sexta-feira, 6 de julho de 2018

BALANÇO DA ÁUSTRIA

Lewis Hamilton começou o GP da Áustria pulando na frente e dando a entender que venceria mais uma, mas no fim, quem faturou mesmo foi Max Verstappen (abaixo), que deixou sua torcida laranja ao fundo comemorando.

            Com corridas boas ou ruins, não há como negar que a temporada atual da Fórmula 1 está cheia de altos e baixos. Mas ninguém pode dizer que a luta pelo título da temporada não está interessante. E a prova da Áustria, disputada domingo passado no Red Bull Ring, fez o campeonato mudar novamente de líder. Quando todos esperavam ver a Mercedes e Lewis Hamilton abrirem folga na pontuação, eis que deu tudo errado para os prateados, como há muito tempo não se via, em condições normais de corrida. A dupla prateada, que monopolizou a primeira fila do grid, ficou pelo meio do caminho. Valtteri Bottas, que certamente está precisando se benzer com alguém, para ver se sua sorte melhora, teve uma pane hidráulica em seu carro, enquanto Hamilton, que já tinha seus próprios problemas, parou a poucas voltas do fim, com problemas na pressão de combustível de seu monoposto.
            O resultado, com o terceiro lugar de Sebastian Vettel, recolocou o alemão na dianteira do campeonato, e com apenas 1 ponto de vantagem para Hamilton. E com 12 corridas ainda pela frente. Aliás, hoje mesmo todo mundo volta à pista, e em Silverstone, palco sagrado do automobilismo mundial, e que viu nascer aqui, no dia 13 de maio de 1950, o campeonato mundial de Fórmula 1, com a disputa da primeira corrida da história da nova categoria. E Lewis, que costuma brilhar aqui, vem mordido para esta corrida, decidido a retomar a dianteira da pontuação. Tudo indica que podemos ter uma corrida animada aqui, dependendo do ponto de vista, claro. Ah, sim, esqueci de mencionar que a Ferrari teve outro motivo para sair sorrindo de Zeltweg: com o 2º lugar de Kimi Raikkonen, o time de Maranello passou à frente da Mercedes no Mundial de Construtores, com 10 pontos de vantagem.
            Comemoração maior só na Red Bull: Max Verstappen venceu a corrida, e fez a festa do time dos energéticos, que apesar de ter sua sede em Milton Keynes, aqui na Inglaterra, corre sob a bandeira da Áustria. E o circuito de Zeltweg, antes chamado de Osterreichring, hoje se chama Red Bull Ring porque é propriedade de Dietrich Mateschitz, dono do império das bebidas energéticas do touro vermelho. E ele, bem como todo o time, festejaram como nunca essa inédita conquista do seu time de F-1 em sua própria pista. E com muita razão. Só Daniel Ricciardo não pôde engrossar a festa: seu carro quebrou durante a prova, e o simpático australiano tinha tudo para também subir ao pódio, e tornar a comemoração ainda mais apoteótica. Verstappen, aliás, parece ter colocado a cabeça no lugar, e quando não está arrumando encrenca na pista, mostra o talento que o faz ser uma das maiores revelações dos últimos tempos na F-1, e um futuro campeão mundial. E o garoto conseguiu manter o seu desempenho constante e defender sua liderança na pista em uma corrida onde inúmeros pilotos tiveram problemas com bolhas nos pneus, o que surpreendeu a muitos, e propiciou uma corrida cheia de alternativas e disputas. O desempenho de Max foi perfeito, conseguindo segurar sua liderança quando Raikkonen chegou bem forte nas voltas finais para dar uma pressionada no garoto. Mas Kimi nunca esteve perto o suficiente para tentar a ultrapassagem, e pôde comemorar – do jeito dele, claro, mais um pódio na carreira, e pela segunda corrida, terminar na frente de Vettel.
