quarta-feira, 23 de março de 2011

ESPECIAL FÓRMULA 1 2011

            Estamos para começar outro campeonato da F-1, e hoje faço um pequeno especial sobre o campeonato deste ano. Curtam o texto, e vamos para os primeiros treinos livres...

F-1 2011: TODOS CONTRA A RED BULL


Time campeão de 2010 é o principal favorito; Ferrari pode ser a principal opositora


Adriano de Avance Moreno


            Vai começar o campeonato de F-1 de 2011, e todos parecem ter um consenso nas expectativas para a disputa deste ano: a equipe campeã de 2010, a Red Bull, é a principal favorita na luta pelo título. Embora a escuderia austríaca não tenha propriamente imposto nenhum massacre nos testes realizados na pré-temporada, quem acompanhou a performance dos carros projetados por Adrian Newey certamente viu que eles contam com os principais fatores que determinam a excelência de um projeto vencedor: o novo RB07 mostrou estabilidade, fiabilidade, e velocidade.
            Sebastian Vettel e Mark Webber enfrentaram pouquíssimos problemas durante os dias de testes, e efetuaram boas simulações de corridas com os novos pneus da Pirelli marcando tempos estáveis e constantes por bom número de voltas. Adrian Newey, projetista do time austríaco, concentrou-se apenas em evoluir o excelente carro de 2010, o que parece ter conseguido com grande êxito, uma vez que, diferente do modelo 2010 em seus primeiros testes, o carro 2011 não sofreu nenhum problema mecânico significativo. E contando com uma dupla bem forte, que é mantida desde 2009, a escuderia das bebidas energéticas tem tudo para sair na frente logo na primeira etapa. A dúvida que todos tem é quanta vantagem a escuderia realmente possui frente aos concorrentes. Um risco que estes temem é que o time acabe até correndo sozinho, se confirmadas as impressões indiretas da competitividade do novo carro. Então, todos estão contra a Red Bull.
            Pelo resultado dos testes da pré-temporada, a Ferrari é o único time que, à primeira vista, pode desafiar o poderio da Red Bull. O novo carro 2011 mostrou excelente fiabilidade e velocidade nos testes, mas os próprios ferraristas admitem que estão um pouco abaixo dos carros rubrotaurinos, mas não sabem precisar qual o tamanho de sua desvantagem. Um ponto positivo para a equipe de Maranello é que Felipe Massa parece ter se dado muito bem com os novos pneus italianos, e assim, fazer marcação cerrada em cima dos adversários, o que não conseguiu muito no ano passado devido ao comportamento dos pneus Bridgestone. À boca pequena, dizem que o maior trunfo da Ferrari vai ser centrar forçar em apenas um piloto, enquanto a Red Bull, a exemplo do que fez em 2010, deverá permitir a luta direta entre seus titulares. E com certeza, a Ferrari conta com essa divisão de forças na Red Bull para poder se sobressair no campeonato. Mas é uma jogada que não oferece muitas garantias, especialmente se a vantagem da concorrente for tal que nem mesmo a Ferrari consiga aproveitar a seu favor. Outro ponto positivo para os italianos é que os demais concorrentes potenciais parecem estar abaixo dos carros vermelhos no momento.
            Três forças potenciais, McLaren, Mercedes e Renault, tem seus próprios problemas para superar, o que indica que podem levar um tempo até conseguirem se meter na briga direta. Na McLaren, o novo modelo MP4/26, com um visual dos mais arrojados na lateral, ainda não está plenamente testado e desenvolvido, e o time enfrentou diversos problemas de fiabilidade nos testes. Mesmo não podendo subestimar a capacidade técnica da escuderia de Woking, tudo indica que Lewis Hamilton e Jenson Button terão um início de ano mais complicado do que o esperado. E o tempo que será necessário para chegar ao nível em que Red Bull e Ferrari se encontram pode comprometer as esperanças de luta pelo título.
            Pelo seu lado, a Renault sofreu um forte golpe com a perda de Robert Kubica, que era o principal motivador do time em sua nova fase, que se revelou uma grata surpresa no ano passado, e com perspectivas ainda mais animadoras para este ano. Nick Heidfeld pode não ter o brilhantismo do polonês, mas é um piloto regular e eficiente, e poderá ajudar o time a reencontrar sua motivação para a temporada. O novo modelo R31 mostrou potencial, e o que poderiam ser chances reais de vitória agora viram apenas esperanças. Mas o principal ponto fraco da escuderia continua sendo Vitaly Petrov, que ganhou mais uma chance para provar que merece estar na F-1 graças ao patrocínio russo que ajuda nas finanças da escuderia. Mas se Heidfeld fizer um bom trabalho, quando Kubica puder voltar a pilotar, as chances de Petrov permanecer podem ficar bastante reduzidas.
