sexta-feira, 4 de novembro de 2016

FÁBRICAS: O LADO BOM E O LADO RUIM



Depois da Audi anunciar sua saída do Mundial de Endurance, agora a é a Volkswagen que deixará o Mundial de Rali, mesmo com o carro para 2017 pronto.

            O mundo do automobilismo mundial anda quente nestes últimos dias. Se na semana passada tivemos o anúncio da Audi declarando que deixaria o Mundial de Endurance já ao fim desta temporada, e não ao fim de 2017, como muitos já davam como certo, esta semana foi a vez de mais duas equipes de fábrica serem tiradas de campo, e de forma tão abrupta e surpreendente quanto foi o da marca das quatro argolas. A Volkswagen anunciou dias atrás que está deixando o campeonato Mundial de Rali, e a mais nova bomba que surgiu é da Lada, que também deixará de participar de um importante campeonato mundial, no caso da marca russa, o WTCC. E já para 2017. Terminadas as competições da atual temporada, adeus.
            No caso do Mundial de Rali, a decisão deixa desempregado ninguém menos do que Sébastian Ogier, atual tetracampeão da categoria, que venceu os campeonatos nos últimos 4 anos consecutivos. Em outras palavras, o time campeão está indo embora, e não é por falta de bons resultados. Imagine como seria se a Mercedes de repente anunciasse que está fora da F-1, como equipe e fornecedora de motores, mesmo levando os títulos das últimas temporadas, e desta também? Isso dá uma idéia da dimensão do impacto que a decisão da Volkswagen causou entre o pessoal do Mundial de Rali, que ainda está tentando digerir o comunicado da marca alemã. O que se comenta é que o escândalo que abalou a reputação da Volkswagen no ano passado, quando se descobriu uma fraude nas verificações de emissão de gases dos veículos da marca, que levou o grupo a tomar uma multa bilionária por forjar resultados falsos, está pesando mais do que se esperava, e daí o fato de resolver cair fora de dois campeonatos de renome mundial, a fim de economizar uma grana que não é nada desprezível. Não é a primeira vez que vemos fábricas e montadoras puxarem o fio da tomada em seus programas de esporte a motor, e certamente, não serão as últimas. Daí, fica a pergunta: os times de fábricas são algo positivo ou negativo para as categorias em que estão presentes?
            Na década passada, Max Mosley, presidente da FIA, havia alertado para o fato de que a F-1 não poderia ficar refém das montadoras. O dirigente inglês alertou que as fábricas ficavam na competição muito bem enquanto estivessem ganhando, mas que podiam sair ao menor sinal de problemas, o que poderia ser muito ruim, ao contrário dos times particulares, que lá competiam porque essa era sua razão de ser. Bom, suas palavras foram proféticas: com a crise mundial de 2008, a F-1, que até então exibia uma “pujante” disputa entre várias montadoras, que haviam comprado ou feito associação com os times presentes na competição, resolveram abandonar o barco da categoria máxima do automobilismo sem a menor cerimônia. A BMW, no primeiro momento em que seu time caiu de performance, resolveu ir embora, e pouco depois acabou sendo seguida por Toyota e Honda. Na prática, a F-1 perderia três times, mas o estrago foi minimizado, com a “recompra” da BMW por Peter Sauber, reavendo o comando de seu antigo time, que tinha sido “comprado” pela marca bávara; e o repasse do time da Honda a Ross Brawn, que assumiu o comando da estrutura montada em Brackley e seguiu adiante, que algum tempo depois seria comprada pela Mercedes, atual time dominante na categoria. A rigor, só a Toyota mesmo resolveu puxar o carro, com a F-1 perdendo realmente um time.
A Toyota também desistiu da F-1 após várias temporadas sem conseguir os resultados pretendidos. A Ford (abaixo) fez o mesmo, e vendeu seu time, a Jaguar, para a Red Bull.
