quarta-feira, 14 de outubro de 2015

ARQUIVO PISTA & BOX - JUNHO DE 1997 - 13.06.1997



            Voltando a trazer uma de minhas antigas colunas, esta é do dia 13 de junho de 1997, e o assunto era como os pilotos canadenses estavam dando as cartas na F-1 e na F-Indy original, um papel que, anos antes, era desempenhado pelos pilotos brasileiros, que naquele momento, estavam relegados a papéis secundários em ambos os campeonatos. O domínio canadense, é verdade, foi breve: Jacques Villeneuve conquistou o título daquele ano na F-1, mas depois disso não ganhou mais nada na categoria máxima do automobilismo. Na F-Indy, Paul Tracy, que parecia despontar finalmente para ganhar um título, sucumbiu na segunda metade do campeonato, e só foi ser finalmente campeão na década seguinte, em 2003. Fiquem agora com o texto, e uma boa leitura. Logo, logo, trago mais textos antigos aqui...


HEGEMONIA CANADENSE

            Já vão longe os tempos em que os brasileiros dominavam as categorias de topo do automobilismo mundial. Até o início desta década, tínhamos, só na Fórmula 1, Ayrton Senna e Nélson Piquet lutando por vitórias a cada corrida, e até lutando pela disputa do título. E, na até então F-Indy, Émerson Fittipaldi estava na sua melhor fase da carreira pós-F-1. Conquistamos os Mundiais de 1987, 1988, 1990 e 1991, contando na F-1; e na F-Indy, Émerson tornou-se o primeiro piloto estrangeiro a conquistar o título da F-Indy.
            Hoje estamos em 1997, e o panorama é bem diferente. Na F-1, desde a perda de Ayrton Senna, nosso melhor representante foi Rubens Barrichello. Um piloto de talento, mas que até agora não teve um carro à sua altura para brilhar de forma permanente na categoria, tendo de se contentar, até o momento, com brilhos momentâneos, como foi o 2º lugar em Mônaco, há um mês atrás. Já na F-CART (atual nome da F-Indy), o número de pilotos brasileiros aumentou bastante, e com o equilíbrio da categoria, a maior parte deles tem equipamento para vencer corridas e disputar o título. Entretanto, até agora, eles só fazem figuração no campeonato. São reconhecidos como excelentes pilotos e adversários de respeito, entretanto, os astros do momento são outros pilotos de outro país.
            Que país é este? O Canadá. Só para mostrar a amplitude do domínio canadense, basta lembrar que ambos os maiores campeonatos de monopostos do automobilismo mundial, a F-1 e a F-CART, estão sendo liderados no atual momento por pilotos canadenses. Paul Tracy, da equipe Penske, é o líder da classificação da F-CART; Jacques Villeneuve, da equipe Williams, comanda a disputa pelo título na F-1.
            E na F-CART, o domínio começa a ficar evidente: além de Paul Tracy, outro canadense, Greg Moore, desponta como potencial rival na luta pelo título, ocupando a 3ª posição do campeonato até o momento. Paul Tracy venceu 3 provas consecutivas: Nazareth, Brasil e Saint Louis. Greg Moore venceu as 2 corridas seguintes: Milwaukee e Detroit. De um total de 8 provas, os canadenses venceram 5, mais da metade. Como se isso ainda não bastasse, outro canadense, Patrick Carpentier, da equipe Bettenhausen, subiu ao pódio em Saint Louis em 2º lugar, e é até o momento o mais forte candidato ao título de “rookie” do ano, tal qual foi Jacques Villeneuve, Greg Moore e Paul Tracy, em seus respectivos anos de estréia na então F-Indy.
            Completando, basta lembrar que Villeneuve foi campeão da então F-Indy em 1995, foi vice-campeão de F-1 em 1996, e este ano, com 3 vitórias em 6 etapas disputadas até agora, é o franco favorito ao título da categoria máxima do automobilismo. Com a Williams, o piloto canadense já fez 5 poles só este ano. Em 1996, seu ano de estréia, fez 3 poles, sendo que a primeira dela foi já no seu primeiro GP, em Melbourne, na Austrália, onde liderou a maior parte da corrida, só não vencendo por problemas de motor, terminando em 2º lugar.
            É, os tempos realmente são outros. Foi-se o tempo em que os pilotos brasileiros dominavam, e agora a bola da vez são os canadenses, cujos torcedores estão se fartando de ver seus representantes darem uma sova na concorrência e com sobras até. São ciclos que sempre acontecem no automobilismo. Para a torcida brasileira, fica a pergunta de quando isso vai acabar e nossos pilotos voltarão a dar show em cima de toda a concorrência...


A F-1 chegou ao Canadá para disputar a sua 7ª etapa do Mundial. Como não poderia deixar de ser, Jacques Villeneuve é o foco das atenções e o favorito absoluto para vencer a corrida, na opinião da torcida canadense. Ano passado foi a mesma coisa, mas Damon Hill, companheiro de equipe de Villeneuve, resolveu estragar a festa e dominou a corrida, vencendo praticamente de ponta a ponta. Este ano, a relação de possíveis “estraga-prazeres” é encabeçada por Michael Schumacher, passa por Heinz-Harald Frentzen e termina nos pilotos da Benetton e McLaren. Diferente de Barcelona, onde disse que iria correr pelos pontos, Michael Schumacher já avisa que a Williams não terá vida fácil em Montreal, pois vai firme atrás da vitória.


A IRL disputou sábado passado a sua primeira etapa noturna, o GP de Longhorn, realizada no novíssimo circuito do Texas Motor Speedway, de 1,5 milhas de extensão, e formato trioval com curvas superinclinadas. O circuito fica na localidade de Fort Worth, próximo a Dallas, no Texas, e foi inaugurado há poucos meses. Tony Stewart largou na pole-position para as 208 voltas da corrida de 500 Km de extensão, que começou ainda com a luz do sol. À medida que a prova progredia, a noite foi caindo, e a pista passou a ser iluminada por um complexo de luzes espetacular. A corrida, entretanto, teve alguns erros na cronometragem da prova, e só depois de várias horas foi confirmada a vitória de Arie Luyendick, a sua 2ª vitória consecutiva no campeonato. Alguns ficaram inconformados com a decisão, como A. J. Foity, que deu até alguns socos no piloto holandês depois disso. Os brasileiros Marco Greco e Affonso Giaffone Neto não conseguiram completar a corrida.


