sexta-feira, 5 de abril de 2024

QUEM É O FAVORITO?

Maxximilian Gunther, da Maserati, venceu o ePrix de Tóquio, aumentando o rol de pilotos e times vencedores diferentes na atual temporada da Formula-E.

            Cinco corridas realizadas, e cinco vencedores diferentes, tanto de pilotos quanto de equipes. Ninguém pode dizer que a Formula-E não está apresentando uma temporada das mais emocionantes e equilibradas, a ponto de nos questionarmos quem é o favorito ao título, porque neste momento, não dá para apontarmos ninguém com destaque neste quesito, mas vários pilotos, e até times, que já mostraram que, se fizerem um bom trabalho, podem surpreender em um final de semana de corrida. E ninguém tem garantia de conseguir apresentar uma boa performance.

            Mesmo as mencionadas favoritas Jaguar e Porsche, em se tratando de seus trens de força, tidos como os mais competitivos do grid em 2024, não tem escapado de sofrerem percalços e problemas. E Nissan e Stellantis parecem estar conseguindo entrar também na briga, com mais destaque para a marca nipônica, que por pouco não conquistou sua segunda vitória na competição, justamente em sua terra natal, após uma pole muito comemorada de Oliver Rowland, justamente com o time de fábrica da Nissan, que promoveu fortemente a corrida em Tóquio, uma grande conquista para a categoria de carros monopostos elétricos, que desde sua primeira temporada, há 10 anos, sonhava em ter uma prova em solo nipônico.

            Mas, o campeonato parece estar apresentando um equilíbrio dos melhores. Nenhum time conseguiu repetir vitória até o presente momento, assim como nenhum piloto. O máximo que tivemos foi a Porsche ter sido a única a conquistar mais de um triunfo com seu trem de força, já que Pascal Wherlein abriu a temporada com vitória na Cidade do México, pelo time de fábrica da marca alemã, enquanto Jake Dennis, o atual campeão, da Andretti, time que usa o trem de força da Porsche, venceu a primeira corrida de Diriyah. Nick Cassidy anotou o triunfo para a Jaguar na segunda prova da Arábia Saudita, reafirmando o potencial favoritismo dos dois trens de força, que pareciam destinados a dar as cartas na temporada. Só que, nas duas provas seguintes, os cenários foram bem diferentes.

McLaren e Jaguar também tiveram chance de vencer corridas na F-E em 2024, mas sem conseguirem exercer favoritismo na temporada como alguns esperavam, especialmente da Jaguar, tida como uma das mais competitivas e fortes equipes.

            Em São Paulo, prova onde a Jaguar praticamente monopolizou o pódio no ano passado, viu desta vez a McLaren obter a sua primeira vitória na competição, bem como da Nissan na F-E, fornecedora do trem de força para o time de Woking, que ainda foi maioria no pódio, com o 3º lugar de Rowland conquistado na linha de chegada. Por mais que Mith Evans tenha brigado pela vitória e terminado em 2º lugar, o panorama não foi exatamente positivo para a Jaguar, que viu Cassidy abandonar, a viu a dupla da Envision, time cliente de seu trem de força, mal aparecer na corrida. A Porsche não brilhou como esperava, apesar da pole de Wehrlein, mas saiu com alguns pontos.

            E aqui no Japão, um dos países mais tecnológicos do mundo, teve celebração à altura para a primeira corrida da F-E em solo nipônico. Durante uma década, o país foi cortejado como um dos mais óbvios a receber um ePrix, e não faltavam cidades potenciais para sediar uma corrida. Osaka, Nagoya, Tóquio... Onde se poderia realizar um ePrix? A capital foi o destino final, e viu pela primeira vez, nela, e no próprio Japão, a primeira corrida de rua de sua história, que teve como palco a ilha artificial de Odaiba, na zona sul, junto à Baía de Tóquio, ao lado do famoso Tokyo Big Sith, palco de eventos e exposições conhecido da capital nipônica. E com presença de figurões da política, como o primeiro-ministro Fumio Kishida, além de Yuriko Koike, governadora da Prefeitura de Tóquio, que participaram das solenidades de preparação da corrida, que teve todos os ingressos disponíveis vendidos.

