sexta-feira, 22 de março de 2024

SÃO PAULO EPRIX 2024

A F-E deu novamente um show na etapa de São Paulo, com vitória e pódios decididos apenas nas últimas curvas da prova, para deleite do público presente.

            A segunda edição do ePrix de São Paulo, realizada no último final de semana na capital paulista, mostrou que a F-E casou bem com a pista concebida junto ao Sambódromo do Anhembi. A exemplo da corrida do ano passado, que mostrou um festival de disputas, a prova deste ano novamente foi marcada pela competição acirrada entre a maioria dos pilotos, e para delírio do público, a vitória da prova foi decidida a duas curvas do final da última volta, com Sam Bird arrancando uma ultrapassagem espetacular sobre Mith Evans para conquistar sua primeira vitória em quase três anos, e a primeira da McLaren na categoria de carros elétricos.

            Se no ano passado a Jaguar foi a grande vencedora da corrida, com três carros no pódio, sendo dois de seu time oficial e um da cliente Envision, este ano foi a Nissan que teve motivos para comemorar. A marca nipônica obteve a vitória com a McLaren de Sam Bird, seu time cliente, e ainda fechou o pódio com uma ultrapassagem na reta de chegada com Oliver Rowland, piloto de seu time oficial, que já tinha ido ao pódio em Diriyah. Rowland se aproveitou do duelo entre Pascal Wherlein, da Porsche, e Jake Dennis, da Andretti, para vir por fora e superar os dois competidores na reta de chegada, arrebatando a 3ª colocação nos metros finais, para decepção da Porsche e Andretti, que perderam o pódio tão almejado. Foi o primeiro triunfo da marca japonesa na competição, após assumir a antiga equipe e.Dams, que era parceira da Renault, que retirou-se da F-E para focar exclusivamente na F-1, deixando a parceira nipônica no comando da operação.

Para o público presente, foi um delírio ver o duelo dos pilotos pela posição restante do pódio entre três pilotos, com Rowland tomando a colocação praticamente na linha de chegada. A torcida já tinha visto um duelo incrível entre Bird e Evans pela vitória nas voltas finais, e acabou brindado com outro duelo pelo pódio. Mas, no cômputo geral a prova brasileira foi de duelos a rodos, para satisfação dos torcedores que compareceram às arquibancadas da pista montada no sambódromo, mesmo com o calor escaldante do fim de semana, justificando o sacrifício diante de sua paixão pela velocidade, com os carros cruzando a reta do sambódromo a mais de 260 Km/h, mostrando que a categoria está cada vez mais rápida.

            Se na F-1 o fã da velocidade pode reclamar da falta de disputas, o ePrix de São Paulo mostrou uma realidade bem diferente na corrida da F-E, que registrou cerca de 212 ultrapassagens durante as 34 voltas da prova, onde boa parte dos competidores andou junta o tempo todo. Foram disputas a rodo, com vários pilotos em luta direta, mostrando novamente um show de competição que já tinha sido visto na etapa de 2023, mas que agora, com os times mais acostumados ao comportamento dos novos carros Gen3, puderam aprimorar e oferecer muito mais emoção aos fãs presentes no sambódromo. Talvez o único problema é que boa parte destas ultrapassagens ocorreram nos trechos de reta da Avenida Olavo Fontoura, na parte de trás do circuito, onde não há arquibancadas, de modo que o público presente não pode curtir como deveria este espetáculo da velocidade, ficando restritos ao trecho da reta do sambódromo. A organização do evento estuda como aumentar as opções de arquibancadas, a fim de que possam não apenas acomodar mais torcedores, ampliando o público presente, mas oferecer um melhor aproveitamento da prova em si, permitindo também que os fãs possam acompanhar os duelos que ocorrem nas retas da Olavo de Fontoura, onde ocorreram muitas disputas entre os pilotos.

