quarta-feira, 10 de abril de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – MAIO DE 1996 – 31.05.2013



            De volta com a seção Arquivo, trago esta coluna lançada em 31 de maio de 1996, tendo como tema de discussão a possível volta da “Tríplice Coroa” da F-Indy, que havia existido até 1989 naquele campeonato, com a disputa de 3 corridas de 500 Milhas em circuitos superovais, em Indianápolis, Michigan, e Pocono. Para 1997, os planos eram de reunir numa nova Tríplice Coroa as 2 corridas de Michigan, e a nova etapa que seria disputada em Fontana, na Califórnia. Era uma tentativa de restabelecer o prestígio das corridas de 500 milhas da categoria, que havia perdido a Indy500 pela briga esdrúxula de poder promovida por Tony George ao criar o seu próprio campeonato, a Indy Racing League. Infelizmente, os planos não deram certo, e este ano, a própria IRL está tentando recriar a Tríplice Coroa, mas sem o mesmo charme, pois apenas a prova de Indianápolis será de 500 milhas, ficando as corridas de Fontana, e a estréia de Pocono no certame, apenas de 400 milhas.
            Fiquem agora com o texto e boa leitura...


A VOLTA DA TRÍPLICE COROA

            A F-Indy faz planos ambiciosos para o seu futuro. Ainda mais depois da constatação do sucesso da US 500, disputada no último domingo, e que mostrou, apesar da falta de charme e tradição de Indianápolis, todas as emoções e disputas da F-Indy em seus melhores dias de sempre.

            E o que a CART anda planejando para aumentar ainda mais o sucesso e prestígio de sua categoria? Muita coisa. Boa parte delas ainda são só idéias momentâneas, mas há outras de maior quilate e interesse. Para começar, a CART planeja a volta em grande estilo da Tríplice Coroa da F-Indy. Para quem não sabe, este era o nome dado pela categoria às suas 3 principais provas do calendário, sendo todas etapas de 500 milhas de percurso. Atualmente são disputadas apenas 2 provas de 500 milhas por ano.

            A Tríplice Coroa da F-Indy existiu até 1989. As etapas eram as 500 Milhas de Indianápolis, as 500 Milhas de Michigan, e fechando a tríade, as 500 Milhas de Pocono. Esta última corrida foi disputada pela última vez em 1989, e sua extinção a partir de 1990 marcou o fim da Tríplice Coroa. Uma característica marcante destas provas era o desafio que representavam aos seus competidores. Além da resistência dos carros serem postos à prova, o acerto dos bólidos era muito particular para cada tipo de circuito, e estes, todos da categoria superspeedway, ou ovais gigantes, eram completamente diferentes. Indianápolis tem uma forma bem retangular, quase um quadrado; Michigan já é bem ovalado, e é considerado o circuito oval mais rápido do mundo; já a prova de Pocono, que era disputada no Pocono International Raceway, em Long Pond, na Pensilvânia, era feita em um traçado tri-oval de alta velocidade, com cerca de 2,5 milhas de extensão.

            Em toda a história da F-Indy, apenas um piloto venceu, em uma mesmo ano, todas as provas da Tríplice Coroa: Al Unser, em 1978, quando faturou as corridas de Indianápolis, Ontário e Pocono. Ontário sediava uma prova de 500 milhas antes da entrada de Michigan. Disputada de 1971 a 1989, as 500 Milhas de Pocono tiveram como último pole-position o brasileiro Émerson Fittipaldi, e a prova foi vencida por Danny Sullivan. A corrida de Pocono saiu do calendário da F-Indy devido às más condições da pista e de segurança do circuito.

            Agora para 1997, a intenção da CART é ressuscitar a Tríplice Coroa. Com as 500 Milhas de Michigan e a nova US 500 asseguradas, falta estabelecer uma 3ª prova, e a maior possibilidade é que seja na Califórnia, onde Roger Penske, que já dono do autódromo de Michigan e de Nazareth, está construindo um novo circuito oval similar ao Michigan International Speedway. O novo oval, localizado em Fontana, poderá abrigar não só sua prova de 500 Milhas, como a própria US 500, se for constatado que a corrida na Califórnia terá mais charme e prestígio do que se for realizada em Michigan. Há quem comente que a 3ª prova poderia até ser o GP do Brasil de F-Indy, já chamado de RIO 500 a partir de 97, mas com o detalhe de que serão 500 quilômetros e não milhas. A prova brasileira, que deve ser disputada em março ou em abril, apesar de sua menor extensão de percurso, seria tão difícil quanto às outras, devido ao forte calor brasileiro, e ao fato do circuito Émerson Fittipaldi possuir a maior reta entre todos os autódromos do calendário, com cerca de 1,1 Km de extensão.

E, para prestigiar ainda mais os eventos da Tríplice Coroa, deverá haver também premiações especiais para quem se sobressair em todas elas, como por exemplo quem conquistar todas as poles nas 3 provas, ou conseguir vencer as 3 corridas no mesmo ano, como havia antigamente.

            O novo calendário da categoria deve ser divulgado já na próxima semana, durante o GP de Detroit. Deverão ser 17 etapas, contra as 16 desta temporada. Como a CART já descartou qualquer possibilidade de as 500 Milhas de Indianápolis voltarem a seu calendário, o mês de maio, que era ocupado apenas por esta corrida, deverá ter mais provas, a fim de equilibrar melhor a maratona do campeonato, que começará em março e terminará no início de setembro.





Diante do processo que Tony George move contra a CART pelo uso, segundo ele, indevido, do nome “Indy”, já começam a aparecer sugestões de como a categoria deverá se chamar futuramente. Até agora, as sugestões apontam para F-CART e F-USA. Alguém aí tem um nome melhor?





As 500 Milhas de Indianápolis deste ano não tiveram o charme dos anos anteriores, mas no quesito premiação o dinheiro correu solto: Budy Lazier, que venceu a corrida, ganhou cerca de US$ 1,367 milhão de dólares pela vitória. No total, cerca de US$ 8,5 milhões em prêmios foram distribuídos.





Em homenagem ao piloto Scott Brayton, que morreu durante os treinos para as 500 Milhas de Indianápolis, os pilotos da F-Indy que disputaram a US 500 em Michigan colocaram em seus carros um adesivo com os dizeres “Em memória de Scott Brayton.”





Eis aí uma nova piada sobre a Honda na F-Indy, dizendo que, até nos piores momentos de seus pilotos, os motores japoneses contribuem para o show da categoria. De fato, quando o motor do carro de Alessandro Zanardi, que liderava a US 500, quebrou, foi uma senhora quebra: a fumaça do propulsor estourado encobriu toda uma arquibancada do autódromo...





