quarta-feira, 7 de agosto de 2013

FLYING LAPS - JULHO DE 2013



            E já estamos em agosto, e chegou a hora de darmos umas notas rápidas de alguns acontecimentos ocorridos no mês de julho, em mais uma sessão das Flying Laps. Então boa leitura, e mês que vem tem mais notas...


A Europa voltou a ver o nome Fittipaldi no alto do pódio em uma corrida. Pietro Fittipaldi, neto de nosso primeiro campeão de F-1, Émerson, venceu a primeira corrida da rodada tripla disputada no último dia 27 de julho, na pista de Brands Hatch. Pietro, levado pelo avô este ano para competir na Europa, está disputando o campeonato da F-4, e até seu triunfo na tradicional pista inglesa, vinha tendo uma atuação bem discreta na competição. Apesar da empolgação pela primeira vitória na categoria européia, o jovem Pietro mantém os pés no chão, e sabe que ainda terá um longo caminho pela frente para firmar seu nome no Velho Continente. Mas sua vitória em Brands Hatch não deixa de ser emblemática, pois foi nesta mesma pista que seu avô venceu pela primeira vez na Europa, em 1969, quando disputava o campeonato da F-Ford 1600, certame que não existe mais. A partir daquela vitória Émerson começou a mostrar aos europeus do que era capaz, e no ano seguinte já estava na F-1, e na Lotus, uma das principais potências da época. Com apenas 17 anos, não se pode vivenciar destino similar para o mais novo Fittipaldi nas pistas, mas se conseguir planejar e dar os passos certos, certamente terá como chegar à F-1. Se vai conseguir ter o mesmo sucesso do avô, mesmo demonstrando muito talento, só o destino irá responder. Basta lembrar que Christian, sobrinho de Émerson, não teve boa passagem pela categoria, mesmo mostrando muita capacidade, e mudou para os Estados Unidos, onde teve melhor sorte, mas sem conseguir atingir os mesmos feitos do tio...


Marc Márquez detonou a concorrência na MotoGP nas provas disputadas na Alemanha e nos Estados Unidos. Enquanto seus rivais mais diretos, Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo, padeciam de problemas com tombos e outras enfermidades, o jovem novato prodígio da categoria máxima do motociclismo aproveitou para faturar as duas corridas, e de quebra, assumir a liderança do campeonato, abrindo 16 pontos sobre seu companheiro na equipe Honda, Dani Pedrosa, e 26 pontos distante do atual bicampeão Jorge Lorenzo. E quem também começou a mostrar melhor rendimento foi Valentino Rossi, que nas duas corridas subiu ao pódio, na 3ª posição. Rossi, aliás, travou bons duelos nas últimas corridas, e promete reagir para subir na classificação ainda mais. O "Doutor", contudo, levou uma bela ultrapassagem de Márquez em Laguna Seca, na curva do Saca-Rolha, quando o jovem piloto superou o italiano por fora na descida da curva, em manobra similar à feita por Valentino anos atrás, e também por Alessandro Zanardi  em uma prova da F-Indy na década de 1990. Ainda é cedo para afirmar que Márquez vai levar o título da temporada, mas se a concorrência não se cuidar, poderemos ver o campeão mais jovem da MotoGP de todos os tempos no fim do ano. A próxima corrida do campeonato é no dia 18 de agosto, no circuito misto do autódromo de Indianápolis, nos Estados Unidos.


A Indy Racing League experimentou na rodada dupla de Toronto, no Canadá, pela primeira vez em sua história, o procedimento de largada parada. Para frustração do público, só a prova disputada no domingo efetivamente teve os pilotos largando de suas posições de grid como previa o figurino: na prova disputada no sábado, o piloto Josef Newgarden deixou seu motor morrer ao parar no seu lugar no grid, e por segurança, a largada foi abortada. Os pilotos partiram atrás do pace car, pensando ser uma nova volta de apresentação, mas na verdade, a corrida já estava valendo, e depois de 5 voltas, os pilotos largaram de fato, mas em largada lançada, para confusão do público, que demorou a entender e a ser comunicado sobre o que se passava. Na prova de domingo, tudo correu bem, e felizmente, sem incidentes, apesar da inexperiência de muitos pilotos com este tipo de largada. Se a direção da Indycar não inventar idéias novas sobre o assunto, a rodada dupla de Houston voltará a demonstrar ao público o procedimento de largada parada, em outubro...


A etapa do campeonato americano de Grand-Am disputada no último dia 27 de julho no circuito misto de Indianápolis teve alguns pilotos brasileiros extras competindo na corrida. Rubens Barrichello disputou a prova em parceria com o piloto Doug Peterson na equipe Doran, e acabou sendo nosso melhor representante na etapa, finalizando em 5° lugar. Outro brasileiro convidado foi Tony Kanaan, que competiu pelo time de Chip Ganassi na categoria, acabando em 9° lugar. Osvaldo Negri Júnior foi o 7°, enquanto Christian Fittipaldi terminou num modesto 24° lugar.


Depois de começar o campeonato sem um patrocinador principal do torneio, a Stock Car conseguiu no final de julho um acerto com a Brasil Kirin, e a partir já da etapa de Ribeirão Preto, no próximo dia 11, a categoria já terá o patrocínio oficial da cerveja Nova Schin para todo o restante do campeonato, e o acordo é válido até o final de 2015. O nome oficial do campeonato passa a ser Circuito 2013 Nova Schin Stock Car. Ricardo Maurício lidera o campeonato com 111 pontos, seguido por Daniel Serra com 108 pontos, e Cacá Bueno com 107. Ainda resta metade do campeonato pela frente, e a disputa entre os ponteiros promete ser ferrenha...


E a Áustria vai voltar ao calendário da Fórmula 1 no ano que vem. Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, maior fabricante de energéticos do mundo, e que detém a propriedade de duas escuderias na categoria, finalmente conseguiu convencer Bernie Ecclestone a levar a categoria de volta para seu país. O palco será o novo Red Bul Ring, nada menos do que o velho circuito A-1 Ring, totalmente recuperada e reformada por Mateschitz, que irá inclusive bancar todos os gastos da etapa. Depois de dar muitas recusas a Mateschitz, Ecclestone teve de dar o braço a torcer, principalmente pelo fato de que os norte-americanos que prometiam acertar todos os detalhes financeiros da prova de F-1 em Nova Jérsey, até agora não terem conseguido honrar os compromissos assumidos, o que fez com que a prometida corrida nos Estados Unidos, que devia estrear este ano, ter sido adiada para 2015, mas já correndo o risco de ser adiada mais uma vez. E quem deve estrear também no calendário é a Rússia, que está com uma pista novinha em folha sendo preparada para receber os F-1.


