quarta-feira, 13 de junho de 2018

FLYING LAPS – MAIO DE 2018


            E o mês de maio já era. Estamos no mês de junho, que encerra a primeira metade do ano de 2018, onde teremos a Copa do Mundo, a ser disputada na Rússia, como o maior evento do esporte mundial este ano, que começa nesta semana. Mas nem por isso o mundo da velocidade ficará parado, pois seus diversos certames, modalidades e campeonatos, continuarão a toda velocidade. E, por isso mesmo, apesar de algum atraso, é hora de mencionar, em alguns tópicos rápidos, alguns acontecimentos ocorridos no mês passado, em alguns dos campeonatos pelo mundo afora, sempre com alguns comentários a respeito, nesta nova postagem da sessão Flying Laps, em especial a MotoGP, Indycar e a Formula-E. Uma boa leitura para todos então, e espero que apreciem o texto. E mês que vem tem mais sessão Flying Laps por aqui. Até lá...


A quinta temporada da Formula-E, que terá início no final deste ano, já desperta muita curiosidade pela estréia do novo carro que substituirá os atuais chassis utilizados pelos pilotos, que além de um visual completamente diferente, mesclando características de monopostos e protótipos, permitirá correr o período total das corridas sem a necessidade de troca de carros, como é feito atualmente, graças às novas baterias mais desenvolvidas. O calendário ainda será divulgado, mas a direção da F-E já anunciou uma surpresa: a próxima temporada do certame de carros 100% elétricos terá início na Arábia Saudita, com uma prova nas ruas de Riad, a capital do país, no primeiro final de semana de dezembro. Muita gente torceu o nariz pela escolha dos sauditas para sediarem a mais nova etapa da competição, uma vez que o islamismo praticado no país não é lá dos mais moderados, e onde as mulheres não possuem muitos direitos, em que pese algumas reformas recentes promovidas pelo governo do país. Infelizmente, isso lembra que, há algumas décadas atrás, a própria F-1 não se furtou a disputar corridas na África do Sul, quando vigorava no país o odioso sistema discriminatório e racista do apartheid. Bernie Ecclestone simplesmente dava de ombros, e dizia que esporte e política não deviam se misturar, e se formos mais rigorosos, deveria ser questionada também a etapa da Rússia no calendário da F-1, uma vez que Vladimir Putin anexou a Criméia à força, e tem dado respaldo ao ditador da síria na guerra civil que já devasta o país do Oriente Médio há anos. Ou até mesmo deixar de correr na China, uma vez que o país anda recrudescendo em termos de direitos humanos. É um tema complicado, infelizmente. E muitas vezes, o esporte, infelizmente, não dá o melhor exemplo que todos gostariam de ver, com o lado mercadológico mandando para as cucuias qualquer ideal de solidariedade e esportividade que pudesse transmitir...


A Audi teve todos os motivos para comemorar o resultado do ePrix de Berlim, uma vez que o time conseguiu uma dobradinha, com a vitória de Daniel Abt em casa, e com Lucas Di Grassi mais uma vez chegando em 2º lugar, obtendo seu 4º pódio consecutivo. Jean-Éric Vergne, o líder do campeonato, teve alguns percalços na corrida, no duelo travado com Sébastien Buemi, mas no final, conseguiu finalizar em 3º lugar, e melhor ainda, foi ver o vice-líder, Sam Bird, fazer uma corrida abaixo das expectativas, e terminar apenas em 7º lugar, o que aumentou a diferença do francês para 40 pontos, restando três corridas para encerrar o campeonato. Daniel Abt largou na pole no circuito montado no antigo aeroporto de Tempelhof, e tratou de aproveitar a pista livre para ir embora, enquanto atrás dele, Lucas Di Grassi, que largou em 5º, tratava de recuperar as posições e tentar alcançar o parceiro de time. O brasileiro conseguiu ascender à segunda posição antes mesmo da parada para troca de carros, e até conseguiu sair colado em Abt, graças a um pit stop mais rápido. Mas Daniel voltou a apertar o ritmo, e Lucas desta vez não tinha como acompanhar, terminando mesmo em 2º lugar. Felix Rosenqvist, que até algumas corridas atrás era postulante ao título, teve outro fim de semana para esquecer: o piloto da Mahindra terminou em 11º, e não marcou pontos, o que deixou o dinamarquês com sua posição no campeonato em risco: com a vitória em Berlim, Daniel Abt agora tem 85 pontos, na 4ª posição na classificação, apenas 1 a menos que Rosenqvist, com 86. E não vem sozinho: Buemi, que foi o 4º colocado, é o 5º no campeonato, com 82 pontos. Em 6º lugar, e subindo a cada corrida, vem Lucas Di Grassi, com 76 pontos. A próxima corrida será no dia 10 de junho, em Zurique, na Suíça, e marcará o retorno de uma corrida ao país após o automobilismo ser proibido na década de 1950.