Novas fofocas de bastidores agitam a F-1: Alain Prost pode ter como dupla de pilotos para 1998 Damon Hill e Jacques Villeneuve, Pelo seu lado, a McLaren pode ter como dupla Ralf Schumacher e Damon Hill...


Rola também a fofoca de que a Peugeot deve mesmo fornecer motores somente à equipe Prost em 1998. Eddie Jordan, até o momento, não teria conseguido convencer a Peugeot com as performances de sua equipe para esticar o compromisso para o ano que vem.


Mais uma vitória brasileira no campeonato da Indy Lights. Em Detroit, Tony Kanaan venceu com Hélio Castro Neves em 2º lugar. Helinho lidera o campeonato da categoria com 88 pontos...


A Lola está em péssima situação. Depois de liquidar com sua equipe de Fórmula 1, a fábrica de carros de competição agora teve de leiloar parte de seu controle acionário. O fiasco do desempenho dos chassis para a F-CART também contribuíram para piorar a saúde financeira da empresa...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

21 CORRIDAS: É A F-1 DE 2016


Baku, no Azerbaijão, será o mais novo GP de F-1 no calendário em 2016.

            Se não houverem imprevistos, o campeonato de Fórmula 1 do ano que vem será o maior de sua história. O calendário oficial, divulgado há poucos dias, prevê nada menos do que 21 corridas para a próxima temporada. Equipes e profissionais já antecipam a correria que será manter este número de etapas, seus custos, e as necessidades logísticas que precisarão ser combinadas para aguentar o tranco da competição. E, como de costume, não vai sair barato para ninguém.
            Todas as corridas deste ano estão mantidas em 2016, e deveremos ter o retorno da Alemanha, em Hockenhein, além da "estréia" do GP da Europa, no novo circuito de Baku, no Azerbaijão. A tão falada etapa de Nova Jérsey, nos Estados Unidos, parece ter ido definitivamente para o vinagre, depois de ser tão propalada nos últimos anos. Os organizadores simplesmente não conseguiram levantar a grana exigida por Bernie Ecclestone, e portanto, a corrida não deverá acontecer mais. Pelo menos até o próximo projeto de ter mais uma corrida nos EUA surgir.
            Os planos eram iniciar o campeonato apenas em abril, de forma a dar mais tempo às escuderias para se prepararem adequadamente para a competição. Mas o projeto de termos uma pré-temporada com apenas 8 dias de testes é ridículo, ainda mais se levarmos em conta que os times só deverão ir para a pista no final de fevereiro e início de março. Antigamente, quando não havia essa frescura de limitação de testes extremada, muitos times já entravam na pista logo no início de janeiro. Bom, é verdade que naqueles tempos o campeonato terminava em outubro, de modo que os times iniciavam sua preparação para o ano seguinte mais cedo. Mas, mesmo assim, sempre haviam sessões de testes em novembro e início de dezembro. De qualquer forma, com a competição terminando praticamente às vésperas do mês de dezembro, as escuderias têm de ficar focadas no campeonato quase um mês e meio a mais do que antigamente, e isso faz diferença, pois é preciso não apenas ficar concentradas no campeonato, especialmente se estiverem firmes na disputa por melhores classificações no mundial de construtores, que pode lhes render uma boa diferença de premiação, o que num momento atual de patrocínios escassos, sempre é muito útil para manter as finanças do time em dia.
            Conciliar as datas das corridas foi complicado, pois os promotores pediram mudanças de datas, e nem todas puderam ser atendidas, e é preciso levar em conta a logística de transporte, a fim de maximizar os custos e manter os deslocamentos coerentes. Nesse sentido, a única bizarrice do novo calendário são as provas do Canadá e Europa: ambas estão separadas por apenas uma semana no mês de junho. Na prática, a corrida canadense, desde que os Estados Unidos perderam sua prova em Indianápolis, sempre ficaram como caso isolado na logística de transporte, tendo seu GP disputado em meio à "fase" européia da competição, o que aumenta os gastos de transporte, por ser apenas uma corrida. Mas em 2016, todo mundo terá de partir para o aeroporto praticamente no fim do dia da corrida, pois dali a 4 dias, terão de ter tudo já montado para a disputa da corrida em Baku, no Azerbaijão. Vai ser uma tremenda correria dos times para desmontarem toda a sua estrutura no circuito Gilles Villeneuve, empacotar tudo, jogar nos aviões e seguir para o extremo da Europa. O pessoal vai adorar tudo isso. Será que vamos ter a competição para ver qual escuderia guarda seus materiais mais rápido? Os mecânicos só torcerão para os pilotos não se envolverem em acidentes na corrida canadense, do contrário, o trabalho de catar os pedaços dos carros complica tudo mais do que já estará... A destacar que a corrida em Baku também deverá ser disputada à noite, a exemplo do que já acontece em Singapura. Resta esperar que o novo circuito pelo menos ofereça corrida mais empolgantes do que a da Cidade-Estado asiática...
            Entre as demais mudanças do calendário, Rússia e Malásia trocaram de semestre. A prova em Sochi será a primeira etapa na Europa em 2016, abrindo o mês de maio. A Austrália continuará abrindo a competição, seguida pelas etapas do Bahrein e em seguida a China. Uma vez no Velho Continente, as escuderias terão as etapas da Rússia, Espanha, e Mônaco, antes de embarcarem para o Canadá e irem correndo para Baku. Em seguida, mais uma vez em solo europeu, teremos um mês de julho bem agitado, com nada menos do que 4 etapas, começando pela Áustria, passando pela Inglaterra, Hungria, e fechando com a Alemanha, com uma semana apenas de diferença entre as duas primeiras, e entre as duas últimas. Aí teremos as tradicionais férias de meio de ano europeu, com a F-1 reunindo-se apenas no último fim de semana de agosto, para a disputa da etapa da Bélgica, seguida pela corrida da Itália, com apenas uma semana de diferença. Com isso, encerramos, mais uma vez, o giro pela Europa. É hora de seguirmos novamente rumo ao Oriente e às Américas e Oriente Médio.