A promessa de um novo autódromo na cidade do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo neste mês de julho: agora é a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro quem irá tocar as obras de construção da nova pista que, teoricamente, terá condições de receber até a F-1. A empreitada, prometida há anos, ia ser tocada pelo governo federal, que acabou repassando a tarefa para o governo estadual. E agora, depois de outros rolos descobertos em relação ao estado do terreno, que era utilizado como área de tiro pelo exército brasileiro, e estava cheio de projéteis não-detonados, ainda se descobriu contaminado por resíduos tóxicos. As autoridades ainda planejam construir junto do autódromo um parque esportivo, com vistas às Olimpíadas de 2016. Ainda reafirmo que só acredito vendo, uma vez que já se prometeu que Jacarepaguá, o tradicional autódromo carioca, só seria demolido após a inauguração da nova pista, e o que vimos? Jacarepaguá já foi destruído por completo, e até agora Deodoro não saiu do papel. A empreitada, que de início era do governo federal, acabou repassada ao governo estadual, e agora, passa para a prefeitura do Rio, e até o presente momento, tudo o que se vê é que o terreno de Deodoro vai se mostrando um tremendo abacaxi que cada vez mais demora para ser descascado, se é que ainda será feito. E, pelo histórico recente, não dá para ter muitas esperanças de ver essa nova pista tão já...
 



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MUITA FUMAÇA, POUCO FOGO



Alonso com cara de quem já sabe o que pedir ao Papai Noel no próximo Natal...

