricampeão mundial da MotoGP. E, por incrível que pareça, a mudança foi oportuna, pois no certame de 2017, a Ducati surpreendeu com uma moto muito competitiva, que em várias corridas, mostrou-se o melhor equipamento do grid.
            Mas aconteceram outras duas surpresas. A positiva foi que Andrea Dovizioso surpreendeu a todos, e disputou o título com Marc Márquez, vencendo corridas na raça, e levando a decisão para a última corrida da temporada. Mas o italiano não conseguiu chegar lá, tendo de ver Márquez mais uma vez levantar a taça de campeão. Mas Dovizioso terminou com a moral em alta como jamais se viu na categoria. Mas a surpresa negativa foi ver Jorge Lorenzo penando para se adaptar à moto italiana, cujo comportamento era diferente da moto japonesa que ele guiava na Yamaha. A discrepância chegou a assustar: enquanto Dovizioso foi vice-campeão, com 261 pontos, e 8 pódios no ano, Lorenzo terminou apenas em 7º lugar, com 137 pontos, e apenas 3 pódios, sem vencer nenhuma corrida. Dificuldade de adaptação à parte, ter marcado praticamente metade dos pontos do companheiro de equipe certamente não era o que Lorenzo esperava viver na equipe de Borgo Panigale. O espanhol ainda criou certa celeuma com o time por não ajudar Dovizioso na corrida final, em Valência, quando o companheiro ainda tinha chance de ser campeão na luta contra Márquez. Com Márquez escapando na frente, ao invés de abrir para Andrea tentar o ataque contra o piloto da Honda, Lorenzo ficou disputando posição com o companheiro de equipe, o que facilitou muito mais as coisas para Marc, apesar dos pedidos da Ducati para que ele deixasse Andrea passar para tentar atacar o rival da Honda. Quando Dovizioso finalmente conseguiu superar Lorenzo, Márquez já estava muito à frente, e ao tentar forçar o ritmo, Dovizioso caiu da moto, dizendo adeus ao título. Enquanto Dovizioso foi recebido com aplausos pelo time, apesar da derrota, o clima não foi o mesmo na recepção de Lorenzo.
 
Tricampeão com a Yamaha (acima), Lorenzo não viu o mesmo sucesso com a Ducati, e não perdeu tempo em mudar para a Honda (abaixo), onde o pesadelo dos maus resultados e da má fase ainda parece persegui-lo sem tréguas. 
 