            Max Mosley ainda tentou arregimentar novos times “particulares”, além de impor um teto de gastos a fim de tornar a F-1 mais acessível. Mas acabou vencido pela politicagem, que uniu Bernie Ecclestone e as montadoras, que obviamente eram contra o limite de gastos. Mas o aviso de Mosley sobre as fábricas ficarem enquanto apenas lhes fosse conveniente não era em vão. O problema é que pouco se fez para mudar essa situação, quando muito absolutamente nada foi feito de positivo. Se é verdade que o número de fábricas atuantes na F-1 diminuiu, os efeitos de sua entrada continuam mais firmes do que nunca, e não são nada bons.
            Citando o exemplo da F-1, as fábricas tiveram participação fundamental na criação da categoria, em 1950. As grandes marcas da época em sua maioria estavam todas lá, mas com o passar do tempo, elas foram saindo, e seu lugar foi ocupado pelos “garagistas”, amantes do automobilismo que construíam seus carros de competição praticamente nas garagens de suas casas ou empresas, daí o termo que passou a designar estes empreendedores que formavam estas escuderias para competir no certame. Dos times de fábrica, apenas a Ferrari permaneceu, enquanto outras marcas iam e vinham. A presença de grandes marcas sempre foi um trunfo para angariar credibilidade a um campeonato. Afinal, como ignorar nomes como Porsche, Ferrari, Honda, Renault, Ford, entre tantos outros, numa competição? Até o fim dos anos 1980, entretanto, a discrepância entre os recursos de times de fábrica e times privados sempre foi contornável pelo talento que abundava nos times particulares. Mas, a partir dos anos 1990, os crescentes custos de competição começaram a atingir níveis estratosféricos, e a partir dali, apenas quem não tivesse uma grande montadora por trás tinha chances de obter o sucesso pretendido.
            Não foi por outra intenção quando a FIA, leia-se Max Mosley (sim, o mesmo que tempos depois se mostraria contra a presença ostensiva de montadoras no grid), e com o aval de Bernie Ecclestone, louvaram a chegada de várias montadoras na F-1. A BMW, Renault, Honda, Toyota, e Ford se juntariam a um grupo que tinha a Ferrari e a Mercedes, e a categoria máxima do automobilismo se transformaria num autêntico mundial de marcas. Para sobrevalorizar, ainda criaram um “limite” de vagas no grid que se tornou um autêntico tiro pela culatra, na ânsia de dourar sua pílula. Um dos pontos positivos, se diziam, é que com tantas fábricas, não haveriam mais times pequenos no grid, e com todas as escuderias tendo recursos e apoio à vontade das grandes fábricas, a competitividade melhoraria. E quem não queria ver, em teoria, nada menos do que todos os times disputando vitórias e o campeonato? Mas entre teoria e realidade, sempre houve uma grande distância, e o esperado equilíbrio de forças nunca veio.
A BMW tinha tudo para ser uma força na F-1, mas no primeiro tropeção, desistiu de tudo e caiu fora. E não pensa em voltar até hoje.
            O que veio foi que, com recursos à vontade, foi se criando uma estrutura gigantesca para os times continuarem a disputar a F-1. Se até o fim dos anos 1990, ainda era possível a um time competir com uma estrutura pequena, porém profissional, com bom gerenciamento e patrocínios suficientes, nada disso era mais capaz na década que abria o novo século. O resultado é que hoje, mesmo depois da partida de várias destas fábricas, ficou uma estrutura sem a qual os times não conseguem mais prescindir para disputar a competição. Não por acaso, a tentativa de se arregimentar novos times a partir de 2010 foi pífia, e além de critérios questionáveis na escolha dos “eleitos”, ficou patente a diferença de nível entre quem já estava estabelecido, e quem estreava. O desnível se vê ainda hoje quando a Manor, único time “remanescente” desta nova leva de escuderias novas, ainda está no fim do grid, conseguindo ocasionalmente alguns brilharecos, que devem ser relativizados pelo fato de a Mercedes ter passado a investir no time, utilizando-o para formar seus pilotos.