            Na Mercedes, em que pese as promessas otimistas de um ano melhor do que 2010, a verdade é que o novo modelo W02 ainda não impressionou ninguém. O time que foi campeão em 2009 sob o comando de Ross Brawn ainda não conseguiu reeditar a eficiência daquela temporada. Michael Schumacher e Nico Rosberg podem ter outra temporada sem os resultados que ambos esperam. Se para a sorte do time da Mercedes outras escuderias potenciais como Renault e McLaren estão com seus programas complicados, não se pode ter tranqüilidade quanto a isso. O time espera, contudo, que Michael Schumacher recupere seu ritmo de corrida e ajude a escuderia de forma mais efetiva do que em 2010, quando Nico Rosberg praticamente eclipsou o heptacampeão na pista, marcando a grande maioria dos pontos do time.
            Quem pode atrapalhar os planos de McLaren, Renault e Mercedes vem logo atrás: Sauber e Williams apresentaram bons projetos de carros para 2011, fica apenas a dúvida de quão longe podem ir este ano, mas a expectativa é terem uma performance bem melhor do que a do ano passado. A Sauber volta a ter um orçamento garantido por patrocínios, setor onde a escuderia penou em 2010, sobrevivendo dos restos de garantia da BMW nas contas a pagar. Se Kamui Kobayashi continuar surpreendendo como fez desde sua estréia na categoria, o time de Peter Sauber pode dar algumas dores de cabeça aos outros times nas primeiras posições dos GPs. Já o time de Frank Williams apresentou um carro com design bem arrojado e algumas soluções interessantes na parte traseira. Rubens Barrichello é a maior esperança do time em voltar a disputar as primeiras colocações, e o brasileiro tem sido fundamental no desenvolvimento técnico do carro. O problema é o orçamento limitado, algo que pode ser contornado com criatividade e trabalho duro, mas na F-1 milagres raramente acontecem, e se a Williams não espera voltar a vencer corridas este ano, espera pelo menos conseguir voltar ao pódio. Tanto na Sauber quanto na Williams, a esperança é que seus novos pilotos, que levaram boas quantias de patrocínio (leia-se Telmex e PDVSA), se mostrem rápidos e talentosos, e sem tendência a se envolverem em acidentes.
            A Toro Rosso chegou a impressionar em alguns dos testes, mas dificilmente a equipe “menor” da Red Bull poderá aspirar ao sucesso atualmente vivido pela “matriz” na categoria. Vai ser um ano decisivo para seus pilotos, pois a direção da Red Bull tem outros pilotos em seu programa de desenvolvimento, e se Sebastien Buemi e Jaime Alguerssuari não mostrarem serviço, alguém poderá ser dispensado ao fim do ano, talvez até mesmo ambos. Na Force Índia, os testes foram discretos, sem empolgar ninguém, o que pode significar que o time indiano pode ter um declínio ao invés de evolução em 2011. Adrian Sutil mostrou seu talento em várias corridas, mas também mostrou-se propenso a cometer vários acidentes, e isso tem comprometido potenciais bons resultados que com certeza fizeram falta ao time. Paul Di Resta é o novo companheiro de Sutil, e deverá mostrar serviço para ajudar o time a ir para a frente.
            Nas demais escuderias, todas surgidas no ano passado, o panorama é tentar fazer um ano melhor do que o da estréia. Neste objetivo, a Lótus parece ter evoluído de forma significativa, a ponto de esperar intrometer-se na disputa de posições com os times já estabelecidos na categoria. O novo T128 contudo, ainda precisa de mais fiabilidade, o que pode comprometer os esforços de Jarno Trulli e Heikki Kovalainen. A Marussia Virgin apresentou um carro melhor do que o de 2010, mas é difícil dizer se haverá uma performance melhor, pois as outras equipes ainda mantém uma diferença difícil de ser descontada. Até mesmo a Lótus pode ter se distanciado sobremaneira, o que significa que a Virgin muito provavelmente vai correr sozinha em seu pelotão, uma vez que a Hispania, a última escuderia, conseguiu aprontar seu modelo novo sem conseguir testar, o que significa que o time espanhol novamente deve ser a rabeira do grid.
            O campeonato já começa “atrasado”, uma vez que a corrida inicial, no Bahrein, acabou adiada (muito provavelmente cancelada mesmo) devido aos distúrbios que vem ocorrendo no Oriente Médio. Neste fim de semana, então, os carros partem para a estréia do campeonato nas ruas do Albert Park, em Melbourne, para o Grande Prêmio da Austrália. É hora de acelerar novamente para mais um campeonato. A F-1 está de volta!
F-1 2011: OS BRASILEIROS