            Singapura abre a rodada asiática, de onde os times partirão para Sepang, na Malásia, e de lá, com apenas uma semana de diferença novamente, para Suzuka, no Japão, fechando mais um ciclo. Duas semanas depois, é hora de voltar à América, para outras 3 provas: começamos em Austin, no Texas, para a corrida dos Estados Unidos, e duas semanas depois, desembarcamos na Cidade do México, que retorna ao calendário após 22 anos de ausência na categoria. O pessoal não terá muito tempo para matar a saudade do país latino, pois logo em seguida, com outra semana apenas de diferença, é a vez do Brasil, que fecha o giro pelo continente americano.
Etapa do México, que retorna este ano ao calendário, será realizada uma semana antes da etapa do Brasil na temporada 2016.
            Mais uma vez, a competição será encerrada em Abu Dhabi, uma vez que os árabes pagam uma taxa especial para serem a etapa final do calendário, e como Bernie Ecclestone não se faz de rogado quando o assunto é dinheiro, veremos mais um encerramento da disputa no visualmente espetacular circuito de Yas Marina, ainda que na prática o circuito seja uma negação em oferecer boas corridas e duelos.
            Então, tudo deverá estar pronto para a F-1 ter o seu maior campeonato de todos os tempos, não? Talvez. Este ano, deveríamos ter 20 provas, mas estamos apenas com 19, uma vez que a corrida da Alemanha, que deveria ter ocorrido em julho, após a prova da Inglaterra, acabou cancelada devido à falta de fundos do circuito de Nurburgring para pagar as altas taxas da FOM para sediar a corrida. E para o ano que vem, nada garante que todas as corridas estejam plenamente confirmadas. Esta semana, o diretor administrativo do circuito de Silverstone, Patrick Allen, disparou várias críticas contra a F-1, culpando o atual estado da categoria máxima do automobilismo pelas dificuldades de se "vender" a corrida aos torcedores, cujo público vem diminuindo a cada ano, e reduzindo com isso os ganhos necessários para se manter a prova. Para a etapa de 2016, Bernie Ecclestone aceitou pagamento parcelado dos valores de taxas da FOM, a fim de garantir a permanência da etapa no calendário da próxima temporada, mas e em 2017? "O público quer ver disputa na pista, não pilotos economizando isso e aquilo", bradou o inglês, expondo os motivos do declínio do interesse do público pela F-1. E olhe que estamos falando dos ingleses, que são apaixonados por corridas, mas "os fãs não querem ver uma 'procissão'", segundo Allen retruca. E quando os ingleses dizem isso da F-1, é de preocupar, ainda mais se levarmos em consideração que eles têm Lewis Hamilton dominando a categoria, o que deveria ser um chamariz imbatível para lotar Silverstone, como acontecia nos tempos de Nigel Mansell, se bem que pelo menos naquela época os pilotos não ficavam administrando tanto a prova como tem de fazer hoje...
Silverstone, na Inglaterra, corre risco de sair do calendário após o ano que vem. Altas taxas da FOM e queda do público são preocupações.
            Outra prova que está em risco é Monza. Bernie já avisou que os italianos terão de cumprir com os pagamentos das taxas, o que pode excluir a corrida italiana do calendário de 2017, se a situação não piorar já em 2016. O problema dos italianos ficarem de fora é preocupante, pois ao lado dos ingleses, são os europeus mais apaixonados por automobilismo. Se ambas as corridas ficarem de fora, será uma perda tremenda para a F-1, capaz de colocar em xeque a popularidade da categoria.
            O problema é Bernie Ecclestone controlar sua sanha de cobrar taxas cada vez mais altas. Mesmo dando "um desconto" para as provas européias, isso não está bastando para deixar estas corridas pelo menos no azul em termos financeiros. E não pensem que é fácil ter lucro com um GP: os organizadores praticamente só tem a venda de ingressos como principal fonte de renda. Toda a área do Paddock Club, onde ficam o público mais VIP do GP, assim como todas as placas de publicidade vistas em um autódromo, tem suas rendas geridas pela FOM, não rendendo praticamente nada aos promotores do GP, os quais ainda precisam arcar com os custos de realização da corrida. Se o público cai, então, pior ainda, pois a renda dos ingressos vai junto.
            Como não bastasse esses problemas, os próprios times também andam com a corda no pescoço, e vários deles estão competindo na penúria financeira. Quanto mais provas, mais deslocamentos, e mais viagens, e isso significa mais despesas e custos. A FOM paga uma franquia de transporte para os times mais bem colocados, mas às vezes, nem essa ajuda impede que eles passem por problemas. Por percalços financeiros, a Lotus, por exemplo, não teve como arrumar sua cozinha no paddock de Suzuka, e para evitar que seus mecânicos ficassem sem comer, Bernie Ecclestone teve de permitir que eles pudessem comer na área do Paddock Club do circuito japonês.
            Nos velhos tempos, um calendário com mais e mais provas era tudo que os fãs mais queriam ter. Hoje, este desejo está sendo satisfeito, mas infelizmente, as demais condições apresentadas pela F-1, seja financeira, seja de apresentação da categoria, com seu excesso de regras, não oferece o melhor dos espetáculos que a categoria já teve chance de mostrar. Resta esperar que a F-1 melhore suas regras e apresentações para 2016, ou poderemos correr o risco de ver o maior dos calendários que a categoria já teve virar um potencial maior fiasco de atração para os fãs do automobilismo mundial.
            Confiram o calendário de 2016:

DATA
GRANDE PRÊMIO
CIRCUITO
20.03
Austrália
Albert Park - Melbourne
03.04
Bahrein
Sakhir
17.04
China
Shanghai
01.05
Rússia
Sochi
15.05
Espanha
Barcelona
29.05
Mônaco
Monte Carlo
12.06
Canadá
Gilles Villeneuve - Montreal
19.06
Europa
Baku - Azerbaijão
03.07
Áustria
Red Bull Ring - Zeltweg
10.07
Inglaterra
Silverstone
24.07
Hungria
Hungaroring - Budapeste
31.07
Alemanha
Hockenhein
28.08
Bélgica
Spa-Francorchamps
04.09
Itália
Monza
18.09
Singapura
Marina Bay
02.10
Malásia
Sepang - Kuala Lumpur
09.10
Japão
Suzuka
23.10
Estados Unidos
Circuito das Américas - Austin
06.11
México
Hermanos Rodriguez - Cidade do México
13.11
Brasil
Interlagos - São Paulo
27.11
Abu Dhabi
Yas Marina


Hoje começam os treinos oficiais em Sochi, para a disputa do GP da Rússia, uma prova que ficou muito marcada pelo puxassaquismo de Bernie Ecclestone para com o presidente Vladimir Putin no ano passado, que deixou muita gente incomodada pelo descaramento do presidente da FOM, que fala sempre que a F-1 não se mistura com política, mas que na prática, a situação não é bem essa. Já tínhamos visto conversa parecida quando a categoria teimou em correr na África do Sul nos tempos violentos do apartheid, quando o país sul-africano tinha uma política oficial de discriminação de sua população negra, até que as pressões conseguiram fazer a F-1 cair um pouco na real e deixar de competir lá. Putin vem agindo para desestabilizar a Ucrânia, tomou a Criméia do país vizinho, e ainda tem a cara de pau de dizer que não tem nada a ver com isso. É nessas horas que a F-1 dá nojo em bajular esse tipo de gente. Não é só no Brasil que tem picaretas intragáveis comandando a política de toda uma nação...e até de outras, indevidamente.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

FLYING LAPS - SETEMBRO DE 2015



            Mais um mês se foi, e estamos agora entrando no último trimestre de 2015. O mundo da velocidade se aproxima do final de vários campeonatos, enquanto alguns deles já se encerraram até por este ano. O universo do esporte a motor continua acelerando firme, e como é de praxe em todo início do mês, é hora de relacionar alguns dos acontecimentos que não puderam ser comentados nas colunas regulares do mês de setembro, nesta nova edição da Flying Laps, com alguns comentários em notas breves sobre os fatos ocorridos. Portanto, uma boa leitura para todos, e no mês que vem, teremos muito mais por aqui...


O Mundial de Endurance divulgou neste mês de setembro o seu calendário para o ano de 2016. A boa notícia é que haverá mais uma prova na competição, esticando o calendário para 9 etapas. A má notícia, pelo menos para os brasileiros, é que o Brasil, que ficou de fora da competição este ano, continuará de fora em 2016, o que faz entender que a categoria dificilmente retornará tão breve a nosso país. Se o Brasil está de fora, quem garantiu sua entrada é o México, com uma etapa que será disputada no circuito Hermanos Rodriguez, que este ano já volta a receber uma prova da F-1, que se apresentou no país pela última vez em 1992. Já em relação à antiga categoria Sport-Protótipos, a última prova, também na Cidade do México, foi em 1991. As datas e etapas são as seguintes: 17.04 = 6 Horas de Silverstone (Inglaterra); 07.05 = 6 Horas de Spa-Francorchamps (Bélgica); 18-19.06 = 24 Horas de Le Mans (França); 24.07 = 6 Horas de Nurburgring (Alemanha); 04.09 = 6 Horas da Cidade do México (México); 17.09 = 6 Horas do Circuito das Américas (Estados Unidos); 16.10 = 6 Horas de Fuji (Japão); 06.11 = 6 Horas de Shangai (China); 19.11 = 6 Horas do Bahrein (Bahrein).


A Porsche garantiu nas 6 Horas do Circuito das Américas, em Austin, Texas, seu 3° triunfo consecutivo no Mundial de Endurance. O trio formado pelos pilotos Mark Webber/Timo Bernhard/Brendon Hartley aproveitaram-se problemas mecânicos no carro de seus companheiros de time Neel Jani/Marc Lieb/Romain Dumas, que haviam largado na pole-position, para conseguir mais uma vitória, chegarem a 103 pontos, e se aproximarem da liderança do campeonato de pilotos, atualmente em poder do trio André/Lotterer/Benoit Treluyer/Marcel Fassler, da Audi, que finalizou a corrida americana na 2ª posição e continua na frente no campeonato, com 113 pontos. A Audi, aliás, fez maioria no pódio texano, uma vez que a 3ª posição ficou com o trio Lucas di Grassi/Oliver Jarvis/Löic Duval. Mas o poderio da Porsche na competição é evidente, tendo marcado os dois melhores tempos e monopolizado a primeira fila do grid em Austin. À Audi, principal desafiante, restou a 2ª fila, com o trio Lucas di Grassi/Oliver Jarvis/Löic Duval ficando a 1s327 de desvantagem para a pole. Já o trio André/Lotterer/Benoit Treluyer/Marcel Fassler ficou na 4ª colocação, com 1s687. Não fosse o problema mecânico no carro que fez a pole, a Porsche teria feito 1-2 tranquilamente na prova no Texas. E quem praticamente já desistiu de tentar uma reação no campeonato deste ano é a Toyota, cujo melhor protótipo em Austin, com os pilotos Anthony Davidson/Sébastien Buemi/Kazuki Nakajima largou na 5ª posição, a 2s779 de desvantagem para o pole, e chegaram em 4° lugar, com 2 voltas de desvantagem para a vencedora Porsche.


O Mundial de Endurance, aliás, continua atraindo os olhos de outros fabricantes de carros. Os mais novos interessados em colocar um time para competir na categoria, segundo conversas de bastidores, seria o pessoal da BMW, que afirmou categoricamente que não tem planos de retornar à F-1. Fica a dúvida, contudo, se os bávaros irão competir nos protótipos, ou fincarem presença nas classes GT. Independente de qual classe eles entrem, será mais uma marca de renome a competir oficialmente no WEC, o que mostra o crescimento da categoria perante os grupos automotivos, tendo as presenças fortes da Porsche, Audi, e Toyota na LMP1, e com vistas ao retorno da Nissan assim que acertarem melhor o seu projeto para a categoria. E, pode-se dizer, seria outro golpe na F-1, que sofre para atrair o interesse de novos fabricantes no atual momento de seu campeonato, dominado pela Mercedes.