Nelsinho Piquet voltou a enfrentar vários problemas em mais uma etapa da F-E. O piloto da Jaguar largou apenas em 15º, e passou boa parte da corrida batalhando para chegar na zona de pontuação, sem conseguir avanços significativos. Nas voltas finais, Piquet partiu para cima dos adversários, e até havia conseguido atingir a 8ª colocação, mas errou uma freada, e acabou perdendo todo o esforço, terminando em 12º, e fora da zona de pontos mais uma vez. Como desgraça pouca é bobagem, Nelsinho viu seu parceiro na equipe Jaguar largar em 9º, e terminar em 6º, após uma performance combativa que o brasileiro não conseguiu corresponder à altura. Evans, aliás, superou o brasileiro na classificação, sendo agora o 7º colocado na classificação, com 51 pontos, enquanto Nelsinho é o 8º colocado, com 45 pontos. Piquet vem de quatro provas sem marcar pontos, estando em baixa no momento. E, para irritar o piloto brasileiro, ele descobriu que o vôo que iria pegar logo após a corrida para vir ao Brasil, onde disputaria as etapas de domingo do campeonato da Stock Car, foi cancelado, impedindo o piloto de participar da categoria nacional, que disputa paralelamente ao campeonato da F-E. Lucas Di Grassi, que assim como o compatriota, também vem disputando o certame da Stock este ano, preferiu concentrar-se na F-E no referido final de semana, e não ia participar das provas da Stock. A situação de ambos, contudo, é bem diferente na participação na Stock Car: Di Grassi já venceu 2 corridas e é o 8º colocado, com 68 pontos; já Piquet é o 28º classificado, com apenas 1 ponto. Problemas de adaptação, e situação dos times, Nelsinho precisa de uma reza brava para espantar a má fase, e voltar a conseguir os resultados pretendidos...


A MotoGP chegou à Europa para suas etapas do campeonato, e a primeira parada foi no tradicional GP da Espanha, no circuito de Jerez de La Fronteira, na Andaluzia. Na classificação, quem brilhou foi Cal Crutchlow, da LCR Honda, ao marcar a pole-position com o novo recorde para o circuito. Mas ele não conseguiu aproveitar a sua quarta pole na carreira: foi superado por Jorge Lorenzo logo no arranque da largada, e a meio da corrida, Crutchlow acabou caindo na curva 1, e saiu da corrida. Marc Márquez, saindo em 5º, foi à caça dos líderes, e travou bons pegas, e sem esbarrar em ninguém. A “Formiga Atômica” travou um bom duelo com Lorenzo pela liderança da prova, até que o piloto da Honda assumiu a liderança, para não perdê-la mais. E Lorenzo começou a ser acossado por Andrea Dovizioso e Dani Pedrosa, em uma disputa pela segunda posição. Sempre duro para ceder uma posição, Lorenzo dificultou o quanto pôde a ultrapassagem de Dovizioso, enquanto Márquez ia escapando na liderança. Andrea tentou passar o parceiro, e até conseguiu, mas teve de abrir na tangência da curva, e Lorenzo retomou a posição dando o “X”. Só que Dani Pedrosa aproveitou que ambos abriram espaço, e foi para a ultrapassagem, e Jorge voltou para o traçado sem prestar atenção, acertando seu compatriota da equipe oficial da Honda. Lorenzo caiu, e foi para a brita, levando junto Dovizioso, que não teve como evitar ser atingido também, enquanto Pedrosa acabou catapultado da moto, mas felizmente sem sofrer maiores ferimentos. Com seus perseguidores mais próximos fora de combate, Márquez averbou sua segunda vitória consecutiva na temporada. Com uma atuação sólida, Johann Zarco, da Tech3 foi o 2º colocado, e Andrea Iannone conseguiu um excelente 3º lugar com a Suzuki. Com sua dupla oficial eliminada da corrida, restou à Ducati comemorar o 4º lugar de Danilo Petrucci com a equipe satélite Pramac, enquanto Valentino Rossi deu duro para fechar a prova em 5º lugar, com a Yamaha ficando a dever em termos de performance no circuito espanhol.


A Ducati começa a apontar sua formação para 2019, e anunciou a renovação com Andrea Dovizioso por mais duas temporadas, a de 2019 e 2020, uma atitude mais do que lógica, e merecida para o italiano, que surpreendeu a todos ao disputar o título prova a prova com Marc Márquez no ano passado, levando a marca de Borgo Panigale de volta a uma decisão de título, que acabou não vindo, mas levou a contenda até a corrida final, em Valência. Quem está na berlinda é Jorge Lorenzo, que continua a não render o mesmo que Dovizioso no time, mesmo estando já em sua segunda temporada na escuderia italiana, que promete resolver a situação até o GP da Catalunha, no dia 16 de junho. A Ducati estaria propensa a renovar, porém com uma sensível redução salarial, uma vez que o espanhol, quando foi contratado, chegou à Ducati como tricampeão, e vencedor da temporada de 2016. E, para complicar as coisas para Lorenzo, a Ducati já vê com bons olhos a performances de Danilo Petrucci, que subiu ao pódio em Le Mans com um 2º lugar, e foi 4º em Jerez, e até mesmo de Jack Miller. Ambos competem pela escuderia Pramac, time satélite da Ducati na classe rainha do motociclismo. Pelo excelente campeonato disputado em 2017, Dovizioso ganhou um merecido aumento salarial, em que pese Lorenzo ainda ganhar muito mais pelo acordo firmado quando se deu sua contratação. A Ducati sabe que, diante do retrospecto de Jorge no time, é hora de pôr “os pés no chão”, e reequacionar a situação. A escuderia italiana não quer perder Lorenzo, pois sabe que se ele se ajustar, entrega resultados. Por outro lado, dispensá-lo também seria admitir um erro colossal que teria sido sua contratação. Há também o aspecto de solidariedade para com o time, e muitos não gostaram da postura do espanhol em Valência, no ano passado, quando bloqueou de forma insistente as tentativas de passagem de Andrea, que tentava superar o companheiro de equipe para tentar alcançar Marc Márquez, com quem disputava o título. Para alguns, ao não ceder posição para o parceiro de time, Lorenzo fez Dovizioso perder as chances que tinha de brigar com Márquez pela vitória, e quem sabe, conquistar o campeonato, fazendo o italiano perder muito tempo atrás dele, enquanto o piloto da Honda escapava na dianteira. Lorenzo não tinha possibilidades de entrar na luta pelo título, e sendo a última corrida, ele poderia ter dado sua contribuição ao permitir que Dovizioso o ultrapassasse logo de cara, e ele tentasse um ataque a Márquez. Podia não dar em nada, e Andrea acabar vice-campeão do mesmo jeito, mas Lorenzo mostraria sua boa vontade para com o time, ao passo que sua atitude demonstrou egoísmo e falta de companheirismo. Veremos como se dará o final dessa situação...


