sexta-feira, 20 de junho de 2025

MCLAREN: NECESSIDADE DE AGIR?

Tentativa de ultrapassagem malsucedida de Lando Norris no GP do Canadá poderia ter tirado os dois carros da equipe da corrida. Primeiro incidente entre os dois no ano, ou algo excepcional?

 

          A McLaren, em que pese ter tido sua corrida mais “complicada” no ano até aqui domingo passado, no Canadá, ainda é a força a ser batida na temporada, mas a situação vivenciada na pista, em especial em relação a Lando Norris, precisa ser verificada com cuidado, para ver se não pode se transformar em um problema maior que exija cuidados mais firmes, e por que não, o uso das famigeradas “ordens de equipe”.

          Lando Norris, em disputa direta com Oscar Piastri pela 4ª posição, errou quando tentou superar o colega a três voltas do fim da prova, e atingiu o muro, quando desviou demais para a esquerda. Isso arruinou uma recuperação que, até ali, vinha sendo bem satisfatória para quem largou anormalmente ruim para o carro de que dispõe, e pior: o toque no pneu traseiro do carro de Piastri poderia ter acabado com a corrida do australiano ali também, o que seria um resultado desastroso para o time de Woking, mesmo com o domínio do time na temporada de 2025. Piastri teve um pneu furado, e o safey car foi crucial para ele ir ao box, trocar os compostos, e voltar em sua posição original, minimizando eventuais prejuízos.

          Mas o problema é Lando Norris, que até aqui, vem cometendo muitos erros na competição, e o do Canadá foi o mais recente, mas também o mais contundente, por ter envolvido Oscar Piastri numa confusão que poderia ter tirado ambos os carros da prova, uma situação que todo mundo já esperava ver acontecer em algum momento, a dúvida seria quando, e de que modo ocorreria. A dupla da McLaren é talentosa, jovem, e está em busca de afirmação na F-1. Tendo enfim um carro vencedor, e que pode fazê-los campeão, tanto Piastri quanto Norris sabem que pode ser a chance de suas vidas, até porque, com o novo regulamento técnico vindo em 2026, ninguém sabe ainda como ficará a relação de forças no campeonato do ano que vem, e a McLaren, portanto, pode ser que não seja a mesma potência que está sendo este ano, então, a oportunidade é essa, e não pode mesmo ser desperdiçada.

          Afirmar que o time laranja esteve fora da briga pela vitória em Montreal é um pouco exagerado, dado a pequena vantagem que separou os primeiros colocados. Piastri não conseguiu superar Andrea Kimi Antonelli para roubar-lhe o lugar no pódio, e quem sabe, até ameaçar Max Verstappen em segundo lugar, e quem sabe, George Russell na briga pela vitória. Mas Norris, nitidamente mais rápido, pagou pela péssima posição de largada, mais um erro do piloto, que precisou fazer uma prova de recuperação em uma pista onde, apesar das zonas de DRS e da longa reta no trecho final, mesmo assim algumas ultrapassagens foram bem complicadas. Não fosse o erro do inglês, talvez ele tivesse entrado na briga pelo pódio, e quem sabe, até pela vitória, se tivesse largado mais à frente. Mas sua manobra equivocada colocou tudo a perder, e quase complicou Piastri junto. Pode até ter sido um momento incomum, em uma corrida onde a McLaren não exerceu a supremacia das demais provas, mas não se pode ignorar o prejuízo potencial que tal ato poderia ter custado ao time, mesmo que ele esteja com uma vantagem imensa, especialmente no que tange ao campeonato de construtores, e uma dianteira bem satisfatória no campeonato de pilotos, com a liderança de Piastri, e Norris sustentando a vice-liderança, até com alguma folga. Só que momentos como esse podem dar uma chance de ouro aos rivais, e o precedente pode ser perigoso.

