quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX - OUTUBRO DE 1996 - 04.10.1996



            Trazendo mais uma coluna antiga na seção Arquivo, está aqui a do dia 4 de outubro de 1996, tendo como assunto principal a contratação de Damon Hill, até então provável campeão de F-1 daquela temporada, competindo pela quase imbatível Williams, pela escuderia de Tom Walkinshaw, a Arrows, que a partir da temporada de 1997 passaria a se chamar TWR-Arrows, e prometia mundos e fundos para breve na categoria. A contratação de Hill era apenas o primeiro passo, segundo o dirigente, para reestruturar todo o time e torná-lo uma escuderia de ponta. Para tanto, já tinha até feito um acordo para receber os motores V-10 da Yamaha. De fato, os planos eram ousados. Uma pena que nada funcionou como o planejado, em que pese Hill ter assombrado todo mundo na prova da Hungria no ano seguinte, por pouco não vencendo a corrida.
            Walkinshaw falou de mais e fez de menos. A Arrows continuou sendo um time médio/pequeno, e foi ficando cada vez pior, até desaparecer alguns anos depois, tragado pelos custos crescentes de uma F-1 que, intoxicada pela entrada de recursos quase ilimitados proporcionados pelas grandes montadoras mundiais, foi perdendo cada vez mais contato com a realidade econômica, estando hoje em uma encruzilhada na relação custo/benefício de suas condições de competição. Aproveitem o texto, que em breve tem mais...


UM TIRO NO ESCURO

            Enfim, Damon Hill correrá mesmo na Fórmula 1 em 1997. A escuderia que acolherá o provável campeão de 1996 será a Arrows/TWR, agora de propriedade de Tom Walkinshaw, ex-sócio da Benetton e da Ligier. O anúncio foi feito na sexta-feira passada, e pegou boa parte da imprensa de surpresa. Quando todos já esperavam que Hill acertasse com a Jordan ou então parasse de correr, hipótese esta bem provável, veio o anúncio do acordo do filho de Graham Hill com a escuderia.
            A última vez que houve uma surpresa deste tipo foi em 1995, quando Christian Fittipaldi, quando todos esperavam que o piloto brasileiro acertasse com a Tyrrel ou Sauber, anunciou seu acordo com a equipe Walker para passar a correr na F-Indy. Até certo ponto, foi uma surpresa. Desta vez, o caso foi parecido, pegando muita gente de surpresa mesmo.
            De todas as equipes disponíveis, a Arrows talvez fosse a pior hipótese possível para Damon, com exceção da Minardi ou da Forti Corse, que planeja retornar à F-1 em 97. A Jordan era a melhor opção, pelo equipamento e estrutura oferecidas.
            Mas Tom Walkinshaw, novo proprietário da equipe, que agora está associada à TWR, não é de brincar em serviço, e tem grandes planos para o futuro. A TWR tem uma tradição vitoriosa em todas as categorias que disputou, com exceção da F-1. Walkinshaw entrou para a F-1 em 1991, numa associação com a Benetton. Coincidência ou não, de lá para cá o time multicolorido cresceu de performance, ano após ano, culminando no bicampeonato de Michael Schuamcher em 1994 e 1995.
            Paralelamente, Walkinshaw também comandou a reestruturação da equipe Ligier, que foi comprada por Flavio Briatore. O resultado também se nota, pois a Ligier conseguiu alguns bons resultados nos últimos 3 anos. Só que Walkinshaw queria liberdade total para fazer o que bem entendesse, por isso, resolveu sair da parceria Benetton/Ligier, e agora pretende dar um vôo solo com a Arrows, que a partir de 97 passará a se chamar TWR/Arrows. A compra da equipe saiu a meio da temporada e os resultados de tal parceria ainda não surtiram efeito: a escuderia ocupa o último lugar na tabela de construtores com apenas 1 ponto. Mas para o próximo ano, as metas são mais ousadas.
            De início, tudo indica que o motor será o Yamaha, que deve encerrar sua parceria com a Tyrrel. Trata-se de um motor potente e confiável. Bastará um chassi à altura para mostrar todo o seu potencial. Mas neste campo é que as coisas precisarão evoluir muito. Tome por exemplo o carro deste ano. Jos Verstappen e Ricardo Rosset são dois pilotos de talento comprovado, mas o carro é tão ruim que ambos estão limitados a disputar as últimas posições do grid. No início do ano, o carro ainda possuía alguma competitividade, tanto que em algumas corridas Verstappen chegou a enfrentar até os pilotos da McLaren. Agora, a escuderia ficou para trás, e só consegue ganhar da Minardi.
            Na entrevista coletiva do acordo, Damon Hill estava otimista, e falava que, a partir de agora, terá um novo desafio, crescer com a nova equipe, e já fala até em vencer corridas com a Arrows. E já provavelmente em 97. Se Damon acredita nisso realmente, eu chego a dizer que o inglês está realmente pensando muito alto. Transformar a Arrows em um time capaz de vencer corridas é possível, mas não sei dizer quantas temporadas serão necessárias para que isso seja uma realidade. No momento, Hill está prometendo milagres. A única coisa concreta parece ser o salário que o piloto vai receber: cerca de US$ 9 milhões segundo algumas fontes. Sem dúvida, vai ser mesmo um desafio e tanto para Damon Hill e para Tom Walkinshaw erguer a Arrows de seu patamar atual para o de um time potencialmente vencedor, mas para o bem da F-1, sinceramente espero que tenham sucesso. Quanto mais vencedores na categoria, melhor a disputa.



Para quem gosta de números, eis os da equipe Arrows: fundada em 1978, a escuderia disputou ao todo 287 GPs, conquistou uma pole-position e marcou um total de 152 pontos. Os melhores resultados da escuderia, que nunca venceu uma só corrida, foram 3 2ºs lugares de Riccardo Patrese nos GPs da Suécia, em Anderstop (1978); EUA-Oeste, em Long-Beach (1980); e San Marino, em Ímola (1981); e mais 1 2º lugar de Thierry Boutsen em San Marino (1985). O último pódio da equipe foi no GP da Austrália de 1995, quando Gianni Morbidelli conquistou o 3º lugar, em uma prova de muitos abandonos. A seguir, a pontuação da equipe desde 1978, e os respectivos motores usados: 1978) Arrows/Ford: 11 pontos; 1979) Arrows/Ford: 5 pontos; 1980) Arrows’Ford: 11 pontos; 1981) Arrows/Ford: 10 pontos; 1982) Arrows/Ford: 5 pontos; 1983) Arrows/Ford: 4 pontos; 1984) Arrows/BMW: 6 pontos; 1985) Arrows/BMW: 14 pontos; 1986) Arrows/BMW: 1 ponto; 1987) Arrows/Megatron: 11 pontos; 1988) Arrows/Megatron: 23 pontos; 1989) Arrows/Ford: 13 pontos; 1990) Arrows/Ford: 13 pontos; 1991) Arrows/Porshe/Ford: sem pontos; 1992) Arrows/Mugen-Honda: 6 pontos; 1993) Arrows/Mugen-Honda: 4 pontos; 1994) Arrows/Ford: 9 pontos; 1995) Arrows/Hart: 5 pontos; e 1996) Arrows/Hart: 1 ponto até o momento.