Indiferente aos problemas de Jorge Lorenzo, Marc Márquez segue em ponto de bala no campeonato. O piloto da Honda averbou sua terceira vitória consecutiva no ano, ao vencer o GP da França, em Le Mans, e aumentar ainda mais sua vantagem na classificação. Jorge Lorenzo até que começou bem, pulando para a ponta na largada, mas durante a corrida, foi sendo superado, e terminou em 6º lugar. O pole, Johann Zarco, levantou a torcida no treino de classificação, mas acabou caindo durante a corrida, para frustração de seus compatriotas, destino que também vitimou Andrea Dovizioso, que perdeu uma boa chance de marcar pontos. Danilo Petrucci, em excelente performance com sua Ducati da equipe Pramac, fechou a prova em 2º lugar, enquanto Valentino Rossi fez uma prova de recuperação com uma Yamaha um pouco melhor, e fechou o pódio em 3º lugar. Dani Pedrosa, depois dos percalços das últimas corridas, não teve problemas e foi o 5º colocado. Quem também não terá saudades desta corrida é Andrea Iannone, que depois de algumas boas performances nas últimas corridas, acabou caindo também, e dando Au Revoir à corrida. E alguém conseguirá parar Marc Márquez na corrida pelo título? Difícil, pelo que parece...
 



sexta-feira, 8 de junho de 2018

ENCRUZILHADA

A Toro Rosso terá a nova versão das unidades motrizes da Honda no GP do Canadá, onde os japoneses prometem melhorar substancialmente a potência. E o desempenho será cuidadosamente observado pela equipe matriz, a Red Bull (abaixo), que precisa saber se valerá a pena trocar as unidades da Renault pelas nipônicas.