Detalhe: A US 500 foi a melhor corrida dos pilotos brasileiros no campeonato da F-Indy deste ano depois do GP do Brasil: dos 12 pilotos que chegaram na zona de pontuação, a metade era brasileira. No pódio, nossos pilotos foram maioria: Maurício Gugelmim e Roberto Moreno, em 2º e 3º lugares, fizeram companhia a Jimmy Vasser, o vencedor da etapa...





A largada da US 500 mostrou o maior “strike” do ano na F-Indy: 13 carros foram envolvidos na carambola desencadeada por Jimmy Vasser na hora da bandeira verde. As equipes tiveram muito trabalho para recolocar os carros em ordem. Já alguns pilotos, como Gil de Ferran e Maurício Gugelmim, não tinham carros reservas, e seus bólidos tiveram que ser remontados na base do sufoco.





Enquanto todos os pilotos da US 500 saíram praticamente ilesos da corrida que disputaram no Michigan International Speedway, em Indianápolis, na Indy 500, alguns concorrentes foram parar no hospital. Nas voltas finais, Roberto Guerrero sofreu um forte acidente com seu carro e acabou levando junto Alessandro Zampedri e Eliseo Salazar. Lyn Saint James, única mulher presente na competição este ano, também acabou hospitalizada em virtude de uma forte pancada com seu carro.





Neste fim de semana, mais velocidade em dose dupla: pela F-Indy, haverá as 200 Milhas de Milawukee; pela F-1, será a vez do Grande Prêmio da Espanha, a ser disputado no veloz circuito de Barcelona, na Catalunha. Preparem-se para torcer...
 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ACELERANDO NAS DUAS RODAS...



A MotoGP 2013 entra em ação para mais um campeonato...

            Começam hoje os treinos oficiais que dão início ao campeonato 2013 da MotoGP, no circuito de Losail, no Catar, primeira prova das 18 corridas que compõem o calendário da competição para este ano, e todo mundo está animado para ver como será a disputa entre as duas mais poderosas equipes da motovelocidade na categoria principal. Honda e Yamaha devem monopolizar as atenções, e todos esperam que seus pilotos proporcionem os maiores duelos do ano. Se a categoria perdeu Casey Stoner, que disse estar de saco cheio da MotoGP e resolveu procurar outros caminhos, um dos principais atrativos deste ano é o retorno do grande campeão Valentino Rossi à Yamaha, onde terá novamente um equipamento de ponta, após passar os últimos dois anos em um desafio de tentar transformar a Ducati novamente num time campeão, no que acabou fracassando.
            Outra expectativa é ver o que o mais novo astro da categoria, o jovem Marc Márquez, que será o novo companheiro de Dani Pedrosa na Honda, e é considerado o maior talento potencial entre os novatos. Num paralelo entre o que aconteceu com Lewis Hamilton em sua estréia na McLaren na F-1 em 2007, Márquez tem tudo para “explodir” na categoria, ainda mais que terá à sua disposição aquela que é considerada no momento a melhor moto do grid, o modelo RC213V da Honda, no time oficial da fábrica. Isso pode significar encrenca para Dani Pedrosa, que evoluiu muito no ano passado, e tem nesta temporada a sua melhor chance de finalmente ser campeão na MotoGP. Se seu jovem companheiro Marc resolver colocar as garras de fora, a equipe Honda poderá ter uma forte briga interna, e se todos sabem que Pedrosa quer desencalhar de vez com um título, Márquez quer chegar “chegando”, e podem apostar que não hesitará em “atropelar” o próprio companheiro de equipe. Se isso acontecer, Pedrosa pode ter que lutar mais do que pensava para enfim chegar ao seu tão ambicionado título, o que não significa que não tenha capacidade para isso. O que ninguém sabe exatamente é até que ponto Márquez pode surpreender em sua estréia na MotoGP.
            Mas, se a expectativa é de duelo dentro da Honda, não se espera nem um pouco menos na Yamaha. De volta ao time onde venceu pela última vez, Valentino Rossi, dono de nada menos do que 7 títulos na motovelocidade, tem um desafio duplo pela frente: mostrar que não desaprendeu a vencer nos dois anos difíceis que passou tentando levantar a Ducati; e provar que ainda pode domar seu velho companheiro de equipe, o espanhol Jorge Lorenzo, tarefa que não será das mais fáceis. Se antes já era duro bater o espanhol, agora que Lorenzo é bicampeão da MotoGP, o páreo será ainda mais duro. Lorenzo aliou constância e regularidade às suas performances, e como vimos em 2012, se não vence, procura sempre chegar logo atrás do vencedor, e assim enquanto os líderes das provas podem ficar até se revezando, o espanhol ia rumando para o título, sem deixar de vencer também. Rossi, por sua vez, mesmo aos 34 anos, tem tudo para mostrar que ainda é o “Doutor”, e quem sabe, aumentar ainda mais sua lista de títulos. É nos momentos de maior pressão que o piloto italiano costuma sempre surpreender, e vamos ver se sua motivação e ímpeto continuam os de sempre.
            Com tamanha briga nestas duas equipes, parece sobrar pouco para o restante do grid. Mesmo times como a Ducati, e as escuderias satélites dos times oficiais parecem ter pouco a oferecer, uma vez que não apenas os melhores equipamentos estão na Honda e na Yamaha, mas também por contarem com os pilotos potencialmente mais talentosos. E, se levarmos em conta o desempenho mais modesto das motos CRT, introduzidas no ano passado, o grosso da disputa deve ficar mesmo restrito às fábricas nipônicas, com alguma surpresa ocasional aqui e ali.
            A Espanha, apesar da forte crise econômica, ainda é o país com mais provas a sediar: haverão 4 etapas da categoria, ocupando os circuitos da Catalunha, Ricardo Tormo, Jerez de La Fronteira, e Aragón. Logo em seguida, são os Estados Unidos o país com maior número de provas: teremos as etapas de Indianápolis, Laguna Seca, e a nova prova em Austin, no Texas. Quem dançou foram Portugal e Argentina, que ficaram sem suas corridas.
            Uma das principais novidades da MotoGP este ano será o sistema de “pontuação” das más condutas dos pilotos, que se aprontarem na pista, levarão “pontos na carteira”, como acontece com os motoristas no Brasil. Os pilotos que acumularem estes “pontos negativos” irão sofrer penalidades que vão desde serem obrigados a largar em último lugar, ou até serem suspensos da corrida seguinte. Além deste novo sistema de punição, continuam as medidas disciplinares habituais do regulamento, como advertências, multas, perdas de posição nos grids de largada, ride-through, acréscimos de tempo ao resultado final da corrida, desclassificação, perda dos pontos da classificação, suspensão e exclusão. Os comissários irão decidir quantos pontos cada piloto que cometer infração ou conduta antidesportiva na pista vai receber. Quem for indisciplinado vai ter encrenca pela frente...
            A MotoGP também passará a adotar um novo formato de classificação. O treino será dividido em duas etapas: os 10 pilotos mais rápidos no combinado dos 3 treinos livres irão disputar a sessão principal do treino de classificação, enquanto os demais pilotos irão participar de uma sessão onde os 2 mais rápidos se credenciarão a participar da sessão decisiva, ficando os classificados restantes definidos na 13ª posição para trás. Ambas as sessões terão 15 minutos de duração. Os treinos livres de sexta continuam no mesmo esquema, assim como o 3° treino livre na manhã de sábado. No início da tarde, antes das sessões de classificação, os pilotos terão agora um 4° treino livre, que não terá seus tempos computados para a sessão de largada.
            Na categoria Moto2, o piloto Pol Espargaró desponta como o principal favorito, mas a disputa no certame logo abaixo da MotoGP promete ser dos mais acirrados, e não dá para afirmar como a disputa pode ser desenhar. E, na categoria de acesso, a Moto3, a KTM deve continuar possuindo os melhores equipamentos, mas ao mesmo tempo há expectativa de bons duelos pelo título, uma vez que no ano passado esta divisão teve 7 pilotos diferentes vencendo corridas.
            Na TV brasileira, os campeonatos da MotoGP continuarão sendo transmitidos pela TV paga, dentro dos canais do SporTV, que deverá mostrar todas as corridas, revezando-se em seus 3 canais, dependendo da grade de eventos do fim de semana. Neste final de semana, as 3 corridas serão transmitidas ao vivo pelo SporTV2, que iniciará a veiculação às 13 horas de domingo, com a apresentação da prova da Moto3, seguindo às 14:20 Hrs. pela prova da Moto2, e finalizando às 16 horas com a corrida da categoria máxima, a MotoGP. Vale lembrar que a corrida inaugural do campeonato será disputada á noite no circuito de Losail, o que dá um charme extra à corrida.
            Então, é hora de se preparar a torcida, e ver como vai se dar a briga nas provas de duas rodas pelo mundo agora. E, claro, vamos ver quantos tombos o pessoal vai levar durante a temporada, pois competir de moto é algo muito mais desafiador do que de carro, e ver o pessoal fazendo as curvas quase deitados com suas motos sempre é algo excitante de se ver, e por isso mesmo, sempre existe o perigo de se levar um tombo. Que venha a largada...


