quarta-feira, 12 de agosto de 2015

PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - VOLUME 1



            Olá a todos! Venho novamente lembrar que lancei meu primeiro livro com uma compilação das minhas primeiras colunas periódicas sobre automobilismo. Sendo um aficcionado pelo assunto desde os anos 1980 e tendo começado a escrever profissionalmente sobre o assunto no início dos anos 1990, a partir de outubro de 1993 passei a atuar como colunista regular, com a coluna PISTA & BOX, que segue firme até hoje, mais de 20 anos depois, primeiro publicada em jornais, e atualmente, também na internet.
            O livro tem o título de PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - Volume 1, e este primeiro volume compila os textos produzidos por mim de 1993 até o fim de 1995, totalizando 44 colunas, inicialmente publicadas de forma mensal, e depois de forma semanal, já tendo atingido agora em 2015 mais de 1.000 colunas escritas regularmente estes anos todos.
            A edição tem 128 páginas, capa cartão colorida, tamanho A4, e miolo em preto e branco, ao preço de R$ 50,00, disponível para venda no site da Bookess, um sistema de autopublicação que facilita em muito a tarefa de lançar um livro, sem depender das burocracias impostas por muitas editoras do mercado.
            Todas as colunas lançadas neste primeiro volume já foram reproduzidas neste meu blog, o PISTA & BOX (www.pista-e-box.blogspot.com.br), há tempos atrás, nas postagens da seção "Arquivo". O livro contém ainda textos de introdução para cada um dos anos abrangidos (1993, 1994, e 1995) e, após cada coluna, vem uma pequena sinopse dos acontecimentos mencionados no texto, de forma a colocar o leitor a par do momento em que cada texto foi escrito na época, de modo que quem não tem muita intimidade com o assunto possa se situar melhor sobre os fatos comentados.
            Meus primeiros textos eram focados inicialmente mais a Fórmula 1, e aos poucos fui diversificando um pouco os assuntos e categorias sobre as quais passei a dissertar, de modo que neste primeiro volume do PISTA & BOX, a grande maioria das colunas refere-se quase que exclusivamente sobre a F-1. Hoje, apesar de meu foco principal continuar sendo a categoria máxima do automobilismo, acompanho e escrevo também de outros campeonatos de competição, como a MotoGP, Endurance, Indy Racing League, entre outras competições.
            Para adquirir o meu livro, é só seguir o link abaixo, para ir direto ao site da Bookess. O preço é de R$ 50,00, e já inclui o frete pelo correio. Para efetuar a compra é preciso fazer cadastro no site, como em qualquer livraria virtual. O livro está disponível apenas no formato impresso, e possivelmente mais à frente talvez eu o disponibilize no modo e-book, formato digital que ganha cada vez mais adeptos no mundo inteiro.

http://www.bookess.com/read/21091-pista-box-cronicas-do-mundo-da-velocidade-volume-1/

            A entrega da Bookess é um pouco demorada, portanto, não se espantem com eventuais atrasos. A impressão é de excelente qualidade, feita sob demanda. Basta efetuar a compra que o exemplar é impresso e encaminhado ao comprador. Infelizmente, isso faz com que o custo de cada exemplar seja um pouco mais alto do que o de um livro impresso por editoras, quando são produzidos grande número de exemplares, mas evita a manutenção de estoques desnecessários, cuja manutenção seria cara de ser feita.
            Várias pessoas já adquiriram meu livro, e a grande maioria até agora elogiou a qualidade de impressão gráfica da edição, bem como dos textos, de fácil compreensão até para quem não está familiarizado com todos os pormenores do universo das corridas automobilísticas. Todos os exemplares de que eu dispunha inicialmente foram vendidos rapidamente, surpreendendo a grande aceitação que minha obra teve até o presente momento. Mas meu livro continua disponível para compra pelo site da Bookess: basta efetuar cadastro no site para poder efetuar a compra do livro. E lembrem-se, o frete é grátis, não havendo custos adicionais na compra de cada exemplar.
             Então, não percam tempo: convido todos que ainda não conhecem minha obra, a conferirem este meu livro, e espero que possam aproveitar para desfrutar de meus primeiros textos, como já o fazem tanto em versão impressa em jornal quanto pelo meu blog.

Adriano de Avance Moreno

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

FORA COM A CENSURA


Cacá Bueno chamou o pessoal da CBA de imbecil numa conversa que deveria ser privada entre ele e sua escuderia e a entidade se doeu, suspendendo-o por uma corrida e aplicando uma forte multa.

