sexta-feira, 20 de maio de 2016

FAZENDO HISTÓRIA


Max Verstappen entrou para a história da F-1 ao vencer o Grande Prêmio da Espanha no domingo passado. É o mais jovem piloto a vencer um GP.

            A Fórmula 1 fez história no último domingo ao vermos a vitória do seu mais jovem piloto de todos os tempos. Com 18 anos, 8 meses e 15 dias, o holandês Max Verstappen conquistou seu primeiro triunfo competindo em sua primeira corrida ao volante de um carro de ponta na categoria máxima do automobilismo mundial. E olhe que, há poucas semanas, ele estava pilotando a Toro Rosso, o time “B” da empresa de bebidas energéticas Red Bull. Promovido à equipe “matriz” numa manobra pouco respeitosa de Helmut Marko, que aproveitou para “livrar-se” de Daniil Kvyat, o jovem holandês e garoto sensação foi palco dos holofotes no paddock da Catalunha, primeiro pelos motivos mais constrangedores possíveis, e depois, pelo mais fino êxtase do resultado da competição na pista.
            Se é verdade que Max só venceu porque a dupla da Mercedes ficou fora de combate, isso não diminui em nada a competência que o jovem holandês exibiu na pista desde o primeiro treino livre na sexta-feira, quando começou não apenas a encostar nos tempos obtidos por Daniel Ricciardo, como até a colocar tempo em cima do australiano, que chegou na Red Bull há dois anos fazendo a mesma coisa com Sebastian Vettel, nada menos do que um tetracampeão do mundo consagrado. E não importa também dizer que se não fosse a estratégia errada que derrubou Ricciardo e Vettel na pista, com uma parada a mais, ele não teria vencido. Ele estava no lugar certo, no momento certo, e enquanto esteve na pista, se portou como um veterano, segurando nas voltas finais a pressão de Kimi Raikkonem, da Ferrari, que todos davam como certo que ultrapassaria o jovem holandês, e que isso seria apenas questão de tempo. Mas, Kimi não conseguiu dar o bote. A pista de Barcelona é ruim para ultrapassagens, e nem mesmo a nova regra de opção de pneus para a corrida ajudou muito neste quesito. Mas Verstappen não cometeu um erro sequer, e não permitiu a brecha que poderia ter lhe feito perder a posição.
            Venceu com méritos em sua estréia na Red Bull, que vem recuperando sua competitividade nesta temporada, a ponto de discutir com a Ferrari quem é a segunda força do grid no momento, e com um motor que ainda deve maior potência às unidades italianas de Maranello, vejam só. Max Verstappen já vinha impressionando desde a sua entrada na F-1 no ano passado, com apenas 17 anos. Muitos consideravam temerário a entrada de alguém tão jovem na principal categoria automobilística do mundo, e até certo ponto, tinham alguma razão, como se viu no acidente causado pelo rapaz em Mônaco. Mas Max soube acertar o ponto, e parou de bater tanto, coisa até certo ponto natural para um estreante na categoria. E ele começou a atrair as atenções de outros times.
            Foi o que bastou para Helmut Marko, numa jogada por muitos considerada suja e desleal, de rebaixar Kvyat para a Toro Rosso, e trazer o holandês para o time principal, o que muitos já consideravam certo para 2017. Não mudo minha opinião sobre a patifaria que Marko fez com Kvyat, que merecia um pouco mais de respeito, até porque não era exatamente um barbeiro na pista: havia sido 3° colocado em Shanghai, na corrida anterior. Isso foi sumariamente desconsiderado pelo dirigente, e o russo só não foi despedido porque, culpa máxima de Marko, que adora “queimar” os pilotos quando acha que estes não rendem o que ele acha que devem, a Red Bull não tinha a rigor ninguém para ocupar o lugar que ficaria em aberto. Pior para Kvyat é saber que, diante das circunstâncias ocorridas, ele poderia ter vencido a prova espanhola. Não é algo impossível: bastaria ele pilotar da mesma maneira como fez na China, o que não seria nada fora do normal. Mas, quis o destino que as coisas corressem de modo diferente, e se teve um ganhador e um perdedor nesta história toda, quem perdeu realmente foi o jovem russo, que muito provavelmente terá de procurar emprego no próximo ano. Ele teve a dificuldade maior no fim de semana, de se familiarizar com um carro que não conhecia direito, e ter de fazer o melhor possível. Ficou bem atrás de Carlos Sainz Jr., e de nada adiantará para Helmut Marko ele ter feito a melhor volta da corrida catalã. O dirigente neste momento está mais do que inebriado com sua atitude, ao ver o triunfo de seu novo protegido, e para tanto, dane-se o que o mundo possa pensar dele. O triunfo de Verstappen apenas avaliza seu gesto, goste-se ou não dele. Não que Verstappen tenha tido um fim de semana fácil em Barcelona, mas quando você pilota um carro de equipe de performance média, e passa a guiar um carro de um time de ponta, com performance superior, a adaptação é sempre mais fácil do que o caminho inverso.
            Mesmo assim, muitos se questionavam o que o jovem holandês poderia fazer efetivamente ao volante de um carro como o da Red Bull. Se o jovem holandês ainda cometia alguns erros, como na Austrália, quando por pouco não tirou ele e seu companheiro Carlos Sainz Jr. da corrida em uma disputa de posição, guiando para o time matriz a tolerância a erros seria infinitamente menor. Ele teria de ser o mais perfeito possível. Para os demais pilotos, que já conhecem o estilo arrojado de Max, seria ter de tomar cuidado redobrado com ele largando muito mais à frente, e com sua já conhecida fome de competição, acabar exagerando na dose e provocando um acidente. Felizmente, nada de anormal aconteceu, e Verstappen teve um domingo que nunca mais esquecerá. E a F-1 muito menos...
            Seu recorde de precocidade dificilmente será batido, ainda mais porque a FIA baixou nova regra impondo a idade mínima de 18 anos para os futuros pilotos que estrearem na F-1. Seria preciso que um piloto estreasse com essa idade, e obrigatoriamente em um time de ponta, para conseguir ter as condições de superar esta marca. Curiosamente, Sebastian Vettel, que era até então o piloto mais jovem a vencer na F-1, em 2008, ao volante de uma Toro Rosso, o Grande Prêmio da Itália, tenha até motivos para se arrepender de ter reclamado com Christian Horner da barbeiragem de Kvyat na prova russa: além de ver seu recorde de precocidade na categoria ir pelos ares, ele agora terá mais um adversário duro de doer na pista, em um momento em que seu ex-time começa a dar mostras de que pode andar à frente da esquadra de Maranello. E, se isso se confirmar, até porque a Renault prepara-se para colocar na pista uma nova unidade de potência ainda mais desenvolvida, que segundo dizem, deve diminuir consideravelmente sua desvantagem para as unidades de Mercedes e Ferrari, Verstappen será mais uma pedra no sapato para tirar o sono dos ferraristas, que não engoliram muito bem a derrota sofrida domingo passado em Barcelona.
            O que podemos esperar de Max Verstappen a partir de agora? A se confirmar a evolução firme da Red Bull, podemos dizer que o jovem holandês terá pela frente a tarefa de bater Daniel Ricciardo com frequência. O piloto australiano já mostrou do que é capaz, e não fosse ser surpreendido pela estratégia de duas paradas de Max, certamente chegaria à sua frente. Na classificação, Daniel colocou o jovem holandês em seu devido lugar ao conseguir um tempo 0s4 mais rápido no grid, o que não desmerece Max. Mas no dia em que nada der errado com Ricciardo, Verstappen precisará mostrar do que poderá fazer frente a seu parceiro de equipe, inclusive podendo ter de dividir curvas com ele. E que tenha em mente que resultados como o da Mercedes, que viu seus dois pilotos baterem em Barcelona, poderão não ser exatamente apreciáveis pela direção da equipe, que quer ver sua nova estrela brilhar intensamente, mas no sentido positivo da palavra, e não no negativo. Ricciardo já mostrou como dividir curvas sem causar um acidente e ainda mostrar-se leal na pilotagem, ainda que Sebastian Vettel tenha outra opinião sobre isso em relação ao último domingo. Verstappen precisará mostrar esse traquejo também.
            Não dá para dizer que a Red Bull vai vencer com frequência tão já. A Mercedes ainda é o time e carro a ser batido, mas todos já afirmam que o modelo RB12 tem o melhor chassi do grid, para conseguir o que vem fazendo com um motor que ainda deve em potência aos alemães e italianos. Mas se conseguir chegar mais perto, podem apostar que irá tirar o sono de seus dirigentes. E que Max, mantendo a cabeça firme no lugar, e sabendo aproveitar as oportunidades que certamente aparecerão, irá vencer em muitas outras ocasiões. Será questão de tempo marcar sua primeira pole, assim como novos triunfos certamente. E com a idade que tem, poderá alcançar marcas ainda mais expressivas na F-1. Espera-se apenas que ele não seja um destes brilhos fulgurantes que surgem na categoria de tempos em tempos, que tão logo surgem, às vezes ainda mais rápido se apagam. Não que ele não tenha talento, longe disso, mas que a F-1, na maioria das vezes, consegue se superar em acabar com as carreiras de alguns grandes pilotos. Max até agora vem conseguindo ter a sorte de mostrar seus resultados e ganhou um belo prêmio nestas duas últimas semanas. Que siga tendo boa estrela na competição, e brinde a todos com outras grandes exibições como a de Barcelona.
            E é em momentos como estes que a F-1 volta a empolgar um pouco como nos velhos tempos, mostrando um momento que já entrou para o anais do automobilismo. Sensação que anda meio em baixa devido aos desmandos e ao excesso de frescura que imperam na categoria hoje em dia, mas que de vez em quando, ainda se permite a mostrar porque a F-1 surpreende ao mostrar do que é capaz.
            Vida longa ao jovem Max Verstappen...