CALENDÁRIO DA MOTOGP 2013

DATA
PROVA
CIRCUITO
07.04
GP do Catar
Losail
21.04
GP das Américas
Austin
05.05
GP da Espanha
Jerez de La Fronteira
19.05
GP da França
Le Mans
02.06
GP da Itália
Mugello
16.06
GP da Catalunha
Barcelona
29.06
GP da Holanda
Assen
14.07
GP da Alemanha
Sachsenring
21.07
GP dos Estados Unidos
Laguna Seca
18.08
GP de Indianápolis
Indianápolis
25.08
GP da República Tcheca
Brno
01.09
GP da Inglaterra
Silverstone
15.09
GP de San Marino
Misano
29.09
GP de Aragón
Aragón
13.10
GP da Malásia
Kuala Lumpur
20.10
GP da Austrália
Phillip Island
27.10
GP do Japão
Motegi
10.11
GP da Comunidade Valenciana
Valência

quarta-feira, 3 de abril de 2013

FLYING LAPS – MARÇO DE 2013



            E o mês de março, que é palco tradicional de início de alguns campeonatos mundiais de competição, já ficou para trás. E é hora de listar aqui algumas notas rápidas sobre alguns acontecimentos que ocorreram neste mês. Uma boa leitura a todos, pessoal, e até a edição do Flying Laps do mês que vem...


O campeonato 2013 da Indy Racing League começou com mais uma expectative de domínio do piloto australiano Will Power, que não deu chances aos adversários na classificação para a corrida, disputada em São Petesburgo, no Estado da Flórida. A prova, contudo, não foi das mais felizes para o piloto da Penske, que apesar de liderar a fase inicial da corrida, acabou superado numa das relargadas por Hélio Castro Neves, que dava pinta de repetir a vitória obtida na mesma pista em 2012. O brasileiro, contudo, perdeu levemente a freada no fim da reta dos boxes, sendo superado pelo canadense James Hinchcliffe, da Andretti, que vinha fazendo uma bela corrida desde o início. Hinchcliffe e Helinho iniciaram um breve duelo nas voltas seguintes, mas o canadense ficou firme na posição, vencendo sua primeira corrida na categoria. Outro destaque da prova foi a suíça Simona de Silvestro, que fazendo sua estréia na KV Racing, andou sempre entre os ponteiros, e estava próxima de conseguir seu primeiro pódio na IRL, até ficar sem pneus nas voltas finais, sucumbindo à pressão de Marco Andretti, e sendo superada também por Tony Kanaan e Scott Dixon, terminando apenas em 6º lugar. Quanto a Power, depois de perder a liderança para Hélio, vinha tentando se recuperar, e terminaria entre os primeiros, até ser atropelado por J.R. Hildebrand, que literalmente passou por cima do carro do australiano após errar uma freada em pleno período de bandeira amarela. Se Hildebrand abandonou ali mesmo, Power ainda conseguiu ir aos boxes e reparar o carro, voltando à pista, mas terminando apenas em 16º lugar. A próxima corrida do campeonato é na pista do Alabama, primeiro circuito misto da temporada.


Em seu retorno à IRL, Bia Figueiredo não teve um final de semana feliz em São Petesburgo. Com um contrato feito de última hora com a equipe Dale Coyne, uma das mais modestas da categoria, e por enquanto garantida apenas para as corridas de São Paulo e Indianápolis, a prova na Flórida não podia ter sido pior: a brasileira não conseguiu se entender com o carro da escuderia, e andou sempre nos últimos lugares, até levar um toque e ser forçada a abandonar a prova. Bia ainda está tentando angariar mais apoio financeiro para conseguir disputar mais corridas neste campeonato, mas a situação está difícil, e o mau desempenho em São Petesburgo certamente não ajudou. Mas Bia é batalhadora, e vai dar duro para superar as adversidades. Infelizmente, os patrocínios andam escassos, e para piorar, a Dale Coyne não é um time competitivo, mas tem condições de propiciar um resultado melhor, visto que Justin Wilson, seu companheiro de equipe, terminou a corrida na 9ª colocação.