Disputa-se neste domingo o Grande Prêmio do Brasil de Motovelocidade, no traçado misto do autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. É a 14º etapa do mundial de motociclismo, e nas 500cc, o título já foi decidido antecipadamente em favor de Michael Dohan. Alexandre Barros, único piloto brasileiro na competição, ocupa a 4ª posição no campeonato, mas tem planos de terminar o certame em 3º lugar. Para a prova brasileira, ele admite não estar entre os favoritos, mas promete dar tudo o que pode na pista para obter um bom resultado.


Se os europeus acham que os pilotos brasileiros não têm mais o talento que consagrou nossos grandes campeões na F-1, Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna, a nova geração brazuca de craques trata de mostrar que não se deve subestimar os brasileiros. E, só para provar, o campeão da F-Renault, uma categoria de acesso às principais modalidades e que vem crescendo bastante, é o brasileiro Enrique Bernoldi, que pulverizou a oposição no campeonato deste ano. Por coincidência, o vice-campeão é, até o momento, Mário Haberfeld. Bernoldi já garantiu o título por antecipação, mas Haberfeld garante que o vice-campeonato não vai escapar. E, na Inglaterra, berço mundial do automobilismo de competição, a categoria F-Ford 1600 tem como campeão ninguém menos do que Paulo Rizzi Isper. Paranaense de apenas 20 anos, Paulo Rizzi massacrou a concorrência, vencendo 4 das 6 etapas disputadas. Para completar, a F-3000 européia já está praticamente nas mãos de Jorg Muller o título internacional da categoria, mas as duas últimas etapas, disputadas nos circuitos de Estoril e Mugello, foram vencidas por Ricardo Zonta, que também começa a ser disputado pelos chefes de equipe para a próxima temporada, provavelmente para mais um ano na F-3000. Todos eles, muito cotados para chegar em breve à F-1.


Pelo lado de cá do Atlântico, em terras do Tio Sam, os americanos começam a ficar arrepiados com nossos pilotos. Só na Indy Lights, foram 6 vitórias em nossas mãos, mais da metade do campeonato, divididas entre Tony Kanaan, Hélio Castro Neves, e Guálter Salles. E foi consenso geral de que Affonso, Felipe e Zequinha Giaffone só não foram mais longe por pura falta de equipamento. Tem muito americano queixando-se de que não tem mais carro para competir, mas na verdade parece estar faltando mesmo é talento para enfrentar nossos craques da velocidade.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

BASTIDORES A MIL



Felipe Massa, enfim, já está garantido na F-1 em 2014, defendendo a equipe Williams, onde já esteve de visita esta semana...

