quarta-feira, 24 de junho de 2015

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - JUNHO DE 2015



            Olá novamente a todos os leitores. Já estamos chegando nos finalmentes do mês de junho, com praticamente metade do ano de 2015 já tendo ido embora. O tempo parece realmente voar nessas horas, assim como nas competições automobilísticas, e chegou novamente a hora de termos mais uma edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com uma avaliação dos acontecimentos do mundo do esporte a motor neste mês que está se encerrando. Então, uma boa leitura a todos, com o velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). E a até a próxima edição da Cotação Automobilística, que estará disponível aqui no final do próximo mês...



EM ALTA:

Porsche nas 24 Horas de Le Mans: A recordista de vitórias na mais famosa prova de endurance do planeta mostrou que não retornou à categoria no ano passado para fazer figuração, e esse ano simplesmente arrasou na corrida disputada no famoso circuito em Le Sarthe. O modelo 919 mostrou toda a sua velocidade nas longas retas do circuito de Le Mans e abocanhou as 3 primeiras posições no grid com o novo recorde da pista, e venceu a prova em dobradinha, obtendo sua 17ª vitória na mítica prova de 24 Horas, exatamente 17 anos depois de seu último triunfo, em 1998. Vencida a corrida mais famosa do calendário do Mundial de Endurance, a Porsche agora vai atrás do título do campeonato, e não é mero blefe. Os concorrentes que se cuidem...

Nico Hulkenberg: O piloto alemão andava em baixa ultimamente na F-1, decepcionado por ser preterido para guiar pelos times mais importantes da categoria, mesmo após dar provas de seu talento nos últimos anos guiando carros limitados. Portanto, quando surgiu o convite da Porsche para guiar seu carro extra nas 24 Horas de Le Mans na classe LMP1, o piloto alemão aceitou logo de cara, já visando uma possível transferência para a categoria de endurance no caso de sua carreira na F-1 não decolar. E ele conseguiu bem mais do que esperava, ao vencer a prova em parceira com os pilotos Earl Bamber e Nick Tandy. A vitória serviu para Hulkenberg recuperar sua moral, e o alemão chegou ao circuito da Áustria muito assediado pela imprensa e pelos colegas de categoria, pela inveja de seu triunfo em Le Mans. E, mostrando sua motivação renovada, Nico ainda largou em ótima posição no grid e terminou em 6° lugar, melhor resultado do ano para a Force India. E seu nome tornou a ser cogitado, nas fofocas, como candidato a substituto de Kimi Raikkonem na Ferrari para 2016. Mas, se a Porsche o convidar para ser seu piloto na endurance, creio que ele deixará a F-1 para trás, assim como Lucas Di Grassi fez anos atrás...

Disputa brasileira na F-E: Está chegando ao final o primeiro campeonato de carros elétricos monopostos, e com grande sucesso pela empreitada que começou meio desacreditada no ano passado, mas que foi crescendo a cada prova disputada, e com um grid de pilotos que soube encontrar seu lugar ao sol mesmo depois de perder suas chances na F-1. Restando apenas a rodada dupla de Londres para ser disputada, o duelo pelo título se dará entre os brasileiros Lucas Di Grassi e Nelson Angelo Piquet, dois nomes que também não conseguiram firmar sua carreira na F-1, ainda que por motivos diferentes. Com 17 pontos de vantagem na liderança da competição, Nelsinho Piquet é o  grande favorito, mas não dá para comemorar antecipadamente. Lucas Di Grassi ainda tem boas chances de título, mas vai precisar de uma boa combinação de resultados para vencer a parada. E eles ainda têm que se preocupar com Sebastien Buemi, que vem logo atrás, em 3° lugar, e ainda pode surpreender e levar a taça se algo acontecer entre a dupla verde-amarela. Mas, é a primeira vez desde 2003, na Indy Racing League, que temos dois pilotos brasileiros chegando na reta final de um campeonato de monopostos de renome como astros da decisão do título. Naquele ano, Gil de Ferran e Hélio Castro Neves chegaram na última etapa do campeonato com chances de conquistar o título junto com Scott Dixon, e o neozelandês faturou o campeonato.