A F-Truck deu início ao seu campeonato de 2013 no circuito de Tarumã, no Rio Grande do Sul, e a prova acabou vencida por Wellington Cirino, que venceu a corrida praticamente de ponta a ponta, depois de largar na pole-position. O piloto da ABF Mercedes ainda fez a volta mais rápida da prova, e resistiu firme às investidas de seu companheiro de equipe Geraldo Piquet, que pressionou fortemente o líder nas voltas finais, tendo terminado a corrida em 2º lugar, com apenas 0s786 de desvantagem. Na 3ª posição ficou Paulo Salustiano, completando uma trinca do time ABF Mercedes, que praticamente monopolizou o pódio no circuito gaúcho. A segunda corrida do campeonato é no dia 7 de abril, em Londrina, no Paraná.


Na etapa do Mundial de Rali disputado no México, e sem a participação do multicampeão Sébastien Loeb, a vitória acabou ficando com outro Sébastien, Ogier, que dominou a etapa mexicana do campeonato, e com o resultado, disparou na classificação do campeonato, com 74 pontos. Mesmo sem ter participado desta etapa, Loeb ainda é o 2º colocado no mundial, com 43 pontos. A disparada de Ogier estaria motivando a Citroen a tentar convencer Loeb a participar de mais etapas do Mundial de Rali, sob a alegação de garantir pelo menos o título de construtores para a marca francesa. No México, o time ainda ficou em 2º lugar com Mirko Hirvonen, mas Mirko está com apenas 30 pontos no campeonato, 44 atrás de Ogier, e a expectativa de que ele não consiga tirar a diferença para o piloto da Volkswagen começa a preocupar a direção do time francês. Parece que Loeb já está fazendo mais falta do que se imaginava, e quando todos esperavam que sem o eneacampeão a disputa seria mais equilibrada, eis que parece ter surgido um novo piloto dominador, que pode até encerrar a disputa do título antes do previsto. Se Loeb estivesse disputando a fundo o campeonato, a disputa poderia ser mais equilibrada entre ambos os pilotos.


O Campeonato de Turismo Alemão, o DTM, vai ganhar em breve uma versão americana. Foi anunciado neste mês de março um acordo entre a IMSA, a Grand-Am, e a ITR, para a criação de um campeonato da modalidade de Turismo nos Estados Unidos. A previsão é de que o primeiro certame da nova categoria seja em 2015, ou no máximo, em 2016. Os planos iniciais são de um campeonato com pelo menos 8 corridas, e as grandes marcas alemãs presentes no DTM – BMW, Audi, e Mercedes, já manifestaram total apoio à nova empreitada. Agora é esperar que todos os pormenores sejam resolvidos para se viabilizar completamente o primeiro campeonato DTM fora da Europa. Os fãs americanos de corridas, certamente, agradecem pela oportunidade de mais um campeonato na terra do Tio Sam...


O piloto Kyle Busch teve um final de semana para piloto nenhum botar defeito na etapa do campeonato da Nascar disputado no circuito de Fontana, na Califórnia, nos dias 23 e 24 do mês passado. No sábado, correndo pela Nationwide, o piloto venceu a corrida, e no dia seguinte, agora correndo na categoria principal, a Sprint Cup, repetiu novamente a vitória, depois de uma batida envolvendo os pilotos Denny Hamlin e Joey Logano. Hamlin acabou se machucando no acidente, ao atingir o muro da pista, lesionando a vértebra L1, o que o fará ficar afastado das pistas por pelo menos 5 corridas.


Sem lugar na IRL em 2013, o piloto Ryan Briscoe, rifado da equipe Penske, já teve seu momento de redenção neste início de ano, ao vencer as 12 Horas de Sebring, na categoria LMP2, competindo pela equipe Level 5, ao lado dos pilotos Scott Tucker e Marino Franchitti. A vitória serviu para reanimar as expectativas de Briscoe, que tem planos de tentar disputar a Indy500, e até as 24 Horas de Le Mans. Para esta última, o australiano depende ainda de acertos a serem feitos pelo time Level 5. Para as 500 Milhas de Indianápolis, contudo, as negociações ainda são incertas. Seu ex-time na IRL, a Penske, já confirmou que terá um 3º carro na prova mais famosa dos Estados Unidos, mas ele será pilotado pelo americano A. J. Allmendinger, que disputará pelo time de Roger Penske também a 2ª prova do certame da IRL, no circuito do Alabama.


Na abertura do campeonato do WTCC, no circuito de Monza, o piloto Yvan Muller simplesmente ignorou a concorrência na pista, e venceu as duas etapas disputadas no famoso circuito italiano. Na primeira corrida, sob forte chuva, o piloto da RML Chevrolet aproveitou-se da pole-position conquistada nos treinos para simplesmente disparar na liderança, enquanto seus adversários tinham que se preocupar com o spray que seu carro deixava para trás. Muller teve o companheiro de equipe Tom Chilton na 2ª posição nesta primeira corrida. A segunda corrida, disputada no dia seguinte, domingo, foi mais tranqüila em termos de clima, mas na pista a briga foi mais ferrenha, mas nem por isso Muller deixou barato, e largando na 10ª posição, foi para cima dos oponentes, assumindo a primeira posição e lá ficando até o final, cruzando com quase 3s para o segundo colocado, o dinamarquês Michel Nykjaer.

sexta-feira, 29 de março de 2013

CERTO OU ERRADO?



Será que Vettel está encenando com o dedo errado quando faz uma cara que sugere pensar "fodam-se, eu venci e é o que importa..."?

