quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

LANÇAMENTO - PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE



            Saudações a todos! É com muito orgulho e satisfação que estou lançando meu primeiro livro de automobilismo, com uma compilação das minhas primeiras colunas periódicas sobre o mundo da velocidade. Apaixonado por corridas desde meados dos anos 1980, comecei a escrever profissionalmente sobre o assunto de forma esporádica, no início dos anos 1990, e a partir do final de 1993, como colunista regular (meio irregular a princípio, na verdade), com a coluna PISTA & BOX, que segue firme até hoje, mais de 20 anos depois.
            Com o título de PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE, este primeiro volume compila os textos produzidos por mim do fim de 1993 até o fim de 1995, totalizando 44 colunas que passariam a ser escritas semanalmente após comemorar 2 anos da primeira coluna editada. E, se tudo der certo, agora em 2015 atingirei a marca de 1.000 colunas escritas regularmente estes anos todos.
            Com 128 páginas, capa cartão colorida, tamanho A4, e miolo em preto e branco, o livro custa R$ 50,00, e já está disponível para venda no site da Bookess, um sistema de autopublicação que facilita em muito a tarefa de lançar um livro, sem depender das burocracias e frescuras de muitas editoras do mercado, onde mesmo que você seja uma pessoa de extrema reputação e fama, pode ser bem complicado conseguir publicar um livro.
            As colunas lançadas neste primeiro volume já foram todas publicadas no meu blog, o PISTA & BOX (www.pista-e-box.blogspot.com.br), nas postagens identificadas como seção "Arquivo". Para o livro, redigi textos de introdução para cada ano abrangido (1993, 1994, e 1995), com uma pequena sinopse dos acontecimentos de cada temporada, além de produzir ao final de cada coluna, um pequeno texto colocando uma perspectiva sobre o panorama do momento em que cada texto foi escrito na época, a fim de situar os menos informados sobre o assunto.
            Focado inicialmente mais sobre os acontecimentos da Fórmula 1, aos poucos fui diversificando um pouco as categorias sobre as quais passei a dissertar, mas nestes primeiros anos da PISTA & BOX, foram poucas as colunas que fugiram mesmo da F-1. Só mais adiante passei a falar mais de outros campeonatos do mundo das corridas, como a Fórmula Indy original, e muito mais recentemente, falando também de MotoGP, Endurance, Indy Racing League, entre outras competições, ainda que meu foco principal continue sendo a categoria máxima do automobilismo, que tanto já encantou os torcedores nacionais, nas épocas de Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet, e Ayrton Senna.
            Para adquirir o meu livro, é só seguir o link abaixo, para ir direto ao site da Bookess. O preço é de R$ 50,00, e já inclui o frete pelo correio. Para efetuar a compra é preciso fazer cadastro no site, como em qualquer livraria virtual. Por enquanto, o livro está disponível apenas no formato impresso. Mais à frente, estou pensando em disponibilizar no modo e-book.

http://www.bookess.com/read/21091-pista-box-cronicas-do-mundo-da-velocidade-volume-1/

            A entrega deles é um pouco demorada, portanto, não se espantem com eventuais atrasos. A impressão é de excelente qualidade, feita sob demanda. É só efetuar a compra que o exemplar é impresso e encaminhado ao comprador. O único problema é que, por causa disso, o custo de cada exemplar é um pouco mais alto do que o de um livro impresso por gráficas convencionais, onde o custo é geralmente diluído pelo grande número de exemplares rodados na impressora. Por outro lado, evita a manutenção de estoques desnecessários, que poderiam ser caros de se manter.

            Para quem desejar comprar e ter o livro com dedicatória e assinatura, tenho alguns exemplares comigo. Para entrar em contato, meu e-mail é pistaebox@yahoo.com.br, e passarei todos os detalhes de como fazer o pagamento.
            Convido todos então a conhecerem meu livro, e espero que possam desfrutar de meus textos como já o fazem tanto em versão impressa em jornal quanto pelo meu blog.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

BARRICHELLO CAMPEÃO


Barrichello chegou ao título da Stock Car pela equipe Full Time e comemorou efusivamente em Curitiba: "É Campeão!"
            Demorou, mas enfim ele chegou lá. Rubens Gonçalves Barrichello, aos 42 anos, novamente é campeão. Não da F-1 ou da IRL, mas da Stock Car nacional, onde o piloto passou a competir no final de 2012. E neste ano, com duas vitórias na competição, a primeira delas na Corrida do Milhão, no dia 3 de agosto, disputada em Goiânia. Depois, veio o segundo triunfo, no dia 17 do mesmo mês, em Cascavel. A partir dali, o recordista de GPS disputados na F-1 entrou firme na disputa pelo título da categoria, algo que só teve mesmo chance de fazer em uma única temporada na F-1, nos seus 19 anos em que permaneceu na categoria.
            O brasileiro assumiu a liderança na etapa de Tarumã, e não a largou mais, chegando para a prova final, domingo passado, no autódromo de Curitiba, com 14,5 pontos de vantagem na classificação. Mas, como a prova final tinha pontuação dobrada para os pilotos, Rubinho não podia cantar vitória antecipada, uma vez que o lance da pontuação dava chances matemáticas a nada menos do que 7 pilotos. Bastava ao piloto da Full Time um 4º lugar para liquidar a fatura não importasse quem chegasse à sua frente, mas o paulista começou o fim de semana com o pé direito no acelerador e conquistou a pole-position para a derradeira etapa. Bastaria pilotar com cuidado e evitar problemas que o título viria.
            De fato, Barrichello largou bem, deixando a confusão para os concorrentes, mas pegou um ponto escorregadio na curva 3, saindo da pista e perdendo a liderança, caindo para 4º, justamente a posição que não poderia perder. Mas Rubinho manteve-se calmo e ficou firme na corrida, e ainda teve a sorte de ver um dos postulantes, Thiago Camilo, abandonar a corrida. Firmando-se em 3º lugar na corrida, não precisava fazer mais nada, e assim foi até a bandeirada, que recebeu com 1s782 de diferença para Daniel Serra, o vencedor. Áthila Abreu bem que tentou, mas mesmo que vencesse a corrida, não conseguiria tirar o título de Rubens. Ficou mesmo em 2º lugar.
            A comemoração foi entusiasmada como poucas vezes se viu na categoria, com Barrichello comemorando enfim um título, com a companhia dos dois filhos e da mulher. Rubinho, aliás, subiu ao pódio com os garotos, que tomaram junto com o pai o banho de champanhe dos vencedores. Um título mais do que justo, e uma conquista para lavar a alma de Barrichello, que não comemorava algo assim desde o campeonato da F-3 inglesa, em 1991, quando derrotou na disputa da competição nomes como Gil de Ferran e David Couthard. Antes, Rubinho havia sido campeão apenas da F-Opel, em 1990. Em 1992, o piloto disputou a F-3000 Internacional, último passo para chegar à F-1, mas terminou apenas em 3º lugar no certame.
            As coisas andavam bem, e Barrichello já era considerado o sucessor das vitórias brasileiras na categoria máxima do automobilismo. Em 1993, o paulistano já estreava na Jordan, um time médio promissor, que dava a ele a chance de mostrar seu talento sem a cobrança imediata por resultados. Nem era preciso, afinal, Ayrton Senna estava no seu auge como piloto, e tinha tudo para assim permanecer ainda por várias temporadas, tempo que todos esperavam, daria a Rubinho a chance de mostrar seu talento, e ir para um time de ponta.
 
Estréia na F-1 pela Jordan, em 1993, dava esperanças aos torcedores de ser um novo campeão em potencial, mas as coisas não foram bem assim...
          