Lewis Hamilton bobeou na largada e Nico Rosberg assumiu a ponta, mas depois o alemão precisou ajustar seu motor e defendeu um pouco tarde sua posição, com Hamilton já embutido em sua traseira. Sobrou para os dois...

Lewis Hamilton perdeu mais uma chance de tentar reagir no campeonato da F-1, e vê seu parceiro Nico Rosberg cada vez mais forte na competição. Mas o tricampeão sabe que não pode perder a cabeça, e na Espanha, houve erros de ambos que acabaram resultado na eliminação da dupla da Mercedes da corrida. Culpa por culpa, Hamilton ficou com a maior parte: largando na pole-position da prova, o inglês tentou fechar a porta para Rosberg, que largou em 2° lugar, e com isso foi para o lado sujo da pista, o que a meu ver era desnecessário, pois foi perdendo um pouco da tração. Nico aproveitou para vir para o lado limpo e, com mais grip, conseguiu chegar à 1ª curva à frente de Hamilton. Mas aí, Nico se viu vítima do seu erro de ajuste do motor, feito no grid, e nos poucos momentos que levou para reajustar sua unidade de potência, Lewis praticamente embutiu no parceiro, que numa defesa de posição legítima, foi para a direita, em um momento onde o inglês já vinha por aquele lado, e não conseguiu diminuir a velocidade, saindo para a grama e perdendo o controle do carro, acabando por atingir o de Rosberg em sua saída de pista descontrolada. Faltou “momentum” para Hamilton na operação: vendo que Rosberg estava fechando pela direita, ele deveria ter mudado imediatamente para o lado esquerdo, que aliás naquele ponto era o traçado ideal de corrida, e muito provavelmente, teria boas chances de efetivar a ultrapassagem e assumir a ponta. Acabou não fazendo, e ambos acabaram de fora da corrida. O prejuízo só não é grande porque a Mercedes está deitando e rolando na competição, e não vai ser o abandono duplo de uma corrida que irá pôr o favoritismo do time alemão em xeque. Mas rolou uma conversa privada no motorhome com os dois pilotos e a direção da equipe onde certamente o time deve ter dado um puxão de orelhas e posto panos quentes na discussão. A diferença de 43 pontos de Rosberg sobre Hamilton se manteve, mas o inglês agora tem uma prova a menos para tentar tirar a diferença, e acabou superado por Kimi Raikkonem na classificação. E pelo menos a FIA agiu certo com relação à batida, encarando como “acidente de corrida”, não punindo nenhum dos dois pilotos. Por outro lado, na internet, surgiram muitas discussões sobre a culpa do acidente, com cada lado defendendo ou Rosberg ou Hamilton, e isso me lembra que muita gente hoje em dia chia pelo fato de os pilotos não tentarem duelar a fundo na pista. Apesar da lambança, Hamilton partiu para cima, como muitos dizem que gostariam de ver os pilotos fazerem o tempo todo. Se tivesse dado certo, provavelmente louvariam o inglês; como não deu, agora chovem as críticas... Esse pessoal não se decide mesmo... E quando evocam Senna, se esquecem que o tricampeão também teve momentos em que suas tentativas deram errado e o fizeram sair da corrida, bem como o piloto com quem ele duelava...


A F-E chegou a Berlin, capital da Alemanha, para a disputa da antepenúltima etapa do campeonato. Com o aeroporto de Tempelhof, local onde a prova foi realizada no ano passado, sendo usado para abrigar os refugiados do Oriente Médio que chegam à Europa procurando um lugar de paz para viver, a categoria precisou procurar outro lugar, e ele foi encontrado, no distrito de Friedrichshain, parte da antiga Berlim Oriental. O novo circuito passa pela Strausberger Platz e Alexanderplatz, e tem toda a área com o pit-lane colocado na grande reta da Avenida Karl-Marx. O traçado tem 2,03 Km de extensão, com 11 curvas, e alguns trechos razoáveis de retas. A prova, que terá um total de 48 voltas, será transmitida pelo canal pago Fox Sports a partir das 10:30 Hrs. da manhã deste sábado, pelo horário de Brasília. Todos os ingressos para a corrida esgotaram, o que comprova o bom momento vivido pela categoria, que vem despertando o interesse de outras cidades e fabricantes ligados à indústria automobilística pelo mundo.