            A Fórmula 1 encerrou sua “primeira fase” com a bandeirada final do Grande Prêmio da Hungria, domingo passado, e agora só volta depois das “férias” de agosto, no final do mês, em Spa-Francorchamps, na Bélgica. Até lá, a temporada de boatos e fofocas da categoria deve manter a F-1 no noticiário esportivo, mesmo que, a rigor, haja muita fumaça, mas pouco fogo, no que tange aos acontecimentos. E o clima já começou a esquentar no paddock de Hungaroring, quando teve um assunto que dominou as fofocas durante o fim de semana húngaro, gerando muita discussão, especulação, e até broncas oficiais.
            Refiro-me ao “boato” de que Fernando Alonso iria para a Red Bull, e já em 2014. Seria interessante do ponto de vista esportivo: veríamos dois dos mais talentosos e capacitados pilotos da atual F-1 dividindo um mesmo time e dispondo do mesmo carro, o que daria duelos potencialmente eletrizantes na pista, numa repetição do embate vivido na McLaren em 1988 com Alain Prost e Ayrton Senna. Do ponto de vista prático, contudo, é impraticável: Sebastian Vettel curte ser o queridinho da Red Bull, e dividir o time com Alonso seria simplesmente jogar um fósforo num tanque de combustível e curtir uma explosão daquelas. Se na teoria seria lindo ver o que ambos poderiam fazer com o mesmo carro, na realidade a equipe literalmente explodiria, com Vettel e Alonso arrastando a sardinha da escuderia para o seu lado. Se Mark Webber já deixava o ambiente tumultuado de vez em quando com suas críticas – às vezes, até justificáveis, imagine o que o espanhol, muito mais tarimbado e ardiloso na área da conversa dentro dos boxes poderia fazer. A calma iria para o espaço, sem meio-termo. Com uma dupla dessas, atrevo-me a dizer que, na pista, poderiam massacrar toda a concorrência, e a Red Bull seria uma potência ainda maior do que já é. Mas o custo interno seria elevado.
            Vettel quer o espanhol longe, talvez por temer quão maquiavélico ele pode ser fora do carro, com muito mais experiência para desestabilizar os adversários fora da pista do que dentro dela, e talvez o atual tricampeão sinta que pode ser pego com as calças arriadas no momento mais inapropriado. Por outro lado, não é apenas Sebastian quem não ver Alonso por perto: Adrian Newey também já deu preferência de não gostar do estilo de trabalho do bicampeão, e seu estilo centralizador de gerir as coisas. Talvez porque Newey também é assim na área técnica, dando todas as ordens de como as coisas devem ser feitas, o choque de egos, mesmo que em áreas diferentes, poderia ser desestabilizador. E nem Helmut Marko escaparia, podem apostar. Homem de confiança de Dietrich Mateschitz, ele possivelmente estaria em xeque num eventual massacre de Alonso em cima de seu protegido Vettel – algo difícil, mas não impossível. Christian Horner, por sua vez, teria de mostrar uma capacidade de gerir adversidades como nunca pensou fazer.
            Fernando Alonso, ao afirmar que gostaria de ter um carro de Adrian Newey nas mãos, acabou levando um puxão de orelhas de Luca de Montezemolo, que fez questão de que o espanhol baixasse um pouco a bola nas críticas à Ferrari. Alonso tem certa razão nas críticas, pois vai para sua 4ª temporada em Maranello, e até aqui em boa parte tem levado o time nas costas. Se nos anos anteriores a Ferrari largou atrás e foi evoluindo no campeonato, este ano a tendência parece ter se invertido: começou o ano até bem, mas parece estar ficando para trás, sendo superada neste momento não apenas pela Red Bull, mas também por Mercedes e Lótus, sendo que esta, algumas provas atrás, é quem parecia estar estagnando na competição.
            Colocando um pouco de água na fervura, Alonso tem razão em parte das críticas, mas a Ferrari, por sua vez, não está parada. O problema é que o desenvolvimento do carro não tem sido à altura das necessidades. Paciência é a palavra chave neste momento, resta saber se Alonso sabe manter a calma sob controle e saber que uma hora tudo pode se encaixar. Mas, temendo que as coisas não se encaixem, eis que sua paciência pode estar se esgotando. E nisso não ajudou o jogo de cena feito no fim de semana, quando seu empresário foi conversar com Horner visando o destino de Carlos Sainz Jr., piloto do qual também é empresário, visando sua entrada na F-1. Tanto Alonso quanto Horner deram afirmações meio dúbias sobre a conversa, e mesmo com o assunto de Sainz Jr. confirmado, ninguém duvida que, certamente algumas palavras sobre o destino de Alonso podem ter sido trocadas, mesmo que apenas de forma teórica e sem nada prático.
            Claro que uma notícia dessas não teria mesmo como ser plausível, mas sempre tendo a esperança de que alguma surpresa aconteça, é por aí que muitos gostariam de ver a situação se tornar mesmo real. Mas para a Ferrari e Alonso há complicações. A primeira delas é o fato do espanhol ter contrato com Maranello até 2016. E podem apostar que a multa rescisória seria tremendamente alta. Querendo sair de qualquer jeito, quem iria pagar a conta? Mas, antes disso, para onde ir? Na Red Bull, pelas razões já expostas, Alonso não teria lugar, pelo menos não com Vettel por lá, e o alemão tem contrato até 2015, e ninguém garante que ele não renove com o time austríaco. Na Mercedes, eles estão bem servidos com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Para a McLaren, só se bater o desespero em Woking, de onde Fernando saiu brigado em 2007. A Lótus parece não ter cacife técnico e/ou financeiro para corresponder aos anseios de Alonso. Para a Ferrari, o problema é considerável também: quem poderia substituir Alonso? Verdade que, em 1991, a Ferrari não teve pudor nenhum em despedir Alain Prost depois que o francês chamou seu carro de “caminhão” após o GP do Japão daquele ano. O francês ficou de molho em 1992, fora da F-1, mas se vingou retornando pela Williams em 1993, e sendo tetracampeão. No caso de perder o espanhol, quem eles poderiam contratar? E, para Alonso, imaginando hipoteticamente que conseguisse ir para a Red Bull, também como iria se comportar no confronto com Vettel na pista e dentro dos boxes? Talento por talento, seria interessante descobrir. O problema é que isso não é tudo. Fernando gosta de trabalhar com todo o time voltado para si, e Vettel, por sua vez, sabendo que é o queridinho da Red Bull, também gosta de ser o centro das atenções. Alonso perdeu o título de 2007 por ter ficado incomodado com a performance de Lewis Hamilton, a quem esperava que se “comportasse” em seu ano de estréia na F-1. O chilique de Fernando foi seu maior inimigo: basta lembrar do GP do Canadá daquele ano, que marcou a primeira vitória de Hamilton na categoria, enquanto o espanhol, com o mesmo carro, fez uma prova pífia como se ele parecesse um novato na F-1. Será que Alonso hoje agüentaria o confronto com alguém à altura sem perder as estribeiras? Ele pode até achar que sim, mas eu duvido muito, caso contrário, não estaria ficando impaciente com a Ferrari sabendo que o time está se esforçando para atendê-lo. E Vettel, por sua vez, quando teve que encarar um Mark Webber inspirado na pista, já ficava também com cara feia, e se isso acontecia com o australiano, que só às vezes mostrava-se páreo duro para o alemão, imagine Alonso, que costuma ser páreo duro em praticamente quase todas as corridas. Será que ele também agüentaria o tranco? Boa pergunta...
            Se Alonso aportar na Red Bull, com certeza Vettel poderia interessar-se em ir para a Ferrari. Mas ele com certeza iria querer levar Adrian Newey junto, e o engenheiro já disse não a Maranello várias vezes. Kimmi Raikkonen parece não ter interesse em voltar para o time italiano. Com Hamilton feliz na Mercedes, Jenson Button é um nome que, apesar de capaz, parece não empolgar muito a Ferrari. Talvez tivessem que eleger Felipe Massa o centro de suas esperanças, ao mesmo tempo em que tentariam pegar um nome de talento para lapidar, como Nico Hulkenberg, Adrian Sutil, ou mesmo Jules Bianchi. Mas será que algum deles consegue tirar do carro mais do que ele pode dar, como Alonso costuma fazer? Essa é a questão primordial.
            Fernando Alonso não é o primeiro piloto de ponta a fazer beicinho por que o carro que pilota parece não estar rendendo o que ele espera. Ayrton Senna, por exemplo, encheu o saco durante boa parte da temporada de 1992, quando levava um vareio da Williams, cujos carros eram 2s mais rápidos que todo o restante da concorrência. Mesmo dando tudo de si, Senna não conseguia tirar no braço a diferença. Dali a fazer declarações se oferecendo para pilotar “de graça” para a Williams, ou afirmar que se não tivesse um carro vencedor, pulava fora da F-1, foi um pulo. Com a confirmação de Prost para 1993, Ayrton ficou ainda mais azedo, afirmando aos quatro ventos que Prost o havia vetado no time, e bradava que se a F-1 quisesse mais competição, era “imprescindível” sua contratação pela Williams, etc, etc. A chiadeira não deu em nada, mas, só para deixar a McLaren ouriçada, o brasileiro foi fazer um teste com o carro Penske de Émerson Fittipaldi nos Estados Unidos, de onde voltou fazendo rasgados elogios à F-Indy.
            A celeuma de Senna durou até metade do ano seguinte, quando ficou disputando a temporada seguinte em contrato de corrida a corrida com a McLaren, até parar de fazer cena e assinar por tempo integral. Fez um excelente campeonato, e ainda conseguiu ir para a Williams em 1994, mas no ano seguinte infelizmente nada saiu como esperava. De certa forma, Ayrton queria tudo, e para já, assim como Alonso, que quer voltar a ser o protagonista absoluto, mas se vê sendo derrotado por um piloto que, além de ser também um fenômeno, ainda conta com um carro melhor. Dá para entender a ansiedade que é ver os campeonatos passarem, e não conquistar mais um título, ainda mais quando já está com 32 anos, e se presume, na pior das expectativas, que até 2016 pode continuar levando derrotas para Vettel e a Red Bull, quando já estará com 35 anos, e possivelmente pensando em se aposentar.
            Alonso precisa se espelhar na atitude de Michael Schumacher, que deu duro para transformar a Ferrari em um time campeão, ficando na fila por 4 temporadas, até que tudo se acertasse e o time italiano finalmente saísse do jejum em 2000. O alemão também tinha seus chiliques, mas sempre resolvia seus assuntos de forma discreta e a portas fechadas em Maranello. Como piloto, muitos dizem que Fernando já chega a ser melhor que Schumacher. Precisa saber repetir isso fora das pistas. Alonso está fazendo sua parte, e a Ferrari precisa fazer a dela, realmente. Mas é preciso união e solidariedade neste momento, e não ficar criando cisma, pois um precisa do outro para vencer. Mas nada impede que uma das partes fique de saco cheio e resolva buscar outras opções – alternativa que serve para ambos os lados, com conseqüências ruins para qualquer um deles.
            Mas, como já afirmei, Alonso deve ficar mesmo em Maranello. Esta “troca” de time do espanhol lançou muita fumaça no ambiente, ótima para quem gosta de fazer alarde com “notícias” bombásticas, mas a verdade é que há pouco fogo mesmo, para não dizer praticamente nenhum, neste caso.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – JULHO DE 2013



            E o mês de julho praticamente chegou ao fim. E, como sempre acontece todo fim de mês, chegou a hora de fazermos mais uma edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com um pequeno balanço do que andou agitando o mundo da velocidade nas últimas semanas. O esquema do texto segue o padrão de sempre: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura a todos, e no mês que vem, estarei de volta com mais uma edição da Cotação. E até breve com novos textos por aqui...