            Competir na F-1 se tornou uma tarefa ainda mais ingrata e complicada. A escuderia de Gene Hass, o mais novo time da categoria, levou mais de um ano se preparando para entrar com o pé direito, e ao fim de sua primeira temporada, Hass admite que ainda tem muito o que aprender, e que a F-1 é muito mais difícil e complicada do que imaginava. E olhe que Gene ainda tem um império empresarial por trás de si, o que certamente facilitou alguns passos. Mas, e se não tivesse? Atualmente, por mais que se “tente” baixar os custos de competição, a verdade é que a F-1 se tornou um gigante que não sabe mais como é viver sem ser grande. A estrutura de competição cresceu demais, e mesmo tendo cortado gastos em determinadas áreas, como os testes, tudo continua custoso e excessivamente caro. Dos times atuais, apenas Mercedes, Ferrari e Red Bull, e obviamente, a Renault, não tem problemas financeiros. Todos os demais, talvez menos a Hass e a Toro Rosso, dependem de ter estruturas enormes para competir, e precisam custear essa estrutura toda. Definitivamente, não há mais como um “aventureiro” chegar à F-1. Aliás, os “aventureiros” que fizeram a F-1 ser o que é hoje não são praticamente mais aceitos na competição. E a F-1 mostra que ainda prefere flertar com as montadoras, mesmo com estes riscos. Conseguiu trazer a Honda de volta, e tentou seduzir a Audi nos últimos anos, bem como tentar obter um sinal da BMW de um possível retorno. Bem, a Audi nunca se deixou encantar pela categoria, e a BMW, por sua vez, tão cedo não volta, também. Mas as estruturas de competição gigantescas e seus custos ficaram. Se antes um time de ponta contava com pouco mais de 100 pessoas, hoje essa escuderia conta com pelo menos 5 vezes esse número de funcionários. E isso é só um exemplo de como tudo isso cresceu nas exigências de competição da F-1.
            Esse foi o lado negativo que a chegada das montadoras propiciou à F-1. Mas outro lado negativo é quando vão embora, deixando a ver navios aqueles que dependiam destas marcas.
Quando todos contavam com a Peugeot no novo Mundial de Endurance, eis que os franceses deixaram todos a ver navios, pulando fora no último instante.
            Em 2012, a Peugeot, que disputava as provas de longa duração, simplesmente pulou fora do novo Mundial de Endurance (WEC), praticamente no último minuto, pegando a todos de surpresa. E agora, temos a Audi pulando fora do mesmo campeonato, mas anunciando isso de forma mais honesta e correta, ainda que tenha pego todo mundo de surpresa. Mas nem sempre uma fábrica abandona tudo de um momento para o outro, só por que quis sair, por uma decisão da diretoria. Em 1996, a Renault, que vinha ganhando tudo na F-1, anunciou que estava deixando a categoria, com a sensação do dever “cumprido” pelo sucesso alcançado. Mas isso se daria ao final do ano seguinte, 1997, o que deixou todo mundo de sobreaviso para procurar novas parcerias. E mesmo quando a marca francesa deixou a competição, seus motores continuaram disponíveis através da Mecachrome, parceria da Renault de longa data, para quem ainda quisesse os seus propulsores, obviamente sem o mesmo nível de desenvolvimento. A Honda, quando saiu ao fim de 1992, já tinha feito também seu aviso com antecedência, ao contrário do que aconteceu ao fim de 2008, quando a escuderia foi fechada em dezembro, com o projeto do carro de 2009 quase finalizado, deixando todo mundo na mão, o que só não foi pior em virtude de eles terem repassado o time a Ross Brawn, para quitar as obrigações pendentes.