Só que o destino tinha outros planos. O trágico fim de semana de Ímola em 1994 jogou todo o planejamento e expectativas da torcida para o ar. Com a morte de Senna, Barrichello passava a concentrar toda a atenção da torcida, havida por um novo brasileiro campeão. Em 94, Barrichello fez uma excelente temporada com a Jordan, com direito até a uma pole-position que, apesar de fortuita, mostrava que o piloto tinha potencial para muito mais quando tivesse um carro decente. E aí começaram os problemas.
            Não surgiu um carro vencedor para Barrichello. Mas as expectativas da torcida, alimentadas pela TV Globo, que precisava mais do que nunca de um brasileiro vencedor na F-1, jogaram toda a cobrança nas costas de Rubinho. Christian Fittipaldi tinha partido para a F-Indy, então era carta fora do baralho. Para piorar a situação, na pré-temporada de 1995, o carro da Jordan parecia ter um desempenho surpreendente, que acreditava poder dar ao time a condição de vencer corridas. Tudo isso fez Barrichello aceitar o rótulo de “sucessor” de Ayrton Senna. Deu tudo errado.
            O carro da Jordan não era tão competitivo como se imaginava, e a pressão da torcida por vitórias, acabou por deixar o piloto em descrédito, e até a comprometer a continuidade de sua carreira na categoria. Ao fim de 1996, o piloto era forte candidato a ser mais um que não vingaria na F-1 por falta de resultados. E ainda tinha visto seu companheiro de equipe Eddie Irvinne ser contratado pela Ferrari. Foram precisas 3 temporadas competindo para Jackie Stewart para Rubens reconquistar sua estima e seu respeito pela F-1. Claro, para os brasileiros, continuava tudo do mesmo jeito: o “sucessor” de Senna ainda era um fracasso, em que pese o fato de muitos ignorarem que ele não tinha carro para corresponder às expectativas. Foi a pior conseqüência deter assumido o papel em 1995. E isso lhe faria carregar o estigma de “fracassado” por muito tempo ainda. E isso ainda iria piorar, quando o brasileiro, enfim, teria um carro vencedor nas mãos.
            Contratado pela Ferrari a partir de 2000, renasceram as esperanças de vitórias brasileiras e disputa de título na F-1, depois de praticamente quase uma década da última conquista de Senna, em 1991. Ledo engano: a Ferrari nunca permitiu que o brasileiro disputasse o título. Todas as atenções do time italiano eram concentradas em Michael Schumacher, e não raro foram as vezes que Barrichello teve de jogar a favor do alemão. E, curiosamente, o brasileiro nunca conseguiu iniciar bem a temporada, o que dava suspeitas de favorecimento mais do que explícito ao piloto alemão, que é bom ressaltar, sempre foi um talento muito maior do que Barrichello. Só não dá para se ter idéia de quão melhor era exatamente, em virtude da política da Ferrari de sempre olhar primeiro Schumacher, e depois, Barrichello, e isso se anda fosse conveniente.
            A pecha de “fracassado” ficou ainda mais forte em Rubinho, pelas derrotas freqüentes no confronto com Schumacher. Barrichello conseguiu apenas 9 vitórias e dois vice-campeonatos. Cresceu bastante como piloto, a ponto de ser o companheiro mais forte que Schumacher já teve em um time, mas também cometeu vários erros, especialmente quando voltou a prometer vitórias e até disputa de títulos quando se tornou piloto da Ferrari. De fato, Barrichello acreditava que sua chance no time chegaria. Em 2005, a paciência acabou, e Rubens resolveu procurar outros ares. Na Honda, o fracasso do time arrastou o brasileiro junto para o fundo do poço, e ele, assim como Jenson Button, só renasceram para a categoria com a Brawn GP, em 2009, que deu a ambos um carro vencedor. Foi a única vez em que Barrichello teve liberdade para disputar o título, ou pelo menos, uma liberdade que nunca teve na Ferrari. Mas, no fim, ele perdeu a parada para Jenson Button. Ficaram daquele ano as últimas vitórias e poles brasileiras na F-1 até hoje: Barrichello venceu em Valência e Monza, e foi pole no GP do Brasil, em Interlagos.
 
Na Brawn GP, Barrichello pôde enfim lutar pelo título, mas perdeu o duelo para Jenson Button.
          
Em 2010 e 2011, disputou suas últimas temporadas pela Williams, que o dispensou sem cerimônias no início de 2012 após muita enrolação por parte do time inglês, que preferiu os dólares de Bruno Senna. Após um teste com o carro da Indy Racing League, Barrichello ficou empolgado e foi para o certame americano, onde foi companheiro de equipe de seu grande amigo Tony Kanaan. Fez uma temporada apenas razoável, e mostrou potencial para crescer na categoria se lá permanecesse. Mas, diante das solicitações de levar patrocínio para correr, optou por voltar para o Brasil e disputar a Stock Car, onde receberia para competir. A princípio como convidado para as últimas corridas de 2012, Barrichello tomou gosto pelos carrões e desde o ano passado disputa regularmente ao campeonato. E chegou ao título ao fim de sua segunda temporada completa.
            Mais do que isso, o piloto está em fim em paz. Reencontrou a paz de espírito que tanto lhe faltou em grande parte das quase duas décadas de permanência na F-1. Com a oportunidade de competir na Stock, Barrichello viu a chance de enfim voltar a viver no Brasil, junto da família, permanecer competindo, e ser mais presente no crescimento dos dois filhos, e encerrar sua fase da vida de nômade, correndo o mundo inteiro para competir de algo. Como o calendário da Stock não tem provas a todo instante, e praticamente um quarentão, era mesmo hora de mudar de ares. E ele se deu bem com os carrões da categoria. Apanhou no princípio, como acontece com todos, mas era questão de tempo até se aclimatar e entrar no ritmo. E os resultados começaram a aparecer, especialmente neste ano.
            A Stock também ganhou com sua presença. Muito criticado por vários “torcedores” para os quais piloto bom só é piloto campeão, Rubinho atraiu uma parcela considerável de novos fãs para a Stock. E, mas importante, tornou-se o mais bem-sucedido ex-piloto brasileiro de F-1 a competir no certame nacional, onde já correm vários outros nomes que um dia estiveram presentes na F-1, como Luciano Burti, Antonio Pizzonia, e Ricardo Zonta. E todos eles até agora não conseguiram chegar ao título na Stock. Quem teve melhor sorte também na Stock foi Max Wilson, que não teve chance efetiva de pilotar na F-1, e acabou sendo campeão da categoria nacional em 2010. Diferenças de oportunidade e problemas variados, devidamente avaliadas, Barrichello mostra o quanto é um bom piloto. Sempre foi. Cometeu vários erros em sua longa carreira, mas hoje fala sem arrependimentos que não mudaria nada do que fez todos estes anos. E agora isso pouco importa. Claro que seus detratores continuarão a lhe tirar os méritos, mesmo desta conquista obtida. É verdade que, como categoria, a Stock não é nenhuma maravilha, mas é o que sobrou do automobilismo nacional, ao lado da F-Truck, como opção para nossos pilotos, em virtude da ineficiência da CBA, que há anos não passa de uma entidade decorativa que só sabe cobrar taxas das carteiras dos pilotos, e quase nada faz pelo automobilismo nacional.
            Mas o que importa é que Rubinho enfim voltou a ser campeão. E está feliz com isso. E seus fãs também. E quem sabe não vêm outros títulos nos próximos anos? Barrichello já tirou um grande peso das costas, e agora, mais leve e descompromissado, ainda pode continuar acelerando por um bom tempo. Parabéns, Rubens! Você merece.

Na Indy Racing League, Rubinho teve uma estréia razoável, mas as solicitações de patrocínio o levaram a voltar para o Brasil, e se dedicar à Stock Car. 
 

 
A Porshe retornou este ano às competições de Esporte-Protótipos no Mundial de Endurance, de onde andava ausente há um bom tempo, e encerrou o ano com vitória nas 6 Horas de São Paulo, mostrando que veio mesmo para ser novamente uma força neste tipo de competição. Mas por pouco o triunfo da marca alemã não vira uma tragédia no autódromo paulistano: Mark Webber, piloto de um dos carros da fábrica, e que largara na pole-position da corrida, sofreu um forte acidente na Curva do Café, após um toque com outro carro. O modelo 919 pilotado pelo australiano bateu forte, ficou parcialmente destruído, e houve até um princípio de incêndio, mas Webber foi retirado dos restos do carro aparentemente ileso, e levado ao centro médico de maca para os exames de praxe neste tipo de situação. Felizmente, tudo não passou de um forte susto, e Mark já recebeu alta. Curiosamente, o australiano sofreu um violento acidente nesse mesmo local em 2003, quando corria pela Jaguar, nas voltas finais do GP do Brasil de F-1 daquele ano. Como o local da corrida ficou cheio de destroços de carro, a prova foi interrompida antes do final, procedimento que também foi adotado na etapa final do Mundial de Endurance, depois de várias voltas com o Safety Car na pista para atendimento médico do piloto. Webber corria em parceria com os pilotos Brendon Hartley e Timo Bernhard. A Porshe venceu a corrida com seu outro carro, pilotado pelo trio Romain Dumas, Neel Jani, e Marc Lieb, ao fim de 249 voltas. A Toyota garantiu a 2ª posição com a dupla Anthony Davidson e Sébastien Buemi, enquanto a Audi, com o trio Loic Duval, Lucas Di Grassi, e Tom Kristensen, em sua última corrida na carreira, fecharam o pódio. Émerson Fittipaldi, que competiu pela equipe AF Course, com uma Ferrari F458 Italia, na categoria GTE-Am, ficou na 21ª posição geral, e 6º colocado na categoria.
 