          Isso porque ninguém pode minimizar a ameaça de Max Verstappen, que é o 3º colocado na competição, e que sempre anda no limite, e aproveitando cada brecha disponível, às vezes, indo até além do razoável, e pode ser potencialmente perigoso quando se aproveita destes momentos de fraqueza dos rivais. A conversa de que o carro da Red Bull não é competitivo não convence ninguém, uma vez que o holandês já venceu duas corridas no ano, e portanto, é uma ameaça que precisa ser considerada. Erros do tetracampeão, como na Espanha, onde ele perdeu a cabeça e jogou o carro em George Russell, sendo penalizado por isso, e vendo um 5º lugar virar 10º, não são tão costumeiros quando podem parecer, e mesmo estando em desvantagem na pontuação, é preciso ficar de olhos abertos.

Norris assumiu o erro, e teve prejuízo total com o abandono, ficando sem pontuar, enquanto Oscar Piastri foi o 4º colocado e abriu vantagem na classificação.

          Lando Norris não querer virar segundo piloto na McLaren é compreensível. O inglês foi superado por Carlos Sainz no time de Woking, mas naquele momento ele era novato na competição, algo perfeitamente compreensível, sem mencionar que a McLaren, em reestruturação, ainda não tinha recuperado a excelência de time vencedor que já ostentou no passado com muita naturalidade. Quando Daniel Ricciardo surpreendentemente não se adaptou ao carro do time de Woking, Norris assumiu a primazia da equipe, que vendo o australiano não conseguindo desencantar na escuderia, não perdeu tempo em capitalizar a contratação de Oscar Piastri, um talento potencial que estava insatisfeito na Alpine, e procurava alternativas para se tornar titular. A troca de australianos deu resultado, e Piastri se mostrou muito mais efetivo do que Ricciardo inicialmente, mas mesmo assim, ainda atrás de Lando, algo natural naquele ano de estréia.

          Mas claro que não demorou para Piastri começar a botar as manguinhas de fora, e começar a mostrar que, se Norris não deslanchasse, ele iria fazê-lo. Se é verdade que no ano passado Oscar demorou mais a reagir na competição, em especial após a McLaren assumir a primazia de ter o melhor carro do grid, enquanto Norris se postou como maior rival potencial de Max Verstappen na luta pelo título (que no final, nunca chegou a ser posto em risco real de Max perder a briga), desta vez, em 2025, ambos começavam como os grandes favoritos, diante a superioridade técnica dos carros papaias.

          Pode se entender a situação: Nem Norris ou Piastri querem virar “segundões” na F-1, e não estão errados em ter este tipo de pensamento. O que não podem é se estranharem na pista, e prejudicarem a si próprios e ao time. Só que, perder em um campeonato também não significa ficar estigmatizado como “segundão” na escuderia, como muitos podem pensar. Estamos falando da McLaren, um dos times mais liberais em relação a este tipo de comportamento, que sempre deu liberdade a seus pilotos de duelarem abertamente na pista. Alain Prost X Niki Lauda, Ayrton Senna X Alain Prost, Lewis Hamilton X Fernando Alonso, todos eles estiveram de um lado e do outro em determinados momentos, perdendo duelos, mas também vencendo. Oscar Piastri ganhar a temporada deste ano será, de fato, um grande mérito para o australiano, o que não significa que Norris virará um escudeiro de luxo do companheiro de equipe em 2026, e condenado a este papel. Dependerá apenas dele inverter esse panorama.

          E não é preciso esperar o próximo ano. Ainda temos mais de meia temporada pela frente, e se a McLaren continuar na dianteira, cabe unicamente a Norris aproveitar melhor o equipamento que tem nas mãos, e reverter sua desvantagem na pontuação e na classificação do campeonato. O problema é que, até aqui, a dupla da McLaren está num duelo de quem erra menos, e neste parâmetro, é Lando Norris quem precisa tomar cuidado. Piastri também já cometeu seus erros, e o mais pronunciado foi justamente na Austrália, no início da temporada, quando rodou no piso molhado, saindo da pista, e por pouco não abandonando a corrida ali, voltando à prova e ainda marcando ponto. Norris também errou, mas deu mais sorte, e venceu a corrida, suportando a pressão de Max Verstappen, que sabe como ninguém aproveitar situações de piso traiçoeiro, visto o que ele mostrou aqui em Interlagos ano passado, humilhando a concorrência.

