quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX - SETEMBRO DE 1996 - 27.09.1996



            Continuando a trazer minhas antigas colunas, esta é do dia 27 de setembro de 1996, e o assunto era a decisão do título na F-1, que com a vitória de Jacques Villeneuve no Grande Prêmio de Portugal, postergava a decisão para a etapa final da temporada, que seria disputada em Suzuka, que naquele ano encerrava o campeonato. De quebra, mais algumas notas rápidas sobre os acontecimentos do fim de semana no mundo da velocidade. Uma boa leitura a todos, e em breve, trago mais textos antigos...


DECISÃO ADIADA

            Bem, ainda não foi desta vez que vimos Damon Hill conquistar o seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Jacques Villeneuve, em uma corrida de sorte e garra, conseguiu sair do autódromo do Estoril com o resultado de que mais precisava para manter suas esperanças no título: a vitória.
            Sem dúvida o Grande Prêmio de Portugal foi palco de uma grande corrida. Uma das melhores do ano. Não faltou briga entre vários pilotos, fossem elas na ponta, no pelotão intermediário, ou mesmo entre os últimos colocados. Damon Hill conseguiu aproveitar muito bem sua pole-position e começou a ir embora dos demais. Chegou a abrir até 16s de vantagem para Villeneuve antes que o canadense conseguisse se livrar de Michael Schumacher e partisse em sua perseguição. A ultrapassagem de Villeneuve sobre Schumacher pelo lado de fora da curva Parabólica foi sem dúvida a melhor do ano; já fazia um bom tempo que não ocorria tais manobras de ultrapassagem na categoria. Daí em diante, Villeneuve contou com a sorte e com a garra: manteve um bom ritmo de corrida e, com os trabalhos de Box, ganhou as posições de Jean Alesi e Damon Hill. O inglês, como é de costume, acabou perdendo todo o terreno ganho na pista em ultrapassagens muito demoradas sobre os retardatários, além de ter sofrido alguns problemas na embreagem de seu carro.
            Ficou a dúvida se Villeneuve teria conseguido arrancar a ultrapassagem de Hill na pista se tivesse de fazê-lo. Quando o canadense encostou no inglês depois do segundo pit stop, Hill conseguiu manter-se firme e até voltou a abrir sua vantagem, que havia caído para meros 0s3. A mesma dúvida fica em relação a Alesi, que também mantinha um bom ritmo de corrida. No final, vendo que não conseguiria recuperar a liderança, Damon acabou correndo com a cabeça, resignando-se a terminar a prova em 2º lugar. Se, por um lado, isso demonstra que, nos momentos mais duros Hill parece não ter braço para se impor frente a adversários mais fortes, por outro lado, também foi um ato consciente. Afinal, quantas corridas Alain Prost deixou de ganhar porque resolveu garantir posições ao invés de lutar por elas em disputas provavelmente fraticidas? Longe de comparar Hill com Prost, apenas que não se pode condenar o inglês por desistir na vitória no Estoril. Seu 2º lugar ainda lhe garante uma posição razoavelmente confortável na classificação.
            E a matemática joga a favor de Damon Hill: basta apenas mais 1 ponto, o equivalente a chegar em 6º lugar, para sagrar-se campeão de 96. Villeneuve adiou para o Japão a decisão do título, mas a faca e o queijo continuam nas mãos de Hill. Em Suzuka, o canadense não poderá apenas depender de si mesmo, mas do que Hil conseguir ou deixar de conseguir. É hora de ver se o filho de Gilles Villeneuve vai suportar bem a pressão. Quanto a Hill, só uma coisa é óbvia: o piloto inglês deverá fazer uma corrida segura, visando o título, o que significa correr apenas pelos pontos necessários para liquidar a fatura.
            E a concorrência joga contra o canadense. Benetton e Ferrari podem se intrometer na briga pela vitória em Suzuka e estragar os planos de Jacques. Qualquer resultado que não seja a vitória dá o título de presente ao filho de Graham Hill. Vale lembrar que, em 95, Alesi e Schumacher foram as estrelas da corrida de Suzuka: Schumacher venceu e Alesi deu o maior show de pilotagem até sua Ferrari quebrar. Quem também andou bem foi a McLaren. Resumindo, a prova deverá ser bem competitiva.
            Nesta semana as equipes permaneceram no Estoril para testes. Semana que vem, o trabalho continua, agora com cada equipe no seu canto. E, na outra semana, chega a hora de embarcar para o Japão para a corrida decisiva. Aproxima-se a etapa final, e a emoção é promissora. Vamos aguardar.


Mais dois pilotos brasileiros garantiram seus lugares na F-Indy em 97: Raul Boesel vai ser o companheiro de equipe do americano Scott Pruett na Patrick Racing. Boesel continuará com o patrocínio da Brahma, que será exclusivo de seu carro. Pruett continuará com o patrocínio da Firestone e da Penzoil. O outro brasileiro é Guálter Salles, que vai correr na nova equipe que está sendo estruturada por Gerald Davis, que comprou a estrutura da recém-fechada equipe Hall. Enquanto Raul Boesel usará chassi Lola, motor Ford e pneus Firestone, Guálter correrá com chassi Reynard, motor Mercedes e pneus Goodyear.


Com isso, já são 6 pilotos brasileiros garantidos no campeonato da F-Indy de 97: Gil de Ferran na Walker; Christian Fittipaldi na Newmann-Hass; André Ribeiro na Tasman; Maurício Gugelmim na PacWest; Raul Boesel na Patrick; e Guálter Salles na nova equipe de Gerald Davis. Roberto Moreno ainda negocia com várias equipes, e Émerson Fittipaldi ainda não deu sua decisão de continuar ou não a competir como piloto na categoria.


Enquanto Jacques Villeneuve fez a melhor ultrapassagem na prova do GP de Portugal, Eddie Irvinne e Gerhard Berger tiveram uma luta de titãs pela 5ª posição no fim da corrida. Berger chegou a ultrapassar o irlandês, mas acelerou demais e levou o troco na curva seguinte, quando abriu demais a trajetória. No fim, Irvinne ganhou a parada, e o 5º lugar.


Pedro Lamy, o único piloto português na F-1, não pôde fazer muita coisa na corrida de seu país. Teve de largar dos boxes e ficou sempre em último na corrida, até abandonar. O próprio piloto já admitia ter um dia ruim nas entrevistas, quando declarou que não esperava nada de seu carro nem nos treinos e nem na corrida.