            Domingo passado, tivemos a rodada dupla de Curitiba, válida pelo campeonato brasileiro da Stock Car. Mas um dos principais pilotos da competição, Cacá Bueno, não participou das corridas do fim de semana. Ele cumpriu punição de suspensão da etapa na capital paranaense, após perder um recurso para reverter a punição. E qual foi o motivo da suspensão? Ele causou um acidente? Teve atitude antidesportiva? Competiu dopado? Nada disso... Apenas falou o que pensava, e para a CBA, a liberdade de expressão parece ter sido jogada no lixo, afinal, o piloto apenas chamou a turma da Confederação Brasileira de Automobilismo de "bando de imbecis", o que convenhamos, pelo que a confederação vem fazendo pelo automobilismo nacional nos últimos tempos, não está longe da verdade.
            O incidente ocorreu na etapa de Ribeirão Preto. Em disputa com Marcos Gomes, Cacá Bueno continuou acelerando forte, mesmo depois do fim da prova. Acontece que a bandeira quadriculada não fora mostrada aos pilotos, e estes, sem saber do fim da corrida, mantiveram suas disputas e a alta velocidade, ao mesmo tempo em que o pessoal de apoio já começava a entrar na pista para os procedimentos costumeiros pós-corrida. Irritado com o fato, que poderia ter resultado num acidente grave e de grandes proporções, Cacá não se conteve, e numa conversa de rádio com seu time, chamou o pessoal da CBA de imbecis pela trapalhada. Até aí, nada demais, tanto que a responsável pela bandeirada foi conversar com o piloto, explicou sua falha, e tudo se resolveu numa boa entre eles, como certamente deveria ter acabado por aí.
            Mas não, a turma da CBA, do alto de sua prepotência e arrogância, ao ver o tom da conversa do piloto com sua equipe, que acabou indo ao ar, se doeu, e pronto, punição a Cacá, com suspensão de uma etapa, e multa de R$ 30 mil. O piloto da Red Bull conseguiu um efeito suspensivo da decisão, e por isso, pôde disputar a etapa de Santa Cruz do Sul, enquanto o caso aguardava julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Só que o piloto perdeu o recurso, e além de ter de cumprir a pena, ainda viu a multa ser aumentada para R$ 50 mil. Atitude esdrúxula e cretina da CBA, que deveria se ocupar de coisas mais importantes do que ficar ofendida por algo que o piloto falou quando estava de cabeça quente em um diálogo com seu time.
            Infelizmente, o mundo do automobilismo andou pegando umas práticas nada saudáveis de uns tempos para cá, que viraram pragas. E uma destas pragas é a censura que várias categorias resolveram impôr a seus participantes. E lamentavelmente, a Stock Car é uma delas, tendo estabelecido há algum tempo regras que simplesmente proíbem que seus pilotos falem mal da categoria e, por tabela, também da CBA. Acho isso algo inaceitável e condenável, tirando o respeito e credibilidade dos dirigentes, por mostrar que eles não aceitam críticas e opiniões contrárias, muito pelo contrário...
            Mais do que isso, o gesto da CBA na dura punição de Cacá teve ares de fazer dele um exemplo para qualquer um que resolva abrir a boca de modo "subversivo" aos olhos da entidade pense duas vezes. Pentacampeão da Stock Car, Cacá é o piloto mais bem-sucedido da categoria atualmente, e um dos mais famosos da história da competição. É hostilizado por muitos, que vêem seu sucesso como algo "arranjado" pelo fato de ser filho do locutor Galvão Bueno, da TV Globo, mas tem méritos próprios para seu grande sucesso nas pistas, mesmo que tenha eventualmente tido algumas facilidades por ser filho de quem é. Está longe de ser um piloto encrenqueiro, ou um braço duro, e não é 5 vezes campeão da principal categoria do automobilismo nacional à toa. Mas ele tem personalidade forte, e não é de levar desaforo para casa. Ele fala o que pensa, e esse é o problema para a cartolagem, que infelizmente infesta o esporte hoje em dia, para quem os pilotos devem apenas pilotar e ficar quietos, sem direito a opinião.
            Há um bom tempo já vemos este tipo de comportamento na F-1, onde os pilotos são censurados por seus times. Oficialmente, é a "lei" do politicamente correto, algo até mais danoso do que a censura propriamente dita, onde todo mundo fala de forma educada e pensada, e nunca ficamos sabendo exatamente o que pensam. E, quando falam um pouco mais do que deviam, alguns levam uma boa puxada de orelha de seus times, com raras exceções. Nas horas das entrevistas, cada piloto está quase sempre com o assessor de imprensa de seu time, que nos últimos tempos, virou mais um leão de chácara do que assessor propriamente dito, mais com a função de "policiar" o que o piloto fala do que ajudar na informação exatamente. E quase sempre, dando declarações por vezes "fabricadas", ou assépticas. Hoje os times não vêem com olhos muito agradáveis quando seus pilotos querem dizer abertamente o que pensam. O que era antes uma exceção virou a regra entre os times. Nélson Piquet, que sempre se caracterizou por falar o que pensa, doa a quem doer, provavelmente não conseguiria andar nos dias de hoje em algumas competições, por causa de sua boca ferina... Saudades dos tempos em que os pilotos diziam que o carro era uma draga, ou falavam em mandar para o inferno um rival. Hoje, levantar o dedo indicando "aquilo" já sujeita o piloto a tomar uma punição disso, ou uma penalização daquilo...Os pilotos não precisam disso, e o público, menos ainda. Eles querem ver transparência, os pilotos falarem o que pensam, serem mais legítimos. O aspecto corporativo, que impõe que todos falem bem e de acordo com o figurino "oficial", não desagradando a gregos e troianos, é um dos motivos pelo qual a popularidade da F-1 anda em baixa. Felizmente, ainda há um ou outro caso onde podemos ver os ânimos exaltados na categoria, como a recente discussão da Red Bull com sua fornecedora de motores Renault pelos problemas de suas unidades de potência atuais...
            No caso de Cacá, a grande maioria do pessoal da Stock achou a punição exagerada e desproporcional, para não dizer adjetivos menos elogiáveis, mostrando-se do lado do piloto. E, para azar da CBA, a primeira corrida em Curitiba teve cenas grotescas que beiraram o absurdo, além de um acidente violento envolvendo vários pilotos, como que para apenas afirmar a veracidade da declaração do piloto sobre a "competência da entidade que comanda o automobilismo nacional. E Galvão Bueno, em seu programa "Bem, amigos!" na última segunda-feira, no SporTV, aproveitou para tomar um pouco as dores do filho, em que pese ter atacado pontos cruciais ao afirmar que a CBA "não está fazendo nada pelo automobilismo nacional", afirmando também que a entidade não tem sequer um projeto de formação de pilotos, e também declarando que os dirigentes por vezes não sabem nada do que estão fazendo, nunca tendo entrado em um carro de corrida. Galvão foi direto ao ponto. Mas fica chato esse tipo de crítica, há muito necessária, ter sido feita unicamente depois que o filho foi punido pela entidade. São críticas que já deveriam ser feitas ininterruptamente nos últimos anos, com nosso automobilismo indo para o buraco, da forma como vai, sendo hoje uma sombra do que já foi em tempos não tão distantes.
            O piloto Átila Abreu também foi contundente ao afirmar que quando tem um erro, o piloto é penalizado, mas os comissários não, o que dá a entender a lógica da citação "dois pesos e duas medidas", ao referir-se que ninguém foi punido pelo erro cometido em Ribeirão Preto. Para o piloto Felipe Fraga, o erro da CBA poderia ter resultado em um grave acidente, cujas consequências iriam recair sobre a própria entidade, e Cacá e Gomes se veriam em uma situação difícil causando um acidente inadvertidamente por culpa da direção de prova. Isso é algo que precisa sim ser levado em consideração, pelos riscos inerentes que o automobilismo apresenta.
No ano passado, o piloto Beto Monteiro também tomou um gancho de uma corrida e mais uma multa, por reclamar com o pessoal da CBA em Caruaru.
            Infelizmente, a cartolagem parece pensar de forma diferente.No ano passado, o piloto Beto Monteiro, bicampeão da F-Truck, acabou levando também uma corrida de suspensão, mais uma multa de R$ 25 mil, não tendo participado da etapa de Cascavel, no Paraná. Seu "pecado" foi "ofender" os comissários na etapa de Caruaru. O piloto havia sido punido no treino classificatório por seu caminhão soltar muita fumaça. Monteiro foi à torre da direção de prova e criticou os comissários. Foi o suficiente para a CBA novamente se doer e lascar a punição ao piloto, que declarou apenas ter falado alto com o pessoal, sem xingar nem destratar ninguém. E não adiantou recorrer: o STJD novamente não deu ouvidos e manteve a punição imposta ao piloto. Pior: de acordo com o piloto, o tribunal justificou-se afirmando que tinham de dar o exemplo pelo fato de ele ser um piloto famoso no meio. Totalmente condenável. Isso deixou os ânimos relativamente estremecidos na equipe da Iveco, time onde Monteiro corre.
            Mais recentemente, foi a vez da Indy Racing League engrossar contra seus pilotos, tendo baixado no mês passado uma nova norma onde os pilotos não podem ter ou incentivar atitudes que possam ameaçar ou denegrir a imagem de qualquer competidor, ou da marca "Indy"; seu calendário, eventos, qualquer relação comercial da categoria, sua integridade, reputação, ou confiança do público, bem como pôr em dúvida a legitimidade do regulamento ou de sua aplicação, construção ou interpretação. Isso aconteceu depois da etapa de Fontana, onde os pilotos andaram soltando mais críticas do que o habitual, ao que parece a direção da Indycar não ter ficado muito satisfeita com seus pilotos falando demais. Mark Miles, diretor da entidade que comanda a IRL, apressou-se em declarar que a nova regra do regulamento não é uma "lei da mordaça", afirmando que ela será mais para garantir que eles terão autoridade para agir quando sentir que for preciso. Certo, finjo que acredito, ainda mais porque, mesmo sem esta regra, na mesma prova de Fontana, por ter dado um empurrão em um médico da equipe de resgate após seu acidente na corrida, o atual campeão da categoria, Will Power, da Penske, levou uma multa de US$ 25 mil, além de ter sido posto "sob observação" pelo restante da temporada. Power tinha todo o direito de estar de cabeça quente naquele momento, até porque o acidente que o tirou da prova não foi culpa dele, mas de Takuma Sato, que rodou e atingiu o australiano, que felizmente saiu ileso da pancada que sofreu no muro. Ah, a punição também se deveu às críticas feita por Power à categoria, quando falou sobre a insegurança que o novo pacote aerodinâmico proporcionou pelo fato dos pilotos andarem muito juntos durante a etapa no California Speedway, que poderia gerar inúmeros acidentes nos toques involuntários entre os carros.
Em julho, foi a vez da IRL baixar regra proibindo os pilotos de "denegrir" a imagem da categoria, o que incluiu proibir também críticas e questionar os regulamentos da entidade. Censura na cara dura, e ainda dizem que não é "lei da mordaça"...
            É normal que cada categoria tenha regras para disciplinar o comportamento de seus participantes. O problema está em fazer destas regras obstáculos claros para qualquer piloto que resolva fazer críticas à categoria, sejam elas fundamentadas ou não. Se um piloto costuma ser sujo, desleal, ou antidesportivo na pista, certamente sua credibilidade não será das melhores quando reclama de algo. Porém, se o piloto não está fazendo nada de errado, e quer mostrar que algo não está correto, ou sendo feito de maneira errada, não há motivo porque puni-lo por simplesmente falar o que pensa ou o que precisa ser dito. Em categorias de alto nível no automobilismo, nenhum dos participantes que compete ali é um inconsequente ou um irresponsável, salvo raras exceções. Todos deram duro para chegar onde estão, e por estarem sempre ao volante dos carros, sofrendo em primeira mão os efeitos de certas regras que por vezes são baixadas de forma inepta ou equivocada, eles precisam ser ouvidos, suas idéias discutida, e se chegar a um consenso que permita que seja obtido um proveito da troca de opiniões.
            Mas casos como o de Cacá Bueno e Beto Monteiro, só para exemplificar o que citei neste texto, demonstra que os dirigentes parecem mesmo pouco propensos, senão completamente contrários, a ouvir os pilotos de forma mais imparcial e neutra. Eles vêem as críticas a seus subalternos e à entidade que comandam como desafio à sua autoridade, e que isso não pode passar sem um castigo, para que não sejam novamente questionados, e também não tenham seu poder enfraquecido. Basta lembrar da "justificativa" do STJD na punição de Beto Monteiro: sua punição foi para dar o exemplo de que não importa se o piloto é famoso ou campeão, ele vai ser punido do mesmo jeito, talvez até mais, justamente por ser alguém de renome no meio. Alguém lembrou também da punição da FIA a Ayrton Senna pelas críticas que o piloto fez pela sua desclassificação em Suzuka, no Grande Prêmio do Japão de 1989? Jean-Marie Balestre, presidente da FIA, ameaçou expulsar o brasileiro da F-1 se ele não pedisse desculpas pelo que disse. E Senna precisou engolir as palavras e se desculpar. Esse tipo de palhaçada já não é algo novo. Aliás, já faz um bom tempo que as entidades que comandam o esporte, não apenas no Brasil, andam com a moral em baixa, se é que tem alguma. Posso citar o caso dos vários membros da FIFA, e até da CBF, presos recentemente por picaretagens na condução do futebol em suas áreas. Se a CBA não tem nenhum escândalo que justifique a prisão de algum de seus integrantes, por outro lado eles também não estão fazendo muito para merecerem o que ganham, do contrário, o automobilismo brasileiro não estaria do jeito que está hoje. E nem preciso citar como não apenas a CBA, mas o COB, além de vários outros cartolas e políticos, se juntaram para "destruir" o autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, movidos a interesses escusos dos quais o do desenvolvimento do esporte é que não foi.
            Por essas e outras, os pilotos não podem ser tratados da forma que são hoje em dia. E quem tem cacife no meio, que fale pelos demais. Cacá, indignado com sua punição, já adiantou que não vai mudar o que pensa, nem ficar quieto, se precisar dizer alguma coisa. Infelizmente, os pilotos, sejam de quais categorias forem, dificilmente se unem atualmente para defender um dos seus quando este é injustamente punido pela cartolagem. Nessa hora, cada um está cuidando de sua própria vida, e lamentavelmente, é com isso que os dirigentes contam para manterem seu poder e não serem desafiados quando algum piloto expõe suas mazelas. As regras do regulamento viraram apenas uma ferramenta para se justificar calar a voz de quem ouse falar mais do que lhe é reservado, e a censura não pode prevalecer. Portanto, fora com a censura!
            E tenho dito...
Por receber ajuda e voltar à pista cortando a chicane na pista de Suzuka, após seu acidente com Alain Prost em 1989, Ayrton Senna foi desclassificado. Por criticar a FIA, esta ameaçou cassar sua superlicença, que na prática o baniria da F-1. Jean-Marie Balestre exigiu desculpas e Senna teve de voltar atrás...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FLYING LAPS - JULHO DE 2015



