sexta-feira, 17 de março de 2023

SEGUNDO ROUND: ARÁBIA SAUDITA

Pista de rua em Jeddah recebe o segundo GP da temporada 2023 da F-1.

            Hoje começam os treinos oficiais para a segunda prova da temporada 2023 da Fórmula 1, com muitas expectativas pra muitos, depois do que vimos na etapa inaugural da competição duas semanas atrás, no Bahrein. Se na pista de Sakhir todo mundo queria ver a real força de todo mundo, aqui em Jeddah, a questão é: o que continuará igual, e o que irá mudar? No panorama da primeira corrida, o campeonato não parece muito animador, com uma Red Bull dificil de ser confrontada, e muito menos superada. No texto da semana passada, a pergunta era óbvia: Max Verstappen já poderia comemorar o tricampeonato, mesmo com apenas uma prova disputada, de uma temporada com 23 corridas previstas? Muitos alegaram que fui precipitado no julgamento, mas lembro que aquilo era apenas a expectativa gerada pelo que tínhamos visto na primeira prova, e que poderíamos ter mudanças, não sendo um juízo inequívoco de que o campeonato já era.

            E aqui na Arábia Saudita, teremos a chance de ver o que pode mudar nestas expectativas. A pista de Jeddah é de rua, mas extremamente veloz, e possui um asfalto muito menos abrasivo do que a pista de Sakhir. por tabela, os acertos dos carros terão de ser muito diferentes dos adotados no circuito barenita. Mas há outras circunstâncias que jogam a favor de mais incerteza na pista árabe. Primeiro, é o menor tempo de pista. A F-1 fez sua pré-temporada na pista do Bahrein, uma semana antes, e depois, foi lá a primeira corrida, de modo que todos os times já tinham um conhecimento bem fresco do que esperar da pista, mesmo com todas as peculiaridades que poderiam ocorrer. Aqui, em Jeddah, pelo contrário, é hoje nos treinos que todo mundo irá ver como seus carros se comportam, e terão apenas os treinos livres para isso. é menos tempo de pista, e isso pode confundir alguns acertos das escuderias.

         Outro ponto importante é que todo mundo saiu de Sakhir com muitas informações do comportamento do carro em corrida, e todos os dados foram analisados ao máximo para já tentar evoluir e modificar certos comportamentos dos bólidos que as escuderias acharam inconvenientes. Embora o consenso seja de que novidades de monta só devam aparecer mesmo na prova de Baku, no Azerbaijão, mês que vem, os times tentarão levar para a pista as novidades que puderem ser viabilizadas, na esperança de dar alento e maior esperança nas chances de competição. O único ponto em comum nas duas corridas é que ambas são disputadas à noite, então alguns parâmetros se mantém. Resta esperar que as características que diferenciam os circuitos sejam o suficiente para conseguir embaralhar o panorama visto no Bahrein, e oferecer um leque mais flexível de opções. E isso vale para todos, até mesmo para a favorita Red Bull, que espera ter maior oposição em Jeddah. Jogando as expectativas para os rivais, ou blefe? Talvez ambos.

            Um carro bem nascido, como demonstrou ser o RB19 concebido por Adrian Newey tem tendência a se dar bem em todo tipo de pista. Seria ilógico supor que eles tenham dificuldades neste novo circuito. Eles devem vir fortes, a dúvida é como os rivais irão se sair. Na Ferrari, o time rosso já entra baleado antes mesmo dos treinos começarem: Charles LeClerc terá de usar a terceira central eletrônica do motor, o que o fará perder 10 posições no grid, em mais uma demonstração de quão estúpida é a regra de limites de certos componentes adotada pela categoria máxima do automobilismo, que teima em não aplicar limites mais razoáveis em uma temporada tão longa e desgastante. Isso vai obrigar o monegasco a vir lá de trás, já tendo de fazer uma prova de recuperação, com a punição em tempo recorde deste regulamento cretino, com um piloto já sendo punido na 2ª corrida, que maravilha isso é... A Ferrari tem esperanças de poder se valer de sua grande velocidade de reta, graças à potência de seu motor. E espera também ter menos problemas com a degradação dos pneus, já que o SF-23 não foi muito dócil com eles no asfalto barenita. A pista árabe tem um piso menos abrasivo, o que em tese deve penalizar menos o carro vermelho, se a escuderia conseguir também acertar o monoposto de maneira que ele preserve os compostos.

Red Bull venceu tranquilamente no Bahrein e é favorita na Arábia Saudita, mas espera ter mais oposição. Será?

        Na Mercedes, o time corre contra o tempo para apresentar uma versão “B” do modelo W14, prometendo já trazer algumas mudanças neste fim de semana. Pode dar certo, e pode não dar certo. Há consenso de que o porpoising mascarou os reais problemas de falta de desempenho do modelo do ano passado, de forma que agora, sem o problema dos quiques, o time caiu na real de que tem uma batata quente nas mãos, e precisa saber o que fazer com ela. A diferença para a Red Bull se mostrou ainda maior do que do ano passado, feitas as comparações na corrida barenita, com um agravante, que foi o consumo de pneus maior do que o esperado, obrigando Lewis Hamilton e George Russell a terem de abrandar parte do ritmo para não comprometer a estratégia de duas paradas. O piso menos abrasivo de Jeddah deve facilitar um pouco para a Mercedes neste quesito, a exemplo da Ferrari, mas quanto? Nem eles mesmos sabem, e precisam descobrir o quanto antes. No momento, o time trabalha em contenção de danos, esperando ganhar tempo para aprontar uma versão revisada do W14, que sabem não ter garantias de recolocar o time no jogo. Na última semana, aliás, pipocaram vários boatos, sobre já desistir de 2023 e se concentrar em 2024, e de até entregar as melhores unidades de potência para a Aston Martin, a fim de pelo menos favorecer um time cliente da marca, contra os rivais. Muita conversa para pouca ação, se é que alguma delas era de fato séria.

        E a Aston Martin, sensação dos treinos da pré-temporada, e da corrida do Bahrein? O time, que surpreendeu ao obter um pódio com Fernando Alonso pelo 3º lugar já na estréia do bicampeão em sua nova escuderia vive um misto de fantasia e realidade. Sabe que tem potencial para ser a grande surpresa da temporada, mas ao mesmo tempo, não se pode permitir deixar de ter os pés no chão. O novo AMR23 mostrou potencial, e tem tudo para fazer o time esmeralda brigar com Ferrari e Mercedes pela posição de segunda força. Alonso diz que o carro ainda tem muito potencial a ser explorado, mesmo assim, e é aí que temos o ponto central: como o time fará esse desenvolvimento? desde que o projeto de tornar a Aston Martin uma escuderia de ponta teve início, é a primeira vez que o time demonstra real potencial para brigar, se não por vitórias, pelo pódio, se considerarmos que a Red Bull pode monopolizar os triunfos na temporada. Fernando Alonso, mesmo sendo o pilot mais velho do grid, mostrou que ainda tem lenha para queimar, e Lance Stroll teve um desempenho guerreiro ao disputar a corrida ainda fora das condições ideais de seu pulso operado, mostrando que eles sabem o que tem nas mãos, e querem aproveitar para capitalizar o bom momento, enquanto podem. Mas todos conhecemos a capacidade técnica do time de Milton Keynes, que sabe como ninguém evoluir seu carro durante uma temporada, graças ao trabalho bem coordenado por Newey. E a Aston Martin? Nos tempos de Force India, a escuderia conseguia fazer alguns milagres com um orçamento apertado, obtendo resultados que não deveria estar ao seu alcance, num exemplo de grande eficiência do time. Agora, recursos não são problema, e embora a nova fábrica ainda não esteja operando a pleno vapor, os resultados esperados para 2024 parecem já estar surgindo agora, e o time, ao mesmo tempo em que não pode se iludir, também não pode perder a chance de aproveitar o salto conquistado. Vai ser um duelo dos setores técnicos de cada time para vermos quem leva a taça do vice-campeonato de escuderias. Embora não tenha disputado o título, a Mercedes, apesar do momento complicado vivido no ano passado, conseguiu progressos extraordinários na melhoria de seu carro. Já a Ferrari, por outro lado, se perdeu no meio do campeonato, permitindo à Red Bull disparar na frente, e ainda por cima, deixando-se ser ameaçada até na briga pelo vice-campeonato pela Mercedes.

            Vai ser um duelo renhido entre estes três times, e quem der mancada, ou for menos eficiente, vai ficar para trás. E todos sabem que, em algum momento, a Red Bull poderá ter algum problema, afinal, ninguém é infalível, e quando isso surgir, quem estiver no local certo, na hora certa, poderá capitalizar com o azar dos favoritos. Mas só conseguirá isso se trabalhar direito e cometer menos erros. Pelo início da competição, Ferrari e Mercedes tem que recuperar o tempo perdido para ontem, enquanto a Aston Martin parece ter fôlego para ser um pouco mais audaciosa do que pensava poder ser. Jeddah deve mostrar quem pode ter as melhores cartas neste jogo, lembrando que a etapa seguinte, em Melbourne, Austrália, tem outro circuito de rua, no Albert Park, que também é bem diferente deste aqui de Jeddah, onde tudo pode ficar diferente novamente, ajudando a embaralhar as opções, ou confirmá-las, dependendo de como todos se saírem.