Felipe Massa e Rubens Barrichello acreditam em um ano melhor do que 2010


Adriano de Avance Moreno


            Este ano o Brasil contará com apenas 2 pilotos titulares na F-1. Rubens Barrichello vai para sua 19ª temporada, e com mais de 300 corridas de participação no currículo, é a peça central da Williams para tentar retornar aos bons tempos de equipe vencedora. O brasileiro surpreendeu a escuderia no ano passado, que havia projetado um carro inteiramente novo para o também novo motor Cosworth, e sua capacidade foi fundamental para a escuderia inglesa reencontrar seu rumo durante o campeonato. Para este ano, a meta é manter a elevação de performance, e tentar, ainda que gradativamente, retornar aos primeiros lugares. Para tanto, a capacidade de Barrichello desenvolver o novo FW33 será fundamental.
            De ponto positivo, Rubens continua com a motivação em alta, e tendo pela primeira vez desde que deixou a Stewart em 1999 um time que acredita plenamente nele, vai tentar mostrar que esta confiança não é desmerecida. Pelo segundo ano, Rubens terá um companheiro novato no time, a quem precisará mostrar os macetes da categoria. No ano passado, Nico Hulkemberg elogiou muito o brasileiro, e declarou que aprendeu muito com ele. Mas a necessidade econômica fez Frank Williams precisar da verba da PDVSA, contratando Pastor Maldonado, atual campeão da GP2, embora sem ter o mesmo brilho dos outros campeões da categoria.
            Se em 2010 faltou um pódio, apesar de em uma ou outra oportunidade ter chegado bem perto, este ano é tentar voltar a ele. Vitórias ainda são um objetivo difícil de ser atingido. O objetivo primordial é pontuar com regularidade, e isso já vai ser algo complicado, pela qualidade dos outros principais times. Mas justo quando menos se espera de Barrichello é que ele costuma render mais. Pode ser o caso deste ano. Os testes de pré-temporada foram bem aproveitados pelo brasileiro, e o FW33 parece ter nascido bem, ao contrário do carro do ano passado, que se mostrou fraco a princípio. Mesmo que não consiga vencer, se levar a Williams de volta ao pelotão da frente, já terá conquistado um grande resultado para a temporada, e que provavelmente o veremos em 2012 ainda na F-1.
            Para Felipe Massa, este é o ano do tudo ou nada para ele na Ferrari. Abatido no ano passado pela preferência que o time deu a Fernando Alonso antes mesmo do meio da temporada, que resultou no lamentável episódio da Alemanha, Felipe sabe que precisa partir para o ataque logo de cara se não quiser repetir o mesmo destino este ano. Só que outro ano como 2010 pode significar o fim da carreira de Massa em Maranello, como a escuderia já deu a entender pelas cobranças feitas em cima do brasileiro nos últimos meses. A desculpa da falta de adaptação aos pneus não vai poder ser usada, já que os novos compostos da Pirelli agradaram bastante a Felipe, e o carro 2011 tem demonstrado resistência e velocidade, o que o torna talvez o melhor do grid depois do RB07 da Red Bull.
            O desafio maior de Massa não será apenas na pista, mas também nos boxes, terreno onde Alonso costuma marcar seu território por vezes com mais competência do que na pista. O espanhol conseguiu atrair o time para volta de si ano passado durante o segundo semestre, e por pouco não ficou com o título, o que certamente deu muito crédito ao asturiano, que não hesitará em usar este retrospecto quando precisar alijar o brasileiro de uma possível opção preferencial do time, caso Massa consiga sair na frente e se manter lá durante o campeonato. Se Felipe conseguir realmente se garantir na pista, e mostrar resultados comparáveis ao que exibiu em 2008, seu melhor ano na categoria, poderá ter a revanche contra o espanhol, e ganhar a preferência da escuderia. O perigo é se a Ferrari, que promete sempre disputa “aberta” e “igual” a seus pilotos durante as corridas iniciais, já começar o ano com o espanhol eleito como prioridade. Neste caso, as boas performances de Massa podem ajudar a complicar sua situação, ao invés de ajudar. E Alonso, por sua vez, já deu mostras que não deixará de fazer valer sua “posição” de bicampeão, que por sinal, quer dizer nas entrelinhas que só ele é a opção correta a ser feita. Basta lembrar de seu chilique em Hockeinhein ano passado, quando não conseguiu ultrapassar o brasileiro na pista...
            De qualquer maneira, Felipe tem de mostrar este ano que ainda é o piloto que foi vice-campeão em 2008. Seja para continuar na Ferrari até o fim de seu contrato em 2012, ou continuar como titular da escuderia vermelha, seja para mostrar às demais equipes que, se quiserem contar com ele, será uma excelente opção de piloto, caso sua permanência em Maranello seja abreviada. E, se isso acontecer, batalhar um lugar em outro time para 2012 pode até significar o fim de suas chances em um time de ponta na F-1, pois a curto prazo, os demais times vencedores tem opções bem limitadas para se tentar uma vaga.
            Nos bastidores, o Brasil terá ainda mais dois representantes: Bruno Senna é o primeiro reserva da Renault, posição que também é ocupada por Luiz Razia na Lotus. Mas suas participações ficarão restritas a no máximo alguns treinos livres nas sextas-feiras. Na melhor das hipóteses, tentarão ser titulares em 2012.
F-1 2011: CALENDÁRIO, PILOTOS E NOVIDADES TÉCNICAS