          Só que, dali em diante, foi Lando Norris quem andou cometendo mais erros, enquanto Oscar Piastri se aprumou, e mesmo ainda errando aqui e ali, foi à luta para recuperar o tempo perdido, saindo-se muito bem na imensa maioria das vezes, fazendo o melhor uso da performance superior do modelo MLC39 da McLaren. Norris, por outro lado, além de errar mais maior frequência, não tem conseguido recuperar-se com a mesma desenvoltura, e portanto, tem ficado um pouco aquém do que poderia render. O inglês só quebrou essa escrita em Mônaco, onde fez uso da pole-position conquistada de forma magistral, mas também das particularidades da pista monegasca, extremamente difícil para ultrapassagens, o que facilitou seu trabalho, é verdade, mas sem deixar de reconhecer que ali ele não errou durante a corrida, algo que é potencialmente letal em Monte Carlo, diante dos guard-rails próximos, e da pista estreita.

A dupla da McLaren vem dominando a temporada 2025, com Oscar Piastri liderando o campeonato. Canadá foi o primeiro percalço do time de Woking no ano.

          Ms, em Barcelona, novamente foi Piastri a aproveitar todas as oportunidades, com Norris novamente tendo alguns problemas com seus erros, especialmente nos momentos cruciais da classificação, o que o obrigou a ter de batalhar mais do que o colega de time para fazer a óbvia dobradinha do time inglês. E agora, em Montreal, vimos o primeiro atrito de fato entre ambos. E poderia ter sido mais danoso do que o que vimos. Norris admitir rapidamente o erro, o que aconteceu de fato, já ajuda a encerrar o assunto, e partamos para a próxima etapa, que será semana que vem, em Zeltweg, na Áustria, terra da Red Bull, onde a ordem é conquistar a vitória, e de preferência, com dobradinha, para não deixar Verstappen começar a ter “idéias” no campeonato.

          É preciso ressaltar que o clima interno na McLaren é de tranquilidade. Não há uma rixa entre Norris e Piastri, e ambos não se veem como “inimigos” na pista, o que ajuda a manter a harmonia dentro da escuderia, o que é importante. O incidente de Montreal foi tratado como um erro de cálculo por parte de Lando, e como mencionei que ele próprio admitiu que fez besteira, encerrando a discussão, e claro, deixando a turma que adora inflamar as discussões desapontada. Mas a questão que fica é: e se isso se repetir? E, potencialmente, começar a afetar o favoritismo da dupla na competição, permitindo que Verstappen se aproveite, e lance seu bote? É crucial que tanto Piastri quanto Norris caiam na real, quanto às suas possibilidades na briga pelo título: enquanto ambos se respeitarem na pista, e fizerem um trabalho competente, certamente a direção da McLaren os deixará duelarem à vontade, deixando a disputa correr solta, em um grande exemplo de esportividade para a imagem da F-1, contrastando abertamente com a imagem da Red Bull, onde só Verstappen consegue brilhar, não apenas por seu talento, mas também pelo modo como construíram seu carro, enquanto no time de Woking a sua dupla brilha na integralidade, sem desfalques técnicos.

George Russell: pole e vitória em Montreal, na luta para reabilitar a Mercedes na competição da temporada 2025.

          Mas, se a situação mostrar a necessidade de alguma intervenção, Zak Brown e Andrea Stella provavelmente precisarão agir, e nesta situação, alguém irá ficar muito contrariado, mesmo que não demonstre, o que pode exigir pulso firme da escuderia para colocar ordem na casa, antes que a situação fique fora de controle, a ponto de entregar o campeonato de pilotos por rixas internas mal resolvidas. Já vimos isso em vários momentos na história da F-1. Depois de mais de uma década e meia, a McLaren está de volta ao seu posto de grande protagonista da competição, resultado de um trabalho que levou tempo, exigindo uma nova administração, e uma completa reestruturação técnica para tirar a escuderia de uma rota de potencial decadência que seria similar ao processo que já levou outras grandes escuderias da categoria ao ocaso, e até à extinção.