            Aliás, este foi um fato interessante: a Ferrari, que tantas vezes na maior cara de pau impôs suas manobras de equipe, e lá mesmo, na Áustria, deixou muita gente indignada com a patacoada de 2002, dessa vez deixou Raikkonen chegar na posição que merecia, mesmo com a disputa pelo título pegando fogo entre Vettel e Hamilton. Por um momento, a esportividade falou mais alto que a politicagem cretina do jogo de equipe, e a Ferrari merece os devidos parabéns por isso. Afinal, não faltaram vozes, até mesmo na sala de imprensa, se perguntando quando Raikkonen teria que dar passagem a Vettel, lembrando da política do time italiano quanto a seus pilotos. Para alguns, a Ferrari teria aprendido com os erros de suas atitudes do passado. E permitido a Kimi manter sua posição porque, neste momento do campeonato, nada está decidido ainda. Ou talvez o time italiano, que já anda meio ressabiado com a Liberty Media, atual dona da F-1, possa ter ficado com algum receio de fazer tal manobra novamente, e de novo em Zeltweg, lembrando das sonoras vaias que o time rosso recebeu em 2002. E, como o pessoal do Liberty tem um pensamento mais liberal, pois nos Estados Unidos, não existe esse negócio de “jogo de equipe” no meio do campeonato, vai que a Ferrari tomasse uma punição brava por maracutaia no resultado de uma corrida, ajudando a “denegrir” a imagem do esporte...? Especulação minha, admito. Mas quem sabe? Tentando fazer um bom esforço para resgatar a imagem da F-1 perante os torcedores, jogos de equipe poderiam ser um tiro no pé, ainda mais a esta altura da disputa...
            E, com o resultado da prova austríaca, temos 9 corridas disputadas, com vitórias em quantidades iguais para três escuderias diferentes. Foram 3 triunfos da Ferrari, três para a Mercedes, e outras três para a Red Bull. Situação mais do que interessante, onde podemos ver que tanto Mercedes quanto Ferrari parecem estar em pé de igualdade na luta pelo título, com algumas pistas, e pneus principalmente, caindo melhor para um time do que para o outro, em que pese uma pequena vantagem da Ferrari no cômputo global até aqui. E não por acaso o time de Maranello liderar a competição: marcou pontos em todas as corridas, tendo sua menor pontuação justamente na Espanha. Em contrapartida, a Mercedes ficou zerada na Áustria, o que não acontecia desde a corrida da Espanha de 2016.A Red Bull só não está mais perto das duas porque zerou por completo no Bahrein e no Azerbaijão. Caso contrário, poderia estar bem mais perto na classificação de construtores e de pilotos. É cedo para afirmar, mas se a Red Bull conseguir progredir mais do que Ferrari e Mercedes, pode ser capaz de chegar mais firme para a festa da luta pelo título, e quem sabe, fazer a disputa pegar fogo pra valer. É o que todos querem ver.
            Enquanto isso, quem também fez um corridão na Áustria foi a Hass, e com seus dois pilotos. Romain Grosjean, depois de comer o pão que o mecânico amassou desde o início do campeonato, finalmente desencantou e foi o destaque da escuderia estadunidense no final de semana, andando sempre forte e sem se envolver em confusões ou ter azares. E Kevin Magnussem terminou logo atrás dele, dando à escuderia um resultado que poderia ter sido conquistado já na Austrália, se não tivessem se atrapalhado todos nos pit stops dos pilotos. O 4º e 5º lugares do time o catapultaram para a 5ª posição no Mundial de Construtores. Force India e McLaren tiveram seus altos e baixos, mas conseguiram sair de Zeltweg no lucro: o time indiano, que vive uma grave crise financeira, fez o 6º e o 7º lugares, e só não superou a McLaren na classificação porque Fernando Alonso conseguiu se reencontrar na corrida, e abocanhou o 8º lugar, garantindo assim mais alguns pontos para ele e seu time. Mesmo assim, a McLaren caiu para 6º lugar, com o bom resultado da Hass. E sobrou festa também para a Sauber, que mais uma vez viu Charles LeClerc fazer outra excelente performance, terminando em 9º, e com Marcus Ericsson fazendo uma boa corrida, terminando em 10º, e também marcando uns pontinhos. Com isso, o time suíço está quase alcançando a Toro Rosso na pontuação (19 a 16 para o time de Faenza).