A MotoGP viu seu atual campeão, o espanhol Marc Márquez, sofrer mais uma queda na etapa de Aragón, na Espanha. Pole-position, a "Formiga Atômica" falhou no arranque da largada, sendo superado por Jorge Lorenzo, da Yamaha, e Andrea Iannone, da Ducati. Na ânsia de tentar recuperar a liderança, Márquez superou Iannone rapidamente e partiu para cima de Lorenzo. Só que ele exagerou na dose, e acabou caindo ainda no terceiro giro, abrindo caminho para a 6ª vitória de Jorge Lorenzo na temporada 2015. O pódio foi completado por Dani Pedrosa e Valentino Rossi, que duelaram ferozmente durante quase toda a corrida pela posição, com vitória do espanhol da Honda, deixando o "Doutor" na 3ª colocação na bandeirada. Ambos chegaram até a trocar rapidamente de posição na batalha pela 2ª colocação, mas o heptacampeão não conseguiu manter-se à frente de Pedrosa, que comemorou muito o resultado, igualando sua melhor posição de chegada no ano, obtida na etapa de Sachsenring, na Alemanha. Andrea Iannone, que havia subido paa 2° lugar após a queda de Márquez, acabou superado por Pedrosa e Rossi, finalizando a corrida em 4° lugar, à frente de seu companheiro de equipe Andrea Dovizioso, em 5° lugar. Restam agora 4 etapas para o encerramento do campeonato da MotoGP, e a luta entre os pilotos da Yamaha promete pegar fogo. Valentino Rossi ainda segue firme na liderança, com 263 pontos, mas Jorge Lorenzo quer assumir a ponta o quanto antes, e está com 249 pontos, e determinado a eliminar sua desvantagem para Valentino já na próxima etapa, em Motegi. Depois do tombo em Aragón, Márquez praticamente pode se dizer fora da luta pelo título, tendo apenas 184 pontos, e 79 de desvantagem para Valentino, uma diferença grande demais para ser revertida, quando faltam apenas 100 pontos em disputa.


Marc Márquez teve mais um problema no final do mês de setembro que certamente não vai ajudá-lo a se recuperar no que resta do campeonato 2015 da MotoGP. O piloto espanhol se acidentou quando treinava mountain bike nos arredores de sua cidade natal, Cervera. Se, em Aragón, dias antes, ele havia sofrido uma queda sem sofrer um arranhão, o tombo com a bicicleta foi mais sério, e ele fraturou o dedinho da mão esquerda, que precisou passar por uma cirurgia para reparar a lesão sofrida, mas os médicos garantem que o bicampeão vai estar recuperado para a próxima etapa da competição, em Motegi, no Japão. Mas não foi só o espanhol da Honda que passou por problemas: a dupla da Yamaha, que domina a luta pelo título da temporada, também acabou tendo seus enguiços. Nos treinos para a Michelin na pista de Aragón, Valentino Rossi levou um belo tombo na curva 2 do circuito, mas deu sorte de sair apenas com o braço direito esfolado. Por outro lado, seu companheiro de equipe Jorge Lorenzo sofreu um acidente no início deste mês de outubro, e lesionou os ligamentos do ombro esquerdo. O piloto viajaria para o Japão tomando os devidos cuidados para tratar o ombro machucado, que não precisou de cirurgia para reparar os ligamentos, e garante que estará 100% apto a disputar a prova nipônica. A disputa promete ser quente na pista de Motegi, mas fica a dúvida se o ombro lesionado não vai ser um revés para Lorenzo na disputa com Rossi, que é o piloto mais "inteiro" no momento...


A rodada dupla da Stock Car em Campo Grande viu a vitória de Marcos Gomes na primeira corrida, seguido por Allam Khodair e Thiago Camilo. Na 4ª posição chegou Ricardo Maurício, seguido pelo atual campeão Rubens Barrichello. Já a segunda corrida teve vitória de Felipe Fraga, que travou um bom duelo com Cacá Bueno, que não tinha ido muito bem na primeira prova. O pentacampeão fechou em 2° lugar, a apenas 0s55 atrás de Fraga. Ricardo Maurício conseguiu o 3° lugar e corou o fim de semana com boas atuações nas duas provas. Rubens Barrichello também foi bem, obtendo a 4ª posição, em um fim de semana que foi bem satisfatório para o piloto. Max Wilson foi o 5° colocado. Marcos Gomes, vencedor da primeira corrida, teve um desempenho ruim na segunda prova, terminando apenas em 11° lugar. Mesmo assim, Gomes manteve sua grande vantagem na liderança do campeonato, com 213 pontos. Cacá Bueno é agora o vice-líder, com 175 pontos. Daniel Serra é o 3° colocado na competição, com 156 pontos, e tem Ricardo Maurício logo atrás, com 154 pontos, em disputa bem apertada. Rubens Barrichello, por sua vez, está longe de conseguir repetir a boa performance do ano passado, quando foi campeão. Rubinho é apenas o 5° colocado, com 140 pontos, e tem Allam Khodair encostado nele com 139 pontos, e trazendo junto Thiago Camilo (138 pontos), Júlio Campos (134 pontos), e Max Wilson (133 pontos). Restam apenas mais duas etapas no campeonato, no dia 18 de outubro, em Curitiba, Paraná;e no dia 8 de novembro, em Tarumã, no Rio Grande do Sul. Serão 4 corridas e muita disputa na pista, com Marcos Gomes lutando para conquistar o seu primeiro campeonato na categoria. Mas ele não pode se descuidar, pois Cacá Bueno, apesar da desvantagem de 38 pontos, ainda é um adversário perigoso, e basta um resultado ruim para Gomes para Cacá Bueno tirar proveito e chegar mais perto, na busca pelo seu 6° título na competição.