            Se a disputa do título da Fórmula 1 já foi fechada por Sebastian Vettel no GP da Índia, pelo menos a última semana foi pródiga em acontecimentos nos bastidores da categoria, que até então não tinha muito a oferecer nos últimos meses além de tentar adivinhar em qual prova o atual tricampeão da equipe Red Bull conquistaria seu 4° caneco. E hoje os carros ainda entram na pista no belo circuito de Austin para iniciarem os treinos oficiais para o Grande Prêmio dos Estados Unidos. Mas, a menos que a corrida seja espetacular, o que aconteceu esta semana nos bastidores vai monopolizar as discussões na categoria máxima do automobilismo.
            Começando do início, temos a ausência de Kimmi Raikkonem. Oficialmente, o piloto finlandês da Lotus, que já está acertado com a Ferrari para 2014, retirou-se das etapas dos EUA e Brasil em virtude de uma cirurgia que fez para tratar de um problema nas costas, que o aflige há anos, e que nas últimas semanas, teria se agravado, a ponto de as dores quase terem comprometido sua participação em uma corrida. A justificativa é ter um tempo de recuperação maior a fim de poder iniciar seus trabalhos na Ferrari no próximo ano já plenamente recuperado. De fato, Kimmi no início de sua carreira sofreu um acidente que lesionou suas costas, a ponto de, segundo dizem, ter originado uma espécie de hérnia, que de fato inspira cuidados. E nas últimas semanas, o finlandês quase ficou de fora de uma corrida, devido a estas fortes dores nas costas. O cuidado é justificado.
            A pulga atrás da orelha é que isso reacende a discussão sobre a situação financeira da Lotus, ainda mais depois de Raikkonem ter botado a boca no trombone denunciando que sua escuderia praticamente não lhe pagou os salários de toda esta temporada, e que já havia até ameaçado deixar o time antes do fim do ano. A Lotus, aguardando pelo dinheiro prometido por um fundo de investimentos chamado Quantum, foi enrolando Kimmi, e mesmo agora, com as promessas de que o fundo está finalmente acertando os detalhes para finalizar o pagamento à escuderia, esta saída de Raikkonem sugere que a grana ainda está longe de Enstone, muito longe. A equipe, claro, afirma que, após o encerramento do campeonato, tudo será acertado, mas... De qualquer maneira, a desculpa da cirurgia vem bem a calhar, e falando pelo aspecto puramente técnico, melhor que Kimmi se cuide, pois enfrentar Fernando Alonso como companheiro de equipe em Maranello vai ser uma tarefa árdua, e melhor que o finlandês esteja preparado 100% para encarar o asturiano na próxima temporada. Pior para a Lotus, que ainda tinha esperanças de discutir o vice-campeonato de construtores com Ferrari e Mercedes. Romain Grossjean vem andando bem nas últimas corridas, mas ele sozinho não vai dar conta de descontar a diferença da escuderia inglesa para a Mercedes e a Ferrari. Quem agradece mais a ausência de Kimmi é justamente Alonso, que com um adversário a menos, já pode praticamente comemorar mais um vice-campeonato, como isso consolasse o espanhol...
            E quem ganhou também foi Heikki Kovalainen, que acabou contratado por Eric Bouiller para correr estas duas etapas finais do campeonato. Rebaixado à condição de "reserva" da equipe Caterham, onde foi titular no ano passado, o finlandês terá chance de pelo menos mostrar um pouco do seu valor, e com isso se relançar no mercado, visando uma vaga para 2014. A equipe de Tony Fernandes, aliás, já pensa em colocar Kovalainen novamente como titular na próxima temporada, uma vez que os pilotos titulares deste ano não deram os melhores resultados, tendo sido contratados mais na base do patrocínio do que no talento propriamente dito. E quem ficou chupando o dedo foi Davide Valsecchi, o piloto reserva "oficial" da Lotus, o que acabou mostrando novamente que a função de piloto de testes na F-1 virou apenas cargo de faz-de-conta nas últimas temporadas, algo que felizmente pode mudar no ano que vem, com a reintrodução de algumas sessões de teste e um horário extra nos treinos livres de sexta apenas para os reservas andarem.
            Para os torcedores brasileiros, enfim, saiu a contratação oficial de Felipe Massa pela Williams, afastando por hora os temores de não termos mais um representante no campeonato de F-1. Felipe assume o lugar de Pastor Maldonado, que sai brigado do time, e leva junto, depois de acertar várias pendengas jurídicas em negociação, o patrocínio da PDVSA, que teve de pagar uma multa rescisória a Frank Williams que, segundo dizem, ajudou a contratar Massa sem que o brasileiro precisasse apresentar patrocinadores. Se foi bom para o brasileiro, por outro lado, fica a incerteza de o time conseguir finalizar o orçamento de 2014, tendo a tarefa de encontrar patrocínio de vulto, algo bem complicado quando o time, mesmo com toda a sua tradição e história na categoria, vive o pior ano de que há memória, tendo apenas um suado ponto no campeonato até agora. A esperança é a radical mudança de regras técnicas para o próximo ano, que deve ajudar a embaralhar um pouco as forças, e quem sabe, propiciar a oportunidade de crescimento para outros. Felipe terá pela primeira vez a posição de líder de fato de uma escuderia, e caberá a ele conduzir o time em sua recondução a dias melhores. Algo possível, mas não vamos ficar cheios de expectativas também, pois foi o mesmo tipo de conversa quando da contratação de Rubens Barrichello ao fim de 2009, e todos viram que o time depois não decolou coisa nenhuma: Barrichello até fez um ano razoável em 2010, mas em 2011 o time errou feio no carro, e dispensaram Rubinho sem a menor cerimônia, indo atrás dos patrocínios de Bruno Senna, que por sua vez, também foi descartado sem maiores considerações. Que Felipe tenha melhor sorte do que seus conterrâneos recentes que passaram por Grove.
            E tivemos mudança também na McLaren. Confirmando o que muitos já esperavam, o mexicano Sérgio Perez já está sem time para 2014. A equipe inglesa dispensou o piloto, que parece não ter conseguido se achar em Woking, em um ano que foi particularmente difícil para a escuderia fundada por Bruce McLaren há 50 anos. O temperamento difícil de Perez infelizmente não casou bem na McLaren, e apesar dos comunicados polidos tanto da equipe quanto do piloto, a relação de fato ficou estremecida entre ambos. O estilo agressivo do mexicano em alguns momentos na pista tiraram até Jenson Button, normalmente comedido e educado, a criticar o comportamento do parceiro de time, uma vez que andaram batendo rodas em alguns momentos, que podia ter gerado consequências mais sérias. Para piorar, Perez não vinha assumindo um espírito colaborativo com a escuderia, algo essencial em um ano complicado como vem sendo 2013. O mexicano agora busca um lugar para 2014, que pode ser a volta à própria Sauber, que anda precisando de reforço financeiro, e com o apoio da Telmex, Sérgio pode ser tudo o que o time precisa.
            Para a McLaren, fica o gosto ruim de ter feito uma aposta errada. Perez fez uma temporada muito boa pela Sauber no ano passado, e isso até o credenciava a assumir vôos mais altos. Não é um piloto ruim. Mas certos comportamentos, aceitos em times pequenos ou médios, muitas vezes não se encaixam nas exigências de postura de times de ponta. O mexicano afirmou que a McLaren precisa de mais humildade e menos arrogância, e neste ponto, ele até tem razão, uma vez que o ambiente no time inglês é por demais sério e fechado, metodologias de trabalho implantadas por Ron Dennis há muito tempo atrás, e que hoje impregnam a escuderia. Mas também serve para o próprio Perez, que tendo a chance de entrar em um time de ponta, deveria ter tido mais comprometimento com a McLaren, e ajudar no que pudesse a melhorar posição do time, e não pensar apenas em superar Button na pista, como chegou a alegar declaradamente em entrevistas, aparentemente esquecendo todo o resto de suas atribuições de piloto. Martin Whitmash já anunciou o substituto de Perez, Kevin Magnussem, que fez boas demonstrações na World Series By Renault este ano, conquistando o título da categoria. É mais uma aposta da McLaren, e espera-se, seja mais acertada, em decisão tomada com mais propriedade do que foi a contratação do mexicano no ano passado, feita meio de supetão depois da saída inesperada de Lewis Hamilton para a Mercedes, quando o time correu para anunciar um substituto. Kevin de fato parece ter uma postura muito mais centrada e focada do que Perez, mas vamos esperar como ele se sai em 2014, onde a mudança de regulamento vai exigir dos times e pilotos mais do que nunca capacidade de analisar e compreender o comportamento dos novos carros e motores. Pelo menos, ao contrário de Perez, Kevin já é bem mais conhecido pela McLaren, fazendo parte de seu programa de desenvolvimento de pilotos, o mesmo que levou Hamilton a estrear pelo time em 2007. Não por acaso, Whitmarsh afirma que o jovem piloto é um "novo" Hamilton...
Nico Hulkenberg está novamente sem saber onde correrá em 2014. Lotus, Sauber ou Force Índia podem ser suas opções, mas não tem garantias de nada até o momento...
            Nico Hulkenberg, por outro lado, que até o mês passado parecia ser a bola da vez do mercado de pilotos, como o melhor nome disponível, está vivendo novamente uma sinuca em sua carreira: suas chances na Lotus dependem unicamente da entrada da verba prometida pelo grupo Quantum, que já até manifestou preferência pelo piloto alemão. Mas promessas de dinheiro não pagam contas, e se a grana não pintar, e com as dívidas se acumulando, Eric Bouiller pode ter de optar por Pastor Maldonado, que segundo dizem, já teria até assinado contrato, na condicional de o dinheiro da Quantum não surgir até certa data. Se o dinheiro surgir, Hulkenberg garante sua posição em Enstone. Mas se os cheques não surgirem, é o venezuelano quem aporta por lá, com seus petrodólares da PDVSA. Para o alemão, seria duplamente desgostoso, por ser a segunda vez em que perderia sua chance em um time para o piloto sul-americano, que tomou seu lugar na Williams em 2011 justamente por ter o patrocínio da petroleira de seu país. E, complicando a situação, até mesmo seu lugar na Sauber, que para 2014 já não era garantido, ganhou mais um complicador: Sérgio Perez, que pode retornar ao time suíço, muito provavelmente ocupando o lugar de Esteban Gutiérrez, que até agora não desencantou como deveria. Com o outro lugar reservado para o jovem russo Sirotkin, que vem apoiado por um forte grupo de interessados russos em injetar verba no time, seria uma escuderia a menos interessada em Nico. E até mesmo a Force Índia, outro lugar potencial para Nico arrumar cockpit, poderia acabar descartando seus serviços, dependendo de como as peças se movimentarem. Depois, quando se critica que a F-1 ultimamente está se rendendo de vez a pilotos pagantes em detrimento do talento, muitos acham a afirmação exagerada... Nico tem talento, mas se não tiver patrocínio, parece condenado a viver na corda bamba na F-1...
            Então, ficamos com muitas dúvidas: Para onde Pastor Maldonado vai? Pode tanto pintar na Lotus, quanto até mesmo seguir para a Sauber, ou até a Force Índia. Perez agora é um nome interessante no mercado, e assim como Maldonado, seu apoio da Telmex o torna igualmente disputado, ainda que seja mais insociável do que o venezuelano. Na Sauber, nem mesmo o jovem Sirotkin está garantido, pois a exemplo da associação da Lotus com o grupo Quantum, o consórcio de empresas russas que fez acordo com Peter Sauber até o momento não mostrou a cor da grana, e se ele não chegar, provavelmente estenderão o tapete vermelho pedindo Perez de volta, e possivelmente mantendo Gutiérrez também, e Sirotkin que arrume outro lugar para correr. Mas, mesmo que o dinheiro russo apareça, a Sauber pode avaliar se o jovem russo tem condições de estrear já como titular, ou colocá-lo como reserva, para efetivá-lo em 2015, visando lhe dar treinos ao longo da temporada para lhe dar quilometragem. E para onde vai Nico Hulkenberg, afinal? Até ele gostaria de saber...
            Com tanto agito fora da pista, ainda temos uma corrida para acompanhar, onde muito provavelmente veremos mais uma vitória de Sebastian Vettel, o que certamente já não está mais empolgando muita gente, exceto claro, os torcedores da Red Bull e do piloto alemão. E vamos para a corrida do fim de semana, então...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX - SETEMBRO DE 1996 - 27.09.1996



            Continuando a trazer minhas antigas colunas, esta é do dia 27 de setembro de 1996, e o assunto era a decisão do título na F-1, que com a vitória de Jacques Villeneuve no Grande Prêmio de Portugal, postergava a decisão para a etapa final da temporada, que seria disputada em Suzuka, que naquele ano encerrava o campeonato. De quebra, mais algumas notas rápidas sobre os acontecimentos do fim de semana no mundo da velocidade. Uma boa leitura a todos, e em breve, trago mais textos antigos...