Três equipes, três objetivos diferentes, uma meta. Quem será a segunda força do grid na Arábia Saudita? Aston Martin, Ferrari, ou Mercedes? Quem leva?

            E o restante do grid? Bem, todo mundo quer saber, até eles mesmos. na prova de Sakhir, todo mundo teve algum momento positivo, apesar dos negativos, de modo que os demais times sabem que podem render mais, mas quanto? Eles querem saber a resposta, de forma a poderem coordenar melhor seus trabalhos de desenvolvimento dos carros. A Alpine, por exemplo, teve uma performance desastrosa com Esteban Ocón, e outra redentora com Pierre Gasly. O time não impressionou na pré-temporada, mas alardeou um potencial para brigar pela 4ª força no ano, o que parece sonhar alto demais, dadas as performances dos times já citados acima. O máximo seria ambicionar a 5ª posição, e para isso, será preciso combinar com os adversários, em especial a Alfa Romeo, que conseguiu ter um desempenho geral melhor do que o time francês. A Haas teve um treino brilhante com Nico Hulkenberg, que infelizmente deu azar em um toque logo no início da corrida, enquanto Kevin Magnussen não empolgou. A Alpha Tauri pareceu perdida, mas chegou perto dos pontos, apesar de tudo. A McLaren pareceu ainda mais complicada, mas teve um treino razoável com Lando Norris, que até conseguiu mostrar um ritmo interessante, apesar dos percalços técnicos enfrentados pela escuderia. E a Williams, quem diria? Não é a carroça que se esperava, e sua dupla de pilotos parece capaz de surpreender, mas também não é nenhuma Brastemp. O time conseguiu um ponto já no Bahrein, com um desempenho honesto de sua dupla de pilotos, mas vai precisar confirmar esse desempenho quando os rivais não tiverem seus problemas.

            Enquanto isso, a pista de Jeddah terá novidades para este ano. Devido aos problemas verificados no ano passado, e levando em conta as altas velocidades atingidas pelos carros da F-1, que estão ainda mais velozes este ano, algumas mudanças foram feitas, em especial para melhorar a segurança da competição. Algumas curvas da pista, por exemplo, não ofereciam boa visibilidade, o que poderia comprometer a segurança dos carros em disputa. Assim, a organização da prova, em conjunto com a FIA, decidiram diminuir os pontos cegos do circuito, assim como modificar algumas zebras. As curvas 3, 14, 19, 20 e 21 receberam zebras mais suaves, para impactar menos no contato com os carros, o que poderia fazer com que alguém perdesse o controle, dependendo de como atacasse o ponto. Além destas, outras zebras, como as de metal, acabaram sendo substituídas por modelos chanfrados nas curvas 4, 8, 10, 11, 17 e 23 da pista. Já no que se refere à visibilidade, os muros de proteção das curvas 8, 10, 14 e 20 foram recuados em 7,5 e 5 metros, respectivamente. A mudança mais efetiva foi em relação a velocidade, com o muro das curvas 22 e 23 reposicionados, para reduzir a velocidade média em 50km/h. Outra alteração feita foi no ponto de detecção da última zona de DRS da pista, que passa da freada da última curva para alguns metros depois dela, com o objetivo de dificultar que os pilotos tentem usar o ponto de detecção para usar a asa móvel em seu favor no trecho de reta. Os pilotos elogiaram as mudanças feitas nos muros e nas zebras, melhorando a visão que eles têm do setor, tornando a passagem pelos trechos menos arriscadas, já que em caso de algum imprevisto, eles teriam muita dificuldade em evitar algum acidente, que poderia vir a ser vultoso, dadas as altas velocidades que os carros atingiam nos pontos citados.

            De fato, percalços são esperados na corrida, já que ainda é uma pista de rua, e mesmo com o reposicionamento dos muros, eles ainda estão muito próximos da pista, e podem ser necessárias entradas do Safety Car durante a prova, algo que os times precisam saber lidar no que tange às suas estratégias. Nas duas edições da corrida, o carro de segurança precisou ser acionado, então...

            Aliás, a pista de Jeddah, que inicialmente deveria ser provisória, já que o governo saudita tem planos de criar um megacircuito perto da capital do país, Riad, deverá ficar bem mais tempo no calendário da F-1, muito provavelmente até 2027, já que as obras estão bem atrasadas.

            Então, hora de acompanhar a segunda corrida da temporada, e ver se Jeddah nos oferecerá maiores esperanças de um campeonato mais disputado, ou se a situação vista em Sakhir se manterá. Não será um veredicto definitivo, pois ainda poderemos esperar por mudanças na etapa seguinte, na Austrália. Mas um panorama similar ao do Bahrein não será lá muito agradável para as expectativas da competição. Torçamos pelo melhor, claro, e que a disputa apresente uma evolução em relação à primeira corrida.

 

 

E a Formula-E está chegando ao Brasil. O ePrix de São Paulo acontece no próximo final de semana, mas a pista já está montada na área próxima ao Pavilhão do Anhembi e ao Sambódromo, onde os carros irão acelerar fundo em sua prova de estréia em terras tupiniquins. Lucas Di Grassi e Sérgio Sette Câmara, pilotos brasileiros na categoria, já andaram pela pista, e estão empolgados em finalmente disputar uma etapa da F-E em seu país. Os dois também participaram do evento oficial de lançamento da corrida, realizado semana passada. A pista montada nas ruas da zona norte de São Paulo proporcionarão a maior reta da temporada para os carros da F-E acelerarem fundo. Além disso, a chicane que teria na entrada do trecho do Sambódromo foi retirada, de modo que os pilotos poderão acelerar ainda mais no setor, para delírio dos torcedores, que poderão ver pela primeira vez ao vivo os carros de competição elétricos mais velozes do planeta.

 

 

Hoje temos a largada do Mundial de Endurance (WEC), com a disputa das 1.000 Milhas de Sebring, no Estado da Flórida, Estados Unidos. E com uma surpresa: a Ferrari, que volta a uma competição de endurance com um time oficial de fábrica, e logo na categoria principal, a dos Hypercars, abocanhou a pole-position da prova, com seu novíssimo modelo 499P de Nº 50 pilotada por Antonio Fuoco, que marcou o tempo de 1min45s067, desbancando a até então favorita Toyota, que colocou seus dois carros GR010 Hybrid nas posições 2 e 3 do grid, com o carro campeão do ano passado, o Nº 8, partindo na primeira fila do grid, enquanto o carro Nº 7 abre a segunda fila. O time japonês, aliás, ficou acuado pela Ferrari, já que a equipe de Maranello garantiu também a 4ª posição no grid, com seu carro Nº 51 marcando o tempo de 1min45s874 com Alessandro Pier Guidi. A prova terá largada às13 horas, pelo horário oficial de Brasília, e teremos 36 carros na competição, sendo 11 na classe Hypercars, 12 na LMP2, e 13 na classe LMGTE. Três brasileiros participarão da prova. Pietro Fitipaldi defende a equipe Jota, e seu carro largará em 13º, com a segunda melhor marca na classe LMP2. André Negrão, correndo pela Alpine, sai em 23º. E Daniel Serra, pela Kessel Racing, parte em 30º, na classe LMGTE.

A Ferrari chegou chegando nos Hypercars no WEC 2023: pole nas 1.000 Milhas de Sebring, superando a dupla da Toyota.

quarta-feira, 15 de março de 2023

FLYING LAPS – FEVEREIRO DE 2023

              Pois bem, mal começamos o ano de 2023, e já chegamos ao mês de março, com o início das atividades de alguns dos mais importantes campeonatos do mundo da velocidade, como a Fórmula 1 e a Indycar, além do Mundial de Endurance, e da MotoGP, que esperamos que nos tragam muitas emoções. Então, com algum atraso, é hora de fazer mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo do esporte a motor neste último mês de fevereiro, com destaque para a Formula-E, e também um pouco da Stock Car Brasil, que se prepara para um campeonato dos mais corridos e interessantes, que deve agitar a expectativa dos fãs e torcedores pelo sucesso dos seus pilotos favoritos nas competições. Uma boa leitura a todos, e nos encontramos novamente por aqui no próximo mês em mais uma edição da Flying Laps...