            No caso de agora, a Volkswagen sai de cena no rali com o carro de 2017 praticamente pronto, mas que nunca irá competir, pois a fábrica não tem planos de fornecê-lo a times particulares. No caso da Lada, a marca deverá participar de competições a nível local, em um remanejamento de seus recursos. A Audi já declarou que seu foco será a Formula-E a partir de agora, e ainda mantém sua participação no DTM, o campeonato de turismo alemão.
A Lada também está saindo de um campeonato de renome, o WTCC.
            Por essas e outras, muitos defendem que não haja times de fábrica nos campeonatos. Esse sentimento de “conveniência” de que muitas montadoras só permanecem quando está se favorecendo na competição – leia-se ganhando, não pode ser ignorado. Mas é fácil afirmar também que eles só fazem o que dão na telha. Muitas vezes a decisão de abandonar não é fácil, e muito menos intempestiva. A Toyota gastou rios de dinheiro na F-1 em seu time oficial, e simplesmente cansou de gastar tanto por pouco retorno. Do mesmo modo, a Peugeot e a Chrysler também deixaram a categoria com sentimento de desilusão após empenharem-se a fundo para fornecer um bom equipamento e não terem seus esforços correspondidos.
            E as marcas vão e vem. A Citroen, depois de uma pequena pausa, estará de volta ao Mundial de Rali no próximo ano. Na MotoGP, a KTM já prepara sua nova investida na classe rainha do motociclismo também no próximo ano. Mas é preciso sempre deixar aberta a porta para a entrada das equipes particulares, dando-lhes condições de competirem de forma saudável, criando seus próprios carros de competição, ou se valendo de equipamentos desenvolvidos por terceiros. É preciso impor limites para evitar que os times de fábrica, pelo imenso poder financeiro das corporações que tem por trás, desequilibrem a competição a seu favor, provocando um encarecimento dos custos e da estrutura de competição que muitos times privados não tem condições de manter. Garantindo que os times particulares sempre estejam na competição, minimiza-se os efeitos negativos que marcas de fábrica causam quando saem de supetão de um certame. Diferente das escuderias das montadoras, os times privados tem na competição sua razão de ser, e muito mais dificilmente irão debandar da disputa.
            E é possível também que um campeonato seja disputado sem equipes de fábrica. E que se possa ser um bom campeonato. Mas sempre é bom que as competições possam ter respaldo de grandes marcas. Afinal, todas elas tem seus admiradores pelo mundo todo, e os campeonatos que contam com seu apoio se aproveitam desta admiração pela marca. Afinal, como se pode ignorar a presença da Ferrari no grid da F-1. E a Porsche na Endurance? Ou a Honda e Yamaha na MotoGP? Tudo tem seu lado bom e ruim. Deve-se batalhar sempre para encontrar o ponto de equilíbrio ideal, que permita que os efeitos positivos possam ser bem aproveitados, e impedir que os efeitos negativos tenham repercussão além do esperado.
            Sempre é ruim quando vemos grandes marcas abandonando seus projetos no mundo do esporte a motor. Audi, Volkswagen e Lada farão falta nos certames em que estavam presentes. Não é o fim do mundo para estas categorias, mas que parte do charme que atrai os fãs para estes campeonatos se esvai, é inegável. Estes últimos dias não foram mesmo bons para o mundo da velocidade. Esperemos que não venha mais nenhuma surpresa inesperada deste tipo ainda este ano...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

FLYING LAPS - OUTUBRO DE 2016



            E lá vamos nós para o penúltimo mês deste ano de 2016. Outubro já ficou para trás, e os campeonatos pelo mundo afora entram em sua reta final, com alguns certames já conhecendo por antecipação seus campeões, enquanto em alguns outros a disputa ainda segue para suas últimas corridas, antes de todos partirem para umas merecidas férias depois de um ano cansativo e difícil para muitos, e nem tanto para outros. E todo início de mês é hora de trazer mais uma edição da sessão da Flying Laps, com algumas notas rápidas de alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade no mês de outubro, com alguns comentários rápidos sobre cada assunto. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima sessão Flying Laps em dezembro.