Rubens Barrichello não teve um bom dia no Estoril. Estava dando luta às McLaren e vinha em uma boa posição quando o câmbio de seu Jordan deixou-o a pé. Mas a Jordan não foi a única equipe azarada na corrida: a McLaren que o diga, com Mika Hakkinen rodando e perdendo o bico do carro, e acontecendo até um congestionamento no box da equipe. David Couthard também acabou fazendo das suas e precisou de reparos no carro. Mas não ficou nisso: o escocês excedeu o limite de velocidade no pit line e levou uma punição de 10s em um “stop and go“.


Nova reviravolta no futuro possível de Damon Hill: o abandono da F-1 ao fim da temporada, se não conseguir um carro decente para 1997. E o próprio Eddie Jordan parece mais inclinado a manter Rubens Barrichello no time, desde que Hill não resolva vir para a escuderia. Jordan pediu ao piloto brasileiro para esperar até o início da próxima semana para decidir qualquer coisa. De positivo para Rubinho, apenas o encontro com o tricampeão Jackie Stewart, que tenta tê-lo como piloto de seu novo time de F-1, quando foi muito elogiado pelo ex-piloto escocês.


Bernie Ecclestone, vice-presidente da FIA e presidente da FOCA, declarou que Pedro Paulo Diniz é uma “estrela em potencial” para o futuro da F-1. Elogios de Ecclestone, porém, podem virar da noite para o dia: em 1993, Rubens Barrichello também foi elogiado pelo dirigente que, recentemente, declarou que Barrichello não tinha talento para ser campeão...


Eddie Irvinne teve no GP de Portugal sua melhor performance desde o GP da Austrália, no início da temporada. Durante boa parte dos treinos, o irlandês ficou à frente de Michael Schumacher, e na corrida, andou bem mais próximo do alemão do que nas provas anteriores, sem mencionar que seu carro não quebrou. Das duas uma: ou a Ferrari resolveu melhorar o tratamento a Irvinne e mantê-lo firme na equipe para 97, ou o irlandês acordou depois de inúmeras performances sonolentas e das críticas feitas a ele pelo colega de equipe durante a semana. Por mim, aposto na primeira hipótese...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DECISÃO ESPANHOLA NA MOTOGP


Quem leva o título da MotoGP 2013: Jorge Lorenzo (Yamaha, moto azul), atual bicampeão, ou o novato prodígio Marc Márquez (Honda, moto vermelha e laranja)? O duelo promete no domingo, em Valência...