            Oliver Rowland fez a torcida vibrar com sua pole-position, afinal, o time da casa, a Nissan, largava na frente, e o piloto era favorito à vitória, que acabou ficando com a Maserati, com Maxximilian Gunther a fazer um ataque preciso na parte final da prova, e estragar a festa dos torcedores japoneses, que tiveram de contentar-se com a 2ª posição de Rowland. Jake Dennis foi outro que procurou minimizar prejuízos, e garantiu a 3ª colocação, fechando o pódio, à frente da dupla da Porsche, que também procurou não sair zerada do evento. De novo, a exemplo de São Paulo, a Jaguar foi a grande derrotada, tendo de aturar um novo abandono na Jaguar, desta vez com Mith Evans, enquanto Nick Cassidy conseguiu marcar alguns pontos tendo de largar do fundo do grid.

            O sucesso do ePrix de Tóquio, porém, não pode deixar passar batido que a pista montada ao lado do Tokyo Big Sight precisa ser reformulada. Por mais que a intenção dos organizadores fosse fazer uma corrida diferente da vista em São Paulo, eles parecem ter desaprendido que os novos carros Gen3, com estratégia ou não de gerenciamento de energia, precisam de pistas onde eles possam mostrar seu potencial, e o traçado concebido para a etapa nipônica foi, além de muito estreito, demasiado travado, o que limitou a chance de várias boas disputas que poderiam ter ocorrido, não fosse tão complicado ultrapassar. Curiosamente, Oliver Rowland perdeu a chance de vencer justamente pelo fato de a pista ser truncada demais. Se no início da corrida ele conseguiu se proteger das investidas de Edoardo Mortara e Maxximilian Gunther justamente por casa das dificuldades da pista em fornecer pontos de ultrapassagem, foram essas mesmas dificuldades que depois ajudaram o piloto da Maserati a segurar a liderança e conquistar o triunfo em Tóquio.

Odaiba foi palco do montado circuito do ePrix de Tóquio (acima), apresentando a primeira prova de rua do Japão de uma competição automobilística, que ainda viu o time da casa, a Nissan, largar na pole-position com Oliver Rowland (abaixo), que por pouco não venceu também a corrida.


            A pista estreita e travada acabou fazendo com que vários pilotos esbarrassem nos outros em tentativas de ultrapassagem e disputas de posição, o que provocou o abandono de alguns pilotos, e complicou a posição de outros. Quem largou muito lá atrás ficou “preso” diante do tráfego de carros mais lentos, sem conseguirem avançar na prova, o que não ajudou a corrida a apresentar o mesmo grau de emoção que vimos em São Paulo. Por mais que os japoneses possam ter gostado do que viram na pista, diante da novidade do tipo de evento, a verdade é que eles não viram nem metade do show de disputa em potencial que a F-E é capaz de proporcionar, e que os torcedores paulistas puderam acompanhar em sua plenitude, com brigas em toda a pista, com os carros lado a lado, e com o triunfo e resultados finais desenhando-se apenas na reta de chegada. Há espaço ali para se proporcionar uma pista mais larga, e também menos travada, e que ainda assim atenda ao objetivo de se fazer uma corrida mais estratégica e tática em termos de consumo de energia.

            Se levarmos em conta que no próximo campeonato a categoria já irá ter o Gen3 EVO, considerado a segunda versão dos atuais carros de terceira geração, torna-se imperativo planejar com mais cuidado as novas pistas, a fim de que a categoria possa mostrar o que tem de melhor, que é a competição, e sua imprevisibilidade, e não um circuito truncado, lembrando as primeiras pistas utilizadas pela F-E, e que na época tinham sua razão de ser, diante das limitações dos carros e sistemas elétricos da época.

            Mas, voltando ao campeonato, a disputa segue equilibrada, com todo mundo tendo seus altos e baixos. Pascal Wehrlein vai tentando manter a constância, e graças aos problemas dos rivais, ainda se mantém na liderança da competição, com 63 pontos, mas sem conseguir mostrar a força que a Porsche teoricamente deveria ter, graças à eficiência de seu trem de força. Nyck Cassidy, da mesma forma, consegue se manter por ali, agora na vice-liderança, com 61 pontos, uma boa posição, mesmo com o abandono sofrido em São Paulo. Já Oliver Rowland, com presença ininterrupta no pódio nas últimas provas, saltou para o 3º lugar, com 54 pontos, um à frente de Jake Dennis, que segue firme na briga para tentar o bicampeonato, mas sem o destaque que muitos poderiam esperar em termos de favoritismo. A vitória de Gunther em Tóquio levou o piloto da Maserati para a 5ª colocação, com 48 pontos, de modo que temos os cinco primeiros colocados separados por 15 pontos, o que pode até parecer muita coisa, diante de apenas 5 corridas realizadas até aqui de um total de 16 previstas, mas precisamos lembrar que os resultados seguem imprevisíveis, e não há garantias de que isso não se repita nas próximas provas.

