sexta-feira, 6 de junho de 2025

QUANDO O INCONFORMISMO PODE SER EXAGERADO

O incidente entre Max Verstappen e George Russell: punição bem aplicada a um confronto exasperado que o holandês poderia ter evitado.

            A McLaren levou mais uma, e venceu o GP da Espanha, domingo passado, quase com um pé nas costas. Oscar Piastri, depois de alguns “percalços” nas últimas etapas, retomou o controle da situação e simplesmente dominou a prova com competência e habilidade. Mas o cerne das discussões foi Max Verstappen, no bom e no mau sentido.

            O holandês tentou uma jogada alternativa junto com a Red Bull procurando achar alguma possibilidade de surpreender a McLaren, e tentar a vitória, objetivo mais do que válido. E chegou perto disso, mas o safety car perto do final da corrida complicou a situação que já encaminhava um pódio certo para o tetracampeão, com os pilotos indo aos boxes, e aproveitando a relargada para conseguirem posições melhores. Nico Hulkenberg foi um que fez bom uso disso, e conseguiu um resultado que já era excelente para a Sauber, e ficou ainda melhor, exaltando seu senso de oportunidade, e dando ao time algum alento em uma temporada cheia de desafios e complicações, enquanto espera pela nova era Audi em 2026.

            Para Verstappen, contudo, não deu certo. A parada nos boxes para trocar pneus foi desastrosa não pela parada em si, mas pelos pneus disponíveis: duros novos, ou macios usados. E o time dos energéticos escolheu os primeiros, uma escolha completamente equivocada, que deixou o piloto acertadamente irritado, uma vez que os rivais, com pneus mais adequados, foram para cima dele na relargada, e o que era um 3º lugar garantido, acabou virando um 5º. Mas não foi só isso que aconteceu: Max bateu rodas com Charles LeClerc, e com George Russell, saindo da pista e cortando caminho pela pista auxiliar da curva 1, deixando no ar a possibilidade de uma punição por ter ganhado vantagem sobre o piloto da Mercedes. E, como a FIA anda inconsistente neste quesito, por vezes aplicando punições variadas, a equipe pediu para Max devolver a posição, o que ele até pareceu que iria fazer, abrindo a trajetória, para depois acertar deliberadamente a Mercedes de Russell, em um acidente que, embora não tenha ocasionado nada sério, poderia ter tido consequências mais adversas. E a FIA aqui meteu uma no cravo, e outra na ferradura: puniu o holandês com 10s ao tempo de corrida, derrubando-o do então 5º para o 10º lugar, e ainda colocando mais 3 pontos em sua carteira, deixando o piloto da Red Bull potencialmente perto de ser suspenso por um GP, se ele não tomar cuidado nas próximas etapas. Mas o pior foi saber que ele não precisava devolver a posição para Russell, conforme a FIA comunicou depois em anúncio oficial pós-GP.

            Max Verstappen é um dos grandes destaques da F-1 nos últimos tempos, e muitas vezes seu estilo de pilotagem nos lembra dos grandes pilotos do passado, pelo modo determinado, agressivo, e até tresloucado com que pilota. E isso é um grande alívio e necessidade numa época onde estes predicados parecem em falta na categoria máxima do automobilismo, pelo menos a ponto de fornecerem um destaque tão plausível de um piloto para os outros. Ele não desiste, luta, e dá tudo de si. Isso é bom para a competição, mas de vez em quando, pode passar dos limites, e aí, o que era vantagem e diferencial positivos podem se tornar negativos, e até preocupantes, para a imagem do piloto, e para a competição em si.

Charles LeClerc partiu para cima de Max Verstappen na relargada, e o holandês ficou fulo com o quase enrosco entre eles, mas o próprio Verstappen já fez coisa similar com os rivais em outros momentos. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, não?