Na disputa pelo título da F-E, Lucas Di Grassi tem a missão de manter sua dianteira sobre Sébastien Buemi. O piloto da Audi ABT vem guiando como nunca na atual temporada, e não fosse uma desclassificação de sua vitória na Cidade do México, poderia estar com o título quase garantido, e com uma liderança de mais de 35 pontos na tabela. Com 11 pontos, e apenas 3 provas para fechar a competição, o objetivo é sair de Berlim com a maior vantagem possível, a fim de poder planejar a estratégia da rodada dupla de Londres. Buemi, apesar dos pesares, é um adversário perigoso, e a e.dams ainda tem um carro competitivo que não pode ser subestimado. Um mal resultado do brasileiro poderia provocar uma reviravolta na situação de ambos, e transformar a caça novamente em caçador. O duelo entre os dois pilotos é o grande mote da prova alemã, e dependendo de seu desfecho, pode ditar a sorte de seus protagonistas na corrida de Londres, em julho. E tem tudo para ser novamente uma decisão eletrizante, sem piadas com a expressão da palavra, no campeonato de carros elétricos de competição.
A pista nova da prova de Berlim para a Formula-E.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

HAVOC SERIES - 500 MILHAS DE INDIANÁPOLIS - UM SÉCULO DE CORRIDAS - II - OS TRIUNFOS BRASILEIROS NA INDY500



            Estamos a menos de duas semanas da 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis. Quem será o felizardo vencedor da corrida mais famosa dos Estados Unidos em sua centésima e histórica edição? Não dá para saber. Qualquer um dos 33 pilotos que largam pode chegar na frente. A própria história da corrida já mostrou resultados inacreditáveis ao longo de suas 99 edições realizadas até aqui. E, nesta segunda edição da Havoc Series, é hora de vermos mais alguns vídeos da emblemática corrida no circuito oval da capital do Estado de Indiana. E não poderíamos deixar de mencionar as vitórias de pilotos brasileiros na prova. Juntos, nossos representantes já somam 7 triunfos na Indy500. Foram duas vitórias de Émerson Fittipaldi, três de Hélio Castro Neves, uma de Gil de Ferran, e uma de Tony Kanaan, a conferirem na relação de vídeos a seguir.

Como não poderia deixar de ser, o primeiro vídeo traz o primeiro triunfo verde e amarelo em Indianápolis, obtido em 1989, por Émerson Fittipaldi. Nosso pioneiro campeão na F-1 deixou a categoria máxima do automobilismo por baixo, devido ao fracasso do projeto da equipe Copersucar. Émerson reiniciou sua carreira no automobilismo americano a partir de 1984, e reconstruiu sua fama de piloto vencedor e campeão na então F-Indy. Em 1989, ele não apenas venceu a mítica Indy500, mas também faturou o título da categoria, sendo o primeiro piloto estrangeiro a conseguir tal façanha. Fiquem com o vídeo, mostrando as últimas voltas da corrida, com direito a narração de Luciano do Valle, na transmissão da Bandeirantes, postado no You Tube pelo usuário wheelsports. De ressaltar que aquela edição da Indy500 ainda teve Raul Boesel na 3ª colocação, no melhor resultado de Raul em todas as suas participações na corrida:



O segundo vídeo mostra novamente Émerson Fittipaldi, agora no seu retorno à primeira colocação na Brickyard Line, em 1993, com uma arrancada fenomenal nas voltas finais, deixando Nigel Mansell e Arie Luyendick para trás no momento decisivo da corrida, para conseguir sua segunda vitória. Raul Boesel, com um desempenho excelente, finalizou na 4ª posição. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário blogdaindy videos, com narração de Téo José, na transmissão da TV Manchete:



O vídeo seguinte mostra a última vitória brasileira na Indy500, obtida em 2013 por Tony Kanaan, naquela que foi sua única vitória competindo pela KV Racing. Foi também a última edição das 500 Milhas de Indianápolis com narração de Luciano do Valle, que faleceria no mês de abril no ano seguinte. O vídeo é do usuário wheelsports no You Tube:



O próximo vídeo mostra a vitória de Gil de Ferran nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2003. O brasileiro já era bicampeão da F-CART (a F-Indy original), e seu time, a Penske, mudara para a Indy Racing League em 2002. Foi o maior triunfo dos pilotos brasileiros na Indy500, pois além da vitória de Gil de Ferran, Hélio Castro Neves foi o 2° colocado, formando a dobradinha da equipe Penske na mais famosa corrida dos Estados Unidos. E, completando a festa, Tony Kanaan foi o 3° colocado, defendendo a equipe Andretti/Green. Um pódio totalmente verde-amarelo no Victory Line de Indianápolis. A transmissão foi do canal pago SporTV. O vídeo foi postado pelo usuário tvs088 no You Tube:



O vídeo seguinte mostra a primeira vitória de Hélio Castro Neves na Indy500, em 2001. A Penske disputava a F-CART (a F-Indy original), mas se inscreveu para disputar as 500 Milhas, a exemplo do que a Ganassi havia feito no ano anterior, quando obteve uma vitória arrasadora com Juan Pablo Montoya. E, a exemplo da rival Ganassi, o time de Roger Penske saiu vitorioso na Brickyard Line naquele ano, com direito a dobradinha da escuderia, já que Gil de Ferran, companheiro de Hélio no time, chegou em 2° lugar na corrida. Helinho repetiria a dose no ano seguinte, e ainda venceria pela terceira vez em 2009, no que foi o seu último triunfo no oval de Indiana. Helinho, aliás, é o maior vencedor da prova atualmente, e se vencer pela 4ª vez, igualará o feito dos mitos Al Unser, Rick Mears, e A. J. Foyt, que triunfaram em Indianápolis quatro vezes cada um. O vídeo com as voltas finais começa com uma declaração do piloto brasileiro pela morte de Luciano do Valle, ocorrida em abril de 2014, passando em seguida para a narração do primeiro triunfo de Hélio, que escalou a grade do alambrado do circuito, como sempre faz em todas as suas vitórias, o que se tornou sua marca registrada. Aliás, todo o time de mecânicos de Hélio seguiu o piloto e escalaram o alambrado também, num belo momento do esporte nacional. O vídeo foi postado pelo usuário wheelsports no You Tube:


E assim, termino mais esta postagem de vídeos sobre as 500 Milhas de Indianápolis. Neste próximo fim de semana será definido o grid de largada para a 100ª prova, e mais uma vez, Hélio Castro Neves e Tony Kanaan serão os pilotos brasileiros presentes no grid de largada, ambos em equipes e dispondo de carros com potencial para vencer a famosa corrida. Será que teremos mais um triunfo verde e amarelo na Brickyard Line? Só esperando para conferir. Até lá.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

ESPERANÇAS DE BARCELONA


As escuderias da F-1 terão várias novidades em seus carros para o GP da Espanha, na pista de Barcelona. Mas a Mercedes segue sendo a favorita destacada.