O público aprovou a F-E, que poderia ter mostrado uma corrida muito mais empolgante se a pista de Odaiba fosse mais larga e menos travada (acima), pontos que precisarão ser trabalhados para o próximo ano. Jake Dennis, da Andretti (abaixo), foi ao pódio, mantendo-se na luta pelo título, ao lado de Pascal Werhlein, com ambos dando ao trem de força da Porsche dois triunfos na temporada.


            Um exemplo é o desempenho de Sam Bird, que venceu a corrida em São Paulo com uma atuação irrepreensível, mas que em Tóquio foi praticamente uma negação, tendo largado em último, e em último se classificou ao fim da prova, quando poderia estar mais à frente na classificação na temporada. E temos também o caso de Mith Evans, que tem tido um desempenho abaixo do esperado até aqui, tendo brilhado somente na etapa de São Paulo, e que em Tóquio ficou pelo caminho, amargando um abandono que certamente não ajudou a aproveitar a oportunidade de largar bem à frente do parceiro de time Cassidy, que vem tendo um aproveitamento muito melhor, mas também tido seus reveses, como o abandono em São Paulo, quando tinha chances de assumir a liderança da temporada. Cassidy teve de brigar muito em Tóquio para sair com míseros 4 pontos, que pelo menos o ajudaram a manter Werhlein na alça de mira.

            Na esteira de potenciais vencedores que até aqui não brilharam, ou brilharam, mas não levaram, temos a DS Penske, que se mostrou forte em algumas classificações, mas não conseguiu converter em resultados, e a Envision, time cliente da Jaguar, que foi campeã de equipes no ano passado, superando a equipe de fábrica, mas que no presente momento vem decepcionando em termos de resultados, tendo apenas dois pódios, um de cada um de seus pilotos, que foram de segundos lugares, mas com ambos amargando várias etapas zerados, ou marcando pífios pontos. Uma frustração até equilibrada para ambos: Robins Frijns é o 9º colocado, com 21 pontos, enquanto Sébastien Buemi é o 10º, com 20 pontos. Mas enquanto a Jaguar lidera o campeonato de equipes, com 100 pontos, a Envision tem apenas 41, ocupando o 8º lugar. Na briga dos times que usam o equipamento da Stellantis, tanto a Maserati quanto a DS Penske não tem tido aproveitamento muito satisfatório: a DS Penske é a 5ª colocada, com 57 pontos, enquanto a Maserati, apesar de já contabilizar uma vitória, ocupa a 7ª posição, com 48 pontos. Aqui, o problema do time da marca italiana é Jerun Daruvala, novato do time e da competição, que apesar de ter um carro competitivo, está zerado na temporada até aqui. E pensar que o time teve chance de contratar Felipe Drugovich, que impressionou nos dois testes que fez com a escuderia no ano passado... Na DS Penske, Stoffel Vandoorne ainda não desencantou este ano, tendo apenas metade dos pontos conquistados por Jean-Éric Vergne.

            E ainda podemos relacionar Antonio Felix da Costa, que parece ter conseguido engrenar na Porsche nas últimas duas provas, finalmente deixando de ficar fazendo figuração. O português ainda tem muito chão para recuperar, ocupando apenas a 11ª colocação, com 20 pontos, contra os 63 de Wehrlein, mas precisa, e pode reagir, com o equipamento que tem em mãos, tanto que a Porsche já anda cogitando a possibilidade de mudanças no time para a próxima temporada, e nem é preciso mencionar quem poderá rodar no time alemão.

            O campeonato tem se apresentado bem mais imprevisível e disputado do que todos esperavam, e isso é bom para alavancar a competição, que volta a atrair novos interessados em participar, sejam como times e/ou fornecedores de trens de força, ou mesmo locais interessados em realizar corridas. Até onde irá esse equilíbrio e imprevisibilidade, não há como saber, mas com novas provas vindo por aí, as chances de não se conseguir prever o que pode acontecer só aumenta, o que deve dar ainda mais emoção às disputas pelo título. E quem ganha é o torcedor, que quer mais do que nunca disputas e brigas, e quanto mais imprevisíveis, melhor, e sem favoritos claros.