            O Mundial de MotoGP chega à sua última etapa do ano, em Valência, com a perspectiva da decisão do título na categoria máxima do motociclismo. Quem vai ganhar? O atual bicampeão, Jorge Lorenzo? Ou o novato sensação da categoria, Marc Márquez? Para público espanhol, pouco importa, pois ambos são conterrâneos, e foi um ano em que o país Ibérico praticamente monopolizou a MotoGP: das 17 corridas disputadas até agora, apenas 1 não foi vencida por um piloto espanhol: a etapa da Holanda, onde quem chegou na frente foi o italiano Valentino Rossi. Lorenzo venceu 7 provas, Márquez 6 corridas, e Dani Pedrosa outras 3 etapas. Melhor, quase impossível.
            Na pista do circuito Ricardo Tormo, nos arredores de Valência, a disputa promete ser eletrizante. Márquez chegou para a etapa como líder e grande favorito do campeonato, em seu ano de estréia na categoria maior do motociclismo mundial. Dispondo do melhor equipamento do grid, o modelo RC213V da Honda, e correndo pela escuderia da fábrica japonesa, o audaz garoto de ouro do motociclismo espanhol chegou chegando, como se diz no jargão popular. A exemplo da estréia do inglês Lewis Hamilton na McLaren em 2007, Márquez deixou para trás logo na primeira corrida a sensação de que iria ser apenas um novato afortunado de correr pelo melhor time da categoria: travou um belo duelo com Valentino Rossi, e terminou sua primeira prova da MotoGP na 3ª posição, em Losail, no Catar. Jorge Lorenzo venceu a corrida sem maiores percalços, mas seria um dos poucos momentos em que teria vida fácil no campeonato de 2013.
            Dito e feito: na corrida seguinte, em Austin, nos Estados Unidos, Márquez já mostrava a todo mundo que já sabia o suficiente para deixar a concorrência mais "experiente" comendo poeira: venceu com categoria, e os rivais que se preparassem: não ia dar moleza dali em diante. Pior para Dani Pedrosa, seu companheiro na equipe Honda, que antes do início do campeonato era tido como um dos favoritos ao título, por ser o piloto de maior experiência no time, e que teoricamente, serviria de instrutor para conduzir o jovem Márquez nos segredos de aclimatação da possante moto de 1000cc da categoria, um equipamento com comportamento bem diferente das motos da categoria Moto2, onde Marc foi campeão no ano passado. O "aluno" já superava o "professor" logo de cara, e Pedrosa viu seus sonhos de ser campeão levarem um tombo do qual nunca se recuperariam, pelo menos em 2013.
            Não que Pedrosa não tenha tentado reagir ao domínio imposto pelo novo companheiro de equipe: mas suas vitórias em Jerez, Le Mans e Sepang foram pouco diante do ritmo avassalador do jovem espanhol. Se não dava para vencê-lo em velocidade, o jeito era apelar para a constância, que deu resultado durante boa parte da temporada, mantendo Pedrosa como um dos favoritos ao título. Mas como desgraça pouca é bobagem, até no quesito constância Pedrosa acabou perdendo o duelo com Márquez. O novato sensação ficou sem pontuar apenas em duas provas, sendo que em Phillip Island, na Austrália, foi devido à sua desclassificação por trocar de moto uma volta além do permitido em um acordo específico para aquela etapa, o que significa que ele realmente abandonou apenas uma corrida em todo o ano, em Mugello.
            Pedrosa acumulou dois abandonos, sendo que um deles, em Aragón, por culpa de um toque do próprio companheiro de equipe Márquez, que no impacto em uma disputa de posição, rompeu um cabo da moto de Dani, ocasionando um tombo logo a seguir. A partir dali o clima ficou tenso na equipe da Honda, com Pedrosa a reclamar do excesso de agressividade do parceiro de time, opinião que era compartilhada por outros pilotos, para os quais o novato sensação agia em determinados momentos como se não tivesse ninguém na pista, sendo por vezes demasiado agressivo em disputas de posição. Na verdade, Márquez chegou incomodando mais do que todo mundo imaginava, mas de fato em vários momentos ele se portou de forma exageradamente atirada e demasiado agressiva, algo típico da idade. Mas, correndo em motos acima de 300 Km/h, é preciso ser um pouco mais comedido em alguns movimentos, do contrário, o desastre sempre está à espreita. Pedrosa que o diga em Aragón...
            A arrancada de Márquez a meio da temporada, quando enfileirou 4 vitórias consecutivas, deu a impressão de que o mundial acabaria antes do tempo. Coube ao atual campeão da categoria, Jorge Lorenzo, animar a disputa, que conseguiu levar para a última etapa, neste domingo, a duras penas. Duras mesmo: o atual bicampeão suou sangue para levar a Yamaha à vitória em vários momentos, superando no braço a performance inferior de sua moto para a da rival Honda. Não fosse o tremendo esforço de Lorenzo, de fato o mundial já poderia ter acabado. A disputa do título em boa parte do ano foi um duelo restrito a 3 pilotos: a dupla da Honda, Márquez e Pedrosa, e a Jorge Lorenzo. Valentino Rossi, que fez sua volta à Yamaha este ano, até que começou bem a temporada, com um 2° lugar, mas fora sua vitória em Assen, na Holanda, em todo o restante do ano o "Doutor" foi apenas um coadjuvante de luxo do trio que disputou efetivamente o título, e que agora se reduziu à dupla Márquez-Lorenzo.
            Com Rossi incapaz de acompanhar o ritmo dos rivais da Honda na maior parte do campeonato, sobrou para Lorenzo resgatar a honra da Yamaha. Ele o fez com competência, mas não foi fácil. Jorge também sentiu o impacto da ascenção de Márquez, e na primeira metade ainda conseguiu lidar com o novato da Honda com certa calma, mas o caldo engrossou a meio do campeonato, e na tentativa de acompanhar o ritmo de Márquez, Lorenzo passou a cometer mais riscos, o que o levou a se acidentar feio, durante os treinos para a prova da Holanda, quebrando a clavícula, passando por uma cirurgia e voltando para a pista para correr, ainda sem estar recuperado, o que o levou a novo acidente na etapa seguinte, e aí o forçou sim a maneirar um pouco nas semanas seguintes.
            Já recuperado, Lorenzo precisou repensar sua estratégia para enfrentar Márquez, e passou a usar de toda a sua experiência, além de seu enorme talento, para tentar contrabalançar a tremenda velocidade e ímpeto do rival. Motivando a Yamaha a dar tudo por tudo na luta pelo título, Lorenzo conseguiu dar a volta por cima, e se não conseguiu superar o jovem Marc, pelo menos conseguiu reequilibrar a briga, e nas duas últimas corridas, obteve vitórias cruciais, diminuindo sua desvantagem para o piloto da Honda. E com Pedrosa já fora de combate na luta pelo título, tudo agora se resolverá na etapa derradeira da competição. Desde 2006 que a MotoGP não assistia a uma decisão de título em sua última etapa do campeonato. Naquele ano, Valentino Rossi tinha chegado para a etapa final com uma vantagem de 8 pontos para Nick Hayden, na mesma pista de Valência. Podendo correr por pontos, entretanto, as coisas não saíram como Rossi esperava, pois Valentino levou um tombo logo no início da corrida, e acabou perdendo o título para Hayden, que chegou em 3° lugar naquela prova, conquistando o caneco.
            A situação de Márquez é parecida: o novato sensação tem 13 pontos de vantagem para Lorenzo, e pode se dar ao luxo de marcar o rival sem maiores problemas. Se Jorge vencer a corrida, bastará um 4° lugar para Márquez faturar o título. O problema é que em nenhuma das corridas que terminou este ano o garoto ficou fora do pódio, e a menos que aconteça algo inesperado, dificilmente vai deixar de conquistar um novo pódio em Valência. O degrau menor, da 3ª posição, já lhe dá o título confortavelmente, e ele pode deixar Lorenzo e Pedrosa partirem para o mano a mano em busca da vitória, e se Dani vencer a corrida, melhor ainda. Para Lorenzo, mesmo que tenha a providencial ajuda de Valentino Rossi, que poderia lutar pelo pódio, e assim complicar um pouco mais as chances de Márquez, ainda assim o fato de precisar apenas do 4° lugar dificulta ainda mais as coisas para o atual bicampeão.
            Restaria a Lorenzo a esperança de que os demais competidores do grid entrem na parada e compliquem a situação de Márquez, mas é difícil. Honda e Yamaha praticamente monopolizaram o pódio da MotoGP durante todo o ano, com apenas 2 exceções, tamanha foi a diferença de performance dos dois times principais para as outras escuderias do grid. E em nenhum momento os demais times sequer ameaçaram os postulantes da Yamaha e Honda à vitória nas corridas de 2013. Dos pilotos da Honda e Yamaha, apenas Valentino Rossi ficou devendo na maior parte do campeonato, tendo ele sim, problemas para se livrar dos demais concorrentes do grid, muitas vezes em luta pelo 4° lugar, e até para ser 3° colocado algumas vezes. Em condições normais, Lorenzo, Pedrosa e Márquez só viram o restante do grid na hora de ultrapassá-los como retardatários.
            Esta será a 16ª vez que a categoria máxima do motociclismo assistirá a uma decisão na última etapa do campeonato. A primeira vez foi em 1950, com o título conquistado pelo italiano Umberto Masetti. Na última, em 2006, Nick Hayden foi o campeão. Seja quem for o vencedor do campeonato no domingo, o será com todos os méritos. Marc Márquez já inscreveu seu nome na história da categoria com seu impressionante campeonato de estréia, e se for campeão, apenas aumentará a dimensão de seu feito. Jorge Lorenzo, por sua vez, mostra que está em sua melhor forma, e que consegue equilibrar uma disputa mesmo competindo com um equipamento levemente inferior, algo que poucos pilotos conseguem efetivamente realizar.
            Os fãs da motovelocidade certamente vão se lembrar deste campeonato por muitos anos, e com muito gosto, e eles certamente merecem o show que estão assistindo este ano, com o duelo titânico Márquez-Lorenzo. Quem vence é o esporte a motor, por proporcionar este pega empolgante.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

FLYING LAPS - OUTUBRO DE 2013



            O fim do ano se aproxima, e aqui estou eu com mais algumas notas rápidas do mundo do automobilismo sobre acontecimentos do último mês, em mais uma edição da "Flying Laps". Uma boa leitura a todos, e mês que vem tem mais...


