sexta-feira, 3 de março de 2017

BALANÇO DOS PRIMEIROS TESTES



Na primeira semana de testes da pré-temporada, a Mercedes foi o time que mais andou, e menos problemas mecânicos sofreu. Nova temporada de domínio na F-1?

            Enfim, depois de um longo e tenebroso inverno, os carros da F-1 voltaram à pista. O circuito de Barcelona, na Catalunha, já virou lugar comum destas pré-temporadas, e todo mundo foi conhecer os novos bólidos e testar seus limites se preparando para a temporada que começa em breve na Austrália. E, embora, como de costume, não se possa fazer análises definitivas, algumas dicas podem ser apontadas pelo que se viu nestes primeiros quatro dias de testes.
            Quem esperava um maior equilíbrio de forçar, até o presente momento, terá de se contentar com um potencial duelo Mercedes X Ferrari. O time tricampeão do mundo foi o campeão de quilometragem rodada em Barcelona, o que denota que o modelo W08 é rápido e confiável. O único problema aparentemente mais grave surgiu nesta quinta, impedindo Lewis Hamilton de treinar pela manhã, mas após o almoço, Valtteri Bottas já estava na pista para cumprir o seu cronograma, e rodou mais do que a distância do GP da Espanha. O time alemão sediado em Brackley mostrou muita calma durante toda a semana, mesmo quando estava sob forte pressão dos tempos da Ferrari, fosse com Sebastian Vettel ou com Kimi Raikkonen, e essa calmaria só indica que eles possivelmente não deram todas as cartas na mesa, mas deram uma pontinha delas quando Bottas marcou o melhor tempo da semana na quarta-feira, o que pode ser motivo de preocupação para a concorrência. O carro demonstrou grande estabilidade nas curvas do circuito, ainda que seus pilotos precisassem dar algumas corrigidas, mas nada que pareça preocupante. Ainda é cedo para afirmar com todas as letras que a Mercedes vai dominar a temporada, ou de quanto será a sua vantagem para os rivais, no caso do pior caso (para a competição) se confirmar. E outro ponto a favor dos alemães é sua unidade de potência, que estima-se já estar na casa dos mil HPs de potência, e pode até passar disso, uma vez que o desenvolvimento está liberado a partir deste ano. Ferrari e Renault ainda não demonstraram o real potencial de suas novas unidades de 2017. É certo de que elas evoluíram, mas também é mais do que óbvio que a Mercedes não ficou parada neste quesito.
            O ponto positivo é que a Ferrari parece estar melhor do que se esperava. Tanto Vettel quanto Raikkonen anotaram tempos significativos, mas farol de treino à parte, a alta quilometragem do novo modelo SF70H é digna de nota, indicando que o novo bólido de Maranello nasceu confiável, e que em tese pode ser uma pedra nos calcanhares dos prateados. Como não dá para saber exatamente as configurações de combustível das melhores marcas, é preciso ficar um pouco com o pé atrás, para não cair na euforia antecipada. Aliás, o time rosso está mantendo os pés no chão a ferro e fogo. Nada de indicações do que eles podem ou não conseguir na temporada. Isso é um reflexo do que aconteceu no ano passado, quando o time vermelho saiu da pré-temporada achando que conseguiria incomodar os rivais, mas além de não vencer nenhuma corrida, ainda acabou levando algumas sovas da Red Bull. Então, a ordem agora, com um time técnico completamente novo, é não prometer nada, de modo que o que vier será considerado lucro. Mas pelo sorriso de Vettel ao volante do carro, podemos ter coisa boa por aí. Sobre Raikkonen, esqueçam qualquer empolgação: andando bem ou ruim, a expressão do finlandês não muda muito, mas os bons tempos obtidos por ele são interessantes, e a Ferrari, quem sabe, pode vir a ser a redenção da temporada, com alguma sorte. Afinal, Maranello já completou uma década desde o último título, e a expectativa de um jejum maior do que o visto de 1980 a 1999 vive rondando os italianos e a cúpula da Fiat e da Ferrari. Mas, pelo bem da competição e da disputa, ter a Ferrari na frente disputando com a Mercedes é o anseio de muitos. E pelo que se viu na Catalunha, o novo carro parece realmente muito bem nascido, contrariando todas as expectativas de que o novo grupo técnico talvez não conseguisse produzir um resultado tão positivo logo de saída. Um problema ou outro ali, mas aparentemente, nada fora do normal, contrastando com o nervosismo que era nítido nos boxes do time italiano na pré-temporada do ano passado.
Todos esperavam que a Red Bull (acima) pudesse enfim desafiar efetivamente a Mercedes, mas faltou combinar com os italianos da Ferrari (abaixo), que parecem ter outra idéias...