            O mês de julho já foi, e a segunda metade de 2015 já tem um mês a menos. Tentando sempre acompanhar os acontecimentos que rolam por vezes tão rápido quanto os carros na pista no o mundo da velocidade, é hora de mais uma edição da Flying Laps, trazendo algumas considerações em notas breves sobre alguns dos acontecimentos ocorridos neste último mês de julho. Portanto, boa leitura a todos, e no mês que vem, tem muito mais por aqui...


O bicampeão da MotoGP, Marc Márquez, enfim deu um tempo para o azar, e conseguiu quebrar a sequência de vitórias da dupla da Yamaha, e mostrar que ele e a Honda ainda podem promover uma reviravolta na disputa pelo título da classe rainha do motociclismo. Na etapa da Alemanha, disputada no circuito de Sachsenring, Márquez largou na pole, e enfrentou um Jorge Lorenzo inspirado de início, roubando-lhe a ponta e prometendo complicar a situação. Mas a liderança do piloto da Yamaha não durou muito, e Márquez retomou a ponta para não mais perdê-la até a bandeirada final. Em contrapartida, Valentino Rossi começou sua escalada rumo às primeiras posições, e chegou mesmo a estar em 2° lugar na prova, deixando seu parceiro de time Lorenzo para trás. Mas quem também estava disposto a mostrar a força da Honda na pista alemã foi Dani Pedrosa, que depois de uma forte disputa, deixou Rossi também para trás, assumindo a 2ª colocação, e chegando até a diminuir a distância que o separava do parceiro Márquez. Assim, a Honda conseguiu sua primeira dobradinha na temporada, que chegou à sua metade com o time da Yamaha comandando a classificação do campeonato, mas com o aviso de que a Honda, especialmente com o atual bicampeão Márquez, ainda tem o que oferecer na disputa, mesmo com a desvantagem atual de seu principal piloto na classificação. Valentino Rossi ainda é o líder da competição, com 179 pontos, seguido de seu parceiro Jorge Lorenzo, com 166. Andrea Iannonne, da Ducati, ainda é o 3° colocado na tabela, com 118 pontos, mas Marc Márquez já encostou no italiano, estando logo atrás, com 114 pontos. Andrea Dovizioso, com a outra Ducati, é o 5° colocado, com 87 pontos. Dani Pedrosa, depois de ficar de fora de várias etapas, se recuperando de uma cirurgia feita no início de abril, é o 7° colocado, com 67 pontos. A etapa de Sachsenring foi a primeira corrida da temporada em que Pedrosa andou firme no mesmo ritmo dos ponteiros e acompanhando Marc Márquez com afinco, e promete pelo menos engrossar a luta pelos primeiros lugares nas corridas da segunda fase do campeonato. A próxima etapa será no dia 9 de agosto, no traçado misto do autódromo de Indianápolis.


O campeonato da Indy Racing League teve um mês bem agitado em se tratando da disputa pela vitória nas etapas de julho. na segunda corrida de 500 milhas do campeonato, disputada no California Speedway, em Fontana, a vitória ficou com Graham Rahal, que conquistou assim seu segundo triunfo na categoria. Filho do tricampeão da F-Indy Bobby Rahal, Graham defende atualmente a escuderia fundada por seu pai, que estreou em 1992 na F-Indy, onde o pai conquistou seu 3° e último título. Rahal havia vencido a corrida de estréia na categoria, em 2008, no circuito de rua de São Petesburgo, no que foi a última vitória da equipe Newmann/Hass em uma categoria Indy, e também a sua única no certame da IRL. Tony Kanaan bateu novamente na trave, terminando a prova em 2° lugar, com Marco Andretti fechando o pódio na 3ª colocação. Juan Pablo Montoya fez uma corrida competente, e finalizou em 4° lugar, mantendo-se sempre constante e reafirmando sua liderança no campeonato. Scott Dixon, que também luta pelo campeonato, fez um 6° lugar, e também se manteve firme na disputa. Para a Penske, apenas Montoya conseguiu um bom resultado em Fontana, com seu 4° lugar: Simon Pagenaud terminou a corrida em 9° lugar, depois de largar na pole-position, numa primeira fila toda da Penske, com Hélio Castro Neves largando em 2° lugar, mas tendo o azar de sofrer um acidente durante a prova, felizmente, sem ferimentos para o piloto, destino que também foi compartilhado pelo atual campeão, Will Power.