Jorge Lorenzo: O piloto espanhol da Yamaha continua mandado bala na MotoGP, e averbou em Barcelona sua 4ª vitória consecutiva no campeonato, encostando de vez no líder Valentino Rossi, que tem agora apenas 1 ponto de vantagem para o parceiro na escuderia nipônica. Como já havia feito nas últimas etapas, Lorenzo assumiu a ponta logo na largada e tratou de se mandar na liderança, deixando os rivais se digladiando atrás de si. A performance do bicampeão espanhol deixou seu compatriota e atual bicampeão Marc Márquez bem pressionado, a ponto de o piloto da Honda acabar caindo nas últimas etapas. Lorenzo anda mesmo impossível, e até mesmo Rossi tem tido dificuldades para conseguir brecar o ímpeto do parceiro, que vai em busca da liderança do campeonato em posse do italiano, e quer o tricampeonato da categoria rainha do motociclismo. Os rivais que se cuidem...

Equipe Ducati na MotoGP: A marca italiana, que passou os últimos anos na categoria rainha do motociclismo apenas como coadjuvante, está surpreendendo mesmo este ano na MotoGP, e é a 2° colocada na competição de fabricantes. Falta voltar a vencer, é verdade, mas seus dois pilotos estão sempre ali nas primeiras posições, prontos para aproveitar quaisquer brechas que os atuais favoritos da Yamaha possam inadvertidamente oferecer, e aproveitando que a Honda está tendo seu ano mais complicado do que esperava. A Ducati já conseguiu largar na pole em duas provas em 2015, e sua dupla ocupa a 3ª e 4ª posições no campeonato, com um equilíbrio bem satisfatório entre Andrea Iannone e Andrea Dovizioso. Alguns percalços impediram melhores resultados, mas a Ducati voltou a ser uma das protagonistas da competição, e a qualquer momento, pode retornar ao círculo das vitórias, em sua busca para voltar a disputar efetivamente o título e conquistá-lo, o que não acontece desde 2007, quando foi campeã com Casey Stoner.



NA MESMA:

McLaren/Honda: O time de Woking já pode considerar a temporada de 2015 a pior da história do time desde que Ron Dennis assumiu a direção da escuderia em 1980. O motor Honda, além de pouco potente, não tem mostrado a fiabilidade melhorar, e para piorar, até mesmo o modelo MP4/30 começa a deixar dúvidas sobre seu potencial, uma vez que tudo parece não ter fiabilidade. Em duas pistas de alta velocidade, a performance dos carros de Fernando Alonso e Jenson Button foi patética, com ambos os pilotos tendo de deixar a corrida sem conseguir mostrar praticamente nada. E o time já estourou o limite de motores para a temporada com seus dois pilotos, que só não pagaram a punição prevista pelo regulamento porque ficaram fora de combate logo às primeiras voltas da corrida austríaca. Nem é preciso dizer que o ambiente anda carregado na escuderia inglesa pela falta de performance e de resultados...

Equipe Williams: É consenso geral de que a Williams não melhorou tanto quanto se imaginava do campeonato de 2014 para este ano na F-1. Se desafiar a Mercedes era pedir demais, o time inglês acabou sendo surpreendido pela melhoria da Ferrari, que se tornou facilmente a segunda força do campeonato, e até já conseguindo vencer uma corrida, aproveitando-se de quaisquer problemas que a Mercedes possa sofrer, estando sempre ali por perto para aproveitar. Só que o time do velho Frank, se não melhorou a performance a ponto de superar o time italiano, aproximou-se a ponto de fazer com os carros vermelhos o que estes tencionavam fazer com os carros prateados, e portanto, nas derrapadas surgidas nas últimas duas corridas, a Williams voltou ao pódio, primeiro com Valtteri Bottas no Canadá, e com Felipe Massa na Áustria, com atuações impecáveis de cada um dos pilotos nas respectivas provas, mostrando que eles podem, com um pouco mais de esforço, entrar firme na luta pelo vice-campeonato de equipes. Não vai ser fácil, pois o modelo SF-15T ainda tem se mostrado superior ao modelo FW37, mas a diferença tem diminuído, e os pódios podem dar o empurrão definitivo para a Williams se motivar e partir para cima da Ferrari no campeonato. Caso contrário, terá no 3° lugar do campeonato um resultado acima das expectativas se levarmos em conta sua postura "conservadora", que não se sustentará se os rivais estiverem em melhor forma. É preciso ser mais ousado, tanto nos boxes quanto na pista, e os seus pilotos não são capazes de fazer tudo sozinhos.

