sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

UM CALENDÁRIO PARA A FÓRMULA-E EM 2021

A F-E anunciou novas provas para tentar montar seu calendário de 2021 em meio à pandemia da Covid-19, que já obrigou a descartar provas e adiar corridas.

            Assim como a Fórmula 1, a Fórmula-E tenta se organizar para conduzir o seu campeonato neste ano conturbado de 2021, ainda dominado pela pandemia da Covid-19, que já provocou o adiamento da prova inaugural da temporada, que deveria ter sido realizada neste mês de janeiro, aqui na América do Sul, em Santiago, capital do Chile. Infelizmente, a realidade é que a situação da pandemia, ainda forte, e com tendência a piorar no curto prazo, enquanto a vacinação não começar a surtir efeito, obrigou a mudança de planos. Mesmo assim, a direção da categoria de carros de competição monopostos 100% elétricos ainda se mantém otimista para conseguir fazer uma boa temporada, e talvez até a maior de sua curta história.

            Daqui a três semanas, a categoria inicia a competição, com a etapa em Diriah, na Arábia Saudita, que será uma rodada dupla, a ser realizada nos dias 26 e 27 de fevereiro. O destaque é que as duas provas serão realizadas à noite, marcando as primeiras provas noturnas da história da F-E. Será realmente muito interessante ver os carros de competição elétricos correrem à noite, com a categoria seguindo um caminho já apresentado pela MotoGP, Indycar, e F-1, entre outros certames, que contam com corridas noturnas em seu histórico.

            No final de janeiro, a organização da F-E divulgou um novo calendário com mais 6 provas, buscando dar seguimento à competição. Teremos o mês de março inteiro para esperar, e no dia 10 de abril, os carros voltam à pista, agora para o ePrix de Roma, na Itália, em uma nova pista montada nas ruas da capital italiana. Será preciso ver, contudo, como estará a situação da pandemia: a F-E quer ter público em suas provas, tanto quanto possível, e a prova de Roma, em circuito urbano, deverá ser complicada de realizar, pelos trabalhos necessários à montagem da pista. O novo traçado apresentado para a corrida romana tem 19 curvas, e 3,385 Km de extensão. A pista anterior possuía 21 curvas, e uma extensão de 2,84 Km. Se a vacinação em território italiano avançar, é possível que isso ajude a diminuir os riscos. Do contrário, o mais correto será ao menos fazer a prova ocorrer sem público, por mais que a direção da F-E não queira isso. Podemos ter também o adiamento da prova, ou o seu cancelamento, dependendo das circunstâncias.

O novo traçado para o ePrix de Roma.

            Na busca por alternativas, a F-E vai finalmente realizar uma corrida em circuito permanente, com o autódromo Ricardo Tormo, em Valência, na Espanha, recebendo a competição no dia 24 de abril. A F-E já teve corridas disputadas no circuito permanente Hermanos Rodriguez, na Cidade do México, mas em um traçado adaptado no circuito. E o palco das corridas disputadas em Marrakesh, no Marrocos, é uma pista temporária, não sendo considerado um traçado permanente. Não é um palco desconhecido para a F-E, que já realizou testes de pré-temporada em várias ocasiões no circuito valenciano. O que não se sabe, e a direção da categoria avisou que só será divulgado cerca de duas semanas antes da corrida, é qual traçado a F-E utilizará, dentre as opções oferecidas pelo autódromo. Muito provavelmente será a versão “National” da pista, que conta com cerca de 3,1 Km de extensão, e bons trechos de retas. A versão “Grand Prix” tem 4,0 Km de extensão, e é utilizada pela MotoGP, que lá compete todos os anos. Isso, contudo, ainda não foi confirmado, sendo apenas anunciado que estão estudando um traçado que atenda às necessidades da competição na F-E, e que irão surpreender quando divulgarem.

