sexta-feira, 22 de março de 2019

AUSTRÁLIA 2019 NA F-1

Com uma largada mais eficiente, Valtteri Bottas superou Lewis Hamilton logo no começo e rumou firme para a vitória no Albert Park.

            Começou a 70ª temporada da Fórmula 1, e o panorama que vimos na primeira etapa do campeonato não foi bem o que muitos esperavam, pelo menos em relação à disputa pela vitória, algo que praticamente não houve no Albert Park na corrida. Nos treinos, já dava para perceber que as suspeitas de que a Mercedes escondeu ritmo nos testes da pré-temporada eram mais do que válidas. Mesmo assim, todo mundo esperava ao menos uma disputa mais próxima pela vitória, como havia ocorrido no ano passado. Foi em vão: Lewis Hamilton e Valtteri Bottas simplesmente deixaram todo mundo comendo sua poeira, com o concorrente mais próximo a 0s7 de distância. Na largada, Bottas tracionou melhor que Hamilton, fez a primeira curva na frente, e foi-se embora, não sendo incomodado pelo inglês até a bandeirada final. Lewis teve sua corrida prejudicada por dois fatores: primeiro, teve parte do assoalho do carro danificado após passar por alguma coisa; segundo, a equipe o chamou muito cedo para o box, temendo que Sebastian Vettel, que havia feito sua parada pouco antes, tentasse dar o bote. O tiro saiu pela culatra para ambos: não só Hamilton não foi ultrapassado pelo alemão, como teve que fazer seus compostos durarem até o fim da corrida. Mas tendo de andar num ritmo mais lento do que gostaria de fazê-lo.
            Isso não tira em nada o mérito da bela performance de Bottas, que comandou a corrida como quis, e ainda fez a volta mais rápida da prova perto do final, garantindo o novo ponto extra incluso no regulamento a quem marca a melhor volta da corrida, desde que termine dentro dos 10 primeiros colocados. Com o carro em ordem e a parada de box no momento correto, Hamilton até poderia ter tentado discutir a vitória, mas muito provavelmente não conseguiria superar o finlandês, que estava em ponto de bala no domingo. Hamilton, por outro lado, ainda teve de dar duro para guarnecer o 2º lugar, acossado por Max Verstappen no fim da corrida. O inglês, porém, não deu chances ao atrevido holandês de tentar alguma coisa.
            Aliás, a performance da Red Bull em sua primeira corrida como time oficial da Honda é digna de elogios, e para ambas as partes. Adrian Newey produziu outro carro de grande qualidade, como costuma fazer, e a Honda parece que finalmente começará a mostrar seu cartão de visitas na disputa pelas primeiras colocações na categoria máxima do automobilismo, como fez nos seus anos de glória entre 1985 e 1992. O propulsor japonês não fraquejou em nenhum momento do final de semana australiano, o que motivou as mais diversas piadas contra a McLaren e Fernando Alonso, que tanto criticaram a unidade de potência nipônica, em que pese o fato de a unidade atual ter pouca coisa em comum com a versão usada nos três anos da recente associação da equipe inglesa com a fábrica de Sakura. Erros da McLaren levados em consideração, a unidade japonesa naqueles dias era realmente problemática, carecendo tanto de potência quanto de confiabilidade, adjetivos que hoje eles podem exibir com mais propriedade, mas depois de um longo aprendizado naqueles tortuosos anos, e também de ter de aceitar ajuda externa para solucionar parte dos problemas, a contragosto.
Kimi Raikkonem, em sua primeira prova pela Alfa Romeo, levou o time à zona de pontuação com uma toada firme e determinada.
            Mas os resultados estão aí, e exibindo uma performance e confiabilidade bem mais aceitável, e impulsionando um dos melhores carros do grid, a Honda poderá começar a deixar aquele momento humilhante para trás. Mas eles ainda mantém os pés no chão, e sabem que o pódio conquistado com o 3º lugar de Max Verstappen não pode ser superestimado, uma vez que Verstappen nunca teve chance de discutir a vitória com Bottas, e só chegou em Hamilton pelos problemas de pneu e de assoalho no carro do inglês. Helmut Marko ainda fala até em disputar o título, mas isso é exagerado. É preciso esperar pelas próximas duas corridas, no mínimo, para vermos se a Red Bull estará de fato forte para isso. Até o presente momento, ninguém pode garantir que eles não conseguissem o mesmo resultado se ainda estivessem sendo impulsionados pela Renault. Há otimismo para um desenvolvimento maior com os japoneses, é verdade. E, para o bem da competição, será muito bem-vinda a Red Bull nesta briga, a se confirmar este potencial, ajudando a esquentar os duelos por vitórias e pódios na F-1. Verstappen, se não arrumar confusão na pista, é sempre um piloto de quem nunca pode se esperar comodismo: ele vai para cima mesmo, ainda que com poucas chances, e o público quer ver pilotos com essa atitude decisiva na pista, e não burocratas ao volante fazendo uma prova sonolenta. Vejamos se, quando Mercedes e Ferrari não tiverem problemas, a Red Bull conseguirá pressioná-los como se precisa para realmente sonharem em disputar o título. Caso contrário, vencer ainda será algo mais circunstancial para o time dos energéticos, como tem sido desde 2014.