Em sua terceira temporada na competição, a Toyota sagrou-se campeã do Mundial de Endurance. A escuderia nipônica já tinha garantido o título de pilotos, mas faltava definir o campeonato de construtores, o que veio a acontecer em Interlagos. A Audi, vencedora dos dois últimos campeonatos, terminou o ano na 2ª colocação, mas na pista, os modelos E-tron Quattro perderam até para os Porshe, que só não superaram a marca das 4 argolas por terem tido um péssimo começo de campeonato. A disputa para 2015 promete, com a Porshe vindo mais forte, e a Audi determinada a recuperar o seu trono, frente a uma Toyota que enfim comemora um campeonato que gostaria de ter conseguido na F-1 quando lá esteve, mas que agora não sente um pingo de saudade sequer. Que venha 2015...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

FLYING LAPS - NOVEMBRO DE 2014


            O ano de 2014 praticamente já está em contagem regressiva para 2015. Estamos em dezembro, e todo início de mês é hora de dar uma repassada em alguns acontecimentos que marcaram o mundo das corridas em novembro, em notas rápidas com alguns comentários, em mais uma sessão Flying Laps. Boa leitura para todos...

 

Marc Márquez fechou a temporada 2014 da MotoGP com mais uma vitória, na etapa de Valência, estabelecendo o novo recorde de 13 triunfos numa mesma temporada, batendo o recorde de 12 vitórias que pertencia a Michael Dohan. Valentino Rossi bem que tentou complicar as coisas para o mais novo bicampeão da categoria, mas acabou mesmo em 2° lugar na corrida. Dani Pedrosa fechou a temporada com o 3° lugar na última corrida do ano, numa temporada em que sucumbiu totalmente ao parceiro de time, obtendo apenas 1 vitória no ano. Quem não deu sorte em Valência foi Jorge Lorenzo, que disputava o vice-campeonato com Rossi, mas teve problemas em sua moto e acabou abandonando a corrida. O resultado deixou Lorenzo em 3° lugar na competição. Márquez fecha o ano com 362 pontos. Valentino Rossi finalizou com 295 pontos, seguido de Lorenzo, com 263; Pedrosa fechou com 246 pontos na 4ª colocação. Seguiram-se: 5°) Andrea Dovizioso: 187 pontos; 6°) Pol Espargaro: 136 pontos; 7°) Aleix Espargaro: 126 pontos; 8°) Bradley Smith: 121 pontos; 9°) Stefan Bradl: 117 pontos; e 10°) Andrea Ianonne: 102 pontos.

 

 

Marc Márquez teve mais motivos para comemorar a vitória em Valência: No mesmo dia, no mesmo circuito, na última etapa da categoria Moto3, seu irmão Alex Márquez faturou o título da competição, com o terceiro lugar na prova final. Foi a primeira vez na história que dois irmãos venceram campeonatos mundiais de motociclismo na mesma temporada. Um sinal que deve deixar o pessoal da MotoGP preocupado para daqui a algum tempo. Afinal, se aguentar apenas um Márquez está sendo quase impossível, imagine quando tiverem que lidar com dois...

 

 

A F-3 Brasil encerrou seu campeonato de estréia com a rodada dupla de Goiânia, disputada nos últimos dias 22 e 23 de novembro. E o campeão antecipado, Pedro Piquet, resolveu não deixar ninguém dividir a festa com ele: venceu as duas corridas, totalizando 11 vitórias em 16 provas no ano. Se é verdade que o mais novo Piquet das pistas teve um excelente equipamento à disposição, pela equipe Cesário Fórmula, é verdade que o garoto mostrou serviço, não deixando chances para a concorrência. Resta agora esperar que ele consiga manter este nível de sucesso quando for competir no exterior, a fim de evitar cair em furadas, como a que fez naufragar a carreira na F-1 de seu irmão Nélson Ângelo. Nélson Piquet, com lembranças disso na cabeça, certamente tratará de orientar melhor o seu novo rebento das pistas...

 

 

Depois de praticamente quase dois meses em coma, o piloto Jules Bianchi deixou o hospital de Mie, no Japão, onde estava internado desde o seu pavoroso acidente durante o Grande Prêmio do Japão de F-1. O estado do piloto ainda é crítico, mas atingiu uma certa estabilidade que permitiu que fosse levado para a Europa, onde ficará internado em um hospital da cidade francesa de Nice. As perspectivas de recuperação de Jules ainda permanecem uma incógnita, e sem boas perspectivas. O piloto saiu do coma induzido, mas permanece inconsciente. Sua luta para viver continua.
 

 

Quem também se encontra em situação que ainda inspira cuidados é Michael Schumacher. Segundo Phillipe Streiff, ex-piloto que ficou paraplégico em um acidente durante testes em Jacarepaguá em 1989 com a equipe AGS, e que é amigo da família do heptacampeão, Michael está em uma cadeira de rodas, sem conseguir falar, e aparentemente com problemas de memória. A família não confirmou as afirmações de Streiff, mas através de Sabine Kehm, acessora de Schumacher, o processo de recuperação de Michael é longo e incerto, não sendo possível fazer prognósticos mais exatos a respeito de quando ele irá se recuperar, ou se continuará como atualmente. Tudo só faz confirmar que a vida de Schumacher talvez nunca mais volte a ser normal. Ele está vivo, e melhorando muito lentamente, se bem que falar em "melhorar" é algo relativo. Pelas afirmações de Streiff, Schumacher deverá passar o resto de sua vida completamente inválido, ou perto disso, o que é triste de saber. E sua luta já se estende há quase um ano, uma vez que foi quase na véspera da passagem de ano de 2013 para 2014 que Schumacher se acidentou numa estação de esqui nos alpes franceses, ao bater a cabeça em uma pedra enquanto esquiava.
 

 

A Fórmula-E disputou no último dia 22 sua segunda corrida, em um circuito de rua montado na cidade de Putrajaya, na Malásia. Com um traçado de pista mais bem concebido do que o da etapa inaugural, em Pequim, e com equipes e pilotos mais experientes no trato com os bólidos movidos a energia elétrica, a corrida foi cheia de disputas e emoção, com bons pegas e alguns shows de pilotagem. E a vitória ficou com o inglês Sam Bird, da equipe Virgin. Lucas Di Grassi, da equipe Audi, vencedor da etapa de estréia, foi um dos destaques da corrida, largando nas últimas posições devido a problemas na classificação, e terminando na 2ª colocação, depois de uma performance combativa e determinada. O suíço Sebastien Buemi, da E.Dams, fechou o pódio em 3° lugar, logo à frente de seu parceiro de equipe Nicolas Prost. Nick Heidfeld, que em Pequim sofreu um forte acidente numa fechada de Prost, também não deu azar na etapa da Malásia, levando um toque de Mathew Brabham e abandonando a corrida pouco antes da metade do percurso após outro enrosco, este com Frank Montagny. Quem também não deu sorte em Putrajaya foram os demais brasileiros na categoria: Nelsinho Piquet vinha firme na luta pelos primeiros lugares quando tomou uma fechada de Jarno Trulli, danificando seu monoposto, e tende de dar adeus à corrida. Bruno Senna, que vinha fazendo uma ótima corrida, tendo largado lá de trás também, e estava com o pódio na mira, cometeu um erro e acabou batendo seu carro na entrada da curva do hairpin do circuito, justo na última volta, quando era o 4° colocado. E as duas integrantes do sexo feminino na categoria, Katherine Legge e Michela Cerruti, acabaram abandonando a prova em virtude de um toque entre as duas, provocado por Legge. Com o resultado, Lucas Di Grassi ainda lidera o campeonato, com 43 pontos. Sam Bird está logo atrás, com 40 pontos. Depois de ambos, os pilotos mais próximos encontram-se distantes na pontuação: nada menos do que 4 pilotos estão empatados com 18 pontos, sendo eles Frank Montagny, Nicolas Prost, Karun Chandhok, e Jérôme D´Ambrosio. Nelsinho Piquet é o 10° colocado, com 4 pontos, e Bruno Senna continua zerado no campeonato. A próxima etapa é no dia 13 de dezembro, em Punta Del Este, no Uruguai.
 