Um ponto negativo na corrida de Fontana foi o pouco público presente no circuito. Embora a corrida tenha sido emocionante, com os carros andando sempre próximos uns dos outros (aliás, na opinião dos pilotos, próximos até demais, favorecendo a possibilidade de acidentes, como o que tirou Helinho da corrida, e perto do final, com a capotagem sofrida por Ryan Briscoe, após decolar com o carro em um toque com Ryan Hunter-Reay), as enormes arquibancadas do California Speedway estava praticamente vazias em sua grande maioria. A divulgação da corrida foi pífia, no que pode ser um mancha para a imagem da categoria, que ainda tenta se reerguer perante o público americano. Consta que Ryan Hunter-Reay, ao visitar sua família no fim de semana da corrida, teria ficado surpreso por eles nem mesmo saberem que seria disputada a prova naquele fim de semana. E olha que era a família de um dos principais pilotos da competição, que já foi campeão pela equipe de Michael Andretti. Embora a responsabilidade de divulgação das corridas caibam aos promotores locais das mesmas, não há como negar que a própria Indycar tem de se mobilizar para conseguir efetivar melhor a divulgação das provas. Correr numa pista onde as arquibancadas estão praticamente sem ninguém é algo muito triste e que compromete a seriedade e o trabalho desenvolvido para se conduzir uma competição com credibilidade. Para não mencionar que, sem um público decente, uma corrida não dá lucro, e sem lucro, não se tem corrida. E, sem corrida, podemos ficar sem campeonato, ou quase isso. Os dirigentes que se mexam e dêem um jeito de promover melhor o campeonato, porque as corridas têm sido boas, e com um equilíbrio de vencedores até interessante. E autódromos lotados mostram bem como uma categoria interage com seu público e a promove com competência. Alguém já viu uma prova da Nascar com pouco público nas arquibancadas? De memória, não me lembro de nenhuma...


Na prova seguinte, no circuito oval de Milwaukee, foi Sebastian Bourdais a triunfar, com a KV Racing. Hélio Castro Neves fechou a corrida na 2ª posição, após uma corrida de recuperação, tendo largado em último. Graham Rahal novamente esteve no pódio, em 3° lugar, e Juan Pablo Montoya, por sua vez, conseguiu outro 4° lugar, mantendo sua regularidade na competição. E quem pareceu ter voltado a sentir a maldição dos ovais foi Will Power. No seu início como piloto do time de Roger Penske, o australiano arrepiava nos circuitos de rua e mistos, mas não conseguia mostrar o mesmo domínio nas pistas ovais. Nos últimos tempos, Power tratou de corrigir esse problema, como mostrou o seu 2° lugar na Indy500 deste ano. Mas, vez por outra, ele ainda volta a ter alguns azares neste tipo de pista. Foi o que ocorreu em West Allis, quando o atual campeão da IRL acabou sendo acertado numa das relargadas da prova por Ryan Briscoe, que rodou sozinho e acabou acertando o carro do australiano, com ambos dizendo adeus à corrida. Vale lembrar que o australiano também acabou sofrendo um acidente na corrida de Fontana, outra pista oval, desta vez em um enrosco com o japonês Takuma Sato.


Enquanto Penske, Ganassi e a Rahal/Letterman/Lanigan discutem o campeonato na IRl 2015, quem anda por baixo na atual temporada é a Andretti Autosport. A escuderia aparentemente não tem conseguido se encontrar com o novo kit aerodinâmico produzido pela Honda, e o desempenho de seus pilotos no campeonato tem dependido mais de brilhos esporádicos do que de performance propriamente. O melhor que o time havia conseguido no ano foi a vitória de Carlos Muñoz na primeira corrida de Detroit, com direito a dobradinha com Marco Andretti, que também conseguiu um pódio na etapa de Fontana, mas para a fama do time de Michael Andretti, estava sendo muito pouco. E eis que a etapa de Iowa sorriu para a escuderia, ou mais propriamente para Ryan Hunter-Reay, que conseguiu para seu time a 5ª vitória consecutiva no menor circuito oval do campeonato. Para os brasileiros na corrida, o início promissor não se confirmou durante a prova: Hélio Castro Neves largou na pole, mas foi perdendo rendimento durante a parte final da corrida, finalizando em 11° lugar. Já Tony Kanaan, que largou na primeira fila ao lado do compatriota da equipe Penske, foi ainda pior: depois de liderar um bom tempo, e estar sempre entre os primeiros colocados, o piloto baiano enfrentou problemas em seu carro e abandonou a corrida. E a prova de Iowa marcou o primeiro abandono de Juan Pablo Montoya na temporada. O colombiano vinha terminando todas as corridas até então, mas no pequeno circuito oval, enfrentou sua primeira quebra na temporada, quando sua suspensão quebrou e o líder do campeonato foi parar no muro. Melhor para Montoya que um de seus principais perseguidores na luta pelo título, Scott Dixon, também não viu a bandeirada, sofrendo um abandono na prova. O resultado da corrida deixou Graham Rahal, que terminou a prova em 4° lugar, na vice-liderança do campeonato, superando Dixon na pontuação.


No Mundial de Rali 2015, o francês Sébastien Ogier continua deitando e rolando. A etapa da Polônia, disputada neste mês de julho, viu novamente a vitória do atual campeão da categoria. Para a Volkswagen, melhor, impossível: Andreas Mikkelsen fechou a dobradinha do time de fábrica no pódio, e de quebra, assumiu a vice-liderança da competição, com 83 pontos, pouco mais do que a metade da pontuação de Ogier no campeonato, que é de 161 pontos. O terceiro lugar na classificação está bem disputado, entre o norueguês Mads Ostberg, com 69 pontos, e o finlandês Jari-Matti Latvala, com 66 pontos. Com 6 etapas para fechar o campeonato de 2015, por mais esperanças que tenham, o tricampeonato de Ogier na competição é apenas uma questão de tempo. A única dúvida é saber em que prova o francês vai conseguir fechar matematicamente a disputa, uma vez que mesmo tendo o mesmo equipamento, seus companheiros na equipe Volkswagen pouco conseguem fazer para equilibrar a disputa: Latvala ficou sem pontuar em 3 etapas, enquanto Mikkelsen zerou os pontos em uma etapa. Ogier, por outro lado, não deixou de pontuar em nenhuma etapa até aqui, mesmo quando zerou no resultado geral, como na Argentina, mas marcou 3 pontos pelo triunfo no Power Stage da etapa. E Mads Ostberg, da Citroen, só teve como melhor resultado dois segundos lugares nas etapas disputadas até aqui. Só um desastre mesmo para deter o piloto francês da Volkswagen...
 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

HUNGRIA, 30 ANOS NA F-1


A má largada dos pilotos da Mercedes deu à Ferrari a chance de tomar a liderança logo no início da prova húngara, que comemorou 30 anos, e ofereceu a melhor corrida da temporada 2015 da F-1 até aqui...