Sébastien Ogier faturou em grande estilo o título do Campeonato Mundial de Rali, ao vencer a etapa da França, encerrando matematicamente a disputa da competição com duas etapas de antecedência. Podendo correr por resultados, já que era quase inalcansável por seu "principal" rival na classificação, o belga Thierry Neuville, que estava quase 100 pontos atrás na tabela do campeonato, Ogier não baixou a guarda e partiu para vencer a etapa, coroando a conquista de seu primeiro título na categoria em casa. A conquista teve um adicional, que foi a despedida de Sébastien Loeb do Mundial de Rali. Só que a última participação do piloto que foi campeão por 9 anos consecutivos foi pífia: Loeb abandonou a etapa ao capotar com seu carro logo na primeira etapa da competição. Uma pena que Loeb não tenha competido em tempo integral neste campeonato. Ogier correu praticamente sozinho, e a presença do eneacampeão poderia ter oferecido um raro espetáculo de competição entre os dois pilotos, e certamente daria ainda mais crédito ao título de Ogier. Mas a vida segue, e o novo campeão da categoria não deixou ninguém esperando para assistir à sua primeira vitória em uma nova etapa do campeonato já com o título assegurado: Ogier também arrasou os concorrentes na etapa seguinte, disputada na Espanha, deixando seus rivais comendo ainda mais poeira. Se vimos o encerramento oficial da "era" Loeb no rali, podemos estar assistindo ao início de uma outra. Alguns dizem que Ogier terá uma grande desafio pela frente, tentando repetir o número de títulos de seu compatriota, e que tal feito dificilmente será repetido. Pode ser, mas quando Loeb conquistou seu primeiro título, há 10 anos, ninguém imaginava que o piloto francês da Citroen impusesse um domínio tão impecável no certame que duraria praticamente uma década, e só não foi mais longe porque Loeb decidiu correr atrás de novos desafios em sua carreira de piloto. Ogier teve um ano impecável, com 8 vitórias no campeonato, e curiosamente, quem venceu mais depois dele foi justamente Loeb, com dois triunfos no ano em que se despediu do Mundial de Rali. Ainda resta mais uma etapa para fechar a competição, o rali da Grã-Bretanha, marcado para o próximo dia 17 de novembro, e que pode assistir a mais uma vitória de Ogier. Aguardemos...


Loeb fez uma falta tremenda, não apenas para os fãs do Mundial de Rali, que podiam ter visto uma belo duelo entre ele e Ogier pelo título do campeonato, mas principalmente para a Citroen. Mikko Hirvonen, que comandou o time francês nesta temporada, é apenas o 4° colocado na tabela, com apenas 126 pontos, enquanto Ogier, com a vitória no rali da Espanha, acumula 265 pontos. A performance de Hirvonen é muito inferior até mesmo ao seu desempenho em 2012, quando era companheiro de Loeb na Citroen, sendo que no ano passado o finlandês foi vice-campeão, com 213 pontos, e tendo vencido uma etapa do campeonato. Mas se Hirvonen despencou, Ogier teve um aumento de performance espetacular de 2012 para 2013: no ano passado o piloto francês foi apenas o 10° no campeonato, com míseros 41 pontos...


No rali da Espanha, na segunda divisão do Mundial de Rali, quem fez a festa foi ninguém menos do que Robert Kubica. O ex-piloto de F-1, que quase morreu ao sofrer um violento acidente em uma competição da modalidade há 3 anos, estreou nesta temporada na segunda divisão do Mundial, o WRC2, e mostrou a mesma classe que encantou seus fãs na categoria máxima do automobilismo. Kubica conquistou o título com vitória na etapa espanhola, atingindo nada menos do que 5 vitórias em 7 etapas disputadas no ano, número bastante impressionante. Kubica ainda manifesta desejo de um dia voltar a pilotar monopostos, mas o estado físico de seu braço ainda apresenta problemas de mobilidade, que podem inviabilizar um retorno com eficiência total, um problema que não o atinge em um carro como o dos ralis, onde tem espaço para manobrar com mais liberdade os membros superiores. Mas sua recuperação tem sido otimizada nas provas de rali, e o intrépido polonês por enquanto está com a mente focada na competição off-road. E o título do WRC2 já valeu a Robert um convite da Citroen para disputar o Rali da Grã-Bretanha, pela divisão principal do WRC, e nem é preciso dizer que Kubica vai aproveitar a oportunidade para arrumar um lugar na competição para o próximo ano. A Citroen já manifestou interesse em contar com o polonês em seus carros na divisão principal no ano que vem, então nada melhor do que dar uma chance a ele agora e ver como vai se portar ao carro. Mas, depois de ganhar o título do WRC2, a Citroen não tem mais o que esperar para ver. Kubica já mostrou do que é capaz, e merece plenamente um lugar no time francês para o ano que vem. Sébastien Ogier que se cuide...


Quem estava cansado de só ver a Audi vencendo no Mundial de Endurance teve pelo menos o gosto de ver sua principal - e única, por enquanto, rival, a Toyota, vencer as 6 Horas de Fuji, no Japão. Mas foi uma vitória sem gosto de triunfo, pois a prova foi encerrada com apenas 16 voltas devido à chuva torrencial que caiu sobre o circuito de Fuji no dia da corrida. A direção da prova ainda esperou que as condições do tempo melhorassem, mas foi impossível continuar a disputa. Mesmo sem vencer, a Audi faturou o título de construtores na categoria LMP1. O campeonato ainda tem duas corridas, e a próxima prova é no dia 7 de novembro, com as 6 Horas de Sanghai, na China. Com tempo seco, espera-se...