 

A equipe Caterham fez uma vaquinha virtual e conseguiu a grana necessária para participar da etapa final do campeonato da F-1 em Abu Dhabi. Contou também com uma ajudinha de Bernie Ecclestone, que pagou o transporte do time para os Emirados Árabes. Mas a escuderia já era mesmo: todos os funcionários da sede foram demitidos na semana anterior à corrida, e os poucos que foram para o Oriente estavam contratados como free-lancers. Os demitidos, segundo informações, teriam ainda os salários dos dois últimos meses ainda não pagos, o que só confirma ser este o fim da escuderia fundada em 2010 por Tony Fernandes. O empresário malaio, entusiasta da competição no seu início, rendeu-se à dura realidade e aos gastos exorbitantes da F-1, e resolveu parar com a brincadeira. E aqueles que compraram o time simplesmente também deram para trás ao se darem conta do tamanho do buraco onde se meteram. Se a intenção da participação em Abu Dhabi era tentar superar a Marussia no campeonato, não deu certo: Kobayashi abandonou a corrida, e Will Stevens, piloto que topou disputar a corrida, terminou em 17°. A escuderia terminou na última posição do campeonato. A Marussia ficou em 9°, com dois pontos, à frente até da Sauber, que não conseguiu pontuar no ano todo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

HAMILTON BICAMPEÃO


Lewis Hamilton venceu 11 vezes no ano e coroou seu bicampeonato com mais uma vitória em Abu Dhabi. Aqui ele abre caminho sobre Fernando Alonso no chuvoso GP do Japão, em Suzuka.

            Na decisão do título da Fórmula 1, deu Lewis Hamilton, que chegou ao seu tão esperado bicampeonato. Um título que, à semelhança do primeiro, precisou ser conquistado na raça. Se em 2008 o adversário foi um Felipe Massa como poucas vezes se viu em sua carreira na categoria, neste ano a grande pedra na sapatilha do inglês foi Nico Rosberg, seu companheiro de equipe, que se revelou um oponente mais duro de roer do que se imaginava. Infelizmente, o piloto alemão deu azar na corrida de Abu Dhabi, ao enfrentar problemas no sistema do Ers de seu carro, o que lhe roubou quaisquer hipóteses de tentar arrebatar o título contra seu parceiro de time.
            Mas Nico não perdeu o campeonato por causa disso. Mesmo que vencesse, bastaria um segundo lugar a Hamilton para sacramentar seu bicampeonato, mas Lewis resolveu não correr para chegar, mas para ganhar. Ele perdeu a pole para Rosberg, mas no arranque da largada, tomou a ponta para comandar a corrida, o que vinha fazendo com extrema competência, mantendo o colega de time a uma distância pequena, mas estável, apenas se preocupando em rechaçar qualquer aproximação, de modo que Nico não tivesse a opção de usar o DRS para tentar uma ultrapassagem. A Rosberg só restava esperar por um milagre, como também por problemas no carro do companheiro. Só que os problemas atingiram ele, não Hamilton.
            Nico ainda demonstrou esportividade, ao ir cumprimentar Lewis antes da cerimônia do pódio, colocando um ar de civilidade na disputa que acirrou os ânimos entre ambos a partir da etapa de Mônaco, com sua crise maior na Bélgica, onde o alemão tocou no carro do parceiro, provocando um furo de pneu no carro do inglês que arruinou sua corrida em Spa. Foi talvez o ponto mais nervoso do campeonato, onde a Mercedes precisou agir para esfriar a cabeça de sua dupla de pilotos, cuja disputa estava prestes a virar guerra declarada.
            Hamilton mereceu a conquista. Foi o piloto com mais vitórias no ano, 11, contra apenas 5 do companheiro de equipe. Deixou de pontuar apenas em 3 corridas, e marcou 7 pole-positions. Seus piores resultados foram seus 3°s lugares nas etapas da Alemanha e da Hungria. Nico foi o rei das poles em 2014, com 11, e seu pior resultado pontuável foi o 4° lugar na Hungria. O filho de Keke Rosberg perdeu a disputa e sua primeira grande chance de ser campeão, e já vão 9 anos desde sua estréia na F-1. Mas apenas este ano ele disputou realmente o título, sendo que até o ano passado nunca teve chances reais de vencer, e só há dois anos conquistou sua primeira vitória na categoria.
            Mesmo assim, todos imaginavam que Rosberg seria presa fácil para Hamilton. Nico havia suplantado Michael Schumacher em 2010, 2011, e 2012, mas era nítido que o heptacampeão não exibia a mesma forma de antes de se aposentar pela primeira vez em 2006. O confronto com Hamilton, considerado o piloto mais rápido da categoria atualmente, seria um parâmetro de comparação bem mais revelador, e foi, especialmente neste ano. A ponto de Nico conseguir suplantar Lewis justo no seu principal adjetivo: a velocidade. Ele conseguiu mais poles que Hamilton, mas o inglês, para surpresa de todos, revidou com um ritmo de corrida mais forte e estável, características que não eram sua especialidade. E sem perder seu habitual arrojo e agressividade, ele conseguiu manter Rosberg sob controle, mas a parada foi dura, especialmente entre as provas de Mônaco e Bélgica, onde o alemão chegou a abrir 29 pontos de diferença e parecia rumar firme para o título, invertendo o favoritismo visto até a etapa da Espanha.
            Hamilton mostrou ter evoluído como piloto, ficando mais completo, e ainda tem o que melhorar. Em Mônaco, o inglês perdeu um pouco as estribeiras, ao acusar Rosberg de rodar de propósito no treino de classificação para impedi-lo de conquistar a pole. Verdade ou não, Rosberg largou na frente no Principado, e venceu a corrida, iniciando uma reação que chegou a abalar um pouco o equilíbrio de Hamilton, que cometeu alguns erros nas etapas seguintes, mas nada exatamente drástico. Mas com ambos desfrutando do mesmo equipamento, e com diferenças nos décimos de segundo, qualquer deslize podia ser fatal. O abandono na Austrália levou 4 corridas para ser compensado, e os percalços do Canadá e Bélgica acabaram compensados pelos problemas de Nico na Inglaterra e em Cingapura. Hamilton ainda precisou dar um show de arrojo e velocidade na Alemanha e na Hungria, onde teve problemas na classificação e precisou largar lá de trás enquanto via seu companheiro de equipe largar na pole. Lutando sempre sem desistir jamais, Hamilton conseguiu minimizar os prejuízos, e quando foi a vez de Rosberg ter azar, não deixou escapar as chances.
            Hamilton mostrava nos últimos anos que era um piloto que podia perder o controle sobre pressão. Em 2007, tinha tudo para ser campeão logo em sua primeira temporada na F-1, estreando pela McLaren, onde chegou a desestabilizar ninguém menos do que Fernando Alonso, então já bicampeão da categoria, mas cometeu erros nas etapas finais, e permitiu que a Ferrari levasse o título, com Kimi Raikkonem. No ano seguinte, o título por pouco não escapou, em Interlagos, em uma corrida sob chuva onde Hamilton novamente tinha as melhores chances de faturar o campeonato. Correndo apenas para chegar, piloto e equipe ficaram abaixo do esperado, e só na última volta o inglês conseguiu a posição mínima que lhe daria o título. No ano seguinte, a temporada rendeu-se à surpresa da Brawn GP, e a McLaren foi apenas coadjuvante. Na sua primeira temporada sem disputar o título, Hamilton começou a amadurecer, embora seu estado de espírito variasse muito dependendo das circunstâncias. Nas temporadas seguintes, dividindo a escuderia com Jenson Button, mostrou sempre rapidez, mas também continuou errando em etapas cruciais, e com isso perdendo as chances de se manter na luta pelo título. O ano de 2011 que o diga, quando Jenson Button ficou com o vice-campeonato, e Lewis amargou vários resultados ruins, vários deles por culpa própria, chegando até a levar broncas de Ron Dennis, que o patrocinou desde o kart até a chegada à F-1. Chegou até a falar besteiras, como o fato de ser negro podia prejudicá-lo, fazendo insinuação de que seria vítima de racismo. O piloto precisou botar a cabeça no lugar para não perder o foco do trabalho. Aos poucos, foi conseguindo recuperar sua concentração e manter-se distante de confusões e outras estripulias que volta e meia cometia em disputas na pista.
            Em 2012, apesar do bom campeonato, onde ficou em 4° lugar, resolveu que era hora de procurar novos ares, e surpreendeu ao assinar com a Mercedes para as temporadas seguintes. O ambiente na McLaren já não lhe era mais propício, e a escuderia também parecia não ter mais onde evoluir. Coincidência ou não, o time inglês decaiu de lá para cá, enquanto o inglês pegou uma Mercedes que finalmente começava a despontar como time vencedor na F-1. Não foram só a qualidade dos carros que influenciaram, mas a presença e ausência de Hamilton se fizeram sentir nas duas escuderias. E a aposta de Lewis mostrou-se mais do que acertada, e agora, ele comemora com justiça o seu bicampeonato. Não por acaso, Ron Dennis, seu ex-patrão, foi um dos que não demonstrou entusiasmo pela conquista do ex-contratado, mostrando ainda possuir ressentimento com a decisão de Lewis de trocar seu time pela Mercedes há dois anos. Azar o dele. Praticamente quase todo mundo no paddock de Abu Dhabi exaltou o título de Hamilton. Até mesmo Alonso, desafeto dele pela temporada explosiva que tiveram em 2007 dividindo a McLaren, parabenizou o ex-colega pela conquista. E olhe que o humor do espanhol este ano não foi nem um pouco dos melhores.
            De quebra, Hamilton ainda tornou-se o piloto britânico com mai vitórias na F-1, 33, tendo superado o recorde que era de Nigel Mansell, com 32 triunfos. Ele iguala a marca de Graham Hill, também bicampeão da categoria. E agora resta superar o tricampeão Jackie Stewart, tricampeão da F-1, o britânico com mais títulos na história. Hamilton também passa a ser o segundo piloto mais vitorioso em atividade, perdendo apenas para Sebastian Vettel, com 39 vitórias, e passando à frente de Fernando Alonso, com 32, e que passou o ano inteiro sem conseguir vencer, o que tinha acontecido pela última vez em 2009, quando defendia a Renault. E, pelo ritmo do time alemão, Hamilton tem tudo para se tornar o líder de vitórias em 2015.
            A Mercedes reinou suprema em 2014, e só perdeu 3 corridas por percalços na confiabilidade dos carros (Canadá), estratégias de corrida bagunçadas pela chuva (Hungria), e desaire entre seus pilotos (Bélgica). Nas demais corridas, deixou a concorrência a ver navios. Não apenas a marca de Sttugart concebeu o melhor motor turbo e um sistema de ERS confiável, como apresentou um excelente carro, o modelo W05, evolução lógica do W04 de 2013, com todas as mudanças de regulamento técnico exigidas, e ainda conseguindo sanar as principais deficiências do carro do ano passado, que era extremamente veloz, mas consumia os pneus vorazmente, perdendo performance muito rápido frente aos rivais, que conseguiam economizar melhor os pneus e tinham uma performance mais estável e constante. A tarefa da Mercedes acabou facilitada pelo fato de os rivais não terem conseguido apresentar carros tão bons ou projetar seus novos motores turbo com a mesma competência.
            O que salvou o campeonato foi justamente a Mercedes ter deixado seus pilotos disputarem livremente a competição, e o fez com grande competência, ainda que tenham tido algumas dores de cabeça para gerenciar o ego de seus pilotos durante a temporada. Um exemplo especialmente para quem ama o esporte e a competição, e um tapa na cara de times como a Ferrari, com sua política tacanha de privilegiar um de seus pilotos em detrimento do outro. A F-1, que já tem tantos problemas, merecia uma disputa aberta e limpa assim entre pilotos de uma mesma escuderia. E ganhou também o piloto mais popular da escuderia, sem que isso tenha significado preferência ou favorecimento dentro do time.
            Hamilton agora vai tratar da renovação de seu contrato, e tudo indica que deverá continuar na Mercedes por um bom tempo. O time está feliz com ele, e sua dupla de pilotos, apesar dos sustos que passaram durante o ano. E podem apostar que para 2015, sua meta é mais óbvia do que nunca: ser tricampeão. Mas isso fica para a próxima temporada. Agora, Lewis vai comemorar como nunca, como é seu direito, e merece todos os cumprimentos e parabéns pela conquista obtida.