            Domingo passado tivemos a melhor corrida do campeonato deste ano na F-1, com a realização do Grande Prêmio da Hungria, que chegou à sua 30ª edição, estando presente no calendário da categoria desde a sua estréia no certame, no já distante ano de 1986, um feito que não é de se desprezar, ainda mais pelo fato de que esta corrida muitas vezes carrega a fama de monótona, por causa do travado circuito de Hungaroring, próximo à capital do país, a bela cidade de Budapeste.
            Sebastian Vettel e seu companheiro Kimi Raikkonem aproveitaram as péssimas largadas de Lewis Hamilton, o pole-position, e Nico Rosberg, da poderosa favorita destacada Mercedes, para assumirem o comando da prova e lá se manterem firmes, com a vitória de Vettel, e que só não teve dobradinha para a equipe de Maranello porque o sistema de recuperação de energia do carro de Kimi deu problemas e o finlandês foi forçado a abandonar a prova. Enquanto Vettel seguir firme na liderança, atrás acontecia de tudo um pouco: Hamilton errava a torto e a direito, disputava-se posição com toques roda a roda, roda com pneu, roda com bico de carro, etc. Não por acaso, a FIA distribuiu suas tradicionais punições a rodo para vários pilotos; só Pastor Maldonado levou 3, recheando o seu currículo de confusões na pista. Ao final, a Red Bull colocou seus dois pilotos no pódio, e quem também comemorou foi a McLaren, colocando seus dois pilotos na zona de pontos, amenizando um pouco aquela que tem sido a pior temporada da escuderia desde 1980. O melhor de tudo é que não foi preciso a chuva para bagunçar o panorama da corrida, mas teve um safety car em virtude da batida de Nico Hulkenberg ao fim da reta dos boxes devido à quebra do bico de seu carro, deixando vários detritos na pista, e rejuntando o pelotão que estava meio disperso, e ajudando a apimentar a competição. E depois, ainda tecem cobras e lagartos sobre a pista, por ser muito travada, e não ter pontos de ultrapassagens - exceção óbvia à reta dos boxes...
            Essa corrida já chamou atenção antes mesmo da realização de sua primeira edição, em meados dos anos 1980. Através de negociações de Bernie Ecclestone, na época dono da escuderia Brabham e presidente da FOCA - Associação dos Construtores da Fórmula 1, o astuto dirigente já vinha cortejando os países do bloco comunista, que começavam a se liberalizar um pouco, e abrandar a imagem da "Cortina de Ferro". A idéia era realizar um GP em Moscou, sede da União Soviética, mas foram os húngaros os mais receptivos à idéia de sediarem um Grande Prêmio de F-1, e o acordo foi fechado com vistas ao GP fazer sua estréia no campeonato de 1986.
            Os húngaros souberam trabalhar: construíram o circuito de Hungaroring, e efetuaram um trabalho de logística e promoção impecáveis. O resultado foi a realização da primeira corrida de Fórmula 1 em um país comunista, em 10 de agosto de 1986, e com um público recorde de praticamente 200 mil pessoas no circuito, vindo de todos os países do Leste Europeu, ávidos para conhecer a categoria máxima do automobilismo, e um dos expoentes máximos do capitalismo, regime que os comunistas geralmente desprezavam.
Na corrida de estréia do GP, em 1986, ainda na época da "Cortina de Ferro", Ayrton Senna e Nélson Piquet duelaram espetacularmente pela vitória, com direito a uma ultrapassagem antológica de Piquet sobre o rival Senna...
            E os húngaros tiveram chance de assistir a um duelo memorável entre dois brasileiros pela vitória. Ayrton Senna, defendendo a Lotus/Renault, largou na pole, e fez valer a posição de honra na corrida, sendo acossado desde o início pelas Williams/Honda, com seu conterrâneo Nélson Piquet a manter-se firme na sua traseira durante mais da metade da corrida. Piquet chegou a tomar a liderança, mas na troca de pneus no box, Ayrton retornou à ponta, e o duelo entre os dois recomeçou com tudo, culminando na famosa ultrapassagem de Piquet a Senna na freada do retão dos boxes, com Nélson a fazer a curva com uma derrapagem controlada de seu Williams, fechando a porta para impedir Senna de retomar a ponta, como acontecera na tentativa de ultrapassagem anterior. A manobra é considerada por muitos até hoje como a mais espetacular ultrapassagem da história da categoria, e tanto Senna quanto Piquet ofereceram um espetáculo para o público presente. Piquet vencia a corrida, com Senna em segundo lugar, e Nigel Mansell fechando o pódio em 3°. Aliás, não por outra razão que domingo passado Bernie Ecclestone e Nélson Piquet foram homenageados durante o fim de semana da prova húngara por ocasião da comemoração dos 30 anos da corrida, com ambos a desfilarem em carro pela pista, sendo aplaudidos pelo público. Homenagem mais do que justa para quem conseguiu viabilizar a prova, e para o seu primeiro vencedor.
            Aliás, a corrida húngara teve forte presença brasileira desde o seu início. Tamas Rohonyi, húngaro radicado no Brasil desde os anos 1950, e que já atuava no Grande Prêmio do Brasil, foi um dos homens escolhidos por Ecclestone para ensinar aos seus compatriotas os macetes de organização do GP. E o domínio brasileiro na competição seguiu em 1987, com nova vitória de Piquet, com Senna novamente em 2° lugar. Nigel Mansell vinha firme para a vitória, mas perdeu uma porca de uma das rodas de sua Williams a poucas voltas do final, abandonando a corrida. Em 1988, foi a vez de Ayrton Senna manter a supremacia brasileira, em uma prova onde travou um forte duelo com seu companheiro na McLaren, Alain Prost.
            Somente em 1989 o domínio brasileiro na Hungria seria quebrado: Nigel Mansell, com uym show de pilotagem, saiu da 12ª posição no grid para a vitória em um GP marcado por várias disputas. Aliás, a fama de circuito travado, e que favorece corridas chatas e sem atrativos, é até certo ponto injusta com o Hungaroring. Tivemos realmente corridas monótonas e chatas na pista, mas também tivemos corridas sensacionais e bem disputadas, com direito a performances e duelos antológicos, e resultados inesperados. As etapas de 1986, 1987, 1988, e 1989 foram bons exemplos. E a prova de 1990 também não fugiria à regra: a pole foi do belga Thierry Boutsen, então na Williams/Renault, que largou bem, e manteve-se firme para conquistar sua 3ª e última vitória na categoria, tendo sempre atrás de si a corrida inteira vários outros pilotos, em disputa ferrenha para tomar-lhe a dianteira, e com direito a alguns duelos que não terminaram da melhor forma para seus contendores.
            Outras corridas interessantes foram as etapas de 1991 e 1992. A Williams assumia sua posição de equipe dominante na categoria, mas em 91, depois de 5 provas arrasando a concorrência, foi Ayrton Senna quem comandou uma reação magistral justamente na prova húngara, iniciando ali sua arrancada para o tricampeonato, que conquistaria no fim do ano, em Suzuka, no Japão. Já em 1992, o brasileiro foi novamente vencedor na corrida húngara, em um ano onde a Williams foi mais dominadora do que nunca, mas teve novamente seus azares em Hungaroring, com o pole Riccardo Patrese a abandonar com motor quebrado. Mas Nigel Mansell, em uma corrida calma e sem sobressaltos, satisfez-se com o 2° lugar, conquistando ali o seu único título na categoria, na única vez em que a prova húngara viu a definição de um título de pilotos.
Com a modesta Arrows-Yamaha, Damon Hill deu show na Hungria em 1997, por pouco não vencendo a corrida, no que prometia ser a maior zebra da temporada...
            Um novo show seria mostrado em 1997, quando Damon Hill, então campeão do ano anterior, e defendendo a fraca Arrows/Yamaha, exibiu uma performance espetacular, por pouco não vencendo a corrida, terminando apenas em 2° lugar porque seu carro enfrentou uma pane hidráulica a 2 voltas do fim, permitindo que fosse ultrapassado por Jacques Villeneuve, que venceu a corrida. Em 2006, uma chuva providencial ajudou a bagunçar as estratégias de equipes e pilotos, e quem venceu foi Jenson Button, obtendo então sua 1ª vitória na F-1, tendo largado em 14° lugar. No ano passado, a chuva também foi responsável por agitar a corrida, obrigando os pilotos a alterar seus planos em virtude da precipitação que caíra antes da largada e molhara fortemente a pista. E, claro, a batida de Marcus Ericsson ajudou a terminar de bagunçar as estratégias e planos de todos, com uma intervenção do safety car. No fim, vitória de Daniel Ricciardo, com uma disputa feroz pela liderança nas voltas finais, onde até mesmo Fernando Alonso, com uma Ferrari meio capenga, conseguiu lutar pela vitória e conseguiu o melhor resultado da escuderia italiana em 2014. E sobre domingo passado, tivemos a melhor corrida do campeonato até aqui...
            Desde a estréia, a pista de Hungaroring passou por algumas mudanças pontuais, sempre objetivando deixá-la, se não mais veloz, com pelo menos alguns pontos mais favoráveis de ultrapassagem. É verdade que a corrida ficou um pouco mais veloz, mas também teve seu número de voltas reduzido, e a pista não ficou mais fácil no que tange às ultrapassagens, nem mesmo com o uso do atual DRS, a asa móvel traseira, com seus pontos de utilização na grande reta dos boxes e no pequeno trecho logo a seguir após a curva n° 01 do circuito. A primeira corrida deveria ter tido 77 voltas, mas com o limite de duas horas atingido, a prova foi encerrada com 76 voltas. No seu início, o circuito contava com um traçado de 4,014 Km de extensão. Em 1989, o circuito teve sua primeira alteração: foi suprimida uma curva que existia entre as atuais curvas 3 e 4, criando uma pequena reta, que infelizmente não se converteu em um novo ponto de ultrapassagem. A curva está lá até hoje, mesmo nunca mais tendo sido usada. Com isso, o traçado encolheu para 3,968 Km, e o percurso da prova mudou para as 77 voltas previstas inicialmente. Um pouco menor, a prova ficou mais rápida com uma curva a menos, e mesmo com uma volta a mais, a corrida de 1989 terminou com aproximadamente 1h50min de duração, praticamente 10min a menos que a primeira corrida, em 1986.
            Em 2003, ocorreram as últimas mudanças no traçado de Hungaroring: a reta dos boxes ficou um pouco mais longa, e o trecho entre as curvas 11 e 13 foi modificado, criando-se um novo trecho de reta, finalizado por uma curva mais fechada. O objetivo era, obviamente, tentar oferecer mais pontos de ultrapassagem na travada pista húngara, mas os resultados não frutificaram como o esperado: a reta dos boxes, maior, não ofereceu mais facilidades de ultrapassagem do que antes; e o novo trecho de reta entre as curvas 11 e 12, a exemplo do trecho entre as curvas 3 e 4, criado anos antes, também de reta, não ajudou a facilitar as disputas de posição. Foi neste ano também que a prova teve seu percurso reduzido, das 77 voltas, para 70, configuração que permanece até hoje.
O circuito próximo a Budapeste continua tão travado quanto em sua estréia, 30 anos atrás, mas tem conseguido ser palco de boas corridas em várias oportunidades.
            Se a pista, apesar de tudo, continua travada, e sempre ameaçando ser palco de uma corrida engessada e sem atrativos, apesar das boas provas que sediou, fora da pista as coisas mudaram muito nestes últimos 30 anos. Em primeiro lugar, a Cortina de Ferro, que já dava alguns sinais leves de corrosão em 1986, caiu de vez em 1989. Os regimes comunistas do Leste Europeu foram substituídos por democracias. Restaurou-se a liberdade, e alguns países, como a Iugoslávia, desapareceram, desmembrando-se. O Muro de Berlin, maior símbolo da divisão do mundo entre capitalistas e comunistas (ou socialistas, dependendo da opinião), caiu. A Alemanha reunificou-se. A própria Hungria hoje é um país mais próspero do que jamais foi em seus tempos comunistas. Há dificuldades, claro, que em certos tempos até colocaram a corrida de F-1 em perigo de deixar o calendário, em prol de corridas em lugares mais atrativos. Mas o GP conseguiu resistir a tudo, e segue firme no calendário, por mais que haja críticos defendendo sua extinção em defesa do retorno de outras provas européias, como a da França, que há anos perdeu seu GP, assim como Portugal.
            A manutenção de uma corrida na F-1 por vezes resulta de uma equação delicada, entre interesses dos organizadores, do país anfitrião, da FOM, e do interesse do público. Nem sempre a equação fica equilibrada, mas se a prova húngara conseguiu sobreviver até hoje, para comemorar 30 anos de realização, é um sinal de que conseguiu equilibrar os requisitos necessários para a manutenção da prova. E, enquanto a Hungria continuar conseguindo sediar corridas como as do último domingo, os fãs do esporte a motor certamente terão motivos para comemorar sua manutenção no calendário da F-1. Então, vida lona ao GP da Hungria!