EM ALTA:

Marc Márquez: O garoto prodígio da MotoGP andava um pouco cabisbaixo depois de sua primeira vitória na categoria, em Austin, e parecia ter sido dominado por Dani Pedrosa dentro da equipe da Honda. Mas com Pedrosa tendo seus problemas, Márquez partiu para o ataque, e venceu de forma contundente as duas últimas etapas, assumindo a liderança do campeonato e já livrando 16 pontos de vantagem sobre seu companheiro de equipe e deixando até mesmo Jorge Lorenzo, que também teve seus momentos ruins neste mês de julho, a 26 pontos de distância. Ainda tem muito chão pela frente até o encerramento da competição, em Valência, e é cedo para apontar o garoto como favorito destacado ao título, mas Marc voltou a se tornar o protagonista do campeonato, e os rivais vão ter novamente de encarar um osso duro pela frente.

Scott Dixon: O piloto neozelandês da equipe Chip Ganassi deu uma verdadeira arrancada neste mês de julho no certame da Indy Racing League, ao vencer consecutivamente as corridas de Pocono, e as duas provas realizadas em Toronto. Além de levar o time do velho Chip a vencer novamente, Dixon assumiu a vice-liderança da competição, que até então era disputada pelos pilotos do time de Michael Andretti, e se torna a mais nova e séria ameaça ao líder da competição, o brasileiro Hélio Castro Neves, que tem mantido a cabeça fria a pontuado em todas as provas de forma consistente. Bicampeão em 2003 e 2008, Dixon havia ficado na sombra de seu companheiro de equipe Dario Franchiti nas últimas temporadas, mas do ano passado para cá, parece ter recuperado a velha forma e vem mostrando muito mais desempenho que o escocês. E se mantiver o ritmo demonstrado nas últimas etapas, podem apostar que Scott vai buscar o tricampeonato.

Lewis Hamilton: Quando o campeão de 2008 trocou a segura McLaren pela incerta Mercedes, todos apostavam que Lewis iria passar um bom tempo longe das glórias das vitórias. Pois o atual campeonato está mostrando que, apesar de algumas previsões de que dias difíceis esperavam pelo inglês no time alemão, também demonstra que a aposta de Hamilton está se pagando: ele venceu a prova da Hungria com autoridade, e apesar de ainda não poder falar abertamente em lutar pelo título, está muito mais à vontade na Mercedes do que jamais esteve na McLaren em muito tempo. Pilotando com a mesma garra e tenacidade de sempre, Lewis mostra que a Mercedes fez bem de contratá-lo, e embora ele não tenha a mesma capacidade de liderança de Fernando Alonso, está conseguindo ajudar a levar sua nova escuderia para a frente na luta pelas vitórias. Se o modelo W04 conseguir ser mais dócil com os pneus, vai dar muito trabalho aos concorrentes.

Daniel Ricciardo: O piloto australiano foi eleito por Christian Horner, o chefe da Red Bull, como uma das opções para substituir Mark Webber no time em 2014, além de Kimmi Raikkonen. Isso significa que Jean-Eric Vergne no momento está descartado para subir ao time principal, e deu uma tremenda moral a Ricciardo, que até o presente momento, não pareceu ser muito melhor do que seu companheiro francês na Toro Rosso, tendo inclusive marcado menos pontos que Vergne. Mas é preciso ser realista: a Red Bull quer alguém para comboiar Sebastian Vettel, e não para dividir espaço com o atual tricampeão. Uma parceria com Raikkonen, em que pese a amizade do finlandês com Vettel, poderia ser explosiva, e apesar de sua aparente postura liberal e jovial, o time dos energéticos já andou pegando os vícios da F-1, e certamente vai querer alguém que ande bem, mas não tão bem quanto Sebastian. Claro que Ricciardo pode surpreender e até se mostrar muito mais incômodo do que Raikkonen, mas no momento, só de ser cogitado como uma das duas únicas opções já é um tremendo feito para Daniel.

Rali dos Sertões: A edição 2013 da maior prova de competição cross-country do Brasil mostra que a competição cresce a cada ano, não apenas em número de participantes, mas também em prestígio internacional. Só este ano largaram mais de 180 competidores em mais de 120 veículos, divididos em 5 categorias, e contando com nomes renomados do gênero a nível internacional, como Stéphane Peterhansel, Cyril Despres, e Marc Coma, nomes com larga experiência no maior rali do mundo, o Dakar. Peterhansell, ao lado de seu navegador, Jean-Paul Cottret, aliás, foram os campeões do Dakar 2013, e encabeçam a lista dos favoritos para vencer o Rali dos Sertões. Nas motos, Despres também é o principal favorito, tendo vencido já duas edições da prova nacional. Para a edição deste ano, os competidores tiveram mais de 4 mil quilômetros de percurso, nos Estados de Goiás e Tocantins, divididos em 10 etapas. É a 21ª edição da competição, que já se tornou uma das mais importantes do Brasil e até mesmo do mundo no gênero.



NA MESMA:

Ferrari: O time de Maranello parece seguir a mesma sina este ano vista nas últimas temporadas: não consegue ter um carro com desempenho constante. Se no ano passado começou com um modelo que deixava até seus pilotos incapazes de disputar o Q3 nas classificações, e depois conseguiu evolui-lo ao ponto de em determinado momento ser o melhor carro da temporada, para novamente perder desempenho, este ano o time italiano começou o campeonato muito melhor, mas em contrapartida, pareceu perder fôlego nas últimas provas, a ponto de ter sido superado em performance por Mercedes e Lótus, e vendo a Red Bull se distanciar ainda mais no campeonato. O time promete reagir a partir da Bélgica, mas o discurso já vem sendo repetido nas últimas corridas, e o que temos visto foi Alonso apenas colher as sobras dos adversários...