Depois de 38 corridas, Sam Bird (acima) voltou ao degrau mais alto do pódio, para dar à McLaren e à Nissan suas primeiras vitórias na F-E, em uma corrida onde o piloto até liderou bom número de voltas (abaixo), mas só arrancou o triunfo nas últimas curvas da corrida, numa disputa com Mith Evans, da Jaguar.


            Depois das reclamações de falta de estrutura de apoio aos torcedores no ano passado, a organização da corrida reforçou este setor para a corrida deste ano, melhorando o número de opções e agilizando o fluxo de atendimento, de modo que o problema foi bem diminuído, proporcionando maior satisfação dos fãs que estiveram presentes à corrida. O público não cresceu praticamente em relação à primeira prova, mas é verdade que o forte calor que se abateu sobre a capital também não ajudou neste quesito, já que as arquibancadas praticamente não tem cobertura em sua maioria, o que era um grande desconforto para os fãs ali presentes. Mas a prova parece estar “pegando” entre os fãs da velocidade, e é possível que os carros monopostos elétricos retornem ainda este ano a São Paulo, já que a data para a corrida ser realizada no ano que vem esbarra nas limitações da data do carnaval, que será no início de março, o que inviabiliza qualquer outra atividade no sambódromo nos dois meses anteriores e no mês posterior. Está sendo considerada a possibilidade da etapa brasileira abrir a próxima temporada, ainda no mês de dezembro de 2024, o que seria bem interessante. As tratativas, porém, ainda carecem de entendimentos que a direção da F-E faz com Los Angeles para sediar uma prova da competição, muito provavelmente no mesmo período, engatando junto com a etapa da Cidade do México, programada para janeiro.

Pascal Wehrlein marcou uma pole apertadíssima para a Porsche, mas perdeu o pódio na reta de chegada, superado pela Nissan de Oliver Rowland.

            A corrida brasileira foi a melhor prova da temporada 2024 até aqui, e o traçado da pista é a principal razão para termos tido boas disputas. As etapas da Cidade do México e de Diriyah ainda foram realizadas em traçados concebidos na segunda geração de carros da competição, mas que não permitem aos novos carros de terceira geração mostrarem todo o seu potencial. A pista paulistana, por outro lado, já foi concebida para aproveitar o potencial dos novos carros da competição, e isso se mostrou patente na primeira edição da corrida em 2023. O traçado  proporciona aos pilotos atingirem altas velocidades com os novos bólidos, e os trechos de reta também oferecem bons pontos de ultrapassagens, incentivando as disputas de posição, com os carros andando em sua maioria em grupo, com vários pilotos brigando entre si por posição na pista, aumentando a emoção das disputas. Um pequeno erro de pilotagem pode ter consequências sérias em termos de posição na pista, como vimos com Nyck Cassidy, o líder do campeonato, que acabou tocando em um outro competidor, danificando o bico de seu Jaguar, que algum tempo depois quebrou de vez, enroscando-se debaixo do carro, e fazendo o neozelandês bater no muro, ocasionando seu abandono da prova. Houve vários toques entre os pilotos, com alguns resultados menos danosos, mas também complicando a situação dos pilotos, em disputa por posições na pista. E, como vimos, não houve calmaria durante a prova, com todo mundo brigando por posição. Claro que, com os toques, o safety car precisou ser acionado, o que ajudou na dinâmica da prova, oferecendo aos carros um pequeno arrefecimento frente ao calor intenso do dia da corrida, o que poderia ter afetado negativamente os carros diante da possibilidade de sofrerem um superaquecimento de seus sistemas, e proporcionou chance de recuperação de alguns pilotos, como foi o caso de Maxximilian Ghunther, que teve de largar lá de trás por punição de ter tido troca de câmbio de seu carro, e pôde brigar para chegar à zona de pontuação, terminando em 9º.

