sexta-feira, 7 de abril de 2017

CHINA: SEGUNDO ROUND


A F-1 chega à China para mais uma corrida. Disputas mais empolgantes do que na Austrália, ou outra corrida sem empolgação?
            Depois de uma primeira etapa sem muitas alternativas e disputas emocionantes, do qual se salvou apenas a vitória de Sebastian Vettel, a Fórmula 1 inicia hoje os treinos na pista de Shangai disposta a mostrar um espetáculo melhor do que o visto no Albert Park. Por melhor que tenha sido o triunfo da Ferrari e de Vettel na etapa australiana, o restante da corrida foi de poucas disputas, com raras ultrapassagens, e com vários pilotos constatando o óbvio: ultrapassar ficou muito mais complicado com os novos carros, que se mostraram efetivamente mais velozes e difíceis de pilotar, mas também muito mais sensíveis ao fluxo aerodinâmico, e quando vemos um piloto do naipe de Max Verstappen também não conseguir atacar para tentar uma ultrapassagem, é sinal de que a situação pode ser mesmo bem mais complicada do que muitos imaginam. 
            Alexander Wurz, presidente da Associação de Pilotos da F-1, declarou que agora a F-1 é mais honesta, com os pilotos podendo acelerar mais livremente, e não ter de contar com artificialidades para gerar emoção. Pode até ser, e eu também não defendo que as ultrapassagens fiquem banalizadas. Porém, do que adiantam as disputas, se os carros são tão sensíveis a ponto de até mesmo pilotos arrojados terem de pensar para tentar uma investida de ultrapassagem? Não dá para fazermos uma avaliação precisa na primeira corrida porque a pista de Melbourne sempre foi complicada neste sentido, até mesmo com o uso da asa traseira móvel, e é uma pista de baixa aderência, já que é usada para competições apenas no fim de semana do GP.
            A situação é diferente agora. A pista de Shangai é um autódromo, e conta com uma das maiores retas do calendário, e com dois pontos de ativação da asa móvel. Pelas suas características, é um palco muito mais válido para verificarmos se os novos carros apenas dificultaram as ultrapassagens, e não as inviabilizaram completamente. Se o grau de dificuldade for demais elevado, os pilotos optarão por se manterem atrás e garantirem um resultado menor, mas chegando ao final, do que arriscarem-se e saírem da pista por perder o controle de seus carros, e talvez até darem adeus à prova. O temor é que isso gere filas de carros circulando uns atrás dos outros, sem duelos pelas posições, no caso de nenhum dos pilotos abrirem brechas na sua defesa na pista. No ano passado, foram cerca de 175 ultrapassagens aqui na corrida, muitas delas na longa reta de 1,2 Km de extensão. Se nem mesmo este setor aliviar a situação, e os carros continuarem empacados toda hora que encostam na traseira do carro da frente, vai ser um ano complicado em termos de disputas. E vale lembrar que em 2010, em Abu Dhabi, Fernando Alonso não conseguiu superar Vitaly Petrov nem mesmo na maior reta do circuito, que não era exatamente um trecho curto, mesmo dispondo do carro da Ferrari, muito mais eficiente do que o da Renault do russo...
            Com relação à competitividade da Ferrari em Melbourne, a Mercedes realmente acabou surpreendida com Vettel. Lewis Hamilton não conseguiu ir-se embora como imaginava, e a vantagem que abriu na pista até seu primeiro e único pit stop foi mais em virtude de o alemão da Ferrari controlar a distância para não pegar o ar sujo da Mercedes, e com isso, garantir a maior integridade de seus pneus. Tanto deu certo que Hamilton, forçando o ritmo para tentar se distanciar, acabou consumindo mais rápido seus compostos, indo ao box antes do esperado. Com pista livre à frente, Vettel enfim pôde acelerar, e o fato de Lewis ter ficado encaixotado atrás de Verstappen na pista acelerou a situação. Mas Vettel tinha reais condições de andar no ritmo das Mercedes. O alemão andou 6 voltas a mais que Hamilton, e no mesmo ritmo que o inglês vinha até então demonstrando quando seus pneus ainda estavam em bom estado. Mas o pior, para a Mercedes, veio depois do pit stop: como se não bastasse ter voltado atrás do piloto da Ferrari, Hamilton ainda viu Vettel começar a abrir vantagem, sem conseguir responder à altura, jogando por terra qualquer possibilidade de vitória em condições normais. A boa impressão vista em Barcelona realmente se confirmou, e o time prateado poderá se ver às voltas com uma Ferrari que deverá realmente incomodar nesta temporada. Mas ainda fica a pergunta: até quando, e quanto? Apesar do bom resultado na Austrália, se Hamilton tivesse conseguido voltar à frente de Sebastian, muito provavelmente teria vencido a corrida, muito mais pelas dificuldades que os novos carros oferecem às ultrapassagens do que pela performance propriamente dita.
            Devemos ter uma resposta mais elucidativa aqui na China sobre a relação de forças. Se Sebastian Vettel ou Kimi Raikkonen conseguirem duelar firme pela vitória contra Lewis Hamilton e Valtteri Botas, deveremos enfim ver um duelo entre os dois times pelo título, e isso poderá ser o grande lance do campeonato, uma vez que a última oportunidade em que pilotos de mais de um time duelaram efetivamente pelo título foi em 2012, entre Sebastian Vettel, então na Red Bull, e Fernando Alonso, na Ferrari. De lá para cá, apenas pilotos de um mesmo time monopolizaram a contenda pelo título da temporada.
 