Romain Grosjean enfim espantou o azar nesta temporada e fez um belo 4º lugar, e a Hass também marcou a 5ª posição com Kevin Magnussem, no melhor fim de semana da equipe na F-1 justo em seu 50º GP.
            Aliás, desastre total para Renault e Toro Rosso em Zeltweg. Nico Hulkenberg ficou pelo caminho quando seu turbo foi pelos ares, enquanto Carlos Sainz Jr. ficou sem pneu e sem performance na parte final da corrida. Na Toro Rosso, o mesmo aconteceu com Pierre Gasly, traído pelos pneus com bolhas, enquanto Brendon Hartley acumulou mais um abandono, por problemas mecânicos no seu carro. Na Williams, pior que está não poderia ficar, e olha que Robert Kubica andou novamente no primeiro treino livre de sexta, só para constatar que o carro continua uma porcaria. Só não cruzaram em último porque Stoffel Vandoorne teve uma corrida errática, e conseguiu ficar até mesmo atrás da dupla de Grove.
            O comportamento inesperado dos pneus, que criaram bolhas nos carros de vários pilotos, acabou dando maior agitação à corrida, uma vez que alguns pilotos sofreram muito mais com o desgaste dos compostos do que outros. Hamilton não conseguiria vencer a corrida, tendo de fazer dois pit stops para manter o ritmo na corrida, e mesmo assim, já havia sido superado por Vettel quanto foi forçado a abandonar. A dupla da Ferrari acabou sendo menos afetada pelo problema, realçando o excelente comportamento de seu carro em preservar os compostos de pneus. Assim como também aconteceu algo curioso: o carro de Alonso, ao correr com o bico do carro do ano passado, passou a ter mais estabilidade e performance, o que permitiu ao espanhol crescer na prova. O que não deixa de ser um ponto negativo ao desenvolvimento do atual chassi MCL33, que parece não render como o velho MCL32 fazia questão de mostrar ter potencial. Aliás, Zak Brown pelo menos veio a público revelar que o carro de 2017 gerava melhor pressão aerodinâmica que o atual, o que comprova que o time não conseguiu mesmo criar um bom carro este ano.
Charles LeClerc marcou pontos novamente para a Sauber, enquanto Fernando Alonso conseguiu voltar a pontuar num GP.
            A escolha de pneus aqui para Silverstone é diferente da feita na Áustria, mas o desgaste prematuro dos pneus foi o que deu um pouco mais de graça ao GP, o que valida a crítica de que os compostos atuais estão sendo duráveis “em excesso”, e com isso tirando a imprevisibilidade que o comportamento menos durável dos compostos oferecia em outras temporadas, o que promovia um intenso quebra-cabeça aos estrategistas e pilotos para conseguirem ter sempre o melhor rendimento dos pneus em corrida. De uma estratégia de apenas 1 parada em Zeltweg, vários pilotos tiveram que parar 2 vezes, o que não era esperado. Será que a história se repete aqui na Inglaterra? Talvez não, porque as condições da pista são diferentes, e os compostos também. Mas, pelo sim, pelo não, acredito que as escuderias vão andar bastante hoje para tentarem acumular dados e evitarem surpresas na corrida. O que não quer dizer que elas não possam ocorrer assim mesmo.
            E outro lance interessante foi ver os carros quebrando na Áustria. E até a campeoníssima Mercedes, que prima pela resistência e fiabilidade de seu equipamento, ainda mais com as restritivas regras absurdas impostas pela F-1 na durabilidade de seu equipamento, acabou ficando pelo caminho. Foi a prova com mais abandonos no ano, ao lado da corrida da Austrália, onde também tivemos 5 carros ficando pelo caminho, devido a problemas diversos. É preciso afrouxar um pouco os limites de equipamento que os pilotos podem usar por temporada. Não é preciso voltar aos velhos tempos, mas obrigar os carros a serem quase inquebráveis também demanda muitos custos, e isso nem sempre se reverte em benefício para o show da competição esportiva. Nesse ponto, a corrida da China este ano teve apenas um abandono, e por barbeiragem entre companheiros de equipe, com Brendon Hartley a ter ficado pelo caminho, depois que ambas as Toro Rosso se tocaram em uma disputa de posição atrapalhada.