            Hoje começam os treinos oficiais para o Grande Prêmio do Canadá, e uma das novidades aqui no circuito Gilles Villeneuve são as novas versões atualizadas dos propulsores Renault e Honda, que não por acaso estão no centro da grande dúvida que cerca o destino de uma das principais escuderias da F-1 para a próxima temporada: Afinal, com qual motor a Red Bull irá correr em 2019?
            Quando o acordo que permitiu à McLaren romper seu acordo com a Honda no ano passado, para poder utilizar os propulsores franceses este ano, e repassar as unidades de potência nipônicas para a Toro Rosso, todo mundo já antevia que um dos motivos, fora permitir que a Honda continuasse na categoria máxima do automobilismo, e não perdessem outro fabricante de motores, era que a Red Bull iria avaliar a evolução das unidades japonesas, visando a possibilidade de substituir os motores Renault que utiliza há uma década, e com os quais foram campeões nas temporadas de 2010 a 2013. Trabalhar com um time pequeno como a Toro Rosso permitiria aos japoneses da Honda terem tranquilidade e sem pressões para poderem desenvolver sua unidade de potência, que até o ano passado, depois de três temporadas equipando a McLaren, viraram motivo de piada na categoria, não conseguindo entregar nem confiabilidade, e muito menos performance. E sofrendo cobranças por vezes bem explícitas por parte do time inglês, que não teve mais a paciência para esperar os japoneses melhorarem seu equipamento.
            Os motores japoneses melhoraram para este ano, especialmente em confiabilidade, deixando de quebrar a torto e a direito. É verdade também que a escuderia de Faenza deu mais atenção às solicitações dos nipônicos quanto às necessidades de seu propulsor, que por vezes eram negligenciadas pela escuderia de Woking. Com a acessoria da Ilmor, a Honda já conseguiu fazer bons aperfeiçoamentos, e se a performance ainda está devendo, a marca prepara-se agora para tentar ir em busca desse objetivo. A nova versão que Brendon Hartley e Pierre Gasly terão à sua disposição aqui em Montreal terá, segundo a Honda, 40 HPs a mais de potência, sem comprometimento da confiabilidade. A se cumprir essa promessa, será uma boa evolução da unidade. Mas, será o bastante para fazer a diferença entre os propulsores japoneses e os demais motores diminuir significativamente?
            A Red Bull se queixa de que os propulsores da Renault não conseguem diminuir o déficit de performance para as unidades da Mercedes e da Ferrari, mas neste momento, o motor francês ainda é melhor do que o japonês. Seria, para alguns, uma troca do seis pelo meia dúzia, uma vez que com a Honda, o time dos energéticos continuaria refém de um equipamento com performance inferior. Mas será que com a evolução, a Honda pode passar a Renault? Não podemos esquecer que os franceses também estão trazendo uma nova unidade para uso neste circuito, e a meta dos franceses é diminuir significativamente seu déficit para os rivais. Fica a dúvida sobre qual equipamento pode ter o maior potencial de evolução, e é esse o ponto que deixa a Red Bull indecisa: permanecer com a Renault, que vem tentando desde o início da era híbrida alcançar Mercedes e Ferrari, o que não conseguiu fazer efetivamente até agora, ou apostar na Honda, que no atual momento, ainda está atrás dos franceses?
            A Renault já possui um time de fábrica, e vem investindo pesado para melhorar tanto o seu propulsor, quanto seu time. Apesar da melhor condição de competitividade da Red Bull, o time austríaco é uma equipe “cliente”. No caso da Honda, o time dos energéticos se tornaria o time de fábrica dos japoneses, que mesmo se permanecerem fornecendo suas unidades de potência para a Toro Rosso, farão do time austríaco sua prioridade máxima, o que significa que não apenas receberão os propulsores de graça, mas também receberão um aporte financeiro significativo, igual eles faziam quando estavam associados à McLaren, recursos muito bem-vindos, mesmo que, em termos orçamentários, a Red Bull não precise disso. No caso da Renault, a prioridade do desenvolvimento de suas unidades atende às necessidades de seu time de fábrica, com atenção também para seus times clientes, dividindo sua atenção entre estes times. A Honda daria dedicação integral à Red Bull, e a Toro Rosso, por sua vez, ficaria completamente em segundo plano. Uma diferença de tratamento que também seria muito tentadora para Christian Horner & Cia.
            O que complica a situação é o futuro das duas marcas, e o passado de ambas. A Red Bull já mostrou impaciência com os franceses, fazendo críticas públicas tão constrangedoras quanto as que a McLaren fez à Honda, a ponto de quase o time austríaco ter ficado sem fornecedor de motores. Somente depois de receber negativas veementes de Mercedes e Ferrari em fornecer seus propulsores ao time dos energéticos que seus dirigentes engoliram as críticas a seco e tiveram que ficar quietos, pois não havia outras opções de fornecedores. A relação nunca mais foi a mesma, e o passado de glórias do time austríaco junto com os motores franceses foi claramente esquecido, mesmo que parte das críticas com relação à performance dos propulsores fosse justificada. E, diante do fato de que a Renault ainda não conseguiu eliminar seu déficit de performance, permanece a insatisfação dos dirigentes do time austríaco, que agora tem uma opção para trocar de propulsor.
            Para isso, portanto, a Red Bull quer ver como se comportarão as novas e atualizadas unidades motrizes tanto da Renault quando da Honda. Tanto que já afirmou que tomará a decisão de escolher a unidade que utilizará em 2019 apenas em julho, o que desagradou à Renault, que já queria uma decisão no fim de maio, mas aceitou prorrogar o prazo, porque, afinal, apesar dos problemas enfrentados na relação, não quer perder um time como o dos energéticos no seu portfólio de clientes, e acabou novamente surpreendido pela decisão da escuderia austríaca. Para a Honda, claro, seria um lucro imenso trabalhar com um dos melhores times do grid, o que motivaria os japoneses a redobrarem seus esforços para prover uma unidade motriz mais competitiva no próximo ano. E eles estão claramente dando passos à frente, finalmente.