          Eles estão com a faca e o queijo na mão para voltarem a ser campeões completos na F-1, e o momento pede um rumo forte e coeso, se necessário, para manter a posição da escuderia no rumo do triunfo. Ordens de equipe são a última coisa de que a F-1 precisa agora, se quiser ver um título conquistado com toda a justiça e esportividade que a categoria anda tanto precisando apresentar ao público. Que Oscar Piastri e Lando Norris possam nos apresentar esta disputa no seu mais alto nível possível. Claro que poderá haver alguns atritos e percalços, afinal, o automobilismo sempre foi e continua sendo um esporte de riscos, e é inevitável assistirmos a alguns problemas durante o desenrolar da disputa. O que a McLaren precisa tomar cuidado é para que a situação não fuja ao controle do que ela pode evitar, se agir com a cabeça.

          Será que ela vai conseguir? Quem torce por um campeonato potencialmente mais disputado quer mais é que a situação pegue fogo, e fuja completamente ao controle, para dar chance de Max Verstappen lutar de fato. E você? O que você quer que aconteça de fato?

 

 

A “punição” aplicada pela FIA a Norris por ter “causado” a colisão com Piastri foi mais uma destas idiotices que só faz o que resta da credibilidade da entidade despencar ainda mais no ridículo. Foi um incidente de corrida, e nada mais, não foi algo premeditado com intuito de tirar o colega da prova, e ainda assim, a entidade ainda solta esta palhaçada, completamente inútil, já que Lando já tinha tido sua pior punição, ficar fora da corrida, e perder a ótima posição em que terminaria a corrida. Os 5s de punição não alteraram em nada sua situação, só revelando mesmo como a FIA parece não ter coisa melhor para fazer além de se embananar sozinha. E o pior de tudo é que não foi o único caso da corrida a ter contribuído para o descrédito ainda maior da entidade perante o público e a própria F-1.

 

 

A Indycar chega ao seu melhor circuito misto da temporada, em Elkhart Lake, o circuito mais longo da competição, chamado de muitos de a “Spa-Francorchamps” dos Estados Unidos, com um belo traçado e visual. A corrida terá largada a partir das 14:30 Hrs., pelo horário de Brasília, neste domingo, com transmissão ao vivo pela TV Cultura, pela ESPN4, e pelo sistema de streaming Disney+.

 

 

A Formula-E disputa neste final de semana a etapa de Jakarta, na Indonésia. O traçado da pista é de 2,37 Km de extensão, com 18 curvas. A prova terá transmissão ao vivo pelo Bandsports e pelo canal do You Tube do site Grande Prêmio, a partir das 05:00 Hrs. Da manhã deste sábado.

O traçado do ePrix de Jakarta para a Formula-E.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

HAVOC SERIES - A TEMPORADA DE 1987 – PARTE IV

Pilotando a um ritmo infernal, Nigel Mansell fez uma tática arriscada no GP da Inglaterra para vencer, e ficar sem gasolina logo depois de cruzar a linha de chegada.

            E aqui estamos nós para a quarta parte desta série de vídeos trazendo as corridas completas da temporada de 1987. O campeonato chegava a Silverstone, na Inglaterra, que passaria, a partir daquele ano, a ser o palco definitivo do GP inglês, uma vez que Brands Hatch ficou defasado em termos de segurança, e perdeu seu status como circuito para um GP de F-1. Não há muito o que dizer a respeito desta corrida, que viu o maior duelo da temporada entre a dupla de pilotos da Williams, que simplesmente massacrou a concorrência neste circuito de alta velocidade. O time inglês monopolizou a primeira fila, com Piquet a marcar a pole position, com Mansell na 2ª posição. Ayrton Senna, com a Lotus, largava logo atrás, em 3º, com Alain Prost, da McLaren, em 4º. No arranque da largada, Prost aproveitou-se de uma rusga entre Piquet e Mansell para assumir a liderança logo na curva Copse, mas Piquet foi ao ataque logo a seguir, na Maggots, recuperando a liderança. Mansell também não tardou a deixar Prost para trás, e iniciar uma perseguição a Piquet, com ambos distanciando-se cada vez mais na liderança.