            A Ferrari acabou sendo a grande decepção na Austrália, no aspecto técnico e esportivo. Considerando os treinos da pré-temporada, mesmo relativizando as marcas alcançadas, não se esperava que Sebastian Vettel e Charles LeClerc tomassem tanto tempo dos carros da Mercedes. OK, poderíamos esperar um ritmo melhor na corrida, algo que não seria nenhum exagero. Mas nem isso foi possível: Bottas e Hamilton foram-se embora, e a Ferrari ainda azarou a estratégia de corrida de Vettel, chamando-o prematuramente ao box para trocar pneus, obrigando-o a fazer a maior parte do GP com um único set. Mas o carro não se encontrou com os novos pneus, e Vettel foi ficando cada vez mais para trás. Ser superado por Max Verstappen não estava nos planos do alemão, que ainda levou mais um desagravo para casa: só não perdeu posição para LeClerc porque o time proibiu o monegasco de ultrapassá-lo na parte final da corrida, quando estava bem mais veloz. E aqui a Ferrari mostrou total desprezo até por sua palavra: a promessa de que Charles e Sebastian teriam liberdade para disputarem posição na pista virou poeira logo na primeira corrida. Lógico que muitos torcedores caíram de pau em cima do time italiano, que sempre nunca teve pudores de privilegiar um de seus pilotos e, nas palavras de alguns fãs mais exaltados, “sabotar” o outro piloto, impedindo-o de obter resultados melhores.
O dito pelo não dito: a Ferrari se embananou no acerto do carro e ainda renegou a promessa de duelo entre Sebastian Vettel e Charles LeClerc.
            Com a cara de pau que já vimos em outras ocasiões, exibidas por Lucca de Montezemolo e Jean Todt, Mattia Binotto deu explicações nem um pouco convicentes para a atitude tomada pelo time. Mesmo que não fosse possível Charles alcançar Verstappen na pista, ao menos daria moral para o garoto dar tudo de si, só para reforçar ainda mais a justificativa de que Vettel teve problemas em sua unidade de potência, e que não fosse isso, teria andado muito mais rápido. Mas o time italiano meteu os pés pelas mãos, e como desgraça pouca é bobagem, o fato de não terem conseguido entender como não tiveram a performance esperada no Albert Park é um indicativo preocupante, mostrando que não foi só um problema relativo à unidade de potência no carro de Vettel. A frustração dos italianos fica ainda mais patente porque a Ferrari andou muito forte na pista australiana nos dois últimos anos, mostrando que seria muito competitiva no resto do ano. Agora, é correr atrás do prejuízo nas próximas etapas, e torcer de fato para o que vimos no Albert Park ser mesmo um ponto fora da curva, pois do contrário...
            Se as disputas pelas primeiras posições não foram tão empolgantes como se imaginava, pelo menos atrás, a briga foi mais animadora. Que o segundo pelotão iria andar próximo, isso já era uma forte indicação depois dos testes de Barcelona. Ao menos neste ponto, realmente só não tivemos mais disputa porque a pista do Albert Park não colaborou, mas se formos analisar os tempos do grid, da 7ª posição, de Romain Grosjean, da Hass, até o 18º, Carlos Sainz Jr., da McLaren, a diferença de tempo foi de aproximadamente 1s25. Um bom sinal de que realmente o bicho deve pegar nesta parte do grid nos próximos GPs.
            Pelo menos nesta primeira corrida, a Hass saiu na frente, mas por incrível que pareça, voltou a cometer o mesmo erro que acabou com sua corrida na Austrália no ano passado: Grosjean teve de abandonar a corrida por causa de uma das rodas dianteiras, que ficou solta depois da parada no box. Ao menos isso não ocorreu no carro de Magnussen, que chegou em 6º lugar, o último dos que terminaram na mesma volta do vencedor.
Kevin Magnussen levou a Hass à 6ª posição em mais uma boa corrida. Grosjean novamente perdeu uma roda por causa de erros no pit stop.
            Um pouco mais atrás, a Renault negou um pouco de fogo na corrida. Se na classificação Nico Hulkenberg e Daniel Ricciardo quase conseguiram largar entre os 10 primeiros, na prova o carro do time francês mostrou que ainda precisa evoluir se quiser incomodar os times de ponta. Ricciardo, a nova estrela do time, travou um duelo equilibrado no grid com Hulkenberg, piloto da casa nos últimos anos. Mas a corrida do australiano acabou logo na largada, quando foi tentar ultrapassar no limite da pista, e perdeu o bico quando este acertou uma saliência na grama junto à saída do box. Não foi a estréia que Daniel esperava em seu novo time. Hulkenberg fez o que pôde, mas mesmo terminando em 7º, ficou uma volta atrás do vencedor. Se já tínhamos certeza de que o carro de 2019, mesmo mais competitivo, ainda teria um grande déficit a superar para tentar alcançar o trio Mercedes/Ferrari/Red Bull, isso ficou ainda mais evidente, para não mencionar que não dá nem para avaliar se a nova unidade de potência francesa evoluiu de fato como programado, já que o carro não se revelou tão competitivo como esperavam, embora haja boa margem para desenvolvimento, especialmente em ritmo de corrida, onde Hulkenberg mostrou melhor desempenho do que na classificação. E na briga particular com a Honda, a Renault entrou decidida a não ser superada pelos japoneses, algo complicado quando eles equipam agora um dos melhores carros da categoria, o chassi RB15 da Red Bull, o que já lhes dá uma vantagem considerável em termos de potencial de resultados, como vimos em Melbourne.