            Já a Red Bull, se não foi um desastre, também não foi aquela maravilha que todos esperavam. O novo modelo RB13 era tido com altas expectativas, como capaz de desafiar abertamente a supremacia da Mercedes, em virtude das novas regras técnicas que aumentaram a carga aerodinâmica dos carros, área na qual Adrian Newey é o nome mais respeitado da categoria há tempos. Mas tanto Max Verstappen quanto Daniel Ricciardo não conseguiram incomodar o duo Mercedes/Ferrari até o momento como imaginavam poder fazer. Mau prognóstico para o time dos energéticos? Não necessariamente: no ano passado, a equipe austríaca não impressionou muito nos testes da pré-temporada, mas conseguiu evoluir seu carro consistentemente durante o ano, e terminou como vice-campeã. Mas ainda é cedo para descartar as possibilidades de a Red Bull mostrar o que pode fazer. Daniel Ricciardo já afirmou que Mercedes e Ferrari estão melhores, mas a Ferrari também iniciou melhor que eles no ano passado, e depois, acabou ficando para trás. Com uma dupla que é considerada a mais forte do grid, ninguém pode menosprezar a capacidade de reação da escuderia. Precisamos ver, contudo, como se deu a evolução da nova unidade de potência da Renault. E, mesmo com alguns percalços, o RB13 mostrou também boa confiabilidade, rodando um bom número de voltas.
            Outras boas notícias nos testes foi ver as performances da Hass e da Renault. O time francês, depois de um ano de retorno juntando os cacos em 2016, colocou a casa em ordem, e se concentrou no modelo 2017, já que não havia muito o que fazer no ano passado que valesse a pena. E a escuderia francesa conseguiu alguns bons tempos, assim como certa confiabilidade. A fábrica francesa quer voltar a dominar a categoria, mas não quer atropelar as expectativas. Este é efetivamente o ano de seu verdadeiro regresso, com um carro criado especificamente para isso. Maiores cobranças deverão ser feitas a partir do ano que vem, uma vez que a escuderia quer sentir qual é sua real força este ano. Enquanto isso, a Hass, que entra em sua segunda temporada, mostra que tem boas chances de fincar bandeira em definitivo como equipe média. O novo modelo VF17 andou bastante, e seus dois pilotos conseguiram marcar tempos significativos que indicam que o time brigará com regularidade pelos pontos. E é preciso lembrar que a escuderia é estadunidense, ou seja, não deve levar o lance de disfarçar sua performance a sério, como os demais times, de mentalidade européia, costumam fazer.
            A Force India, que fez o seu melhor campeonato em 2016 e tem metas ousadas para este ano, conseguiu alguns tempos interessantes, e mostrou certa confiabilidade e potencial. Como a escuderia está melhor financeiramente este ano, deve permitir trabalhar melhor na evolução do modelo VJM10, e garantir uma performance decente na disputa pelas melhores colocações. Se conseguirem repetir o 4° lugar do ano passado, certamente já será um desempenho elogiável, visto que será muito complicado superarem Mercedes, Ferrari e Red Bull. Mas não é impossível serem os melhores do resto. Sérgio Perez segue firme no time, e já mostrou do que é capaz, e a nova estrela Esteban Ocon não foi colocada ali pela Mercedes a troco de nada.
            A Sauber, que comemora 25 anos de sua estréia na F-1, até que mostrou certa confiabilidade no seu novo modelo C36, mas que ninguém se iluda: o time suíço será a lanterna do grid, em condições normais. O carro não mostrou exatamente velocidade em Barcelona, e ainda contou apenas com seu piloto titular Marcus Ericsson, e o substituto Antonio Giovinazzi. Mas sem mostrar um desempenho muito promissor, a confiabilidade do carro não fará milagres. E competir com o modelo 2016 da unidade de potência da Ferrari será um trunfo de vida curta, pois se o motor será confiável, por outro lado, com carros mais pesados, e um maior arrasto aerodinâmico na reta, a menor potência do propulsor se fará sentir em relação às demais unidades, que estarão mais fortes e competitivas. E o fato do carro não ostentar nenhum patrocínio de monta na carenagem indica que o orçamento para desenvolvimento também não será dos mais generosos. Se conseguirem pontuar, já será uma vitória, como o foi no ano passado com o resultado de Felipe Nasr no GP do Brasil, quando marcou os únicos pontos do time em todo o ano.
            Os demais times, contudo, tiveram sua cota até maior de problemas do que o esperado. A Toro Rosso mostrou uma bela pintura no seu novo STR12, mas o carro enfrentou vários problemas, sendo que ontem nem andou praticamente. Os tempos obtidos também não foram de empolgar ninguém, e a quilometragem percorrida foi mediana, em comparação com as demais escuderias. Talvez os testes na próxima semana mostrem o real potencial do time de Faenza, que recebeu importantes investimentos da Red Bull, aumentando a sede do time e incrementando seu staff técnico, a fim de não ser apenas um “time B” na F-1. Mas, até o presente momento, eles terão que trabalhar mais do que o esperado.
McLaren-Honda 2017: evolução ou reprise do que se viu no ano passado?