Com o título da MotoGP já decidido em favor de Marc Márquez no Grande Prêmio do Japão, a classe rainha do motociclismo chegou a Phillip Island para a disputa do Grande Prêmio da Austrália, que começou conturbado com a presença da chuva, que não permitiu que os pilotos conseguissem realizar os treinos de forma satisfatória. Felizmente, para o domingo, a chuva deu uma folga, e permitiu a realização da corrida sem maiores problemas. E coube a Carl Cruchtlow conseguir sua segunda vitória na temporada, depois de realizar uma excelente classificação para largar na 2ª posição, no meio da primeira fila. Márquez, depois de arrebatar a pole-position, cometeu seu primeiro erro crasso na temporada e acabou levando um belo tombo, que o fez abandonar a corrida australiana à 9ª volta da prova, que liderava desde a largada, mas sempre com Cruchtlow tendo o piloto da equipe oficial da Honda na alça de mira. Sorte de Márquez que o título já estava decidido a seu favor: Valentino Rossi, na pior posição de largada do ano (15°), fez uma corrida de recuperação notável para finalizar em 2° lugar na bandeirada, apenas 4s2 atrás de Cruchtlow. Maverick Viñales também fez outra prova muito boa, e na parte final da corrida, deu um sufoco no “Doutor”, que na tentativa de alcançar o piloto da LCR Honda na liderança, acabou saindo da pista, mas conseguindo retornar em seguida, mas ficando com o piloto da Suzuki muito perto. Jorge Lorenzo, que também fez uma classificação mediana, largando em 12°, não conseguiu fazer uma corrida tão boa quanto o parceiro na equipe Yamaha, e recebeu a bandeirada apenas em 6° lugar, atrás de Andrea Dovizioso (4°) e Paul Spargaró (5°). Dani Pedrosa, que se acidentou feio durante os treinos livres para a etapa do Japão, está fora do restante da temporada, em recuperação após fraturas decorrentes do acidente que o lançou aos ares em Motegi, e que exigiram cirurgia para solução do problema, mas felizmente sem muita gravidada. Na etapa da Austrália, a Honda chamou Nick Hayden, atualmente no Mundial de Superbike, para substituir o piloto espanhol, mas Hayden não conseguiu mostrar muita coisa: largou em 7°, e terminou em 17°, último a cruzar a linha de chegada.


A Malásia foi a parada seguinte da MotoGP, e a surpresa foi ver Andrea Dovizioso na pole-position, desbancando a dupla da Yamaha, que ocupou a 2ª e 3ª posição no grid, com Rossi na frente de Lorenzo. A largada da corrida precisou ser adiada por causa da chuva que caiu em Sepang, mas uma vez dada a largada, a corrida transcorreu de maneira até tranquila. E o que se viu foi uma briga ferrenha entre Rossi e Dovizioso, que acabou vencida pelo piloto da Ducati, que assim conseguiu sua 2ª vitória na classe rainha do motociclismo, e também a 2ª vitória da casa de Borgo Panigale na atual temporada, que com o triunfo de Dovizioso, chegou a 9 vencedores diferentes na temporada, um número bastante expressivo. Mas chegar na frente não foi fácil: Valentino Rossi parecia estar a ponto de encerrar o jejum de vitórias da Yamaha na temporada, mas o duelo com a dupla da Ducati estava acirrado, não apenas com Dovizioso, mas também com Andrea Iannone, que não desgrudavam do “Doutor’, e alternando posições entre eles. Enquanto isso, depois da vitória na Austrália, Carl Cruchtlow foi para o chão em Sepang, e pouco depois, foi Marc Márquez a cair novamente pela segunda corrida consecutiva. Mas o novo tricampeão da categoria conseguiu evitar o pior e voltou à corrida, que terminaria na 11ª colocação. Na dianteira, o duelo de Rossi contra a dupla da Yamaha ficou sem Iannone, que levou mais um tombo e acabou deixando a corrida. O duelo ficava mano a mano de Rossi contra Dovizioso, e Andrea se aproveitou de um erro de Valentino para assumir a liderança a poucas voltas do final e se manter firme nela, cruzando a linha com 3s1 de vantagem para o piloto da equipe dos três diapasões. Lorenzo, contando com a sorte da queda de vários pilotos à sua frente, finalizou em 3° lugar. Agora, resta apenas a etapa de Valência, para encerrar o campeonato da MotoGP em 2016, e a prova está marcada para o dia 13 de novembro, no Circuito Ricardo Tormo, nos arredores de Valência, na Espanha.