            A corrida da Malásia, disputada domingo passado, já deu início ao grande questionamento da temporada, e ao que parece, a Fórmula 1 não consegue ficar muito tempo sem dar margem a assuntos escandalosos ou questionáveis. Afinal, Sebastian Vettel errou ao desobedecer a equipe, vencendo a corrida, ou agiu certo? Do ponto de vista esportivo, teria agido certo, mas não totalmente. Do ponto de vista operacional do time, cometeu falta grave de insubordinação. Agora, isso vai mudar alguma coisa? Não, infelizmente, não vai.
            Antes de mais nada, meu ponto de vista é que Vettel ganhou uma disputa de forma desleal. A famigerada ordem do time, para que ambos os pilotos cuidassem de seus carros, ordenando a redução do ritmo do motor para poupar as unidades, e ao mesmo tempo os carros e pneus, foi cumprida por Mark Webber, mas Vettel a ignorou solenemente, e partiu para cima do australiano com tudo, em um momento em que Webber, correndo, numa comparação analógica, com “apenas” 6 ou 7 cilindros do motor, estaria em desvantagem técnica desleal contra o adversário, correndo com um motor “cheio” de 8 cilindros. É diferente de quando você é superado por errar uma marcha, uma freada, ou ter algum problema mecânico, pois isso são riscos inerentes de uma corrida, são aceitos e fazem parte do jogo de disputa. Com um carro mais potente, Vettel assumiu a liderança, após uma disputa que teria sido limpa e justa, não fosse Webber estar com o motor “enfraquecido” por cumprir a determinação do time. Ele pode até ter voltado o propulsor para a potência total, mas o estrago já estava feito: perdera a posição. E não haveria como recuperá-la por ter os pneus mais gastos e/ou de menor performance naquele momento, mas este detalhe já é outra história, e sem questionamento, da estratégia diferente de pneus. Mas corridas são decididas em detalhes, e naquele momento, surpreendido por uma manobra totalmente inesperada, mas calcada em uma situação influenciada pela ordem de Box, o australiano sentiu a punhalada, e mesmo que tenha reagido rapidamente, Vettel já tinha assegurado vantagem suficiente para dificultar ao máximo uma reação.
            Mark Webber não é santo, e ao longo de sua carreira na F-1, o australiano sempre soube jogar com as situações de modo a sair bem na fita. Como no último fim de semana, onde, histórico à parte, realmente saiu como vítima na história, e Vettel, como o “bandido” da situação. E, num raro momento de sinceridade nas declarações que se vê na categoria hoje em dia, falou que o alemão não vai sofrer nenhuma punição, por ser o “protegido” do time. Quem saiu perdendo foi a Red Bull, que vinha pelo menos se esforçando para mostrar ser um time menos “contaminado” pelo ambiente pueril que as relações humanas vêm aturando na categoria nos últimos tempos. Pode-se dizer que o time austríaco sucumbiu finalmente aos maus hábitos ditados pelas escuderias em suas políticas de pilotos, e isso é uma pena. Houve mal-estar mesmo no time, a ponto de até Adrian Newey dar uma bronca em Vettel, e raro momento, Helmut Marko, o “paizão” de Vettel no time, ter criticado a atitude de seu protegido, que parece ser a primeira vez que isso acontece.
            Nessa hora, quem critica o jogo de equipe tem sempre bons argumentos. Mas os times sempre também têm argumentos para justificar suas posições e políticas, e tanto de um lado como de outro, há argumentos razoáveis e compreensíveis. O duro é sempre combinar as coisas de modo a satisfazer tanto o lado esportivo como o gerencial, e é neste ponto que a categoria infelizmente parece perder completamente o rumo, dado preferência para o fator gerencial e mandado o fator esportivo, e com ele a simpatia dos torcedores pela disputa, às favas. Se tivesse liberado a disputa entre seus pilotos, cobrando deles apenas cuidado e responsabilidade, a Red Bull teria capitalizado com o episódio como nunca. Mas desconfio que, mesmo do alto de seus 3 títulos mundiais, Vettel não apresente ainda equilíbrio suficiente para decidir um disputa contra Webber sem partir para um contato físico. Sua reação durante a corrida, pedindo para que o time “tirasse” Webber de sua frente, alegando que ele estava mais rápido, beira o ridículo, e expõe uma contradição: se ele estava mais rápido, então por que não o ultrapassou? Foi preciso Webber ficar inferiorizado momentaneamente por uma ordem de Box para ele conseguiu ultrapassar, mas então que campeão é esse que precisa deste artifício? Convenhamos, pega mal para a imagem de um piloto, se bem que, hoje em dia, muita coisa parece não ser mais levada a sério.
            Lembrando do incidente entre ambos na Turquia em 2010, naquela época Vettel fez uma interpretação equivocada de situação parecida, e se meteu a disputar uma curva onde Webber já estava enfiando o carro, achando que o parceiro havia aberto caminho: ambos bateram, com o abandono do alemão, e o australiano ainda conseguindo voltar à corrida, mas em 3° lugar. Logo a seguir, os pilotos da McLaren deram o exemplo, duelando ferozmente pela vitória por algumas voltas, trocando posições, mas com lealdade, e sem esbarrarem um no outro.
            Vettel, que até então vinha cultivando a imagem de um piloto carismático, afável e desinibido no ambiente sisudo da F-1, começa a mostrar também que já vem criando um ego desmedido, igual a outros pilotos campeões, como Michael Schumacher e Fernando Alonso, e isso é lamentável, pois o jovem alemão vai perdendo a fama de “bom moço”, o que era um de seus principais atrativos.
            Na Mercedes, vimos situação similar, mas com outro tipo de resultado. Mais veloz na parte final da corrida, Nico Rosberg foi impedido por Ross Brawn de superar seu companheiro Lewis Hamilton, que tinha de economizar o ritmo por talvez estar perto de sofrer uma pane seca. Por mais que a preocupação fosse legítima, alijar Rosberg da possibilidade de lutar pelo pódio e até incomodar a Red Bull naquele momento foi totalmente errado. Nico e Lewis já tinham duelado entre si por posição na corrida, e ambos, amigos de longa data, deram exemplo de se respeitarem na disputa de posição e não arriscarem os carros na disputa entre ambos. Ross Brawn, cujo histórico de “ordens de equipe” já é notório, adicionou mais uma caveira no seu currículo, e a julgar pela reação de Niki Lauda e Toto Wolf, que dividem com ele a chefia do time de Stuttgart, pode ter dado um tiro no pé. E a Mercedes, que é uma das empresas que mais investem na F-1, também fica com um arranhão em sua reputação.
            Lewis Hamilton, por sua vez, certamente não gostou muito do ocorrido, mas preferiu ser educado, ao dizer que Rosberg merecia mais o pódio do que ele, numa crítica indireta à atitude de Brawn, que pode ter escapado de levar um puxão de orelhas explícito do novo contratado do time, que poderia ter dito algo mais contundente na crítica. E Lewis, infelizmente, terá seu primeiro pódio na Mercedes marcado como algo conquistado por ordem da equipe, o que sempre ficará com a pecha incômoda de que ele não o conquistou exatamente por mérito próprio, mas por política. Conhecido como o piloto mais arrojado e veloz da F-1 atual, Lewis poderia passar sem essa... E Nico Rosberg, que deu à Mercedes os melhores resultados dos últimos 3 anos, inclusive com pole e vitória no ano passado no GP da China, merecia mais consideração por parte de Brawn. Depois de atitudes como essa, se Ross acabar injustiçado futuramente, que não ache ruim não ter merecido mais “consideração” pelo que já fez...
            Houve quem dissesse que Rosberg, se assumisse a 3ª posição, tinha ritmo até para encostar nos pilotos da Red Bull. Pode até ser, e mesmo que não encostasse a ponto de ameaçar a dupla rubro-taurina, certamente teria influenciado o comportamento do time dos energéticos, que poderia ter tomado posição diferente. O time prateado pode ter perdido uma chance potencial de um resultado melhor. Um erro, claro. Por outro lado, depois dos resultados negativos no final do ano passado, e com apenas um carro cruzando a bandeirada em Melbourne, querer garantir pontos e evitar riscos “desnecessários” pode até ser compreensível e normal. Novamente, os fatores gerencial e esportivo acabam por não se equilibrarem
            Rosberg ficou na dele, assumiu a ordem, e disse que não iria esquecer aquilo. Certamente espera ter sorte inversa no futuro. Se levarmos o histórico de Brawn, ele pode perder as esperanças, pois Ross cansou até de dar de ombros para o que o público e seus pilotos sentem. Na Ferrari, claro, contava com toda a aprovação de Jean Todt; fica a dúvida se agora terá esse comportamento na Mercedes. Por incrível que se pareça, não aconteceu quando Nico e Michael Schumacher dividiram o time nos últimos 3 anos, quando todos, pelo histórico tanto de Ross quanto de Schumacher, se achava que veríamos Nico ser cilindrado no time. Talvez porque o inglês viu logo de cara que o heptacampeão, apesar de ainda ser rápido, não era mais o piloto fenomenal que já tinha sido. Mas agora, tendo no time um piloto jovem e tremendamente arrojado, e que deseja ser novamente campeão e tem tremenda fome de vitórias, contratado a peso de ouro pela escuderia como último recurso, assim como Schumacher o foi pela Ferrari em 1996, Brawn tenha voltado aos “velhos hábitos”.
            É difícil querer que a F-1 se livre de seus vícios e defeitos. Há coisas erradas e coisas certas na categoria. O problema é as coisas erradas ficarem em nível muito mais alto do que as coisas certas. As diferenças de interesses precisam ser melhor trabalhadas. É possível conciliar isso de forma a não causar tantas discussões, mas a categoria, mais uma vez, mostra que não consegue se entender com si mesma, e esse é o maior erro que sempre comete. E não há santos ou anjos nesta história. A diferença é que antigamente havia muito mais respeito entre todos na categoria, mesmo sendo um lugar para todo o tipo de rivalidades exageradas. Hoje, esse respeito já virou lembranças...
            E o ano da F-1 havia começado tão bem...