            Mas, se tem quem esteja parecendo um disco riscado, por prometer melhorias, e não conseguir entregar melhores expectativas, é a McLaren. Partindo para sua terceira temporada em parceria com a Honda, ainda mais em um ano onde o desenvolvimento das unidades de potência está liberado, era de se esperar que os japoneses, depois de dois anos tentando entender a tecnologia das unidades híbridas de potência, foi só Fernando Alonso sair dos boxes para ficar a pé, novamente com problemas no motor, perdendo com isso praticamente o dia inteiro. E, quando conseguiu dar várias voltas, os tempos não foram muito animadores. Mas é exagerado dizer que os problemas se concentram no motor: o novo MCL-32 ainda carece de maior desenvolvimento, mas sem a fiabilidade da unidade de potência, a compreensão do chassi também fica prejudicada. De qualquer forma, os maus resultados desta primeira semana já deram margem à imprensa espanhola apregoar que Alonso pode dar adeus ao time de Woking ao fim da temporada, bem como a própria Honda, por mais um ano de muita expectativa e baixos resultados, algo que foi prontamente desmentido por ambas as partes no paddock catalão. Mas é inegável que todos esperavam uma evolução da performance do carro, o que não se viu até aqui.
            E a Williams praticamente terá de começar a aguentar as piadas sobre a performance de seu novo piloto, Lance Stroll, que conseguiu a proeza de rodar 3 vezes em dois dias, e com isso, acabar com metade do tempo disponível para testes na semana. A grosso modo, apenas na segunda-feira, o primeiro dia de testes, o time conseguiu mostrar serviço, com Felipe Massa ao volante, atingindo uma excelente quilometragem e um tempo até encorajador para o novo modelo FW40. Mas na terça, o novato canadense rodou e danificou o carro na caixa de brita, acabando com as chances da Williams de continuar o treino. Stroll ainda conseguiu andar bem na quarta-feira, mas conseguiu rodar duas vezes, na última delas batendo o carro, e acabando com a semana do time, que não andou neste último dia. O maior prejudicado, além do próprio time, foi Felipe Massa, que perdeu sua sua segunda sessão de treinos porque o time resolveu mudar o cronograma e manter Lance na pista. Certo, o garoto é novato, e está aprendendo, e os testes de pré-temporada servem para isso mesmo. Mas o caso da Williams é um exemplo prático de como as regras da pré-temporada precisam ser revistas. Esse lance de cada time ir com apenas um carro à pista por vez é uma tremenda furada. Com apenas 8 dias de testes da pré-temporada, e com carros concebidos sob novas regras técnicas, todos os times com condições deveriam estar com seus dois carros na pista, obtendo assim muito mais dados sobre o monoposto, e no caso de algum acidente ou imprevisto, como o ocorrido com a Williams ou da McLaren, estar com o outro piloto também na pista, em um segundo carro, ajuda a minimizar o prejuízo.
Com esta batida, Lance Stroll encerrou prematuramente a primeira semana da Williams na pré-temporada. O garoto começou mal na F-1, por enquanto...
            Não interessa se os times preferem ficar com apenas um carro de cada vez. McLaren e Williams, com seus percalços, perderam tempo importante para acertar e desenvolver seus carros, e com isso, diminuem as expectativas de melhorar a disputa nas corridas, já que não conseguirão render o que poderiam. Espera-se que este tipo de regra mude para o próximo ano, a fim de que a pré-temporada, mesmo curta, seja muito mais movimentada, e dê maior prazer de se acompanhar. Se estivesse com seus dois carros em ação, Felipe Massa teria sido muito mais útil à Williams do que Stroll. E a McLaren não ficaria também refém das quebras do motor da Honda, ou com problemas no carro. Pelo menos, nesta semana, o Liberty Media já tomou uma decisão inédita até então na F-1, permitindo aos times e pilotos postarem fotos e vídeos curtos nas redes sociais e na internet, ajudando na interação com os fãs, algo nunca permitido quando Bernie Ecclestone estava no comando da categoria. É um passo promissor, e espera-se que continue com o avanço das atividades da pré-temporada e durante o campeonato.
            Ainda é cedo para dizer se este campeonato será melhor do que foram os últimos. As novas regras foram concebidas para tentar dar uma chacoalhada na relação de  forças da F-1, mas a exemplo do que aconteceu na primeira metade da década passada, quando Michael Schumacher e a Ferrari dominavam, várias mudanças de regras também foram implantadas, e o piloto alemão e o time italiano conseguiam continuar sempre na frente. Não há garantias de que a Mercedes não vá dominar novamente, mas pelo menos os fãs não poderão reclamar da velocidade dos carros, que já quebraram as marcas do ano passado, e podem ser ainda mais rápidos, a conferir nos testes da semana que vem. O melhor tempo em Barcelona, no GP do ano passado, foi de Lewis Hamilton, com 1min22s00. Valtteri Bottas já alcançou 1min19s705, ou seja, 2s295 mais rápido. Vai ser interessante observar qual será a performance final dos novos carros de 2017. A conferir...