            Neste ponto, podemos ver que Verstappen há muito já anda no fio da navalha em certas situações. Em seus primeiros anos, ele agia de forma muito impetuosa na pista, e chegava a efetuar manobras temerárias em algumas disputas com pilotos, como mudar de direção e até frear inesperadamente em cima da hora, colocando o piloto com quem estava em disputa em risco, caso a manobra desse errado. Lógico que automobilismo sempre foi e será um esporte de risco, mas por vezes, alguns ímpetos podem ser temerários, se você levar a coisa muito a o extremo. E aí, ocorre o que é pior: vem a FIA, e normatiza que tal comportamento é proibido. Mas, se ocorre, infelizmente deriva do fato de que alguns pilotos andaram abusando do tema em questão, mais do que seria aceitável. E mais regras, num esporte já cheio de normas que soam frescas e exageradas em muitos pontos, só ajudam a competição a ficar mais engessada, com os pilotos não podendo isso, não podendo aquilo, etc. Um pouco mais civilidade e respeito para com o rival na pista poderia ter evitado que a F-1 e a FIA acabassem instituindo diversas regras, e o pior de tudo é que, quanto mais regras, maiores os riscos também com as punições às infrações delas, e vamos convir que, nos últimos tempos, a entidade que comanda o automobilismo mundial não tem sido um primor na aplicação das punições às regras aos pilotos, hora sendo meio conivente, hora sendo implacável, a ponto de alguns GPs virarem uma verdadeira zona quando seus resultados, diante dos acontecimentos da corrida, precisam ser “corrigidos” para se adequara castigos e punições. A F-1 podia passar sem essa, mas infelizmente…

            E aqui voltamos a Verstappen. O holandês é um fenômeno, um gênio que já assegurou seu lugar de honra entre os gigantes da história da F-1, e perder a cabeça, ainda que aceitável, exige certo comedimento para não se envolver em momentos que comprometem sua imagem como competidor na pista. Não é não querer que ele fique puto da vida, furioso, ou mande todo mundo para aquele lugar, porque, no final das contas, ele é humano, não um robô, e atos assim são o que humanizam os pilotos, que deixam de ser vistos por vezes como autômatos por conseguirem manter tudo sob controle, e darem declarações pasteurizadas e politicamente corretas. Não tem problema Verstappen sair dizendo algumas besteiras por aí, ainda mais em um esporte onde em determinados momentos os competidores ficam com os nervos à flor da pele, e saem xingando deus e o mundo, extravasando tudo a que tem direito.

            Mas, é preciso tomar cuidado com certas atitudes, que se praticadas com exagero, podem ser prejudiciais, e ainda por cima, gerar um efeito bumerangue em volta. O ato do holandês simplesmente jogar o seu carro contra a Mercedes de George Russell foi condenável, mesmo que a posição da pista e velocidade do ato não fossem de periculosidade mediana, se compararmos onde as coisas poderiam ter sido bem mais sérias. Fosse algo isolado, é caso de tratar como algo excepcional, que sempre pode acontecer, e seguir a vida. Mas Verstappen já vem tendo um histórico de atitudes agressivas que andam forçando o limite, e o colocando em situações onde claramente podemos ver que o tetracampeão, no inconformismo de não conseguir vencer, parece extrapolar exageradamente suas reações. Ele poderia ter todas as razões para fazer o que fez, diante dos fatos que ocorreram, mas foi sua decisão (voluntária ou involuntária) de acertar o carro de um rival, e mesmo em baixa velocidade, muitas vezes podem haver consequências sérias num contato como este. Saísse esbravejando depois da prova seria muito mais aceitável, plenamente humano e sincero, e muito menos prejudicial a si próprio, pois ainda teria mantido a 5ª posição. Se bem que, como mencionei, a implantação de regras estúpidas pela FIA, como sua recente “cruzada de bons costumes” contra palavrões, é mais um exemplo de quão ridícula as entidades vão se tornando, diante de situações que não deveriam chamar tanto atenção, e aí, talvez Verstappen levasse também punição da FIA por sua boca suja. Compreensível, mas nem por isso menos revoltante com as palhaçadas feitas recentemente pela entidade em sua “investida pelos bons modos” nas competições...

Mais uma dobradinha da McLaren: O ano é dos papaias, mas mesmo assim, ninguém por lá comemora antecipadamente.