            Como se não bastasse essa desvantagem, a Renault ainda foi a primeira a sofrer um revés considerável em 2019 no que tange à unidade de potência: Carlos Sainz anotou a primeira quebra de motor da temporada, com menos de 10 voltas de prova, sendo o único piloto que teve este percalço no fim de semana australiano. Para a McLaren, a decepção de constatar que mesmo com a melhora promovida no novo MCL34, o time continuará tendo dificuldades na competição, em virtude da evolução dos adversários. Lando Norris até conseguiu ir para o Q3, mas na corrida, não conseguiu manter posição, e chegar dentro da zona de pontuação. Que o time sabia que não devia sonhar muito, era esperado, mas acho que não imaginavam estarem ainda tão atrás como se viu.
            A Alfa Romeo pode beliscar pontos com regularidade durante o ano. Kimi Raikkonem guiou com garra e determinação, deixando Antonio Giovinazzi na sobra, que ainda por cima teve sua corrida também estragada pela estratégia do time, que o deixou na pista segurando um pelotão de carros mais velozes. Da mesma maneira, Danill Kvyat guiou com a velocidade que lhe garantiu um lugar na Red Bull antes de ser defenestrado pela cúpula do time deslumbrada com Max Verstappen, a ponto do russo conseguir segurar Pierre Gasly atrás de si na parte final da corrida. Alexander Albon também não comprometeu, mas o time B dos energéticos também vai enfrentar um páreo duro no meio do pelotão, como se viu. E até mesmo a Racing Point (que nome mais bobo) conseguiu pontuar em Melbourne, e com Lance Stroll, que teve uma prova mais inspirada que Sergio Perez, mas também deu sorte de todos que vinham atrás dele não terem conseguido chegar a ponto de fazer uma ultrapassagem. Mesmo assim, diante dos problemas que o time teve na pré-temporada, já foi um alento pontuar logo na primeira corrida. Com vários times duelando neste segundo pelotão, com performances próximas, qualquer deslize pode significar chegar várias posições à frente ou não. Nenhuma chance pode ser desperdiçada nessa luta.
            Confirmado mesmo foi a péssima condição da Williams. Os carros de George Russell e Robert Kubica conseguiram ser mais lentos do que os carros da própria escuderia quando comparados ao grid de 2018. Pouca coisa, é verdade, mas quando vemos que todos os outros times evoluíram suas marcas, o time de Grove permaneceu onde estava, se não regrediu, cuja negativa praticamente não alivia em nada. Russel ainda conseguiu um tempo bem melhor do que Kubica, que enfim fez o seu retorno oficial à Fórmula 1. Mas o que deveria ser um sonho, fruto de uma árdua batalha para recuperar condições de voltar a competir na categoria máxima do automobilismo, pode virar mesmo é um pesadelo: Robert ficou 1s7 atrás de Russell no grid, e na corrida ainda perdeu a asa dianteira depois de um toque, precisando de uma parada extra nos boxes para consertar o carro. E, aliás, outro ponto extremamente negativo para a Williams: não havia peças de reposição suficientes para os dois carros, algo impensável na logística de um time que se pretende ser competitivo. Isso obrigou os pilotos a serem um pouco mais conservadores, em outras palavras, mais lentos do que já seriam, para evitar sofrerem algum acidente na hora de pilotar ao máximo. Faltou pouco para os dois carros da Williams não extrapolarem o limite de 107% do tempo do pole-position, o que poderia significar a eliminação dos dois pilotos. Vai ser mesmo um ano complicado em Grove...
Robert Kubica e Daniel Ricciardo tiveram um domingo para esquecer com acidentes onde perderam os bicos dos carros logo no início da prova.
            Infelizmente, a corrida não foi das melhores. Tradicionalmente uma pista difícil de se ultrapassar, nem mesmo as novas regras técnicas facilitaram as disputas no Albert Park. Romain Grosjean foi enfático ao afirmar que seguir o carro da frente ficou mais fácil, mas nem por isso as ultrapassagens ficaram mais fáceis. E até mesmo o DRS com maior abertura também não propiciou oportunidades tão mais vantajosas como no ano passado. Ao menos, o consolo de saber que a pista australiana tem particularidades próprias ajuda a ter esperança de que nas próximas etapas, em especial nos circuitos de verdade, as novas asas e DRS possam oferecer condições reais de melhora das disputas.
            Da mesma maneira, poderemos conferir se a Mercedes tem mesmo toda a força demonstrada em Melbourne, ou se Ferrari e até Red Bull conseguirão vir para a briga. E também poderemos confirmar se o segundo pelotão será a salvação das corridas na busca por emoção em duelos na pista, pelo nível de proximidade de pelo menos 6 escuderias que deverão lutar como nunca pelas posições secundárias logo após o trio de favoritos, e quem sabe, até se intrometendo no meio deles, na melhor das hipóteses. Talvez esteja sendo otimista até demais, mas é preciso sempre ter esperança. E a torcida continua a mesma: que possamos ter um bom campeonato, apesar de tudo!