Categoria tenta, mais uma vez, regras novas, e dentre elas, uma polêmica.


Adriano de Avance Moreno


            A F-1 inicia 2011 com algumas novidades, tentando ser mais atrativa para o público, que anda enjoado das corridas sem ultrapassagens dos últimos tempos. Na tentativa de promover mais disputas na pista, a FIA elaborou algumas mudanças, para tentar facilitar as ultrapassagens. Uma tentativa até válida, mas que muitos acham ter ido na direção errada.
            Uma novidade é a volta dos pneus da Pirelli, uma vez que a Bridgestone deixou a categoria. A pedido da FOM, a fabricante italiana produziu uma série de compostos bem diferenciados, com durabilidade mais limitada de acordo com o composto, o que deve promover mais paradas nos boxes e, consequentemente, exigir estratégias de corrida mais diferenciadas. Saber ser rápido e ao mesmo tempo poupar os pneus será algo imprescindível este ano. E o desgaste dos compostos pode comprometer totalmente um bom resultado numa corrida, se não for bem administrado. Nessa incerteza da durabilidade e performance dos novos pneus a entidade aposta em corridas menos previsíveis e disputadas.
            Este ano temos a volta do Kers, o dispositivo de reaproveitamento de energia, que transforma a força das fortes freadas dos monopostos em alguns segundos de cavalaria adicional no motor. Diferente de 2009, quando o mecanismo surgiu, agora é uma peça padronizada, igual para todas as escuderias. Para ajudar a acomodar o peso extra do Kers, o peso mínimo dos carros foi aumentado – de 620 para 640 Kg, de modo a ajudar as equipes na distribuição de seus lastros de peso, que visam melhorar o equilíbrio do carro. Pelo sim pelo não, alguns pilotos tiveram que perder peso para ajudar os times neste quesito (Rubens Barrichello, por exemplo, emagreceu 5 Kg a pedido da Williams). O uso do Kers pode ser crucial para eventuais tentativas de ultrapassagem, mas seu uso pode ser anulado se o piloto à frente também o usar para se defender, o que já foi muito visto em 2009.
            Uma regra que muitos acham polêmica – para não dizer besta, é sobre o uso da asa traseira móvel, permitida no aerofólio traseiro, que poderá ter sua lâmina superior mais ou menos inclinada, durante a competição, usando um comando que será acionado pelo piloto. A medida pode resultar em um ganho de velocidade de até cerca de 12 Km/h, o que pode facilitar as ultrapassagens. O problema é que o piloto só poderá usar o dispositivo se estiver a menos de 1s do carro imediatamente à sua frente, e dentro de uma “faixa” delimitada determinada pela FIA, para não mencionar que o carro à frente não poderá utilizar a asa móvel para se defender da eventual ultrapassagem ou tentativa. Nos treinos, o uso da asa móvel será livre, o que muitos acham que seria mais correto estender também à corrida, o que poderia ser feito em um número máximo de utilizações determinado por prova. Mas, como sempre tem acontecido ultimamente, a FIA bate o pé, não ouve ninguém, e impõe a regra do jeito que quer.
            O difusor duplo, que foi o principal mote da aerodinâmica dos carros em 2009, foi proibido, assim como o esquema do duto de ar concebido ano passado pela McLaren e posteriormente adotado em diversos outros carros. Isso obrigou as escuderias a redesenharem seus extratores traseiros para compensar a perda de pressão aerodinâmica nesta área. Nada que as escuderias não consigam superar. O fim do duto de ar significa mais segurança na pilotagem, uma vez que os pilotos precisaram se mexer dentro do cockpit para ativar a eficiência do dispositivo
            Outras medidas adotadas foram a inclusão de um segundo cabo de aço para segurar cada roda dos monopostos, por medida de segurança, já que dependendo do tipo de acidente, apenas um cabo poderia não garantir que a roda se desprendesse e voasse longe.
            Muitos apostam que a diferença dos novos compostos de pneus deverá produzir muito mais resultados do que o uso do Kers ou da asa móvel traseira. É esperar que pelo menos as corridas tenham mais emoção e disputas. Ainda assim, a FIA promete novos estudos para tornar as corridas mais atrativas, e já pensa em verificar os próprios circuitos onde a categoria corre, de forma a pode ver quais medidas poderão ser adotadas para melhorar os GPs. Mas isso, provavelmente só terá reflexos na próxima temporada, em 2012.