A menos de um mês para o início de seu segundo campeonato, a Formula-E divulgou o seu calendário para a competição. A novidade é que a Cidade do México pode sediar a etapa em aberto, no dia 12 de março, e a corrida deverá ser disputada no circuito Hermanos Rodriguez, e não em uma pista de rua, como é tradicional na categoria. A etapa de Londres, no Battersea Park, seguirá fechando a competição. Seguem as datas: 24.10.2015 = Pequim (China); 07.11.2015 = Putrajaya (Malásia); 19.12.2015 = Punta del Este (Uruguai); 06.02.2016 = Buenos Aires (Argentina); 12.03.2016 = Cidade do México (México - a confirmar); 02.04.2016 = Long Beach (Estados Unidos); 23 ou 24.04.2016 = Paris (França); 21.05.2016 = Berlim (Alemanha); 04.06.2016 = Moscou (Rússia);
02 e 03.07.2016 = Londres (Grã-Bretanha). A corrida programada para a cidade de Paris poderá ser realizada no domingo, ao invés do sábado, isso ainda será decidido pela organização da competição. O Brasil continuará tendo 3 pilotos na competição: Nelsinho Piquet, atual campeão, na equipe China Racing; Lucas di Grassi, que segue na Audi ABT; e Bruno Senna, que permanece na Mahindra. Uma das atrações da nova temporada deverá ser a presença do ex-campeão de F-1 Jacques Villeneuve, que competirá pela equipe Venturi.
 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

IGUALANDO SENNA AO ESTILO SENNA


Na pista onde Ayrton Senna conquistou seu três títulos na F-1, Lewis Hamilton vence e iguala marca de triunfos do brasileiro na categoria, seu grande ídolo no automobilismo.