As duas grandes retas da pista chinesa e suas zonas de ativação do DRS.
          
A Mercedes confirmou que chamar Hamilton antes da hora certamente foi equivocado. Tivesse o inglês se mantido mais tempo na pista, mesmo com os pneus degradados, muito provavelmente ele teria conseguido manter Vettel atrás de si, e na hora do pit stop, talvez conseguisse voltar à frente, e novamente, aproveitando-se das dificuldades de ultrapassagem, segurado o piloto da Ferrari. Lewis, por sua vez, afirmou que agora tem uma compreensão melhor dos pneus, e deve aproveitar melhor o seu potencial. De fato, correndo sozinha em quase todas as corridas das últimas três temporadas, começar um campeonato sem a tradicional supremacia dos últimos três anos pode ter deixado o time alemão com a guarda baixa frente a uma Ferrari bem mais competitiva do que se esperava, ou talvez não tanto como se gostaria, mas que soube fazer sua lição de casa e destronar a equipe prateada na prova inaugural da temporada. Mas também há que considerar os acertos dos carros: se Vettel não só pressionou Hamilton no início, e depois da parada foi-se embora, Raikkonen, com um carro idêntico, sofreu problemas em seus pneus, e justo ele, que conseguiu fazer corridas memoráveis na Lotus em seu retorno à F-1, certamente não esteve com seu carro com o acerto mais adequado. Ainda mais depois de ter feito o melhor tempo na pré-temporada, era de se esperar que tivesse um desempenho mais próximo de Vettel. E se Hamilton não tivesse tido problemas com seus pneus? Sebastian conseguiria superá-lo? Ou o inglês conseguiria reverter a desvantagem de estar atrás da Ferrari na pista? Perguntas que todos querem saber as respostas, e que poderemos ver algumas delas neste final de semana.
            A pista chinesa também deverá mostrar melhor a relação de forças das demais escuderias. Em Melbourne, a Red Bull foi facilmente a terceira força, mas ficou longe de discutir a vitória com Ferrari e Mercedes. Mas superou com facilidade a Williams, de quem se esperava um pouco mais, não para desafiar o duo ítalo-germânico, mas pelo menos com um ritmo mais próximo dos carros dos energéticos. Max Verstappen cruzou a linha de chegada quase um minuto à frente de Felipe Massa, que afirmou ter tirado tudo de seu carro na Austrália. O time de Frank Williams pelo menos parece ter condições melhores de disputa neste início de temporada do que no final do ano passado, mas não pode se acomodar. Na classificação, Felipe foi surpreendido por um inspirado Romain Grosjean, que conseguiu ser mais rápido que ele. Massa conseguiu largar melhor e se posicionar à frente, mas demorou um pouco para conseguir se desgarrar dos carros que vinham de trás. Com as particularidades do circuito italiano, ainda pesam algumas dúvidas sobre a real competitividade de cada carro. Williams, Hass, Toro Rosso, Renault e Force India ainda estão por demarcar suas verdadeiras posições na pista.
            De quem pouco se espera é da Sauber e da McLaren. O time suíço surpreendeu apenas pela excelente corrida de Antonio Giovinazzi, piloto reserva do time que teve de entrar no lugar de Pascal Wehrlein, que sentiu dores nas costas após os treinos livres da sexta e viu que não teria condições físicas de guiar a contento na corrida. O italiano cumpriu bem o seu papel, andando forte e não cometendo um erro sequer com aquele que é considerado o carro mais lento do grid, em termos técnicos, mas que está se saindo melhor do que o esperado neste início de temporada. Em compensação, a situação na McLaren está bem complicada. O time de Woking até conseguiu uma posição de largada razoável com Fernando Alonso, mais uma vez tirando leite de pedra do calvário que o time inglês vive há três temporadas de sua união com a Honda. O espanhol até conseguiu se manter em 10° lugar durante boa parte da corrida, posição que conseguiu manter um pouco com seu talento, e um pouco com a dificuldade dos carros atuais de serem ultrapassado, pois se formou uma fila atrás do bicampeão tentando passar. Só conseguiram no final da corrida, quando o carro de Fernando apresentou problemas, e ele foi forçado a abandonar. O resultado confirmou o péssimo ritmo tanto da McLaren quanto da Sauber: Stoffel Vandoorne foi o último colocado, 2 voltas atrás do líder, enquanto Giovinazzi foi o penúltimo, também a 2 voltas de diferença de Vettel.