EQUIPES E PILOTOS


EQUIPE
CHASSI
MOTOR
PILOTOS
Red Bull
RB07
Renault V-8 RS27
Sebastian Vettel
Mark Webber
McLaren
MP4/26
Mercedes V-8 FO108Y
Lewis Hamilton
Jenson Button
Ferrari
150° Italia
Ferrari V-8 056
Fernando Alonso
Felipe Massa
Mercedes
W02
Mercedes V-8 FO108Y
Michael Schumacher
Nico Rosberg
Renault
R31
Renault V-8 RS27
Nick Heidfeld
Vitaly Petrov
Williams
FW33
Cosworth V-8 CA2010
Rubens Barrichello
Pastor Maldonado
Force India
VJM04
Mercedes V-8 FO108Y
Adrian Sutil
Paul Di Resta
Sauber
C30
Ferrari V-8 056
Kamui Kobayashi
Sérgio Perez
Toro Rosso
STR06
Ferrari V-8 056
Sebastien Buemi
Jaime Alguerssuari
Lotus
T128
Renault V-8 RS27
Jarno Trulli
Heikki Kovalainen
Hispania
HRT F111
Cosworth V-8 CA2010
Vitantonio Liuzzi
Narain Karthikeyan
Marussia Virgin
MVR02
Cosworth V-8 CA2010
Timo Glock
Jerome D’Ambrosio

CALENDÁRIO 2011


DATA
CORRIDA
CIRCUITO
27/03
Grande Prêmio da Austrália
Melbourne
10/04
Grande Prêmio da Malásia
Kuala Lumpur
17/04
Grande Prêmio da China
Xanghai
08/05
Grande Prêmio Turquia
Istambul
22/05
Grande Prêmio Espanha
Barcelona
29/05
Grande Prêmio de Mônaco
Monte Carlo
12/06
Grande Prêmio do Canadá
Montreal
26/06
Grande Prêmio da Europa
Valência
10/07
Grande Prêmio da Inglaterra
Silverstone
24/07
Grande Prêmio da Alemanha
Nurbugring
31/07
Grande Prêmio da Hungria
Hungaroring
28/08
Grande Prêmio da Bélgica
Spa-Francorchamps
11/09
Grande Prêmio da Itália
Monza
25/09
Grande Prêmio de Cingapura
Cingapura
09/10
Grande Prêmio do Japão
Suzuka
16/10
Grande Prêmio da Coréia do Sul
Yeongam
30/10
Grande Prêmio da Índia
Nova Déli
13/11
Grande Prêmio dos Emirados Árabes
Abu Dhabi
27/11
Grande Prêmio do Brasil
Interlagos