As características da pista paulistana também enfatizam a necessidade do piloto saber gerenciar o uso de sua energia, precisando dosar sua agressividade e fazer a estratégia de corrida com cuidado, a fim de não desgastar sua energia e equipamento sem necessidade, um desafio tremendo quando você está em um bolo de carros, precisando não apenas avançar, mas também se defender para não cair para trás. Assim, nada mais natural que a prova brasileira tenha “pegado fogo” na pista, ao contrário do panorama tedioso visto nas primeiras corridas. E a tendência é a disputa engrenar de vez, porque as próximas etapas são em pistas inéditas na competição, em Tóquio, e Misano, já prontas para aproveitar a capacidade dos carros Gen3. No que dependesse da qualidade da corrida, São Paulo deveria virar etapa permanente, pelas emoções apresentadas. E se os organizadores conseguirem proporcionar uma estrutura ainda melhor aos torcedores, ótimo, porque o que não tem faltado na pista foi disputa e emoção, exatamente o que o fã da velocidade mais deseja.

Sergio Sette Camara (acima) e Lucas Di Grassi (abaixo) bem que tentaram dar alguma alegria a seus torcedores, mas a baixa competitividade dos carros impediu qualquer bom resultado, além dos problemas que ambos tiveram na corrida.


            Os brasileiros na competição, mais uma vez, não puderam oferecer aos torcedores maiores esperanças. Sergio Sette Camara penou mais uma vez com o fraco trem de força da ERT, e por mais que se esforçasse, andou sempre na segunda metade do grid para trás, sem conseguir chegar perto da zona de pontos de forma efetiva, destino que também teve seu colega de time Dan Ticktum. Sergio ainda teve desaire pior de ter sido desclassificado, imaginem só, por uso de energia além do permitido, o que causou um tremendo desgaste do piloto com o time, que repassou informações erradas ao brasileiro, que tinha a informação de que seu consumo de energia não era problemático, para ficar sem carga na última volta, perdendo várias posições, sem que pudesse ter evitado isso diante da informação equivocada passada pela escuderia, o que já teria sido um castigo bem razoável, e depois levando uma desclassificação que certamente não ajudou em nada a melhorar o seu humor. Não por acaso, Sergio já começa a pensar em tentar arrumar um time mais competitivo, e por que não dizer, mais organizado, uma vez que a ERT (antiga NIO) não mostra sinais de melhora, indicando que a temporada não vai ser muito esperançosa.

            Lucas Di Grassi viveu situação similar ao do compatriota. Embora o trem de força da Mahindra tenha dado alguns sinais de melhora, tanto que Edoardo Mortara até conseguiu ir para os mata-matas da classificação, na corrida o equipamento indiano mostra que ainda está muito aquém dos rivais. Com tanto a Mahindra como a ABT a caírem pelas tabelas, apesar de alguns flertes com a zona de pontuação. Di Grassi terminou a corrida em 13º, sem chance de dar alguma satisfação aos torcedores presentes no sambódromo. Uma tônica do que deve ser a temporada, já que nas primeiras provas o desempenho do time do brasileiro tem sido sofrível, em boa parte decorrente do fraco trem de força da Mahindra. Nico Muller até conseguiu andar melhor que Di Grassi no início, tendo conseguido fazer uma classificação melhor, mas também não conseguiu manter a posição na corrida, inclusive sofrendo um abandono, engrossando mais um fim de semana infrutífero da ABT na temporada.

            A F-E segue agora para o outro lado do mundo, para a primeira estréia da temporada 2024, o ePrix de Tóquio, no Japão, marcado para o dia 30 de março, em um circuito montado nas ruas ao lado do Centro de Exposições Internacionais de Tóquio, em Odaiba, mais conhecido como Tokyo Big Sith.