DECISÃO ADIADA

            Bem, ainda não foi desta vez que vimos Damon Hill conquistar o seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Jacques Villeneuve, em uma corrida de sorte e garra, conseguiu sair do autódromo do Estoril com o resultado de que mais precisava para manter suas esperanças no título: a vitória.
            Sem dúvida o Grande Prêmio de Portugal foi palco de uma grande corrida. Uma das melhores do ano. Não faltou briga entre vários pilotos, fossem elas na ponta, no pelotão intermediário, ou mesmo entre os últimos colocados. Damon Hill conseguiu aproveitar muito bem sua pole-position e começou a ir embora dos demais. Chegou a abrir até 16s de vantagem para Villeneuve antes que o canadense conseguisse se livrar de Michael Schumacher e partisse em sua perseguição. A ultrapassagem de Villeneuve sobre Schumacher pelo lado de fora da curva Parabólica foi sem dúvida a melhor do ano; já fazia um bom tempo que não ocorria tais manobras de ultrapassagem na categoria. Daí em diante, Villeneuve contou com a sorte e com a garra: manteve um bom ritmo de corrida e, com os trabalhos de Box, ganhou as posições de Jean Alesi e Damon Hill. O inglês, como é de costume, acabou perdendo todo o terreno ganho na pista em ultrapassagens muito demoradas sobre os retardatários, além de ter sofrido alguns problemas na embreagem de seu carro.
            Ficou a dúvida se Villeneuve teria conseguido arrancar a ultrapassagem de Hill na pista se tivesse de fazê-lo. Quando o canadense encostou no inglês depois do segundo pit stop, Hill conseguiu manter-se firme e até voltou a abrir sua vantagem, que havia caído para meros 0s3. A mesma dúvida fica em relação a Alesi, que também mantinha um bom ritmo de corrida. No final, vendo que não conseguiria recuperar a liderança, Damon acabou correndo com a cabeça, resignando-se a terminar a prova em 2º lugar. Se, por um lado, isso demonstra que, nos momentos mais duros Hill parece não ter braço para se impor frente a adversários mais fortes, por outro lado, também foi um ato consciente. Afinal, quantas corridas Alain Prost deixou de ganhar porque resolveu garantir posições ao invés de lutar por elas em disputas provavelmente fraticidas? Longe de comparar Hill com Prost, apenas que não se pode condenar o inglês por desistir na vitória no Estoril. Seu 2º lugar ainda lhe garante uma posição razoavelmente confortável na classificação.
            E a matemática joga a favor de Damon Hill: basta apenas mais 1 ponto, o equivalente a chegar em 6º lugar, para sagrar-se campeão de 96. Villeneuve adiou para o Japão a decisão do título, mas a faca e o queijo continuam nas mãos de Hill. Em Suzuka, o canadense não poderá apenas depender de si mesmo, mas do que Hil conseguir ou deixar de conseguir. É hora de ver se o filho de Gilles Villeneuve vai suportar bem a pressão. Quanto a Hill, só uma coisa é óbvia: o piloto inglês deverá fazer uma corrida segura, visando o título, o que significa correr apenas pelos pontos necessários para liquidar a fatura.
            E a concorrência joga contra o canadense. Benetton e Ferrari podem se intrometer na briga pela vitória em Suzuka e estragar os planos de Jacques. Qualquer resultado que não seja a vitória dá o título de presente ao filho de Graham Hill. Vale lembrar que, em 95, Alesi e Schumacher foram as estrelas da corrida de Suzuka: Schumacher venceu e Alesi deu o maior show de pilotagem até sua Ferrari quebrar. Quem também andou bem foi a McLaren. Resumindo, a prova deverá ser bem competitiva.
            Nesta semana as equipes permaneceram no Estoril para testes. Semana que vem, o trabalho continua, agora com cada equipe no seu canto. E, na outra semana, chega a hora de embarcar para o Japão para a corrida decisiva. Aproxima-se a etapa final, e a emoção é promissora. Vamos aguardar.


Mais dois pilotos brasileiros garantiram seus lugares na F-Indy em 97: Raul Boesel vai ser o companheiro de equipe do americano Scott Pruett na Patrick Racing. Boesel continuará com o patrocínio da Brahma, que será exclusivo de seu carro. Pruett continuará com o patrocínio da Firestone e da Penzoil. O outro brasileiro é Guálter Salles, que vai correr na nova equipe que está sendo estruturada por Gerald Davis, que comprou a estrutura da recém-fechada equipe Hall. Enquanto Raul Boesel usará chassi Lola, motor Ford e pneus Firestone, Guálter correrá com chassi Reynard, motor Mercedes e pneus Goodyear.


Com isso, já são 6 pilotos brasileiros garantidos no campeonato da F-Indy de 97: Gil de Ferran na Walker; Christian Fittipaldi na Newmann-Hass; André Ribeiro na Tasman; Maurício Gugelmim na PacWest; Raul Boesel na Patrick; e Guálter Salles na nova equipe de Gerald Davis. Roberto Moreno ainda negocia com várias equipes, e Émerson Fittipaldi ainda não deu sua decisão de continuar ou não a competir como piloto na categoria.


Enquanto Jacques Villeneuve fez a melhor ultrapassagem na prova do GP de Portugal, Eddie Irvinne e Gerhard Berger tiveram uma luta de titãs pela 5ª posição no fim da corrida. Berger chegou a ultrapassar o irlandês, mas acelerou demais e levou o troco na curva seguinte, quando abriu demais a trajetória. No fim, Irvinne ganhou a parada, e o 5º lugar.


Pedro Lamy, o único piloto português na F-1, não pôde fazer muita coisa na corrida de seu país. Teve de largar dos boxes e ficou sempre em último na corrida, até abandonar. O próprio piloto já admitia ter um dia ruim nas entrevistas, quando declarou que não esperava nada de seu carro nem nos treinos e nem na corrida.


Rubens Barrichello não teve um bom dia no Estoril. Estava dando luta às McLaren e vinha em uma boa posição quando o câmbio de seu Jordan deixou-o a pé. Mas a Jordan não foi a única equipe azarada na corrida: a McLaren que o diga, com Mika Hakkinen rodando e perdendo o bico do carro, e acontecendo até um congestionamento no box da equipe. David Couthard também acabou fazendo das suas e precisou de reparos no carro. Mas não ficou nisso: o escocês excedeu o limite de velocidade no pit line e levou uma punição de 10s em um “stop and go“.