O 3º lugar de Max Verstappen na Austrália foi o melhor resultado da Honda desde o seu retorno à F-1 em 2015. E o primeiro pódio da marca desde o GP da Inglaterra de 2008, obtido por Rubens Barrichello, quando a Honda competia com um time próprio, e o carro naquela temporada era um horror, pouca coisa melhor do que o do ano anterior. Desta vez, ao contrário daquele ano, a Honda pelo menos equipa um carro de respeito, e novos pódios devem pintar em breve neste ano...

quarta-feira, 20 de março de 2019

ESPECIAL INDYCAR 2019


            Na última matéria especial sobre campeonatos de 2019 deste mês, o assunto é a Indycar, que se prepara para disputar sua segunda corrida neste final de semana, em um novo circuito que estréia no calendário da competição de monopostos norte-americana, o belíssimo Circuito das Américas, que acertou a realização de uma etapa da categoria por cinco anos. Confiram no texto um pouco do que esperar para este ano, além do calendário completo e a lista de pilotos, e boa leitura a todos...


INDYCAR 2019

Campeonato promete batalha renhida entre Penske, Andretti e Ganassi pelo título mais uma vez.

Adriano de Avance Moreno

São Petesburgo mais uma vez abriu o campeonato da Indycar em seu circuito de rua.
            Tradicionalmente mais equilibrado entre as equipes e seus pilotos, o campeonato da Indycar também deverá ter sua divisão “A” e a divisão “B” na luta pelo título da temporada. A diferença é que a distância entre eles não é tão discrepante quanto na F-1, mas mesmo assim, há uma diferença de nível entre os principais times do grid e os demais competidores, como já se tem notado nos últimos anos.
            Por “Divisão A” entenda-se o trio de ponta da categoria, composto pelas equipes Penske, Andretti, e Ganassi. Só estas três escuderias ocupam 9 vagas no grid, e até dois anos atrás, eram 12, com cada time contando com nada menos do que 4 pilotos na pista, praticamente metade do grid regular da Indycar. Roger Penske, mesmo sem ter necessidade, em vista o poderio econômico de seu time, resolveu cortar um de seus carros, e mandou Hélio Castro Neves para o campeonato de Endurance dos Estados Unidos, o IMSA Wheater Tech Sportscar, onde passou a competir também com um time próprio. Ficaram somente seus pilotos campeões, Josef Newgarden, Will Power, e Simon Pagenaud.
            No time de Michael Andretti, o número de carros permaneceu o mesmo: Ryan Hunter-Reay segue firme, assim como Alexander Rossi, nova estrela da categoria. Marco Andretti continua porque é filho de Michael, mas já teve melhores dias na categoria. E Zach Veach é um novo talento que ainda busca mostrar do que é capaz. E Chip Ganassi, que antes competia com dois carros, resolveu manter apenas dois a partir do ano passado, contando com Scott Dixon, o atual campeão, e a nova promessa Felix Rosenqvist.
            No ano passado, das 17 provas, apenas 3 não foram vencidas por pilotos deste trio de equipes. Sebástien Bourdais faturou a corrida inicial, em São Petesburgo, defendendo a Dale Coyne; James Hinchcliffe venceu a etapa no oval de Iowa; e Takuma Sato, da Rahal Letterman Lannigan, triunfou na pista de Portland. Destes, o melhor classificado no campeonato foi Bourdais, em 7º, com 425 pontos. Para comparar, Scott Dixon foi campeão com 678 pontos, uma diferença de 253 pontos. Takuma Sato foi o 12º no campeonato, o pior classificado entre os vencedores de corridas, com 351 pontos.
Josef Newgarden e a Penske venceram o duelo na primeira corrida da temporada, mas Scott Dixon ameaçou forte nas voltas finais.
            E tal disputa deve se repetir este ano. Na etapa inicial, em São Petesburgo, Penske, Andretti e Ganassi se sobressaíram sobre os demais, ainda que sem um domínio tão veemente quanto se tem visto na F-1 entre o trio Mercedes/Ferrari/Red Bull e os demais times. Tanto que entre os 10 primeiros colocados, tivemos 4 pilotos dos outros times.
            Ao menos, o panorama da competição na luta pelo título será bem mais aguerrido e disputado do que na categoria máxima do automobilismo. Na Penske, todo mundo tem capacidade e equipamento para ser campeão. Josef Newgarden e Will Power mostraram grande exibição na corrida inicial, e só não fizeram dobradinha para o time de Roger Penske porque Scott Dixon mostrou que não é pentacampeão da categoria à toa, fazendo uma perseguição feroz a Newgarden na parte final da corrida, e deixando Power para trás. Em compensação, Simon Pagenaud foi o “lanterna” do time, terminando apenas em 7º lugar. Felix Rosenqvist, recém-chegado à competição, adaptou-se rapidamente ao time de Chip Ganassi, e só não foi mais longe porque seu parceiro de time é Dixon, o piloto mais completo do certame, que mostra que não apenas sabe ler a corrida como ninguém, e poupar equipamento, como sabe atacar nos momentos certos, e com muita determinação.