            No dia 8 de maio, é a vez do Principado de Mônaco receber a competição, e a novidade aqui é que finalmente deverão utilizar o circuito total, usado pela F-1. A corrida nas ruas de Mônaco tinha ficado em suspense, pelas dificuldades naturais de uma pista de rua, e pelo risco de aglomeração em um local que já é tradicionalmente apertado como Monte Carlo, mas o Automóvel Clube de Mônaco reafirmou seu compromisso de realizar tanto as provas da F-E, como o GP de carros históricos, e a prova da F-1. Torçamos para que a situação melhore, a ponto de ser possível a realização de todas estas provas, para felicidade dos fãs da velocidade. E, com um pouco de sorte, até maio, quem sabe os efeitos da vacinação comecem a se mostrar, e a dar esperanças de que a pandemia poderá em breve ser vencida...

Depois de sediar testes nas pré-temporadas, o circuito de Valência será palco de um ePrix no campeonato da categoria de carros elétricos.

            Ainda em maio, no dia 22, é a vez do ePrix de Marrakesh, no Marrocos. E no início de junho, nos dias 5 e 6, enfim teremos a etapa de Santiago, em rodada dupla. Com isso, já serão 8 provas, o que em tese já daria para se fechar um campeonato mínimo. No ano passado, a F-1 também começou anunciando poucas provas de início, para só mais adiante ir confirmando outras corridas, a fim de montar o calendário, diante das dificuldades impostas pela pandemia. E é o que a F-E está fazendo agora, ainda que, para muitos, até mesmo a realização destas corridas ainda é posta em dúvida, pelo momento de recrudescimento da pandemia, que está fazendo com que muitos países voltem a impor lockdowns, e fechar fronteiras e proibir viagens internacionais. Destas 8 provas marcadas, a Arábia Saudita deve abrir a competição, uma vez que o país sediou o Dakar no início de janeiro, tendo conseguido montar junto à organização da competição uma estrutura de suporte e apoio que permitiu a realização da competição, apesar das rígidas restrições sanitárias, o que deve ser feito também com relação ao pessoal da F-E. Já na Europa a situação tende a ficar mais complicada, a se manter o panorama atual, com casos e mortes disparando no Velho Continente.

            Mesmo assim, a direção da F-E ainda tem planos ousados para completar o seu calendário de competição deste ano. A intenção da categoria é conseguir realizar pelo menos mais 7 corridas, o que levaria a temporada a contar com 15 provas, o que seria o maior já realizado até aqui. A intenção é estender a possibilidade de correr até o mês de setembro, contando que, com o andamento da vacinação nos países, a pandemia comece a ser contida o suficiente para permitir as viagens da categoria, mesmo com os protocolos de segurança sanitários. O objetivo é tentar voltar aos conhecidos palcos de Berlim, Nova Iorque, e Londres, além de finalmente estrear o ePrix de Seul, na Coréia do Sul, e tentar retornar a Sanya, na China, sendo que esta última corrida deve ser mais complicada de ser realizada, uma vez que o país asiático proibiu eventos esportivos até o final deste ano, e o país permanece com suas fronteiras praticamente fechadas por causa da Covid-19.

            O plano de novas corridas, porém, não é fixo. A direção da F-E afirma que eles precisam ser flexíveis, e estar prontos para tentar criar novas rodadas duplas, ou tentar novas pistas, a fim de conseguirem mais provas. Segundo Alberto Longo, co-fundador da F-E, ainda há outras opções na mesa que estão sendo analisadas. Ele afirmou que as pistas anunciadas até aqui tem a firme intenção de permitir público para a realização da corrida, mesmo sabendo que isso não está garantido, admitindo que haverá provas em que os fãs terão de acompanhar mesmo só pela TV. De fato, é preciso ser realista para não prometer demais neste momento. Se conseguirmos ter um campeonato, diante de todas as dificuldades, como a F-1, MotoGP, e Indycar demonstraram no ano passado, já estaremos no lucro.