A Stock Car disputa neste final de semana sua etapa final, no autódromo de Curitiba. Rubens Barrichello é o líder do campeonato, com 14,5 pontos de vantagem na classificação para o segundo colocado, Átila Abreu. Mas a parada será bem mais complicada do que parece à primeira vista: a corrida de encerramento do campeonato terá pontuação dobrada, e isso faz com que nada menos do que 7 pilotos tenham chance de conquistar o título da competição. Além de Barrichello e Abreu, Julio Campos, Antonio Pizzonia, Sergio Jimenez, Cacá Bueno e Allam Khodair podem faturar o campeonato, dependendo da combinação de resultados. Recordista de GPs da F-1, Barrichello precisará manter-se na frente de todos estes adversários se quiser ser campeão, e pelo padrão das corridas no ano, a tarefa promete ser dura, pois vários pilotos tem condições de andar na frente, embaralhando as cartas na mesa. Rubens não poderá dar moleza em momento algum. A disputa promete grandes emoções.


E Interlagos recebe neste final de semana a etapa de encerramento do Mundial de Endurance. A Toyota já faturou o título de pilotos, mas ainda falta garantir o campeonato de construtores. A equipe japonesa tem 259 pontos no campeonato, contra 219 da Audi, que venceu os dois campeonatos anteriores. Mas, a julgar pela performance dos carros das quatro argolas, a Toyota não deverá ter problemas para ser campeã, a menos que surjam problemas graves na sua participação. Nas últimas corridas, os Audi perderam feio as disputas para os carros japoneses, sendo superados até pelos carros da Porshe, que voltou a competir nas provas de longa duração neste ano.Os treinos para as 6 HORAS DE SÃO PAULO começam hoje, com duas sessões, uma às 13 horas, e outra às 17:30 Hrs. Amanhã, haverá outro treino livre às 10 horas da manhã, e o treino de classificação a partir das 14:45 hrs. A corrida, no domingo, tem a largada programada para as 13 Horas. Na pista, o grande destaque, claro, é a presença de Lucas Di Grassi defendendo um dos carros da Audi, mas a sensação da corrida será o retorno oficial de Émerson Fittipaldi a uma competição automobilística desde sua participação na finada GP Masters há alguns anos atrás. Nosso bicampeão de F-1 e campeão da F-Indy irá participar da categoria GTE-Am, pilotando uma Ferrari 458 Italia da equipe AF Course. Émerson terá como companheiros na prova o italiano Alessandro Pierguidi e o americano Jeff Segal, que dividirão com o brasileiro o carro N° 61 da competição. A etapa brasileira marcará mais uma despedida na equipe Audi. Se no ano passado foi Allan McNish que anunciou sua retirada das competições, este ano quem está dando adeus é ninguém menos do que Tom Kristensen, 9 vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans, que defende a Audi há 15 anos, e agora, aos 47 anos de idade, disse que é sua hora de pendurar o capacete.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - NOVEMBRO DE 2014



            Já estamos encerrando o mês de novembro. Falta pouco para chegarmos a 2015. E como acontece todo fim de mês, eis aqui a nova edição da Cotação Automobilística, com uma pequena avaliação dos destaques, positivos e negativos, de alguns dos acontecimentos destas últimas semanas no mundo da alta velocidade. Lembrando do velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, boa leitura para todos, e até a edição da cotação automobilística do mês de dezembro...



EM ALTA:

Marc Márquez: A "Formiga Atômica" encerrou o campeonato do Mundial de MotoGP com mais uma vitória. Com 13 triunfos na temporada, o mais jovem bicampeão da categoria superou o recorde de vitórias no mesmo ano, que pertencia a Michael Dohan, e mostrou que sua sede de vitórias segue intacta e firme para tentar o tricampeonato em 2015, para desespero dos concorrentes, que só podem torcer para que o novo modelo de moto da equipe oficial da Honda não seja tão bom quanto foi nos últimos anos, pois do contrário, é bom irem se acostumando com o massacre que o jovem espanhol vem impondo a todos...

Valentino Rossi: O grande nome da MotoGP da década passada passou em branco pela equipe Ducatti recentemente, e voltou ao time da Yamaha para lutar novamente por vitórias e pelo título. No ano passado, entretanto, Rossi virou um coadjuvante de luxo, vendo Marc Márquez e Dani Pedrosa, da Honda, e seu companheiro de time, Jorge Lorenzo, disputarem a taça, restando a ele apenas uma solitária vitória em Assen, na Holanda. Pois Valentino tratou de se reinventar em 2014, trocando inclusive de preparador físico. E deu certo: o "Doutor" encerrou o ano com o vice-campeonato, da categoria rainha do motociclismo, que era o máximo que se podia aspirar diante da supremacia de Márquez. Ainda conseguiu 2 vitórias no ano e mostrou que pode render muito ainda, além de continuar sendo o campeão da categoria quando o assunto é carisma. Quem não gostou muito da forma revigorada de Rossi foi Jorge Lorenzo, que perdeu a disputa interna na Yamaha para o companheiro. E se a nova moto da Yamaha para 2015 for boa, podem apostar que Valentino vai infernizar o novo bicampeão como nunca...