           No ano passado, o drama parecia se repetir, com o espanhol aparentemente continuando a sofrer para domar a Desmosedici no seu mais alto nível, enquanto Dovizioso, apesar de alguns percalços, ainda era o principal rival na pista de Marc Márquez. Some-se a isso o strike promovido por Jorge em Jerez, onde acabou tirando a Ducati da prova, enquanto Márquez ganhava mais uma, e a situação de Lorenzo já andava tensa no time. Já se falava em renovação, mas por um valor muito menor do que o do primeiro contrato, uma vez que o piloto não vinha dando o resultados esperados, que eram conquistados pelo “prata da casa” Dovizioso, que apesar de ter ganho um bom aumento salarial, ainda era mais barato que o seu companheiro espanhol.
            O pior de tudo é que, quando as coisas pareciam enfim melhorar, eis que o clima na escuderia ficou ainda pior. Em Mugello, no GP da Itália, a Ducati enfim fez sua primeira dobradinha com sua dupla, e com Lorenzo a vencer sua primeira corrida pelo time italiano, e em solo italiano. Os maus tempos ficariam para trás, enfim? Nem tanto: Lorenzo, apesar da vitória, já não tinha mais empatia pela escuderia, e preferiu apostar suas fichas em outro time para esta temporada, assinando um contrato com a Honda, para ser o companheiro de Marc Márquez, em substituição de Dani Pedrosa. Desnecessário dizer que os italianos não gostaram de ser surpreendidos com esta mudança, com Lorenzo a resolver cair fora, e não dar a chance de a Ducati demiti-lo, ou mantê-lo com um salário reduzido. E Jorge ainda deve ter ficado muito cheio de si ao vencer a etapa seguinte, em Barcelona, e até se colocar, ao lado de Dovizioso, como pretendente ao título da temporada, cujo favoritismo era de Márquez.
            Duas vitórias consecutivas! Estava sendo mesmo bom para Lorenzo, que parecia dar a seus críticos um merecido cala-boca pelos maus resultados obtidos até então na Ducati, e um recado também ao próprio time italiano, que começava a questionar se ele merecia continuar no time, que ainda era uma das forças da temporada, ao lado da Honda, embora sem a mesma força surpreendente do ano anterior. Um recado velado de como eles o subestimaram, não lhe deram o devido valor, e agora iriam vê-lo na concorrência no ano seguinte. Para a competição, era muito bom vermos os dois pilotos da Ducati irem à caça de Márquez, já que a dupla da Yamaha estava fora de combate com uma moto que não rendia o necessário para lhes permitir lutar pelo título. Um 2º lugar na etapa de República Tcheca, e uma nova vitória na Áustria, pareciam atestar o bom momento de Lorenzo.
            Mas, dali em diante, tudo começou a dar errado novamente para o espanhol. Ficou as duas provas seguintes sem marcar pontos, e ainda sofreu um violento acidente na Tailândia que o tirou das etapas seguintes, voltando apenas na corrida final, em Valência, e sem ter a mesma performance que vinha exibindo até então. Jorge, que esperava sair da Ducati por cima, acabou encerrando sua passagem pelo time italiano ainda mais baixo do que no ano anterior. Enquanto Dovizioso foi novamente vice-campeão, com 245 pontos, Lorenzo acabou em 9º lugar, com 134 pontos. Para quem estava finalmente atingindo os resultados esperados por si próprio e pelo time, Lorenzo acabou se queimando com os italianos ao se transferir prematuramente para a Honda, de forma que não conseguiu capitalizar com as vitórias obtidas então. E ele já havia começado a bater boca também com Dovizioso, de modo que o clima nos boxes da escuderia já não era harmonioso como antes. Lorenzo estava em um mau momento, mas perdeu a chance de encerrá-lo e dar a volta por cima, por escolha própria, e como desgraça pouca é bobagem, ainda deu um azar danado na parte final da temporada de 2018. A chance de redenção ficaria para 2019, porque no ano passado, acabou ficando pela metade.
            Então, todo mundo esperava um retorno em grande estilo de Lorenzo este ano. A Honda era o time campeão, e apesar da presença de Marc Márquez, o próprio declarou que tinha muito interesse em dispor de um companheiro de time forte, que pudesse desafiá-lo, para que ele tivesse uma pressão por bons resultados além da pressão de si mesmo. E Márquez, afinal, já não tinha mais nada a provar a ninguém. Para Lorenzo, a chance de medir forças com o grande astro da MotoGP atualmente, e mostrar que se não conseguiu mostrar resultado na Ducati, era mais culpa dos italianos do que dele. De qualquer forma, as expectativas eram otimistas, e muitos até já ficavam imaginando se o clima de camaradagem entre Lorenzo e Márquez se manteria depois das primeiras divididas de curva entre ambos na disputa por posições nas corridas. E claro, todo mundo esperava que Lorenzo tivesse mais sorte na Honda e oferecesse mais resultados do que Dani Pedrosa, que encerrou sua carreira como piloto titular depois de ter sido dispensado pela equipe japonesa.