            Esperemos que a corrida neste domingo seja bem interessante e disputada, para o bem da competição, e do campeonato, que apesar de tudo, vem se mostrando bem disputado, apesar das corridas chatas que acabou apresentando. É verdade que não dá para termos sempre boas corridas, mas também é verdade que a F-1 não precisava dificultar tanto termos um número melhor de boas corridas na competição com suas regras em excesso e mal concebidas. Vamos ver o que Silverstone nos reserva esse ano. E, pelo menos como torcedor, espero que São Pedro compareça. Um pouco de chuva sempre torna a disputa mais interessante. Mas é claro que os times não curtem muito isso, e nem alguns pilotos. Mas o público, em especial o inglês, adora corridas complicadas, e provas na chuva sempre são assim, na imensa maioria das vezes...


A McLaren começou a fazer uma reformulação para tentar sair da crise. Depois de rifar Tim Goss há algumas semanas, esta semana foi a vez de Eric Boiller dar adeus ao time de Woking. Zak Brown informou que o time inglês precisará de uma verdadeira reengenharia para voltar a ser grande, e que isso não ocorrerá da noite para o dia. Parte das funções desempenhadas por Bouiller serão assumidas por Gil de Ferran, que já está executando suas novas atribuições aqui em Silverstone, como novo diretor esportivo da escuderia inglesa. O brasileiro já foi diretor da BAR na década passada, quando a escuderia vinha em ascenção, e foi um dos intermediários na contratação de Rubens Barrichello, que estava deixando a Ferrari. Com a Honda assumindo as rédeas do time algum tempo depois, Gil deixou a escuderia, voltando aos Estados Unidos. Fernando Alonso tem o brasileiro em alta estima, já que Gil foi seu instrutor no ano passado, quando o espanhol competiu nas 500 Milhas de Indianápolis, e ambos se deram muito bem, havendo respeito mútuo entre os dois profissionais. Resta saber se o brasileiro conseguirá somar forças para ajudar a McLaren a reencontrar o seu rumo, e voltar a ser grande. Meu receio é o time não conseguir dar a volta por cima como pretende, e Gil acabar sendo “queimado” no processo pela falta de resultados, uma coisa que alguém com a sua história e currículo no mundo do automobilismo não merece nem um pouco. E Brown não evitou revelar que, muito provavelmente, o setor técnico precisará ser reforçado e mexido, o que significa que, se o projeto do carro de 2019 não corresponder aos anseios de retomada do time às primeiras colocações nas corridas, muita gente poderá ter de procurar novos empregos. Resta saber quanto tempo isso demorará para apresentar os resultados esperados... Nesse ponto, a F-1 nunca é uma ciência exata...

quarta-feira, 4 de julho de 2018

FLYING LAPS – JUNHO DE 2018


            E o primeiro semestre de2018 já ficou para trás. Já se foi a metade do ano, e seguimos adiante, rumo ao final deste ano, agora pelo mês de julho, período de tradicionais férias para muitos, tanto no Brasil quanto na Europa, principalmente por estarem no meio do verão. Mas o mundo do automobilismo não para, e no mês de junho, tivemos muitas corridas rolando mundo afora, com destaque para as 24 Horas de Le Mans, a mais famosa corrida de endurance do mundo. Como não dá tempo de falar de tudo o que ocorreu, é hora de mais uma sessão Flying Laps, relatando e comentando alguns acontecimentos do universo do esporte a motor deste último mês do primeiro semestre deste ano, em meio às disputas dos jogos de mais uma Copa do Mundo. Portanto, uma boa leitura para todos, e no mês que vem, estarei de volta com mais uma sessão Flying Laps para todos. Até mais.