Nova reviravolta no futuro possível de Damon Hill: o abandono da F-1 ao fim da temporada, se não conseguir um carro decente para 1997. E o próprio Eddie Jordan parece mais inclinado a manter Rubens Barrichello no time, desde que Hill não resolva vir para a escuderia. Jordan pediu ao piloto brasileiro para esperar até o início da próxima semana para decidir qualquer coisa. De positivo para Rubinho, apenas o encontro com o tricampeão Jackie Stewart, que tenta tê-lo como piloto de seu novo time de F-1, quando foi muito elogiado pelo ex-piloto escocês.


Bernie Ecclestone, vice-presidente da FIA e presidente da FOCA, declarou que Pedro Paulo Diniz é uma “estrela em potencial” para o futuro da F-1. Elogios de Ecclestone, porém, podem virar da noite para o dia: em 1993, Rubens Barrichello também foi elogiado pelo dirigente que, recentemente, declarou que Barrichello não tinha talento para ser campeão...


Eddie Irvinne teve no GP de Portugal sua melhor performance desde o GP da Austrália, no início da temporada. Durante boa parte dos treinos, o irlandês ficou à frente de Michael Schumacher, e na corrida, andou bem mais próximo do alemão do que nas provas anteriores, sem mencionar que seu carro não quebrou. Das duas uma: ou a Ferrari resolveu melhorar o tratamento a Irvinne e mantê-lo firme na equipe para 97, ou o irlandês acordou depois de inúmeras performances sonolentas e das críticas feitas a ele pelo colega de equipe durante a semana. Por mim, aposto na primeira hipótese...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DECISÃO ESPANHOLA NA MOTOGP


Quem leva o título da MotoGP 2013: Jorge Lorenzo (Yamaha, moto azul), atual bicampeão, ou o novato prodígio Marc Márquez (Honda, moto vermelha e laranja)? O duelo promete no domingo, em Valência...

            O Mundial de MotoGP chega à sua última etapa do ano, em Valência, com a perspectiva da decisão do título na categoria máxima do motociclismo. Quem vai ganhar? O atual bicampeão, Jorge Lorenzo? Ou o novato sensação da categoria, Marc Márquez? Para público espanhol, pouco importa, pois ambos são conterrâneos, e foi um ano em que o país Ibérico praticamente monopolizou a MotoGP: das 17 corridas disputadas até agora, apenas 1 não foi vencida por um piloto espanhol: a etapa da Holanda, onde quem chegou na frente foi o italiano Valentino Rossi. Lorenzo venceu 7 provas, Márquez 6 corridas, e Dani Pedrosa outras 3 etapas. Melhor, quase impossível.
            Na pista do circuito Ricardo Tormo, nos arredores de Valência, a disputa promete ser eletrizante. Márquez chegou para a etapa como líder e grande favorito do campeonato, em seu ano de estréia na categoria maior do motociclismo mundial. Dispondo do melhor equipamento do grid, o modelo RC213V da Honda, e correndo pela escuderia da fábrica japonesa, o audaz garoto de ouro do motociclismo espanhol chegou chegando, como se diz no jargão popular. A exemplo da estréia do inglês Lewis Hamilton na McLaren em 2007, Márquez deixou para trás logo na primeira corrida a sensação de que iria ser apenas um novato afortunado de correr pelo melhor time da categoria: travou um belo duelo com Valentino Rossi, e terminou sua primeira prova da MotoGP na 3ª posição, em Losail, no Catar. Jorge Lorenzo venceu a corrida sem maiores percalços, mas seria um dos poucos momentos em que teria vida fácil no campeonato de 2013.
            Dito e feito: na corrida seguinte, em Austin, nos Estados Unidos, Márquez já mostrava a todo mundo que já sabia o suficiente para deixar a concorrência mais "experiente" comendo poeira: venceu com categoria, e os rivais que se preparassem: não ia dar moleza dali em diante. Pior para Dani Pedrosa, seu companheiro na equipe Honda, que antes do início do campeonato era tido como um dos favoritos ao título, por ser o piloto de maior experiência no time, e que teoricamente, serviria de instrutor para conduzir o jovem Márquez nos segredos de aclimatação da possante moto de 1000cc da categoria, um equipamento com comportamento bem diferente das motos da categoria Moto2, onde Marc foi campeão no ano passado. O "aluno" já superava o "professor" logo de cara, e Pedrosa viu seus sonhos de ser campeão levarem um tombo do qual nunca se recuperariam, pelo menos em 2013.
            Não que Pedrosa não tenha tentado reagir ao domínio imposto pelo novo companheiro de equipe: mas suas vitórias em Jerez, Le Mans e Sepang foram pouco diante do ritmo avassalador do jovem espanhol. Se não dava para vencê-lo em velocidade, o jeito era apelar para a constância, que deu resultado durante boa parte da temporada, mantendo Pedrosa como um dos favoritos ao título. Mas como desgraça pouca é bobagem, até no quesito constância Pedrosa acabou perdendo o duelo com Márquez. O novato sensação ficou sem pontuar apenas em duas provas, sendo que em Phillip Island, na Austrália, foi devido à sua desclassificação por trocar de moto uma volta além do permitido em um acordo específico para aquela etapa, o que significa que ele realmente abandonou apenas uma corrida em todo o ano, em Mugello.
            Pedrosa acumulou dois abandonos, sendo que um deles, em Aragón, por culpa de um toque do próprio companheiro de equipe Márquez, que no impacto em uma disputa de posição, rompeu um cabo da moto de Dani, ocasionando um tombo logo a seguir. A partir dali o clima ficou tenso na equipe da Honda, com Pedrosa a reclamar do excesso de agressividade do parceiro de time, opinião que era compartilhada por outros pilotos, para os quais o novato sensação agia em determinados momentos como se não tivesse ninguém na pista, sendo por vezes demasiado agressivo em disputas de posição. Na verdade, Márquez chegou incomodando mais do que todo mundo imaginava, mas de fato em vários momentos ele se portou de forma exageradamente atirada e demasiado agressiva, algo típico da idade. Mas, correndo em motos acima de 300 Km/h, é preciso ser um pouco mais comedido em alguns movimentos, do contrário, o desastre sempre está à espreita. Pedrosa que o diga em Aragón...
            A arrancada de Márquez a meio da temporada, quando enfileirou 4 vitórias consecutivas, deu a impressão de que o mundial acabaria antes do tempo. Coube ao atual campeão da categoria, Jorge Lorenzo, animar a disputa, que conseguiu levar para a última etapa, neste domingo, a duras penas. Duras mesmo: o atual bicampeão suou sangue para levar a Yamaha à vitória em vários momentos, superando no braço a performance inferior de sua moto para a da rival Honda. Não fosse o tremendo esforço de Lorenzo, de fato o mundial já poderia ter acabado. A disputa do título em boa parte do ano foi um duelo restrito a 3 pilotos: a dupla da Honda, Márquez e Pedrosa, e a Jorge Lorenzo. Valentino Rossi, que fez sua volta à Yamaha este ano, até que começou bem a temporada, com um 2° lugar, mas fora sua vitória em Assen, na Holanda, em todo o restante do ano o "Doutor" foi apenas um coadjuvante de luxo do trio que disputou efetivamente o título, e que agora se reduziu à dupla Márquez-Lorenzo.
            Com Rossi incapaz de acompanhar o ritmo dos rivais da Honda na maior parte do campeonato, sobrou para Lorenzo resgatar a honra da Yamaha. Ele o fez com competência, mas não foi fácil. Jorge também sentiu o impacto da ascenção de Márquez, e na primeira metade ainda conseguiu lidar com o novato da Honda com certa calma, mas o caldo engrossou a meio do campeonato, e na tentativa de acompanhar o ritmo de Márquez, Lorenzo passou a cometer mais riscos, o que o levou a se acidentar feio, durante os treinos para a prova da Holanda, quebrando a clavícula, passando por uma cirurgia e voltando para a pista para correr, ainda sem estar recuperado, o que o levou a novo acidente na etapa seguinte, e aí o forçou sim a maneirar um pouco nas semanas seguintes.
            Já recuperado, Lorenzo precisou repensar sua estratégia para enfrentar Márquez, e passou a usar de toda a sua experiência, além de seu enorme talento, para tentar contrabalançar a tremenda velocidade e ímpeto do rival. Motivando a Yamaha a dar tudo por tudo na luta pelo título, Lorenzo conseguiu dar a volta por cima, e se não conseguiu superar o jovem Marc, pelo menos conseguiu reequilibrar a briga, e nas duas últimas corridas, obteve vitórias cruciais, diminuindo sua desvantagem para o piloto da Honda. E com Pedrosa já fora de combate na luta pelo título, tudo agora se resolverá na etapa derradeira da competição. Desde 2006 que a MotoGP não assistia a uma decisão de título em sua última etapa do campeonato. Naquele ano, Valentino Rossi tinha chegado para a etapa final com uma vantagem de 8 pontos para Nick Hayden, na mesma pista de Valência. Podendo correr por pontos, entretanto, as coisas não saíram como Rossi esperava, pois Valentino levou um tombo logo no início da corrida, e acabou perdendo o título para Hayden, que chegou em 3° lugar naquela prova, conquistando o caneco.
            A situação de Márquez é parecida: o novato sensação tem 13 pontos de vantagem para Lorenzo, e pode se dar ao luxo de marcar o rival sem maiores problemas. Se Jorge vencer a corrida, bastará um 4° lugar para Márquez faturar o título. O problema é que em nenhuma das corridas que terminou este ano o garoto ficou fora do pódio, e a menos que aconteça algo inesperado, dificilmente vai deixar de conquistar um novo pódio em Valência. O degrau menor, da 3ª posição, já lhe dá o título confortavelmente, e ele pode deixar Lorenzo e Pedrosa partirem para o mano a mano em busca da vitória, e se Dani vencer a corrida, melhor ainda. Para Lorenzo, mesmo que tenha a providencial ajuda de Valentino Rossi, que poderia lutar pelo pódio, e assim complicar um pouco mais as chances de Márquez, ainda assim o fato de precisar apenas do 4° lugar dificulta ainda mais as coisas para o atual bicampeão.
            Restaria a Lorenzo a esperança de que os demais competidores do grid entrem na parada e compliquem a situação de Márquez, mas é difícil. Honda e Yamaha praticamente monopolizaram o pódio da MotoGP durante todo o ano, com apenas 2 exceções, tamanha foi a diferença de performance dos dois times principais para as outras escuderias do grid. E em nenhum momento os demais times sequer ameaçaram os postulantes da Yamaha e Honda à vitória nas corridas de 2013. Dos pilotos da Honda e Yamaha, apenas Valentino Rossi ficou devendo na maior parte do campeonato, tendo ele sim, problemas para se livrar dos demais concorrentes do grid, muitas vezes em luta pelo 4° lugar, e até para ser 3° colocado algumas vezes. Em condições normais, Lorenzo, Pedrosa e Márquez só viram o restante do grid na hora de ultrapassá-los como retardatários.
            Esta será a 16ª vez que a categoria máxima do motociclismo assistirá a uma decisão na última etapa do campeonato. A primeira vez foi em 1950, com o título conquistado pelo italiano Umberto Masetti. Na última, em 2006, Nick Hayden foi o campeão. Seja quem for o vencedor do campeonato no domingo, o será com todos os méritos. Marc Márquez já inscreveu seu nome na história da categoria com seu impressionante campeonato de estréia, e se for campeão, apenas aumentará a dimensão de seu feito. Jorge Lorenzo, por sua vez, mostra que está em sua melhor forma, e que consegue equilibrar uma disputa mesmo competindo com um equipamento levemente inferior, algo que poucos pilotos conseguem efetivamente realizar.
            Os fãs da motovelocidade certamente vão se lembrar deste campeonato por muitos anos, e com muito gosto, e eles certamente merecem o show que estão assistindo este ano, com o duelo titânico Márquez-Lorenzo. Quem vence é o esporte a motor, por proporcionar este pega empolgante.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