            A situação de ambos deve ficar ainda mais complicada aqui na China. A pista tem duas longas retas onde a velocidade das unidades de potência serão colocadas à prova com a aerodinâmica muito mais eficiente dos carros, que deve deixá-los mais lentos nestes trechos, devido ao maior arrasto que as dimensões maiores dos bólidos possuem. E com a Sauber utilizando a unidade Ferrari de 2016, e a McLaren com os percalços de falta de potência e fiabilidade da Honda, não devem permitir vôos mais ousados. O próprio Eric Boullier já declarou que a pista chinesa deverá ser particularmente cruel com o modelo MCL-32, expondo não apenas o déficit de performance da unidade de potência da Honda, como as deficiências do chassi, que está longe de empolgar como deveria. Se os demais times renderem o que se espera, as duas escuderias deverão brigar pelos últimos lugares do grid. A dúvida é saber quem será mais lento. E, na teoria, a McLaren tem tudo para ocupar a última fila. O carro da Sauber, em tese de menor potencial, tem a seu favor a confiabilidade, um fator crítico do modelo da McLaren, no que tange ao propulsor, que tem de ser usado em modo limitado para garantir maior fiabilidade. Como desgraça pouca é bobagem, Alonso ainda revelou ter tido que andar em modo de “economia de combustível”, pois sua unidade demonstrou consumir mais do que o esperado, mais um ponto que terá de ser trabalhado para melhorar a performance.
            O time inglês, ao lado da Honda, corre contra o tempo para apresentar melhoras. A Honda prometeu um motor completamente novo para a etapa de Mônaco, e comenta-se que finalmente os japoneses tiveram que aceitar colaboração externa para ajudar a salvar o projeto do seu motor. Embora não tenham revelado quem está auxiliando, circula na Europa a notícia de que a Ilmor, que deu um grande impulso à recuperação da competitividade dos propulsores da Renault no ano passado, estaria efetuando essa colaboração a nível de “consultoria’. Resta esperar que dê resultados efetivos. Esta semana o próprio Yusuke Hasegawa, chefe do projeto Honda para a F-1, admitiu finalmente que o desafio imposto pela F-1 à empresa na criação das novas unidades de potência está sendo um desafio maior do que todos esperavam, e que é frustrante não conseguir apresentar os resultados esperados.
A Honda finalmente admitiu que o desafio da F-1 está sendo mais difícil do que todos imaginavam. Resta agora conseguir reverter a situação, o que vai ser mais complicado.
            Admitir que estavam despreparados para o desafio que encontraram e esperavam poder responder melhor já é um sinal positivo. Por mais que a Honda estivesse ciente dos percalços que estava enfrentando, os japoneses relutavam em admitir a situação de forma tão pública, uma vez que seria admitir seu fracasso. Mas reconhecer o fracasso é positivo quando você se conscientiza de que precisa rever suas opções e aceitar mudar seu método de ação. A “consultoria” da Ilmor, apesar de negada oficialmente, mas admitida nos bastidores, de forma muito discreta, talvez seja o melhor caminho para que a fábrica japonesa deixe um pouco o orgulho tradicional de seu povo e encare que precisa de ajuda para salvar o seu projeto. Ninguém é excelente em tudo, e de certa forma, deve ser tremendamente desconcertante a Honda admitir que hoje tem ainda muito a aprender nesta nova era de unidades híbridas de força, e não a ensinar, como ocorreu em fins de 1989 e início dos anos 1990. Aguardemos para ver o que pode resultar desta união de forças.
            Vejamos então se a China poderá nos dar uma imagem mais definitiva do que a F-1 será nesta temporada. As expectativas ainda são otimistas... Esperemos que possam continuar assim...
 