            O grid da categoria já está fechado. Teremos 12 equipes e 24 pilotos, a saber:

 

# Envision Virgin Racing: Robin Frijns e Nick Cassidy.

# Mercedes-Benz EQ Formula E Team: Stoffel Vandoorne e Nyck de Vries.

# Dragon/Penske Autosport: Nico Müller e Sérgio Sette Câmara.

# NIO 333 FE Team: Oliver Turvey e Tom Blomqvist.

# Jaguar Racing: Sam Bird e Mitch Evans.

# Audi Sport ABT Schaeffler: Lucas di Grassi e René Rast.

# DS Techeetah: António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne.

# Nissan e.dams: Oliver Rowland e Sébastien Buemi.

# BMW i Andretti Motorsport: Jake Dennis e Maximilian Günther.

# Mahindra Racing: Alexander Sims e Alex Lynn.

# TAG Heuer Porsche Formula E Team: André Lotterer e Pascal Wehrlein.

# ROKiT Venturi Racing: Edoardo Mortara e Norman Nato[28]

Lucas Di Grassi está com a Audi desde a primeira corrida, e fará sua última temporada pelo time da fábrica, que anunciou sua retirada da competição.

 

            Teremos Lucas Di Grassi defendendo o time oficial da Audi, em sua última temporada na categoria dos carros elétricos, já que a marca alemã anunciou sua retirada ao final do ano, e Sérgio Sette Câmara no time de Jay Penske como representantes brasileiros no grid. Aliás, teremos mudanças também na transmissão do certame em território nacional. O Fox Sports, que até agora havia transmitido todas as corridas da categoria desde sua primeira temporada, passa por um processo de desmonte que reduziu o canal a quase nada, após a aquisição do grupo Fox pela Disney, que já tem os canais esportivos ESPN. Mas os fãs da velocidade continuarão a poder acompanhar as corridas pela TV, uma vez que a TV Cultura adquiriu os direitos de transmissão da F-E, e deverá mostrar todas as corridas ao vivo em sua programação. A emissora ainda está montando o seu time de transmissão, e até o presente momento não anunciou nenhum nome para as funções de narrador e/ou comentarista, ou até mesmo de repórter, uma vez que poderia tentar ter a presença de um repórter in loco nos ePrixs. Deveremos ter novidades em breve, até porque temos menos de três semanas até os carros irem para a pista na Arábia Saudita.

 

 

Em entrevista à RAI Sports em entrevista recente, Fernando Alonso não reprovou a decisão da Ferrari de demitir Sebastian Vettel da escuderia no ano passado, ao afirmar que o piloto alemão não se provou o salvador da pátria que Maranello esperava. Vettel, tetracampeão mundial, chegou ao time italiano substituindo o piloto espanhol, que também era visto como o nome certo para levar a rossa de volta ao título mundial, e que também deixou a escuderia sem conseguir cumprir o seu objetivo. Mais do que um cutucão no rival alemão, Alonso fez questão de lembrar que Vettel, assim como ele, conquistou dois vice-campeonatos pela Ferrari, mas que isso não é lembrado pelo time. Por isso, a opção por Charles LeClerc, que é visto como um piloto de maior potencial no momento. De fato, foi complicado. O domínio imposto pela Mercedes nestes últimos anos foi arrasador, e mesmo os vice-campeonatos obtidos por Vettel na verdade não foram tão gloriosos assim, uma vez que Sebastian não ameaçou tanto a conquista do título por parte de Lewis Hamilton. Não que o inglês não tenha tido que suar o macacão para conseguir suas conquistas, mas estas sempre se definiriam a algumas etapas de encerrar a temporada, de modo que a disputa terminou antes da temporada. A única coisa que Alonso pode se orgulhar é que, pelo menos nas duas ocasiões em que ele foi vice-campeão, conseguiu levar a disputa até a última etapa, resultando em uma disputa muito mais acirrada. O espanhol cometeu muito menos erros na pista e sempre se mostrou focado no seu objetivo, enquanto Vettel infelizmente teve seus desaires nas corridas nos últimos anos muito mais destacados que as boas performances que demonstrou no time italiano. É preciso considerar também que o domínio da Red Bull na F-1, que coincidentemente levou justo Sebastian Vettel ao tetracampeonato consecutivo entre 2010 e 2013, não foi tão arrasador quando o da Mercedes, pelo menos em tempo integral, de modo que o espanhol teve um pouco mais sorte de conseguir equilibrar o jogo em diversos momentos, algo que Sebastian não teve chance de concretizar, em parte pelo domínio maior da Mercedes, mas infelizmente, também aos erros que cometeu, principalmente em 2018.