A Formula-E estreou sua primeira prova na Índia, na cidade de Hyderabad, e a prova marcou a primeira vitória da DS Penske, após a reformulação do time para esta temporada, passando a ser a nova equipe oficial da DS Citroen na categoria, após a saída da Techeetah da competição. O triunfo coube ao francês Jean-Éric Vergne, que conseguiu a vitória apesar da pressão intensa de Nick Cassidy, da Envision, que ficou colado na traseira do bicampeão na parte final da corrida. Vergne, contudo, conseguiu se defender bem, evitando a ultrapassagem do piloto da Envision. Vencedora da rodada dupla de Diryah, a Porsche teve um desempenho forte, com Antônio Felix da Costa fechando o pódio em 3º lugar, logo à frente de Pascal Wherlein, que ampliou ainda mais sua vantagem na classificação do campeonato, depois que Jake Dennis acabou abandonando após ser abalroado por René Rast, da McLaren, provocando o abandono dos dois competidores. A Jaguar, que vinha com boas chances de fazer bonito na prova, viu Sam Bird errar a freada de uma curva e atingir seu próprio companheiro de time, Mith Evans, provocando o abandono de ambos, e o fim de prova para o time inglês na prova. A prova marcou uma recuperação de Sérgio Sette Câmara, que conseguiu um excelente 5º lugar com sua NIO, depois dos problemas enfrentados nas etapas anteriores. Outro que também comemorou foi Oliver Rowland, da Mahindra, com o 6º lugar, marcando seus primeiros pontos do ano, depois de ficar completamente zerado nas primeiras etapas da competição.

 

A Porsche voltou a vencer na temporada 2023 da Formula-E. O novo triunfo veio na nova corrida da competição, na Cidade do Cabo, e pelas mãos de Antônio Felix da Costa, que fez uma grande apresentação, recuperando-se na temporada. O português largou em 11º, e veio galgando posições na pista, superando os adversários, até travar o duelo derradeiro pela vitória da prova com seu ex-colega de time na Techeetah, o francês Jean-Éric Vergne. Com uma ultrapassagem arrojada, Antônio tomou a liderança do piloto da Penske na penúltima volta, e teve de se defender de um revide do francês na volta final, garantindo seu primeiro triunfo em sua nova escuderia, enquanto Vergne teve de se contentar com o 2º lugar. O resultado ajuda a embolar a competição, já que seu companheiro na Porsche, Pascal Wherlein, abandonou a corrida, após abalroar a Envision de Sébastien Buemi no início da prova, danificando seu carro. O piloto suíço conseguiu retornar à corrida, tendo de recuperar várias posições, para terminar em 5º lugar. Nick Cassidy, seu companheiro de time, levou a 3ª colocação, fechando o pódio. René Rast, da McLaren, também fez uma boa corrida, terminando em 4º. A corrida de estréia da África do Sul na competição dos carros monopostos elétricos foi cheia de abandonos, com apenas 13 carros recebendo a bandeirada. De novo, a Maserati foi o time que sofreu mais na corrida, vendo seus dois pilotos novamente abandonarem a disputa. Apesar do traçado até veloz do circuito, os pilotos reclamaram da pista estreita, o que dificultou alguns duelos, exigindo maiores riscos e ousadia nas tentativas de ultrapassagem, como Da Costa exibiu em sua escalada rumo à liderança da prova, superando alguns adversários no limite da pista, por pouco não indo parar nos muros, mas sendo bem-sucedido nas disputas, que coroaram sua vitória.

 

A corrida da Cidade do Cabo começou com cinco carros a menos. Depois de sofrer um forte acidente nos treinos com Lucas Di Grassi, a Mahindra verificou que um problema potencial na suspensão traseira do carro poderia comprometer a segurança de seus pilotos na corrida, e por isso, decidiu não participar da prova. A decisão acabou atingindo também o time da ABT, cliente da Mahindra, que além de utilizar o trem de força da marca indiana, também usa o mesmo sistema de suspensão traseira, e portanto, poderia correr o mesmo risco de segurança do time de fábrica, resultando em um acidente. Como a pista possuía bons trechos de reta, os carros atingiam alta velocidade, de modo que um problema potencial de segurança na suspensão dos carros poderia resultar em um acidente de gravidade, pelo que se resolveu não correr o risco, e preservar a integridade dos pilotos. Quem também ficou de fora da corrida foi Sam Bird, da Jaguar, uma vez que o inglês bateu forte nos treinos, e a equipe não conseguiu recuperar os danos de seu carro. Com isso, apenas 17 carros largaram.

 

A Mahindra ficou fora de uma prova pela primeira vez desde o início da Formula-E, e a decisão de não participar da corrida na Cidade do Cabo também afetou a estatística do brasileiro Lucas Di Grassi, que até então era o único piloto a ter participado de todas as corridas da categoria desde que o certame foi criado, em 2014. O time indiano iria fazer uma investigação acurada, e se necessário, redesenhar sua suspensão traseira, que é ligada ao trem de força, para evitar a possibilidade de novos problemas. A ausência na etapa da África do Sul é mais um revés para a equipe indiana, que parece ter assumido o posto de pior time do grid, se formos considerar a performance apresentada na temporada pelo seu trem de força, que equipando também a equipe ABT, vem colecionando resultados muito aquém do esperado até aqui também com seu time cliente. Lucas Di Grassi já tinha afirmado que o resultado obtido na estréia da temporada, na Cidade do México, não era indicativo da real condição da equipe, onde o brasileiro largou na pole-position e terminou em 3º lugar, no pódio. E apesar de um bom resultado de Oliver Rowland na etapa de Hyderabad, até aqui a Mahindra demonstrou estar mais atrasada do que se poderia imaginar, o que vai exigir muito trabalho da escuderia para evoluir não apenas o seu carro, mas também o seu trem de força, e não ficar na lanterna da competição, com os adversários evoluindo, ao contrário dela. A escuderia espera estar recuperada para o ePrix de São Paulo, no que tange ao problema que surgiu na suspensão traseira do carro, resta esperar se vai conseguir melhorar seu trem de força...

 

O resultado da etapa da Cidade do Cabo ajudou a equilibrar um pouco a competição do campeonato. O abandono de Pascal Wherlein, que ficou sem pontuar pela primeira vez na temporada, permitiu que a concorrência se aproximasse, mas não muito. O piloto da Porsche ainda lidera o campeonato com razoável vantagem, com 80 pontos, com Jake Dennis ainda confortável na vice-liderança, com 62 pontos. O inglês da Andretti, infelizmente, também não deu muita sorte nas duas últimas corridas, ficando zerado na pontuação, e perdendo a chance de encostar em Wherlein na disputa pela liderança da classificação. E a sorte de Dennis é que ele e Pascal haviam aberto tanta vantagem que ainda estão disparados na frente. É a turma de trás que ficou mais equilibrada. Com os dois pódios nas duas últimas etapas, o bicampeão Jean-Éric Vergne subiu para a 3ª colocação, com 50 pontos. O triunfo na África do Sul catapultou Antônio Felix da Costa à 4ª posição, com 46 pontos. Nick Cassidy também subiu bem, ocupando a 5ª posição, com 43 pontos. O mau momento da Mahindra derrubou Lucas Di Grassi na classificação, com o brasileiro ocupando no momento apenas a 10ª posição, com os 18 pontos marcados unicamente na primeira corrida, na Cidade do México. Já Sérgio Sette Câmara é o 15º na classificação, com 10 pontos. Já no campeonato de equipes, a Porsche continua disparada na liderança, com 126 pontos, com três vitórias em cinco provas disputadas até aqui, e com sua dupla de pilotos no TOP-4 do campeonato. Mesmo sem vencer, mas graças à constância de resultados, a Envision ocupa o 2º lugar, com 84 pontos. Já a Andretti, que venceu a primeira prova, mas teve azares nas últimas provas, caiu para a 3ª posição, com 80 pontos. A estreante McLaren ocupa a 4ª colocação, com 66 pontos, e a DS Penske, 61. Dos times da atual temporada, apenas a ABT está zerada até aqui, sem ter conseguido marcar nenhum ponto na competição. A Maserati, outra estreante, ocupa a penúltima posição, com apenas 3 pontos conquistados até aqui.