            Mas, haja zica, macumba, ou sabe-se lá o que mais... A situação de Lorenzo continuou ruim, e até piorou, pode-se dizer. Primeiro, o piloto espanhol, que já teve uma recuperação complicada devido ao tombo na Tailândia, se acidentou de novo em um treino particular, precisando de uma operação cuja recuperação o deixou de fora da primeira sessão de testes coletivos da pré-temporada. Isso lhe custou um tempo precioso para se adaptar à nova moto, e pior, isso se mostrou um grande prejuízo, pois até agora Lorenzo ainda não conseguiu acertar o seu modo de condução para a moto da Honda, que possui um estilo arisco, e um felling bem particular para ser pilotada. A prometida “ressurreição” de Jorge Lorenzo até agora não aconteceu, e para infelicidade dos torcedores, da MotoGP e do próprio Lorenzo, ele até agora vem marcando passo na temporada.
            E os números são ainda mais discrepantes e gritantes do que na Ducati. Enquanto Márquez lidera o campeonato, com 140 pontos, já tendo vencido 4 corridas em 7 provas, além de largar na pole em 4 oportunidades, Lorenzo é apenas o 15º colocado, com 19 pontos, e tendo como melhor posição de largada um 8º lugar, na França, onde também teve o seu melhor resultado, o mesmo 8º lugar. Para desgraça de Jorge, seu ex-time, a Ducati, tem Andrea Dovizioso em 2º lugar, com 103 pontos, e 1 vitória, enquanto Danilo Petrucci, seu substituto no time italiano, é o 4º colocado com 98 pontos, também tendo vencido uma corrida. Lorenzo chegou até mesmo a ir à fábrica da Honda, no Japão, para tentar se entender melhor com os japoneses, e tentar entender como dominar melhor o equipamento, que diga-se de passagem, não é tão competitivo assim como se faz parecer. Lorenzo critica algumas reações da moto nipônica, mas não é o primeiro a fazê-las. Cal Cruthlow, que corre por um time satélite da Honda, faz há um bom tempo as mesmas críticas ao comportamento da moto japonesa, que precisa de um comportamento mais dócil para que os pilotos possam leva-la devidamente a seus limites.
            Ocorre que, com Marc Márquez fazendo a diferença, e ganhando corridas, a Honda não parece tão empenhada em atender a seus outros pilotos, embora a marca tenha feito alguns esforços para tentar deixar o comportamento de seu equipamento mais ao gosto dos outros pilotos, até para não ficar demasiadamente dependente de Márquez. Resta saber quanto a Honda vai se empenhar de fato neste sentido, ainda mais porque Marc acabou de ganhar uma turbinada no seu favoritismo ao título da atual temporada, depois que Lorenzo acabou tirando a etapa catalã justamente Andrea Dovizioso, que agora está 37 pontos atrás do atual pentacampeão, uma diferença muito difícil de ser tirada na pista, sem que haja algum problema com Marc.
            Marc, aliás, tem defendido o novo parceiro, estando ciente das dificuldades que ele tem tido com a moto da escuderia. Mas parece que não é apenas o momento ruim de Lorenzo que parece perpetuar-se... O azar também continua... A Honda tem se mostrado uma moto mais complicada do que a Ducati do que ele poderia esperar, e pior do que não ter conseguido ajustar-se ao equipamento do seu novo time, é ver sua ex-equipe ainda muito forte, e vendo que seu substituto até já ganhou corrida na atual temporada. E, certamente, pensando se foi um erro ter saído de forma intempestiva da equipe italiana, onde já estaria bem mais adaptado, podendo buscar pelos resultados que almeja, e voltar a ser protagonista na luta por vitórias, e quem sabe o título, enquanto agora está tendo de remar tudo de novo, em situação ainda mais complicada, para recuperar todo o terreno perdido com a nova mudança de escuderia. Um terreno que, certamente, a queda múltipla que proporcionou na segunda volta do GP da Catalunha não ajuda nem um pouco a recuperar, muito pelo contrário, indica um piloto que já começa a sentir a pressão por resultados, e quer tentar reverter a situação o quanto antes.
            A Honda ainda não está questionando a motivação, ou o talento de Lorenzo, nem cogitando uma rescisão de contrato, ou ao menos, dando pistas de tal comportamento. Mas o cartaz do piloto, tricampeão mundial da MotoGP, astro da categoria, e sua reputação como piloto de ponta, estão sofrendo um grande abalo, talvez difícil de recuperar, com esta dificuldade de adaptação, onde Lorenzo tem mostrado limitações talvez até maiores do que ele próprio imaginava para se adaptar a um novo estilo de comportamento do equipamento que tem à sua disposição. Valentino Rossi, em seu retorno à Yamaha, confessou que precisou se adaptar ao novo estilo de pilotagem exigido para levar a moto a seus limites, depois de uma temporada em que ficou na sombra de Lorenzo, e dos demais postulantes ao título, em 2013. E o “Doutor” conseguiu se reinventar, se atualizar, e voltou à carga com grande competência, mostrando grande performance até os dias atuais, já tendo comemorado 40 anos de idade, só não tendo melhores resultados porque o equipamento não é competitivo à sua altura.
            Lorenzo precisa superar o desafio que Rossi enfrentou para voltar a brilhar, ou do contrário, sua aposentadoria das pistas será tratada como a de um piloto que sucumbiu a si mesmo, além dos azares que o acometeram nos últimos três anos de competição, e encerrar de vez este momento ruim que vive, e de má performance que vem protagonizando. Irá conseguir? Receio que nem ele saiba direito a resposta neste momento, diante dos últimos acontecimentos... Seria muito bom que conseguisse dar a volta por cima, pelo bem da competição, e de si próprio. Aguardemos, portanto.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