 

 

A Mahindra parece estar conseguindo mostrar evolução, mas ainda está penando para conseguir resultados nas corridas. Edoardo Mortara surpreendeu e esteve sempre entre os primeiros colocados na etapa de Tóquio, mas, como já vimos nas corridas mais recentes, a capacidade de gerenciamento e regeneração de energia do trem de força indiano novamente fez o suíço cair na reta final da prova. E como desgraça pouca é bobagem, Mortara ainda acabou punido por usar mais energia que o permitido, sendo desclassificado, a exemplo do que aconteceu com Sergio Sette Camara na etapa de São Paulo. Mas parece haver alguma luz no fim do tenebroso túnel do trem de força da marca indiana, já que seu time cliente, a ABT, acabou marcando pontos com Nico Muller, que terminou a prova em 7º lugar. Mas independente da evolução do equipamento da Mahindra, a ABT já se pronunciou que terá novo fornecedor em 2025, restando saber quem ele será. A entrada da parceria Lola/Yamaha, anunciada na semana do ePrix japonês, oferece uma nova alternativa para a categoria, que pode vir a calhar tanto para a ABT, quanto para a ERT, que visa encontrar um fornecedor mais confiável de trem de força para seus carros. Resta saber se o equipamento será competitivo, pelo menos mais do que os atuais que eles usam no momento...

 

 

A F-1 chegou a Suzuka, para a disputa do Grande Prêmio do Japão, sob tensão, devido ao forte terremoto ocorrido próximo a Taiwan, o que chegou a gerar alertas de terremoto e tsunami nas ilhas japonesas de Okinawa e arredores, além de, claro, colocar parte da costa oeste das ilhas nipônicas também sob alerta. Felizmente, os alertas já foram cancelados, e os tsunamis não se manifestaram como esperado, gerando alívio para as populações locais. Abriu-se preocupações a respeito de que isso poderia impactar a realização da prova japonesa, mas Suzuka está muito distante de onde o terremoto teve sua maior força, e além disso, a posição da cidade é mais na parte interna da grande baía que divide Suzuka de Nagoya, de modo que dificilmente a pista seria afetada pelo evento. As atividades do GP transcorreram normalmente já nesta sexta-feira, com a realização dos treinos livres de costume. E os japoneses poderão curtir sua segunda corrida de campeonatos internacionais em dois fins de semana consecutivos, já que no final de semana passado a Formula-E realizou com sucesso o ePrix de Tóquio, na região de Odaiba, zona sul da metrópole japonesa.

Mudando para o início da temporada, a pista de Suzuka está pronta para sediar novamente o Grande Prêmio do Japão de F-1.

 

 

Quem chegou a Suzuka ainda na corda bamba é a Williams. A equipe inglesa conseguiu reparar o chassi danificado por Alexander Albon em Melbourne, e para evitar ter de refazer os ajustes do carro do anglo-tailandês, este chassi ficará para uso por Logan Sargeant na etapa nipônica. A escuderia, contudo, não conseguiu providenciar o chassi de reserva, de modo que, se algum de seus pilotos se acidentar, e provocar danos no monocoque, o time ficará novamente sem poder participar com seus dois carros na etapa, demonstrando uma grande incapacidade técnica de providenciar os materiais mínimos de disputa de um GP. Situação vexaminosa para um dos times mais tradicionais da história da F-1, e que já teve seus momentos de glória na categoria, quando era até mesmo o time dominante. A gestão do Dorilton, grupo de investimentos dos Estados Unidos, que assumiu a propriedade da escuderia há poucos anos da família Williams, tinha como meta restaurar a capacidade do time, promovendo seu retorno ao pelotão intermediário, pelo menos, mas ao que se vê, o buraco é mais embaixo, e enquanto a Liberty Media, com pressão dos donos de equipes, barra a entrada de times comprovadamente sérios como a Andretti por motivos dos mais ridículos e egoístas, acaba tendo de conviver com uma situação que, em tese, afirmam não existir, quando dizem que todos os times atuais vivem “estabilidade” técnica e financeira na competição. E pensar que tempos atrás, todos os times tinham obrigatoriedade de possuir um carro reserva para qualquer eventualidade no fim de semana de GP...