FLYING LAPS - OUTUBRO DE 2013



            O fim do ano se aproxima, e aqui estou eu com mais algumas notas rápidas do mundo do automobilismo sobre acontecimentos do último mês, em mais uma edição da "Flying Laps". Uma boa leitura a todos, e mês que vem tem mais...


Sébastien Ogier faturou em grande estilo o título do Campeonato Mundial de Rali, ao vencer a etapa da França, encerrando matematicamente a disputa da competição com duas etapas de antecedência. Podendo correr por resultados, já que era quase inalcansável por seu "principal" rival na classificação, o belga Thierry Neuville, que estava quase 100 pontos atrás na tabela do campeonato, Ogier não baixou a guarda e partiu para vencer a etapa, coroando a conquista de seu primeiro título na categoria em casa. A conquista teve um adicional, que foi a despedida de Sébastien Loeb do Mundial de Rali. Só que a última participação do piloto que foi campeão por 9 anos consecutivos foi pífia: Loeb abandonou a etapa ao capotar com seu carro logo na primeira etapa da competição. Uma pena que Loeb não tenha competido em tempo integral neste campeonato. Ogier correu praticamente sozinho, e a presença do eneacampeão poderia ter oferecido um raro espetáculo de competição entre os dois pilotos, e certamente daria ainda mais crédito ao título de Ogier. Mas a vida segue, e o novo campeão da categoria não deixou ninguém esperando para assistir à sua primeira vitória em uma nova etapa do campeonato já com o título assegurado: Ogier também arrasou os concorrentes na etapa seguinte, disputada na Espanha, deixando seus rivais comendo ainda mais poeira. Se vimos o encerramento oficial da "era" Loeb no rali, podemos estar assistindo ao início de uma outra. Alguns dizem que Ogier terá uma grande desafio pela frente, tentando repetir o número de títulos de seu compatriota, e que tal feito dificilmente será repetido. Pode ser, mas quando Loeb conquistou seu primeiro título, há 10 anos, ninguém imaginava que o piloto francês da Citroen impusesse um domínio tão impecável no certame que duraria praticamente uma década, e só não foi mais longe porque Loeb decidiu correr atrás de novos desafios em sua carreira de piloto. Ogier teve um ano impecável, com 8 vitórias no campeonato, e curiosamente, quem venceu mais depois dele foi justamente Loeb, com dois triunfos no ano em que se despediu do Mundial de Rali. Ainda resta mais uma etapa para fechar a competição, o rali da Grã-Bretanha, marcado para o próximo dia 17 de novembro, e que pode assistir a mais uma vitória de Ogier. Aguardemos...