            Mas, será que conseguirão dar conta disso? A Honda, desde o final de sua primeira temporada com a McLaren, em 2015, sempre prometeu evolução. Em 2016, de fato, as coisas melhoraram, mas ainda longe do que se esperava. E, em 2017, com evolução “liberada”, ocorreu um forte retrocesso por parte dos japoneses, que acabou sendo a gota d’água na relação dos ingleses com os nipônicos. Será que o erro pode se repetir? Teoricamente, não, até porque se espera que a Honda tenha aprendido com os erros cometidos, mas quem garante que tudo dê certo como a Red Bull espera que ocorra? Por outro lado, a Renault também promete tirar a diferença de seu equipamento para as rivais Mercedes e Ferrari, e embora tenha feito grandes progressos, como as rivais não ficaram paradas, deu na mesma: a Renault continua até hoje atrás das duas marcas. Será que agora a Renault consegue cumprir a promessa, ou ficará devendo novamente?
A Honda só teria a ganhar fornecendo sua unidade motriz à Red Bull, mas será que seu desempenho vai ser superior às unidades da Renault? A marca francesa continuará fornecendo para a McLaren, além de seu próprio time, em 2019 (abaixo).
            E, se a Red Bull, mesmo conseguindo agora, com a Renault, incomodar Ferrari e Mercedes na pista, tendo até conseguido vencer já duas corridas no ano, onde seu carro claramente dá sinais da excelência do projeto de Adrian Newey, ainda está insatisfeita com a Renault, vai precisar, em teoria, estar preparada para um possível período de vacas magras com a Honda, caso firme a parceria, e ela se mostre complicada no início. As chances de a unidade motriz nipônica agora ser muito mais eficiente é infinitamente maior do que quando eles forneciam para a McLaren, mas se continuarem atrás de todos os outros, Christian Horner, Helmut Marko, e Dietrich Mateschitz vão ser compreensivos, ou começarão com as críticas? Já vimos esse filme antes, e a situação quase terminou mal para a Red Bull, portanto, eles que fiquem de sobreaviso. Não é querer ser pessimista, ou cantar que a Honda novamente vai fracassar, mas é preciso levar em consideração que a chance de contarem com uma unidade motriz menos eficiente que as demais em 2019 não pode ser ignorada.
            A Renault, claro, é quem tem a perder nessa história, pois ficaria sem o seu principal time na F-1 em termos de resultados, enquanto a Honda teria a chance de ouro para enfim conseguir brilhar na categoria máxima do automobilismo, como nos velhos tempos. Tanto que uma das condições dos franceses é renovar o contrato por pelo menos 3 anos, e nesse prazo, há outro ponto interessante a se considerar: ele englobaria a temporada de 2021, onde passarão a valer novas regras técnicas para os motores, com apenas um sistema de recuperação de energia. A intenção da marca francesa é manter todos os seus times de modo a conseguir ter o fluxo de informações de performance em pista inalterado, e assim, ter maior e melhor feedback no desenvolvimento a ser aplicado no projeto das novas unidades motrizes. Este prazo “prenderia” a Red Bull à Renault até o fim de 2021, e em tese, poderia ter a vantagem de, com as novas regras técnicas, novos fornecedores entrarem na F-1, oferecendo maiores possibilidades de escolha. Daria também à Honda um prazo maior para desenvolver seu equipamento, o que poderia lhes ser benéfico também, já que na Red Bull voltarão a sofrer as pressões por resultados de forma muito mais implacável do que na Toro Rosso, onde poderiam continuar a evolução de seus projetos com mais calma, possibilitando-os alcançar o grau de excelência que caracterizou seus motores nos tempos de Williams e McLaren nos anos 1980.
            Por isso, observar o desempenho das novas unidades motrizes aqui em Montreal ganha grande importância. A pista canadense tem bons trechos de aceleração, e conta com uma das maiores retas dos circuitos do calendário, impondo aos motores uma aceleração total em aproximadamente 70% do traçado, um desafio contundente para servir de avaliação da performance das unidades. A Renault está confiante de ter dado um passo à frente na evolução de suas unidades motrizes. Mas a Honda garante ter feito um trabalho muito mais substancial. Mas não podemos esquecer também que a Ferrari também está trazendo aqui importantes evoluções em suas unidades motrizes, que em tese pode deixar tudo na mesma. A Mercedes também trouxe inovações, mas optou por cancelar a utilização das novas unidades, após descobrir alguns problemas nos novos componentes, que passarão por nova verificação e avaliação na fábrica, antes de serem efetivamente utilizados. Com isso, as unidades de potência alemãs estarão indo para a disputa de sua 7ª corrida na atual temporada, mas o time prateado garante que isso não será um problema. De fato, se teve uma unidade motriz que até agora não apresentou problemas de confiabilidade, foi justamente a alemã, onde o mais próximo de um enguiço foi uma queda da pressão do óleo que levou Esteban Ocon, da Force Índia, ao abandono no GP da Espanha.
            Se o desempenho obtido com as novas atualizações feitas pela Honda confirmarem a evolução da performance do propulsor, a Red Bull terá muito mais segurança de promover a troca das unidades de potência para 2019 e dar um belo pontapé nos fundilhos dos franceses, o que vem querendo há tempos. Espera-se também que o carro da Toro Rosso corresponda, como aconteceu com o brilhante 4º lugar de Pierre Gasly no GP do Bahrein deste ano, dando ao piloto e à Honda seus melhores resultados na categoria, desde que os japoneses retornaram. Infelizmente, até o presente momento, aquele foi um resultado isolado, que a equipe B dos energéticos não conseguiu repetir, mostrando que os japoneses ainda tem muito chão pela frente para percorrerem, mas um indício muito promissor de que o potencial começa a ser exposto. Se com a nova evolução da unidade motriz, e ainda mais numa pista exigente como Montreal, e que possa ser repetida nas provas seguintes, a Honda mostrar serviço, os franceses que se preparem para ficar com um time a menos, e que poderá fazer muita falta na ajuda da coleta de dados para o desenvolvimento de seus propulsores. Mas, se os franceses também mostrarem serviço e evolução, o ponto de interrogação que já paira sobre a cúpula da Red Bull não apenas tende a permanecer como até ficar ainda maior. O que a pista do circuito Gilles Villeneuve nos mostrará? Este texto foi fechado nesta quinta-feira, e portanto, ainda sem saber como se desenvolveram os treinos desta sexta-feira.
            Só nos resta aguardar e ver quem estará dando as cartas. Adoro as corridas neste circuito porque geralmente a pista oferece sempre alternativas para boas corridas e disputas, e com uma imensa reta onde as ultrapassagens podem ser realizadas efetivamente. Aliás, este ano teremos três zonas de ativação do DRS neste circuito, o que deve deixar as disputas ainda mais concorridas. Vamos ver o que acontece...