 

A Stock Car deve realizar uma corrida em Belo Horizonte, no próximo ano. A idéia da categoria é realizar uma prova nas cercanias do estádio do Mineirão, na capital de Minas Gerais. O plano divulgado é que seja montado um traçado passando no entorno do estádio Magalhães Pinto, que é um dos grandes cartões postais de Belo Horizonte, considerado também patrimônio da humanidade. De acordo com as informações divulgadas, a estrutura do estádio já foi vistoriada, e analisada as necessidades de obras de infraestrutura no local para viabilizar a realização da competição, que teria tido boa aceitação do poder público, e já teria dado aval para a realização do evento a partir de 2024, com uma expectativa de público entre 70 e 100 mil pessoas que poderiam comparecer ao local, em arquibancadas que seriam montadas do lado de fora do estádio. A Vicar, empresa que organiza a competição da Stock Car, confirmou que está negociando com interessados na promoção da corrida para o próximo ano, mas que ainda não há nada assinado neste sentido. Seria um evento muito interessante para a Stock Car, e para o público mineiro, que anda carente de opções automobilísticas em tempos recentes. A Stock, que inovou recentemente em uma corrida disputada nas pistas do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, está se mostrando bem criativa na elaboração de novas provas para seu campeonato, e a corrida ao lado do Mineirão certamente tem tudo para atrair a atenção do público. Resta esperar que seja bem conduzida, e que o circuito montado consiga oferecer condições para uma corrida que ofereça boas disputas e muita emoção. Coincidentemente, a região do Mineirão em Belo Horizonte já recebeu diversas categorias do automobilismo brasileiro décadas atrás, ainda em meados dos anos 1970. A última vez que a Stock Car esteve no Estado de Minas Gerais foi em 2017, quando disputou uma etapa do campeonato no autódromo de Curvelo, onde não mais retornou desde então, deixando os fãs mineiros da velocidade sem uma corrida local para acompanharem. Se tudo der certo, parece que Minas Gerais voltará a fazer parte do circuito nacional da velocidade no próximo ano. Agora é torcer para que as negociações deem certo e sejam efetivadas as condições para a realização da corrida.

 

A Stock Car inicia em abril a sua temporada 2023, e o calendário deste ano apresentará um novo formato de competição, onde cada fim de semana de disputa passará a contar com rodadas triplas, e não mais duplas, como vinha sendo feito na maioria das corridas até o ano passado. Desse modo, estão programadas 12 etapas, que resultarão em 36 corridas no ano. Cada fim de semana terá uma prova ao sábado, e duas aos domingos, aumentando o tempo de competição nos finais de semana. Além do aumento de corridas, a competição também passará a ter um teto de gastos para a temporada, de cerca de R$ 750 mil para cada time. O campeonato está previsto para começar no dia 02 de abril, em Goiânia. Interlagos, será o palco da etapa de encerramento da temporada, em 17 de dezembro. Com o esquema de rodadas triplas, cada fim de semana ficará esquematizado da seguinte forma: a sexta-feira contará com um treino “shakedown” de 10 minutos, mais 25 minutos para uma sessão exclusiva para os pilotos novatos, e outros 25 minutos para o treino geral, com todos os pilotos. No sábado, teremos mais 25 minutos no último treino antes da classificação. Na corrida 1, com duração prevista para 25 minutos, o grid será definido pela segunda volta mais rápida de cada piloto no treino classificatório. O melhor tempo de cada piloto irá determinar a ordem de largada da corrida 2, já no domingo, realizada com duração de 20 minutos, enquanto a terceira e última prova do fim de semana terá o grid invertido entre os oito primeiros da segunda disputa e terá 25 minutos de duração. Até o presente momento, contudo, três datas do calendário da Stock ainda estão com locais indefinidos.

sexta-feira, 10 de março de 2023

VERSTAPPEN JÁ PODE COMEMORAR O TRICAMPEONATO?

Max Verstappen: Largou na pole e venceu sem ser incomodado, tanto que até foi esquecido pela TV durante boa parte da corrida. Pintou o tri?

              A Fórmula 1 mal começou a temporada 2023, e a disputa pelo título já dá ares de estar até encerrada, sendo mera formalidade coroar Max Verstappen como campeão de 2023, e tricampeão mundial de F-1, dado o que vimos na pista de Sakhir domingo passado. Pessimismo, ou realismo? Talvez as duas coisas.

              A Red Bull confirmou o seu favoritismo, e se não colocou mais tempo na concorrência na corrida, foi porque não havia necessidade para tanto. Largando na pole-position, Max Verstappen simplesmente liderou de ponta a ponta, descontados os momentos de paradas nos boxes. Tanto que os engenheiros até pediram para o holandês maneirar o ritmo, ao que Verstappen respondeu que só o faria se Sergio Perez também diminuísse o dele. No final, o mexicano cruzou a linha de chegada aproximadamente 12s depois do atual bicampeão mundial. O novo carro do time rubrotaurino parece ter se ajustado também ao estilo de Perez, que apesar de alguns percalços na primeira metade da corrida, quando ficou atrás de Charles LeClerc, soube aproveitar a estratégia do time para não apenas recuperar a vice-liderança da prova, como abrir distância dos rivais, mostrando que não havia mais nada a fazer, salvo algum imprevisto, que tirasse o triunfo duplo da Red Bull. No ano passado, a escuderia foi a nocaute na primeira corrida, com seus dois pilotos abandonando por problemas, mas desta vez, eles não deram chance para o azar nessa área, e apesar de um ou outro pequeno percalço nos treinos, na corrida tudo saiu conforme o esperado.

              O mesmo não se pode dizer da concorrência. A Ferrari, por exemplo, aprimorou sua velocidade de reta, como se esperava, mostrando a força de sua unidade de potência para 2023. Isso, porém, não tornou o time italiano páreo para a Red Bull. LeClerc até vinha para um pódio certo, mas muito pouco, diante da performance deficiente para os rivais rubrotaurinos. E a fiabilidade, um ponto que custou caro ao time em 2022, resolveu aprontar já nesta primeira prova, deixando o monegasco a ver navios, e com o time tentando entender o que aconteceu até agora. Como desgraça pouca é bobagem, Carlos Sainz em nenhum momento se mostrou mais competitivo que o colega, ainda que tenha recebido a bandeirada de chegada. O desgaste de pneus, em um piso abrasivo como o de Sakhir, penalizou os carros vermelhos, que não conseguiram solucionar o problema que já havia sido constatado nos testes da pré-temporada, ali mesmo, mas que estava sendo analisado para ser neutralizado, já para a primeira prova. Pelo visto, mais estudos serão necessários, e para ontem.

              A Mercedes, de quem se esperava talvez um pouco mais, acabou se revelando outra decepção, a ponto de Toto Wolf até já admitir que o conceito do carro precisa ser mudado, depois de ver Lewis Hamilton receber a bandeirada em um modesto 5º lugar, mas a praticamente 51s de distância para o vencedor Verstappen, resultado até pior do que o visto na primeira corrida do ano passado, quando o panorama na Mercedes parecia até mais complicado do que o atual. E a primeira providência do time alemão está sendo realocar James Allison de volta para o setor de engenharia do time de F-1, com vistas a modificar o projeto, e tentar leva-lo à pista na etapa de Ímola, visando uma reação na competição. E isso presumindo que as modificações no carro deem resultado. É consenso na competição que carros bem nascidos possam ser bem desenvolvidos, mas carros mal concebidos podem ser no máximo “remendados”, mas nunca atingindo os objetivos propostos inicialmente. Ao que parece, vendo que o novo W14 não oferece muitas expectativas de lutar na ponta, a Mercedes não vai perder tempo insistindo no projeto, como fez no ano passado com o modelo W13, onde a esperança era de compreender os motivos da baixa performance, e evitar repeti-los este ano. Não só parecem ter repetido os erros, como o carro ter ficando ainda pior. Em 2022, o porpoising, que afetou sobremaneira o carro prateado, acabou encobrindo as falhas do projeto, mas o W14, que não apresenta este problema, escancarou as deficiências do projeto, mostrando que suas falhas iam muito além do problema dos quiques exagerados do efeito-solo. Se Hamilton não conseguiu chegar ao pódio, como fizera em 2022, George Russell não fez muito melhor, terminando em 7º lugar, perdendo a disputa com o canadense Lance Stroll, que mesmo com os pulsos ainda em recuperação, conseguiu superar a nova promessa da Mercedes na etapa barenita. Russell, aliás, já foi enfático em dizer que será outra temporada “perdida” para o time em tentar melhorar o carro, enquanto Hamilton também fala que não há muito o que fazer com o modelo atual.

Ferrari e Mercedes prometiam alguma reação, mas a melhor Ferrari ficou fora de combate por quebra mecânica, e as Mercedes nunca estiveram com bom ritmo para sequer tentar chegar ao pódio.

              Em contrapartida, a Aston Martin mostrou que sua boa forma demonstrada nos testes da pré-temporada não foi fogo de palha, como muitos imaginavam. Fernando Alonso fez uma corrida combativa, travou duelos empolgantes com Hamilton e Sainz Jr., e levou seu novo time ao pódio já em sua primeira corrida, deixando a escuderia esmeralda comemorando como nunca o resultado. Alonso já tinha feito marcas expressivas nos treinos livres e obtido a 5ª posição no grid, confirmando a boa forma do novo AMR23. Na primeira volta, contudo, ele perdeu posições, e por pouco não teve o carro danificado em um toque de Lance Stroll, o próprio companheiro de equipe. Mas felizmente nada aconteceu, e o espanhol foi se recuperando na prova, exibindo sua grande categoria como piloto, e mostrando como foi bicampeão de F-1. Depois que superou Sainz, deixou o piloto da Ferrari para trás com enorme facilidade, e recebeu a bandeirada quase 39s atrás de Verstappen. Stroll, por sua vez, mesmo com sua condição clínica deficiente pelo problema nos pulsos, ainda foi 6º colocado, cerca de 16s atrás do novo colega de time. A forma da Aston Martin já deixa Ferrari e Mercedes preocupados, tanto pelo ritmo de corrida apresentado pelos carros esmeraldas, como pelo consumo de pneu, muito melhor do que o do time de Maranello, e da escuderia germânica, que também sofreu com os pneus na pista barenita.