Loeb fez uma falta tremenda, não apenas para os fãs do Mundial de Rali, que podiam ter visto uma belo duelo entre ele e Ogier pelo título do campeonato, mas principalmente para a Citroen. Mikko Hirvonen, que comandou o time francês nesta temporada, é apenas o 4° colocado na tabela, com apenas 126 pontos, enquanto Ogier, com a vitória no rali da Espanha, acumula 265 pontos. A performance de Hirvonen é muito inferior até mesmo ao seu desempenho em 2012, quando era companheiro de Loeb na Citroen, sendo que no ano passado o finlandês foi vice-campeão, com 213 pontos, e tendo vencido uma etapa do campeonato. Mas se Hirvonen despencou, Ogier teve um aumento de performance espetacular de 2012 para 2013: no ano passado o piloto francês foi apenas o 10° no campeonato, com míseros 41 pontos...


No rali da Espanha, na segunda divisão do Mundial de Rali, quem fez a festa foi ninguém menos do que Robert Kubica. O ex-piloto de F-1, que quase morreu ao sofrer um violento acidente em uma competição da modalidade há 3 anos, estreou nesta temporada na segunda divisão do Mundial, o WRC2, e mostrou a mesma classe que encantou seus fãs na categoria máxima do automobilismo. Kubica conquistou o título com vitória na etapa espanhola, atingindo nada menos do que 5 vitórias em 7 etapas disputadas no ano, número bastante impressionante. Kubica ainda manifesta desejo de um dia voltar a pilotar monopostos, mas o estado físico de seu braço ainda apresenta problemas de mobilidade, que podem inviabilizar um retorno com eficiência total, um problema que não o atinge em um carro como o dos ralis, onde tem espaço para manobrar com mais liberdade os membros superiores. Mas sua recuperação tem sido otimizada nas provas de rali, e o intrépido polonês por enquanto está com a mente focada na competição off-road. E o título do WRC2 já valeu a Robert um convite da Citroen para disputar o Rali da Grã-Bretanha, pela divisão principal do WRC, e nem é preciso dizer que Kubica vai aproveitar a oportunidade para arrumar um lugar na competição para o próximo ano. A Citroen já manifestou interesse em contar com o polonês em seus carros na divisão principal no ano que vem, então nada melhor do que dar uma chance a ele agora e ver como vai se portar ao carro. Mas, depois de ganhar o título do WRC2, a Citroen não tem mais o que esperar para ver. Kubica já mostrou do que é capaz, e merece plenamente um lugar no time francês para o ano que vem. Sébastien Ogier que se cuide...


Quem estava cansado de só ver a Audi vencendo no Mundial de Endurance teve pelo menos o gosto de ver sua principal - e única, por enquanto, rival, a Toyota, vencer as 6 Horas de Fuji, no Japão. Mas foi uma vitória sem gosto de triunfo, pois a prova foi encerrada com apenas 16 voltas devido à chuva torrencial que caiu sobre o circuito de Fuji no dia da corrida. A direção da prova ainda esperou que as condições do tempo melhorassem, mas foi impossível continuar a disputa. Mesmo sem vencer, a Audi faturou o título de construtores na categoria LMP1. O campeonato ainda tem duas corridas, e a próxima prova é no dia 7 de novembro, com as 6 Horas de Sanghai, na China. Com tempo seco, espera-se...


Com um campeonato ruim na maior parte do ano, o australiano Will Power conseguiu terminar a competição da Indy Racing League em alta: venceu duas corridas consecutivas, em Houston e a etapa final, em Fontana, terminando o ano na 4ª colocação, com 498 pontos, apenas 52 atrás de Hélio Castro Neves, que apesar de ter disputado o título até a última etapa, venceu apenas uma corrida na temporada. Power ainda venceu a etapa de Sonoma, totalizando 3 vitórias na temporada, e podem estar certos de que o australiano virá com tudo novamente em 2014, quando ainda terá Juan Pablo Montoya como companheiro na equipe Penske, além do brasileiro Hélio Castro Neves.


Se a Ganassi anunciou que correrá com os motores Chevrolet na próxima temporada, a Honda não demorou a arrumar um novo parceiro para 2014: é a equipe Andretti Autosport, que também trocará de motores, fazendo o caminho inverso do time de Chip Ganassi, deixando os Chevrolet para usarem os motores japoneses. O time de Michael Andretti ainda anunciou a renovação do contrato de James Hinchcliffe, que estava ameaçado de perder seu lugar na escuderia devido ao fim do patrocínio da GoDaddy, que está saindo da IRL. Tanto Ganassi quanto Andretti competirão com 4 carros em 2014. Chipt terá Scott Dixon, Dario Franchitti, Charlie Kimball e Tony Kanaan. Michael Andretti terá Ryan-Hunter Reay, Hinchcliffe, e seu filho Marco. Por enquanto, ainda não foi acertado quem correrá no 4° carro do time, que em Fontana foi pilotado pelo colombiano Carlos Muñoz.


Outra novidade bem-vinda para o calendário 2014 da IRL é a uniformização das etapas disputadas em circuitos superspeedways: a etapa de Pocono também passará a ter duração de 500 milhas, assim como Indianápolis e Fontana, recriando com louvor a famosa "Tríplice Coroa" da competição, tal como existia na Fórmula Indy original até 1989, último ano em que aquela extinta competição teve 3 provas de 500 milhas no calendário. Apesar da "Tríplice Coroa" ter sido instituída este ano no calendário da IRL, a prova de Pocono, que fez sua estréia na competição, foi uma corrida de 400 milhas, menor do que a de Indianápolis e Fontana. Os fãs apoiaram a mudança pela uniformização da duração das corridas.
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O MAIS JOVEM TETRACAMPEÃO DE TODOS OS TEMPOS


Vettel comemorou o tetracampeonato de frente para a torcida nas arquibancadas da Índia, e com todo o direito, menos para os comissários da FIA, que só enxergam as regras e tacaram uma multa de 25 mil euros...