quarta-feira, 27 de março de 2013

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – MARÇO DE 2013




           Começaram os campeonatos da Fórmula 1 e da Indy Racing League, além da Stock Car Brasil, GP2, e mais alguns certames do mundo da velocidade. E, dando uma analisada em alguns dos últimos acontecimentos, eis mais uma edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com algumas avaliações no esquema de apresentação de sempre: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura a todos, e até a cotação do mês que vem...



EM ALTA:

Kimmi Raikkonem: O piloto finlandês abriu a temporada com uma vitória e performance convincentes no GP da Austrália, quando todo mundo estava mais atento às equipes Red Bull e Ferrari, e ao potencial duelo Sebastian Vettel X Fernando Alonso. Com uma pilotagem precisa, e ajudando o carro a conservar seus pneus, Raikkonem largou na frente no campeonato, e se não teve um bom desempenho na Malásia, onde sofreu uma punição imbecil, ainda conseguiu ficar firme nos pontos, depois de uma corrida onde travou alguns bons pegas. Não dá para dizer ainda se o finlandês é candidato firme ao título, mas já deu o aviso de que está à espreita, e pode fazer algumas gracinhas em cima dos concorrentes...

Pneus da Pirelli: A fabricante italiana mudou novamente a concepção de seus pneus para a temporada 2013, e como já havia acontecido no ano passado, os times da F-1 estão tentando descobrir até onde podem ir com os novos compostos, uma vez que a pré-temporada foi das menos produtivas dos últimos tempos, pelo menos no que tange aos pneus. Já tivemos resultados distintos na Austrália e na Malásia, mas ainda é cedo para dizer até onde as escuderias continuarão tendo de descobrir como obter o maior rendimento dos pneus italianos. Em 2012, isso levou praticamente meia temporada, o que fez com que tivéssemos 7 vencedores diferentes nas 7 primeiras corridas. Será que este ano vai ser preciso tanto tempo assim? O campeonato já começou com algumas performances interessantes, mas não dá para afirmar se elas continuarão surgindo nas próximas corridas. Pode até não surgir novas surpresas, mas no ano passado, também foi assim, de esperar que na corrida seguinte tudo voltaria ao “normal”, e então...

Adrian Sutil: O piloto alemão ganhou a disputa pela vaga na Force Índia e retornou ao seu velho time, onde havia competido até 2011. E logo na primeira corrida mostrou a que veio, chegando até a liderar a prova da Austrália, apostando numa estratégia de pneus diferente dos líderes. Mostrou confiança e consistência, levando todos a esquecerem que o piloto passou 2012 desempregado, sem competir. Só não terminou no pódio, ou perto dele, porque seu carro praticamente não se entendeu com os pneus supermacios, utilizados na parte final da corrida, fazendo-o despencar na classificação, mas ainda chegando melhor que seu companheiro de equipe Paul Di Resta, que já viu que terá novamente muito trabalho com seu antigo companheiro de time, agora de volta à ativa...