              A expectativa da Aston Martin, por enquanto, é conservadora: manter o desenvolvimento do carro ao longo do ano. Alcançar a Red Bull pode parecer uma meta por demais ambiciosa, mas se manter à frente de Ferrari e Mercedes parece um objetivo muito mais crível e possível. Os planos do time sediado em Silverstone era brigar por pódios, e talvez por vitórias, em 2024, mas nada impede que tais objetivos sejam conquistados já este ano. Para tanto, porém, será preciso trabalhar como nunca, e manter a evolução do novo AMR23 de forma consistente ao longo do ano. Apesar de seus percalços, Ferrari e Mercedes possuem equipes de engenharia robustas, capazes de efetuar melhorias em seus carros com boa eficiência. O resultado da etapa barenita foi bom, mas precisa ser visto com os pés no chão. O pódio só foi possível devido à quebra de LeClerc, que até poderia ter sido alcançado por Alonso na corrida, mas talvez não superado, mostrando que não se pode medir o desempenho da Ferrari pela performance demonstrada por Carlos Sainz. A Aston Martin tem tudo para ser a sensação da temporada, mas não vai poder errar daqui em diante na evolução de seu carro, se quiser manter firme a disputa com Ferrari e Mercedes, e quem sabe, faturar algo mais em um eventual percalço que a Red Bull possa vir a sofrer em algum momento.

Sensação nos treinos, a Aston Martin (acima) mostrou que pode surpreender na temporada. Fernando Alonso (abaixo) mostrou sua velha classe e foi premiado com o pódio em Sakhir.


              Mais atrás, a Alfa Romeo fez uma estréia honesta. Não fez feio, mas também não impressionou mais do que normalmente faria. O time teve uma classificação a meio do grid, sem conseguir ir ao Q3, mas Valtteri Bottas fez uma prova decente, chegando na zona de pontuação, enquanto Guanyou Zhou, apesar de andar forte em alguns momentos nos treinos, não conseguiu acompanhar o ritmo do finlandês na corrida, ficando fora da zonta de pontos, sendo superado pelas duplas da Haas e Williams, e até da Alpha Tauri de Yuki Tsunoda. Em seu segundo ano na F-1, o piloto chinês certamente será mais cobrado pelas suas performances, ainda mais porque os cockpits da escuderia, que em 2026 se tornará o time da Audi, passaram a ser muito valorizados por essa entrada da marca alemã na competição, e candidatos certamente não faltarão para ocupa-los.

              Na Alpine, sentimentos opostos. Se na classificação Pierre Gasly começou com o pé esquerdo em seu novo time, enquanto Esteban Ocon fazia uma classificação mais do que decente, chegando ao Q3, na corrida, tudo virou pelo avesso. Ocon se posicionou errado no grid, o que motivou uma punição que ele e o time erraram na hora de pagar no pit stop, motivando outra punição, e chegando a uma terceira, por estourar o limite de velocidade no pit lane, que arruinaram com as chances do francês, que acabou abandonando a prova. Em contrapartida, Gasly fez uma bela corrida de recuperação, terminando em 9º lugar, e ainda marcando a volta mais rápida da corrida, que só perdeu para Guanyou Zhou no finalzinho, quando o chinês da Alfa Romeo lhe roubou o feito. A Alpine não teve uma boa apresentação na pré-temporada, mas afirmava já ter atualizações para a primeira corrida, de modo que tinha potencial para mais do que aparentava. De fato, o time francês não foi o desastre que se imaginava, mas também não foi tão melhor assim. Se colocar um pouco de ordem na casa, pode realmente voltar a sonhar com melhores resultados, tanto com Ocon, quanto com Gasly, que diante do desempenho de seu ex-time, a Alpha Tauri, certamente não vai ter saudades de lá.

              A Alpha Tauri, por sua vez, até que teve um desempenho interessante, com uma classificação e performance bem razoável de Yuki Tsunoda, que quase pontuou em Sakhir. Mas Nyck De Vries teve uma performance apagada na classificação, e foi superado pelo japonês na corrida, mostrando ter mais dificuldades do que se esperava em sua estréia como piloto titular na F-1. Na Haas, Nico Hulkenberg surpreendeu em seu retorno à categoria máxima do automobilismo como piloto titular, levando o time ao Q3, largando em 10º, deixando Kevin Magnussen na sobra. Pena que um toque na largada com Esteban Ocón fez o belo esforço do alemão ir para o brejo, com o carro perdendo estabilidade, comprometendo qualquer chance de um bom resultado potencial. O time trocou a asa do carro, que recuperou o desempenho inicial, mas aí já era tarde para reverter a desvantagem na corrida, terminando apenas em 15º, enquanto Magnussen foi o 13º, sem conseguir avançar mais à frente.

              A Williams teve um início de temporada até promissor. Sua dupla conseguiu uma posição de grid razoável, e teve uma desempenho até forte na corrida, tanto que Alexander Albon marcou ponto com um otimista 10º lugar, mostrando que o anglo-tailandês continua mostrando do que é capaz com o carro limitado de Grove. Mas foi uma boa surpresa também a performance do novato Logan Sargeant, que também andou forte, terminando em 12º em seu primeiro GP, e em determinados momentos na corrida andando até melhor do que Albon, mostrando que a aposta do time inglês no estadunidense não foi duvidosa como muitos imaginavam.

No duelo entre Alpha Tauri e McLaren pelo pior resultado do GP, o time de Woking ganhou disparado: Oscar Piastri foi o primeiro piloto a abandonar no ano, e Lando Norris chegou lá atrás, depois de seis paradas no box por problemas no carro.

              Quem teve mesmo um fim de semana para esquecer foi a McLaren. O time de Woking confirmou seus problemas demonstrados na pré-temporada, e na corrida, apesar de um pequeno refresco de Lando Norris na classificação, por pouco não chegando ao Q3, viu seu novo contratado Oscar Piastri só não largando em último lugar por punições aplicadas a Pierre Gasly e à péssima classificação de Nyck De Vries. Na corrida, o carro de Norris apresentou problemas no sistema pneumático, tendo de fazer seis pit stops para recarregar o gás do sistema a cada cerca de 10 voltas de corrida, transformando a prova em mera sessão experimental, enquanto Piastri teve um problema técnico em seu carro, fazendo do australiano o primeiro piloto a sofrer um abandono no ano. Pior que Zak Brown já ordenou um trabalho de atualização urgente no MLC60, o novo carro do time, que foi nomeado para comemorar os 60 anos de fundação da escuderia, mas que pode vir a ser um grande fiasco como foi a parceria recente com a Honda. O time se defende alegando que o aumento de 15mm na altura da borda do assoalho, que tornou a peça mais rígida, comprometeu completamente o projeto que o time vinha desenvolvendo desde o ano passado, e que agora terá de ser totalmente repensado, se a escuderia quiser corrigir seu rumo. Não é o início mais animador dos últimos anos para a McLaren. Dispensado pelo time para dar lugar a ao conterrâneo Piastri na atual temporada, Daniel Ricciardo deve estar sentindo um alívio tremendo ao ver o desempenho de seu ex-time neste momento.

              Em termos de corrida, não se pode dizer que a prova de Sakhir foi das mais emocionantes. Tivemos alguns bons duelos, é verdade, com destaque para as lutas de posição de Fernando Alonso contra Lewis Hamilton e Carlos Sainz Jr., mas na disputa pela ponta, foi uma negação. Verstappen sumiu na frente, e passou boa parte da corrida sendo até ignorado pelas câmeras da TV, já que não havia emoção por ali, concentrando-se no restante dos competidores. De fato, os treinos livres e a classificação foram muito mais emocionantes do que a corrida em si, e dava até a impressão de um maior equilíbrio de forças no grid, já que em determinado momento a diferença do mais rápido para o último chegou a ser de apenas 1s23, a menor em muitos anos. Algo que se desfez completamente na corrida, que teve potencialmente poucos duelos apreciáveis, com os pilotos passando boa parte do tempo correndo quase sozinhos, devido às diferenças acumuladas. Talvez, se tivéssemos uma pré-temporada digna do nome, com mais dias para as equipes testarem seus novos carros, e quem sabe pudéssemos ver um espetáculo melhor, mas com a política imbecil de se testar cada vez menos, é preciso lidar com as suas consequências, especialmente as negativas.