 

 

Curiosamente, tanto Sebastian Vettel quanto Fernando Alonso terão algo em comum nesta temporada de 2021 da F-1: ambos buscam uma forma de redenção de suas carreiras na categoria máxima do automobilismo. O piloto alemão, depois de se ver superado por LeClerc em 2019, e de ser praticamente escanteado da Ferrari no ano passado sem a menor consideração, pelo que já fez pelo time, procura se reencontrar liderando o projeto da Aston Martin, que quer se tornar um time de ponta e disputar vitórias na F-1. É uma prova para tentar mostrar que a fase ruim que teve na Ferrari de 2018 para cá foi só mesmo uma fase, e que ele ainda pode voltar a ser o grande campeão que foi, e voltar a brilhar na categoria, voltando a vencer corridas, e quem sabe, até disputar novamente o título, algo que ainda é muito cedo para afirmar, e até mesmo, se irá conseguir. Caso não consiga se sobressair contra Lance Stroll, seu novo companheiro de equipe, que embora não seja exatamente um mau piloto, também não é ninguém acima da média, Vettel poderá dar por encerrada suas aspirações de voltar a desfrutar do status e respeito que já teve um dia por seus pares e pelos times da F-1. No caso de Fernando Alonso, depois de sair pela porta dos fundos da Ferrari, malogrou no projeto malsucedido da união McLaren/Honda, que acabou sendo um desastre, sem resultados a serem comemorados, e que resultou em um tremendo desgaste por parte do asturiano perante os japoneses, que não engoliram as críticas do piloto ao equipamento fornecido na época, que era realmente ruim. Vendo que a parceria com a Renault não renderia vitórias, o espanhol preferiu sair da F-1, mas sempre com um aviso de que poderia voltar, o que acontece agora, e justamente no time por onde foi bicampeão na década retrasada, em 2005 e 2006. Alonso sabe que a Renault de hoje, chamada agora de Alpine, ainda está longe da competitividade necessária para voltar a disputar vitórias e títulos, mas parece que basta apenas mostrar que ainda é competitivo como foi nos anos em que acabou campeão. Conseguir apenas recuperar sua reputação de piloto excepcional que já foi um dia, quando era considerado o melhor do grid, é o que pode ser alcançado. Se conseguir liderar a Alpine/Renault ao menos de volta a uma vitória em um Grande Prêmio, já será um grande feito. Título? Talvez não mais, assim como Vettel, a menos que as novas regras técnicas a serem implantadas no ano que vem consigam fazer milagres, e permitam a seus times conseguirem alterar o atual status de forças vigente na competição...

 

 

Sobre a temporada da F-1, ainda fica a dúvida: quem irá transmitir a competição para o Brasil este ano? Continuamos no suspense...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

FLYING LAPS – JANEIRO DE 2021

            E cá estamos nós já entrando em fevereiro, o segundo mês do ano. A situação mundial continua complicada, devido à pandemia, mesmo que se vislumbre a esperança de tudo melhorar, com o início da vacinação contra a Covid-19 em vários países. Só que é preciso paciência, pois os efeitos só devem começar a ser sentidos em alguns meses, e até lá, nada de marcar bobeira com relação à pandemia. Enquanto isso, é hora de vermos alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridos neste mês de janeiro, onde tivemos alguns fatos interessantes do mundo da velocidade para reportarmos em tópicos rápidos com breves comentários, antes de adentrarmos os acontecimentos do mês de fevereiro. Portanto, boa leitura a todos, e até a próxima coluna Flying Laps do próximo mês...