Novela da permanência de Monza na F-1: Com contrato vencendo em breve, o GP da Itália na pista de Monza continua em suspense se segue ou não na F-1. Bernie Ecclestone continua bradando suas ameaças de levar a F-1 a lugares "mais rentáveis", se os organizadores não aceitarem suas exigências financeiras para a renovação do contrato. E o manda-chuva da FOM já deu a entender que não dá a mínima para o circuito italiano, se ele não pagar o que pede. Surgiu até uma conversa de que Ímola poderia passar a sediar a prova italiana, mas esqueceram de mencionar se os administradores do autódromo que era sede do GP de San Marino irão topar as exigências absurdas de Bernie para sediar a prova. O chefão da F-1 ainda aproveitou para desdenhar da França, ao falar que o país não tem nenhum circuito que sirva para a F-1, esquecendo que Magny-Cours e Paul Ricard já sediaram com muita competência o GP francês, e que só não recebem novamente a categoria porque Ecclestone não arreda pé de suas exigências financeiras. Será que a F-1 vai perder mais um GP europeu por causa dessa queda de braço financeira?

Brasileiros na Indy Racing League: Com 10 corridas disputadas até agora no certame 2015 da IRL, Tony Kanaan e Hélio Castro Neves ainda não conseguiram subir ao degrau mais alto do pódio, e vão começando a ficar para trás nas perspectivas de disputar o título da categoria este ano. Tony é apenas o 9° no campeonato, enquanto o parceiro Scott Dixon é o 3° colocado, tendo vencido as etapas de Long Beach e do Texas, e seguindo bem atrás dos líderes Juan Pablo Montoya (1°) e Will Power (2°), ambos da equipe Penske, que já contabilizam 2 e 1 vitória, respectivamente, no ano, enquanto Helinho, também da Penske, até agora não conseguiu exibir performance de domínio em nenhuma corrida no ano. Ou Helinho e Tony reagem, ou vai ser mais um ano na fila de espera de tentar um título...

Mundial de Rali: A etapa da Itália viu mais um triunfo de Sebastien Ogier, que faturou assim sua 4ª vitória no atual campeonato, depois de apenas 6 etapas disputadas. Está difícil segurar o francês, que já tem praticamente o dobro de pontos do 2° colocado na competição. E depois ainda vem gente dizendo que a disputa na F-1 é que está chata. e olha que a competição de rali é muito mais complicada e imprevisível...melhor irem se preparando para ver Ogier comemorar mais um título competição logo, logo...



EM BAIXA:

Estréia da Nissan no Mundial de Endurance: Saudada como mais um time de fábrica para competir na categoria LMP1 no WEC, a marca japonesa já causou sensação pelo projeto de seu protótipo, com tração dianteira, ao contrário dos demais modelos da competição. Mas a expectativa começou a fraquejar depois que a marca anunciou atrasos em sua preparação, e que só estrearia mesmo nas 24 Horas de Le Mans. O atraso já denunciava que o projeto poderia estar com problemas, portanto, um tempo maior de preparação era necessário. Até aí, nada demais. Mas, ao entrar na pista para os primeiros treinos em Sarthe, não houve como esconder a decepção com os carros de tração e motor dianteiros rodando praticamente 20s mais lentos que os mais rápidos, e em alguns casos, sendo superados até pelos competidores da categoria LMP2. Pra não falar que a fiabilidade do modelo parecia não empolgar também. Não deu outra: dos três carros que largaram, apenas um chegou ao final, e por não ter cumprido 75% do percurso de sua categoria, como manda o regulamento, acabou não sendo classificado. E o tormendo promete prosseguir nas próximas etapas, com a marca nipônica precisando trabalhar muito para reverter a má impressão deixada nas 24 Horas de Le Mans.

Equipe Toyota nas 24 Horas de Le Mans: Campeã no WEC em 2014, a Toyota nitidamente regrediu na competição este ano, sendo superada não apenas pela tradicional rival Audi, mas também pela renascente Porsche, que tornaram-se os carros a serem batidos. De favorita nas 24 Horas de Le Mans de 2014, a fábrica japonesa viu seus esforços irem por água abaixo diante do melhor trabalho de corrida da Audi em Sarthe. Com a conquistado título do campeonato, esperava-se que a Toyota redobrasse seus esforços para triunfar finalmente em Le Mans, mas o resultado acabou sendo o oposto: seus carros foram amplamente superados pelos Porsche, e ainda pelos Audi. Se esperava compensar na corrida, com um melhor ritmo e estratégia de prova, o tiro saiu pela culatra, com ambos os carros a ficarem longe da disputa pela vitória, que foi em poucos momentos desafiada apenas pela Audi na resistência à supremacia da Porsche. Pior que a performance para o restante do campeonato WEC também pode ser de tornar-se coadjuvante na luta entre os times alemães, frustrando os planos da fábrica nipônica de obter o bicampeonato do Mundial de Endurance.