              Não dá para apontar uma relação de forças mais definida no “segundo escalão” da competição pelo que se pode ver apenas nesta primeira corrida. Enquanto Red Bull parece estar em uma classe à parte, e a “F-1 B” segue com Ferrari, Aston Martin e Mercedes, todo o resto está embaralhado, em maior ou menor grau. Todos os seis times restantes tiveram momentos bons e ruins, mostrando que até podem sonhar com um resultado mais satisfatório, dependendo das circunstâncias, e também do tipo de pista, que na semana que vem, em Jeddah, já será bem distinto do circuito do Bahrein, e onde poderemos ver desempenhos potencialmente diferentes destas escuderias. Um raciocínio que também vale, em menor grau, para os times da frente. A tendência é a Red Bull se sobressair mais uma vez, mas quanto? Mercedes e Ferrari tiveram suas dificuldades na pista barenita, mas será que o circuito citadino da Arábia Saudita pode lhes ser mais favorável? E a Aston Martin, manterá a força vista em Sakhir, ou pode aprontar até algo mais, levando-se em conta que até lá Lance Stroll estará mais recuperado, e Fernando Alonso, bem mais confiante na capacidade do carro, deve ser ainda mais incisivo na corrida, disposto a explorar melhor os limites do bólido?

              A conferir tudo isso no próximo final de semana.

quarta-feira, 8 de março de 2023

ESPECIAL INDYCAR 2023

            Começam os campeonatos mais importantes do mundo do automobilismo, e no último final de semana, a Fórmula 1 e a Indycar deram a largada de seus respectivos certames. Portanto, depois de falar com maior destaque sobre a categoria máxima do automobilismo semana passada, hoje é hora de uma pequena matéria a respeito da Indycar, que teve um início dos mais atribulados na prova de São Petesburgo, com vários acidentes, diversas disputas, e briga pela vitória até a última volta, bem diferente do que vimos na F-1. Uma boa leitura a todos...

INDYCAR 2023

 

Temporada teve início neste mês de março, e promete várias disputas pelo título, com o maior número de competidores dos últimos anos.

 

Adriano de Avance Moreno

São Petesburgo foi novamente o palco de início da temporada da Indycar, e não faltou emoção e confusão na pista.

 

              A Indycar deu a largada para sua temporada 2023 neste último domingo, nas ruas de São Petesburgo, na Flórida, Estados Unidos. Teremos 17 corridas no total deste ano na competição, que novamente promete muitas disputas e emoções. Se o calendário não apresentou mudanças, no grid, teremos mais gente disputando as chances de vencer. Teremos nada menos do que 27 carros, três a mais do que em 2022, competindo em tempo integral este ano, sendo que a grande maioria terá pilotos fixos para todas as provas da temporada, com poucos nomes competindo esporadicamente, como nas 500 Milhas de Indianápolis, e alguns outros que se revezarão no mesmo carro de algum time.

              Como não poderia deixar de ser, a Penske é nome fixo na luta pelo título, tendo vencido a competição no ano passado com Will Power, que conquistou seu segundo título quando muitos já não apostavam mais no australiano, que quer mostrar em 2023 que seu bicampeonato não é obra do acaso. Não se pode ignorar sua posição como atual campeão, indo agora em busca de um potencial tricampeonato. Mas a disputa promete ser dura, e dentro da própria Penske, pois outro de seus pilotos, Josef Newgarden, também está ávido para ir em busca de seu terceiro título, tendo sido derrotado nos últimos dois anos por Álex Palou (2021) e por Power (2022). O piloto foi quem mais venceu na temporada passada, mas faltou um pouco mais de constância no campeonato, ponto que foi decisivo para Power levar a taça da competição. Já Scott McLaughlin mostrou grande crescimento em 2022, mostrando que também pode batalhar pelo título da competição, mas que ainda demonstra precisar afinar o timing de oportunidade nas corridas para conseguir melhores resultados, para não mencionar prudência e bom senso em alguns momentos, como vimos domingo passado em São Petesburgo, onde após sair do box, tentou resistir de forma exagerada à tentativa de ultrapassagem de Romain Grosjean, que vinha com mais efetividade, e ambos pararam na barreira de pneus, arruinando suas corridas. O neozelandês admitiu o erro, o que é um bom sinal para tentar evitar novos deslizes no futuro, já que toda oportunidade perdida de pontuar pode ser crucial na luta pelo campeonato.

              E não podemos ignorar a Ganassi esta briga. O time do velho Chip conta com uma trinca de pilotos pronta para dar o maior trabalho aos adversários, e dar o bote quando menos se espera. Scott Dixon vai em busca de seu sétimo título, tentando igualar a marca do lendário A. J. Foyt em conquistas de campeonatos nas categorias Indy, e provar que ainda está no seu auge. Ignorar a capacidade do neozelandês é um erro crasso que os adversários não podem cometer, pois mesmo quando seu carro parece não estar rendendo direito, de repente ele surge em boas posições na corrida, podendo até chegar ao pódio e à vitória. Mas, diferente de alguns anos atrás, a aposta da Ganassi não é mais apenas nele. O espanhol Álex Palou vai para sua última temporada na escuderia, em tese, podendo seguir para a McLaren no próximo ano, após causar um imbróglio a meio do ano passado, quando tentou se transferir para o time de Woking sem consultar Chip, que não deixou barato e entrou nos tribunais para forçar o piloto a cumprir contrato com sua escuderia, que lhe dava inclusive direito de preferência de contratação para 2023. Isso tirou o foco de Palou em boa parte da temporada passada, o que o deixou incapaz de defender o título de 2021, mas agora, com a situação estabelecida, Álex tem tudo para ir em busca do bicampeonato, mas terá de medir forças com Dixon, em uma disputa que pode ser bem ferrenha dentro do time. Já Marcus Ericsson, considerado uma zebra, mesmo após ter vencido a Indy500 de 2022, já tem de ser mais observado nesta briga. O piloto sueco já tinha vencido duas corridas em 2021, mas só foi se confirmar mesmo após faturar as 500 Milhas de Indianápolis. E, pelo menos em 2023, Ericsson já começa na frente, tendo vencido em São Petesburgo, mostrando que vai dar trabalho. O time também aposta em um novo nome, Marcus Armstrong, que irá revezar o quarto carro do time com o japonês Takuma Sato, que disputará apenas algumas corridas da temporada, depois de ser titular na competição por muitos anos. Sato, bicampeão da Indy500, parece começar a se despedir da categoria, onde se firmou após deixar a F-1, e pode até surpreender em algum momento, embora não tenha conseguido bons desempenhos recentemente. Mas quando se defende a Ganassi, nunca se pode subestimar seus pilotos. Quem decidiu encerrar sua experiência na Indycar foi Jimmie Johnson, após dois anos competindo pela equipe de Chip Ganassi. O multicampeão da Nascar não conseguiu brilhar nos monopostos como gostaria, apesar de seu grande currículo nos stock cars dos Estados Unidos.

Scott Dixon, da Ganassi (acima) e Josef Newgarden, da Penske (abaixo) querem o título da temporada, mas falta combinar com os rivais na pista.


              E temos a McLaren, que vem crescendo na Indycar, desde que retornou a uma categoria Indy, tendo participado da F-Indy original nos anos 1970. A equipe de Woking se associou à equipe Schmidt/Peterson, mas agora assumiu totalmente o time, e passa a competir com três carros em toda a temporada. Patrício O’Ward é a grande estrela do time, que manteve Félix Rosenqvist, e reforçou seu staff com a vinda de Alexander Rossi. No ano passado, o time venceu duas corridas, e O’Ward só não disputou o título, como fizera em 2021, por não ter mantido a mesma constância, ficando sete corridas fora do Top-10, o que minou suas chances de chegar junto na briga pelos ponteiros. Rosenqvist até melhorou sua performance, mas continuou devendo para o companheiro de equipe, sendo que não fosse a equipe ter perdido a disputa com a Ganassi pelo passe de Palou para este ano, o sueco teria tido que procurar outro lugar para correr em 2023, sendo que, com a estréia da McLaren na Formula-E a partir deste ano, até se aventou a hipótese de Felix defender o time por lá, onde já competiu antes de migrar para a Indycar, hipótese que ele disse que recusaria caso ocorresse. Rossi, por sua vez, teve sua redenção no ano passado, voltando a vencer uma corrida depois de alguns anos de performances apagadas na Andretti, e espera retomar seu protagonismo na nova escuderia, e ele começou bem em São Petesburgo, terminando em 4º lugar, logo atrás de O’Ward, que foi o 2º colocado, e Scott Dixon, o 3º. A McLaren, aliás, por pouco não venceu a primeira corrida do campeonato, onde o mexicano liderava até a penúltima volta, quando o desligamento momentâneo de um dos módulos do motor o fez perder desempenho, permitindo que fosse superado por Marcus Ericsson, e perdendo as chances de vencer na Flórida. Pequenos problemas que a McLaren precisa garantir que não se repitam, se quiserem de fato lutar pelo título, conforme declarou O’Ward.