ARQUIVO PISTA & BOX – OUTUBRO DE 1998 – 09.10.1998


            Trazendo novamente um de meus antigos textos, esta coluna foi publicada em 9 de outubro de 1998, e tratava da conquista do título de “novato do ano” na então F-CART, por parte de Tony Kanaan, em seu primeiro ano nas categorias Indy. E, de lá para cá, nosso intrépido baiano voador teve uma longa carreira, não tão vitoriosa quanto se poderia esperar, devido às temporadas em que não teve um equipamento decente em mãos, como nestes dois últimos anos, mas sempre mostrando o seu talento, que o levou a ser campeão da Indy Racing League em 2004, pelo time de Michael Andretti, seu ponto alto na categoria, ao lado do triunfo nas 500 Milhas de Indianápolis de 2013. O texto traz um breve resumo da carreira de Tony até ali, tendo sido campeão da Indy Lights em 1997 com a equipe Tasman, que o promoveu à categoria principal naquela temporada, ocupando a vaga que era de outro compatriota, André Ribeiro, que havia ido para a Penske.
            No mais, algumas notas rápidas sobre alguns acontecimentos da semana no mundo da velocidade. Uma boa leitura a todos, e em breve trago mais textos antigos por aqui...
 

KANAAN, NOVATO DO ANO

            Em um ano de magros resultados no campeonato da F-CART, já conquistamos pelo menos um prêmio de consolação: Tony Kanaan faturou, comn seu 3º lugar no GP de Houston, domingo passado, o troféu de novato do ano na categoria (o “Rookie of The Year”). Para melhorar ainda mais o astral do piloto, ele ainda é o melhor brasileiro no campeonato, com 86 pontos. Gil de Ferran é o segundo melhor brasileiro, com 67 pontos. Ambos estão, respectivamente, em 9º e 12º lugar na classificação.
            É mais um título no currículo deste baiano nascido no dia 31 de dezembro de 1974. Antoine Rizkallah Kanaan começou sua carreira no automobilismo em 1985, nas provas de kart. E Tony arrasou: faturou os títulos de 1986 a 1990 do campeonato paulista de kart. Em 1988, faturou também o título brasileiro da categoria. A partir de 1991, ele começou a correr nos monopostos, disputando neste ano a F-Ford brasileira. No ano seguinte, foi a vez de disputar o certame nacional da F-Chevrolet.
            A partir de 1993, Kanaan embarcou para a Europa, onde iniciou correndo pela F-Opel Européia, terminando o campeonato em 7º lugar, com 74 pontos. O passo seguinte foi a F-Alfa Boxer italiana, e nosso baiano voador detonou a concorrência: em 10 etapas disputadas, faturou 5 corridas e conquistou o título da categoria. Em 1995, foi a vez da F-3 italiana, onde ficou apenas em 5º lugar no campeonato, com 111 pontos. Como tantos outros pilotos brasileiros, Tony ficou sem boas perspectivas de seguir carreira no Velho Continente, e buscando novas oportunidades, veio para os Estados Unidos disputar a Indy Lights em 1996. Apesar do período de adaptação à categoria, terminou o certame de estréia com o vice-campeonato, com 2 vitórias e duas pole positions. Em 1997, Tony faturou mais um título ao vencer o campeonato da Indy Lights com 2 vitórias e 3 poles. Foi um ano dominador da equipe Tasman, pois além de Tony conquistar o título da categoria, ganhou também o vice-campeonato com seu outro piloto, o também brasileiro Hélio Castro Neves, mais uma fera brazuca a tentar a sorte em terras do Tio Sam.
            Este ano, Tony subiu à F-CART, também pela equipe Tasman. Steve Horne apostou no jovem baiano para reerguer seu time na categoria, depois da desastrosa temporada de 1997, quando correram a maior parte da temporada com o chassi Lola, que revelou-se problemático e pouco competitivo. E, até o presente momento, está conseguindo tudo o que esperava de Tony.
            Como todo calouro, Kanaan não escapou de passar pela tradicional batida no muro de um oval, o que se deu logo no início da temporada. Mas, já “batizado”, Tony mostrou que aprendeu rápido as manhas da categoria principal, pontuando regularmente nas etapas do Japão, Long Beach, e Nazareth. Depois, seguiram-se provas azaradas sem pontos. Assim como nossos demais pilotos, Kanaan também enfrentou vários altos e baixos. Algumas provas foram por água abaixo, como em Vancouver, onde disputava até com chances potenciais de vencer a corrida, e acabou sendo tocado por Paul Tracy, sendo forçado a abandonar a prova. Mas em Laguna Seca e Houston Tony conseguiu se livrar dos azares, e com corridas calculadas e bem feitas, disparou na classificação, superando diversos outros concorrentes.
            Com duas etapas para encerrar a temporada, Tony ainda se permite sonhar com uma vitória em seu ano de estréia. E o prestígio do piloto subiu muito, a ponto da Chip Ganassi ter tentado levá-lo para substituir Alessandro Zanardi em seu time. Mas Steve Horne não liberou o piloto brasileiro. Além de acreditar no seu jovem talento, Horne também está providenciando a reestruturação da Tasman, com vistas a disputar o título no próximo ano, e Kanaan é peça fundamental para que o time vá para a frente.
            Bons ventos o levem, Tony. Pé para acelerar e cabeça para pensar durante a corrida, isso ele já mostrou que tem de sobra...