quarta-feira, 1 de março de 2017

FLYING LAPS - FEVEREIRO DE 2017



            E nem bem começamos o ano de 2017, e já iniciamos o mês de março. Logo, vários campeonatos iniciarão suas disputas de 2017, como a Fórmula 1, Indycar, MotoGP, entre vários outros. E é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relacionando alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridas neste mês de fevereiro, com alguns comentários de costume em cada tópico. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima sessão Flying Laps, no próximo mês...


Sebastien Buemi continua arrasando no campeonato da Formula-E. O atual campeão da categoria de carros monopostos elétricos conquistou em Buenos Aires sua terceira vitória consecutiva na atual temporada da competição, e disparou na liderança do certame, com 75 pontos. O piloto da e.dams largou na 3ª posição na etapa disputada na capital argentina, e partiu logo para assumir a primeira colocação, superando Jean-Éric Vergne e o pole-position, Lucas Di Grassi. Uma vez na frente, Buemi simplesmente disparou na frente, deixando a disputa da última colocação do pódio entre vários pilotos, uma vez que Vergne, confirmando a boa performance do carro da equipe Techeetah, nunca foi exatamente ameaçado na segunda posição, e por sua vez, também nunca conseguiu ameaçar a liderança de Buemi, nem mesmo na parte final da prova, onde se aproximou bastante do piloto da e.dams, mas nunca o suficiente para tentar discutir a posição e tentar lutar pela vitória. Di Grassi, após uma corrida um pouco complicada, fechou o pódio, e manteve a segunda posição no campeonato, com 46 pontos, mas sem condições de assumir a liderança na próxima corrida, uma vez que já está 29 pontos atrás de Buemi, que não vem dando chances aos concorrentes nesta nova temporada, pilotando de forma precisa e sem erros, aproveitando a performance de seu carro, que mesmo sem exibir o mesmo domínio da temporada passada, está certamente um pouco acima dos demais rivais, que terão muito trabalho para conseguir alcançá-lo, ou sequer superá-lo na disputa pelo título da atual temporada. A próxima corrida da competição será no dia 1° de abril, na Cidade do México.