            Se o time da Penske intimida por possuir um grupo de pilotos talentosos e com um equipamento desenvolvido ao extremo, no ano passado o time de Chip Ganassi teve sua força contestada após reduzir sua operação de 4 para 2 carros, com ênfase em Scott Dixon, concentrando seus recursos no piloto neozelandês. E Dixon, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo time, não renegou a responsabilidade, e mostrou porque teve a preferência do velho Chip: foi novamente campeão, apesar de em várias corridas não ter tido um equipamento à altura dos resultados que conquistou. Com a moral renovada, a Ganassi contratou Felix Rosenqvist para ser o novo companheiro de Dixon, e o sueco, egresso da Formula-E, onde fez belas corridas, mostrou a que veio logo de cara, andando quase tão forte quanto Scott, e mostrando que a Ganassi voltou a ser um time de dois pilotos com força para disputar o título.
            Em compensação, o time de Michael Andretti, apesar de ter mantido sua operação com quatro pilotos em tempo integral na competição, exibe uma divisão de forças em suas fileiras. Alexander Rossi, vice-campeão no ano passado, é o novo astro do time, e em 2018 mostrou ser bem arrojado, levando o time a três vitórias, e impondo-se como postulante ao título na segunda metade do campeonato, muitas vezes mostrando ter um carro muito bem acertado. Já Ryan Hunter Reay, veterano do time, ainda mostra que sua experiência não pode ser desprezada, tendo vencido duas corridas no ano passado, e por pouco não disputando o título, que venceu em 2012. Em compensação, Marco Andretti não tem exibido boas campanhas nos últimos anos. E Zach Veach, o novato do time, precisa ainda mostrar a que veio, de modo que não se pode contar com ele ou Marco para disputarem o título. Como na Penske Simon Pagenaud, apesar de já ter sido campeão estar devendo melhores resultados desde o ano passado, podemos dizer que temos potencialmente 6 pilotos com capacidade para lutar pelo título, dois de cada time, não apenas a nível de talento, mas também, e principalmente, a nível de equipamento, tendo plenas condições de entrar firme nessa briga.
            No meio do pelotão, as melhores chances de bons resultados devem recair sobre os pilotos da Rahal/Letterman/Lannigan, Graham Rahal e Takuma Sato; da Schmidt/Petterson, com James Hinchcliffe; e da Dale Coyne, com Sebástien Bourdais. Estes pilotos já tiveram bons desempenhos nos últimos anos, e mesmo que não tenham conseguido lutar pelo título, podem se intrometer na luta dos times líderes, ajudando a quebrar a monotonia das corridas, muito mais do que se pode ver na F-1, onde nos últimos anos é quase impossível ver outro time que não seja do trio Mercedes/Ferrari/Red Bull não monopolizar as posições do pódio.
Scott Dixon: pentacampeão da categoria, é um dos favoritos ao título, pela Ganassi.
            No aspecto técnico, Chevrolet e Honda continuam como os únicos fornecedores de motores, e a marca japonesa, depois de faturar o título do ano passado com Scott Dixon e a Ganassi, entrou em 2019 com vantagem na competição, pois dos times grandes, equipa os carros de Chip Ganassi, e de Michael Andretti. À Chevrolet, restou a Penske, que não pode ser desprezada, mas tornou-se a única força da marca norte-americana na competição. Nos testes, inclusive, se viu uma certa pequena superioridade da Honda sobre a Chevrolet, que até se confirmou nos treinos livres da etapa inicial em São Petesburgo. Mas na hora da classificação, a Penske mostrou sua força, arrebatando a pole-position, e mostrando que não pode ser ignorada pelos rivais. Contando com uma excelente estratégia de corrida, Josef Newgarden venceu a prova, e Will Power fechou o pódio com uma boa performance. O tom destoante foi Simon Pagenaud, apenas em 7º lugar, em outro resultado em que o francês ficou devendo perante os companheiros de equipe. E a Honda esteve firme com Scott Dixon em 2º lugar, que poderia ter virado primeiro, se Newgarden tivesse cometido o menor erro na parte final da competição, quando o neozelandês vinha com tudo na perseguição ao norte-americano.