Com um campeonato ruim na maior parte do ano, o australiano Will Power conseguiu terminar a competição da Indy Racing League em alta: venceu duas corridas consecutivas, em Houston e a etapa final, em Fontana, terminando o ano na 4ª colocação, com 498 pontos, apenas 52 atrás de Hélio Castro Neves, que apesar de ter disputado o título até a última etapa, venceu apenas uma corrida na temporada. Power ainda venceu a etapa de Sonoma, totalizando 3 vitórias na temporada, e podem estar certos de que o australiano virá com tudo novamente em 2014, quando ainda terá Juan Pablo Montoya como companheiro na equipe Penske, além do brasileiro Hélio Castro Neves.


Se a Ganassi anunciou que correrá com os motores Chevrolet na próxima temporada, a Honda não demorou a arrumar um novo parceiro para 2014: é a equipe Andretti Autosport, que também trocará de motores, fazendo o caminho inverso do time de Chip Ganassi, deixando os Chevrolet para usarem os motores japoneses. O time de Michael Andretti ainda anunciou a renovação do contrato de James Hinchcliffe, que estava ameaçado de perder seu lugar na escuderia devido ao fim do patrocínio da GoDaddy, que está saindo da IRL. Tanto Ganassi quanto Andretti competirão com 4 carros em 2014. Chipt terá Scott Dixon, Dario Franchitti, Charlie Kimball e Tony Kanaan. Michael Andretti terá Ryan-Hunter Reay, Hinchcliffe, e seu filho Marco. Por enquanto, ainda não foi acertado quem correrá no 4° carro do time, que em Fontana foi pilotado pelo colombiano Carlos Muñoz.


Outra novidade bem-vinda para o calendário 2014 da IRL é a uniformização das etapas disputadas em circuitos superspeedways: a etapa de Pocono também passará a ter duração de 500 milhas, assim como Indianápolis e Fontana, recriando com louvor a famosa "Tríplice Coroa" da competição, tal como existia na Fórmula Indy original até 1989, último ano em que aquela extinta competição teve 3 provas de 500 milhas no calendário. Apesar da "Tríplice Coroa" ter sido instituída este ano no calendário da IRL, a prova de Pocono, que fez sua estréia na competição, foi uma corrida de 400 milhas, menor do que a de Indianápolis e Fontana. Os fãs apoiaram a mudança pela uniformização da duração das corridas.
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O MAIS JOVEM TETRACAMPEÃO DE TODOS OS TEMPOS


Vettel comemorou o tetracampeonato de frente para a torcida nas arquibancadas da Índia, e com todo o direito, menos para os comissários da FIA, que só enxergam as regras e tacaram uma multa de 25 mil euros...

            Fatura liquidada: Sebastian Vettel é o campeão de 2013, como muita gente já esperava, e não menos importante, é o fato de ser o mais jovem tetracampeão de todos os tempos. O jovem piloto, aos 26 anos, já igualou a marca de títulos do francês Alain Prost, e agora tem apenas dois pilotos com mais títulos do que ele, o argentino Juan Manuel Fangio, 5 vezes campeão, e Michael Schumacher, o maior vencedor da história da F-1, com nada menos do que 7 títulos no currículo. E acreditem, Vettel vai buscar este número de títulos, se não os superar.
            Quando Michael Schumacher anunciou sua aposentadoria pela primeira vez, em 2006, todos achavam que seus números seriam inatingíveis. Sua era de domínio com a Ferrari, onde esmagou a oposição de 2000 a 2004, e obteve números expressivos em vários campeonatos, dificilmente seriam repetidos. E não é que todo mundo estava errado? Não dá para ignorar a feliz coincidência que Sebastian teve de chegar à Red Bull no momento exato de a escuderia elevar seu status de competição, quando teve seu primeiro carro vencedor de fato, capaz não apenas de ganhar corridas como de disputar o título.
            E, como já aconteceu em outras ocasiões na história da categoria, os carros da Red Bull, concebidos por Adrian Newey, mago da aerodinâmica e um dos mais capazes projetistas que a F-1 já viu, encontraram no jovem Vettel seu piloto ideal. Não foram campeões em 2009 por pouco, mas de 2010 em diante, desembestaram a ganhar corridas, e têm sido campeões desde então, com todos os méritos. E, para aqueles que falam que Vettel só ganha porque tem um bom carro, o que é verdade, também não se pode ignorar o fato de que seu companheiro de equipe, Mark Webber, com o mesmo carro, não conseguir sequer se impôr como candidato na luta pelo título, à exceção de 2010, quando fez sua melhor temporada na escuderia.
            Todos os grandes campeões pilotaram grandes carros, que em determinados momentos eram os melhores do grid. Jim Clark teve à sua disposição o maravilhoso Lotus 25; Alain Prost contou com o espetacular McLaren MP4/2B quando foi finalmente campeão; Ayrton Senna guiou o fabuloso McLaren MP4/4; Michael Schumacher teve a Ferrari F2004 quando conquistou seu 7° e último título, só para citar alguns casos. E Sebastian Vettel teve o eficiente modelo RB07 quando foi bicampeão em 2011. E, se todos eles tiveram grandes carros, tiveram também o mérito de tirar deles tudo o que era possível, conquistando o único resultado aceitável: o título da categoria.
            Se Vettel está arrasando com a concorrência, o problema não é dele: Sebastian está apenas fazendo seu trabalho, e fazendo-o muito bem. Verdade que seu talento só será realmente mesmo posto à prova quando estiver em situação inferior e assim mesmo for campeão, como alguns afirmam. E ele vem dando mostras de cada vez mais será capaz de fazer isso mesmo sem dispor do melhor carro. Isso não é desmerecer sua vitória com a Toro Rosso em Monza em 2008, quando não tinha um carro vencedor. Foi um feito único, e de inegável mérito. Mas seria interessante ver o jovem tetracampeão vencer as adversidades e ser de fato campeão quando não dispor do melhor carro, para engrandecer ainda mais seu enorme talento, para que não restem mais nenhuma dúvida sobre suas qualidades.
            E o que o jovem Vettel pode esperar do futuro? Com apenas 26 anos, ele ainda tem potencialmente mais uma década de carreira pela frente, podendo alcançar ainda mais glórias e superar todos os recordes existentes, até mesmo o número de vitórias de Michael Schumacher, 91. Difícil, mas não impossível. Só este ano ele já venceu 10 provas, e com 3 corridas ainda pela frente, tem plenas condições de vencer 13 corridas no ano. Em 117 corridas, já acumula 36 vitórias, 43 pole-positions, e 59 pódios. Antes de Vettel, o piloto mais vitorioso em tão pouco número de corridas havia sido Fangio, pentacampeão com apenas 51 corridas, com 24 vitórias, 29 poles e 35 pódios, além de 5 títulos, mas eram outros tempos, com menos corridas por temporada, ao contrário de hoje. Jackie Stewart também acumulou números impressionantes para "apenas" 99 GPs: 27 vitórias, 17 poles, 43 pódios, e 3 títulos mundiais. Com seu 4° título, Vettel já supera qualitativamente estes dois grandes nomes da velocidade. Nem mesmo seu grande ídolo, Michael Schumacher, tinha números tão vultosos quando atingiu 117 corridas, mas já era bicampeão mundial, e assombrava a F-1 com tais atos. Se Michael assombrava, Vettel então barbariza, e com grande merecimento.
            Não fosse a mudança radical que a F-1 passará na próxima temporada, poderia afirmar que nem o céu seria o limite para Vettel e a Red Bull. A mudança de motores e as novas regras técnicas que passarão a vigorar em 2014 são profundas, e não dá para saber quem vai sair na frente com os novos motores e carros. Com certeza, haverão quem terão maiores facilidades e quem acabará enfrentando dificuldades. Dos times com estrutura de ponta, McLaren, Ferrari, Mercedes, e a Red Bull, não dá para especular quem terá ou não um bom ano. Todos têm condições de produzir um bom carro, em que pese o retrospecto recente dos times que tiveram resultados ruins. Mas na última sacudida técnica que a categoria enfrentou, em 2009, como fim dos pneus raiados e a proibição dos apêndices aerodinâmicos que pulavam por toda a carenagem, foi a Red Bull a produzir o melhor carro depois do Brawn BGP01, e se tornou o melhor monoposto no fim da temporada, após incorporar com perfeição o sistema do difusor duplo. As chances de Adrian Newey conseguir superar as adversidades técnicas que se apresentam são boas, e se isso acontecer, Vettel tem tudo para continuar aumentando seus números.
            Para os concorrentes, passa a ser questão de honra barrar a hegemonia do jovem piloto alemão. Se eles vão conseguir, só o futuro dirá. Se conseguirem endurecer a disputa, melhor para o público que gosta de corridas, pois poderá assistir a belos duelos pelas vitórias nas corridas. Se fracassarem, que não fiquem reclamando de assistirem a escuderia dos energéticos passeando por sobre suas cabeças por mais uma temporada, e talvez coroando em 2014 o mais jovem pentacampeão mundial de F-1...
            Conquistado o título, hoje Vettel volta à pista, no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi. E, para desespero dos rivais, não é porque já venceu o campeonato que Sebastian vai desperdiçar as chances de vencer mais uma corrida e levar mais um troféu para casa. Concorrentes, estejam avisados...