 

 

Encruzilhada na F-E: o Moto Ataque não tem se mostrado mais tão efetivo para aumentar a emoção das corridas da categoria. O problema é que os pilotos tem perdido muitas posições quando precisam sair do traçado para passar no trecho de ativação do recurso, e não tem conseguido recuperar estas posições, mesmo com a potência extra disponível. Em São Paulo, apesar do bom trecho de reta logo após o local de ativação do recurso, mesmo assim os pilotos ficavam no prejuízo, sem conseguirem retomar as posições originais, e muito menos avançar para a frente como era feito antigamente. Por outro lado, os testes do novo “Attack Charge”, que seria um pit stop durante a prova, onde o carro é plugado numa tomada de carregamento rápido para incrementar sua potência e carga das baterias avança a passos muito lentos, com testes realizados até agora nas etapas iniciais do campeonato considerados ainda insuficientes para comprovar a viabilidade e eficiência da nova ferramenta, que deverá ser adotada a partir da etapa de Misano. Jake Dennis, o atual campeão mundial da categoria, defende que o recurso seja implantado o quanto antes, mas admite que os pilotos e times estão divididos em relação ao uso do novo sistema, com alguns deles, como o brasileiro Sergio Sette Camara, defendendo sua introdução apenas no próximo campeonato, a fim de que possam ser realizados mais testes da ferramenta, que já é prometida desde o ano passado pela direção da categoria, mas tem sido adiado devido aos problemas até agora no desenvolvimento da tecnologia, que reintroduziria os pit stops nas corridas, e poderia ajudar a ter corridas de maior duração na competição.

 

 

A Fórmula 1 está em ação novamente, e agora o palco é Melbourne, na Austrália, no traçado montado dentro do Albert Park, que desde 1996 é sede do GP australiano. Na pista, a expectativa de mais um passeio de Max Verstappen e da Red Bull, que iniciou a temporada muito forte. Mesmo a expectativa dos rivais de tentarem superar Sergio Perez não parece muito animadora, visto que o mexicano, apesar de algumas dificuldades, conseguiu fazer a dobradinha sem maiores dificuldades, ficando atrás apenas de Verstappen. Mas, a pista do Albert Park tem lá suas particularidades, e é nisso que os rivais tentam apostar em conseguir dar uma sacudida, ainda que baixa, no favoritismo da Red Bull. A Ferrari, consolidada neste início de temporada como segunda força do grid, confirmou que Carlos Sainz Jr. está de volta ao cockpit em Melbourne, recuperado da cirurgia de apendicite que precisou passar por ocasião do GP da Arábia Saudita, semana retrasada. Com isso, o time italiano deve vir forte para tentar se colocar próximo da Red Bull, e quem sabe, aprontar alguma surpresa. O time italiano tem previsto algumas evoluções para a prova de Suzuka, no Japão, próxima etapa da competição, com o intento de tentar melhorar e conseguir tirar a diferença que ainda a separa da Red Bull em ritmo de corrida. Enquanto isso, a Mercedes tenta acertar as nuances de seu novo carro, que até tem dado sinais encorajadores nos treinos livres, mas que desaparecem nas corridas, mostrando um déficit de performance que ainda é preciso compreender melhor para se resolver. A McLaren espera acertar sua posição de força também, enquanto a Aston Martin testará novamente sua posição na pista, onde Fernando Alonso já falou abertamente que o time precisa melhorar o carro se quiser de fato ter chances de competir mais à frente, vendo que os rivais progrediram, e bem mais que eles.

O Albert Park está pronto para sediar mais um Grande Prêmio da Austrália de F-1.

 

 