Um momento histórico ocorre neste final de semana, com a disputa do ePrix de Zurique, marcando o retorno de uma competição automobilística à Suíça, que proibiu as corridas em todo o seu território após o violento acidente ocorrido nas 24 Horas de Le Mans de 1955. Recentemente, o país abrandou essa proibição, estabelecendo como exceção a disputa de corridas de carros elétricos, descrição que a Formula-E atende com perfeição. O traçado montado nas ruas de Zurique tem 2,46 Km de extensão, com 11 curvas. Jean-Éric Vergne, da equipe Techeetah, lidera o campeonato, e se conseguir abrir mais 17 pontos sobre Sam Bird na corrida suíça, poderá encerrar a disputa e conquistar o título da temporada, pois não poderá ser alcançado, mesmo que o inglês faça todos os pontos possíveis na rodada dupla de Nova Iorque, em julho. Vergne já tem 40 pontos de vantagem, e se chegar a 57, fatura matematicamente o campeonato, já que Sam Bird poderia marcar apenas 56 pontos nas corridas da metrópole estadunidense.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

BALANÇO DE INDIANÁPOLIS

Will Power deu à Penske a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis de 2018.

            E deu uma nova vitória da Penske na 102ª edição das 500 Milhas de Indianápolis. A honra de averbar a 17ª conquista do time de Roger Penske na Brickyard Line coube a Will Power, que fechou o mês de atividades da Indycar no Indianapolis Motor Speedway com chave de ouro: o australiano havia vencido também o GP de Indianápolis, disputado duas semanas antes, no circuito misto do autódromo. Dos pilotos da Penske na prova deste ano, apenas Helinho já havia vencido a corrida, em três oportunidades, e buscava a 4ª vitória, o que o deixaria empatado ao lado de feras da história da Indy500, como Al Unser, Rick Mears, e A. J. Foyt, os únicos a triunfarem por quatro vezes na corrida.
            A corrida deste ano, inclusive, foi fraca em comparação com os anos anteriores. Houve várias disputas, é verdade, massa intensidade e a quantidade de ultrapassagens foram inferiores às de anos recentes. O novo kit aerodinâmico, se por um lado mostrou-se mais seguro, impedindo que os carros decolassem em batidas, por outro lado também foi o principal responsável por diminuir a quantidade de disputas por posição na pista. Com menos downforce que os aerokists utilizados nos últimos anos, os novos carros eram mais ariscos e soltos, o que dificultava aos pilotos conseguirem seguir os carros à frente com a mesma facilidade que os utilizados até o ano passado. E com direito a um efeito colateral: vários bólidos passaram a sofrer de escapadas de traseira, o que levou vários pilotos a rodarem sozinhos durante a corrida, levando-os ao abandono.
            Entre as “vítimas” deste comportamento, estiveram nossos pilotos com chances de vitória na corrida. Hélio Castro Neves acabou vendo seu carro escapar, e fez o que pôde para evitar uma colisão com os demais competidores na pista, mas não conseguiu evitar de bater no muro interno, junto à entrada dos boxes, e dizer adeus às suas chances de tentar nova vitória na Indy500. Tony Kanaan, que já havia liderado a corrida, e havia sofrido com um pneu furado que o obrigou a um pit stop extra, já estava novamente em busca dos primeiros lugares quando sofreu uma escapada similar à do compatriota, e igualmente atingindo o muro do lado interno da pista, e deixando a corrida. Outro nome de destaque na prova, Danica Patrick, que fazia sua despedida das pistas, também acabou rodando e acertando o muro, encerrando sua derradeira participação nas 500 Milhas sem o resultado que almejava conseguir, depois de fazer um excelente treino de classificação e conquistar a 7ª posição na largada. Uma pena que na corrida, seu carro piorou de comportamento, e a piloto ao invés de avançar caiu para trás, tendo que batalhar com um carro mais nervoso no meio do tráfego do que o esperado, o que acabou colaborando para o seu acidente e abandono. Mesmo após os anos de ausência da categoria, Danica ainda mostrou estar em forma para competir firme em Indy. Ela bem que poderia rever sua decisão de pendurar o capacete e voltar no ano que vem, mesmo que só para essa prova, como alguns pilotos costumam fazer, e quem sabe, ter uma despedida mais digna das pistas. Quem sabe?