            Fatura liquidada: Sebastian Vettel é o campeão de 2013, como muita gente já esperava, e não menos importante, é o fato de ser o mais jovem tetracampeão de todos os tempos. O jovem piloto, aos 26 anos, já igualou a marca de títulos do francês Alain Prost, e agora tem apenas dois pilotos com mais títulos do que ele, o argentino Juan Manuel Fangio, 5 vezes campeão, e Michael Schumacher, o maior vencedor da história da F-1, com nada menos do que 7 títulos no currículo. E acreditem, Vettel vai buscar este número de títulos, se não os superar.
            Quando Michael Schumacher anunciou sua aposentadoria pela primeira vez, em 2006, todos achavam que seus números seriam inatingíveis. Sua era de domínio com a Ferrari, onde esmagou a oposição de 2000 a 2004, e obteve números expressivos em vários campeonatos, dificilmente seriam repetidos. E não é que todo mundo estava errado? Não dá para ignorar a feliz coincidência que Sebastian teve de chegar à Red Bull no momento exato de a escuderia elevar seu status de competição, quando teve seu primeiro carro vencedor de fato, capaz não apenas de ganhar corridas como de disputar o título.
            E, como já aconteceu em outras ocasiões na história da categoria, os carros da Red Bull, concebidos por Adrian Newey, mago da aerodinâmica e um dos mais capazes projetistas que a F-1 já viu, encontraram no jovem Vettel seu piloto ideal. Não foram campeões em 2009 por pouco, mas de 2010 em diante, desembestaram a ganhar corridas, e têm sido campeões desde então, com todos os méritos. E, para aqueles que falam que Vettel só ganha porque tem um bom carro, o que é verdade, também não se pode ignorar o fato de que seu companheiro de equipe, Mark Webber, com o mesmo carro, não conseguir sequer se impôr como candidato na luta pelo título, à exceção de 2010, quando fez sua melhor temporada na escuderia.
            Todos os grandes campeões pilotaram grandes carros, que em determinados momentos eram os melhores do grid. Jim Clark teve à sua disposição o maravilhoso Lotus 25; Alain Prost contou com o espetacular McLaren MP4/2B quando foi finalmente campeão; Ayrton Senna guiou o fabuloso McLaren MP4/4; Michael Schumacher teve a Ferrari F2004 quando conquistou seu 7° e último título, só para citar alguns casos. E Sebastian Vettel teve o eficiente modelo RB07 quando foi bicampeão em 2011. E, se todos eles tiveram grandes carros, tiveram também o mérito de tirar deles tudo o que era possível, conquistando o único resultado aceitável: o título da categoria.
            Se Vettel está arrasando com a concorrência, o problema não é dele: Sebastian está apenas fazendo seu trabalho, e fazendo-o muito bem. Verdade que seu talento só será realmente mesmo posto à prova quando estiver em situação inferior e assim mesmo for campeão, como alguns afirmam. E ele vem dando mostras de cada vez mais será capaz de fazer isso mesmo sem dispor do melhor carro. Isso não é desmerecer sua vitória com a Toro Rosso em Monza em 2008, quando não tinha um carro vencedor. Foi um feito único, e de inegável mérito. Mas seria interessante ver o jovem tetracampeão vencer as adversidades e ser de fato campeão quando não dispor do melhor carro, para engrandecer ainda mais seu enorme talento, para que não restem mais nenhuma dúvida sobre suas qualidades.
            E o que o jovem Vettel pode esperar do futuro? Com apenas 26 anos, ele ainda tem potencialmente mais uma década de carreira pela frente, podendo alcançar ainda mais glórias e superar todos os recordes existentes, até mesmo o número de vitórias de Michael Schumacher, 91. Difícil, mas não impossível. Só este ano ele já venceu 10 provas, e com 3 corridas ainda pela frente, tem plenas condições de vencer 13 corridas no ano. Em 117 corridas, já acumula 36 vitórias, 43 pole-positions, e 59 pódios. Antes de Vettel, o piloto mais vitorioso em tão pouco número de corridas havia sido Fangio, pentacampeão com apenas 51 corridas, com 24 vitórias, 29 poles e 35 pódios, além de 5 títulos, mas eram outros tempos, com menos corridas por temporada, ao contrário de hoje. Jackie Stewart também acumulou números impressionantes para "apenas" 99 GPs: 27 vitórias, 17 poles, 43 pódios, e 3 títulos mundiais. Com seu 4° título, Vettel já supera qualitativamente estes dois grandes nomes da velocidade. Nem mesmo seu grande ídolo, Michael Schumacher, tinha números tão vultosos quando atingiu 117 corridas, mas já era bicampeão mundial, e assombrava a F-1 com tais atos. Se Michael assombrava, Vettel então barbariza, e com grande merecimento.
            Não fosse a mudança radical que a F-1 passará na próxima temporada, poderia afirmar que nem o céu seria o limite para Vettel e a Red Bull. A mudança de motores e as novas regras técnicas que passarão a vigorar em 2014 são profundas, e não dá para saber quem vai sair na frente com os novos motores e carros. Com certeza, haverão quem terão maiores facilidades e quem acabará enfrentando dificuldades. Dos times com estrutura de ponta, McLaren, Ferrari, Mercedes, e a Red Bull, não dá para especular quem terá ou não um bom ano. Todos têm condições de produzir um bom carro, em que pese o retrospecto recente dos times que tiveram resultados ruins. Mas na última sacudida técnica que a categoria enfrentou, em 2009, como fim dos pneus raiados e a proibição dos apêndices aerodinâmicos que pulavam por toda a carenagem, foi a Red Bull a produzir o melhor carro depois do Brawn BGP01, e se tornou o melhor monoposto no fim da temporada, após incorporar com perfeição o sistema do difusor duplo. As chances de Adrian Newey conseguir superar as adversidades técnicas que se apresentam são boas, e se isso acontecer, Vettel tem tudo para continuar aumentando seus números.
            Para os concorrentes, passa a ser questão de honra barrar a hegemonia do jovem piloto alemão. Se eles vão conseguir, só o futuro dirá. Se conseguirem endurecer a disputa, melhor para o público que gosta de corridas, pois poderá assistir a belos duelos pelas vitórias nas corridas. Se fracassarem, que não fiquem reclamando de assistirem a escuderia dos energéticos passeando por sobre suas cabeças por mais uma temporada, e talvez coroando em 2014 o mais jovem pentacampeão mundial de F-1...
            Conquistado o título, hoje Vettel volta à pista, no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi. E, para desespero dos rivais, não é porque já venceu o campeonato que Sebastian vai desperdiçar as chances de vencer mais uma corrida e levar mais um troféu para casa. Concorrentes, estejam avisados...


Nada mais imbecil no Grande Prêmio da Índia do que os comissários multarem Sebastian Vettel e a Red Bull em 25 mil euros pelo fato de Vettel, ao ir comemorar dando seus cavalos-de-pau, fazendo zerinhos no asfalto diante da torcida e ainda arremessar suas luvas para o público, ter desrespeitado a regra que diz que após a bandeirada os pilotos têm de se dirigir ao parque fechado e irem para seus devidos lugares - ao pódio, se tanto, ou ao "cercadinho", lugar onde os demais pilotos dão entrevistas para os jornalistas presentes. Eles não respeitaram o fato histórico que haviam acabado de presenciar, o surgimento de um novo tetracampeão na história da F-1, algo que não ocorre todo dia, e que merecia ser efusivamente comemorado, com todo o direito, por Vettel, que prestou rara reverência ao bólido que pilota, mostrando o respeito por sua máquina. Uma apresentação para respeito do público que estava nas arquibancadas, e que não entrou na cabeça dura dos comissários, para quem só o cumprimento às regras importa. A F-1 definitivamente virou uma chatice extrema por conta de atos desta natureza, onde espontaneidade, sinceridade, e camaradagem viraram assunto a serem condenados por regras cada vez mais bestas e cretinas, visando o politicamente correto, e a imagem corporativa, que não é o mar de rosas que gostam tanto de apregoar. Pelo menos não tacaram uma multa em Kimmi Raikkonem por ele ter dito palavrões pelo rádio em conversa com seu engenheiro, mas do jeito que a categoria anda, não vai estar muito longe o dia em que farão tal coisa...