A Formula-E continua seus preparativos para o seu segundo campeonato, com início para o dia 17 de outubro, em Pequim, na China, e esta semana a direção da categoria confirmou que os 10 times presentes no primeiro campeonato, vencido pelo brasileiro Nelson Ângelo Piquet, continuarão firmes na próxima temporada da competição. No próximo dia 10 de agosto, a categoria terá sua primeira sessão coletiva de testes para a nova temporada, a ser realizada no circuito inglês de Donington Park. Com a entrada de novos grupos no fornecimento dos motores elétricos que impulsionam os carros, está sendo avaliado a possibilidade de um incremento de potência para as disputas, visando tornar os bólidos mais rápidos. É algo a ser conferido, que deve deixar as corridas mais disputadas ainda, esperam todos.


Começam hoje os treinos para a antepenúltima etapa do campeonato 2015 da Indy Racing League, que entra em sua reta final, restando ainda as etapas de Pocono e Sonoma para fechar a competição. O palco é o circuito de Mid-Ohio, em Lexington. Juan Pablo Montoya é o líder da competição, e contou com a sorte de seus principais rivais não terem tido um bom resultado na última corrida, em Iowa, para se manter firme ainda na liderança, mesmo com o abandono no pequeno circuito oval, o seu primeiro no ano. Mas a disputa na vice-liderança segue embolada, e agora com a presença de Graham Rahal, que aparece como possível candidato ao título, estando 42 pontos atrás de Montoya. Será que o filho do tricampeão da F-Indy original Bobby Rahal vai conseguir surpreender e ameaçar efetivamente Montoya? Temos 3 corridas para verificar isso, e a disputa promete ser interessante...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - JULHO DE 2015



            Olá a todos os leitores. Estamos fechando mais um mês, e julho está ficando para trás, prestes a adentrarmos o mês de agosto, no segundo semestre de 2015. Como ocorre todo fim de mês, é hora de termos novamente a COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com uma avaliação dos acontecimentos do mundo do esporte a motor neste mês que está se encerrando. Então, uma boa leitura a todos, com o velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). E no fim do mês de agosto teremos a próxima edição da Cotação Automobilística, sempre neste mesmo endereço virtual...