Hélio Castro Neves: O piloto brasileiro da Penske segue liderando o campeonato da Indy Racing League, procurando sempre chegar em boas posições pontuáveis, como fez na rodada dupla de Toronto. Mas Helinho tem de procurar voltar a vencer para neutralizar com mais força os eventuais rivais, que continuam fortemente à espreita, e que acaba de ganhar o reforço de Scott Dixon, um adversário talvez ainda mais perigoso do que Ryan Hunter-Reay, Marco Andretti, ou James Hinchcliffe. Helinho tem procurado correr com a cabeça, e procurado ficar longe de encrencas nas corridas. Tem funcionado, mas em algumas provas, precisa melhorar seu desempenho, mesmo que não visando a vitória, como em Pocono, onde teve uma performance apenas mediana. Aumentar a diferença na classificação é vital, e para sua sorte, seus adversários até agora não conseguiram demonstrar a mesma constância do brasileiro. Mas isso pode mudar, e as chances de finalmente conquistar o título, ficarem novamente adiadas...

Equipe Williams: O time de Frank Williams finalmente saiu do zero este ano, graças ao 10° lugar de Pastor Maldonado no GP da Hungria, mas não há razão para comemorar: o carro continua, como diria Nélson Piquet, uma merda. Maldonado só pontuou graças ao abandono de Nico Rosberg, e à punição de Nico Hulkenberg, que com certeza terminariam à sua frente, e nem citei Adrian Sutil, que também não teve o resultado que esperava na corrida. E Frank Williams ainda teve que ver seu outro piloto abandonar com o motor fumegante, andando sempre no pelotão de trás. O time contratou Pat Symonds para dar um jeito na área técnica da escuderia, mas este ano já foi literalmente para o vinagre, e o time precisa agora ver se vai chegar a 2014, quando terá motores Mercedes turbo.

Felipe Nasr: Nosso futuro candidato a piloto de F-1 segue na luta para tentar o título da GP2, e pelo menos teve um fim de semana produtivo na Hungria, quando conseguiu reduzir a desvantagem para Stefano Coletti para apenas 6 pontos. Mas o problema principal é que Nasr até o momento não venceu este ano na GP2, e apenas manter a constância e regularidade pode não ser o suficiente para chegar ao título. Com os times da F-1 observando o que acontece na competição, a falta de vitórias também pode comprometer um pouco a impressão que se tem do piloto brasileiro. Felipe faz bem em esquecer a F-1 e preferir se concentrar em vencer o campeonato da GP2 por enquanto, pois o título da categoria é certamente um belo cartão de visitas para quando chegar a hora de negociar sua entrada na categoria máxima do automobilismo. Espera-se que essa concentração o faça conseguir as vitórias que faltam para definitivamente credenciar-se como vencedor para tentar vaga na F-1. O duro é que, para entrar na F-1 hoje em dia, o dinheiro está valendo muito mais do que o talento apenas...

Equipe Lótus: O time de Enstone voltou a fazer ótimas corridas na Alemanha e na Hungria, e Kimmi Raikkonen assumiu a vice-liderança na classificação com dois pódios em 2° lugar. A escuderia também se aproxima rapidamente da Ferrari na tabela de construtores, e parece ter boas chances de manter-se firme na luta entre os primeiros colocados. Mas, se os resultados andam bons nas corridas, as classificações precisam ser melhores, a fim de capitalizarem com a excelente performance de economia de pneus que o chassi E21. Na Hungria, Raikkonen teve de partir de 7° lugar para chegar ao pódio, e a luta com os demais pilotos certamente fez perder tempo para chegar aos ponteiros. O time também precisa que Romain Grossjean tenha ou mais sorte, ou não se meta em confusões na corrida, como aconteceu em Hungaroring, onde teve falta de sorte e quase arruma confusão séria em disputa de posições. O ponto positivo é que seu maior trunfo, Raikkonen, tem tudo para permanecer no time, apesar da tentadora vaga que se abrirá na Red Bull em 2014...



EM BAIXA:

Will Power: O piloto australiano da equipe Penske decididamente não consegue se acertar nesta temporada na IRL. Sem vencer há mais de um ano, o australiano por vez ainda tem conseguido um ou outro resultado satisfatório, mas vem levando um banho de Hélio Castro Neves na atual temporada, e isso parece ter mexido com seus brios. Prova disso foram as corridas da rodada dupla de Toronto, onde sempre esteve perto de ser um dos vencedores da prova, ou terminar no pódio, mas que no finalzinho, andou cometendo erros crassos que não apenas fizeram naufragar suas chances de um bom resultado, como ainda o jogaram bem para trás na classificação de ambas as provas. Como resultado, Power é apenas o 10° colocado na classificação, com 273 pontos. Helinho, seu companheiro na Penske, lidera a competição, com 425 pontos. Será que Power ainda consegue reagir?

GP de F-1 em New Jersey: E ainda não será em 2014 que a Costa Leste americana terá seu tão sonhado (por Bernie Ecclestone, claro) Grande Prêmio de Fórmula 1. Na incerteza de sofrer outro cancelamento por falta de verbas para pagar suas exorbitantes taxas de direitos para sediar uma corrida, o chefão da FOM resolveu aceitar a oferta de Dietrich Mateschitz e levar a F-1 de volta a Zeltweg, na Áustria, onde o dono da Red Bull reformou o antigo autódromo A-1 Ring. A força dos dólares garantidos dos energéticos enfim dobrou o velho Bernie, que ainda queria ver a nova corrida americana, mas com um limite na casa das 20 corridas por temporada, e com mais uma prova para estrear no ano que vem, era preciso jogar pelo seguro. Resta agora saber quem vai dançar para a entrada dos russos em 2014...

Saúde financeira na F-1: E a crise econômica por pouco não fez mais um time de F-1 fechar. A Sauber acabou fechando uma parceria com um grupo de investidores da Rússia, e com isso, a escuderia suíça, que no ano passado teve sua melhor participação no campeonato, escapou de praticamente fechar as portas. Um sinal pra lá de preocupante, pois se mesmo com todo o bom desempenho em 2012, só conseguiu patrocínios decorrentes da presença de Esteban Gutierrez em seu carro este ano, imagine se não conseguisse mostrar resultados? E podem surgir mais vítimas: a Williams pode perder o patrocíonio polpudo da PDVSA se Pastor Maldonado se cansar da baixa performance dos carros de Grove. E se o venezuelano partir, quem vai segurar os papagaios de Frank Williams? Valtteri Bottas conta com algum aporte financeiro, mas o grosso do time neste momento está sendo bancado pela estatal venezuelana de petróleo. Tendo sido, há anos atrás, a escuderia mais poderosa da F-1, sem dúvida os últimos tempos têm sido implacáveis com a Williams. O horizonte não parece muito animador, infelizmente, a se continuar gastando tanto na F-1, ainda mais com a escassez de patrocinadores dos últimos tempos...