            Cá estamos na Europa para o início da fase do Velho Continente do Mundial de F-1, e como já virou praxe nos últimos anos, Barcelona é a primeira parada, no circuito da Catalunha. Para as expectativas do campeonato, a pergunta é: Lewis Hamilton vai começar a reagir, ou Nico Rosberg vai se distanciar ainda mais no campeonato? Com 43 pontos de vantagem, o piloto alemão da Mercedes só não pode deitar e rolar porque o menor descuido pode inverter a situação no campeonato, em que pese hoje isso exigir pelo menos duas provas com um desastre total para Nico com tudo dando certo para Lewis.
            Mas todo mundo também quer saber como o novo "queridinho" da Red Bull, Max Verstappen, vai se sair pilotando pela primeira vez um carro de ponta. O piloto holandês foi promovido para o time matriz, com Daniil Kvyat sendo "rebaixado" para o seu lugar na Toro Rosso, depois dos percalços na prova da Rússia, há duas semanas. E, demonstrando falta de sensibilidade, a FIA ainda escalou os dois pilotos para as coletivas de imprensa ontem aqui no paddock, onde era nítido ver que Kvyat não estava com a menor disposição de ter toda essa atenção voltada para si, em um momento onde ele precisa de um pouco de paz e tranquilidade para acertar o seu rumo, de volta ao time "B" dos energéticos. O jovem russo vai precisar colocar a cabeça no lugar se quiser dar a volta por cima, mas muitos já dão Daniil como em situação de aviso prévio para 2017, e isso certamente não vai ajudar muito em sua paz de espírito.
            Por outro lado, é nítido como Verstappen está animado com a chance que normalmente teria no próximo ano, mas viu chegar antes do tempo. O jovem holandês tem mostrado talento e velocidade na Toro Rosso, mas também já andou mostrando ter uns chiliques que ninguém anda gostando, especialmente na Austrália, onde disparou farpas contra seu parceiro de time, Carlos Sainz Jr. Todo mundo quer ver o que Max vai render com um carro de ponta à sua disposição. Há quem diga que isso pode tumultuar o ambiente na Red Bull, pois Daniel Ricciardo vai ser o alvo direto de Max, que precisará ser superado a todo custo, se quiser manter sua fama de prodígio conquistada desde sua estréia na F-1 no ano passado. Mas a euforia por querer mostrar serviço também pode ser perigosa, o que resultaria em possíveis acidentes na competição. Exagero? Talvez, mas pelo sim, pelo não, quem for largar ao lado de Verstappen no domingo terá de tomar alguns cuidados a mais, para se prevenirem da impetuosidade do piloto. Isso, claro, se forem cautelosos... Tem aqueles que não irão dar mole na dividida de curva, para não abrir espaço e não acostumarem mal o piloto, que já anda meio que se achando no ambiente da categoria.
            Com relação à corrida em si, a pista de Barcelona infelizmente tem mostrado uma das provas mais maçantes dos últimos tempos. Como os testes da pré-temporada são normalmente realizados aqui, todos os times já entram na pista com mais dados do que em qualquer circuito, o que tira parte das surpresas que todos podem encontrar. E isso e traduz em provas sem muitas disputas. A variedade de curvas desta pista colocam à prova o equilíbrio e estabilidade dos carros. Quem anda bem aqui provavelmente anda bem em todos os circuitos. Por outro lado, a pista também coloca à prova a qualidade dos projetos das escuderias, de modo que aqueles monopostos que não andarem bem, terão graves problemas no restante do campeonato.
            Neste ponto, a Mercedes é candidata mais do que natural à primeira fila, lembrando que o time alemão não mostrou toda a sua força nos dias da pré-temporada, quando testaram por aqui. Em compensação, a Red Bull, cujo modelo RB12 mostrou ser excelente em equilíbrio, tem tudo para conseguir incomodar os ponteiros, a exemplo do que fez na China. Para a Ferrari, ainda em busca de um triunfo na temporada, resta saber se o SF-16H terá mesmo condições de desafiar o modelo W07 da Mercedes, o que até agora não conseguiu demonstrar, o que já vem causando uma certa impaciência na direção da Ferrari.
            Barcelona também costuma ser a pista onde a grande maioria das equipes coloca os primeiros grandes upgrades em seus carros. Todos os dados acumulados das primeiras corridas do ano já foram exaustivamente analisados nas sedes, que providenciam as evoluções dos modelos. E esta semana terá um atrativo adicional, com dois dias de testes que serão realizados após o GP, portanto, vários dispositivos novos foram trazidos para este circuito. Hoje, nos treinos livres, já deveremos ver parte destas novidades. Mas há quem não terá essa chance. A Sauber já anunciou que não teria atualizações no seu monoposto, razão pela qual nem irá participar dos dois dias de testes durante a semana. A situação do time suíço, infelizmente, não é das melhores, tanto em competitividade, quanto em termo financeiros.
            E quem vencerá a corrida domingo? Muito provavelmente, pelo favoritismo, um dos pilotos da Mercedes, o que irá acabar com quase uma década em que Barcelona, apesar das provas em sal que tem apresentado, teve sempre pilotos diferentes vencendo. Em 2007, o brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, venceu a corrida, que em 2008 veria o triunfo de Kimi Raikkonem. Em 2009, Jenson Button, com a surpreendente Brawn, cruzaria a linha de chegada em primeir lugar. No ano seguinte, com a Red Bull se impondo como novo time de ponta da categoria, a vitória ficou com Mark Webber, com o time dos energéticos repetindo a dose em 2011, agora com Sebastian Vettel. Em 2012, a surpresa foi a vitória de Pastor Maldonado, com a Williams, com o venezuelano também largando da pole-position, no que foi a última vitória do time de Frank Williams na F-1 até hoje. O ano de 2013 veria o triunfo de Fernando Alonso, pela Ferrari. No ano seguinte, com o início da era de supremacia da Mercedes, Lewis Hamilton venceu a corrida, que no ano passado teve o triunfo de Nico Rosberg. O último a vencer mais de uma vez esta corrida foi Fernando Alonso, que triunfou em 2006, quando competia pela Renault, no ano de seu bicampeonato. Antes disso, em 2005, a vitória foi de Kimi Raikkonem, então defendendo a McLaren.
            A esperança é que a nova regra que permite maior variedade de estratégia dos compostos de pneus ajude a movimentar a corrida, proporcionando mais duelos do que normalmente este GP tem apresentado. Até o ano passado, devido ao imenso conhecimento que os times possuem do circuito, não havia surpresas com relação às estratégias adotadas pelos pilotos, com todo mundo quase sempre apostando igual nos momentos de parada. Este ano, com mais uma opção a ser disponibilizada, quem sabe as coisas mudem. Tem funcionado até aqui na temporada, com exceção da corrida na Rússia, por ter tido apenas uma parada de praxe para a grande maioria dos pilotos, mas que pode voltar a apimentar a prova aqui em Barcelona, mesmo com o grande conhecimento que pilotos e times têm da pista. Tomara que ajude a termos boas brigas e duelos no domingo.