Nada mais imbecil no Grande Prêmio da Índia do que os comissários multarem Sebastian Vettel e a Red Bull em 25 mil euros pelo fato de Vettel, ao ir comemorar dando seus cavalos-de-pau, fazendo zerinhos no asfalto diante da torcida e ainda arremessar suas luvas para o público, ter desrespeitado a regra que diz que após a bandeirada os pilotos têm de se dirigir ao parque fechado e irem para seus devidos lugares - ao pódio, se tanto, ou ao "cercadinho", lugar onde os demais pilotos dão entrevistas para os jornalistas presentes. Eles não respeitaram o fato histórico que haviam acabado de presenciar, o surgimento de um novo tetracampeão na história da F-1, algo que não ocorre todo dia, e que merecia ser efusivamente comemorado, com todo o direito, por Vettel, que prestou rara reverência ao bólido que pilota, mostrando o respeito por sua máquina. Uma apresentação para respeito do público que estava nas arquibancadas, e que não entrou na cabeça dura dos comissários, para quem só o cumprimento às regras importa. A F-1 definitivamente virou uma chatice extrema por conta de atos desta natureza, onde espontaneidade, sinceridade, e camaradagem viraram assunto a serem condenados por regras cada vez mais bestas e cretinas, visando o politicamente correto, e a imagem corporativa, que não é o mar de rosas que gostam tanto de apregoar. Pelo menos não tacaram uma multa em Kimmi Raikkonem por ele ter dito palavrões pelo rádio em conversa com seu engenheiro, mas do jeito que a categoria anda, não vai estar muito longe o dia em que farão tal coisa...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - OUTUBRO DE 2013



            E o ano de 2013 já vai quase indo embora, restando apenas 2 meses para chegarmos a 2014. E fim de mês é sempre o momento de uma nova edição da COTAÇÃO AUTOBILÍSTICA, fazendo um pequeno balanço de alguns dos acontecimentos deste mês no mundo das corridas mundo afora, com apresentação no tradicional esquema de sempre: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura para todos, e espero estar de volta no mês que vem, com mais uma edição da Cotação. E até a próxima postagem...



EM ALTA:

Sebastian Vettel: Exibindo um domínio patente desde o GP da Bélgica, a conquista do título de 2013 da Fórmula 1 era mera questão de tempo, e o jovem alemão da equipe Red Bull fechou a fatura no Grande Prêmio da Índia com todos os méritos, após 6 vitórias consecutivas onde seus potenciais adversários ficaram pelo caminho, impotentes. Com a conquista, Vettel torna-se o 4° piloto na história da F-1 a alcançar a marca de 4 títulos, e o 3° piloto a conseguir um tetracampeonato consecutivo. Apenas Michael Schumacher e Juan Manuel Fangio venceram 4 campeonatos seguidos. Mas Sebastian impressiona pela precocidade: é o mais jovem tetracampeão de todos os tempos na F-1, com apenas 26 anos. Colecionando títulos desde 2010, quem achava que o heptacampeonato de Schumacher seria inigualável pode começar a rever seus conceitos. Com muito tempo de carreira ainda pela frente, Vettel pode pulverizar os recordes conquistados por seu ídolo Michael Schumacher, e tornar-se o maior piloto da história da F-1. O tempo dirá...