Felipe Massa: O piloto brasileiro está de volta àqueles dias em que as coisas não dão certo como deveriam. Felipe vem tendo vários problemas nas últimas corridas: sofreu acidentes em Mônaco e Montreal, e acabou sendo uma das vítimas dos estouros de pneu na Inglaterra, além de sofrer uma rodada logo no início do GP da Alemanha e ficar de fora da corrida. E na Hungria, uma disputa de posição mais ferrenha com Nico Rosberg fez com que seu bico ficasse ficasse danificado, comprometendo parte de sua performance, e ainda por cima seu time ainda insistiu em não trocar a peça. Com isso, os rumores de que o brasileiro pode, de novo, estar com os dias contados em Maranello voltaram, e a presença de nomes potenciais disponíveis no mercado para 2014 só ajuda a apimentar os boatos. Massa, claro, diz que não está preocupado com isso, e ainda tem um bom número de provas para reverter esse momento desconfortável, que nem chega perto do que o brasileiro viveu no ano passado, e que conseguiu superar com méritos na fase final do campeonato. Mas não deixa de ser novamente incômodo voltar a ter sua posição teoricamente em risco na Ferrari. Infelizmente, Massa declarou na Hungria que prefere sair da F-1 se não tiver um carro que lhe permita vencer, e no momento, opções em outros times estão bem escassas, e com Felipe em aparente desvantagem por não estar sendo considerado sequer como opção por outras escuderias, se não renovar com a Ferrari, Massa pode realmente ficar de fora da categoria.

Jorge Lorenzo: o atual bicampeão da MotoGP teve um mês de julho para esquecer. Acidentou-se forte em Assen, fraturando a clavícula, foi operado, e correu na base do sacrifício, no fim de junho. Mas na corrida seguinte, em Sachsenring, na Alemanha, acidentou-se de novo, ferindo a mesma clavícula, e precisando se submeter a nova cirurgia, ficando de fora da corrida. Voltou a competir em Laguna Seca, onde foi 6° colocado. Ainda em recuperação, viu o rival Marc Márquez vencer as últimas corridas e abrir uma boa vantagem na classificação, e a expectativa, pelo menos ainda para a próxima corrida, em Indianápolis, é de pelo menos tentar minimizar o prejuízo, uma vez que somente em setembro o piloto espanhol deverá estar recuperado totalmente. Isso se pelo menos não sofrer nenhum novo acidente, o que complicaria a situação. As quedas podem ter determinado o fim das chances de lutar pelo tricampeonato este ano. Se por um lado Dani Pedrosa também se acidentou e também está se recuperando neste momento, por outro lado, Márquez está aproveitando como nunca a chance de abrir vantagem, que poderá ser muito difícil de reverter mais adiante. Ah, e para aumentar o calvário de Lorenzo, Valentino Rossi já está a apenas 20 pontos atrás, e querendo muito passar à frente na classificação do campeonato. Desgraça pouca é bobagem...

 



sexta-feira, 26 de julho de 2013

CHARADA HÚNGARA



Circuito de Hungaroring: muitas curvas e um fortíssimo calor esperam os pilotos da F-1.