            O ponto positivo destes acidentes é que todos eles foram leves, e apesar das fortes pancadas, todos os pilotos saíram andando de seus carros, passando por exames no hospital apenas por precaução. Quase todos, aliás, rodaram sozinhos, tendo como destaque envolvendo outros carros o choque entre Takuma Sato e James Davison, que andava muito lento pela pista, e acabou colhido pelo japonês. Quem também acabou beijando o muro foi Sebastien Bourdais, mas sem a violência do acidente sofrido pelo francês no ano passado. Sage Karan teve o acidente mais violento, quando acertou o muro externo, e sua roda traseira direita se soltou, indo parar no muro do lado interno da pista, mas felizmente sem acertar ninguém, e com o piloto saindo ileso do seu carro batido.
Danica Patrick brilhou na classificação, mas acabou dando adeus à corrida em um acidente.
            Ed Carpenter, pole-position, fez uma corrida combativa, andando sempre entre os primeiros, e com pinta de finalmente chegar à glória de vencer a Indy500, mas acabou superado pelo piloto da Penske e acabou mesmo em 2º lugar. Outro piloto que teve uma atuação primorosa foi Alexander Rossi, que largou em último, e chegou em 4º lugar. Scott Dixon, depois de bater forte na edição do ano passado, mostrou a sua classe de sempre, e foi o 3º colocado. Ryan Hunter-Reay também andou forte, e foi o 5º colocado, logo atrás de Rossi, coroando um bom trabalho da equipe Andretti na corrida para os dois pilotos, e que ainda colocou Carlos Muñoz em 7º. Marco Andretti, o outro piloto do time, fechou a corrida em 12º lugar. Para a Penske, além da vitória com Will Power, Simon Pagenaud foi o 6º colocado, enquanto Josef Newgarden, apesar de alguns percalços, conseguiu terminar em 8º. Curiosamente, entre os pilotos da Penske, poucos acharam a prova de Power algo de destaque: ele ficou ali, na dele, durante quase toda a corrida, entre o pelotão da frente, mas sem uma performance que empolgasse o público, defendendo sua posição com fervor, partindo para cima dos adversários, etc. Mas, o que isso importa? Ele ganhou, e está tendo uma semana das mais cheias, cumprindo todo tipo de compromisso, seja com patrocinadores, seja com a mídia, entrevistando o mais novo piloto a conquistar seu lugar no cobiçado Troféu Borg-Warner, que reproduz o rosto de todos os pilotos vencedores da Indy500 em sua história. Mas também seria injusto não reconhecer que Power fez uma corrida eficiente: ele liderou 59 das 200 voltas da corrida, perdendo apenas para Ed Carpenter, que liderou 65 voltas durante a prova.
            Apesar da falta de um número maior de duelos pela ponta, a corrida teve vários pilotos que se revezaram na liderança, cerca de 15. Atrás de Power e Carpenter, Tony Kanaan foi o terceiro piloto que mais liderou, ao comandar a corrida por 19 voltas, seguido por Oriol Servia, com 16 giros; e Graham Rahal com 12 voltas. Zachary Claman de Melo, que não iria disputar a Indy500, e que correu apenas para substituir o lesionado Pietro Fitttipaldi, ponteou a corrida durante 7 voltas, mais até do que o principal piloto da equipe Dale Coyne, Sébastien Bourdais, que ficou na frente durante 4 voltas, empatado nessa estatística com Carlos Muñoz, também com 4 giros na ponta. Spencer Pigot, Stefan Wilson e Josef Newgarden lideraram 3 voltas cada um, enquanto Robert Wickens, uma das sensações da atual temporada, ficou na frente por 2 voltas. Por últimos, Simon Pagenaud, Alexander Rossi e Ryan Hunter-Reay estiveram na frente por apenas 1 volta.
Hélio Castro Neves (acima) adiou para 2019 o sonho de vencer novamente a Indy500, assim como Tony Kanaan (abaixo), ambos vítimas de rodadas com seus carros.
            Em termos de confiabilidade, apenas um piloto abandonou a corrida por problemas mecânicos: Kyle Kaiser, da Juncos. Todos os demais se deram por acidentes. Entre os pilotos que receberam a bandeirada, Max Chilton, Jay Howard e Zach Veach foram os pilotos que mais frequentaram os boxes, com um total de 10 paradas para cada um. Na outra ponta, Takuma Sato e James Davison fizeram apenas uma parada, já que ambos acabaram colidindo na 45ª volta, e foram os primeiros a abandonar a prova. Já os seis primeiros colocados conseguiram completar a corrida com o mesmo número de pit stops: 5 paradas nos boxes para cada um.
            Pelo que se viu em Indianápolis, o novo aerokit deve deixar as corridas em ovais da atual temporada menos disputadas do que se esperava. Mas pelo menos nos circuitos mistos e urbanos a situação parece bem mais empolgante, com várias disputas e trocas de posição. E a categoria não tem tempo para descansar: hoje mesmo os pilotos já estão de volta à pista para a rodada dupla no circuito do Belle Isle Park, em Detroit, para as corridas que serão disputadas amanhã e domingo. E as duas provas tem tudo para serem bem promissoras...