            Ayrton Senna e Alain Prost duelaram pela 3ª posição, com o francês ganhando a parada, e forçando o brasileiro da Lotus a se contentar com a 4ª posição. O forte ritmo da corrida foi fazendo vários pilotos quebrarem, entre eles as duplas da Ferrari, Arrows e Brabham, entre outros. A meio da corrida, apesar do ritmo intenso, Mansell não conseguiu desalojar Piquet da liderança, e arriscou ir aos boxes para trocar pneus, sendo que o plano era que os dois pilotos fizessem a corrida sem trocas. Nigel voltou a um ritmo completamente alucinado na pista, tirando tudo por tudo de seus pneus mais novos. Conseguiria alcançar Piquet a tempo? Bem, ele conseguiu. Tirando tudo e mais um pouco (segundo dizem, tendo desligado o limitador do motor, o que poderia fazer sofrer uma quebra ou uma pane seca a qualquer momento na parte final da corrida), o inglês alcançou Piquet nas voltas finais. Nélson já tinha que administrar o desgaste dos pneus de seu carro, e Mansell, com melhor borracha, conseguiu superar o brasileiro a três voltas do final da prova. Piquet resistiu, e voltou à carga, mas Mansell fechou todas as tentativas do brasileiro de retomar a posição, quase arriscando-se a bater a permitir que Piquet recuperasse a dianteira. E assim, Mansell recebeu a bandeirada em primeiro, com Piquet terminando em 2º. Senna ficou com o 3º lugar, e Prost abandonou por quebra de motor, terminando mais de 1 volta atrás. E a Lotus ainda veria Satoru Nakajima terminar em 4º lugar, apesar da desvantagem de 2 voltas para o vencedor da corrida. Mansell, aliás, deu muita sorte, porque seu carro parou logo após receber a bandeirada, vítima de pane seca, sendo que nas últimas voltas, seu medidor já era negativo. Ele arriscou, e deu sorte, mas podia ter ficado pelo caminho nas voltas finais. A multidão de torcedores ingleses, claro, foi ao delírio com o triunfo de Mansell, proporcionando uma invasão de pista. Confiram então o vídeo completo do GP da Inglaterra de 1987 postado no You Tube pelo usuário MrViniciusF1 no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=JhOpWZd6FAs

Na sua primeira vitória na temporada, Nélson Piquet triunfou na Alemanha e deu uma resposta à recuperação de Mansell no campeonato.

 

Depois do duelo titânico da Williams na etapa de Silverstone, a perspectiva era de uma reprise na etapa seguinte, em Hockenhein, na Alemanha, outro circuito de altíssima velocidade, onde a potência dos motores, a exemplo de Silverstone, seria fundamental, até mesmo pelas longas retas na Floresta Negra, palco mais do que favorável para ultrapassagens. E Nigel Mansell, revigorado pelas duas vitórias nas etapas anteriores, estava mais do que decidido a assumir o protagonismo da luta pelo título, e marcou mais uma pole position. Ayrton Senna, com uma volta espetacular nos treinos, garantiu a 2ª posição no grid, com Prost largando em 3º, e Piquet, sentindo a derrota da Inglaterra, sendo apenas o 4º colocado no grid.