A Indycar acelera novamente neste final de semana, agora nas ruas de Long Beach, uma das corridas mais populares do calendário Indy. Na pista, Sébastien Bourdais tentará defender sua liderança do campeonato, após a vitória nas ruas de São Petesburgo. A Bandeirantes e o canal pago Bandsports transmitirão a prova ao vivo a partir das 17 horas no domingo.
 

 E a MotoGP também inicia hoje os treinos para sua segunda etapa do campeonato, em Termas de Rio Hondo, na Argentina. Depois da bela vitória no Qatar, Maverick Viñales é o piloto a ser batido, e pretendentes para isso não faltam, começando por seu próprio companheiro de equipe, Valentino Rossi, além da dupla do time oficial da Honda, Marc Márquez e Dani Pedrosa. Transmissão ao vivo no SporTV2 a partir das 16 horas de domingo.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

FLYING LAPS - MARÇO DE 2017



            O ano de 2017 avança, e o mês de março já ficou para trás. Estamos em abril, mês onde vários outros campeonatos, como o Mundial de Endurance, fazem a sua estréia. Diversos campeonatos TOP, como a F-1, Indycar, e a MotoGP, já iniciaram suas disputas, preparando-se para suas novas etapas neste mês de abril. E, como é praxe no início de cada mês, chegou a hora de mais uma sessão Flying Laps, relacionando alguns dos acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridas neste último mês, com alguns comentários rápidos sobre os mesmos, abrangendo assuntos que não puderam ser tratados nas colunas regulares de costume. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima sessão Flying Laps, em maio...


A temporada 2017 da Indycar começou com uma batalha renhida pela pole na etapa de São Petesburgo, na Flórida, onde os times equipados pela Honda mostraram uma força não vista na temporada passada, colocando oito de seus pilotos entre os 10 primeiros no grid de largada, e surpreendendo os times da Chevrolet, que só não foram a nocaute porque a pole-position ficou com Will Power, da Penske, que também colocou seu novo piloto Josef Newgarden largando em 4° lugar. Para os pilotos brasileiros, a situação não foi tão boa: Tony Kanaan ainda salvou a 6ª posição, mas Hélio Castro Neves ficou relegado à 16ª posição no grid. Quem mostrou mesmo força na corrida foi Scott Dixon, que largou na primeira fila, e teve uma corrida com algumas peripécias provocadas por uma bandeira amarela que o jogou para o meio do pelotão, obrigando o neozelandês a ter de fazer uma corrida de recuperação para voltar aos primeiros lugares, terminando em 3° lugar na bandeirada de chegada. Simon Pagenaud, o atual campeão, também precisou fazer uma corrida de recuperação, para sair de 14° e terminar em 2° lugar, mostrando que não foi o vencedor do campeonato do ano passado à toa. Mas o grande nome da corrida inaugural do certame 2017 foi mesmo o francês Sébastien Bourdais. De volta à Dale Coyne, Bourdais largou em último no grid, por não ter conseguido marcar tempo na classificação, mas na corrida, conseguiu aproveitar a bandeira amarela ocasionada por um toque entre Tony Kanaan e Mikhail Aleshin, que soltou alguns detritos na pista, e pulou para a liderança. Apesar de competir pelo menor time da Indycar, Bourdais contava com um carro muito bem acertado para o circuito urbano da cidade de São Petesburgo, e conseguiu não apenas se defender de um inspirado Pagenaud, que tentava ir à sua caça na luta pela vitória, como passou a abrir vantagem, mostrando um ritmo fortíssimo, e vencendo a corrida, num dia que se mostrou perfeito para o piloto francês. Foi uma bela estréia de campeonato, mas o bom momento de Bourdais deve durar pouco: seu time não tem a mesma estrutura e capacidade técnica dos demais competidores, de modo que novas vitórias na competição deverão ser complicadas, demandando mais golpes de sorte como o ocorrido em São Petesburgo, o que não quer dizer que sua esplêndida vitória desmereça o seu esforço na condução de seu carro, o que fez com maestria quando na liderança da prova. Seria muito bom voltar a vê-lo em um time de ponta, onde poderia mostrar o grande talento que o levou a ser quatro vezes campeão da F-Indy original, de 2004 a 2007, competindo pela hoje extinta equipe Newmann-Hass-Lanigan.