A Indycar prepara-se para disputar as provas de Indianápolis, e hoje teremos o treino de classificação que definirá o grid para o GP de Indianápolis, prova que será disputada amanhã no traçado misto do Indianapolis Motor Speedway, que foi criado para as corridas da F-1 e mais recentemente era usado também para a MotoGP. No ano passado, a corrida foi vencida por Will Power, e a Penske é novamenteo time favorito para discutir a vitória na prova, apesar do bom treino de Scott Dixon, da Ganassi, nesta quinta-feira. Será a 3ª edição da corrida, criada em 2014 a fim de aumentar o interesse dos fãs pelas 500 Milhas de Indianápolis, uma vez que a prova no traçado misto passou a ser anunciada como "prévia" da corrida mais importante do calendário. Em 2014, a corrida foi vencida pelo francês Simon Pagenaud, na época competindo pela equipe de Sam Schmidt. No ano passado, vitória da Penske, com Will Power. Para os brasileiros, a melhor posição foi o 3° lugar de Hélio Castro Neves na prova de 2014. Na semana que vem, todos os pilotos e equipes iniciarão os treinos visando as 500 Milhas de Indianápolis, marcada para 29 de maio, e que marcará a 100ª realização da corrida no famoso circuito oval.
O Grande Prêmio de Indianápolis abre as atividades do mês de maio no famoso autódromo da capital do Estado de Indiana.


A F-3 Européia disputa neste fim de semana a prova em um dos circuitos mais difíceis e tradicionais, Pau, na França. O traçado urbano de aproximadamente 2,8 Km de extensão é considerado um dos mais difíceis pelo pessoal das categorias que correm por lá, sendo uma pista de difícil ultrapassagem e com boas chances de o pessoal se envolver em fortes acidentes. A prova, curiosamente, teria a participação, pela equipe Carlin, de Nelsinho Piquet, que já disputou a prova nos tempos da GP2 na década passada. Mas a FIA, numa decisão duvidosa, vetou a participação do piloto brasileiro, justificando que sua participação "desvirtua" o foco da categoria, que é ser uma competição de acesso à F-1. Até certo ponto, o raciocínio é válido, mas por outro lado, eles acabam se dando o direito de proibir um piloto de competir, o que acho uma picaretagem e falta de caráter, pois isso só deveria ser feito se o piloto em si não fosse qualificado, ou estivesse suspenso de suas atividades profissionais, o que não é o caso de Nelsinho, que inclusive é o atual campeão da F-E, uma competição chancelada pela FIA. E a Carlin tinha interesse em contar com a participação do brasileiro, que aliás, traria destaque à competição no fim de semana, por ser um nome de respeito, com passagem pela F-1 (ainda que tenha participado daquela presepada de Cingapura em 2008), e de sucesso na F-E (mesmo que atualmente esteja indo mal no atual campeonato), além de já ter competido em provas da Endurance, Nascar, Truck Series, entre outros certames. Pelo visto, a FIA não se embanana apenas quando precisa decidir alguma coisa sobre a F-1...


Nos últimos dias, mais uma vez veio à tona o assunto sobre as condições do heptacampeão mundial de F-1 Michael Schumacher, que sofreu um acidente em dezembro de 2013, batendo a cabeça numa pedra em uma estação de esqui, e que desde então "sumiu" do mundo, envolto em uma blindagem absurdamente controlada por sua família, que lançou uma cruzada contra o mundo inteiro na tentativa de desestimular notícias sobre o real estado do ex-piloto. Um médico que teria operado Schumacher alegou que sua vida estaria "nas últimas", e aos poucos, a discussão sobre as reais condições de Michael voltou a aflorar entre os fãs mundo afora. E a família, claro, chama de irresponsável qualquer um que noticie algo sobre Schumacher, segundo eles, lançando boatos infundados e sem nenhum respaldo da sua família. Concordo que, sem uma notícia "oficial" por parte da família, pode ser leviano apontar como Michael estaria nos dias de hoje. Por outro lado, a maneira como eles se fecharam para o mundo, quando o assunto é como o ex-piloto se encontra, é excessivamente centralizador e obsessivo, ameaçando qualquer um que publique algo se processo na justiça, e com pesadas multas. Por mais que a família tenha todo o direito a manter sua privacidade, o que acho mais do que justo, este tipo de comportamento, conforme já falei, infelizmente suscita também a ação de "aventureiros" que querem dar um furo noticioso, e tem gente neste mundo bem maluca para fazer algo assim. Mas lamento dizer que, no atual estado da situação, pelas poucas informações que todos dispõem sobre a recuperação do heptacampeão, que sua situação realmente não é das melhores, pelo simples fato de que em teoria, como alguém com sequelas cerebrais de vulto estaria vivendo depois de quase dois anos e meio nestas condições. Estaria Michael de fato "vivo"? Ou sua vida hoje resume-se a um inválido preso em uma cadeira de rodas ou a algum sistema de suporte vital, sem ter talvez consciência de quem é...? De fato, o dilema continua, e a sua família, certamente, é quem mais deve sofrer de vê-lo em sua real condição atual, seja lá qual for, que possa ser de um arremedo de pessoa. E, novamente, volto a frisar que, bastaria eles darem informações confiáveis sobre a situação, para desestimular os caçadores de notícias sobre a situação do ex-piloto. Uma hora, infelizmente, essa situação terá de acabar, e ela será unicamente para anunciar o seu falecimento. Quando ou como isso irá acontecer, desconheço completamente. Mas, novamente, me pergunto: essa blindagem toda que a família faz está valendo a pena? Tanto esforço para preservar a imagem que todos conhecem de Michael Schumacher é louvável, mas uma hora a realidade terá de se impor, e a vida segue. Michael não precisa ser exibido como uma fatalidade, mas novamente, seus milhões de fãs pelo mundo inteiro mereciam ao menos saber algo mais preciso sobre sua condição. E haveria meios de a família fazer isso sem transformar a situação em um "circo", que no fundo é o que todos não querem que aconteça, além de ser extremamente desagradável e desnecessário.