 

quarta-feira, 3 de abril de 2024

FLYING LAPS – MARÇO DE 2024

            Já chegamos ao mês de abril, e os campeonatos automobilísticos mundo afora pisam fundo no acelerador em seus respectivos certames, e como é de costume, todo início de mês é hora da sessão Flying Laps, para relacionar alguns acontecimentos do mês anterior que porventura não tenham sido devidamente relatados nas postagens semanais regulares, sendo que nesta edição temos uma ênfase na abertura das provas da Stock Car, além de comentários não muito elogios a respeito da tentativa da Indycar de realizar sua primeira etapa extra-campeonato em mais de 15 anos. Uma boa leitura a todos...

A Stock Car Brasil deu sua largada para a temporada 2024 na pista de Goiânia, em Goiás, e com uma novidade: corrida Sprint, novidade importada da F-1 e da MotoGP, dividindo o evento inaugural do campeonato em duas provas, embora na prática, a categoria já tivesse adotado tal tipo de curso quando inventou as provas curtas e longas na competição, anos atrás, e transformado certas etapas em rodadas duplas. De qualquer forma, Rafael Suzuki, da TMG Racing, acabou vencendo a Sprint, que contou com 21 voltas. Julio Campos, da Pole Motorsport foi o 2º colocado, e Thiago Camilo (Ipiranga Racing) fechou o pódio. Gabriel Casagrande, o atual campeão da Stock, foi o 4º colocado. Daniel Serra teve um toque e acabou abandonando a prova, o único a não completar a corrida. Já Rubens Barrichello deu azar de ver seu motor morrer na parada obrigatória no box, e finalizou apenas em 18º lugar. Aliás, confusão nos boxes nas paradas obrigatórias, quando Allan Khodair (Blau Motorsport) e Felipe Baptista (Crown Racing) acabaram se enroscando ao entrar no pit lane, o que arruinou as chances de um bom resultado na corrida para ambos. Quem também não deu sorte foi Cacá Bueno (KFT Sports), que acabou atingido por Átila Abreu (Pole Motorsport) ainda na segunda volta, o que rendeu uma punição de drive-through para Abreu, que terminou a prova em 25º, imediatamente à frente de Bueno, o 26º.

 

 

Já na corrida principal da Stock, no domingo, Felipe Baptista deu as cartas de ponta a ponta na prova, depois do percalço sofrido na corrida Sprint. O piloto da Crown Racing controlou a corrida sem percalços, recebendo a bandeirada de chegada com mais de 5s de vantagem para Felipe Massa, da TMG Racing, que subiu ao pódio na 2ª posição, com Gabriel Casagrande (A. Mattheis Vogel) fechando o pódio em 3º lugar. Rubens Barrichello (Mobil Ale) também espantou no domingo o azar que teve no sábado, e finalizou a prova em 4º lugar, depois de ter largado em 20º. Quem mais uma vez não deu sorte foi Daniel Serra (Eurofarma-RC), e seu companheiro de equipe Ricardo Maurício, com ambos a terem problemas na parada obrigatória, quando a porca usada para travar um de seus pneus soltaram nos carros dos dois pilotos, fazendo-os perderem as rodas em plena pista, e ocasionando o abandono de ambos. Situação inusitada também foi a de Thiago Camilo, que passou por cima de um inflado de publicidade quando saía dos boxes, e a peça ficou presa na traseira de seu carro, arrastando-a durante a corrida, o que valeu ao piloto uma chamada obrigatória ao box para retirar a peça, além de precisar reparar a asa traseira, que tinha ficado danificada com o incidente, o que o deixou bem contrariado, com o piloto disparando críticas à organização da prova pelo amadorismo em ter deixado a peça inflável em uma posição onde poderia ser atingida pelos veículos de competição, o que acabou acontecendo com ele, arruinando sua corrida, com o piloto da Ipiranga Racing terminando a corrida apenas em 22º lugar, além claro, de oferecer riscos de segurança aos demais pilotos da competição.