sexta-feira, 18 de março de 2011

A IRL 2011

            Semana que vem inicia-se o campeonato da F-1, com o Grande Prêmio da Austrália. Neste momento, equipes e pilotos da categoria já estão a caminho do outro lado do mundo, para se adaptarem com mais facilidade ao horário local, além de aproveitar, por alguns momentos, o belo clima que só os australianos conseguem proporcionar em uma semana de GP. Mas, no próximo final de semana, também terá início o campeonato 2011 da Indy Racing League, que tenta reacertar o seu rumo, e recuperar um pouco do prestígio que a antiga F-Indy tinha em seus melhores dias.
            Até o fechamento desta coluna, pelo menos 24 pilotos estavam confirmados para disputar a temporada de forma regular. E destes, apenas 3 brasileiros firmes no grid: Hélio Castro Neves, sempre na equipe Penske (12ª temporada no time de Roger Penske); Bia Figueiredo, na Dreyer & Reinbold; e Vitor Meira, na Foity. Tony Kanaan ainda está acertando sua participação na competição, uma situação constrangedora para uma categoria que se pretende recuperar seu prestígio, se não consegue ter lugar para um piloto campeão como o brasileiro, que possui inegável qualidade técnica, arrojo e garra. Tony tinha conversas adiantadas em especial com duas escuderias, a KV e a Newmann-Hass, mas até o presente momento, nada oficial foi divulgado, mas as chances de Tony alinhar no grid semana que vem são bem favoráveis. Alguns times ainda tentam fechar o orçamento para alinhar um segundo carro, e mais um ou outro piloto pode surgir no grid semana que vem. Mas as vagas são escassas: a direção da categoria resolveu limitar o número de participantes das corridas em 26, exceção claro, às 500 Milhas de Indianápolis. A justificativa é melhorar a competitividade da categoria, uma medida de eficácia tremendamente duvidosa, e que já vimos, pode surtir o efeito contrário, vide o ridículo limite de carros que a F-1 adota há mais de 10 anos e nunca atingido.
            Ganassi e Penske devem dominar, mais uma vez, o campeonato. São os melhores e mais estruturados times. A Penske reforçou seu esquema de 3 carros, mantendo sua trinca de pilotos de 2010. Já a Ganassi dobrou sua estrutura, criando um “segundo” time, que embora seja tudo parte da mesma empresa, se comportarão como estruturas separadas na competição. O favoritismo fica com os pilotos da divisão “principal” da Ganassi, Scott Dixon e Dario Franchiti; e a trinca da Penske. Os demais times devem fazer figuração. A Andretti, considerada a 3ª força da categoria, deve sentir a perda de Tony Kanaan, que dava o principal rumo técnico no acerto dos carros do time. Michael Andretti não se esforçou para manter o piloto brasileiro, e resta saber agora se não vai lamentar sua ausência nesta temporada.
            As demais escuderias tentarão abocanhar o que sobrar, mas as chances são pequenas. Outro ponto em que a IRL anda devendo à antiga F-Indy, onde a maior competitividade era a regra, não a exceção, como vem ocorrendo nos últimos anos. Este será a última temporada de uso dos chassis Dallara, bem como dos atuais motores aspirados da Honda. A partir do ano que vem, os times usarão um novo modelo de chassi “básico” que poderá ser customizado livremente pelas escuderias. Novos motores também deverão surgir, ajudando a dar uma revigorada técnica na categoria, que usa os mesmos carros e propulsores há praticamente 10 anos sem mudanças quase. A categoria por pouco não perdeu os pneus da Firestone, que havia declarado que sairia do certame no fim deste ano: a fabricante voltou atrás e confirmou sua permanência até 2013. E este ano a IRL adotará uma novidade, que será a relargada “dois-a-dois” nas corridas, ao invés da tradicional fila indiana usada até o ano passado, após cada período de bandeira amarela. A intenção é facilitar eventuais tentativas de ultrapassagem nas relargadas, algo que estava difícil no sistema de fila indiana. Espera-se que os pilotos não exagerem na dose, para evitar possíveis acidentes neste momento, uma vez que em alguns circuitos, especialmente os de rua, o espaço de pista costuma ser bem mais restrito. Outra novidade é que a prova de encerramento do campeonato, em Las Vegas, terá 5 convidados “especiais”, e um prêmio também especial de cerca de US$ 5 milhões, se um destes convidados vencer a corrida. A intenção é criar um atrativo extra para a prova final do campeonato.
            Para a temporada, resta saber se a Bandeirantes, que tem os direitos de transmissão, vai se acertar, evitando o esquema “roleta-russa” visto nos últimos anos, o que deixou o fã de corridas bem desapontado com a maneira como várias corridas foram apresentadas, ora no canal aberto, ao vivo, ora em VT compacto, ora na TV paga, etc. Estabilidade de transmissão e horários claros são essenciais para se fidelizar o fã do automobilismo. Nos Estados Unidos, a categoria continua capengando, com a maioria das provas sendo transmitidas através da Versus, canal pago que nem de longe se compara a uma ESPN. Apenas 5 das 16 provas serão transmitidas em canal aberto, no caso, a rede ABC.
            Resta saber se a IRL conseguirá ou não melhorar seu status de categoria automobilística este ano. Se não conseguir piorar, provavelmente já terá sido uma vitória. Mas a saudade da antiga F-Indy continua batendo forte, lembrando o quanto se perdeu quando ela deixou de existir, sobrando isso que temos hoje. E já que é isso o que se dispõe, que tenham sorte de conseguir melhorar o quanto puderem. E que venha a bandeira verde...