            Estes exageros de Verstappen podem se tornar uma bomba relógio tanto para ele, como para os outros pilotos, que certamente poderão começar a devolver também na pista certas atitudes do piloto, que poderão ser intencionais, ou mero acaso, mas que só servirão para deixar os ânimos mais acalorados. O quase enrosco com Charles LeClerc poderia ser um indício, embora involuntário aqui, onde no momento da corrida às vezes os competidores acabam roçando nos carros dos outros, mas com George Russell, que já bateu boca com Verstappen em outras ocasiões, já faz um histórico de rixa potencial que pode precisar ser acompanhada com cuidado, no caso de ambos se estranharem novamente numa disputa de posição mais acirrada. Para Verstappen, contudo, LeClerc deveria ter sido punido pelo toque na relargada, e o fato de nada ter acontecido com o monegasco também foi algo que apimentou o ambiente, com o holandês ficando mais irritado também por isso. Mas ir “descontar” em cima de outro piloto, como vimos com Russell depois, vamos devagar aí, por favor...

            Verstappen por vezes também precisa ser comedido: não dá para ficar sempre no topo, e temporadas como a de 2023, onde ele varreu a concorrência, vencendo quase todas as provas do ano, deixando migalhas para os outros, é algo excepcional, e que não ocorre sempre. Há, e haverá sempre momentos de vacas magras, onde o carro não é tão bom, e os resultados nem sempre serão os mais compensadores, não importa o quão você seja talentoso e dê tudo por tudo na pista. Aceitar estes momentos não é ser conformista, apenas realista, e é preciso perseverar, até a chance de voltar ao topo. Não dá para ficar com chiliques permanentes, como se o momento atual é um desastre. Verstappen ainda é o 3º colocado, o que não é algo ruim, é um dos destaques, e até vem vencendo algumas corridas, o que não é pouca coisa, diante do carro superior da McLaren. Mas é exagerado também: imagine se ele fosse apenas o 8º colocado então na competição, e se tivesse que batalhar para marcar míseros pontos? Ele sairia quebrando tudo no box, revoltado? Menos, cara. Menos obsessão pela vitória e por títulos.

Verstappen já sapateou em cima dos adversários em 2023, mas agora não tem o carro favorito, e se vê incapaz de brigar efetivamente por mais um título. Todo piloto tem momentos de alta, e de baixa: não adianta ficar todo nervosinho quando não consegue vencer como já havia se acostumado a fazer.

            Ayrton Senna também tinha às vezes uma obsessão por triunfos, como se ficar sem poder disputar o título fosse algo insuportável, o que pudemos ver nos chiliques que o piloto deu durante a temporada de 1992, dominada amplamente por Nigel Mansell e o “carro de outro planeta” da Williams à época, com o brasileiro chegando a dar declarações como se a F-1 tivesse obrigação de lhe dar um carro campeão sempre. Ele baixou um pouco a bola, mas sua perseguição às vezes obstinada pela vitória o levou à Williams no momento errado, e infelizmente, a um fim trágico imerecido diante de sua trajetória profissional.

            Verstappen não precisa ter essa mesma paixão doentia pelo sucesso, deixando as coisas extrapolarem além da conta. Basta saber manter um pouco a cabeça no lugar. Mas o fato de ele aparentemente não se preocupar com as repercussões de tais atitudes, se por um lado mostra personalidade, por outro pode incitar ainda mais outros rivais na pista a “devolverem” gentilezas na mesma moeda, ajudando a acirrar ânimos que podem se tornar perigosos, se as coisas fugirem ao controle. E com Max dando a impressão de cair nestas provocações, quando as coisas não correm conforme ele espera, pode ser um prato cheio para os concorrentes tirarem suas lasquinhas na pista, sejam legítimas ou não. Uma armadilha que ele precisa evitar, se quiser evitar complicações que podem deixar o ambiente mais carregado e tenso do que seria admissível permitir.

            O tetracampeão já mostrou que consegue dominar esta situação em alguns momentos, o que é admirável. O problema é que ele também já mostrou que pode perder a compostura com mais frequência também. Ele vai conseguir equilibrar suas reações?