Equipe Andretti: Campeã no ano passado com Ryan Hunter-Reay, a Andretti Autosport já mostrou que vai querer novamente o título da IRL este ano. Mas, se o atual campeão teve uma performance modesta na abertura da temporada, em São Petesburgo, na Flórida, e acabou abandonando com problemas no seu carro, seu companheiro de equipe James Hinchcliffe mostrou que também quer sonhar alto, e fez uma corrida forte, aproveitando o único vacilo de Hélio Castro Neves para assumir a liderança e conquistar sua primeira vitória na competição. Para melhorar o astral, Marco Andretti terminou em 3º lugar, mostrando que também quer colocar as manguinhas de fora, e demonstrar que não está ali somente por ser filho do dono da escuderia. Ernesto Viso, o novo contratado do time, fez uma estréia modesta, mas firme no novo time, terminando em 7º lugar. Roger Penske e seus comandados que se preparem para encarar o desafio...

Felipe Nasr: O piloto brasileiro entrou em seu segunda ano no campeonato da GP2 visando apenas conquistar o título e nada abaixo disso. E começou bem o ano, obtendo um 4° lugar na primeira corrida disputada em Sepang, e terminando em 2° lugar na segunda prova do fim de semana. Com uma vitória e um terceiro lugar, o monegasco Stefano Coletti lidera o campeonato com 35 pontos, seguido de Fabio Leimer, com 26 pontos. Nasr é o 3° colocado, com 25 pontos. Felipe tem planos de subir para a F-1 em 2014, e para isso, conquistar o título da GP2 é essencial, e vem seguindo à risca o planejamento da carreira, de iniciar o primeiro ano em um certame para aprender, e disputar o título no segundo ano. E, competindo novamente pela Carlin, time com o qual foi campeão na F-3 Inglesa, Felipe está confiante em repetir a parceria vitoriosa agora na GP2. Nasr vem fazendo um bom planejamento de sua carreira, com bons patrocinadores o apoiando, e tem tudo para chegar ao título da categoria logo abaixo da F-1. Chegar à categoria máxima do automobilismo, entretanto, poderá ser mais complicado do que se imagina, mas Felipe está confiante em superar todos os obstáculos.



NA MESMA:

Ross Brawn: Nos seus tempos de comandante tático da Ferrari, não foram poucas as vezes em que partiram dele as famosas “ordens de equipe” para os pilotos do time manterem posições, impedindo que pudéssemos ver alguns duelos que seriam muito bem-vindos. Agora na Mercedes, Brawn mostrou que continua o mesmo, e ao negar “permissão” para Nico Rosberg ultrapassar Lewis Hamilton no final da corrida malaia, privou o piloto alemão, que trouxe os melhores resultados ao time nos últimos 3 anos, de subir ao pódio, num final de prova onde seu ritmo era muito melhor do que o de Hamilton. Rosberg merecia mais consideração por parte de Brawn, mas como já se viu em outras ocasiões, o inglês não se comove por quase nada. Só que na Ferrari Ross tinha a concordância de Jean Todt, e agora na Mercedes, Niki Lauda e Toto Wolf já deram declarações contrárias às atitudes de Brawn. Na época da Ferrari, ele e o time davam “uma banana” para os críticos de suas atitudes. Fará o mesmo agora? Pela sua expressão, parece que sim...

Dario Franchiti: O piloto escocês, tetracampeão da Indy Racing League, parece que não consegue se entender direito com o novo chassi DW12 da Dallara. Desde que o novo carro estreou na categoria, no ano passado, Dario não tem conseguido demonstrar a mesma performance que exibia quando foi campeão por 3 anos consecutivos. Em 2012, o escocês foi apenas o 7° colocado no campeonato, tendo vencido apenas a Indy500, o sonho de qualquer piloto, claro, mas vendo seu companheiro de equipe Scott Dixon lutando pelo título até a parte final do campeonato. E, neste início de temporada, Franchiti ainda abandonou a prova de São Petesburgo devido a um erro de amador: acertou o muro logo após fazer um pit stop e acelerar demais antes da hora com os pneus ainda frios. E ainda viu o companheiro Dixon terminar a prova em 5° lugar e sair na frente na disputa interna da Ganassi. E, fora das pistas, o escocês ainda se separou de sua esposa, a atriz Ashley Judd, com quem era casado. Franchiti não começou bem o ano mesmo...

Calendário da F-1 2013: Não deu mesmo para arrumar uma corrida substituta para o futuro GP de Nova Jérsei, adiado para 2014. Não foi por falta de candidatos, mas por falta de vontade política e excesso de ganância financeira por parte de Bernie Ecclestone, além de picuinhas pessoais que inviabilizaram a efetivação de uma corrida substituta. A categoria só não perde tanto porque, mesmo assim, o calendário ainda terá 19 corridas, número considerado mais do que suficiente na opinião das escuderias e pilotos. Mas ver a F-1 continuar correndo em lugares como o Bahrein, enquanto pistas como Portimão e Zeltweg ficam de fora ainda mostra como Bernie Ecclestone e a própria F-1 colocam o dinheiro acima de tudo e de todos...

Stock Car: o campeonato da Stock Car nacional iniciou o ano com um novo formato de transmissão que a restringe à TV por assinatura, ficando apenas 3 corridas para serem exibidas na TV aberta. Se por um lado a cobertura no SporTV tem potencial para ser mais completa do que na TV Globo, por outro lado, a exposição é bem mais restrita, por ser em canal de TV paga, ainda um produto caro no Brasil. Mas, ao invés de melhorar, a categoria inventa algumas coisas imbecis, como a nova janela de reabastecimento “obrigatória” dentro de um número estipulado de voltas de cada corrida, proibindo equipes e pilotos de adotarem estratégias mais diferenciadas de reabastecimento, alegando que este procedimento causa “confusão” nos torcedores, que não enxergariam a verdadeira dinâmica das corridas. Usar tal justificativa é simplesmente chamar os torcedores de burros e idiotas, e isso só ajuda a comprovar que a categoria, por mais forte que se apregoe, não vai tão bem como se autoafirma. E vale lembrar que a Stock começou o ano sem um patrocinador-chefe do campeonato, que até o ano passado era a Caixa Econômica Federal, que resolveu puxar o carro por não sentir firmeza no trato profissional do campeonato, entre outros motivos.

Robert Kubica: O piloto polonês, que por pouco não perdeu a vida há dois anos num violento acidente em uma prova de rali, mais uma vez escapou da morte, ao sofrer um novo acidente quando liderava o Rali das Ilhas Canárias, prova válida pelo Campeonato Europeu de Rali. Kubica, que liderava com folga de mais de um minuto para o segundo colocado. O polonês bateu em um trecho da pista onde errou uma freada a atingiu o guard-rail com certa violência. Danos apenas materiais no carro, felizmente, e Kubica saiu ileso. Mas do outro lado do guard-rail estava um penhasco, e se tivesse batido com mais força, poderia até ter despencado com carro e tudo, e muito provavelmente não teria tanto sorte de escapar inteiro. Kubica pode ter paixão pelos ralis, mas depois de passar perto de um potencial acidente fatal pela segunda vez, deveria tomar mais cuidado com sua paixão pela modalidade. E ainda se fala que no ano que vem ele poderia tentar voltar à F-1. Espera-se que pelo menos continue inteiro para continuar pensando firme nisso...