Calendário da Indy Racing League 2011:


DATA
CORRIDA
TIPO DE CIRCUITO
27/03
Grande Prêmio de São Petesburgo
Urbano
10/04
Grande Prêmio do Alabama
Misto
17/04
Grande Prêmio de Long Beach
Urbano
01/05
Grande Prêmio do Brasil
Urbano
29/05
500 Milhas de Indianápolis
Oval
11/06
Grande Prêmio do Texas
Oval
19/06
Grande Prêmio de Milwaukee
Oval
25/06
Grande Prêmio de Iwoa
Oval
10/07
Grande Prêmio de Toronto
Urbano
24/07
Grande Prêmio de Edmonton
Misto
07/08
Grande Prêmio de Mid-Ohio
Misto
14/08
Grande Prêmio de New Hampshire
Oval
28/08
Grande Prêmio de Sonoma
Misto
04/09
Grande Prêmio de Baltimore
Urbano
17/09
Grande Prêmio do Japão
Oval
02/10
Grande Prêmio do Kentucky
Oval
16/10
Grande Prêmio de Las Vegas
Oval


Pilotos e equipes de 2011 (confirmados até o fechamento desta coluna):


Equipe
Pilotos
Penske
Hélio Castro Neves
Will Power
Ryan Briscoe
Ganassi
Scott Dixon
Dario Franchiti
Graham Rahal
Charlie Kimball
Andretti
Marco Andretti
Danica Patrick
Mike Conway
Ryan Hunter-Reay
Dreyer & Reinbold
Bia Figueiredo
Justin Wilson
Newmann-Hass
James Hinchcliffe
Oriol Servia
Dale Coyne
Sebastién Bourdais (*)
Panther
JR Hildebrand
Foity
Vitor Meira
Fischer
Ed Carpenter
HVM
Simona de Silvestro
KV
Takuma Sato
E.J. Viso
Conquest
Sebastian Saavedra
Sam Schmidt
Alex Tagliani

(*) = A confirmar.

quarta-feira, 16 de março de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – NOVEMBRO DE 1993

            Esta foi minha segunda coluna, escrita ao fim de novembro de 93. O campeonato de F-1 tinha terminado, e vimos em Adelaide mais um show de Ayrton Senna, que venceu a corrida praticamente de ponta a ponta, encerrando um ciclo vitorioso de 6 anos na equipe McLaren, onde conquistara 3 títulos e dois vice-campeonatos. Ao se mudar para a Williams no ano seguinte, todos esperavam um novo ciclo vencedor na carreira do piloto brasileiro. Quis o destino, porém, que as brilhantes corridas feitas por Ayrton em Suzuka e Adelaide daquele ano fossem suas últimas exibições de gala na categoria. Alain Prost despediu-se por cima na F-1, com um tetracampeonato, e com uma aparente reconciliação com Senna, de quem andava de relações rompidas desde o início de 1989. Um campeonato que deu mais competição do que se imaginava. Tudo o que se esperava era que a F-1 continuasse no rumo certo do resgate da competitividade há muito perdida com as supremacias, hora de McLaren, ora de Williams.
            Bom, fiquem agora então com mais uma COLUNA PISTA & BOX da seção ARQUIVO:...