Lucas Di Grassi teve uma corrida um pouco difícil em Buenos Aires. O piloto brasileiro da equipe Audi ABT conseguiu em Buenos Aires a sua primeira pole-position na categoria, mas a posição de honra na largada pouco lhe valeu no início da corrida. Com seu carro sem apresentar o mesmo rendimento da classificação, Lucas foi superado por Jean-Éric Vergne e logo a seguir por Sebastien Buemi, que dispararam na frente, deixando para o brasileiro apenas a disputa da 3ª colocação, que se tornou complicada quando acabou superado por Nicolas Prost, e Oliver Turvey, caindo para a 5ª posição. A situação só melhoraria após a parada de box, onde o segundo carro de Di Grassi apresentava uma performance melhor, e ele partiu para recuperar na pista a posição perdida para Nicolas Prost. Na parada de box, seu time conseguiu devolvê-lo à pista à frente de Oliver Turvey, mas o brasileiro por pouco não se envolveu em confusão com Nelsinho Piquet na hora de sair do box, quando voltou à pista imediatamente à frente do compatriota da equipe NexTev, por pouco não causando um acidente, que só não ocorreu porque Piquet freou forte para evitar a colisão. Por essa manobra perigosa na hora de sair, Lucas acabou advertido e punido com uma multa. De volta à pista, o vice-campeão da temporada passada fez uso do seu fanboost para superar Nicolas Prost, e reassumir o 3° lugar na corrida. Lucas ainda conseguiu se aproximar de Vergne, mas nunca esteve em condições de brigar pelo 2° lugar. Lucas vem tentando a mesma tática da temporada passada, de se manter constante e marcar o máximo de pontos para tentar não deixar Buemi escapar, ciente de que seu carro não tem a mesma performance do equipamento da e.dams, mas a parada está particularmente difícil este ano. O brasileiro já está 29 pontos atrás de Buemi, e mesmo que o piloto suíço abandone a próxima corrida e Di Grassi marque todos os pontos possíveis, não será possível conseguir assumir a dianteira do campeonato, pois no máximo, empataria em pontos com Sebastien, e perderia no critério de desempate de vitórias. Aliás, pela performance demonstrada por Vergne, Lucas possivelmente terá de ter cuidado para não ser superado pelo francês, que possui um carro extremamente rápido, e que quando não tem problemas, é mais um adversário difícil de ser superado na pista. Isso para não falar também de Nicolas Prost, que por dispor do mesmo carro que Buemi, também pode ser um adversário duro de roer na pista, e é o 3° colocado na competição, logo atrás do brasileiro da Audi ABT. Tudo indica que o campeonato atual será realmente muito mais difícil para Lucas do que o do ano passado.


Quem teve motivos para comemorar em Buenos Aires foi a equipe NexTev. Depois de amargar resultados ruins em toda a última temporada, a escuderia chinesa deu mostras de estar recuperando sua performance nesta nova temporada, mas diversos problemas impediram seus pilotos de obterem resultados melhores nas duas etapas disputadas anteriormente. Mas na capital da Argentina, tanto Nelsinho Piquet quanto Oliver Turvey classificaram-se para a superpole, e não fossem erros cometidos por ambos os pilotos em suas voltas de classificação, certamente teriam conseguido posições melhores do que a 4ª e 5ª posições no grid. Mas melhor do que isso tudo foi ver o andamento de ambos os pilotos na corrida. Piquet andou sempre entre os primeiros colocados, se tivesse conseguido sair à frente de Lucas Di Grassi nos boxes, durante a troca de carro, talvez até pudesse ter chegado ao pódio. Mesmo assim, o piloto brasileiro, primeiro campeão da categoria de carros elétricos monopostos, finalizou a corrida portenha numa expressiva 5ª posição, enquanto Turvey teve menos sorte e foi o 9° colocado, tendo perdido posições na troca de carros. Com o resultado, Piquet assumiu a 9ª posição na classificação, com 13 pontos, já superando o parceiro Oliver Turvey, 10° colocado, com 12 pontos. Piquet já tinha dado mostras de melhora no carro da NexTev logo na primeira corrida, quando conquistou a pole-position em Hong Kong, resta agora conseguir converter as melhores posições de largada em melhores resultados finais das corridas, e tudo parece indicar que seu time está no caminho certo.


Marc Márquez, atual campeão da MotoGP, se acidentou durante um teste privado de sua equipe, a Honda, na pista de Jerez de La Fronteira, na Espanha, e o piloto espanhol chegou a deslocar o ombro na pancada sofrida. Mas tanto o time quanto o piloto trataram de tranquilizar os fãs ao afirmar que as lesões foram leves, e que o piloto estará em ponto de bala para a estréia da competição de 2017, no circuito de Losail, no Qatar, agora em março. Na verdade, o piloto já deverá estar novamente na pista na última sessão de testes coletivos, a serem realizados na mesma pista de Losail, nos próximos dias 10 a 12 de março. E Márquez já mostrou em ocasiões anteriores que não é uma lesão à toa que vai deixá-lo menos veloz, portanto, os concorrentes que tirem o cavalo da chuva desde já com a noticia de sua queda em Jerez...