EM BAIXA:

Equipe Williams: o time do velho Frank mostrou em 2012 ter mais carro que piloto, e apesar de ter conseguido vencer o GP da Espanha, no restante da temporada, a escuderia viu seu principal piloto mais se meter em confusões do que pontuando, enquanto Bruno Senna não conseguia largar em boas posições e ter sempre de remar em recuperações nas corridas. Para este ano, a expectativa era o time continuar tendo um desempenho em evolução. Ao que parece, tudo saiu pela culatra, pelo menos nas corridas iniciais, onde o que se viu foi o novo FW35 mostrar um desempenho sofrível, a ponto de Maldonado chegar a classificar o carro de “inguiável”. Pelo visto, o corpo técnico de Grove parece ter errado feio novamente na concepção do novo carro, que se não melhorar rapidinho, pode ser engolido até mesmo pela briga entre Marussia e Caterham. E, só para complicar as coisas, Maldonado simplesmente abandonou as duas provas iniciais por erros de pilotagem. Frank Williams vai ter novamente um ano daqueles...

Disputas na F-1: Ordens de equipe estão virando uma praga na F-1, onde se disputa mais nos boxes do que na pista, o que não deveria acontecer. Os exemplos dados na Malásia, onde Red Bull e Mercedes simplesmente ditaram o que deveria ter acontecido, com resultados opostos em cada time, só contribuem cada vez mais para o descrédito da categoria máxima do automobilismo, e que depois não venha perguntar porque os fãs vem diminuindo... Quem curte corridas quer ver briga na pista, com o melhor piloto, ou o mais rápido, vencendo a parada, e não simplesmente tendo de obedecer a uma ordem cretina de manter posições quando pode fazer muito mais do que aquilo. E disputa na pista não significa simplesmente bater no adversário em cada ultrapassagem: pode-se perfeitamente ganhar uma posição em disputa honesta e mano-a-mano. É isso que os fãs querem ver, e não simplesmente obediência a hierarquias que muitas vezes não se justificam, que deveriam se limitar a privilégios salariais e uma ou outra vantagem, que deveria ser fora da pista. Mas, enquanto a audiência da F-1 não levar um baque, dificilmente a categoria irá tomar jeito e mudar seus péssimos hábitos...

Equipe Red Bull: O time das bebidas energéticas, desde que estreou na F-1, sempre se caracterizou por trazer um ar fresco à categoria, mostrando que dava para ser bem sucedido sem sacrificar a esportividade e a competitividade, mesmo que isso trouxesse a perda de alguns resultados. O maior temor, contudo, era se o time austríaco não seria “contaminado” pelo ambiente cada vez mais espúrio e corporativo que anda impregnando os times da categoria. Infelizmente, pelo que vimos na Malásia, até a Red Bull acabou rendendo-se aos maus hábitos que permeiam a F-1 atualmente. Sebastian Vettel mandou as ordens às favas e partiu para vencer a corrida, após um duelo que foi no mínimo desleal com Mark Webber, por este ter reduzido a potência de seu motor como ordenado pelo time. Teria sido muito mais honesta a equipe se dissesse que seus pilotos poderiam duelar à vontade desde que fossem responsáveis e cuidadosos, e aí sim que vencesse o melhor. Mas o time quis resguardar o resultado, e nessa atitude, mostrou que já pegou o jeito “ruim” que times como Ferrari disseminaram na mentalidade da categoria, que passou a ver como “normal” esse tipo de atitude. A mancha na reputação da Red Bull está criada, e vai demorar um tempo até que consigam se livrar da mácula. Seria exagerado dizer que a F-1 corrompe a tudo e a todos, mas é o que parece que acabou acontecendo com a Red Bull...

Equipe McLaren: O time de Woking errou a mão na concepção do novo MP4/28, e tanto na Austrália quanto na Malásia, seus pilotos tiveram que lutar muito apenas para conseguir pontuar, quando o esperado era que pudessem pelo menos disputar o pódio. Com a esperada boa performance entre Ferrari e Red Bull, e a confirmação de evolução da Mercedes e Lótus, foi inesperado ver Jenson Button e Sérgio Pérez terem até mesmo dificuldade para competir até com a Force Índia. Lutar pelo título pode parecer agora uma ilusão, mas o time inglês sabe recuperar-se de maus inícios de temporada, e dar a volta por cima. O problema é quanto tempo isto vai demorar, e a cada corrida perdida, terão menos tempo para conseguir reverter a desvantagem. Na Malásia, o desempenho do carro parece ter sido melhor, mas ainda é preciso melhorar muito para que a situação possa ser realmente melhorada, pois naquela prova, nomes de peso como Fernando Alonso, e Adrian Sutil e Paul Di Resta tiveram abandonos demonstrando mais capacidade de andamento do que os carros prateados.

Bia Figueiredo: a piloto brasileira conseguiu firmar um acordo à última hora com a modesta equipe Dale Coyne, e estando garantida para apenas 3 provas no campeonato, e necessitando conseguir mais patrocínio para poder disputar efetivamente todo o restante do campeonato, infelizmente teve uma estréia com o pé esquerdo no campeonato da IRL 2013. Bia largou na última posição e em nenhum momento praticamente teve ritmo para disputar posições de forma séria, e acabou abandonando com problemas no carro. A garota foi diplomática e educada, afirmando que a corrida teve seu lado positivo para aprender mais sobre o carro, e que isso será positivo para as provas de São Paulo e Indianápolis, mas vai ter de suar muito o macacão para mudar o panorama de seu lado do Box. Por ser um time pequeno, a Dale Coyne não tem condições de dar dois carros iguais a seus pilotos, e infelizmente, Bia está no lado mais fraco da disputa: seu carro apresentou diversos problemas no fim de semana, e nunca apresentou performance à altura, enquanto o outro piloto do time, Justin Wilson, com um equipamento melhor trabalhado, ficou em 9º lugar. Bia sabe que a parada é dura, e que vai ter de batalhar muito, mas infelizmente, o horizonte não parece nada promissor, e com isso, vai complicando suas chances de permanecer na categoria.