COMPARAÇÕES E EXPECTATIVAS

Adriano de Avance Moreno

            Terminou. Agora, só em 1994. Mais um ano, mais uma temporada que passa. E como passa. No início do ano, parecia uma eternidade; agora, no fim do ano, vemos e constatamos que não foi tão longo assim.
            Para avaliarmos bem a temporada deste ano, faço uma comparação, talvez meio boba, entre os campeonatos da F-1 e F-Indy com suas respectivas temporadas de 1992, para ver como se saíram, se progrediram, ou regrediram. Já de cara, podemos ver que a F-1, apesar de tudo, acabou progredindo: o campeão só foi conhecido faltando 2 provas para o encerramento da temporada; em 92, faltavam 5 corridas. Nesse quesito, a F-Indy regrediu: o título foi decidido na penúltima prova, enquanto em 92, só na última.
            Passando para outros critérios de competitividade, vamos ver se houve progressão ou regressão. No tocante a pole-positions, a F-1 ficou na mesma: apenas 3 pilotos conquistaram poles em 1993, assim como em 1992; já na F-Indy, houve regressão: apenas 6 pilotos fizeram poles em 1993, enquanto em 1992, foram 7 pilotos.
            Já quanto ao número de pilotos vencedores, a F-1 regrediu: foram apenas 4 pilotos a vencerem corridas em 93; em 92 tivemos 5 pilotos. A F-Indy continuou igual, com 6 pilotos vencedores em ambas as temporadas. Já referente ao número de equipes vencedoras, a F-1 manteve-se na mesma, com apenas 3 times a conseguirem vitórias tanto em 92 quanto em 93. A F-Indy regrediu nesse aspecto: em 92 5 equipes conseguiram vencer corridas, contra apenas 3 em 93.
            Resumindo, a F-Indy manteve-se competitiva, embora em grau ligeiramente menor do que em 92; a F-1 melhorou muito em relação a 92, mas ainda não foi o suficiente. Há de se ressaltar que, em termos de competição, houve muito mais emoção em 93 do que em 92. Para provar, cito as provas de Kyalami, Interlagos, Suzuka, Donington Park, Mônaco, Estoril e Adelaide, onde houve boas disputas.
A F-Indy mantém seu panorama de competitividade para 1994 totalmente em aberto. Já a F-1 mostra que está no caminho certo: as últimas provas deste ano mostraram que as equipes estão se aproximando, embora a Williams ainda detenha certa vantagem. Para 94 as perspectivas são animadoras: a Ferrari virá com o novo carro projetado por John Barnard, considerado o melhor projetista da F-1; a Benetton também pode incomodar, se a Ford melhorar a potência de seus motores (se trocar o V-8 por um V-10, quem sabe); mas a Williams ainda mantém o seu favoritismo, já que contará com o fabuloso motor Renault, e agora com Ayrton Senna ao volante de seus carros; a McLaren mostrará o que pode fazer com o novo chassi MP4/9, e o novo motor Peugeot; a Lótus vem novamente impulsionada pelos motores Honda, agora sob a denominação Mugen; a Ligier continua a sua evolução a melhores níveis, calcada nos motores Renault; a Sauber melhora seu staff técnico, agora com o apoio oficial da Mercedes, que com certeza deverá colocar sua equipe em um nível elevadíssimo, e etc, etc.
            Não podemos também esquecer as novas equipes que irão estrear na categoria. Apesar das dificuldades, a F-1 mais uma vez mostra sua vitalidade e sua força de sobrevivência, apesar dos desmandos e da crise de competição pelo qual passou nas últimas temporadas. Agora é esperar por 94, e torcer muito para que as previsões de um ano novo cheio de emoções e disputas venham a se concretizar. Até lá, então...