            No sinal verde, Senna saiu melhor, e tomou a ponta, com Mansell, Prost e Piquet mantendo posições. Mas não demorou para Senna ser superado pelo inglês da Williams, e logo depois, por Prost. Mas Piquet também deixaria Ayrton para trás, assumindo a 3ª posição, e enquanto isso, Mansell passava a ser acossado pela McLaren de Prost, que estreava um novo motor Porsche nesta prova, e mostrava um desempenho impressionante, permitindo ao bicampeão assumir a dianteira da corrida, com uma ultrapassagem em plena grande reta da floresta. Mas Mansell, forçando o carro, ficou pelo caminho, abrindo passagem para Piquet assumir a vice-liderança. E parecia que assim terminaria a corrida, diante do ritmo fortíssimo de Prost, que comandava a prova como nos bons tempos de supremacia da McLaren alguns anos antes, impondo uma vantagem esmagadora até sobre Piquet. Mas eis que, faltando 5 voltas para o final, a McLaren de Prost fica pelo caminho, vítima de problemas elétricos. Desolado, o francês parava ao lado da pista, vendo um triunfo escapar na reta final da prova. Piquet vencia então a corrida, e Stefan Johansson salvava a honra da McLaren com um belo 2º lugar, enquanto Ayrton Senna fechava o pódio na 3ª posição, ainda que uma volta atrás. Desnecessário dizer que a quebra de Prost, após um desempenho magistral, era praticamente uma pá de cal nas esperanças do francês brigar pelo título, depois de ver o andamento superior dos carros da Williams nas últimas corridas. Se nada de anormal acontecesse, tudo o que ele poderia fazer seria brigar pelo 3º lugar com Ayrton Senna, e nada mais, o que acabou acontecendo, depois de uma corrida onde teve alguns percalços que quase causaram seu abandono. Foi o primeiro triunfo de Piquet na temporada, e com o resultado, o brasileiro assumia a liderança do campeonato, de onde não mais sairia, e a exemplo do ano anterior, a pista alemã marcaria a reação do Nélson no campeonato, retomando as rédeas da competição, como desejava, e impondo-se cada vez mais dentro do time, que ainda jogava tudo em Mansell. Àquela altura, já se especulava que a Honda poderia deixar a Williams, indo para outro time em 1988, caminho que também seria trilhado por Piquet. Os japoneses não gostavam nada da maneira como Mansell tratava seus motores, sendo que para eles, o ritmo alucinado com o qual o inglês vencera em Silverstone também foi às custas de uma brutal exploração do motor que poderia ter jogado tudo a perder nas voltas finais. Para eles, o modo de pilotagem de Nigel expunha o conjunto a quebras frequentes além do desejável, e o abandono na Alemanha, novamente e justamente por quebra de motor, jogava a favor deste raciocínio. Em contrapartida, os nipônicos apreciavam o estilo técnico, centrado, e metódico de Piquet, que sabia ser rápido sem desgastar o equipamento além da conta, além de fornecer excelente feedback a seus engenheiros, que nutriam grande respeito pela capacidade do piloto de entender a mecânica do carro e do motor. Confiram então o vídeo completo do GP da Inglaterra de 1987 postado no You Tube pelo usuário MrViniciusF1 no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=dFMePofBowo

 

Com o resultado destas duas provas, Nélson Piquet assumia a liderança, com 39 pontos. Ayrton Senna seria o vice-líder, com 35 pontos. Nigel Mansell, com o abandono, manteria os 30 pontos conquistados com o triunfo em Silverstone, mas levava um forte golpe em sua recuperação, onde imaginava pronto para assumir a dianteira do campeonato, e via justamente Piquet, seu rival dentro da Williams, sair com uma vitória dupla na Alemanha, na pista, e na classificação, abrindo 9 pontos para o inglês. Já Prost, com o abandono, caía para a 4ª posição, com 26 pontos, e começava a entregar os pontos em um momento onde a McLaren tentava reagir na competição. Mas estávamos ali apenas fechando a primeira metade da temporada de 1987, e ainda teríamos oito provas pela frente, onde tudo ainda poderia acontecer. E veremos estas provas da segunda metade da temporada muito em breve, em novas postagens de vídeos aqui. Então, até lá, e espero que estejam apreciando o resgate deste material.