Scott Dixon: O neozelandês da equipe Chip Ganassi chegou ao tricampeonato da Indy Racing League com todos os méritos. Depois de uma primeira metade de campeonato apenas mediana, Dixon fez uma arrancada demolidora após a prova de Pocono, conquistando 3 vitórias consecutivas e lançando-se como candidato ao título. E apesar dos percalços em algumas corridas, continuou escalando a classificação, acabando por inverter as expectativas na rodada dupla de Houston, onde de desafiante passou a favorito ao título, e não deixando escapar o caneco. Dixon agora empata em títulos com Sam Hornish Jr., e com certeza vai em busca de igualar o número de títulos de Dario Franchiti, que foi campeão em 4 temporadas da IRL.

Jorge Lorenzo: O atual bicampeão da MotoGP tem feito tudo ao seu alcance para se manter na luta pelo título da atual temporada, que vem sendo dominada pelo novato sensação Marc Márquez, e tem sido um rival duro na queda. Após a prova do Japão, em Motegi, apenas Márquez e Lorenzo agora podem conquistar o título, e o atual campeão da categoria é quem mais venceu no ano, com 7 vitórias. Um dado expressivo, se levarmos em conta que a Honda possui um equipamento levemente superior à Yamaha, time de Lorenzo, o que só mostra ainda mais que Jorge tem dado tudo de si e mais um pouco nas corridas. E não vai baixar os braços na etapa final, em Valência.

Nico Hulkenberg: O piloto alemão da Sauber se tornou o principal atrativo das especulações de contratação de pilotos para 2014. Com a melhora do carro do time suíço, Nico fez corridas de encher os olhos nas etapas da Itália, Coréia do Sul e Japão, onde duelou com pilotos de carros muito superiores, e valorizando ainda mais o seu passe nas negociações de um lugar mais competitivo para a próxima temporada. No auge das fofocas, já teria assinado com pelo menos 4 escuderias para 2014, mas até o presente momento, ainda não tem nada certo efetivamente. Não fosse a F-1 atual comandada mais pelo dinheiro do que pelo talento, com certeza já teria sua vaga garantida em 2014, mas a questão orçamentária ainda é o seu maior obstáculo para obter um bom cockpit no próximo ano. Mas Hulkenberg já mostrou seu cartão de visitas, e isso não costuma ser esquecido pelos chefes das escuderias da categoria máxima do automobilismo.

Romain Grossjean: De batedor com fama de maluco em 2012, o piloto franco-suíço melhorou muito nesta temporada, e nas últimas corridas, tem andado muito forte e conquistado 3 pódios consecutivos nas provas da Coréia do Sul, Japão e Índia, mostrando que tem condições de liderar o time, que vai perder sua maior estrela, Kimi Raikkonen, já de malas prontas para a Ferrari em 2014. Sem dúvida um panorama bem mais animador, e muito bem-vindo para Romain em um momento crucial do campeonato, quando estão sendo escolhidos os pilotos de vários times para a próxima temporada. Se antes sua presença na Lotus em 2014 era mais devida a Eric Bouiller, que além de seu empresário é chefe da escuderia inglesa, agora Grossjean mostra mais credenciais para permanecer no time por méritos próprios, e com possibilidade de conquistar resultados muito mais expressivos.



NA MESMA:

Equipe Penske: Pelo quarto ano consecutivo, o time de Roger Penske amarga o vice-campeonato na Indy Racing League. Nos últimos 3 anos o título foi perdido por Will Power na prova final, e este ano o derrotado foi Hélio Castro Neves, que fez da constância e regularidade suas principais armas no campeonato. Mas a falta de alguns resultados mais vistosos tornou o brasileiro presa fácil para a eventualidade de tudo dar errado em algum momento, e se algum adversário poder capitalizar com isso na luta pelo campeonato. E infelizmente esse adversário surgiu, Scott Dixon, e a etapa azarada, em Houston, quando foram disputadas não apenas uma, mas duas provas, com Helinho a ter quebra de cãmbio nas duas corridas, se mostraram fatais para as ambições de título, e nem a reação em Fontana foi suficiente para reverter as expectativas. O jejum de títulos é incômodo para Roger Penske: seu time contabiliza até hoje apenas um campeonato na IRL, em 2006, obtido por Sam Horsnish Jr. Melhor sorte em 2014, quando sua escuderia terá o reforço de ninguém menos do que Juan Pablo Montoya...

Fernando Alonso: Mais um ano, mais promessas de disputar o título, e mais um ano na fila, esse é o panorama para o bicampeão espanhol, que desde que chegou à Ferrari, não conseguiu acabar com o seu jejum de títulos. Além de ver Sebastian Vettel conquistar seu 4° título consecutivo, Alonso ainda tem que se preocupar em garantir o vice-campeonato, pois com 3 corridas ainda para fechar o campeonato, o espanhol tem que se preocupar com a performance superior de Mercedes e Lotus, que nas últimas corridas têm superado o time italiano com certa facilidade, colocando a Ferrari em posição perigosa tanto na classificação de construtores como de pilotos. Se Alonso não tomar cuidado, pode ainda terminar superado por Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton na classificação, apesar de ainda ter uma vantagem razoável para seus perseguidores mais diretos.

Dani Pedrosa: Quem também vai precisar esperar outro campeonato para ver se consegue ser campeão é Dani Pedrosa. Justo no ano em que seu time, a Honda, possui a melhor moto do campeonato da MotoGP, Pedrosa ganhou um companheiro de equipe com performance arrasadora, Marc Márquez, deixando o veterano do time na sombra. Com o resultado da corrida do Japão, Pedrosa já ficou sem chances de disputar o título, e até mesmo de ficar com o vice-campeonato, pois agora pode apenas empatar em pontos com Jorge Lorenzo, mas perderia a posição por ter menos vitórias do que seu conterrâneo e atual bicampeão da categoria. A situação só não é ruim para os espanhóis porque tanto Lorenzo quanto Márquez e Pedrosa são conterrâneos, então um espanhol vai vencer o campeonato de qualquer maneira...

Transmissão da Indy Racing League no Brasil: Pelas declarações dos narradores durante a transmissão da etapa de encerramento do campeonato de 2013, em Fontana, a Bandeirantes deve continuar transmitindo as corridas da IRL no Brasil na próxima temporada. Agora, se vai melhorar o seu esquema de transmissão, isso são outros quinhentos. Para quem já estava na expectativa de ficar sem as corridas da categoria americana, saber que ainda poderão acompanhar as provas na TV brasileira, seja no canal pago ou no canal aberto, já é algo positivo. E, lembrando que no ano que vem teremos tanto Hélio Castro Neves quanto Tony Kanaan em equipes de ponta e provavelmente lutando pelo título, já dá um bom incentivo para o torcedor "comum" acompanhar as corridas com um pouco mais de atenção.