James Hinchcliffe está de volta ao grid da Indycar em tempo integral. O piloto canadense, que ficou a pé no ano passado depois que a McLaren assumiu o controle da Schmidt-Peterson em seu programa de participação da categoria norte-americana, e resolveu dispensá-lo, ainda encontrou um refúgio na equipe de Michael Andretti, onde disputaria três corridas, que acabaram se ampliando para seis no final da temporada, com a dispensa de Zach Veach. E é com a Andretti Autosports que Hinchcliffe está voltando à competição, tendo conseguido firmar contrato para disputar toda a temporada 2021 da competição. James tem 6 vitórias no currículo na categoria, sendo que metade delas foi obtida em 2013, quando justamente defendia o time de Michael Andretti. Depois, conseguiu vencer mais três provas pela Schmidt-Peterson, entre 2015 e 2018. Tendo estreado em 2011 pela antiga Newmann-Hass, Hinchcliffe tem até o presente momento 145 provas disputadas na competição. Suas melhores classificações foram nas temporadas de 2012 e 2013, quando terminou a temporada em 8º lugar.

 

 

Enquanto um piloto volta à Indycar para competir toda a temporada, outro piloto começa a planejar um distanciamento. Marco Andretti, da terceira geração da família Andretti a competir nas categorias Indy, anunciou que não irá disputar toda a temporada 2021. O piloto alegou que tem tido maiores dificuldades para conduzir o atual carro da categoria, que tem uma traseira mais solta que não combina com o seu estilo de pilotar, como forma de justificar a fase de poucos resultados vista recentemente nos últimos dois anos. Uma das opções, segundo ele, seriam as corridas de carros esportivos, mencionando até desejo de competir no IMSA Weather Tech, o campeonato de Endurance dos Estados Unidos. Mas Marco reafirmou que manterá seus compromissos com a Andretti Autosport, time de seu pai, por onde sempre competiu na categoria. Para muitos, essa é a única razão da longevidade de Marco até agora na competição, já que seus resultados não são exatamente empolgantes, se comparado ao que conquistaram seu pai e seu avô Mario. Sua melhor temporada foi em 2013, quando terminou o campeonato numa bela 5ª posição. No ano passado, terminou o ano em 20º lugar. Mas ele parece reconhecer que talvez seja a hora de procurar ares mais adequados ao seu estilo de pilotagem, ao admitir que os carros atuais não casam muito com seu estilo de condução, embora isso não possa justificar a falta de resultados em outros momentos de temporadas passadas. Se ele deixar a Indycar, será um momento crucial, onde as categorias Indy ficarão sem um representante da família Andretti no campeonato pela primeira vez em muitas décadas, desde que Mario Andretti alinhou pela primeira vez numa prova na temporada de 1964, e desde então, todos os anos sempre houve um piloto do clã Andretti participando das corridas.

 

 

A ameaça da Covid-19 continua mexendo com os calendários das categorias do esporte a motor em todo o mundo. No caso da Indycar, por enquanto nenhuma prova da competição deste ano foi cancelada, mas já tivemos algumas alterações no planejamento inicial. Tradicional palco de início da competição nos últimos anos, a prova de São Petesburgo teve de ser adiada novamente, agora para o fim do mês de abril. Desse modo, a corrida do Alabama, no circuito misto de Barber, abrirá a temporada, no dia 18 de abril. E apenas uma semana depois, teremos então a corrida no circuito citadino da Flórida. Outra corrida que deveria ocorrer em abril seria o GP de Long Beach, mas a prova também mudou de data, e agora irá encerrar o campeonato, em setembro, perfazendo uma trinca de corridas em três fins de semana consecutivos, onde teremos a corrida de Portland no dia 12 de setembro, Laguna Seca no dia 19, e então Long Beach no dia 26, fechando a competição. Mais do que ajudar na logística de transporte das equipes e pessoal, a mudança também visa resguardar a segurança de todos frente à pandemia, uma vez que Long Beach, sendo um circuito de rua, geralmente causa mais aglomerações do que um circuito permanente, e a prova no balneário californiano ao sul de Los Angeles é uma das mais badaladas da competição. Se a vacinação conseguir avançar a contento até lá, pode ser que seja possível ter o público de sempre presente à corrida, o que não deixaria de ser uma boa notícia, e um fechamento mais condigno para a temporada. Esperemos que tudo ocorra bem para que isso possa acontecer...