Enfim, o tabu caiu. A Toyota finalmente conquistou a sua tão sonhada vitória nas 24 Horas de Le Mans, no Mundial de Endurance. Um triunfo que não deve ser desprezado, mas que teria tido muito mais brilho se a equipe nipônica não fosse a única de sua classe a ser um time de fábrica, já que pelas regras que a direção do WEC impôs, seria impossível os outros competidores privados da classe LMP1 sequer desafiarem a performance dos Toyotas na pista de Sarthe. Sem a presença de outros times de fábrica, como Audi e Porsche, restou à equipe japonesa tentar não perder para ela mesma, já que tudo pode acontecer literalmente nas 24 Horas. E a lembrança da derrota ocorrida há poucos anos, quando o carro quebrou na última volta da prova, ainda era um pesadelo que assustava não apenas os japoneses, mas seus pilotos na corrida. Era também a única esperança dos demais times LMP1, que nunca conseguiram sequer se aproximar do andamento dos modelos TS050 híbridos dos nipônicos. Com desempenho de sobra, bastava a Toyota correr “em modo de segurança” para evitar riscos de quebras por forçar o equipamento, e então chegar à tão esperada vitória. E assim foi feito. Mas não sem sofrer alguns sustos pelo meio do caminho, como as punições que um de seus carros tomou por irregularidades no fluxo de combustível, e por extrapolar o número de voltas em um de seus stints no longo traçado de Sarthe. E acabou dando a lógica: venceu o carro Nº 8 dos japoneses, com o trio Sébastien Buemi/Kazuki Nakajima/Fernando Alonso, que já havia ganho a prova inaugural da temporada, em Spa-Francorchamps. E Fernando Alonso consegue enfim sua segunda vitória nas provas que compõem a Tríplice Coroa do Automobilismo. Ele já venceu o Grande Prêmio de Mônaco, e agora tem o triunfo nas 24 Horas de Le Mans. Falta a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, onde competiu no ano passado, e fez boa apresentação, até seu carro quebrar por problemas de motor. A Toyota ainda fez a dobradinha na prova, com o carro Nº 7, pilotado pelo trio Mike Conway/Kamui Kobayashi/José Maria Lopez, terminou a prova com 2 voltas a menos que o carro Nº 8, principalmente em razão das punições recebidas. Não fosse isso, e disputa pela vitória poderia ter sido mais aguerrida entre os bólidos da escuderia, já que o adversário mais próximo, o carro Nº 3 da equipe Rebellion, com o trio Thomas Laurent/Mathias Beche/Gustavo Menezes, terminou com 12 voltas de desvantagem para o Toyota vencedor. Ao todo, foram dadas 388 voltas no circuito.


Dos brasileiros presentes nas 24 Horas de Le Mans este ano, o melhor classificado foi Bruno Senna, pela equipe Rebellion na classe LMP1. Bruno e seus companheiros Neel Jani e Andre Lotterer, no carro Nº 1 da escuderia, terminaram na 4ª posição, com 13 voltas de desvantagem para o carro vencedor pilotado por Fernando Alonso & Cia. E chegaram 1 volta atrás do carro de seus companheiros de equipe no carro Nº 3, perfazendo uma dobradinha da Rebellion nas posições 3 e 4 da competição. A Rebellion foi praticamente o único time privado da classe LMP1 a chegar firme até o final, com os demais times ficando pelo caminho, ou chegando muito lá atrás. E na classe LMP2, vitória de André Negrão pela equipe Signatech-Alpine, ao lado de Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet, no carro Nº 36, com 21 voltas de desvantagem para os vencedores. Mas a vitória da Signatech só foi avalizada horas depois do final da corrida, quando se verificou que a G-Drive estava com o sistema de reabastecimento de seu carro Nº 26 irregular por mudanças implantadas sem autorização técnica, e que fazia com que a escuderia conseguisse reabastecer o seu carro com alguns segundos de folga em relação aos outros competidores, o que ocasionou a desclassificação da escuderia. Ainda na LMP2, Felipe Nasr, defendendo o carro Nº 47 da Cetilar Villorba, junto de Roberto Lacorte e Giorgio Sernagiotto, terminou em 19ª, com 47 voltas de atraso. Tony Kanaan, ao volante do carro Nº 67 da Ford Chip Ganassi, na classe LMGTE-Pro, terminaria em 20º, mas como a equipe deixou o brasileiro rodar abaixo do tempo mínimo de condução do carro, o bólido acabou punido, e rebaixado para a 36ª colocação. A 20ª posição acabou ocupada, então, por outro carro com outro brasileiro ao volante: Pipo Derani, competindo pela AF Corse Ferrari, também na classe LMGTE-Pro, no carro Nº 52, junto com Toni Vilander e Antonio Giovinazzi. O carro Nº 51 da AF Corse, também com outro brasileiro, Daniel Serra, competindo com James Calado e Alessandro Pier Guidi, terminaram em 22º lugar. Apesar dos percalços e dificuldades que afligiram alguns, todos eles chegaram ao final da prova, o que por si só já é algo a ser respeitado. Agora, é aguardar pela edição das 24 Horas de Le Mans do ano que vem, que fechará a atual temporada do Mundial de Endurance.