            Lewis Hamilton caminha a passos firmes para seu terceiro título mundial, após uma vitória firme domingo passado, no Japão, e prepara seu ingresso no seleto grupo dos tricampeões mundiais de Fórmula 1, algo que para ele, o fará igualar os feitos de seu grande ídolo neste esporte, o brasileiro Ayrton Senna, falecido em 1994. Desde que estreou na categoria, em 2007, Lewis nunca escondeu sua preferência pelo brasileiro como grande ídolo de sua carreira. Para ele, naquele ano, estrear já pela McLaren, o time das grandes glórias de Senna na F-1, já era um sonho. Conseguir igualar os seus feitos, então, certamente era algo que nem ele mesmo talvez esperasse. Não que não tivesse capacidade, talento, ou oportunidade para isso. Apenas não dava para se prever o futuro. E a própria F-1 já havia mostrado outros pilotos de grande talento que, por problemas diversos, nunca conseguiram deslanchar na categoria, por mais talento que tivessem. Lewis não estava imune a esse risco. Tinha a seu favor o fato de estrear num dos melhores times da F-1, a McLaren, que em 2007 estava em um grande ano, e tinha o então bicampeão do mundo, Fernando Alonso, o homem que "havia aposentado Michael Schumacher" na opinião de muita gente. O que todos esperavam do novato, que já ganhava distinção por ser o primeiro piloto negro a chegar à F-1, é que fizesse um bom ano de estréia, aprendendo os macetes com Alonso, e quem sabe botar as mangas de fora em 2008. Bom, Hamilton tinha outras idéias...
            Idéias que o levaram, justamente no domingo passado, a conseguir aquilo que ele mal sonhou um dia: igualar o seu grande ídolo Ayrton Senna no número de vitórias na F-1. O triunfo no GP do Japão foi o seu 41° na categoria, a mesma marca atingida por Ayrton em sua carreira, que poderia ter números ainda mais impressionantes não fosse tragicamente interrompida naquele fatídico 1° de maio de 1994. E, para Lewis, além da façanha de igualar Senna em vitórias, ele ainda conseguiu fazê-lo em Suzuka, pista onde o brasileiro celebrou a conquista de todos os seus três títulos, em 1988, 1990, e 1991. Foi um momento mágico para o inglês, e certamente os japoneses, os maiores fãs de Senna no mundo após os brasileiros, sentiram a emoção da façanha conquistada pelo piloto da equipe Mercedes.
            E Hamilton conquistou esta vitória emblemática com uma atuação no melhor estilo "Senna": batido pelo companheiro Nico Rosberg na luta pela pole, que foi prejudicada pelo violento acidente do russo Dannil Kvyat, que interrompeu o treino no momento decisivo onde os pilotos preparavam-se para dar suas últimas voltas, Lewis não se deixou abater pelo pequeno revés. Na largada, partiu firme e decidido para dividir a primeira curva junto com Nico, mantendo-se firme e conseguindo a primeira colocação antes do fim da sequência de esses logo a seguir. Rosberg sentiu o golpe, deixou que o companheiro "esparramasse" na passagem, e saiu de leve da pista, perdendo posições para Sebastian Vettel e Valtteri Bottas. Ali, naquele momento, logo no início da prova, Hamilton "matou" seus concorrentes com uma largada poderosa e ultrapassagem firme para comandar a corrida inteira sem dar chance a seus rivais. Do mesmo modo como Senna costumava fazer: dava tudo logo de cara para destruir o moral de seus adversários, e comandar a prova com autoridade e segurança.
            Hamilton foi abrindo a vantagem volta a volta. Não era um ritmo arrasador, mas nem precisava ser ainda mais implacável: seus rivais já tinham se dado conta de que a vitória, salvo imprevistos, já tinha dono. Restava esperar por um milagre, que não aconteceu. Nico Rosberg, após conseguir recuperar a segunda colocação, ainda esboçou uma reação durante algumas voltas, tentando diminuir a diferença, mas Hamilton voltou a acelerar, aumentando ainda mais sua vantagem, e acabando em definitivo com qualquer ânimo que o alemão tivesse de tentar um ataque. Como Ayrton costumava fazer em diversas provas, mantendo um ritmo forte, porém seguro, guardando uma reserva para o caso de alguém ficar empolgado com eventuais chances de vitória. E, se alguém resolvesse encarar a luta, o brasileiro fazia questão de mostrar quem mandava na brincadeira. E assim, Hamilton recebeu a bandeirada da prova nipônica com mais de 18s de vantagem para Rosberg, que claramente teve de se contentar com o 2° lugar, e não ficando exatamente "acomodado" na posição, uma vez que Vettel estava logo atrás, a cerca de 2s, tentando ainda o ataque a seu compatriota.
Hamilton perdeu a pole para Nico Rosberg, mas na largada, partiu decidido para assumir a ponta logo nas primeiras curvas e ir-se embora sem dar chances à concorrência, no melhor estilo "Senna" de vencer seus adversários.
            Hamilton declarou que correrá por ele e Senna de agora em diante, afirmando que "recebeu" o bastão do brasileiro. Seu novo desafio agora é ver o quão longe poderá ir além do que Ayrton conseguiu. Senna disputou 161 GPs, e Hamilton tem 162, uma prova a mais, para conseguir as mesmas 41 vitórias, mas a conta mais exata é de 158 GPs para o brasileiro, que conquistou seu 41° e último triunfo no GP da Austrália de 1993. Para todos os efeitos, Hamilton demorou 4 provas a mais para chegar ao mesmo número de vitórias. Mas há outros números na equação que também merecem ser analisados nesta equação de "igualar" as marcas de Ayrton Senna. Um número que infelizmente não dá para se comparar é o de pontos acumulados na carreira. Senna chegou a 614 pontos em 10 temporadas, enquanto Hamilton já tem 1.763, mas é preciso levar em conta que desde 2010, o sistema de pontuação mudou radicalmente, e se o vencedor até então levava 10 pontos, passou a receber 25. Não dá para ignorar essa mudança. Por esse mesmo motivo, o número de corridas terminadas nos pontos não pode ser analisado nos mesmos parâmetros, uma vez que na época de Senna apenas os 6 primeiros pontuavam, e quando Hamilton estreou, eram os 8 primeiros, e a partir de 2010, passaram a ser os 10 primeiros. Assim, não é de se estranhar Hamilton ter terminado 128 provas pontuando, contra "apenas" 96 corridas de Ayrton.
            Em número de pódios, a situação muda de figura, e nesse quesito, Hamilton já superou Senna: possui 82 pódios, contra 80 do brasileiro. Se ambos estão igualados em vitórias, Lewis perde em 2°s lugares, 22 contra 23 de Senna; mas tem vantagem de mais pódios em 3°s lugares, 19 a 16. Já em número de pole-positions, Ayrton ainda leva boa vantagem, com 65 vezes em que largou na primeira posição, mas Hamilton, no embalo da equipe Mercedes, a continuar em 2016, deve superar o brasileiro. O inglês já tem 49 poles, estando "apenas" 16 tentos atrás de seu grande ídolo. Mas ainda temos 5 provas este ano, e alguém duvida que Lewis não aumente o seu número de poles no ano? Já são 11 na temporada, com mais duas, igualará as melhores marcas de Ayrton neste quesito por temporada, e se conseguir largar na frente em todas as corridas até o fim de 2015, marcará o novo recorde de poles para uma mesma temporada da F-1, atualmente em poder de Sebastian Vettel, com 15 poles em 2011. Um pouco difícil, mas nada impossível.
            Claro, Lewis ainda é "apenas" um bicampeão, enquanto Senna já havia se tornado tricampeão com 126 corridas, por volta do Grande Prêmio do Japão de 1991, mas tudo bem, o inglês deve faturar o tricampeonato, na previsão mais otimista, por volta do Grande Prêmio do México, se não antes. E ele tem tudo para se tornar o maior vencedor da categoria atualmente a partir de 2016, se a Mercedes mantiver sua performance atual. Seu maior adversário é Vettel, com 4 títulos e 42 vitórias no currículo, sendo que este último quesito poderá ser facilmente superado já nesta temporada. E será que no próximo ano veremos Lewis chegar ao 4° título? É possível, mesmo com a possível maior competição que a Ferrari promete dar em 2016, com Vettel querendo firme o seu 5° título, e manter o seu sonho de se aproximar das marcas de seu grande ídolo Michael Schumacher. Teremos um embate entre dois pilotos buscando os feitos de seus grandes ídolos. Enquanto Hamilton lutará para chegar às marcas que Senna teria alcançado não tivesse perecido em Ímola/1994, Vettel tentará alcançar os feitos de Schumacher, o maior vencedor da história da F-1. Se o alemão manterá sua primazia nesta disputa, só o futuro dirá.