Com o fim da equipe KV Racing, a maioria de seus equipamentos acabou adquirida pela escuderia Juncos, que disputa os campeonatos da Pro Mazda e da Indy Lights. E, com os carros adquiridos do time que pertenceu a Kevin Kalkhoven e Jimmy Vasser, Ricardo Juncos anunciou que seu time irá disputar as 500 Milhas de Indianápolis deste ano. Trata-se de uma boa notícia para a prova, uma vez que o campeonato regular da Indycar este ano só tem 21 pilotos, e para preencher as 33 vagas da corrida mais famosa do calendário é preciso arrumar mais gente. A Penske e a Andretti já confirmaram que terão um quinto carro na corrida, que terá também a participação da Dreyer & Reinbold, que correrá apenas essa prova com Sage Karan. Então, até o momento, já são 24 carros, e se tudo correr bem, a Juncos deve alinhar 2 carros, aumentando o número para 26 competidores, mas até o presente momento, foi divulgada apenas a intenção de participar da prova. Nada mais foi definido. Não houve nenhum anúncio de pilotos, patrocinadores, ou até mesmo com qual motor a equipe irá disputar a Indy500. Espera-se que em breve a Juncos anuncie seus planos detalhados para a corrida, que será tradicionalmente realizada no último domingo de maio, sendo este ano a 101ª edição da Indy500... Uma marca de edições realizadas muito respeitável...


Depois de disputar as provas do Mundial de Rali por alguns anos, o polonês Robert Kubica voltará às corridas em autódromos neste ano. O piloto fechou acordo para disputar o Mundial de Endurance pela equipe ByKolles, na classe LMP1. Robert teve oportunidade de testar o carro da escuderia no final do ano passado, na pista de Sakhir, e revelou ter se sentido confortável no carro, e que as limitações decorrentes do acidente sofrido em 2011 em uma prova de rali que o forçaram a encerrar sua carreira na F-1 não o impedem de ter um desempenho competitivo nos protótipos da Endurance. A escuderia ainda não anunciou o time completo de pilotos que correrá com o único carro que o time alinhará no campeonato. Até o presente momento, além de Kubica, foi anunciado o nome do piloto Oliver Webb, faltando definir quem será o terceiro nome da trinca.


Pedro Piquet, o mais novo filho do tricampeão Nélson Piquet, sagrou-se vice-campeão do campeonato 2017 da Toyota Racing Series, tradicional disputa que ocorre no início do ano na Nova Zelândia. O campeonato consistiu de 5 provas em rodadas triplas, totalizando 15 corridas, disputadas entre 14 de janeiro e 12 de fevereiro. Competindo pela equipe MC2 Competition, Pedro venceu 3 corridas, uma a mais que o australiano Thomas Randle, da equipe Victory Motor Racing, que sagrou-se campeão, mas foi menos constante em algumas das corridas, perdendo o título do certame por uma diferença mínima de 5 pontos a favor do australiano (855 a 850). Piquet teria sido o campeão se não tivesse sofrido uma punição na segunda etapa, onde venceu, mas acabou sendo punido por defender de maneira exageradamente agressiva sua posição quando liderava a corrida. Ele recebeu 30s de punição, e despencou várias posições, perdendo com isso 57 pontos, o que o levaria a conquistar o título com 52 pontos de vantagem para Randle. Também com 3 vitórias na competição, o holandês Richard Verschoor, da Gilles Motorsport, foi o 3° colocado na classificação final da competição, com 843 pontos. O neozelandês Marcus Armstrong, do mesmo time de Pedro Piquet, também com 3 vitórias no certame, terminou em 4° lugar, com 792 pontos. O campeonato contou com 20 pilotos, entre eles o também brasileiro Christian Hahn, que terminou em 14° lugar, com 372 pontos. No ano passado, Pedro Piquet também disputou a Toyota Racing Series, tendo vencido duas corridas, e finalizado a competição, pela mesma equipe M2 Competition, em 5° lugar, com 710 pontos, contra 924 pontos do britânico Lando Norris, que foi o campeão.