Tony Kanaan e Hélio Castro Neves tiveram sortes opostas na corrida de São Petesburgo. Enquanto Tony largou em 6°, Helinho precisou se virar no meio do pelotão detrás, partindo da 16ª colocação. Mas o carro de Tony não rendia bem desde o início, de modo que o piloto começou a ser acossado pelos competidores que vinham atrás. E acabou sofrendo um toque com Mikhail Aleshin, o que danificou parte da carenagem de seu carro, obrigando-o a ir ao box para reparos. Tony voltou no pelotão de trás, e tentou uma prova de recuperação, mas não foi além do 12° lugar, enquanto via o companheiro Scott Dixon subir ao pódio em 3° lugar. Já Hélio, com a ajuda da estratégia de seu time, ia ganhando posições na corrida, e finalizou em 6° lugar, agradecendo a seu time pelo esforço, especialmente no último pit stop, que o deixou à frente de Marco Andretti na pista, permitindo ao brasileiro aumentar o seu trem de corrida e ganhar distância. Agora é pensar na segunda prova da competição, no circuito de Long Beach, na Califórnia, no dia 9 de abril.


As equipes da Honda mostraram uma competitividade forte em São Petesburgo. Coube à Penske não apenas salvar a sua honra como maior time da competição, como da Chevrolet. Roger Penske viu 3 de seus pilotos terminarem entre os oito primeiros colocados, e só não conseguiu deixar o resultado completo porque Will Power, que havia largado na pole, e andava entre os primeiros colocados, acabou tendo um problema mecânico e abandonou a corrida a 11 voltas do final. A Penske, aliás, parece ser a redenção da Chevrolet, já que seus demais times não conseguiram mostrar bom desempenho na etapa inaugural do campeonato Indy. E tudo indica que os times da Honda irão dificultar ainda mais a parada: em teste realizado na pista de Barber, no Alabama, novamente os carros equipados com os motores e aerokits da fábrica nipônica andaram muito forte, com a Penske sendo o único time da Chevrolet a oferecer alguma resistência. E, levando em conta que Barber é um autódromo, uma pista bem diferente de São Petesburgo, tudo indica que a Chevrolet não terá este ano as facilidades vistas nos dois últimos campeonatos, onde praticamente não teve concorrência à altura por parte da rival Honda.


O Campeonato Mundial de Rali até que está demonstrando variedade nesta temporada, pelo menos quando o assunto são os vencedores. Até agora, com três etapas disputadas, tivemos três vencedores diferentes, de três times diferentes. Sébastien Ogier, o atual campeão, venceu a etapa inicial da competição, em Monte Carlo; Jari-Matti Latvala chegou na frente na Suécia; e agora, foi a vez de Kris Meeke faturar a etapa do México, e com direito a um acidente pra lá de inusitado e incomum: o piloto da Citroen saiu da pista e caiu em um estacionamento, a 1 km da bandeirada final da competição. Meeke conseguiu desviar dos demais carros, e ainda conseguiu cruzar a linha de chegada em primeiro e abocanhar a vitória, sua 4ª na categoria. Mas, para variar, a liderança do certame está justamente com... Sébastien Ogier! Competindo agora pela M-Sport, o francês terminou todas as três etapas no pódio, além de vencer a prova inicial. Com essa constância e regularidade, Ogier lidera o campeonato com 66 pontos. Na sua cola vem o finlandês Jari-Matti Latvala, com 58 pontos, obtidos com uma vitória e um pódio até aqui. Mas Latvala acabou a etapa do México em 6° lugar. Na 3ª posição, com 48 pontos, está o piloto Ott Tanak, da Estônia. Kris Meeke, vencedor da etapa mexicana, é apenas o 6° colocado, com 27 pontos, estando longe de ameaçar os líderes, no momento. Muitos apostavam que Ogier não conseguiria manter o mesmo domínio dos últimos anos, quando pilotou para o time oficial da Volkswagen, mas o intrépido francês está mostrando que a situação não é bem assim, e que os rivais terão de se aplicar para batê-lo. O domínio de agora pode não ser o mesmo dos últimos anos, mas se alguém acha que Ogier não é candidato ao título, pode derrapar feito na próxima curva. E vem aí justamente a etapa da França...