Lewis Hamilton: Campeão de 2008, Lewis enfim chegou ao bicampeonato, agora como piloto da Mercedes, tornando-se o segundo campeão do time alemão, que em 1955 e 1956, quando teve time próprio, levou as taças daqueles anos com o argentino Juan Manuel Fangio. Hamilton foi o piloto que mais venceu no ano, com 11 triunfos, tornou-se o britânico com mais vitórias na história da F-1, e ainda superou nas estatísticas Fernando Alonso, seu velho desafeto dos tempos de McLaren. Lewis foi impecável na corrida decisiva em Abu Dhabi: perdeu a pole, mas arrancou bem para assumir a liderança e controlar a situação como desejava. Os problemas de Nico Rosberg apenas tornaram a tarefa mais fácil, mas o inglês teve um ano esplêndido, e nas últimas corridas, aproveitou para abrir abrir e administrar a vantagem que poderia lhe dar o campeonato apenas com um 2° lugar na etapa dos Emirados Árabes Unidos. E com a Mercedes mantendo sua forma, certamente será o piloto a ser batido em 2015, quando tentará o tricampeonato.

Nico Rosberg: O filho de Keke continua na fila em seu sonho de repetir o feito do pai, de conquistar o título da F-1. Mas o piloto alemão não tem do que se envergonhar da excelente campanha realizada neste ano, onde todos imaginavam que iria levar um banho de Lewis Hamilton. Seu duelo com Lewis, reconhecido como o piloto mais rápido da categoria, onde foi um páreo duro especialmente a meio da temporada, quando chegou a abalar os nervos do companheiro de equipe, mostraram claramente o seu crescimento como piloto, passando a ser visto efetivamente como um dos astros da categoria, algo que até o ano passado ainda suscitava muitas dúvidas. O único ponto que Nico pode se arrepender do ano é do toque que deu no companheiro de time em Spa-Francorchamps, onde furou o pneu do parceiro e acabou levando uma boa bronca do time, por querer se impôr se maneira errada dentro do time. Apesar de aparentemente conseguir se manter bem mais sob controle do que Lewis, a chamada de atenção do time claramente o afetou, a ponto de em seguida assistir a 5 vitórias consecutivas de Hamilton. Além das 5 vitórias, acumulou 11 poles na temporada, mostrando toda a sua velocidade em volta lançada. E promete ser um páreo mais duro do que nunca em 2015, quando terá a missão de impedir o possível tricampeonado do parceiro de time...

Felipe Massa: O piloto brasileiro iniciou o ano com certa empolgação pelos bons resultados obtidos pela Williams nos testes da pré-temporada, mas essa boa forma do time só foi encontrada bem mais à frente na competição, e quando isso aconteceu, foi Valtteri Bottas a exibir os melhores resultados, enquanto Felipe voltava a padecer de azares e fracos resultados, como nos tempos da Ferrari. Mas Massa conseguiu melhorar na segunda metade da temporada, e nas últimas 3 corridas, chegou sempre na frente do companheiro de equipe ao fim das corridas, conseguindo dois pódios consecutivos em Interlagos e Abu Dhabi, sendo que nesta chegou próximo até de vencer a corrida, ainda que com poucas chances. Felipe só não terminou o ano melhor devido a ter ficado sem pontuar em 8 provas, mas parece ter reencontrado sua melhor forma, além de recuperar auto estima e aproveitar o ambiente menos estressante da equipe Williams. O brasileiro promete manter a ascenção em 2015, e voltar a lutar efetivamente por vitórias, e quem sabe, o título. A conferir no próximo ano...



NA MESMA:

Fernando Alonso: O bicampeão encerrou sua participação na equipe Ferrari sem um anúncio oficial de por onde competirá em 2015, embora todos estejam cientes de que a McLaren é sua única opção, e que o contrato muito provavelmente já estaria assinado, restando apenas acertar detalhes da operação, bem como salário. O espanhol conseguiu se sobressair imensamente sobre Kimi Raikkonem, e a falta de competitividade do modelo deste ano minou completamente a expectativa de um duelo renhido entre o espanhol e o finlandês. E ainda levou uma alfinetada do novo diretor Marco Mattiacci de que estaria "desmotivado" para atender às pretensões da escuderia.

Red Bull: O time das bebidas energéticas ficou com o vice-campeonato, e não fosse a falta de potência das unidades turbo da Renault, com certeza teria dado mais trabalho. De mérito, o grande trabalho de desenvolvimento do chassi RB11, e ter sido o único time a vencer além da Mercedes no ano. Mas apresentou uma performance irregular em várias corridas, e não conseguiu deixar o comportamento do carro mais ao estilo de Vettel, que não se encontrou totalmente com o carro nesta temporada. A escuderia manteve sua capacidade e contou com a grande surpresa da temporada, Daniel Ricciardo, 3° colocado no ano com todos os méritos. Resta saber se conseguirá voltar firme à disputa pelo título em 2015.

Corrida de Abu Dhabi: Não fosse a pontuação dobrada e a decisão do título, a corrida de encerramento do campeonato nos Emirados Árabes Unidos teria sido mais do mesmo: um visual espetacular, com uma pista que até hoje, desde que estreou na competição, nunca forneceu uma boa corrida, e neste ano, não foi diferente. A etapa, que tem como maior atrativo começar com a luz do sol e terminar à noite, apresentou outra corrida com poucos momentos de destaque, e se a luta entre Rosberg e Hamilton foi abreviada pelos problemas no carro do alemão, restou a Felipe Massa dar uma esperança de emoção na disputa pela vitória nas voltas finais na perseguição ao piloto inglês. Mas o duelo de posições não chegou propriamente a se concretizar, e apesar de algumas boas disputas no pelotão intermediário, a corrida esteve longe de ser uma das melhores do ano, novamente. Pelo menos para 2015 deve acabar esse negócio de pontos em dobro...

Felipe Nasr: O brasileiro firmou contrato para ser piloto titular da Sauber na próxima temporada, e o time não se fez de rogado ao admitir que contratou sua próxima dupla de pilotos mais pelo dinheiro que trazem do que propriamente pelo talento. No encerramento da GP2, Felipe acabou caindo para a 3ª colocação, com o vice-campeonato ficando para o belga Stoffel Vandoorne por uma diferença de 3 pontos. Visto como nova esperança do Brasil nas pistas, Nasr terá um ano potencialmente complicado em 2015, visto que a Sauber vai precisar tirar muita diferença da péssima performance exibida neste ano. É bom que a torcida não fique de marcação em cima, e muito menos a Rede Globo, ou Nasr poderá ser mais um a ser fritado pelas exigências de se descobrir um novo "Ayrton Senna" para "salvar" a audiência da F-1 no Brasil...

Como está fica: Force India e Lotus, apesar dos percalços financeiros, manterão suas duplas de pilotos na próxima temporada. Nico Hulkenberg e Sérgio Pérez até que fizeram campanhas razoáveis este ano, e terão chance de mostrar mais serviço para Vijay Mallya em 2015. A Lotus, que comeu o pão que o diabo amassou este ano, manteve Pastor Maldonado - e seus petrodólares, principalmente, bem como Romain Grossjean, que sem melhores perspectivas, acabou ficando no time de Enstone. Resta agora esperar que ambas as escuderias melhores seus carros, uma vez que motor é o que não faltará a ambas no próximo ano, quando competirão com as unidades de força da Mercedes, as mais potentes e eficientes do grid.



EM BAIXA:

Crise financeira na F-1: A categoria máxima do automobilismo termina o ano com a crise econômica levando as duas menores escuderias à falência - Marussia e Caterham, e com o perigo de arrastar mais times na próxima temporada. E sem consenso entre times e cartolagem para tentarem resolver a situação. Bernie Ecclestone só ajudou a complicar a situação com sua tradicional maneira de gestão de negócios, ao afirmar que se não tem dinheiro, que não se venha competir na F-1. E os times grandes também não ajudam, uma vez que se recusam a ter restrições na sua administração para cortar gastos. E o perigo não é para ser subestimado: este ano, até mesmo a McLaren, com todo o seu currículo e reputação, não conseguiu patrocinadores principais para o time, que correu com o carro quase limpo a temporada toda.

Rolo nos autódromos brasileiros: O autódromo de Brasília teve sua licitação de obras para reformas visando receber a IRL em 2014 suspensa por irregularidades, e agora será preciso refazer o processo, o que vai demandar tempo e com isso, comprometer possivelmente a realização da etapa brasileira da categoria, marcada para o início de março do ano que vem. Praticamente ao mesmo tempo, o governo federal também abandonou as atividades para desenvolver o projeto do novo autódromo da cidade do Rio de Janeiro, na região de Deodoro, por pendengas judiciais que ainda estão longe de serem resolvidas. Realmente, quando se trata do poder público nacional precisar exibir celeridade para resolver algumas coisas, o Brasil é mesmo uma piada, e de mau gosto. Mas desde quando isso é novidade por aqui? Basta lembrar que a MotoGP já pulou fora de voltar a estas paragens recentemente, justamente pelas confusões de se tentar reformar o circuito da capital do país, e resolveu nem perder tempo procurando outro lugar...