Com os 2°s lugares obtidos nas etapas da Austrália e da Malásia, Valentino Rossi chegou aos 236 pontos, e fechou a conquista do vice-campeonato da MotoGP em 2016, e não pode ser mais alcançado por Jorge Lorenzo, com 208 pontos, e que se despedirá da Yamaha com a incômoda posição de estar atrás do piloto italiano. Rossi, por sua vez, conquista o vice-campeonato pelo terceiro ano consecutivo. Ficou atrás de Marc Márquez em 2014, perdeu o título para Jorge Lorenzo no ano passado, e não teve como impedir que Márquez obtivesse o tricampeonato nesta temporada. Mas, apesar de tudo, o “Doutor” mostra que está firme no páreo, e mostrando que ainda tem muita lenha para queimar. Oficialmente, Rossi ainda tem dois anos pela frente, com a renovação de seu contrato com a Yamaha, mas há quem diga que o piloto de Tavulia pode seguir na classe rainha do motociclismo por mais tempo, talvez além dos 40 anos. Pelo que tem mostrado nos últimos anos, o “Doutor” pode realmente continuar acelerando por mais tempo do que muitos imaginam, para sorte dos fãs das corridas de moto, e azar da maioria de seus rivais na pista. Em 2017 e 2018, Rossi terá a companhia do espanhol Maverick Viñales, atualmente na equipe oficial da Suzuki, que subsituirá o compatriota Jorge Lorenzo, que se mudará para a Ducati.


Ocupando a 3ª posição na classificação da MotoGP com 208 pontos, Jorge Lorenzo ainda não tem garantida esta posição no campeonato. Maverick Viñales, da Suzuki, vem logo atrás do compatriota da equipe Yamaha, e com 191 pontos, ainda tem chances, remotas talvez, de superar Lorenzo, na etapa final da competição, em Valência. Viñales, por sua vez, já está garantido pelo menos em 4° lugar, pois Andrea Dovizioso, o 5° colocado, está com 162 pontos, e não tem condições de ameaçar a posição do piloto da Suzuki na classificação. E com Dani Pedrosa fora de combate depois do acidente de Motegi, a posição de Dovizioso também está quase garantida, já que Carl Cruchtlow, com 141 pontos, precisaria vencer a última corrida e que Andrea não marcasse pelo menos 4 pontos, o que significaria chegar no máximo em 12° lugar.


O que muitos consideravam inevitável aconteceu: ao vencer o Rali da Catalunha, Sébastien Ogier conquistou o título do Mundial de Rali de 2016, e chegou ao tetracampeonato, garantindo mais um troféu de campeão em sua estante, o que vem fazendo há quatro anos consecutivos. Foi também a 5ª vitória de Ogier na temporada, e a terceira consecutiva, tendo vencido os ralis da Alemanha e da Córsega. O espanhol Dani Sordo conseguiu chegar em 2° lugar na etapa da Catalunha, e o pódio foi completado por Thierry Neuville. Ogier conquista o título com duas etapas de antecipação, ficando agora a disputa pelo vice-campeonato, que segue bem mais renhida. Quanto aos sonhos dos rivais de serem campeões, eles que se preparem para desafiar Ogier no próximo ano, mais uma vez, esperando por melhores chances de encerrar o seu reinado no principal campeonato off-road do mundo. Falta combinar com o francês, que claramente tem outras idéias, como se manter no topo da competição...