EM ALTA:

Grande Prêmio da Hungria de F-1: O circuito de Hungaroring só perde para Monte Carlo em se tratando de uma pista travada e quase sem pontos de ultrapassagem, mas ninguém pode negar que a prova ultimamente tem tido umas edições bem agitadas que ajudaram a esquecer um pouco a monotonia do campeonato. Se em 2013 foi palco da primeira vitória de Lewis Hamilton pela Mercedes, no ano passado vimos a segunda vitória de Daniel Ricciardo na F-1, e este ano, foi Sebastian Vettel a conquistar a segunda vitória da Ferrari no ano, e não termos nenhum piloto da Mercedes no pódio. Tanto em 2014 quanto este ano, a intervenção do Safety Car ajudou a embaralhar um pouco a situação da corrida, e os pilotos, com pilotagens inspiradas, ajudaram a apresentar uma corrida com mais variáveis do que o habitual. Nada mal para um GP que acabou de completar 30 anos de vida...

Sebastian Vettel: O tetracampeão mundial vem provando o grande piloto que é, sendo o mais próximo perseguidor e rival dos pilotos da imbatível Mercedes no campeonato deste ano na F-1. E, quando a oportunidade de desbancar os rivais prateados, ele não desperdiça as chances, como fez na Inglaterra, para superar as Williams, ou na Hungria, onde com uma largada perfeita, assumiu a liderança da corrida para rumar firme para mais uma vitória, obtida com uma pilotagem precisa e inspirada. E a vitória na corrida húngara o igualou em número de triunfos a ninguém menos do que Ayrton Senna, com 41 vitórias, perdendo agora apenas para Michael Schumacher, com 91; e Alain Prost, com 51. Alcançar Schumacher pode ser extremamente difícil, mas superar Prost não é nada impossível. Vettel está calando seus detratores com muita categoria e competência. E vai conquistar a glória suprema se levar a Ferrari novamente ao título de pilotos.

Nelson Ângelo Piquet campeão da Formula-E: E Nelsinho Piquet sagrou-se campeão do primeiro certame de carros de competição monopostos movidos a eletricidade do mundo. A rodada dupla disputada no Battersea Park, em Londres, teve tudo para apresentar uma decisão dramática para o piloto brasileiro, uma vez que o principal azarão da competição, Sebastién Buemi, venceu a primeira corrida, ao passo que Nelsinho obtinha um resultado apenas satisfatório. Com o suíço tornando-se uma ameaça séria, Piquet ainda teve uma classificação conturbada na segunda rodada, e precisou de muita calma e uma pilotagem determinada, além de um pouco de sorte, para chegar à posição necessária para faturar o título da categoria. A conquista do título reabilita Nelsinho definitivamente no automobilismo internacional, deixando para trás o escândalo de Cingapura de 2008, que acabou fazendo com que o jovem Piquet acabasse saindo da F-1 no ano seguinte, e precisasse buscar um novo rumo em sua carreira. E Piquet estará novamente nas pistas defendendo seu título da F-E no segundo campeonato da categoria, que deve começar em outubro.

Graham Rahal: O filho de Bobby Rahal, tricampeão da antiga F-Indy está conseguindo enfim dar um novo ânimo na carreira no atual campeonato da Indy Racing League. Graham conseguiu voltar a vencer na categoria, obtendo sua 2ª vitória na prova de Fontana, e vem sendo extremamente regular na competição, ocupando no momento a vice-liderança do campeonato, atrás apenas do colombiano Juan Pablo Montoya, da Penske, que tem 45 pontos de vantagem para o americano. Com apenas 3 provas para encerrar a competição, Graham precisa torcer um pouco pela sorte para poder anular a grande vantagem de Montoya na classificação, mas também tem de se preocupar com a forte concorrência dos outros pilotos, que estão muito próximos dele na pontuação. É também um orgulho para Graham que seu melhor campeonato na IRL até agora esteja sendo feito quando defende justamente o time comandado por seu pai, a Rahal/Letterman/Lannigan, que desde que foi campeã em 1992 na F-Indy original com o próprio Bobby Rahal, nunca mais conseguiu um título, tendo como melhor resultado o vice-campeonato obtido pelo sueco Kenny Brack em 2001 na antiga F-Indy.

Censura no automobilismo: Por ter chamado de "imbecis" os representantes da CBA na prova de Ribeirão Preto, válida pelo campeonato brasileiro da Stock Car, em uma conversa que deveria ser privada, mas acabou divulgada para o público, Cacá Bueno tomou uma multa de R$ 50 mil e ainda levou uma corrida de suspensão, por violar o estatuto da categoria, que proíbe que os pilotos teçam comentários desrespeitosos que possam denegrir a imagem da Stock e da Confederação Brasileira de Automobilismo. E seguindo a onda, depois das muitas críticas feitas pelos pilotos após a etapa de Fontana pelo campeonato da Indy Racing League, a direção da Indycar também baixou uma norma proibindo os pilotos de terem atitudes críticas para com a categoria, e que possam também contribuir para manchar a imagem do esporte. O diretor da Indycar, Mark Miles, garante que não se trata de uma "lei da mordaça", mas isso não vai livrar a cara da entidade, que claramente está impondo também uma censura ao que os pilotos podem ou não dizer a respeito do campeonato que disputam. Pelo visto, o autoritarismo está se disseminando no automobilismo, e dali a pouco, periga os pilotos não poderem falar nada do que realmente pensam. Atitudes assim só queimam a imagem de uma competição...



NA MESMA:

Equipe Mercedes: O time alemão sediado em Brackley ainda dispõe do melhor carro e ainda domina o campeonato da F-1, mas tanto a escuderia quanto seus pilotos precisam trabalhar firme quando algo sai do script usual planejado. Foi assim na Inglaterra, quando foram surpreendidos pela Williams na largada, mas souberam dar a volta por cima durante a corrida, aproveitando-se de sua melhor competitividade quando a chuva começou a molhar Silverstone. Mas há também os momentos em que as coisas não dão muito certo, o que ocorreu na Hungria, onde quem surpreendeu na largada foi a Ferrari, mas em uma pista travada e com poucos pontos de ultrapassagem, não conseguiram retomar a ponta da prova, e ainda sofreram com percalços de origem própria (Lewis Hamilton errando e saindo da pista) ou alheia, em disputas ferrenhas com outros pilotos (Nico Rosberg tendo seu pneu furado na disputa de posição com Daniel Ricciardo). Mas a concorrência ainda precisa melhorar se quiser bater com mais eficácia o time alemão, que segue firme para o título tanto de pilotos quanto de construtores.

Valtteri Bottas: O piloto finlandês é o mais cotado para ser o próximo companheiro de Sebastian Vettel na Ferrari em 2016, diante da falta de resultados de seu conterrâneo Kimi Raikkonen no time italiano. Visto como um piloto tremendamente rápido e eficiente, Bottas já estaria até dando pistas de que vai mesmo sair da Williams, com insinuações de certo inconformismo com algumas atitudes do time, como se podia ou não ultrapassar Felipe Massa na Inglaterra, ou declarando que não vê possibilidade de vencer pela Williams. Bottas efetuou um grande campeonato em 2014, suplantando facilmente Massa no time, mas este ano a parada está um pouco mais equilibrada, em termos de resultados, o que acaba desmistificando um pouco sua aura de grande fenômeno das pistas. Resta saber qual seria a melhor posição do finlandês: esperar mais um ano na Williams, com possibilidade de se transferir para a Mercedes em 2017, onde certamente teria um carro campeão à espera, ou ir para a Ferrari em 2016, e torcer para o time italiano conseguir desbancar os carros prateados. Difícil saber qual a melhor decisão a tomar, e não depende apenas dele, mas também de seu empresário, Toto Wolf, que é um dos dirigentes da Mercedes.