 

 

Barcelona pode ter sediado seu último GP no futuro próximo. A estréia da nova pista urbana em Madri, que chega à categoria com um contrato para vários anos, indica a despedida do circuito da Catalunha do mundial, onde estava presente desde 1991, quando sediou pela primeira vez o GP, em substituição ao palco anterior, em Jerez de La Frontera, na região da Andaluzia. Circuito muito moderno e com curvas e trechos variados, que fizeram da pista a preferida para os times para testes de pré-temporada, Barcelona teve como ponto negativo o fato das equipes conhecerem tanto a pista que as corridas ali ficaram meio enfadonhas, impossibilitando maiores surpresas. Mas o circuito também acabou passado para trás como palco dos testes de pré-temporada, que passaram a ser feitos no Bahrein, por uma questão mais mercadológica do que técnica, com os barenitas oferecendo mais vantagens financeiras para os testes serem feitos ali, em que pese a maior vantagem mesmo ser o clima mais quente do que na Europa, crucial para os times testarem seus carros. Se bem que, diante das pré-temporadas cada vez mais pífias e mirradas que vem sendo realizadas (três dias apenas é completamente ridículo), não se pode dizer que a vantagem compensa, exceto os cobres que FIA e Liberty ganham em cima disso. As possibilidades de Barcelona permanecer diminuem na perspectiva da Liberty querer incluir mais corridas no calendário, e como 24 parece ser o limite do teto aceitável, alguém tem de pular fora para outro ser incluído, a ponto de se cogitar fazer revezamento de pistas para acomodar mais gente, uma idéia que não é exatamente ruim, dependendo de como será utilizada. Mas, como primeiro circuito a ser “escolhido” para isso ser Spa-Francorchamps, uma das pistas mais icônicas do calendário, isso já mostra que os critérios da Liberty poderão não agradar muito os fãs…

Com a nova pista de Madri chegando para 2026, Barcelona pode ter dado seu adeus à F-1 com a corrida deste ano.



 

 

A perspectiva de Lance Stroll ficar de fora do GP do Canadá, o que faria Felipe Drugovich ter a chance potencial de finalmente estrear como titular em um GP, diante dos problemas do canadense com a mão machucada ainda em 2023 adquire perspectivas que vão da grande oportunidade ao um fiasco completo. Felipe poderia ter a chance de enfim fazer uma corrida como titular, afinal, é o piloto reserva do time da Aston Martin, e em tese, é para isso que ele foi contratado. Mas os boatos de que a escuderia poderia escolher Valtteri Bottas, ou até mesmo outro piloto podem indicar que o time não valoriza o brasileiro como diz afirmar. Não ajuda o fato da etapa de Montreal bater de frente com as 24 Horas de Le Mans, uma das mais famosas corridas do mundo, onde Drugovich iria competir inicialmente, e agora, pelo menos até o fechamento desta coluna, deixa Felipe na berlinda: desistir de Le Mans e correr no Canadá, ou manter o compromisso no WEC, e perder uma chance que finalmente se abre? A postura da equipe, de pesquisar nomes alternativos, seria justificada pelo desejo de não comprometer o compromisso de Felipe na mais importante corrida de endurance do Mundo, mas o brasileiro parece disposto a sacrificar sua participação pela chance de correr na F-1. Mas, a situação de Lance Stroll ainda não está definida: ele fez a cirurgia na mão, e sua participação na prova de casa ainda é completamente incerta, de modo que, quando sair um a decisão, Drugovich por sair perdendo em todos os lados: fica sem correr em Le Mans, e fica também sem correr pela Aston Martin no Canadá. E não vamos esquecer que, para muitos, o brasileiro deveria dar melhor foco à sua carreira do que ficar esperando por uma chance que parece ser cada vez mais improvável, do time efetivá-lo a titular. Se acontecer o pior, e Felipe ficar sem correr me lugar nenhum, pelas indefinições da escuderia, e quaisquer outros motivos que o façam não ser o escolhido do time para correr no lugar de Stroll, talvez o melhor mesmo seja fazer as malas e partir para outro rumo na carreira, lembrando que a própria Aston Martin tem um time no WEC, e não escolheu Drugovich para ser um dos pilotos, quando poderia ter aproveitado devidamente os talentos do brasileiro. E temos o exemplo de Pietro Fittipaldi, que dedicou anos à Haas como piloto reserva, e nunca foi efetivado na escuderia, tendo disputado dois GPs apenas, substituindo Romain Grosjean no fim da temporada de 2020, e nada mais...