            Fica a expectativa de como se dará o duelo nas pistas ovais. A primeira prova neste tipo de circuito será justamente as 500 Milhas de Indianápolis. Depois de tornar as corridas nos ovais menos disputadas do que se esperava no ano passado, os aerokits passaram por algumas mudanças nas regras, permitindo aos times uma maior flexibilidade nos ajustes, com vistas a permitir que os carros possam andar mais juntos neste tipo de pista, e consequentemente, melhorar a emoção das corridas. A Indy500 não foi uma corrida tão empolgante como costumava ser em 2018, por isso, será preciso esperar para ver se as mudanças surtirão efeito.
            Apesar de tudo, o certame da Indycar parece encontrar o seu caminho. Temos um novo time na categoria, a Dragonspeed, que tem como piloto o igualmente novato Bem Hanley, que acabaram sendo os lanternas na corrida de estréia na Flórida. Em compensação, a McLaren e Fernando Alonso estarão de volta para a disputa da Indy500 este ano, depois do furor causado pela participação do asturiano na etapa de 2017. Desta vez, porém, a empreitada da McLaren será em parceria com o time da Carlin, e utilizará motor Chevrolet. Na participação de Fernando em 2017, a McLaren fez uma parceria com o time de Michael Andretti, e correu com motor Honda. Alonso até fez bonito, e tinha tudo para conseguir um bom resultado, quando seu motor, a exemplo do que acontecia com seus homônimos na F-1, o deixou a pé depois de quebrar.
Sebástien Bourdais segue na Dale Coyne.
            Com relação à transmissão nos Estados Unidos, a NBC e seu canal pago NBC Sports exibirão as corridas do campeonato, sendo 9 delas no canal por assinatura, e as oito restantes no canal aberto, o que deve dar uma incrementada na audiência da categoria.
            No campeonato, Detroit continua sendo a única rodada dupla do ano, e mais uma vez, por receio de competir com outros esportes na TV dos Estados Unidos, o certame novamente termina no mês de setembro. Continuam as 17 etapas, com um circuito oval a menos: depois da corrida sonolenta do ano passado, o pequeno oval de uma milha de Phoenix foi rifado do calendário. Em compensação, duas novas pistas estréiam: a primeira delas é o Circuito das Américas, em Austin, no Texas. Concebido especialmente para sediar o Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1, a bela pista texana também já sedia prova do Mundial de MotoGP, e a partir deste ano, receberá os Indycars em seu deslumbrante traçado, tendo já recebido testes das escuderias na pré-temporada.
            Outro circuito que faz sua estréia na competição é um conhecido da velha guarda dos fãs. Laguna Seca, na Califórnia, volta a sediar uma prova de categoria Indy, depois de 15 anos. A pista californiana estreou em 1983, no calendário da F-Indy original, onde esteve presente até a temporada de 2004. Dos pilotos do grid atual da Indycar, apenas três pilotos competiram em Laguna Seca: Scott Dixon, o atual campeão; Tony Kanaan; e Sebástien Bourdais. Entre os destaques a pista está a famosa curva Saca-Rolha, logo após o ponto mais elevado do traçado, e em descida quase às cegas. Laguna Seca encerrará o campeonato, em 22 de setembro, ocupando o lugar que até o ano passado era de outra pista da Califórnia: Sonoma, que deixou a competição em virtude dos custos de realização da prova.
Laguna Seca substitui Sonoma como palco final da temporada, em setembro.
            A pista de Infineon, contudo, vinha desagradando pilotos e público nos últimos tempos, devido às dificuldades de ultrapassagem, que deixava a corrida sem muitas opções em termos de duelos. Espera-se que o circuito de Laguna Seca possa propiciar disputas mais emocionantes e acirradas entre os competidores.
            Para 2020, é esperada a entrada de Surfer’s Paradise, na Austrália, outra pista usada pela antiga F-Indy, e que recebeu a IRL (atual Indycar) apenas em 2008, como prova extra-campeonato, para honrar o contrato assinado com a finada Indy original. As negociações estão em andamento, mas até o momento, ainda nada está oficializado. A única certeza com relação a novas etapas é que o Brasil está fora do radar da organização da categoria, sem perspectivas do nosso país voltar a sediar uma corrida nos próximos anos. Uma das justificativas é o momento ainda incerto da economia brasileira, mas o que realmente pesa foi o modo como ocorreram as tratativas para a disputa de uma corrida em nosso país da última vez, com a prova sendo cancelada pelos desmandos oriundos das picaretagens perpetradas pelos políticos.
            Enquanto isso, o jeito é curtir o campeonato com as provas nos Estados Unidos e Canadá. As emoções já começaram, e o ano tem tudo para exibir boas disputas. E neste próximo domingo os carros da categoria acelerarão na primeira etapa a ser disputada no Circuito das Américas. Que vença o melhor!