E a Suíça voltou a ter uma corrida de carros após mais de 60 anos de proibição das competições automotivas em seu território, ao sediar uma etapa da Formula-E, o campeonato de carros monopostos elétricos. O ePrix de Zurique foi uma prova interessante, e com várias disputas, que culminaram com a vitória de Lucas di Grassi, que já vinha flertando com a vitória nas etapas anteriores, e finalmente retornou ao degrau mais alto do pódio. Lucas largou em 6ºlugar, e foi superando os demais competidores, até alcançar a liderança, e não sair mais de lá. Mas quem foi o maior vencedor da etapa suíça foi o inglês Sam Bird, da Virgin, que largou em 3º e subiu ao pódio na 2ª posição, e que com o 10º lugar de Jean-Éric Vergne, líder da competição, aproximou-se bastante na pontuação, voltando a ter chances de conquistar o título da temporada. Vergne saiu de Zurique com 163 pontos, contra os 140 de Bird. Ainda são 23 pontos a favor do piloto francês da equipe Techeetah, mas teremos 58 pontos em disputa na rodada dupla de Nova Iorque, que fecha a competição, neste mês de julho. A parada não será fácil para Bird, que precisará torcer novamente por outro resultado ruim de Vergne na pista, o que pode ser difícil, mas não é impossível, como se viu em Zurique. Contudo, o piloto francês irá de sobreaviso para as corridas nos Estados Unidos, e certamente tomará cuidado redobrado para evitar resultados que possam colocar em risco seu favoritismo para levar o título da temporada. Outro que ambicionava disputar o título, mas decaiu muito nas últimas corridas devida a azares e outros percalços foi Felix Rosenqvist, que terminou a etapa suíça apenas em 15º, sem conseguir marcar pontos. Com isso, ele acabou superado na classificação por Lucas Di Grassi, que é agora o 3º colocado na pontuação, e deve manter essa posição, terminando o ano com a moral em alta, e mostrando que, se não fosse pelo início ruim devido aos problemas de confiabilidade de seu carro, poderia estar disputando o título com Sam Bird e Jean-Éric Vergne. Resultado similar ao de Sébastien Buemi, que ascendeu à 4ª posição no campeonato, mas que até agora não conseguiu vencer novamente uma corrida. Buemi também superou Rosenqvist, que ocupa agora a 5ª colocação no certame. Entre os times, a Techeetah é a favorita para levar o título na disputa de escuderias, mas a Audi ABT vem subindo rápida e fortemente, e pode ainda ter chances de vencer a disputa. É difícil, pois a diferença é de 33 pontos de desvantagem para a equipe da Audi, mas não impossível. Por outro lado, a Virgin, com seus 157 pontos, só pode torcer para a Audi não ter mais fins de semana positivos, se quiser terminar o ano como vice-campeã, embora o mais provável seja mesmo finalizar a disputa em 3º lugar, feito nada desprezível, mas que poderia ter sido melhor, se não tivesse tido azares em algumas etapas. A rodada dupla em Nova Iorque, neste mês de julho, encerra a 4ª temporada da categoria, nos dias 14 e 15, e marcará também o fim do uso dos atuais monopostos utilizados por todos os times, que serão substituídos por novos bólidos para a 5ª temporada, que estreará em dezembro, nas ruas de Riad, Arábia Saudita.