 

 

Por enquanto, a temporada 2021 da Indycar segue tendo 17 provas planejadas, sendo pelo menos duas rodadas duplas, no oval do Texas, e em Detroit. O GP de Indianápolis terá duas provas, mas disputadas em meses diferentes: uma prova será no dia 15 de maio, e a outra no dia 14 de agosto. Uma semana antes, no dia 8, teremos a única novidade do ano, o GP de Nashville, a ser disputado na cidade. O governo dos Estados Unidos quer acelerar a vacinação de modo a atingir 100 milhões de pessoas até o final de abril, de modo a começar a controlar a escalada da pandemia da Covid-19. Por enquanto, o ritmo da vacinação não permite sentir mudanças para melhor nos números de casos e mortes da doença, sendo necessário paciência para se colher os resultados da imunização, vista como a única forma de se recuperar a normalidade de antes.

 

 

O brasileiro Gil de Ferran não é mais integrante da McLaren. O ex-piloto havia se juntado ao time de Woking em 2018, trabalhando na escuderia voltado à F-1, mas quando o time resolveu retornar em tempo integral à Indycar, assumindo parceria com a equipe Schmidt-Peterson, Gil acabou comandando o projeto em sua primeira temporada no ano passado, tendo tido bons resultados na pista. Mas o contrato de Ferran acabou não sendo renovado para 2021, e ele deixou o time. Gil foi bicampeão da antiga F-Indy em 2000 e 2001 pela equipe Penske, além de ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 2003.

 

 

O Brasil viu um brasileiro vencer de novo as 24 Horas de Daytona. Foi o 8º triunfo de um brasileiro na equipe de pilotos vencedora de uma das mais tradicionais corridas do automobilismo norte-americano e do mundo. Desta vez a honra coube a Hélio Castro Neves, um dos atuais campeões do IMSA Weather Tech Sportscar, categoria de endurance do qual a prova de Daytona deu a largada para a temporada de 2021. O piloto brasileiro competiu pela equipe da WTR (Wayne Taylor Racing), tendo como colegas de cockpit o português Felipe Albuquerque, e os norte-americanos Alexander Rossi, e Ricky Taylor. O carro Nº 10 conduzido pelo quarteto de pilotos andou sempre entre os primeiros colocados, mas a disputa foi acirrada durante toda a corrida, em especial com a Ganassi e com a JDC-Miller. Mas esta acabou ficando fora de combate durante a prova, assim como o carro de outros dois brasileiros, Felipe Nasr e Pipo Derani, também teve problemas de câmbio, e perdeu mais de 20 voltas no box com os reparos. Na parte final da corrida, o duelo entre o carro Nº 01 da Chip Ganassi e o Nº 10 da WTR estava prenunciando um final de prova eletrizante, com Felipe Albuquerque tendo de se defender dos ataques de Renger van den Zande no carro da Ganassi, que também fora pilotado por Kevin Magnussem, ex-F-1, e Scott Dixon, hexacampeão da Indycar. Mas com uma pilotagem precisa, o piloto português ia conseguindo usar o tráfego a seu favor para impedir um ataque mais incisivo do piloto da Ganassi. Só que, a menos de 10 minutos para o final da corrida, o carro 01 teve um pneu furado, precisando ir aos boxes para trocar o composto. Isso facilitou o triunfo da WTR, já que o colocado seguinte estava mais de 5s atrás, e não teria como descontar isso nas poucas voltas que restavam do tempo da corrida. Um triunfo que, apesar do azar dos rivais, foi conquistado na pista por seus pilotos, que sempre andaram muito forte em seus turnos de pilotagem. O carro da Ganassi acabou finalizando em 5º lugar. A Action Express, com seu carro Nº 48, com o quarteto Kamui Kobayashi/Simon Pagenaud/Mike Rockenfeller/Jimmie Johnson ficou com a 2ª colocação. Fechando o pódio em 3º lugar, o trio Oliver Jarvis/Harry Tincknell/Jonathan Bomarito no carro Nº 55 da Mazda Motorsports ganhou um belo prêmio de consolação, uma vez que não tinham conseguido acompanhar o ritmo dos rivais. Foram 807 voltas, e cerca de 4.623,52 km percorridos pelos vencedores, nesta 59ª edição da prova.