A direção da F-E confirmou o cancelamento da corrida de Moscou, marcada para o mês de junho, e que seria a penúltima prova do campeonato, antes da rodada dupla final em Londres, no início de julho. Com isso, restam agora apenas 3 corridas para encerrar a competição, que além das duas provas na capital britânica, terá também a prova de Berlin, marcada para o dia 21 deste mês de maio. Em virtude do tempo exíguo, a direção da categoria de carros elétricos informou não ser possível providenciar nenhuma prova substituta. Resta saber agora se a corrida russa retornará no próximo ano. Se a saída for definitiva, já existem vários candidatos a receber uma prova da categoria, o que deve facilitar a montagem do calendário para a próxima temporada.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

HAVOC SERIES - 500 MILHAS DE INDIANÁPOLIS - UM SÉCULO DE CORRIDAS



            Depois de uma longa ausência, trago de volta a seção Havoc Series, com uma nova seleção de vídeos da internet, tendo como assunto principal as 500 Milhas de Indianápolis, que no próximo dia 29 terá sua 100ª edição, uma marca histórica para uma das provas mais famosas e tradicionais do automobilismo mundial. A primeira corrida foi disputada em 1911, mas a ocorrência das guerras mundiais inviabilizou a realização da prova nos anos de 1917, 1918, 1942, 1943, 1944, e 1945. Desde 1946, a corrida nunca mais deixou de ser realizada, se tornando uma gigante no calendário mundial das corridas. E nada como apresentar alguns vídeos sobre a corrida, a fim de lembrar a prova histórica que será disputada este ano. Portanto, vamos a eles:

O primeiro vídeo, como não poderia deixar de ser, é sobre o início de tudo: a primeira edição da Indy500, disputada no dia 30 de maio de 1911. O Indianápolis Motor Speedway já existia há pelo menos dois anos, tendo sua primeira corrida disputada em 1909, com uma prova de 250 milhas. Mas foi em 1911 que a mítica Indy500 teve sua primeira largada, com 40 pilotos disputando a primeira vitória na corrida, que acabou com Ray Harroun, com um Marmoun Wasp, completando as 200 voltas da corrida no tempo de 6 horas, 42 minutos, 08 segundos e alguns quebrados, tempo que hoje pode ser considerado alto, mas que na época era impressionante, com os carros atingindo mais de 120 Km/h, quando os automóveis de rua dificilmente andavam acima dos 30 Km/h. Harroun não tinha o carro mais rápido, mas ele incorporara ao seu veículo um acessório que hoje é componente de todos os carros: o espelho retrovisor. Na época, os pilotos costumam correr com um mecânico dentro do carro, cuja função era avisar quando o piloto sofreria uma ultrapassagem. Com o espelho, Ray não precisou do mecânico, e com isso, seu carro era mais leve e consumia menos combustível. E seu triunfo entrou para a história. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário Vanderbiltcup:



O segundo vídeo também é dedicado à primeira edição das 500 Milhas, com mais algumas cenas raras, além de alguns textos com curiosidades da edição pioneira da corrida. Se os pilotos hoje em dia reclamam quando chove em uma corrida, imaginem naquela época, onde a pista da Indy500 nem asfalto tinha: os carros levantavam uma poeira danada. O circuito teria seu traçado pavimentado com tijolos alguns anos depois, e posteriormente este piso foi substituído por asfalto, com exceção de uma linha na reta de chegada que contém até hoje os tijolos de seu calçamento original, e daí o nome da linha de chegada da Indy500 ser chamada de "Brickyard Line". O vídeo é do You Tube, postado pelo usuário King Rose Archives:



O vídeo seguinte mostra um pequeno resumo da 22ª edição da Indy500, em 1934, no período da Grande Depressão americana, e a prova teve o triunfo de Bill Cummings, que fechou as 200 voltas da corrida com o tempo de 4 horas, 46 minutos, 05 segundos e alguns quebrados. Naquela corrida já largavam os 33 pilotos tradicionais do grid da corrida, e como acontecia de costume, a grande maioria ficava pelo caminho, devido a acidentes ou quebras dos equipamentos. E, loucura para os dias de hoje: observem que a área dos boxes não tinha nenhuma separação com a pista onde os carros aceleravam fundo. Para os pit stops, era simplesmente encostar e sair acelerando. Mas isso era algo comum na época: até mesmo em outras corridas não havia essa separação, o que era algo muito perigoso. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário King Rose Archives:



O vídeo a seguir mostra a corrida de 1950. Era a primeira vez que a Indy500 faria parte do calendário da Fórmula 1, campeonato criado naquele ano. As 500 Milhas seriam consideradas parte do calendário até 1960, quando os Estados Unidos ganhariam uma corrida em circuito misto (Watkins Glen), que realmente seria disputada pelo pessoal da F-1, uma vez que os pilotos desta nunca corriam a Indy500, e os pilotos que participavam da prova no oval de Indiana nunca corriam o campeonato da F-1. Era uma inclusão "pra inglês ver", de modo a reafirmar o caráter de "mundial" que a F-1 exibia. A corrida, disputada no dia 30 de maio de 1950, foi encerrada após 138 voltas, em virtude da chuva. A prova marcou a 1ª e única vitória de Johnnie Parsons, que também marcou sua 1ª e única melhor volta; foi também a 1ª e única pole position para Walt Faulkner, que terminou a corrida na 7ª colocação, a três voltas do vencedor. O vídeo, postado no You Tube, é do usuário OldSchoolNascar:



Para o último vídeo desta postagem, destaco a seguir o documentário "AJ FOYT - Indy 500: A Race for Heroes" ( AJ FOYT - Indy 500: Uma Corrida para Heróis), contando um pouco de um dos maiores vencedores de todos os tempos das 500 Milhas de Indianápolis: Anthony Joseph Foyt Jr., ou simpesmente A.J. Foyt, que venceu a famosa corrida 4 vezes (1961, 1964, 1967, e 1977), dividindo essa honra com Al Unser e Rick Mears. A.J. também foi 7 vezes campeão da antiga F-Indy, e hoje ocupa a função de proprietário e chefe de equipe na atual Indycar (Indy Racing League), comandando a Foyt Enterprises, um dos times maias antigos da categoria, ao lado da Penske e Ganassi. O vídeo é do usuário Racing Universe, no You Tube:


E esta postagem fica por aqui. Mas na semana que vem tem mais vídeos das 500 Milhas de Indianápolis. Portanto, fiquem no aguardo. Até breve.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

RESCALDO RUSSO


Daniil Kvyat e pancada em Vettel após a largada da prova russa: destino do jovem piloto foi ser "rebaixado" para a Toro Rosso num jogo de interesses dos mais rasteiros que nada de positivo traz à imagem da F-1 e da própria Red Bull.