O Grande Prêmio de Mônaco conseguiu ser a corrida mais entediante da atual temporada da Fórmula 1. Tal como em Barcelona, as expectativas de uma corrida mais empolgante ficaram mesmo só na “expectativa”, pois nem mesmo os compostos hipermacios, que fizeram sua estréia em prova neste GP, conseguiram dar uma animada na situação, além da disputa pela pole-position no treino classificatório, que ficou para a Red Bull e um impressionante Daniel Ricciardo, que marcaram o novo recorde oficial do traçado monegasco. Os pneus duraram mais do que se imaginava na mão de alguns, e com a estratégia de apenas uma parada para todos, não ofereceu as alternativas de estratégia esperadas. Nem mesmo a possibilidade de chuva se concretizou: caíram algumas gotas esparsas no Principado, e nada mais. E, por incrível que pareça, nenhuma intervenção do Safety Car, pelo menos o real. A batida de Charles LeClerc, justo o piloto da casa, na traseira de Brendon Hartley motivou um safety car virtual, mas bem breve, até por que o piloto da Sauber conseguiu se dar ao luxo de bater em um ponto onde saiu para fora da pista, na freada da chicane do porto, enquanto Hartley conseguiu chegar ao box sem atravancar na pista, fora que os poucos detritos que caíram no traçado foram limpos com eficiência ímpar, já que a maior parte dos cacos de ambos os carros caíram na área de escape. Com isso, os seis primeiros colocados no grid simplesmente chegaram nas mesmas posições na bandeirada, com ninguém atacando ninguém. Cientes dos riscos de tentar uma ultrapassagem, todo mundo se acomodou onde estava, e sem surpresas na estratégia ou tentativas de passar no pit stop, todos optaram por manter posições, visando garantir chegar ao final. E sorte de Ricciardo também, pois seu carro sofreu uma perda de potência durante a corrida, que em outras pistas, fatalmente o levaria a perder a corrida, mas como era Mônaco, o sorridente australiano conseguiu enfim vencer a corrida, que liderou de ponta a ponta, sem que Sebastian Vettel o ameaçasse efetivamente na disputa pela liderança da corrida. E Hamilton, líder do campeonato, finalizou em 3º, e apenas diminuiu um pouco sua vantagem na pontuação. Nem mesmo Kimi Raikkonem e Valtteri Bottas conseguiram dar um tempero extra a esta corrida.
Daniel Ricciardo largou na pole e liderou de ponta a ponta o GP de Mônaco, secundado por Sebastian Vettel, e com Lewis Hamilton (abaixo) completando o pódio.


Quem poderia até dar uma agitada à monótona corrida monegasca seria Max Verstappen. Mas “Mad Max”, só para manter-se invicto, arrumou encrenca em Monte Carlo, quando repetiu a batida de dois anos atrás, ao estampar seu carro no guard-rail da saída dos esses da piscina, e com isso, ficou de fora do treino classificatório, uma vez que os mecânicos não conseguiram reparar o seu carro, que também precisou de uma troca do câmbio. Largando em último, o holandês resolveu ser um dos últimos a parar para fazer seu pit stop, o que o fez ganhar várias posições quando os demais pararam antes. Por isso mesmo, Verstappen fez uma corrida com poucas ultrapassagens, até mesmo para tentar terminar e marcar pontos, sem arrumar novos problemas, depois das críticas que o time lhe fez após mais um erro cometido por ele, quando tentou ser mais rápido que o parceiro, e acabou arruinando as expectativas de o time fazer uma dobradinha no Principado, como comprovou seu parceiro Daniel Ricciardo, ao marcar a pole e vencer de ponta a ponta. Ricciardo assumiu a 3ª posição no campeonato, e pode até sonhar em tentar se aproximar dos líderes Hamilton e Vettel, enquanto Verstappen ainda não teve uma prova sequer sem ter cometido algum erro na atual temporada. Por muito menos, a Red Bull “rebaixou” Daniil Kvyat, desestabilizando o piloto russo e literalmente queimando-o no time, resultando em sua demissão no ano passado. A paciência da escuderia austríaca com o arrojado holandês já mostra que tem limites...


Teria pegado mal a resposta afirmativa de Toto Wolf, quando questionado, se ele teria dado ordem a Esteban Ocon para que o piloto da Force India, equipe que usa os propulsores da Mercedes, para dar passagem a Lewis Hamilton quando o inglês voltou atrás do francês após fazer seu pit stop, para evitar que o atual tetracampeão perdesse tempo “trancado” atrás do carro da Force India, e com isso, também perdesse sua posição na pista para Kimi Raikkonem quando o finlandês da Ferrari, que vinha sempre próximo a Lewis na pista, fizesse sua parada. Ocon apenas respondeu que era um piloto “Mercedes”, e com isso praticamente entregando que obedeceu à ordem para deixar Hamilton ir embora, e não defendesse sua posição. Ordens de equipe pegam mal nas corridas, e eu, particularmente, até entendo quando se trata de uma corrida onde o título está sendo decidido, e apenas se um dos pilotos do time não tem mais chances na disputa. É a única situação em que tolero esta prática, e que deveria ficar restrita ao próprio time em si. Apelar para um outro time, dando uma ordem assim, é ainda mais reprovável, e um atentado contra o esporte em si. Mas a manobra efetuada pela Mercedes em relação à Force India não é algo inédito na história da F-1: Não vamos esquecer que em Jerez de La Fronteira, no encerramento da temporada de 1997, a Ferrari teria feito uma “solicitação” à Sauber para que seu piloto Norberto Fontana dificultasse a ultrapassagem de Jacques Villeneuve quando este fosse colocar uma volta em cima dele. A Sauber corria com motor Ferrari (rebatizado Petronas), e Villeneuve disputava o título com Michael Schumacher, que quando viu que seria superado pelo canadense, deu o seu tradicional chega-pra-lá no carro da Williams e acabou se danando… A Mercedes está se rebaixando ao nível de sua rival… E isso é muito ruim, para ela e para a imagem do esporte em si...