Evento especial da Indycar neste fim de semana. Pela primeira vez em mais de 15 anos, a competição irá realizar uma prova extra-campeonato, sem valer pontos. A última vez que isso ocorreu foi em 2008, com o GP de Surfer’s Paradise, prova que era válida pelo campeonato da F-Indy original, que acabou naquele ano, tendo como última corrida realizada o GP de Long Beach. Para evitar multas por rescisão contratual de não-realização da prova, a IRL concordou em disputar a prova, mas sem valer pontos para o seu campeonato, que àquela altura, já tinha se encerrado. Foi a última vez que uma categoria Indy visitou a Austrália, que nunca participou do campeonato da IRL – atual Indycar. A nova corrida, que terá lugar neste final de semana, é chamado de Desafio do US$ 1 Milhão, com o vencedor da corrida recebendo US$ 500 mil de premiação. O palco será o circuito privado do The Thermal Club, localizado em Palm Springs, próximo de Los Angeles e San Diego, na Califórnia. É um circuito misto privado com várias opções de traçados, e que já recebeu a Indycar no ano passado para testes da pré-temporada. A prova será às 13:30 Hrs. deste domingo, com transmissão ao vivo pela TV Cultura, ESPN2 e Star+.

A pista de Thermal Club sediará sua primeira corrida da Indycar, como prova extra-campeonato, neste final de semana.

quarta-feira, 20 de março de 2024

FLYING LAPS – FEVEREIRO DE 2024

            E nem bem iniciamos 2024, e o primeiro trimestre do ano já está indo embora. Já estamos na segunda quinzena de março, e os principais campeonatos do mundo deram suas largadas, iniciando as disputas com tudo. Mas, ainda é preciso terminar algumas tarefas, e por conta das matérias especiais das últimas semanas, eis que só agora, com atraso, chega a nova edição da Flying Laps, que tradicionalmente é publicada na primeira semana de cada mês. Mas, antes tarde do que nunca, e é hora de relacionar aqui alguns acontecimentos do mundo da velocidade ocorridos no mês de fevereiro, com alguns comentários pessoas, como de praxe. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps, que deve vir no início de abril, em sua data habitual, relacionando alguns dos fatos deste mês de março...

 

A Formula-E definiu seu primeiro treino dedicado a novatos na temporada 2024, e que irá ocorrer na pista de Misano, na Itália, por ocasião do ePrix que será realizado no fim de semana da competição. No ano passado, foram realizados dois treinos coletivos, que acabaram liderados por Felipe Drugovich, que era candidato então a ocupar uma vaga na competição. O brasileiro, contudo, optou por insistir em tentar uma vaga na F-1, e pode ter desperdiçado uma boa chance ali de seguir adiante com sua carreira. Mas o Brasil contará com um representante no teste de novatos. Caio Collet, atualmente reserva da equipe Nissan, irá participar do teste, que será realizado um dia antes da corrida, onde cada equipe terá um novato na pista, totalizando 11 pilotos. Se Collet fizer um bom trabalho, seu nome poderá ser mais divulgado na competição na luta por uma possível vaga na temporada de 2025, se ele não desprezar a oportunidade se ela surgir. Quem sabe poderemos ter mais um brasileiro na competição dos carros elétricos na próxima temporada? No momento, temos Sergio Sette Camara, na equipe ERT; e Lucas Di Grassi, na ABT.

 

 