Equipe Sauber: O time suíço teve este ano sua pior temporada desde que estreou na F-1, e passou o ano sem conseguir marcar um ponto sequer. Com isso, a escuderia precisou apelas aos dólares trazidos pelo sueco Marcus Ericson e do brasileiro Felipe Nasr, para se manter na temporada de 2015. O problema é que a falta de grana deste ano pode muito bem comprometer o desenvolvimento e projeto do carro do próximo campeonato. O time fundado por Peter Sauber quase não conseguiu patrocínios na temporada, tendo de se virar com as verbas da Telmex garantidas por Esteban Gutierrez, que ficou a pé para o próximo ano, em virtude da falta de resultados. Nem Adrian Sutil escapou da degola. A escuderia foi uma das mais afetadas pela crise econômica que ronda a categoria.

Ferrari: Confirmou-se o que todo mundo já esperava: o time rosso passou seu primeiro campeonato desde 1993 sem conseguir vencer nenhuma corrida. Se a escuderia conseguiu contratar Sebastian Vettel para substituir Fernando Alonso, a mudança de administração imposta pela Fiat, controladora da Ferrari, promete causar alguns terremotos internos na escuderia, em virtude da falta de cultura de automobilismo, aliada às já tradicionais cobranças desmedidas e impacientes de resultados imediatos. Espera-se que o ano de 2015 seja melhor para a escuderia de Maranello, mas dependendo de como os rivais evoluírem, os ganhos poderão não ser tão significativos como se esperam. Alonso certamente não sentirá saudades deste ano de despedida dos carros vermelhos...

Sebastian Vettel: O tetracampeão terminou o ano sem vencer, e pior, perdeu a disputa interna com seu novo companheiro de equipe Daniel Ricciardo, que ainda por cima conseguiu vencer 3 provas no ano, ainda que mais à custa dos problemas da Mercedes do que pela performance da escuderia. Mesmo mantendo o bom humor, o alemão mostrou que isso o afetou bastante, a ponto de resolver se bandear para Maranello, onde ganhará o maior salário da F-1 pelas próximas 3 temporadas. Resta saber se no time italiano ele terá a paciência para aguardar pela chegada de bons resultados, que pela reorganização e mudança de mentalidade administrativa pela qual o time rosso está passando, podem significar um bom atraso na resolução dos problemas. Isso para não falar do tradicional ambiente carregado de Maranello, além das cobranas irascíveis da torcida italiana, que muitas vezes quer tudo para anteontem. Vettel pode estar entrando em uma grande fria...

 



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

VETTEL NA FERRARI


Sebastian Vettel se acostumou a ganhar tudo nos últimos 4 anos. Ficar sem vencer este ano incomodou bastante, e agora vai tentar a sorte na turbulenta equipe Ferrari, pelas próximas 3 temporadas.