              E a Andretti? O time de Michael Andretti vem de algumas temporadas de baixa na Indycar, tendo conquistado seu último título há praticamente uma década, com Ryan Hunter-Reay, em 2012. De lá para cá, contudo, apesar de ter chegado perto algumas vezes, o time nunca mais conseguiu conquistar nada, vendo as rivais Penske e Ganassi praticamente monopolizarem as conquistas. A equipe tem potencial, e neste início de temporada, foi uma das estrelas da classificação na primeira corrida, em São Petesburgo, com Romain Grosjean a conquistar a pole-position, e com a Andretti a monopolizar a primeira fila do grid, com Colton Herta na segunda posição. Tudo indicava que a equipe poderia começar 2023 com o pé direito no acelerador. Kirkwood partia de uma promissora 6ª posição em sua estréia no time, enquanto DeFrancesco era apenas o 18º, nada diferente do demonstrado no ano passado. Pode-se dizer que a escuderia merece certo respeito, e não pode ser menosprezada. Contudo, é preciso tentar evitar os azares, mas também, maneirar na pista. Em São Petesburgo, Romain Grosjean e Colton Herta brilharam na classificação, e vinham fazendo bonito na corrida, até que ambos se envolveram em acidentes com os pilotos da Penske. Grosjean, que vinha lutando pela vitória, se enroscou com Scott McLaughlin, quando o neozelandês não aliviou numa tentativa de ultrapassagem do franco-suíço. Já Herta acabou dividindo uma mesma curva com o atual campeão, Will Power, e foi parar no muro. Herta, aliás, tem se caracterizado por apresentar incríveis performances em pistas de rua, mas se acidentando nos muros devido ao excesso de arrojo, seja em disputa de posição, ou mesmo sozinho.

Patrício O'Ward (acima) é o grande nome da McLaren para lutar pelo título mais uma vez, enquanto Will Power, da Penske (abaixo) é o atual campeão da categoria, que tentará o tricampeonato.


              No ano passado, o time conseguiu apenas duas vitórias, uma com Alexander Rossi, e outra com Herta. Mas a inconstância dos pilotos foi fatal para quaisquer maiores aspirações no campeonato, tanto que seu melhor piloto classificado por justamente Rossi, em 9º lugar, enquanto Herta foi o 10º. Grosjean, depois de fazer uma boa temporada de estréia com a Dale Coyne em 2021, não rendeu tanto em sua primeira temporada na escuderia, finalizando o ano em 13º lugar, tendo como melhor resultado apenas um único pódio, em 2º lugar. O time perdeu Rossi para a McLaren, mas reforçou sua posição com Kyle Kirkwood, que vem de boas atuações com o fraco carro da Foyt em 2022. Já o canadense Devlin DeFrancesco, por outro lado, além de maus resultados, também acumulou várias confusões na pista em sua temporada de estréia, precisando justificar sua posição na escuderia. E ele já começou mal 2023, tendo sido um dos primeiros a abandonar em São Petesburgo, ainda que não tenha tido culpa no acidente em que acabou colhido. E Kirkwood não teve melhor sorte, também entrando de mala e cuia em um acidente com Jack Harvey, passando por cima do piloto da Rahal e por pouco não se machucando feio, com o carro decolando por cima do outro. Depois do resultado da primeira corrida, a Andretti precisa de uma reza brava para expurgar essa maré de azar que se abateu sobre a escuderia no início da temporada 2023.

            Nos demais times, pouco a se dizer. A Foyt deu uma pequena melhorara no ano passado, mas segue sendo um dos times mais fracos da competição, de modo que não dá para se esperar muita coisa de seus pilotos, já que os carros não possuem bom desempenho. Já a Rahal luta para voltar ao pelotão da frente, mas parece não conseguir apresentar uma evolução mais constante no grid, necessária para lutar por melhores colocações. A Juncos ampliou sua participação, passando a competir com dois carros em tempo integral na temporada, mantendo seus pilotos da temporada passada. E a Dale Coyne por vezes parece uma verdadeira roleta russa, podendo tanto ir bem em algumas provas como fazer apenas figuração em outras. O time de Ed Carpenter já teve dias melhores na competição, e luta para voltar ao pelotão da frente. Rinnus Veekay é considerado um grande talento, mas andou desandando um pouco em 2022. Ed Carpenter continua correndo apenas as etapas em ovais, sendo que nestas provas o time alinhará novamente três carros, e não dois, com Carpenter substituindo um dos pilotos, como era feito há algum tempo trás.

            Por enquanto, apenas a Dreyer & Reinbold anunciou participação nas 500 Milhas de Indianápolis, este ano fazendo parceria com a Cusick Motorsports, alinhando um carro para Stefan Wilson. Entre os pilotos que participarão apenas da Indy500 temos Marco Andretti, pela Andretti, Katherine Legge, pela Rahal, e Tony Kanaan pela McLaren. Até o presente momento, não houve outros anúncios de pilotos que irão disputar a prova da Brickyard, de modo que temos 32 pilotos confirmados para as 33 vagas do grid.

           A temporada de 2023 traz algumas mudanças e novidades na competição. A primeira delas diz respeito aos pneus utilizados. Os compostos macios utilizados pelos pilotos em circuitos mistos e de rua passam a ter as laterais produzidas com borracha extraída do Guayule, um arbusto comum nos Estados Unidos, tornando os pneus mais ecológicos, passando a ter a cor verde, e não mais a vermelha para distingui-los dos compostos mais duros, que continuam com a tarja preta de costume. serão usados em todos os circuitos de rua – estrearam ano passado em Nashville. Além disso, a corrida no oval de Gateway também marcará a estreia de um segundo composto de pneu, também mais macio, com a mesma regra válida para mistos e pistas de rua, com obrigatoriedade de uso dos dois compostos ao longo da prova. O combustível utilizado na competição será o etanol brasileiro produzido pela Raízen em parceria com a Shell, menos poluente.

            Nas provas em circuitos mistos e de rua onde houver a possibilidade de chuva, os carros passarão a contar com dois pequenos defletores no bico, um novo recurso para ajudar a dissipar a água que é projetada na direção ao aeroscreen, o que estava prejudicando a visibilidade dos pilotos neste tipo de situação. Os cabos que prendem as rodas traseiras à estrutura principal do carro foram reforçadas, tornando mais difícil as rodas escaparem do monoposto em caso de acidente. Já o apoio de cabeça para o piloto no cockpit ficou mais alto nas laterais. A barra de direção também está mais resistente, assim como a estrutura traseira de proteção a impactos, aumentando a segurança do piloto.

Marcus Ericsson venceu a corrida de São Petesburgo e larga na frente na temporada de 2023 da Indycar.

            Outra mudança implantada para este ano traz ainda uma nova opção para os engenheiros das equipes: Nas pistas mistas, será possível usar um segundo bargeboard, aleta na lateral, à frente da entrada de ar dos sidepods, como já acontece nas etapas e,m circuitos ovais curtos. Já nas 500 Milhas de Indianápolis os times poderão instalar um pequeno flap acima da extremidade do difusor. Os pilares que sustentam a pequena asa traseira ganharam um novo desenho, que lhes proporcionará 3 graus a mais de ângulo de inclinação, recurso que lhes permitirá aumentar o downforce, e melhorar as condições de dirigibilidade dos carros em situações de tráfego, promovendo as disputas dos pilotos no meio do pelotão.

            Os novos motores 2,4 Litros biturbo V6 com sistemas de recuperação de energia que estavam previstos para serem introduzidos nesta temporada, depois de terem sua estréia em 2022 adiada, devido aos percalços ocasionados pela pandemia da Covid-19, tiveram um novo adiamento, feito em comum acordo com Chevrolet e Honda, que precisaram de mais tempo para desenvolver adequadamente o novo equipamento, que será introduzido apenas em 2024, também por uma questão de controle de custos. Assim, a categoria continua utilizando os tradicionais propulsores de 2,2 litros já vistos nos últimos anos. Alguns testes já foram feitos com os novos propulsores no ano passado, e mais alguns estão previstos para serem feitos durante este ano, visando a estréia dos motores na próxima temporada.

              Em termos de campeonato, não houve praticamente nenhuma mudança em relação ao ano passado. As provas em pistas ovais continuam em número reduzido na temporada, restritas a apenas 4 eventos, com destaque para as tradicionais 500 Milhas de Indianápolis, e depois as etapas do Texas e de Gateway, além da única rodada dupla de toda a temporada, em Iowa. Mais uma vez, a temporada termina no início de setembro, com início neste último dia 5 de março, comprimindo todo o campeonato em pouco mais de seis meses. O traçado misto de Indianápolis continuará sediando duas corridas, uma em maio, e a outra no mês de agosto. Mas teremos uma novidade dentre as provas, uma vez que a etapa de Detroit, que nas últimas décadas foi realizada em um traçado montado no Belle Isle Park, no Rio Detroit, passará a ser disputada novamente no centro da capital do automóvel dos Estados Unidos, em um novo traçado montado nas ruas da cidade, próximo ao antigo traçado que já foi utilizado tanto pela F-1 como pela antiga F-Indy, na década de 1980.