Felipe: chance de finalmente correr na F-1, ou mais uma enrolação que pode deixá-lo de fora da competição?

 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

FLYING LAPS – MAIO DE 2025

            Chegamos ao mês de junho, e com ele, atingimos quase a metade do ano de 2025, mostrando como o ano segue avançando, com velocidade similar à dos bólidos de competição nos campeonatos mundo afora. E então, aqui vamos nós para mais uma sessão da Flying Laps, com alguns acontecimentos do mundo da velocidade ocorridos neste último mês de maio, com destaque para os acontecimentos da Formula-E e da Indycar, que disputaram várias provas em seus certames, e aqui faço menção ao que ocorreu nelas, com comentários rápidos sobre estes campeonatos. Uma boa leitura a todos, e até o início do próximo mês, com mais uma edição da Flying Laps, comentando acontecimentos deste mês de junho no mundo do esporte a motor...

Oliver Rowland continua deitando e rolando na temporada da Formula-E. O piloto inglês da equipe Nissan venceu uma das corridas da rodada dupla de Mônaco, e foi segundo colocado na segunda prova, aumentando ainda mais sua distância na tabela de classificação, uma vez que os rivais não conseguem apresentar uma constância de resultados necessária para tentar brecar a escalada de Oliver rumo ao título da temporada. Mas, diferente da etapa da Fórmula 1, as corridas da F-E no Principado, usando o mesmo circuito utilizado pela categoria máxima do automobilismo, estão longe de serem monótonas, e se parecerem procissões em alta velocidade, muito pelo contrário. As duas provas do fim de semana em território monegasco contabilizaram cerca de 364 ultrapassagens/mudanças de posição, em todo o pelotão. Chegamos a ver três carros fazendo a curva Lowes lado a lado, disputando posição, e os pilotos ultrapassados voltavam à carga, procurando recuperar posições perdidas. O pódio da primeira corrida foi completado por Nyck De Vries, da Mahindra, confirmando a recuperação da competitividade da equipe e do trem de força indiano, depois de duas temporadas onde foi um dos piores equipamentos do grid. E Jake Dennis, da Andretti, fez uma grande prova para terminar fechando o pódio em 3º lugar. Um exemplo da mobilidade de posições em Mônaco foi o resultado de Nico Muller, da Andretti, que largou em 14º para terminar na 5ª posição. Por outro lado, Taylor Barnard, da McLaren, que largou na pole na primeira prova, deu azar na corrida e foi apenas o 15º, tendo tido enroscos durante a corrida. Na segunda corrida, o destaque foi de Nick Cassidy, que largou em 14º para fechar o pódio em 3º, atrás de Rowland e Buemi, o vencedor, dando um pouco de alento a uma temporada que vem sendo complicada com a Jaguar.

 

 

A vitória na segunda prova da F-E em Mônaco ficou com Sébastien Buemi, encerrando um jejum dos mais incômodos, uma vez que a última vitória do piloto suíço havia sido em 2019, mais precisamente no dia 13 de julho, na primeira corrida da rodada dupla do ePrix de Nova Iorque, quando ele defendia a antiga equipe e.Dams, atual Nissan. Naquela temporada, Buemi foi vice-campeão, perdendo a disputa pelo título para Jean-Éric Vergne, da equipe Techeetah. De lá para cá, contudo, o desempenho do piloto passou por muitos altos, e principalmente, muitos baixos, ainda mais por ter tido carros razoavelmente competitivos neste período, capazes de vencer corridas, em maior ou menor frequência. O resultado consolida a posição de Buemi como o piloto com mais vitórias na história da categoria de carros monopostos 100% elétricos, com 14 triunfos. Mas o desempenho do piloto, e de seu atual time, a Envision, segue oscilando na atual temporada. Mas o retorno ao degrau mais alto do pódio mostra que Buemi ainda tem o que mostrar à competição, onde foi campeão da segunda temporada do certame, em 2015/2016. Resta ver se ele conseguirá se manter na F-E na próxima temporada, enquanto segue firme no time da Toyota no Mundial de Endurance (WEC), onde já foi campeão com o time japonês, e também venceu as 24 Horas de Le Mans.