EQUIPES E PILOTOS DA TEMPORADA

EQUIPE
PILOTOS
MOTOR
Penske Racing Team
Josef Newgarden
Simon Pagenaud
Will Power
Hélio Castro Neves (*)
Chevrolet
Chip Ganassi Racing
Scott Dixon
Felix Rosenqvist
Honda
Andretti Autosport
Ryan-Hunter Reay
Marco Andretti
Alexander Rossi
Zach Veach
Honda
Rahal Letterman Lannigan
Graham Rahal
Takuma Sato
Jordan King (****)
Honda
Foyt Enterprises
Tony Kanaan
Matheus Leist
Chevrolet
Dale Coyne Racing
Sebastien Bourdais
Santino Ferrucci
James Davison
Honda
Carpenter Racing
Ed Carpenter (**)
Ed Jones
Spencer Pigot
Chevrolet
Juncos Racing
Rene Binder (***)
Kyle Kaiser (***)
Chevrolet
Carlin
Max Chilton
Charlie Kimball (***)
Patricio O’Ward
Chevrolet
Schmidt Peterson Motorsports
James Hinchcliffe
Marcus Ericsson
Honda
Harding Racing
Colton Herta
Honda
Meyer Shank Racing
Jack Harvey
Honda
Dragonspeed
Ben Hanley
Chevrolet
McLaren
Fernando Alonso (****)
Chevrolet
Clauson Marshall
Pippa Man (****)
Chevrolet
Dreyer & Reinbold Racing
Sage Karan (****)
Chevrolet
(*) = Somente nas corridas em Indianápolis
(**) = Apenas provas em pistas ovais
(***) = Disputará apenas algumas corridas
(****) = Disputará apenas as 500 Milhas de Indianápolis

CALENDÁRIO DA INDYCAR 2019

DATA
CORRIDA
CIRCUITO
TIPO DE PISTA
10.03
GP de São Petesburgo
São Petesburgo
Urbano
24.03
GP Clássico da Indy
Circuito das Américas
Misto
07.04
GP do Alabama
Barber Motorsport Park
Misto
14.04
GP de Long Beach
Long Beach
Urbano
11.05
GP de Indianápolis
Indianapolis Motor Speedway
Misto
26.05
500 Milhas de Indianápolis
Indianapolis Motor Speedway
Oval
01.06
GP de Detroit
Belle Isle Park
Urbano
02.06
GP de Detroit
Belle Isle Park
Urbano
08.06
GP do Texas
Texas Motor Speedway
Oval
23.06
GP de Road America
Elkhart Lake
Misto
14.07
GP de Toronto
Toronto
Urbano
20.07
GP de Iowa
Iowa Speedway
Oval
28.07
GP de Mid-Ohio
Mid-Ohio Sportscar Course
Misto
18.08
500 Milhas de Pocono
Pocono Raceway
Oval
24.08
GP de Gateway
Gateway Motorsports Park
Oval
01.09
GP de Portland
Portland International Raceway
Misto
22.09
GP de Monterrey
Laguna Seca Raceway
Misto