Equipe McLaren: O time inglês teve na Hungria sua melhor corrida do ano, marcando pontos tanto com Jenson Button quanto com Fernando Alonso, que foi das trevas da classificação no sábado, com seu carro enguiçando no Q2, ao céu com um improvável 5° lugar na corrida, resultado excelente pelo andar deficiente do monoposto até aqui na temporada. Mas, apesar do bom final de semana, o time inglês não pode se iludir: ainda tem muito o que melhorar, especialmente por parte da Honda, para voltar a ocupar o lugar de protagonista na F-1, do qual já anda ausente há 3 temporadas. A Honda insiste em seguir o seu cronograma, enquanto a McLaren pede mais urgência no trabalho de desenvolvimento da unidade de potência, que ainda está muito abaixo dos demais concorrentes. E, sem potência à altura, a equipe que se prepare para ter maus fins de semana nas etapas da Bélgica e da Itália, disputadas em pistas altamente velozes, que poderão expôr toda a falta de potência da unidade de força nipônica.

Valentino Rossi: O multicampeão italiano continua na ponta do campeonato 2015 da MotoGP, e conseguiu abrir distância para seu companheiro de equipe Jorge Lorenzo, 13 pontos atrás, que vinha em ascenção e prometia tomar a dianteira do parceiro de time na classificação. Mas a disputa do campeonato ainda esta plenamente em aberto, e Marc Márquez mostrou na etapa da Alemanha que quer voltar à briga, e tem condições de embaralhar a disputa, atualmente restrita aos pilotos da Yamaha. Mas Rossi está atento e firme na disputa, e mantendo grande regularidade para continuar na liderança do campeonato, que promete uma segunda metade de temporada das mais disputadas. Valentino que se cuide, pois vai sofrer marcação cerrada na pista...

Simon Pagenaud: O piloto francês fez excelentes campeonatos na IRL em 2013 e 2014, a ponto de Roger Penske apostar nele para reforçar seu time, que já era o mais poderoso da categoria, e aumentar o plantel para 4 carros a tempo integral no campeonato. Mas até agora Simon ainda não conseguiu repetir na maior escuderia as boas performances que exibia nos tempos da equipe de Sam Shmidt. Não que Pagenaud esteja guiando mal, mas tem enfrentado vários percalços e problemas menores que mostram que sua adaptação à Penske ainda pode demorar um pouco a render todos os frutos que eram esperados. No ano passado, Juan Pablo Montoya também demorou um pouco a se aclimatar novamente à competição de monopostos, mas superou essa fase, e este ano, lidera a competição. Roger Penske sabe ter paciência, mas o principal Pagenaud vem mostrando, que é ser um piloto que não se mete em enrascadas e que vive aos trancos e barrancos na categoria. Uma hora ele vai mostrar tudo do que é capaz, até porque não é o único piloto do time que vem tendo azares aqui e ali na competição...



EM BAIXA:

Nico Rosberg: O piloto alemão tinha conseguido reagir no campeonato, com suas vitórias na Espanha e em Mônaco, e também na Áustria, mostrando que o tricampeonato de Lewis Hamilton não iria sair tão barato quanto todos estavam imaginando após as primeiras corridas do ano. Mas as duas últimas etapas não foram das mais inspiradas para Rosberg, que acabou batido sistematicamente na Inglaterra, e ainda viu suas chances de assumir a liderança do campeonato sumirem após uma disputa de posição desastrosa na Hungria com Daniel Ricciardo. E pelo segundo ano consecutivo, Nico saiu da Hungria com uma expectativa em alta para se ver novamente batido por seu colega de time. Para piorar, começam os rumores de que ele poderá ser substituído ao fim de seu contrato com a Mercedes, em 2016. Com Hamilton garantido no time por mais tempo, Nico precisará reverter o quanto antes o seu panorama no campeonato, antes que Lewis abra dianteira suficiente para encerrar a luta pelo título antecipadamente. A perspectiva de sair da Mercedes em seu melhor momento sem conquistar um título não vai ser nada agradável para seu currículo...

Kimi Raikkonen: O piloto finlandês já começou a ser "fritado" na Ferrari pela sua falta de resultados, e poderá ficar a pé para 2016, no que a direção da escuderia italiana dá a entender. Kimi não teve bons resultados nas últimas corridas, e para piorar, na Hungria, quando seguia firme para uma dobradinha com seu parceiro Sebastian Vettel, seu carro ficou sem potência, obrigando-o a abandonar uma corrida que foi vencida por seu companheiro de equipe, situação que só ajuda a prever cada vez mais o fim de sua carreira em Maranello, por mais que desta vez ele não tenha tido culpa nenhuma em seu abandono. A menos que Raikkonen consiga efetuar uma reação fulminante a partir da Bélgica, tudo indica que a Ferrari terá um novo piloto em 2016 para fazer companhia a Vettel, e seria uma pena o finlandês se despedir novamente da categoria por baixo, como ocorreu ao fim de 2009...

Equipe Sauber: O time suíço, com poucos recursos, vai adiando as atualizações em seu modelo 2015, e com isso, já foi superada no campeonato de construtores pela Toro Rosso, e viu a McLaren chegar perto com seu bom momento na corrida húngara. Com tantas confusões ocorrendo, Marcus Ericsson ainda conseguiu salvar um ponto para o time, que sem muitas opções mais viáveis, renovou com sua atual dupla de pilotos para a próxima temporada, uma vez que ambos tem se mostrado eficientes e baratos, além de trazerem bom patrocínio para manter as finanças do time. Agora é esperar que estas melhorem e permitam que o carro seja melhorado, caso contrário, o time suíço terminará o ano apenas à frente da Manor/Marussia, e isso vai se refletir na premiação da FOM para o time, que receberá menos recursos.

Brasil fora do calendário da Formula-E: A competição de carros monopostos elétricos já divulgou o seu calendário provisório para seu segundo campeonato, que começa em outubro, e mais uma vez, o Brasil não sediará uma das etapas da competição. A negativa recebida no ano passado, quando se negociava uma corrida nas ruas do Rio de Janeiro, que no atual momento, só enxerga as olimpíadas que serão disputadas em nosso país em 2016, ainda pesa, e apesar de haver justamente uma data em aberto para uma corrida em local ainda a ser definido, justamente após a etapa de Buenos Aires, na Argentina, deveria servir de incentivo para se realizar uma corrida em nosso país, mas parece que isto está longe de acontecer, até porque Alejandro Agag, chefe da categoria, garante que várias cidades estão na lista de espera para ter a sua etapa, e que isso está sendo cuidadosamente estudado para ver quem terá o direito de sediar a etapa em aberto. Pelo visto, é mais uma oportunidade que o Brasil desperdiçou de ter aqui uma corrida de um campeonato mundial. Mas, claro, nossos cartolas estão se lixando para isso, pensando apenas na Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, que certamente vai deixar outra conta monstruosa a ser paga por nós, assim como aconteceu com a Copa do Mundo de 2014...

Nova morte na F-1: Depois do traumático GP de San Marino de 1994, onde morreram o austríaco Roland Ratzemberger e o brasileiro Ayrton Senna, a categoria máxima do automobilismo, traumatizada com o ocorrido, iniciou uma cruzada que aumentou significativamente a segurança da F-1 como um todo, promovendo mudanças estruturais nos carros, nos circuitos, e principalmente nos procedimentos adotados nas corridas em relação à segurança. Mas o automobilismo nunca deixará de ser um esporte de risco, e mais dia, menos dia, alguma nova tragédia poderá ocorrer, como aconteceu em Suzuka durante o GP do Japão de 2014. E Jules Bianchi, depois de 9 meses em coma irreversível, capitulou enfim, terminando com seu sofrimento e o de sua família, e devolvendo a sensação de trauma à F-1, que já melhorou alguns procedimentos de segurança para evitar que o que ocorreu em Suzuka não se repita. Falta só a cartolagem da categoria também tomar vergonha na cara e tomar algumas atitudes de bom senso que poderiam ter ajudado a evitar o ocorrido com Bianchi na pista japonesa, onde as condições da pista e do acidente revelaram alguns erros crassos que não deveriam ocorrer...