 

 

Outra prova da F-E que virou rodada dupla na temporada deste ano foi Tóquio, e desta vez, para felicidade dos torcedores japoneses, a Nissan pode fazer a festa, vencendo uma das provas do fim de semana no palco montado para a categoria em Oriake, Odaiba, na zona sul da capital nipônica, com Oliver Rowland vencendo mais uma corrida e disparando ainda mais na liderança do campeonato. A exemplo do que aconteceu em Mônaco, o inglês também subiu ao pódio na primeira prova, em 2º lugar, cedendo a vitória a Stoffell Vndoorne, da Maserati, que deu sorte no momento de uso do pit boost, assumindo a liderança para não mais perdê-la, num misto de sorte, oportunismo e competência, ainda mais pelo belga ter largado apenas em 14º no grid. Taylor Barnard fechou o pódio com mais uma boa performance, terminando em 3º. Na segunda prova, Pascal Wehrlein conseguiu espantar um pouco o azar da temporada atual, obtendo um bom 2º lugar, em uma disputa que foi até acirrada com Dan Ticktum, que conseguiu o primeiro pódio da nova Cupra Kiro (ex-ERT, ex-China Racing, ex-etc.), que compete com o trem de força antigo da Porsche. Contabilizando também os pontos da pole-position, e com o fato de os mais próximos adversários na classificação não terem tido resultados constantes, Rowland ficou ainda mais distante na classificação, o que já fez surgir a possibilidade da temporada ver sua disputa pelo título acabar com uma antecedência inédita na história da competição.

 

 

Lucas Di Grassi continua tentando arrancar os melhores resultados possíveis em uma temporada de estréia da nova equipe Lola/Yamaha ABT, com um trem de força ainda novato na competição, e em Tóquio, conseguiu apresentar sua melhor corrida na temporada, obtendo um 5º lugar firme na segunda corrida na capital nipônica, o que de certa forma também foi comemorada pela torcida, diante da participação da Yamaha no novo time. Foi uma performance até melhor do que a apresentada por Di Grassi em Miami, onde o brasileiro foi 2º, é verdade, mas decorrente da punição de alguns pilotos, enquanto o 5º lugar na segunda prova do ePrix de Tóquio foi um resultado ruim, obtido na pista, com uma performance sólida. Agora é ver se o desempenho conseguirá melhorando a ponto de este tipo de resultado se tornar mais comum e possível, e não algo esporádico…

 

 

Álex Palou segue imparável na Indycar, e o piloto espanhol da equipe Chip Ganassi teve um mês de maio praticamente irrepreensível na com petição, vencendo todas as corridas do mês, e deixando a concorrência literalmente comendo poeira, incapaz de deter o avanço de Álex rumo a mais um título no campeonato de monopostos dos Estados Unidos. Além de um bom carro, a equipe de Chip Ganassi tem sido eficiente nos boxes, e Palou complementa com uma pilotagem precisa, determinada, e tática: mesmo quando o piloto não larga tão bem, ele consegue avançar durante a prova, para chegar à liderança, enquanto os rivais não conseguem desenvolver a mesma toada e igualar os resultados obtidos. E pior, não há um piloto que esteja mantendo uma consistência capaz de se lançar como principal oponente na competição. Kyle Kirkwood foi o único que interrompeu o ciclo de triunfos de Palou até o fim do mês de maio nas corridas da temporada, porém o piloto d equipe Andretti não tem se mantido dentro do TOP-5 na maioria das corridas, o que mostra que não bastam vitórias isoladas para se mostrar como rival de destaque. Se antes a principal preocupação dos oponentes da Ganassi era Scott Dixon, agora o pesadelo é Palou, que tem conseguido deixar até o neozelandês na sobra dentro da escuderia.