Romain Grosjean (acima) e Colton Herta (abaixo) são os nomes fortes da Andretti para tentar lutar pelo título.



              Uma mudança este ano é que a Indy500 voltará a ter a pontuação normal da competição, sendo que nos últimos anos, a prova mais famosa do automobilismo americano teve pontuação dobrada. A intenção da mudança é forçar os pilotos a dar mais duro durante todo o certame, e não se valer de uma performance mais destacada nas 500 Milhas para se impulsionar na classificação do campeonato. No ano passado, por exemplo, com a vitória na corrida do oval de Indianápolis, Marcus Ericsson chegou a entrar na luta pelo título, graças a essa pontuação em dobro que recebeu por seu triunfo na Indy500. A pontuação dobrada era aplicada na Indy500 desde 2014, e a regra valia também para a outra prova de 500 milhas do calendário neste período, disputada no trioval de Pocono, além de ser utilizada diversas vezes para a etapa de encerramento da temporada, como forma de esticar a disputa pelo título, mesmo sendo uma corrida comum.

            Como já vimos na primeira corrida, em São Petesburgo, as disputas na Indycar prometem fortes emoções na temporada. A Ganassi saiu na frente, colocando dois pilotos no pódio na corrida da Flórida, com Marcus Ericsson vencendo, e tendo Scott Dixon fechando o pódio em 3º lugar, em outra corrida eficiente, saindo mais atrás do grid. Mas Penske e Andretti, assim como a McLaren, poderiam ter vencido a prova, que foi mais tumultuada do que de costume, com um número expressivo de pilotos ficando pelo caminho devido aos acidentes ocorridos, que foram até mais numerosos do que o normal, por mais que provas em circuitos de rua sejam normalmente mais arriscadas devido à presença dos muros mais próximos, sempre um convite a incidentes e problemas. Felizmente, a próxima corrida será apenas no início do próximo mês, de modo que todos os times poderão recuperar e consertar seus carros danificados, assim como felizmente não houve nenhum piloto ferido em tantas batidas e confusões apresentadas. Quem vai levar o título da temporada? Difícil prever, pois apenas uma corrida só não fornece um panorama previsível para a Indycar, ao contrário do que vemos na Fórmula 1, onde a perspectiva da luta pelo título no presente momento é praticamente inexistente, diante das circunstâncias. Portanto, preparem-se para as disputas na categoria de monopostos dos Estados Unidos, que iniciou 2023 com tudo, e até mais um pouco. E não digam que não foram avisados...

 

TEMPORADA 2023

 

DATA

ETAPA

CIRCUITO

05.03

GP de São Petesburgo

Urbano

02.04

GP do Texas

Oval

16.04

GP de Long Beach

Urbano

30.04

GP do Alabama

Misto

13.05

GP de Indianápolis 1

Misto

28.05

500 Milhas de Indianápolis

Oval

04.06

GP de Detroit

Urbano

18.06

GP de Elkhart Lake

Misto

02.07

GP de Mid-Ohio

Misto

16.07

GP de Toronto

Urbano

22.07

GP de Iowa 1

Oval

23.07

GP de Iowa 2

Oval

06.08

GP de Nashville

Urbano

12.08

GP de Indianápolis 2

Misto

27.08

GP de Gateway

Oval

03.09

GP de Portland

Misto

10.09

GP de Laguna Seca

Misto

 

EQUIPES E PILOTOS

 

EQUIPE

MOTOR

PILOTOS (Nº)

Foyt Enterprises

Chevrolet

Santino Ferrucci (14)

Benjamin Pedersen (55)

Andretti Autosport

Honda

Colton Herta (26)

Kyle Kirkwood (27)

Romain Grosjean (28)

Devlin De Francesco (29)

Marco Andretti (98) **

McLaren

Chevrolet

Patricio O’Ward (5)

Felix Rosenqvist (6)

Alexander Rossi (7)

Tony Kanaan (66) **

Chip Ganassi Racing

Honda

Scott Dixon (9)

Álex Palou (10)

Marcus Ericsson (8)

Marcus Armstrong (11) *

Takuma Sato (11) *

Dale Coyne

Honda

David Malukas (18)

Sting Ray Robb (51)

Ed Carpenter Racing

Chevrolet

Conor Daly (20)

Rinnus Veekay (21)

Ed Carpenter (33) *

Juncos Hollinger Racing

Chevrolet

Callun Illot (77)

Agustin Canapino (78)

Meyer Shank Racing

Honda

Hélio Castro Neves (6)

Simon Pagenaud (60)

Rahal Letterman Lanigan Racing

Honda

Graham Rahal (15)

Jack Harvey (30)

Christian Lundgaard (45)

Katherine Legge (44) **

Penske Racing Team

Chevrolet

Josef Newgarden (2)

Scott McLaughlin (3)

Will Power (12)

Dreyer & Reinbold Racing / Cusick Motorsports

Chevrolet

Stefan Wilson (24) **

 

 

 

(*) = Disputarão apenas algumas corridas

(**) = Disputarão apenas as 500 Milhas de Indianápolis

 

TRANSMISSÃO NO BRASIL E BRASILEIROS NA TEMPORADA

 

              A Indycar manteve suas emissoras na transmissão da categoria no Brasil. Na TV aberta, a TV Cultura segue mostrando as corridas, tendo agora como novidade nas transmissões deste ano a presença da piloto Bia Figueiredo como comentarista em algumas provas, como ocorreu na etapa de abertura da competição, dividindo a bancada com Geferson Kern. Isso diminuiu a participação de Rodrigo Mattar, que atuava como comentarista na emissora nas transmissões.

              Na TV por assinatura, a ESPN continuará mostrando a categoria, que também poderá ser acompanhada pela internet no site de streaming Star+, onde poderão ser vistos também os treinos e classificações, além das corridas ao vivo.

              Já com relação aos pilotos brasileiros no grid, a participação fica praticamente restrita à presença de Hélio Castro Neves, que vai para sua segunda temporada completa na equipe Meyer Shank, tendo como companheiro seu ex-colega de Penske, Simon Pagenaud. Depois de vencer de maneira espetacular a Indy500 de 2021, esperava-se uma melhora nos resultados do time no ano passado, até porque a participação do brasileiro na escuderia era esporádica em 2021. Como o time competiria de forma completa com dois carros toda a temporada, não se esperava resultados vultosos na competição, até porque a Meyer Shank é um time médio na categoria. E foi o que se viu, mas com resultados até aquém do esperado, por vezes devido ao azar, estratégias de corrida equivocadas, além de um desempenho do próprio Hélio que deixou a desejar em alguns momentos.

              Para este ano, a expectativa é de alguma melhora, até porque a equipe tentou se reforçar um pouco, mas na primeira corrida, o azar bateu praticamente em cima do time: tanto Hélio quanto Pagenaud abandonaram logo na primeira volta, colhidos em uma batida coletiva causada por Santino Ferrucci, que acertou o brasileiro e deu início a uma carambola que atingiu também Simon Pagenaud. Espera-se melhor sorte no restante da temporada, até porque Hélio quer se manter na competição, mas agora terá de justificar sua permanência em um novo contrato na competição, seja com a própria Meyer Shank, ou com algum outro time que tenha interesse em seus serviços.

              A outra participação brasileira na Indycar este ano será de Tony Kanaan, que irá defender a McLaren, em um carro extra, nas 500 Milhas de Indianápolis, depois de ter participado nos últimos dois anos pela Chip Ganassi. E Tony já avisou que sua participação deste ano marca sua despedida definitiva da Indycar, depois de pouco mais de vinte anos de participação, tendo sido campeão do certame em 2004, e vencido a Indy500 em 2013. A meta é fazer bonito e lutar por um segundo triunfo na Brickyard Line, saindo por cima. No ano passado, Tony terminou a corrida em 3º lugar, e a McLaren é uma força em ascenção na categoria, o que indica que o baiano poderá ter um equipamento competitivo para brilhar pela última vez no Indianápolis Motor Speedway.

Hélio vai para sua segunda temporada completa na Meyer Shank.

 
Dois acidentes inclusive com quase capotagens marcaram a primeira corrida da temporada da Indycar, mas felizmente ninguém saiu machucado, mostrando a forte segurança dos carros da categoria.


Romain Grosjean e Scott McLaughlin dividiram uma freada na luta pela liderança da prova de São Petesburgo e foram parar ambos na barreira de pneus.