Depois de faturar as 24 Horas de Daytona no final de janeiro, a equipe Wayne Taylor repetiu a dose nas 12 Horas de Sebring, segunda etapa do campeonato IMSA Weathertech Sportscar, com o seu modelo Cadillac N° 10, com os irmãos Rick e Jordan Taylor, mais o piloto Alex Lynn, ao final de 348 voltas de competição no circuito misto do Estado da Flórida. A Cadillac, aliás, viu outros de seus protótipos fecharem o pódio: na segunda colocação ficou o carro N° 5 da equipe Action Express, com o trio formado por Christian Fittipaldi, João Barbosa e Filipe Albuquerque. Na terceira colocação ficou o carro N° 31, também da Action Express, com o trio Dane Cameron, Eric Curran e Mike Conway, que terminaram com 2 voltas de desvantagem em relação ao carro vencedor, que por sua vez, cruzou a linha de chegada com apenas cerca de 13s para o time de Christian. No campeonato, os irmãos Rick e Jordan Taylor lideram com 70 pontos, seguido do trio Christian Fittipaldi, João Barbosa e Filipe Albuquerque, com 65 pontos cada um. Em seguida, vem o trio Dane Cameron, Eric Curran e Mike Conway, com 56 pontos. A próxima etapa do campeonato é no dia 8 de abril, na pista de Long Beach.


A MotoGP iniciou seu campeonato deste ano com uma situação pouco comum na pista de Losail: chuva! Isso mesmo, choveu no deserto no fim de semana da estréia da competição, e o aguaceiro obrigou a direção da categoria a montar o grid de largada com o apanhado dos treinos livres, o que confirmou Maverick Viñales, estreando pelo time oficial da Yamaha, na pole-position para a corrida noturna da competição, à frente de Andrea Iannonne, seu substituto na equipe da Suzuki, e do atual campeão, Marc Márquez. A chuva deu uma trégua no domingo, permitindo as provas das etapas da Moto3 e Moto2, mas voltou a dar o ar da graça na hora da classe rainha, o que obrigou os organizadores a adiarem a largada duas vezes. Felizmente, a chuva passou e a pista secou o suficiente para a corrida ser iniciada. Favorito disparado pelos resultados mostrados na pré-temporada, Maverick teve um início de corrida um pouco passivo, com Johann Zarco, da Tech3, assumindo a liderança. A liderança de Zarco foi efêmera, pois o piloto caiu pouco tempo depois, e Andrea Dovizioso, que vinha em um ritmo forte com a Ducati, assumiu a ponta na corrida. Mais atrás, Viñales começava a se recuperar, com Valentino Rossi, que largada a meio do grid, vindo no embalo. Marc Márquez também tentava ir para a ponta, mas o italiano da equipe de Borgo Panigale andava muito forte, e o piloto da Honda também se via às voltas com um agressivo Iannonne, que não desgarrava de sua roda traseira. Mas com metade da corrida, foi a vez de Iannonne cair da moto, e dar adeus à prova. Mas Márquez passou a ser perseguido pela dupla da Yamaha, em franca recuperação. Não demorou para Viñales e Rossi superarem o atual campeão, e partirem na caça de Dovizioso, firme na liderança da prova. Maverick encostou em Andrea, e os dois passaram a duelar pela primeira colocação, num embate que durou várias voltas. A Ducati era muito veloz na reta, o que obrigava o piloto da Yamaha a tentar o ataque nas curvas do circuito. A cerca de duas voltas do final, Viñales assumiu definitivamente a ponta, e lá ficou até a bandeirada final, cruzando com apenas 0s46 de vantagem para o piloto da Ducati. Rossi, sem condições de se intrometer no duelo entre os dois, fechou na 3ª colocação, a menos de 2s do vencedor, um feito, considerando-se os problemas enfrentados pelo “Doutor” nos treinos, e da sua posição de largada. Márquez contentou-se com o 4° lugar, logo à frente de seu companheiro de equipe Dani Pedrosa. Jorge Lorenzo, estreando pela Ducati, foi completamente eclipsado por Dovizioso no fim de semana, e finalizou a corrida apenas em 11° lugar, um resultado muito aquém do que o piloto esperava, ainda mais levando-se em conta a excelente forma com que Andrea se portou na corrida. Estreando de forma efetiva na MotoGP, a KTM apenas figurou no grid: seus pilotos terminaram em 16° e 17° lugares, só não terminando entre os últimos porque Sam Lowes, da Aprilia, finalizou em 18°. Seu companheiro, Aleix Espargaró, por outro lado, foi um dos destaques da prova, terminando na 6ª colocação. A próxima corrida será no dia 9 de abril, em Termas de Rio Hondo, na Argentina.