 

 

A segunda etapa da Stock Car Brasil teve palco no circuito do Velocitá, na cidade de Mogi Guaçu, em São Paulo, e quem saiu comemorando a vitória nesta etapa, pelo menos na corrida Sprint, foi Felipe Massa, que ali comemorou seu terceiro triunfo na categoria de turismo nacional, e o 5º pódio consecutivo, mostrando estar mesmo em ótima fase na competição. Massa, porém, não teve vida fácil, com Rcardo Zonta (RCM-Motorsport) fungando na sua traseira durante boa parte da disputa, decidido a não deixar o piloto da TMG Racing ditar o rumo da disputa. Mas apesar da pressão, Zonta não conseguiu tomar a liderança de Felipe, tendo de contentar-se com a 2ª colocação. Felipe Fraga, da Blau Motorsport, fechou o pódio na 3ª colocação, um prêmio de consolação magro para quem tinha largado em 2º lugar, e disputava firme a vitória, até que a parada nos boxes complicou a situação de Fraga. Pior foi para seu companheiro de equipe Allan Khodair, que largara na pole-position e comandava a corrida, que despencou nas voltas finais e teve de abandonar a prova. Felipe Baptista (Crown Racing), por sua vez, acabou atingindo Rubens Barrichello, tirando o bicampeão da Stock da prova, o que lhe rendeu uma punição de 20s. Desastre para a Mobil Ale, que perdeu não apenas Rubinho, mas também Dudu Barrichello, que enfrentou problemas hidráulicos e precisou abandonar a prova. Foi uma corrida agitada, devido à chuva que caiu na pista do Velocitá, e complicou as estratégias de times e pilotos, mas a situação do sábado não seria nada, perto do que vimos no domingo. No dia da corrida principal, a chuva aumentou, a ponto de a direção da Stock simplesmente anunciar o adiamento da corrida, que será realizada junto à 5ª etapa da temporada, ali mesmo no circuito de Velocitá, entre os dias 29 e 30 de junho, quando a pista receberá novamente a Stock. A etapa, então, terá uma corrida extra no fim de semana, sendo realizada uma segunda corrida principal, que não pôde ser disputada neste mês de março, diante das chuvas que caíam na região no dia da corrida.

 

 

Com o adiamento da prova principal da Stock Car na pista de Velocitá, quem saiu no lucro foi justamente Felipe Massa, que com o triunfo na prova Sprint, assumiu a liderança do campeonato da Stock Car Brasil, com 137 pontos. Julio Campos, da Pole Motorsport, ocupa a vice-liderança, com 131 pontos. Bruno Baptista, da RCM Motorsport, ocupa a 3ª colocação, com 129 pontos. Gabriel Casagrande (A. Mattheis Vogel) é o 4º colocado, com 125 pontos. Rafael Suzuki, companheiro de Felipe Massa na TMG Racing, é o 5º colocado, com 118 pontos. Logo a seguir vem Felipe Baptista (Crown Racing) com 105; Lucas Foresti (A. Mattheis Vogel) com 104; Ricardo Zonta (RCM Motorsport) com 103; Thiago Camilo (Ipiranga Racing) com 87; e Rubens Barrichello (Mobil Ale) com 82 pontos, fechando os 10 primeiros colocados na classificação. A próxima etapa da temporada da Stock Car será no dia 21 de abril, na pista de Interlagos, em São Paulo.

 

 

A Indycar realizou seu Desafio do Milhão, prova extra-campeonato que foi realizada no dia 24 de março no circuito privado do The Thermal Club, na Califórnia, e a prova foi vencida pelo atual bicampeão da categoria, Álex Palou, da Ganassi, que largou na pole-position e praticamente comandou a prova de ponta a ponta, vencendo sem enfrentar nenhum contratempo. A segunda posição ficou com Scott McLaughlin, da Penske, com Felix Rosenqvist, da Meyer Shank, fechando o pódio da inusitada prova que teve apenas 12 competidores, e 20 voltas realizadas. Pietro Fittipaldi, o único brasileiro na Indycar, até conseguiu participar da corrida, depois de uma classificação em estilo minicorrida, mas acabou desclassificado por seu carro não ter sido completamente abastecido, o que gerou uma cena das mais constrangedoras para o piloto, tendo que andar extremamente lento na pista até o momento de parada da prova, num erro grotesco de sua escuderia. A bem da verdade, o evento acabou sendo um enorme fiasco, com uma corrida confusa, e para piorar, sem termos nenhuma disputa de renome na pista. A prova foi monótona e sem emoção, e uma nova realização da mesma deverá ser enormemente repensada, se a Indycar quiser de fato tornar o evento algo mais atrativo. Lamentavelmente, da forma como foi feita esta edição, foi um enorme fiasco. De positivo mesmo, somente o farto tempo de treinos livres, que foram utilizados por equipes e pilotos para tentar complementar os ajustes de seus carros, que não foram testados o suficiente na incipente pré-temporada realizada pela categoria em fevereiro, o que gerou críticas dos pilotos, entre eles o próprio Palou, que reclamava de ser necessário mais tempo para que todos pudessem desenvolver seus equipamentos a contento para a competição da temporada. Assim, já que tinham um tempo considerável de treinos livres, as escuderias tentaram aproveitar a oportunidade. De ressaltar que a Indycar já havia usado a pista do Thermal Club em uma sessão de testes de pré-temporada em tempos recentes, de modo que a atividade não foi de todo inédita dos times no circuito privado da localidade na Califórnia.