            Fazendo um trocadilho infame, a situação do russo Daniil Kvyat está russa! O piloto da Red Bull acabou "rebaixado" para a equipe B dos energéticos, a Toro Rosso, e a partir da próxima semana, durante o Grande Prêmio da Espanha, irá bater ponto em outro local. Para o seu posto, Helmut Marko colocou o seu novo "queridinho", o holandês Max Verstappen, que promete infernizar a vida de Daniel Ricciardo na equipe titular das bebidas energéticas sem dó nem piedade. O que era um boato na quarta-feira virou realidade nesta quinta-feira pela manhã, horário do Brasil, e confesso que achei a maior picaretagem dos últimos tempos.
            Não que a F-1 seja um local santo, muito pelo contrário... A categoria máxima do automobilismo já destruiu a carreira de inúmeros pilotos ao longo de sua história, e embora seja prematuro dizer que Daniil seja apenas o mais recente caso, é quase certo que o jovem russo terá problemas em continuar no certame a partir da próxima temporada. As justificativas dadas pela escuderia austríaca soam tão sinceras quanto uma nota de três reais, e quem conhece a postura de Helmut Marko, consultor do time dos energéticos e coordenador do programa de jovens pilotos da Red Bull, não podem ficar surpresos com sua atitude.
            Basta lembrar da dispensa cretina de Sébastien Buemi e Jaime Alguerssuari há alguns anos, feita no apagar das luzes de um ano, quando nenhum dos dois pilotos teve a chance sequer de se lançar no mercado de pilotos, situação da mais alta falta de respeito para com um profissional que faz da velocidade a sua vida. Marko se tornou um sucessor à altura de outra figura nefasta da história do mercado de pilotos da F-1, o italiano Flavio Briatore, que admitiu publicamente que para ele, pilotos não passavam de mercadoria, pura e simplesmente. Os mais novos talvez não saibam, mas em 1991, ele defenestrou o brasileiro Roberto Moreno, demitindo-o sumariamente da Benetton, às vésperas do Grande Prêmio da Itália, para colocar em seu lugar um jovem alemão que impressionara a todos na corrida anterior, na Bélgica, nos treinos e classificação. Um certo Michael Schumacher, que estreara na F-1 em Spa, pela Jordan, substituindo o belga Bertrand Gachot, preso dias antes por agredir um motorista de táxi em Londres.
            Graças a uma gafe de Eddie Jordan, que não oferecera um contrato a Schumacher, Briatore foi ao jovem piloto, mandou Moreno embora, e ainda faturou cerca de US$ 300 mil por prova que a Mercedes estava pagando para dar a seu pupilo uma chance na F-1. E, na prova de Spa-Francorchamps, antes de ser demitido, Roberto terminou a corrida em 4°, atrás de seu companheiro de equipe Nélson Piquet, o 3° colocado, e fizera a volta mais rápida da corrida... Situação parecida, não? As justificativas podem ser diferentes, e até são, mas os motivos desencadeadores da picaretagem e falta de respeito não. Tanto Moreno quanto Kvyat foram crucificados sem dó nem piedade. A única diferença é que não dá para dizer ainda o que será do russo. No caso do brasileiro, Briatore o chamou de "incapaz" de guiar um F-1, entre outros motivos para justificar sua demissão... Deve ser mesmo interessante um "incapaz" fazer a volta mais rápida de uma corrida, com um carro que era competitivo, mas não capaz de vencer, e que alguns anos antes, ajudou a Ferrari a desenvolver o câmbio semi-automático, como piloto de testes, tendo muitas referências positivas em Maranello na época.
            Kvyat vinha de um pódio em Shanghai, numa corrida honesta e firme, e no ano passado, terminou o campeonato de pilotos à frente de seu companheiro de equipe na Red Bull, Daniel Ricciardo, tido como um piloto velocíssimo e vencedor. Foi uma primeira temporada em um time de ponta honesta, e apesar de alguns percalços neste ano, a corrida da Rússia foi seu primeiro ponto realmente negativo na temporada. Mas merecia tal castigo? Não, não merecia.
            O russo deu azar no enrosco com Sebastian Vettel na largada em Sochi, e depois ainda acabou acertando a Ferrari do alemão, promovendo sua rodada e abandono da prova. Vettel, já nervosinho pelo que ocorreu na China, quando a culpa foi apenas dele, em uma dividida de curva onde foi surpreendido pelo jovem russo e acabou acertando seu companheiro de equipe Kimi Raikkonem, tinha desta vez motivos justos para reclamar da barbeiragem sofrida. Para mim, foi acidente de corrida. Largadas são um momento sempre complicado, e já vi pilotos muito mais gabaritados cometerem gafes neste momento. Uma punição, advertência e/ou multa, além de uma conversa com o time, seriam muito mais produtivos. Se a moda pega, nenhum piloto irá durar na categoria, não porque todos sejam "barbeiros" ou "kamikazes", mas porque mais dia, menos dia, todos erram, e se a punição for deste jeito...
            Não por acaso, Jenson Button, decano da F-1 atual, se declarou contra a atitude descabida da Red Bull. Um mínimo de respeito é bom e não faz mal a ninguém, mas atitudes como essa mostram como a Red Bull se corrompeu ao passar de time aspirante a vencedor para uma equipe de ponta. A escuderia, considerada a mais "cool" do grid, hoje virou um time igual a qualquer outro, sem a personalidade e carisma que já a definiram em outros tempos. E a lista de desafetos que adorariam atropelar Helmut Marko se o vissem atravessar a rua não pára de crescer... Como se ele se importasse com isso...
            De qualquer forma, o final de semana infeliz de Kvyat serviu de desculpa para Marko fazer o que todos já esperavam: promover a jovem estrela em ascenção Max Verstappen ao time matriz dos energéticos. O piloto mais jovem a competir oficialmente na F-1 vem mostrando ser talvez o nome de maior potencial desde a estréia de Sebastian Vettel na década passada, em meio a tantos nomes que ou não vingaram e/ou foram "queimados" por Marko em sua impaciência e cobranças extremas, quando exigia resultados que os pilotos não tinham condições de dar em virtude de equipamentos não-competitivos. Apesar de ainda possuir contrato com a Red Bull para a próxima temporada, o jovem Max já vinha querendo dar uma de "estrela", e não é segredo que seu nome começou a ser cogitado por Mercedes e Ferrari como nome potencial para ser um de seus pilotos titulares, já na próxima temporada. E nada impediria que seu contrato acabasse rompido, e a Red Bull perdesse o garoto sensação, depois de bancar sua carreira até aqui. Agora, com um carro mais competitivo, e que com as atualizações promovidas pela Renault em sua unidade de potência, que prometem deixar o RB12 ainda mais forte, a tendência é que Max permaneça na "casa". Esse, aliás, o verdadeiro motivo para queimar Kvyat, não importa as consequências para o jovem russo. Como quando Briatore despediu Moreno, os fins justificavam os meios... Aliás, vale lembrar que, quando comandou a Renault, na década passada, o mesmo Briatore despediu o italiano Jarno Trulli da escuderia, sem mais nem menos, alegando falta de resultados, mas que na verdade estava se mostrando um "incômodo" para seu protegido Fernando Alonso, em um ano em que o carro da Renault não era dos mais competitivos, em 2004, sendo que o italiano havia vencido em Monte Carlo, enquanto o espanhol não venceu nenhuma corrida naquele ano. Marko parece estar seguindo fielmente a cartilha de Briatore... Tirem suas próprias conclusões.