Chatice dos comissários da F-1: Vettel venceu o GP da Índia e comemorou a conquista do tetracampeonato dando zerinhos na reta dos boxes, e ainda foi para o alambrado jogar as lugas para a torcida, num gesto efusivo de comemoração como há muito tempo não se via na F-1. E o que os comissários fizeram: tacaram uma multa na Red Bull por seu piloto ter "violado" a regra de se dirigir ao parque fechado após a corrida, e com isso atrasar a cerimônia do pódio. Depois, quando se fala que a categoria máxima do automobilismo anda intragável, é graças a gestos como esse, onde a organização da categoria não parece compreender o que está acontecendo. Fosse um piloto mais "sincero", como Nélson Piquet em seus bons tempos, Vettel teria soltado palavrões para cima de todos na sala da organização da corrida. E com certeza, acabaria tomando outra multa por isso, o que valeria outra rodada de palavrões para um grupo de chatos que mereceria tudo com a mais justa causa. Definitivamente, a categoria máxima do automobilismo precisa se uma sessão de descarrego para se livrar destas imbecilidades...



EM BAIXA:

Felipe Massa: O piloto brasileiro ainda tem seu futuro indefinido na F-1 em 2014. Apesar de manter conversas com vários times, o passe do brasileiro já foi mais valorizado, e nas últimas corridas, o brasileiro teve a infelicidade de sofrer e/ou cometer vários erros, que arruinaram suas chances de obter melhores resultados e valorizar sua posição na mesa de negociações. Apenas na Índia Felipe conseguiu de fato fazer uma prova combativa, estando perto de terminar no pódio, mas as negociações ainda seguem se desenvolvendo, com algumas especulações já dando conta de que Massa teria assinado com a Williams, algo que ainda precisa ser confirmado. Para complicar, Massa até o momento não parece trazer patrocinadores de vulto, algo que anda contando muito para a maioria dos times da categoria atualmente, e que certamente seria um grande trunfo na mesa de negociações, onde só sua experiência de quase uma década como piloto da Ferrari parece não ser tão decisivo como o fator financeiro, infelizmente.

Ferrari: O time italiano vive uma temporada inferior à de 2012, quando mesmo tendo começado o ano de forma risível, ainda conseguiu colocar as coisas nos eixos e disputar o título com Fernando Alonso. Este ano, começando o campeonato de forma muito mais animadora, se esperava um melhor desempenho, mas o time de Maranello se perdeu no desenvolvimento do carro deste ano, e nas últimas provas, tem sido superada por Lotus, Mercedes, e até pela Sauber. E para piorar, tanto Alonso quanto Massa tem alternado performances médias com ruins, o que só complica a situação da escuderia italiana, que está numa luta renhida com a Mercedes pelo vice-campeonato de construtores, e ainda está na possibilidade de ser alcançada pela Lotus, se não se cuidar. Com o time já voltado para o mundial de 2014, a Ferrari tem que torcer para não ser superada pelos adversários nas corridas que faltam, mas a parada promete ser complicada.

Mark Webber: O piloto australiano tem vivido um inferno astral nas últimas corridas, em que pese ter feito algumas boas performances. Com sua aposentadoria da F-1 já anunciada, Webber merecia pelo menos vencer pela última vez na categoria, mas no Japão, a estratégia de pneus não funcionou, e Mark ainda ficou "trancado" atrás de Grossjean; e na Índia, o carro quebrou. E como desgraça pouca é bobagem, ainda viu seu carro pegar fogo na Coréia do Sul, após ser abalroado por outro competidor durante a corrida. Certamente não é a final de campeonato que o australiano esperava. Para piorar, Helmut Marko, que nunca morreu de amores por Webber, anda rindo à toa com mais um título de seu protegido Vettel, e não vê a hora de Webber nunca mais dar as caras na escuderia...

Pastor Maldonado: A lua de mel entre o piloto venezuelano e a Williams azedou de vez, e Pastor não cansa de reclamar que o carro é ruim, fato mais do que óbvio. Agora ele tenta arrumar lugar em outra escuderia, mas o patrocínio da PDVSA, seu grande trunfo, tem um contrato muito bem amarrado com a Williams, e o velho Frank não vai largar esse osso tão facilmente, ainda mais que o contrato prevê as temporadas de 2014 e 2015 ao time inglês, que não exigem necessariamente a presença de Maldonado na escuderia. Sem a verba da PDVSA, dificilmente Maldonado arrume lugar em outro time, e o venezuelano já chegou a falar que, para ter um carro ruim prefere ficar em casa. Se não conseguir levar consigo o polpudo patrocínio da petrlífera venezuelana, é bem capaz mesmo de acabar ficando em casa...Ainda tem a hipótese de a PDVSA ir com Maldonado e continuar patrocinando a Williams, mas com o sucateamento da empresa, em virtude da administração perpetrada por Hugo Chávez na última década, resta saber se a empresa teria interesse em dispender verba para manter dois patrocínios de vulto na F-1...

GP da Índia: Apesar de possuir uma pista interessate, o GP da Índia é mais uma prova que dá adeus ao calendário da categoria, após apenas 3 edições realizadas. A prova indiana nunca conseguiu ter um público satisfatório, e a categoria máxima do automobilismo também não chegou a encantar os torcedores do país. E como Bernie Ecclestone tem outros interessados na fila de espera para terem um GP, a Índia fica a ver navios. Uma pena que seja assim com as pistas mais interessantes que Hermann Tilke andou criando, como a da Turquia, que também muito cedo perdeu seus deslumbre com a F-1 e foi rifada do calendário sem maiores lamentações por parte do chefão da FOM. De positivo, ficará apenas a decisão do título de 2013, com mais uma vitória de Sebastian Vettel, que se tornou o único piloto a vencer na pista indiana. De ponto negativo, tem a poluição da cidade de Nova Delhi, que em todas as ocasiões sempre deixou a pista com um nevoeiro incômodo, e que também sempre pegou mal nas transmissões...