            Mas Lewis tem outras idéias. Como o que o fez mostrando do que era capaz já em sua temporada de estréia, deixando ninguém menos do que o próprio Fernando Alonso em prantos na McLaren por se ver superado pelo então novato prodígio, que tinha a liberdade de poder andar na frente do espanhol. Nesse ponto, a McLaren sempre foi um time mais democrático, haja vista as disputas titânicas entre Alain Prost/Niki Lauda, e Alain Prost/Ayrton Senna. E, da mesma maneira que Senna em 1984 causou sensação após sua estupenda performance no GP de Mônaco daquele ano ao quase ganhar a corrida com sua Toleman, Hamilton mostraria suas garras no GP do Canadá de 2007, fazendo suas primeiras pole-position e vitória, repetindo a dose já na corrida seguinte, nos Estados Unidos, e mostrando a todos que vinha para causar sensação muito antes do que todos imaginavam. Só pecou mesmo nas duas provas finais, onde a inexperiência enfim se manifestou, perdendo um título que parecia certo. Ainda assim, ficou em 2° lugar, perdendo a taça por apenas 1 ponto para o finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari. Fernando Alonso não aguentou o tranco: desentendeu-se com a McLaren e retornou à Renault, seu antigo time, deixando o caminho livre para Hamilton no time inglês, que em 2008, em outra disputa dura, agora com o brasileiro Felipe Massa, frustrou o sonho dos torcedores brasileiros ao sagrar-se campeão em Interlagos, numa decisão dramática na volta final da corrida.
            Arrojado, intrépido, destemido. Estes são apenas alguns dos adjetivos que são atribuídos a Lewis Hamilton, que é tido por muitos como o piloto mais veloz da F-1 atual, em se considerar a capacidade de extrair velocidade do bólido que pilota. Como Ayrton Senna também era, sempre conseguindo na maior parte das vezes andar mais rápido do que o carro o permitia. Em suas primeiras temporadas, isso ficava nítido no número de abandonos, em virtude de tentar sempre compensar no braço e na pilotagem arrojada a menor competitividade de seu carro, quando corria na Toleman e Lotus. Com um carro à sua altura na McLaren, Senna era quase imbatível, e mesmo com o time em anos não tão favoráveis, como em 1992 e 1993, Senna arrepiava sempre que entrava na pista porque sempre se podia esperar surpresas de sua parte, em maior ou menor grau, o que acontecia em diversos momentos. Lewis também carrega este tipo de arrojo e determinação ao volante. Outro ponto de coincidência entre Senna e Hamilton é a capacidade de andar forte no piso molhado. Tanto o brasileiro quanto o inglês não se deixam intimidar pela chuva, e se a corrida for nestas condições, muito dificilmente algum piloto conseguirá sobrepujar o inglês, como era extremamente difícil alguém superar Ayrton nas provas sob chuva.
            Um ponto, contudo, em que o inglês demorou para se aprimorar é no seu autocontrole pessoal, um ponto onde Ayrton chegou muito mais cedo. A capacidade de reverter pressões na pista, ou encarar a maré psicológica desfavorável que poderia minar suas chances foi uma qualidade que Senna desenvolveu muito mais rapidamente que Hamilton. Senna dificilmente se deixava abalar psicologicamente, e seus erros na pista foram se tornando raros a cada temporada, sendo um piloto extremamente difícil de ser batido. Não era infalível, mas desafiá-lo em disputa aberta era cutucar a onça sem vara. Michael Schumacher que o diga, quando "peitou" o brasileiro em algumas disputas e viu como havia tentado dar um pulo no momento maior do que suas pernas podiam dar. Lewis, por outro lado, precisou de muito mais tempo para atingir um nível de concentração próximo ao que Senna conseguia nesse quesito. Até o ano passado, não era difícil ver o inglês se desestabilizando em virtude de percalços nas corridas, o que permitiu a Nico Rosberg levar a disputa até a prova final do campeonato, explorando essa fraqueza de seu companheiro de equipe. Outro ponto em que Hamilton sempre chamou atenção era pelo seu excesso de atração pelo "show business", por vezes não conseguindo manter o mesmo foco durante muito tempo. Não foram poucas as vezes em que acabou sendo chamado à atenção pelo próprio Ron Dennis, na McLaren, por seus excessos, dentro e fora da pista, onde começava a colecionar batidas em disputas feitas sem nenhum esmero, perfeitamente evitáveis se demonstrasse mais apuro na pilotagem.
            Felizmente, estes dias parecem ter ficado em seu passado. Hamilton cortou parte dos excessos que frequentava, e assumiu maior controle de sua vida pessoal. E demonstrou ter sorte, quando trocou a McLaren, time que sempre foi sua casa na F-1, e antes até de chegar à categoria, para apostar na Mercedes, que até então havia tido resultados inferiores aos do time inglês. Sua aposta mostrou-se certeira, pois enquanto a Mercedes melhorava, a McLaren despencava nas tabelas. No ano passado, quando finalmente voltou a ter um carro capaz de disputar o título, conseguiu enfim obter o seu segundo triunfo, após um campeonato em que teve de reverter vários reveses na disputa, com abandonos e problemas em classificações. Foi preciso muita fibra para conseguir reverter momentos em que ficou quase 30 pontos atrás na classificação, mas ele conseguiu.
            A conquista de seu segundo título parece ter trazido a Lewis a maturidade que lhe faltava para desenvolver sua capacidade de suportar as pressões psicológicas que tanto o atrapalharam em vários momentos. Desde o início do campeonato, mostrou firmeza e determinação, e poucas vezes esteve fora do comando de uma prova no ano, e mesmo quando isso ocorreu, não se deixou abater como acontecia antes. Nem mesmo quando perdeu uma vitória certa em Mônaco este ano, ele deixou que isso o perturbasse a ponto de perder o foco na competição. Ficou furioso com o ocorrido, em virtude de um erro crasso do time, e de si próprio também, mas Ayrton Senna também costumava demonstrar um mau humor feroz quando as coisas não corriam bem, e nem por isso ele estava menos focado e concentrado na corrida seguinte. Talvez seja exagerado dizer que Hamilton enfim atingiu o nível de concentração e resistência psicológica que Ayrton possuía, mas certamente ele melhorou neste quesito este ano, pois não deixou a mínima chance de Rosberg lhe aplicar os mesmos golpes do ano passado. Lewis vem se impondo de forma assustadora desde a primeira corrida, e Nico, mesmo quando conseguiu largar na frente, como fez em Suzuka, acabou perdendo a corrida após um arranque furioso do inglês. E, em Barcelona, onde Rosberg realmente se impôs frente ao parceiro, Hamilton fez uma corrida pensando no campeonato, terminando em 2°, e minimizando o triunfo do alemão, que nunca conseguiu demonstrar o mesmo ímpeto novamente até aqui.
            Resta esperar e ver o quão longe Lewis Hamilton conseguirá ir a partir de agora. Esteja onde estiver, Ayrton Senna certamente poderá se sentir honrado em ver que o inglês que tanto o admira mostra várias das qualidades que fizeram o brasileiro ser um fenômeno das pistas. Se ele vai superar o "mito" Senna, é difícil dizer, mas que ele certamente vai se sentir orgulhoso de conseguir tal feito, isso é certo. E como Lewis promete correr de agora em diante também por Senna, que Ayrton esteja sempre junto em seu cockpit para sentir o orgulho de seus futuros triunfos.
Ídolo de Hamilton, Senna venceu 41 vezes na F-1, conquistando seus três títulos justamente no circuito de Suzuka, e Lewis agora promete correr "também por Senna" na categoria.