OS BRASILEIROS E A TRANSMISSÃO NO BRASIL

            Pelo segundo ano consecutivo, os torcedores não podem esperar por grandes resultados dos nossos representantes, que formam a dupla titular da equipe de A. J. Foyt, que apesar de mais entrosada que em 2018, já admitiu que terá outro ano difícil e complicado pela frente. Tony Kanaan segue firme como líder do time na pista, compartilhando sua experiência e conhecimento com Matheus Leist. O ponto positivo é que ambos se dão muito bem, e darão o melhor de si para conseguirem os melhores resultados para o time na pista. O problema é que a Foyt parece negar fogo no quesito evolução, e nos testes da pré-temporada, os resultados não foram animadores, e na corrida inaugural, em São Petesburgo, ambos largaram do fundo do grid, e apesar do esforço de Tony para conseguir chegar mais à frente, a estratégia junto ao time não funcionou como deveria. A meta é tentar chegar regulamente dentro dos TOP-10, mas parece que isso será bem complicado. Ao menos a Foyt sabe que tem mais pilotos que competitividade, e sabe que se ambos não andam mais do que tem demonstrado, a culpa maior é da escuderia.
Tony Kanaan (acima) e Matheus Leist (abaixo) tiveram um fim de semana para esquecer em São Petesburgo, confirmando que a temporada será complicada para a Foyt.
           Hélio Castro Neves, ainda firme no campeonato do IMSA Wheater Tech Sportscar, tem presença garantida nas etapas de Indianápolis, na prova do circuito misto, e claro, nas 500 Milhas de Indianápolis. Alguns especulam que o brasileiro poderia voltar à categoria em tempo integral, se Simon Pagenaud continuar tendo resultados abaixo da média dos companheiros de equipe de novo este ano, mas a possibilidade de Roger Penske “roubar” Alexander Rossi do time de Michael Andretti é uma possibilidade que já ronda os bastidores da Indycar, e o novo astro da competição poderia substituir o francês no próximo ano. Tudo depende, entretanto, se Pagenaud voltará a demonstrar a garra e determinação que o levaram ao título há três anos.
            Pietro Fittipaldo, que no ano passado disputou algumas corridas, não repetirá a participação este ano, em virtude de ser piloto de testes e de desenvolvimento da equipe Hass na F-1. Como em 2018 o acidente sofrido em Spa-Francorchamps no Mundial de Endurance prejudicou o seu ano, devido ao tempo necessário para recuperação, o neto de Émerson Fittipaldi preferiu se concentrar na sua função no time de Gene Hass, e não arriscar sofrer outro percalço competindo em outra categoria.
            No que tange às transmissões das corridas, a Bandeirantes vai manter o mesmo esquema dos últimos anos, com algumas corridas sendo exibidas na TV aberta, enquanto o restante fica para o canal pago Bandsports. Eduardo Vaz continua como narrador, após assumir a função no ano passado. E, para substituir Felipe Giaffone, que foi para o SporTV, a emissora pelo menos escolheu um profissional mais do que capacitado para ocupar a função de comentarista: Celso Miranda, que tem mais de 20 anos de intimidade com as categorias Indy. Ao menos fizeram um bom trabalho na transmissão da abertura do campeonato, inclusive com o Bandsports mostrando um programa especial sobre a competição, e ocupando boa parte do programa Supermotor, transmitido logo antes da prova. Só faltou mesmo ter a presença de um repórter na Flórida para tornar a cobertura mais completa, mas pena não ter passado esse material no canal aberto.
            Os fãs da velocidade, aliás, terão outra opção em breve. O serviço de streaming DAZN anunciou que transmitirá a categoria para o Brasil este ano, pela internet, e também para os países do Canadá, Reino Unido, Japão, Espanha, Suécia, França e Nova Zelândia. Mas o DAZN ainda parece estar montando o time de transmissão, pois no site o campeonato da Indycar ainda não aparece na relação de esportes disponíveis.
            A transmissão do DAZ ao menos seria uma compensação por não haver disponibilidade para o Brasil da transmissão da Indycar que passou a ser feita no site oficial da competição, anunciado às vésperas dos treinos da prova de São Petesburgo. A Indycar anunciou a transmissão on-line no site da categoria para o Canadá e para a América Latina, à exceção do Brasil, devido ao contrato de transmissão em vigor com o grupo Bandeirantes, a exemplo do serviço de streaming oficial da Fórmula 1, que igualmente não está disponível em nosso país, devido ao contrato da categoria com a TV Globo.
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