 

 

O massacre de Palou no mês de maio começou na etapa de Barber, no Alabama. Depois do primeiro “percalço” do ano, onde não venceu, em Long Beach, tendo ficado “apenas” em 2º lugar, o espanhol voltou à carga no circuito do Alabama, onde largou na pole-position, e lá ficou a prova toda, com exceção dos momentos de parada nos boxes para reabastecimento e troca de pneus. Christian Lundgaard, da McLaren, foi o 2º colocado, mas sem ter conseguido colocar pressão no piloto da Ganassi, que recebeu a bandeirada mais de 15s à frente de Lundgaard. Scott McLaughlin, que até prometia dar combate, acabou fechando o pódio, em 3º, mas com cerca de 23s de atraso. A vitória em Barber foi a 3ª em 4 etapas disputadas até então na temporada, confirmando o domínio do piloto na competição.

 

 

No GP de Indianápolis, que abriu as atividades do mês de maio no Indianapolis Motor Speedway, Palou manteve o ritmo dominante. Mais uma vez, largou na pole, e apesar de aqui ter tido mais entreveros com os adversários, mais uma vez saiu com o triunfo nas mãos, mostrando que os rivais precisarão caprichar ainda mais se quiserem destroná-lo da liderança do campeonato. Patricio O’Ward, da McLaren, foi o 2º colocado, enquanto Will Power deu alento à equipe Penske ao terminar em 3º lugar, fechando o pódio, à frente de Scott McLaughlin, que foi o 4º colocado. Graham Rahal dominou a primeira metade da corrida, e parecia finalmente pronto para encerrar um jejum de oito anos sem vitória na Indycar, mas a parte final da corrida não sorriu ao piloto, que acabou tendo problemas com suas paradas de box e ritmo, e foi sendo superado pelos outros pilotos, a ponto de terminar apenas em 6º lugar, a quase 20s do vencedor Palou.

 

 

E, claro, a cereja do bolo, foram as 500 Milhas de Indianápolis, a prova mais famosa e importante do calendário, onde muitas vezes o  favoritismo de um piloto não se confirma, e surpresas sempre podem acontecer. E, de fato, até aconteceram, mas desta vez, Palou não se deixou abalar, e ainda conseguiu passar longe dos problemas e armadilhas que surgiram durante a prova, que tirou outros competidores do páreo, para obter seu primeiro triunfo na Brickyard, e comemorar efusivamente, mostrando que, se for de fato o campeão da temporada 2025, terá feito um trabalho completo, não apenas vencendo o campeonato, mas também levando a vitória na Indy500. Álex Palou já tinha batido na trave nas 500 Milhas em 2021, no duelo épico em que Hélio Castro Neves conquistou sua 4ª e última vitória na prova, e desde então, apesar de figurar sempre entre os favoritos, alguma coisa sempre acontecia para complicar as chances de vitória na prova do oval mais famoso do mundo. Mas desta vez não teve chance para o azar, e o espanhol foi o grande vencedor, e como consequência, disparando na classificação do campeonato, deixando os adversários com a pulga atrás da orelha, pensando em como não ficaram com a imagem ainda mais feia perante o baile que estão tomando do carro 10 da equipe de Chip Ganassi, que tem tudo para colecionar mais um troféu na estante, e muito, muito, merecido...

 

 

Em compensação ao triunfo magistral de Álex Palou, a equipe Penske, a maior vencedora da história da Indy500, teve um ano para esquecer em Indianápolis. Começou na classificação, quando se descobriu uma peça com modificações que desrespeitavam o regulamento, o que impediu Josef Newgarden e Will Power de disputarem a pole-position, e os obrigou a largar das últimas posições do grid. Mas, como desgraça pouca é bobagem, Scott McLaughlin, o único que saiu ileso desta história, acabou batendo numa das voltas de apresentação, e nem sequer disputou a corrida, lembrando o vexame protagonizado por Roberto Guerrero na prova em 1992, quando o piloto, que largava na pole-position, perdeu o controle do carro atrás do Pace Car durante uma das voltas de apresentação e também bateu, dando adeus à prova antes mesmo de seu início. Josef Newgarden até fez uma boa recuperação na prova, mas problemas mecânicos levaram ao seu abandono, enquanto Will Power, o único que recebeu a bandeirada, foi terminar apenas em um melancólico 19º lugar. Decididamente, um ano em que o time de Roger Penske passou vergonha em Indianápolis, e pelos motivos errados