            E Max, pelo que vem demonstrando nas últimas provas, vai querer chegar "chegando", e de preferência dando um chega pra lá em Ricciardo, e querer cantar de galo em seu novo terreiro. O jovem holandês já vinha se estranhando desde a Austrália com seu companheiro de equipe na Toro Rosso, Carlos Sainz Jr., comportando-se como "prima donna" da escuderia, após críticas contundentes ao espanhol por ter chegado atrás dele em Melbourne, como se Sainz não tivesse direito de disputar sua corrida e devesse lhe dar passagem pura e simplesmente. Se a Red Bull fala que um dos motivos era "preservar a paz" na Toro Rosso, em virtude dessa disputa que começou a ficar inflamada no time sediado em Faenza, é muita ingenuidade deles tentar nos fazer acreditar que nada de belicoso irá acontecer em Milton Keynes. Esperem só até Verstappen fazer a primeira dividida de curva com Ricciardo...
            Mas Helmut Marko, a exemplo do que fazia em relação a Sebastian Vettel quando este era piloto do time, parece não se importar muito, desde que Verstappen mostre do que é capaz, mesmo que para isso seja necessário rifar até mesmo Ricciardo do time para 2017. O próprio consultor já deu uma indireta dizendo que a dupla rubro-taurina pode ser completamente diferente na próxima temporada, dando a entender que, se Ricciardo se estranhar com o jovem holandês, poderia até rifar o australiano do time. Claro que isso não foi mencionado explicitamente, mas a "corujice" de Marko com relação a Verstappen já chegou a tal ponto que, se o rapaz barbarizar, quem ficar em sua frente será execrado, no que depender do dirigente do programa de jovens pilotos da Red Bull. Foi por algo assim que Jaime Alguerssuari foi execrado por Marko há alguns anos do time. O espanhol havia dado uma fechada em Vettel na pista, e Marko ficou furioso com a atitude do piloto, já que o alemão era o seu "xodó". Claro que, oficialmente, a desculpa foi por falta de resultados, mas a coisa estava tão escancarada que ninguém levou a sério essa conversa fiada.
            Claro, fica a pergunta: o que acontecerá se Max fizer barbeiragem? Vão lhe passar um sermão, ou simplesmente lhe dar um tapinha nas costas do tipo "isso acontece..."? Verstappen já passou a imagem de barbeiro no ano passado, mas seus defensores sempre se saíram com justificativas do tipo "melhor um piloto que tenta e bate do que um piloto acomodado na pista que não faz nada". Em primeiro lugar, prefiro um piloto que tenta, e que seja capaz de fazer isso sem tirar o outro da pista, seja com uma batida, seja com uma manobra espúria. Verstappen continua muito rápido, e felizmente parece que aprendeu a dosar um pouco seu excesso de vontade no acelerador, o que é bom, afinal, não é por deixar de bater que um piloto deixa de ser arrojado e rápido. Mas fica a dúvida quanto ao seu comportamento "estrela", que pode deixá-lo mais intragável do que já vem sendo...
            E esse comportamento de "prima donna", pois os outros pilotos certamente não vão aliviar para ele numa disputa de posição. Como já mencionei, respeito é bom, e um pouco de comedimento não faz mal a ninguém. Até Fernando Alonso, por mais arrogante que pareça, mostra pelo menos respeito nos duelos que trava na pista, mesmo que cometa gafes ocasionais, como na Austrália, quando acertou Estéban Gutiérrez e sofreu um acidente pavoroso. Ele já foi ruim neste quesito, claro, mas aprendeu a ser mais polido e a ter respeito pela maioria dos adversários na pista. Espera-se que Verstappen não saia na birra quando algum piloto lhe der briga dura por posição nas próximas corridas, e não deixe a fama do momento subir ainda mais à sua jovem cabeça.
            Verstappen terá a chance de mostrar o seu real potencial com um carro que tem tudo para surpreender nas próximas corridas. Que coloque a cabeça no lugar, esqueça o oba-oba em torno do seu nome, e cresça (no bom sentido) para se tornar um piloto sem celeumas desnecessárias. Lógico que surgirão rivalidades, desentendimentos e algumas brigas. Isso é natural no meio. Só não precisa que ele alimente desnecessariamente esses momentos negativos com seu comportamento cheio de egocentrismo e se considerando o rei da cocada preta, que Marko parece estar incentivando.
            Quanto a Kvyat, ele terá de recuperar sua moral na F-1. Até certo ponto, muitos viram a manobra da Red Bull como uma rasteira desnecessária e prejudicial à imagem da categoria, mesmo que não manifestem isso abertamente. Mas também tem vários que adorariam dar uma lição ainda pior ao jovem russo pelas bobagens da corrida da Rússia. E, mais do que tudo, o rapaz terá de retrabalhar sua cabeça, pois o que mais terá a partir de agora é a pressão para recuperar sua imagem de piloto na F-1. E o tempo é bem curto: ele só terá até o fim da temporada para isso, na melhor das hipóteses. Mas, na verdade, seu tempo será muito menor do que isso, talvez até a prova de Cingapura, na verdade, se quiser acertar seu lugar para 2017. Depois dessa corrida, dependendo da situação, o mercado de pilotos já não lhe dará opção de continuar na categoria, mesmo que não cometa mais nenhum erro. Basta lembrar o que Marko fez com Alguerssuari e Buemi, demitindo-os no fim do ano, sem dar-lhes tempo de negociarem com outras equipes, praticamente "expulsando-os" da F-1...
            Helmut Marko já foi piloto nos velhos tempos... Seria divertido ele sofrer esse tipo de tratamento também, para ver se acha engraçado...
            Não que os pilotos que participem do programa de jovens pilotos da Red Bull não saibam o que lhes espera... As cobranças são sempre altas. E a Red Bull, que investe seu dinheiro nestes jovens esportistas, tem todo o direito de encerrar seu apoio quando bem entender. Mas seria muito bom se de vez em quando jogasse mais às claras com seus integrantes, em situações como a ocorrida nesta semana. Ao simplesmente largá-los a torto e a direito, conforme a necessidade, por mais que estes jovens possam dever suas carreiras ao apoio da empresa, a Red Bull joga por terra sua imagem e reputação de incentivadora do esporte, mostrando que, se preciso, acaba com os sonhos e esperanças como bem entender. A marca que "lhe dá asas", também pode cortá-las, e no momento mais inoportuno de todos, patrocinando uma "morte certa" no sentido figurado...
            Depois, quando se perguntam porque a F-1 anda perdendo seu apelo... Bem, mesmo sabendo que a categoria nunca foi santa, existem momentos como esse em que parte do público vai achar que exageraram na falta de caráter ou no mercenarismo que guia as atitudes da categoria... E pode ser um prego a mais no caixão da F-1...
Roberto Moreno no GP da Bélgica de 1991: mesmo fazendo a melhor volta da corrida e terminando em 4°, o piloto levou uma rasteira indecente de Flavio Briatore dias depois...