          Depois de 3 semanas, eis que a Fórmula 1 está de volta, e chegamos ao circuito de Hungaroring, nas cercanias de Budapeste, reconhecidamente a mais bela capital do leste europeu. Mas, se a cidade encanta pela sua beleza, o mesmo não se pode dizer do circuito que desde 1986 sedia a prova húngara: pista travada e sem maiores atrativos, as corridas por aqui raramente oferecem muita emoção, e mesmo atualmente se podendo contar com o sistema do DRS e o Kers, as possibilidades de ultrapassagens ainda ficam abaixo do que normalmente se gostaria que fossem.
            Por vezes, isso possibilita algumas corridas bem disputadas, como foi em 1990, quando Thierry Boutsen venceu aqui largando da pole e tendo de se virar com uma turma feroz logo atrás, que incluía nomes como Ayrton Senna e Nigel Mansell, que não tinham medo de partir para o ataque. Em outras ocasiões, o clima ajudou a deixar a corrida mais agitada, como foi em 2006, quando Jenson Button conquistou nesta pista sua primeira vitória na categoria. Mas, na maioria das vezes, a corrida tem sido monótona, e é preciso saber usar bem da estratégia para salvar um bom resultado na corrida, se tiver feito uma má classificação. Portanto, largar na frente sempre é fundamental nesta pista.
            Todos os times chegaram à Hungria com algumas novas dúvidas na cabeça. Se o teste feito em Silverstone semana passada ajudou a confirmar a maior durabilidade dos novos compostos disponibilizados pela Pirelli, o forte calor do verão europeu certamente vai dar mais trabalho do que todos imaginavam. E, por isso mesmo, apesar de saber que contarão com pneus que certamente não sofrerão as agruras vistas durante o GP da Inglaterra, as escuderias não sabem exatamente como os novos pneus irão reagir ao forte calor húngaro. Os compostos deste final de semana serão os macios e os médios, na prática os compostos intermediários do rol de opções da fábrica. O problema é que a temperatura está mesmo forte, e a previsão de tempo é que possa chegar perto dos 40 graus no domingo, e não estamos falando do calor no asfalto do circuito.
            Normalmente, um forte calor assim já torna o acerto aerodinâmico um pouco mais complicado: o ar quente é mais leve, e portanto exige acertos mais refinados no ajuste aerodinâmico. Nada exatamente complicado, mas na pista de Hungaroring os carros já usam praticamente todo o apoio aerodinâmico possível nas asas, devido ao excesso de curvas e a velocidade final não ser muito elevada. Tração é fundamental para sair bem nas curvas. O problema é acertar tudo de forma a não comprometer exageradamente a velocidade do carro na reta dos boxes, praticamente o único ponto favorável de ultrapassagens. A asa móvel traseira ajuda, mas se não conseguir entrar na reta bem próximo do adversário, o esforço pode ser inútil.
            O forte calor também preocupa os times pela necessidade de refrigeração dos sistemas. O ar quente faz os radiadores trabalharem a fundo, e por isso mesmo, todo ar mais fresco é bem-vindo. E, para isso, convém ficar o menos possível perto do adversário que vai à frente, pois a baforada de ar quente que os carros soltam não é nenhuma brisa. Só que, sem embutir no adversário, não se fazem ultrapassagens. Portanto, é preciso caprichar no acerto para que o carro receba todo o ar fresco possível.
            Mas os pneus ainda vão concentrar a maior atenção dos técnicos. Se por um lado os compostos não dêem possibilidade de furos ou estouros anormais como os vistos na Inglaterra, os times estão entrando hoje na pista quase que a zero no conhecimento dos novos compostos. Os treinos feitos em Silverstone semana passada já deram uma boa base para os times, mas Silverstone é Silverstone, e estamos em Hungaroring, com perfil de curvas, velocidade, e asfalto com características diferentes. E o forte calor ainda vem botar, literalmente, mais lenha na fogueira. Ninguém sabe exatamente qual vai ser a durabilidade “ideal” dos pneus, e saber tal informação é crucial para se planejar a estratégia de corrida. Embora não se espere o mesmo número elevado de pit stops vistos em Barcelona, ninguém pode afirmar que duas paradas bastarão para se chegar ao fim da corrida. É plausível afirmar que o número ideal será de 3 paradas, mas os carros que tratarem os pneus de forma mais suave talvez possam arriscar fazer apenas 2 trocas.
            Neste ponto, quem sai perdendo é a Mercedes, que não pôde treinar semana passada cumprindo pena pelo teste “secreto” da Espanha em maio. Todos os demais times já tem algumas idéias do que os novos pneus podem apresentar, e isso já lhes dá uma boa vantagem. Por outro lado, é preciso também considerar que a relação de forças vista até agora pode sofrer mudanças com os novos pneus. Ao mudar ligeiramente a construção dos compostos, e voltar a utilizar o kevlar e não o aço na cinta dos pneus, quem possuía carros com boa adaptação aos compostos desde o início do campeonato pode passar a não ter o mesmo comportamento a partir de agora. Ferrari, Lótus e Force Índia tinham chassis que sabiam lidar bem com os pneus. Isso irá se manter agora? Pelo seu lado, a Mercedes entra na pista hoje com câmeras de sensor térmico instaladas nos flaps de suas asas dianteiras, com o objetivo de vigiar os pneus dianteiros, e permitir ao pessoal do Box acompanhar em tempo real as condições dos compostos. E há quem tema que, por usar uma construção mais similar à do ano passado, a Red Bull, que já tem conseguido se distanciar com Sebastian Vettel na classificação, fique ainda mais poderosa, e que o campeonato perca parte de sua competitividade com isso. A conferir na pista hoje.
            Por todas as dúvidas apresentadas pelo calor e pelos novos pneus, os treinos livres de hoje deverão ser bem aproveitados. Todas as escuderias precisam ter noção mais exata do que os novos pneus poderão render no forte calor da Hungria, e ver se seus carros reagem aos novos pneus da forma como é esperada. Dos dados obtidos hoje deverá sair a resposta mais clara para se decifrar a charada húngara deste fim de semana. E o fim de semana deve ser mesmo de muito trabalho: depois de domingo, inicia-se o período de “férias” da F-1, que só voltará a se reunir praticamente daqui a um mês, em Spa-Francorchamps. Embora as fábricas das escuderias fechem em parte deste período, vai ser um mês cheio de estudos no restante do tempo, e para tal, toda a informação que puder ser obtida aqui no GP da Hungria será crucial para abastecer as planilhas e sistemas de estudos visando aprimorar o comportamento dos carros para a fase seguinte do campeonato, que terá a maioria de suas provas disputadas longe da Europa.
            Este é o momento mais importante para se colher dados que poderão significar continuar evoluindo no atual campeonato ou passar a ser figurante. E, complicando ainda mais o panorama, os times também precisam focar seus estudos para os projetos da próxima temporada. Dos times de ponta, a McLaren é quem já definiu que 2013 é um ano perdido, e passará a focar mais seu projeto de 2014. Mesmo assim, o time de Woking continuará promovendo melhorias nos carros, mas sem a mesma prioridade do projeto 2014. Para os demais times, em especial Ferrari, Lótus, Red Bull e Mercedes, a batalha com certeza continuará mais centrada ainda este ano, pelo menos por mais algumas semanas.
            Diante dos desafios que a prova da Hungria está apresentando, fica a dúvida: veremos uma boa prova no fim de semana, por conta dos novos pneus, ou será que teremos mais uma corrida sem grandes disputas? Acho que só saberemos mesmo no domingo, e espero que os novos pneus ajudem a deixar a competição mais agitada – no bom sentido, claro. E brigas na pista nunca são demais...


Avisando a quem ainda não sabe: a TV Globo rifou a corrida húngara de sua programação de domingo. A emissora carioca vai transmitir a missa do Papa Francisco, que está no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude. Quem quiser ver a corrida de F-1 precisará recorrer ao canal pago SporTV, que pelo menos mostrará a prova ao vivo.


Lewis Hamilton venceu a corrida da Hungria no ano passado. Hoje na Mercedes, o inglês demonstra não ter o mesmo entusiasmo de 2012, devido ao fato de não se sentir “confortável” o suficiente no carro. O inglês também não pode afirmar que lutará pela vitória, uma vez que a Mercedes não tem maiores informações de como seu carro reagirá aos novos pneus, mas certamente a situação mais adversa é da McLaren, que no ano passado venceu aqui com Hamilton, e neste ano se contentará se puder marcar pontos, devido ao péssimo rendimento do modelo 2013...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – AGOSTO DE 1996 – 02.08.1996



            Em mais um texto da seção Arquivo, trago este que foi publicado no dia 02 de agosto de 1996. O assunto era um pequeno balanço da disputa dos títulos dos campeonatos da F-1 e F-Indy naquele ano. Finda a prova da Alemanha na F-1, havia apenas 5 corridas para fechar o ano, muito diferente dos dias de hoje. Na F-Indy, também havia muita expectativa na disputa do título, em um momento de alta popularidade de um certame que hoje não existe mais, tendo sido substituído pela rival IRL. Completando a coluna, algumas notas sobre os acontecimentos recentes do momento no círculo do automobilismo. Uma boa leitura a todos...


HORA DE FAZER CONTAS

            Findo o Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1, e faltando agora apenas 5 provas para terminar o mundial de 1996, começam os cálculos para estimar até onde a disputa do campeonato pode se prolongar. Na F-Indy, o clima é igual, faltando apenas 4 etapas a se findar o torneio.

            Começando pela F-1, ninguém mais duvida que o título de construtores seja da Williams. Se marcar apenas mais 2 pontos na próxima etapa do campeonato, na Hungria, o time de Frank Williams assegurará matematicamente o título de construtores. O time mais próximo, a Benetton, precisaria vencer todas as corridas faltantes em dobradinha, e ainda torcer para que a Williams não marcasse mais nenhum ponto para levar o título por uma diferença mínima. No momento, a Williams soma 125 pontos, contra apenas 47 da rival que a derrotou em 95.