Depois de praticamente um ano e meio, eis que Jorge Lorenzo finalmente desencantou na Ducati. O piloto espanhol, contratado pela equipe italiana para comandar sua esquadra nas pistas da classe rainha do motociclismo vinha sendo muito menos efetivo do que Andrea Dovizioso, que surpreendeu ao disputar o título com Marc Márquez até o fim da temporada do ano passado. Mas uma hora, Lorenzo haveria de se entender com a desmosédici, e esse dia chegou no GP da Itália de MotoGP, na pista de Mugello. Jorge largou em 2º no grid, logo atrás do pole-position Valentino Rossi, e não demorou para superar o velho rival e ex-companheiro de equipe nos tempos da Yamaha, e assumir o comando da corrida. Mas Lorenzo teve que se cuidar: Andrea Dovizioso, que largara em 7º, não demorou a partir à caça do companheiro de equipe, e muitos já imaginavam se Andrea não superaria novamente o companheiro de escuderia, como vinha fazendo na imensa maioria das provas que disputaram juntos de 2017 até agora. Mas desta vez Lorenzo mostrou estar de fato no comando, e como nos velhos tempos, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, obtendo sua primeira vitória pela equipe de Borgo Panigale, e encerrando um jejum bem incômodo. Superado pela dupla da Ducati, Valentino Rossi bem que tentou estragar a dobradinha da equipe italiana, e até o final da prova não deu sossego a Dovizioso, terminando a prova em 3º lugar. Quem também fez excelente corrida foi Andrea Iannone, com a Suzuki, terminando em 4º, bem próximo de Rossi, e imediatamente à frente de seu companheiro de equipe, Alex Rins. Líder da competição, Marc Márquez não teve um bom dia, e finalizou em 16º, sem marcar pontos. Mas Márquez não teve muito do que reclamar, já que a imensa maioria de seus adversários na pista vem tendo muitas performances inconstantes na temporada, e o piloto da Honda seguia firme na classificação do campeonato.


Se alguns achavam que a vitória de Lorenzo em Mugello poderia ser algo apenas ocasional, o piloto espanhol tratou de mostrar em Barcelona, etapa seguinte do Mundial de MotoGP, que não era bem assim, e tratou de ir colocando as coisas em seus devidos lugares: Jorge Lorenzo não apenas venceu a prova disputada na Catalunha, como também anotou sua primeira pole-position com a Ducati, mostrando enfim sua velocidade de piloto campeão, e calando seus críticos, e a própria Ducati, que já andava descrente das capacidades do piloto espanhol adaptar-se à moto da escuderia italiana, sendo que sua substituição já era um assunto mais do que ventilado nas conversas de bastidores. Contratado por um acordo que lhe dava um grande salário, Lorenzo teria de aceitar um valor bem menor se quisesse permanecer em Borgo Panigale, haja vista seus resultados não terem correspondido durante toda a temporada de 2017, salvo raros lampejos, e ele também não vinha muito bem este ano, até o triunfo na etapa anterior, em Mugello. E, desta vez, o maior derrotado foi justamente seu companheiro Andrea Dovizioso, que além de cair durante a corrida, ainda viu-se igualado em número de pontos na classificação por Lorenzo, na primeira vez desde que ambos passaram a correr como companheiros de equipe, no ano passado. Marc Márquez recuperou-se do mau momento da Itália, e foi 2º colocado, tendo novamente Valentino Rossi em 3º lugar, lutando contra uma Yamaha ainda instável. E Lorenzo tratou de silenciar os boatos sobre seu futuro para 2019, ao anunciar seu novo contrato com o time oficial da Honda, passando a ser companheiro do compatriota Marc Márquez pelos próximos dois anos, substituindo Dani Pedrosa, que não mais correrá pela equipe. Isso vai ser bem interessante: vermos como Márquez lidará com um piloto tão agressivo e aguerrido como Lorenzo como companheiro de equipe...