            A Fórmula 1 chegou ao circuito de Yas Marina, nos Emirados Árabes Unidos, para a sua prova final do campeonato de 2014. Lewis Hamilton ou Nico Rosberg, um dos dois sairá coroado deste circuito que é uma maravilha fora da pista, e um pesadelo para ultrapassagens dentro dela. Além da tradicional tensão de uma decisão de título, o paddock anda agitado com a crise financeira que ameaça cada vez mais alguns times da categoria. Tratarei deste assunto em breve em outra coluna. Hoje o assunto é a oficialização do que todo mundo já sabia desde o GP do Japão: Sebastian Vettel é piloto da Ferrari! O anúncio foi feito aqui em Abu Dhabi e o tetracampeão vestirá as cores da escuderia de Maranello pelos próximos 3 anos. Em 2015, terá como companheiro o finlandês Kimmi Raikkonem, muito provavelmente em sua última temporada na F-1...
            Vettel vai em busca do sonho de ser campeão pela escuderia mais carismática da F-1, e busca repetir o feito de Michael Schumacher, seu grande ídolo, que lá reinou como um deus, amealhando 5 títulos mundiais de 2000 a 2004, e tornando-se o maior nome da história da categoria. Já com 4 títulos no currículo, Sebastian quer repetir o mesmo sucesso, e quem sabe, até superar as marcas de Schumacher. Mas a parada promete ser dura, e muitos têm dúvidas se o jovem piloto, o mais precoce tetracampeão da história, terá o sucesso que espera. Ou se terá a paciência necessária para tanto.
            Se espelhar em Michael Schumacher para repetir seus feitos é legal, mas há de se atentar para alguns detalhes que certamente pesam contra Vettel nesta comparação. Em 1995, Schumacher surpreendeu a todos com o anúncio de que iria para Maranello. O time italiano vinha de uma seca de títulos de mais de uma década e meia, e Michael, coroado bicampeão, e tendo a Benetton no auge de sua força, só tinha a perder indo para o time italiano. Ficasse na escuderia multicolorida, era garantia de disputar novo título em 1996, e de ser tricampeão naquele ano. Preferiu encarar o desafio que nem mesmo Ayrton Senna se atreveu a tentar: fazer da Ferrari novamente um time campeão.
            Vettel sai da Red Bull, em direção a Maranello, logo no seu primeiro ano de dificuldades no time das bebidas energéticas. Não apenas não conseguiu vencer este ano, consequência da supremacia da Mercedes na temporada, como ainda acabou superado, na pista, e até no campeonato, por seu novo companheiro de equipe, Daniel Ricciardo. E a gota d'água sem dúvida, foi ver o parceiro conseguir 3 vitórias no ano, sendo o único piloto a conseguir quebrar a hegemonia do time alemão. Vettel assumiu com sinceridade que o novo companheiro de equipe conseguia tirar do modelo RB11 mais do que ele conseguia, além de revelar não ter se adaptado às reações do novo carro. Neste ponto, em que pese muita gente criticar Fernando Alonso quando o asturiano tem seus chiliques ao ver um companheiro de equipe andando mais do que ele, Vettel acabou demonstrando o mesmo incômodo do espanhol, só foi mais discreto.
            Para muitos, eu inclusive, Vettel deveria dar mais uma chance à Red Bull, com quem ainda tinha contrato até o fim do ano que vem. Seria a chance do tira-teima contra Ricciardo, além de poder contar com aquele que deverá ser o último carro de F-1 projetado por Adrian Newey, o modelo RB12. O projetista a partir da próxima temporada passa a ser apenas consultor da escuderia, e irá se dedicar a novos projetos fora da F-1. O modelo de 2016, esse sim, já não deverá contar com sua genialidade no projeto total. A expectativa de que a Renault consiga melhorar sua unidade de potência é também uma chance de poder ter um carro mais competitivo, uma vez que neste setor, após os testes desastrosos da pré-temporada deste ano, a escuderia conseguiu um progresso notável a ponto de muitos hoje confirmarem que a Red Bull tem novamente o melhor chassi da temporada. Mas, com um déficit de cerca de 80 HPs na unidade de potência, não havia como desafiar a Mercedes, que além de um motor extremamente potente, ainda conta com um chassi praticamente tão com quanto o do time rubrotaurino. Se a perspectiva da Renault em diminuir sua desvantagem para o motor da Mercedes não é totalmente fiável, pelo menos Sebastian ainda deveria considerar a possibilidade de derrotar Ricciardo, além de ainda dar uma força ao time que lhe deu tudo, em seu momento de dificuldade, antes de pular fora. Se ele resolvesse sair ao fim do ano que vem, em virtude de outro ano de poucos resultados, aí sim não poderia condená-lo pela atitude.
            Nesse ponto, Schumacher também teve atitude diferente: depois de 5 títulos consecutivos na Ferrari, o alemão virou coadjuvante de luxo em 2005, com a Ferrari incapaz de competir com os times da Renault e McLaren, equipados com pneus mais competitivos da Michelin, frente aos Bridgestone usados pela Ferrari. O heptacampeão poderia muito bem ter largado o time e até se aposentado, já tinha feito história mesmo, mas Michael manteve a cabeça no lugar, e prometeu que em 2006 daria a resposta a quem o achava "acabado" para a F-1. E no ano seguinte, com um carro novamente competitivo, calou todos os críticos, e saiu para a aposentadoria com sua cotação plenamente em alta. Vettel resolveu não dar a mesma chance à Red Bull.
            Se ele vai conseguir ser campeão na Ferrari, ainda é cedo para dizer. O time rosso tem sua pior temporada em vários anos, e acaba de sofrer uma mudança de direção e passa por reformulação na área técnica. Ajeitar as novas peças em seus devidos lugares deve levar tempo, mas pela fraca performance do time neste ano, todos apostam que em 2015 a escuderia deverá se sair melhor. A questão é quanto melhor. Sebastian tem noção de que o desafio que terá pela frente será grande. Será que ele está preparado para todas as dificuldades que o esperam? E, principalmente, terá a paciência necessária para colher os frutos que espera no time italiano? É o que todos perguntam.
            Quando Schumacher chegou à Ferrari em 1996, o time já vinha sofrendo uma reestruturação desde 1994, com a nova chefia de Jean Todt, que assumiu a direção do time em 1993. Todt colocou ordem na casa, que vivia uma bagunça, não conseguindo manter a coordenação de todos os setores da fábrica e da escuderia. E com a sua chegada, havia um talento incontestável que poderia dar os resultados na pista que todos esperavam. E foi naquele ano também que, por indicação de Schumacher, que a Ferrari contratou os principais nomes do staff técnico que foram responsáveis pelo sucesso da Benetton nos anos anteriores, Rory Byrne e Ross Brawn. Com a estrutura montada, os frutos começaram a aparecer já em 1997, quando Michael voltou a disputar o título. Mas foram precisas mais 3 temporadas, até tudo ficar totalmente 100%, e em 2000, quatro anos depois de chegar a Maranello, Michael iniciou o maior período de vitórias de um único piloto na história da F-1.
            O contrato de Vettel é de 3 anos. Ele alcançará o sucesso de Schumacher no time neste período? Os mais otimistas garantem que a Ferrari já voltará a vencer corridas em 2015, podendo disputar o título novamente em 2016. Os mais realistas garantem que a escuderia italiana só deverá estar mesmo forte em 2017, teoricamente o último ano do contrato de Sebastian. Os mais pessimistas garantem que Vettel pula fora antes mesmo de cumprir estes 3 anos. Fico no time dos realistas, até pelo histórico recente da passagem de Alonso pelo time. O asturiano ficou 5 anos em Maranello, e tudo o que conseguiu foram 3 vice-campeonatos e 11 vitórias, sendo que em apenas 2 anos ele lutou efetivamente pelo título, 2010 e 2012. No ano passado, apesar do vice-campeonato, Alonso assistiu impotente ao passeio de Vettel nas 9 corridas finais do campeonato, vendo o alemão conquistar o tetra praticamente sem oposição.
            Alonso também chegou a Maranello em um momento onde a estrutura eficiente de profissionais montada por Todt e Schumacher não mais lá se encontrava. O time não tinha mais a mesma coesão de antes, situação que se repete neste momento, complicada ainda mais pela mudança de direção, que está impondo também um novo tipo de mentalidade no time. Tudo pode dar certo, mas neste momento, os prognósticos indicam que Vettel pode enfrentar mais problemas do que Alonso em sua estada no time italiano. E que poderão demandar mais tempo para serem solucionados, isso se forem. Não se pode descartar a possibilidade de se produzirem novos modelos de performance fraca.
            É uma decisão errada Sebastian ir para a Ferrari? Isso vai depender mais dele do que dos outros. Ele tem liberdade para fazer o que quiser de sua carreira. E o jovem alemão tem alguns desafios a cumprir. O primeiro deles é calar os críticos que dizem que seus títulos se devem unicamente aos carros de Adrian Newey, e que seu talento não seria assim tão grande quando pensa que é. Vencer pela Ferrari mostraria que Sebastian é o grande piloto que seus títulos dizem, e não fruto de um carro superior aos demais. Ele quer mostrar que seu talento é fato e não presumido apenas por ter o melhor carro. E ele precisa provar isso para mostrar a todos que é mesmo um campeão de fato. É seu direito buscar isso. Infelizmente, o resultado desse ano joga um pouco contra ele, por ter ficado atrás do companheiro de equipe quando não teve mais um carro "superior" aos demais.
            E, também por esse motivo, ele estaria indo para a Ferrari, justamente para evitar uma possível nova derrota para Ricciardo em 2015 na Red Bull. Caso o australiano o suplantasse novamente como tem feito este ano, sua imagem de campeão certamente sofreria um forte abalo, e os críticos às suas conquistas teriam ainda mais munição para contestá-lo. Infelizmente, eles terão assunto neste sentido ao afirmarem que Vettel "fugiu" da disputa indo para Maranello, com medo de nova derrota.
            E Vettel terá sucesso onde Alonso falhou? Sebastian tem pontos positivos a seu favor: não é egocêntrico como o asturiano, não cria clima ruim dentro do time (pelo menos, não como Alonso), e mais do que todos, quer provar do que é capaz. Isso sugere que ele vai entrar de cabeça em todos os esforços para tornar a Ferrari novamente um time campeão. E de início, terá em Raikkonem um parceiro com o qual não deverá ter problemas. O finlandês não é dado a brigas dentro da equipe, e ele tem um excelente relacionamento com Sebastian, que deve ajudar a desanuviar o clima carregado de centralização que o espanhol sempre impôs ao redor de si como condição de seu contrato. Com um clima mais cordial e sereno, todos ganham mais tranquilidade pra poderem produzir mais e melhor, o que certamente deve ajudar a escuderia a melhorar seu rendimento.
            O ponto negativo é a Ferrari ser justamente...a Ferrari. Diferente da Red Bull, um time jovial e descontraído, com uma percepção mais fresca da F-1, a Ferrari é um time cheio de picuinhas e frescuras políticas. Luca de Montezemolo nunca deixou o pessoal totalmente à vontade, cobrando sempre mais e mais. Mas pelo menos ele ainda entendia a "alma" da F-1, e isso lhe dava uma compreensão do que deveria ser feito. A Ferrari agora tem outra direção, escolhida pela Fiat, com um novo diretor geral que veio de uma área diferente das competições. O objetivo é impôr uma nova mentalidade administrativa, e isso pode implicar em mais cobranças do que o habitual. Cobranças, aliás, que logo começarão a ser feitas de forma implacável também pela torcida da escuderia, que tem costumeiramente pouca paciência para maus resultados.
            Acostumado à rotina de um time que era bem menos ocupado com politicagens,Vettel vai encontrar um ambiente bem diferente no time italiano. A princípio tudo poderá correr bem, mas e quando a lua de mel acabar, será que Sebastian terá paciência de aguentar o clima carregado que costuma rondar a escuderia? E se os resultados não vierem como se espera, continuará por lá? Alonso aguentou 5 anos, e não fosse a péssima performance deste ano, poderia até continuar por lá em 2015. Mas o entusiasmo esmoreceu, a confiança acabou, e já não era de hoje. Com seu último campeonato datando de 2006, o asturiano está perto de completar 10 anos sem conquistar um novo título, e isso pesa. O bastante para ele agora ter de se arriscar na renovada parceria da Honda com a McLaren como única alternativa para seguir adiante.
            Vettel mostrou impaciência pulando fora da Red Bull no primeiro ano de dificuldade. Pode enfrentar um jejum ainda pior na Itália. E terá de aguentar firme; pular fora novamente em pouco tempo iria deixar uma péssima impressão em sua imagem. O alemão ainda é bem jovem, e se mantiver a cabeça no lugar, e ser paciente tanto quando necessário, terá sua chance de colher frutos na Ferrari. Ou mudar de time novamente, mas depois de findar seu contrato, se sentir que não terá melhor sorte em continuar por lá. Agora ele não pode é voltar atrás. Se ele quer seguir o mesmo caminho trilhado por Schumacher, terá de esperar e torcer para as peças que estão sendo montadas pela nova direção da Ferrari combinarem entre si. Com Alonso não deu certo, e o espanhol aguentou 5 anos. O que espera por Vettel é seu futuro na F-1. Se vai ser glorioso ou fracassado, só o tempo dirá.
            Seja bem-vindo à Ferrari, e boa sorte em sua nova empreitada, Sebastian.


E a Caterham está mesmo aqui em Abu Dhabi. Com uma vaquinha virtual, e uma ajudinha de Bernie Ecclestone, o time verde estará na pista, fazendo o grid retornar a 20 carros. Mas que ninguém se empolgue: é o canto do cisne da escuderia, que demitiu todos os funcionários na semana passada, e com aqueles que vieram para Yas Marina recebendo como "free-lancers", para conseguirem pôr os carros na pista. Kamui Kobayashi volta para defender o time em sua última participação, que terá como outro piloto Will Stevens, anunciado há pouco. Vai ser uma despedida melancólica, fazendo até menos do que normalmente faria na pista. Triste, mas consequência do modelo atual de competição da categoria, que virou há tempos um saco sem fundo no que tange aos custos de competição.