            Já no que se refere ao campeonato de pilotos, apenas na Bélgica o campeonato poderá ser decidido matematicamente. Damon Hill tem 21 pontos de vantagem sobre Jacques Villeneuve, e só poderá ser superado, na melhor das hipóteses, por ocasião do GP da Itália. A liderança do inglês, entretanto, deve aumentar nas próximas etapas. Se vencer em Budapeste, Hill ficará a apenas 9 pontos do título, se Villeneuve não conseguir marcar nenhum ponto.

            E os demais pilotos? Não podem fazer mais nada além de assistir à luta particular dos pilotos da Williams. Jean Alesi está a 42 pontos de desvantagem de Hill, enquanto Michael Schumacher, o atual campeão mundial, encontra-se 47 pontos atrás do inglês. As chances matemáticas existem, mas só um milagre permitiria a reação de ambos no campeonato. Com isso, eles tratam de se preocupar mais é com suas posições no certame. Entre Alesi, 3º no mundial, e Berger, seu colega de equipe e 7º colocado na classificação, tudo pode mudar nas próximas 5 etapas. Alesi está apenas 15 pontos na frente de Berger, e entre estes 15 pontos encontra-se Michael Schumacher, David Couthard, e Mika Hakkinem. O mesmo vale para suas equipes: Benetton, McLaren e Ferrari estão bem equilibrados na tabela de construtores.

            Já pelos lados da F-Indy, a coisa ainda mais complicada. Jimmy Vasser está com Al Unser Jr. em seus calcanhares. A diferença é de apenas 1 ponto (Vasser tem 112 e Al Jr., 111). Com 4 etapas ainda pela frente, com 88 pontos em jogo, ainda estão na disputa Gil de Ferran (com 92 pontos), Christian Fittipaldi (com 87), Michael Andretti (73), Alessandro Zanardi e Greg Moore (ambos com 72 pontos), André Ribeiro (71), e mais vários outros pilotos. O grosso da disputa, entretanto, deve ficar mesmo entre Al Unser Jr. , Gil de Ferran e Jimmy Vasser. O piloto da Chip Ganassi, porém, perdeu em Michigan a melhor oportunidade para aumentar a sua vantagem. Todas as provas restantes serão disputadas em circuitos mistos, onde a concorrência tem se dado muito melhor. Um pouco por fora, vem a dupla da equipe Newmann/Hass, Christian Fittipaldi e Michael Andretti, que podem embolar a situação nas etapas finais.

            Independente de todas estas contas, os pilotos aceleram fundo nas corridas finais, tanto na F-1 quanto na F-Indy. Afinal, a esperança é a última que morre, e no automobilismo, nenhum piloto que se preze desiste de lutar até o fim.





Émerson Fittipaldi, felizmente, já passa bem, depois de sofrer o mais violento acidente de toda a sua carreira, durante a disputa das 500 Milhas de Michigan, pela F-Indy. O acidente, motivado de maneira irresponsável por Greg Moore, por pouco não teve conseqüências mais graves. Nosso campeão, entretanto, só deverá voltar a competir, na melhor das hipóteses, em 97. A recuperação deve levar cerca de 2 meses, no mínimo.





Agora é definitivo: Gil de Ferran muda de equipe para 97 na F-Indy. A equipe ainda não está definida. O motivo é que Jim Hall resolveu mesmo fechar a sua escuderia ao término desta temporada, e se aposentará do automobilismo. A opção mais plausível é a Walker, que perderá Robby Gordon, mas ganhará o motor Honda, caso contrate o piloto brasileiro.





A Penske não gostou muito do resultado das 500 Milhas de Michigan. Apesar do 4º lugar de Al Unser Jr. na corrida, o acidente com Émerson Fittipaldi deixou Roger Penske muito indignado com a atitude de Greg Moore, e está exigindo uma punição para o canadense. Isso sem falar que Paul Tracy, o outro piloto do time, bateu forte no treino de sábado e teve o pescoço imobilizado, com ferimentos similares aos de Émerson, mas menos graves. Fora os danos nos pilotos, lá se foram também dois carros, o que deve manter os mecânicos da fábrica da Penske bem ocupados nos próximos dias.





Só para refrescar a memória: não foi a primeira vez que Greg Moore se envolveu em confusões com os Fittipaldi; em Long Beach, o piloto canadense acertou o carro de Christian Fittipaldi numa tentativa estúpida de recuperar sua posição, perdida instantes antes para o brasileiro. Ambos foram parar no muro. Émerson, que passava pelo local pouco depois, acabou levando as sobras, ao passar por cima de pedaços da suspensão do carro do sobrinho, e ter de abandonar a corrida por causa disso. Christian, que ficou bravo à beça no momento, quase partiu para a briga com Moore, mas os fiscais de pista apartaram os dois.





“Eu devia tê-lo nocauteado em Long Beach!”, declaração de Christian Fittipaldi em relação ao que Greg Moore aprontou desta vez em Michigan...





O treino de classificação do GP da Alemanha de F-1 reservou boas surpresas em seu final. Quando a torcida e Michael Schumacher preparavam-se para comemorar a pole na corrida, Damon Hill surgiu do nada e, numa volta demolidora, como Ayrton Senna costuma fazer, derrubou a concorrência. O ânimo da torcida esfriou ainda mais quando Gerhard Berger, logo a seguir a Hill, tirou o alemão da primeira fila de largada. Na corrida, a emoção ficou por conta de Hill e Berger, que lutaram roda a roda pela vitória até o motor do austríaco deixá-lo a pé quase no finalzinho da corrida. Destaque para Schumacher, que conseguiu chegar ao final da prova, mas com atuação pífia. Não fossem as quebras de Berger e Mika Hakkinem, o bicampeão teria amargado um 6º lugar irrisório perante sua torcida...





Rubens Barrichello confiava na força do motor Peugeot para atingir um bom resultado em Hockeinhein, mas finda a corrida, estava desiludido: o carro estava sem tração e sem estabilidade. “Se não fomos bem aqui, onde mais iremos?”, declarou o piloto brasileiro, em desânimo.





Gerhard Berger anda mesmo azarado. Depois do estouro do motor Renault que jogou por terra sua magnífica atuação em Hockeinhein, agora foi a vez do piloto ter o seu jato particular apreendido pelas autoridades austríacas, sob alegação de falta de pagamento de alguns impostos...





Heinz-Harald Frentzen e Rubens Barrichello são os nomes mais cotados no mercado de pilotos para a próxima temporada. Tudo dependerá, entretanto, se a Williams dispensar Damon Hill e se a nova motivação de Gerhard Berger fazer Flavio Briatore mantê-lo no time da Benetton em 1997...