 

 

Não dá para culpar a Indycar por tentar algo novo no intervalo de cerca de um mês e meio que ficou no calendário da temporada 2024, entre a prova inaugural em São Petesburgo, na Flórida, e a segunda etapa da competição, em Long Beach, na Califórnia, no dia 21 de abril. Provas extra-campeonato, por um lado, já foram algo razoavelmente comum nas categorias Indy há tempos atrás, e teoricamente, nada de errada havia na idéia de fazer um evento deste tipo. Porém, o modo como foram definidos os procedimentos para a realização do evento não foram dos mais adequados. Pra começar, a corrida ter só 20 voltas parece algo ridículo para uma categoria cujas corridas costumam ter até quase 100 voltas em se tratando de pistas mistas como era o tipo de circuito do Thermal Club. E que sentido havia de, atingidas 10 voltas, fazer uma “pausa” na corrida, de 10 minutos, com todo mundo nos boxes, com os pilotos relaxando, e equipes mexendo nos carros? Fosse algo de maior duração, vá lá, mas depois de apenas 10 voltas? Para complicar, a maioria dos pilotos praticamente andou em modo passivo nestas primeiras voltas da competição, sem ter nenhum desempenho que chamasse a atenção. Totalmente broxante. Fazer a classificação em corridas preliminares também não agradou, deixando o sistema confuso para quem acompanhava pela televisão. Aliás, falando em TV, a transmissão do evento, feita pela emissora NBC e pelo sistema de streaming Peacock, resultou na mais baixa audiência de uma prova da Indycar nos últimos dois anos, e sem enfrentar nenhum evento esportivo concorrente no mesmo horário, um verdadeiro anticlímax para a categoria, que poderia ter feito algo muito melhor quando resolveu criar esta etapa extra-campeonato. Aliás, nem houve público propriamente dito, já que o Thermal Club é uma espécie de condomínio privado, onde só para se poder ter uma casa ali é preciso desembolsar algo em torno de US$ 5 milhões, e mesmo entre os moradores locais, não pareceu haver ninguém muito interessado em acompanhar a competição. Tivessem seguido os procedimentos de rotina das demais corridas, talvez tivéssemos algum agito a mais nas atividades de disputa efetivas, mas deu a impressão de que, na ânsia de tentar fazer do evento algo “diferente”, fizeram uma forte aposta, que não se pagou. Conforme mencionei, tirando a boa duração dos treinos livres, todo o restante não esteve à altura do que se pretendia realizar. O circuito do Thermal Club tem um traçado e extensão das mais interessantes, e poderia ter rendido uma corrida muito melhor e mais disputada, não fossem as regras que estabeleceram para o evento. Até porque, em um evento extra-campeonato, sem contar pontos, em teoria os pilotos estariam muito mais motivados para arriscar e serem ousados, buscando os melhores resultados, sem comprometerem suas posições na temporada em disputa, mas o que tivemos foi justamente o contrário, dando a entender que, sem valer nada, times e pilotos se dignaram a fazer o mínimo na pista, com uma ou outra exceção. Se forem tentar algo similar futuramente, que aprendam com todos os erros cometidos nesta edição, a fim de evitar resultado semelhante...

 

 

A título de recordação, a última corrida extra-campeonato foi o GP de Surfer’s Paradise de 2008, realizado após o fim da temporada da então Indy Racing League (atual Indycar), para cumprir o contrato pendente com os australianos após o fim da Fórmula Indy original, que encerrou sua história de quase 100 anos de existência com o GP de Long Beach daquele ano. Mas a prova em Queensland não teve nenhuma mudança mirabolante no regulamento, tendo sido realizada de acordo com as mesmas regras das demais corridas da competição, e por isso mesmo, não tendo passado nenhuma vergonha como foi o evento do Thermal Club...