Com o título de 2016 do Mundial de Rali já garantido, quem achava que Sébastien Ogier fosse relaxar, caiu do cavalo. E seus concorrentes também. O piloto francês da Volkswagen faturou o Rali de Gales, na Grã-Bretanha, no último final de semana de outubro. Apesar de alguns percalços, Ogier mais uma vez conseguiu sobrepujar seus adversários, e conquistou sua 6ª vitória na temporada. Ott Tanak até que tentou surpreender Sébastian, mas o francês estava com a prova sob controle, administrando a vantagem para quem vinha atrás. E Thierry Neuville mais uma vez subiu ao pódio, com outro 3° lugar, e assumindo agora a vice-liderança da competição, com 143 pontos. Mas a posição do belga na tabela não é segura. Andreas Mikkelsen ocupa a 4ª colocação, com 129 pontos, e está com Neuville na alça de mira. Com apenas uma prova para fechar o campeonato, a disputa pelo vice-campeonato tem também Hayden Paddon e Dani Sordo na parada, ainda que estes estejam com chances mínimas, com 126 e 119 pontos, respectivamente, precisando de uma vitória para superar Neuville, e ainda precisando que ele não pontue. Indiferente a isso, Ogier aumentou ainda mais vantagem na pontuação, chegando a 247 pontos. Mesmo que houvesse mais quatro provas no campeonato a serem disputadas, Ogier praticamente não seria alcançado mesmo que abandonasse todas as etapas em questão, tamanha a vantagem que ele abriu para todos durante a competição. A etapa que falta agora é o Rali da Austrália, que será disputado entre os dias 17 e 20 de novembro, encerrando a temporada do Mundial de Rali.


Na rodada dupla da Stock Car no circuito de Curitiba, Felipe Fraga conquistou mais uma vitória na temporada, na primeira corrida do fim de semana, no que foi a 450ª prova da Stock Car, desde que o campeonato passou a ser disputado. O líder do campeonato, contudo, teve um duelo memorável com Ricardo Maurício, que até a bandeirada tentou de tudo para superar Felipe, mas teve de se contentar com o 2° lugar, recebendo a bandeirada de chegada 0s547 atrás do piloto da Cimed. Allam Kodhair fechou o pódio da primeira corrida, em 3° lugar, sem conseguir incomodar os duelistas da frente. Daniel Serra foi o 4° colocado, e Valdeno Brito o 5°. Rubens Barrichello, um dos destaques do campeonato, não teve uma boa corrida, e fechou apenas em 11° lugar. Na segunda corrida, Barrichello tinha tudo para ganhar e encostar um pouco em Fraga na liderança do campeonato. Mas o piloto da Full Time acabou vendo sua vantagem na pista arruinada pela entrada do Safety Car, devido ao acidente ocorrido com Felipe Lapenna, que bateu seu carro contra a barreira de proteção, e acabou juntando todo o pelotão, e aí, na relargada, Thiago Camilo partiu para cima de Rubens, conseguindo ultrapassá-lo a duas voltas da bandeirada de chegada, e conseguindo cruzar em primeiro lugar com menos de 1s de vantagem para Barrichello, que tentou reconquistar a liderança da prova, mas não conseguiu, tendo de se contentar com o 2° lugar. Max Wilson completou o pódio. Felipe Fraga terminou apenas em 14°, mas no balaço do fim de semana, o piloto da equipe Cimed não teve do que reclamar: Sua vantagem para Rubinho aumentou de 39 para 44 pontos, e com 3 etapas para o fim da competição, será difícil para Barrichello conseguir anular esta diferença. E Barrichello ainda tem que se preocupar com Valdeno Brito, que está apenas 16 pontos atrás, e luta diretamente com Rubinho (183 pontos) pelo vice-campeonato. A briga promete ser boa nestas corridas que faltam...