Acidentes na F-3 Européia: A garotada inicando carreira no automobilismo internacional deu mostras de ser bem indisciplinada e agressiva além da conta na rodada tripla disputada na pista de Monza, com direito a toques de rodas, suspensões avariadas, entradas e saídas de pista com vários carros lado a lado sem aliviar, e até capotagens, sendo uma delas assustadora. Ninguém se machucou gravemente, mas a pauleira geral na pista foi tanta que a terceira corrida no circuito italiano acabou encerrada antes do tempo em virtude do mal comportamento dos concorrentes, que já haviam levado bronca da organização da corrida. Se o aviso surtiu efeito, não foi total, pois na rodada seguinte, em Spa-Francorchamps, os pilotos voltaram a se estranhar nas corridas, sendo que em uma delas tivemos uma nova capotagem, onde o piloto felizmente não se machucou. Mas, se os garotos não tomarem mais cuidado, uma hora a coisa vai ficar feia, e pode surgir uma tragédia. A FIA nos últimos tempos tem agido com um rigor obssessivo e até doentio no que tange a punições na pista por toques e acidentes, e tudo o que não se precisava era de episódios como o que foram vistos na F-3 Européia dando razão à entidade em sua cruzada por um automobilismo "seguro" ao extremo, tentando eliminar por completo os riscos da competição automobilística, que por natureza, é sempre perigoso.

Punições técnicas na F-1: Desde que entrou em vigor no ano passado o novo regulamento técnico com relação às novas unidades de potência híbridas a serem utilizadas pela categoria máxima do automobilismo que já se falava que o limite do número de motores era demasiado pequeno para um campeonato tão longo, ainda mais se tratando de uma tecnologia nova e que certamente ainda demandaria muito desenvolvimento. Mas, se em 2014 a situação até que correu relativamente bem, com poucas quebras, este ano a situação está ficando feia para os carros equipados pela Renault e pela Honda. As unidades francesas retrocederam em relação ao ano passado, não melhoraram sua performance e ainda ficaram muito menos fiáveis, enquanto os japoneses marcaram bobeira na sua preparação para sua estréia este ano e agora não conseguem obter nem performance, e muito menos fiabilidade. Na Áustria Daniel Ricciardo já precisou utilizar um novo motor, estourando o limite de 4 unidades para o ano, o mesmo ocorrendo com os pilotos da McLaren, que ainda precisaram trocar outros componentes, o que deu, no cômputo geral, cerca de 70 posições no grid de punição para os pilotos envolvidos. Um recorde na categoria que nenhum orgulho vai gerar, muito pelo contrário. E nem falo dos modos de se pagar as punições, que no caso da McLaren a zica do time anda tão alta que seus pilotos ficaram fora de combate antes mesmo de coneguirem pagar as determinações impostas pelo regulamento, cada vez mais confuso e esdrúxulo. Para azar de Renault e Honda, Mercedes e Ferrari estão indo bem, portanto, não lhes interessa mudar as regras, então, franceses e nipônicos que se virem junto com seus parceiros...

Chiadeira da Red Bull na F-1: Aproveitando a oportunidade do GP em seu país, Dietrich Mateschitz voltou a reclamar das regras da categoria, ameaçando tirar seus times de campo, ao afirmar que a F-1 não desperta mais a emoção e paixão de antes. E voltando também a acusar a Renault pelo mau campeonato que vem tendo neste ano. Se é verdade que várias das críticas feitas têm fundamento, e que a F-1 precisa rever muita coisa, por outro lado é patente o sentimento pelo paddock de que o time rubrotaurino está chorando mais do que deveria, enquanto os demais, do jeito que podem, reclamam menos e tentam melhorar. E, para piorar o clima, reforçando o sentimento de mau perdedor do time que foi campeão de 2010 a 2013, é o fato da Toro Rosso, time que também pertence à Red Bull, estar tendo um campeonato de 2015 melhor do que o de 2014, pelo menos até agora. No ano passado, findo o GP da Áustria, o time "B" dos energéticos tinha apenas 12 pontos na competição, enquanto este ano já acumula 19 pontos, uma melhora de 50% nos resultados. Já o time "matriz" despencou dos 142 pontos do ano passado para apenas 55 em 2015. problemas das unidades de potência da Renault à parte, a queda da Red Bull é patente, mostrando que não é apenas o motor que está ruim este ano, mas também o carro. Adrian Newey está fazendo mais falta do que imaginavam...

 

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