Mário Haberfeld encerrou o campeonato inglês de F-3 com chave de ouro. Já com o título conquistado, o brasileiro não deixou por menos e venceu a última etapa do campeonato, em Silverstone. Fechando a festa brasileira, Haberfeld, com 218 pontos, teve ainda Enrique Bernoldi, outro brasileiro, como vice-campeão, com 163 pontos. Na terceira colocação do campeonato, mais um brasileiro, Luciano Burti, com 137 pontos. Uma trinca verde-amarela no campeonato inglês de F-3, considerado o mais importante do mundo, para deixar os britânicos na sobra. Warren Hughes foi o melhor representante da ilha, ficando em 4º na classificação final, com 131 pontos...


Neste fim de semana acontece a última etapa da F-Indy (IRL). O palco é o Las Vegas Motor Speedway, em Las Vegas. Kenny Brack lidera a classificação do campeonato. Será também a última prova do atual campeão, Tony Stewart, na categoria. Stewart vai disputar a Nascar a partir do ano que vem.


Michael Doohan conquistou domingo passado no GP da Austrália o pentacampeonato mundial da categoria 500cc da Motovelocidade. Alexandre Barros fez mais uma excelente prova e terminou em 4º lugar, ocupando agora a 5ª posição no campeonato da categoria.


Pedro Paulo Diniz fechou contrato esta semana com a equipe Sauber para ser piloto do time suíço pelos próximos dois anos na F-1. Diniz terá como companheiro de equipe o francês Jean Alesi. Johnny Herbert, atual piloto da escuderia, já acertou com a Stewart para a próxima temporada, onde vai correr junto com Rubens Barrichello. Um dos favoritos à disputa pela vaga deixada por Diniz na equipe Arrows é o brasileiro Ricardo Rosset.


A equipe Walker planeja crescer de produção em 1999 no campeonato da F-CART. Para isso, além de reestruturar a escuderia, Derrick Walker já acertou correr com dois carros no campeonato da próxima temporada. Gil de Ferran continuará como piloto principal, enquanto o segundo carro será pilotado pelo japonês Naoki Hattori, apoiado pela Honda...


A Fórmula 1 tem tudo para ver a maior disputa oficial de fábricas automobilísticas no início do próximo século. Além da presença da Mercedes, Ford e Peugeot apoiando times da categoria, na companhia da carismática e tradicional Ferrari (leia-se Fiat nos bastidores), teremos o retorno da Honda e da BMW. A Renault, que deixou a categoria oficialmente no ano passado, já estuda um retorno na temporada de 2001. A isto some-se a possível estréia da Volkswagen no ano 2000. Essa disputa promete ser boa...