 

 

O Brasil também teve mais um representante no pódio em Daytona. Na classe GTLM, o brasileiro Augusto Farfus conseguiu um destacado 3º lugar para a equipe oficial da BMW, em companhia dos pilotos Marco Wittmann, John Edwards, e Jesse Krohn. A equipe Corvette fez dobradinha em sua classe, mas em vários momentos na parte final da prova, Farfus deu uma bela canseira na dupla da marca da Chevrolet, chegando a liderar em sua categoria. Mas apesar do esforço, o ritmo superior dos corvettes amarelos se impôs, faturando o triunfo em sua categoria, o que não desmerece a performance exibida pelo piloto brasileiro. Na classe DPi, depois de largarem na pole, Pipo Derani e Felipe Nasr, junto dos pilotos Mike Conway e Chase Elliott, da Action Express, terminaram em 8º lugar, cerca de 24 voltas atrás dos vencedores. Na classe GTD, Daniel Serra e seu carro da AF Corse terminaram em 8º lugar em sua categoria, e 29º na classificação geral. Marcos Gomes, da Scuderia Corsa, foi o 39º colocado geral, e 14º colocado na classe GTD. Todos competiram dando o melhor de si, embora nem sempre os esforços tenham sido recompensados. Mas assim é o mundo do automobilismo. Mas todos tiveram comportamentos dignos enquanto estiveram na pista, e certamente batalharão para estarem presentes no próximo ano, procurando sempre dar tudo de si, e lutarem pelos melhores lugares ao seu alcance.

 

 

O Mundial de Rali de 2021 começou, e a sensação é bem familiar à de outros anos mais recentes: Sébastien Ogier venceu de novo na estréia da competição, faturando o Rali de Montecarlo, e marcando seu nome nos anais do esporte a motor. Foi nada menos que a oitava vitória do piloto francês no rali de Monte Carlo, que o torna o novo recordista de triunfos da prova na competição off-road. O piloto fez uma comparação, ainda que indireta, com as seis vitórias obtidas por Ayrton Senna em Monte Carlo no GP de Mônaco de F-1, por colocar o seu nome como recordista de vitórias na etapa, assim como o brasileiro fez na F-1. Mas a nova vitória de Ogier faz com que ele tenha vencido a prova em nada menos do que três décadas diferentes, sendo a primeira ainda em 2009, quando o campeonato ainda se chamava Intercontinental Rally Challenge. Depois, todas as sete vitórias foram no atual World Rally Championship (WRC), com mais seis triunfos na década de 2011 a 2020, completadas agora por esta vitória em 2021, que abre outra década. E o francês também se destacou por vencer a etapa por nada menos do que cinco marcas diferentes, tendo obtido triunfos competindo com a Peugeot, Volkswagen, Ford, Citröen e Toyota. Não são marcas de se desprezar. Para a Toyota, foi uma vitória em dobradinha, já que Elfyn Evans terminou em 2º lugar, com 32s6 de desvantagem para seu colega de time francês. O belga Thierry Neuville fechou o pódio com a 3º colocação. Ogier, que já tem sete títulos no WRC, reafirmou que esta é sua última temporada, e tudo indica que ele quer encerrar sua participação na categoria com chave de ouro, obtendo um oitavo título, o que seria um grande feito, ficando abaixo somente dos nove títulos alcançados por seu compatriota Sebastien Loeb. Ou será que ele muda de idéia, e vai tentar igualar a marca? Os fãs torcem para isso acontecer, quem sabe, em 2022...