A F-E mal começou a segunda temporada com os carros Gen3, mas já anda de olho na concepção do próximo modelo, o Gen4, com estréia prevista para a temporada de 2027. A intenção é seguir evoluindo cada vez mais a tecnologia dos trens de força, e os novos carros deverão ser ainda mais rápidos que o Gen3, capaz de chegar aos 280 Km/h, com capacidade de potência máxima de 350 Kw. Os novos carros de quarta geração terá potência total de 600 Kw, muito mais que os carros atuais. A capacidade de regeneração energética deve atingir até 700 Kw, superando a própria capacidade de carga total das baterias. Aliás, as novas baterias, com tecnologia mais avançada, deverão ter capacidade de carga de 55 Kwh, contra a capacidade de 38,5 Kwh das utilizadas nos carros Gen3. A maior capacidade das baterias deve permitir a realização de corridas com maior duração. Atualmente, todas as corridas tem uma duração que varia entre 50 e 60 minutos, dependendo das circunstâncias, mas as novas baterias devem permitir provas de até 75 minutos, com muito mais voltas que as edições atuais. Essa evolução da tecnologia elétrica certamente vai permitir carros mais velozes, e por isso mesmo, a direção da F-E precisará ter em consideração que os atuais circuitos que sediam provas da categoria precisarão ser revistos, uma vez que, para poderem utilizar todo o seu potencial, os carros precisarão de pistas maiores, sobretudo retas mais extensas. Já estamos vendo isso nas pistas atuais, diante da performance dos carros Gen3, onde a pista do ePrix da Cidade do México, por exemplo, não permitiu na etapa deste ano boas disputas entre os pilotos, com os trechos de retas se mostrando pequenos para se poder utilizar a maior velocidade dos carros, e dificultando as chances de ultrapassagens. O problema também foi visto na pista de Diriyah, na Arábia Saudita, mas em menor grau, indicando que a pista também precisará ser reavaliada, a exemplo da pista mexicana. Alguns dos novos circuitos que estão adentrando a competição ou estrearam no ano passado, como São Paulo e Portland, por exemplo, já permitem um uso melhor do potencial do modelo Gen3, tendo inclusive proporcionado excelentes provas, com muitas disputas e ultrapassagens. Shanghai e Misano também já foram configuradas para aproveitarem as capacidades do Gen3, e a expectativa de boas provas é bem animadora. Um desafio a ser vencido pela direção da F-E, diante das novas pistas que querem adentrar o campeonato, e da necessidade de adequar os locais de pistas mais antigas.

 

 

Simon Pagenaud segue com sua recuperação. O piloto, campeão da Indycar na temporada de 2016 e vencedor da Indy500 em 2019, sofreu um forte acidente com seu carro da equipe Meyer Shank nos treinos para o GP de Mid-Ohio em julho do ano passado. Embora tenha saído relativamente ileso do forte acidente, o piloto sofreu sequelas devido à violenta desaceleração e à capotagem do carro, tendo sido vetado pelos médicos para participar da prova em Lexington, e tendo ficado de fora do restante da temporada por causa disso, obrigando a equipe a providenciar substitutos para ocupar o carro do piloto francês no restante da temporada. Na incerteza de sua recuperação, a Meyer Shank promoveu Tom Blonqvist para assumir o carro que era de Pagenaud. Já Hélio Castro Neves encerrou sua participação como piloto de temporada integral, preferindo competir apenas na Indy500, de modo que a escuderia contratou Felix Rosenqvist, ex-McLaren, para ocupar o carro do brasileiro. Pagenaud tinha esperanças de voltar a competir em 2024, mas o francês afirma que ainda não está 100% recuperado do acidente, de modo que preferiu adiar seu retorno às competições até estar confiante de sua plena recuperação. Podemos imaginar que não veremos mais Simon como piloto de competição a tempo integral, talvez participando de corridas ocasionais aqui e ali quando estiver plenamente recuperado. Foi o caso de Dario Franchiti que depois de sofrer um forte acidente em Houston em 2013, no qual chegou a sofrer duas fraturas de vértebras, um tornozelo quebrado e uma concussão, preferiu encerrar sua carreira de piloto. Pagenaud não sofreu o mesmo tipo de sequela, e aparentemente, ainda acredita em retornar a carreira de piloto. Resta saber quando isso irá ocorrer...

 

 

Pela primeira vez desde 2014, a Indycar irá encerrar uma temporada com uma etapa em circuito oval. Nashville vai sediar a corrida de encerramento da competição em 2024, em prova marcada para 15 de setembro, e o tradicional circuito de rua usado nos últimos anos não poderá ser usado devido a reformas que irão ocorrer no Titan Stadium, localizado nas proximidades, e que irão impactar as ruas do entorno, entre elas alguns trechos que eram utilizados para compor o traçado que era usado para a corrida. De início, optou-se por refazer o traçado de rua, utilizando outras áreas próximas, mas diante de novas dificuldades surgidas, a direção da categoria optou por uma solução mais prática e fácil: transferir a prova do centro da cidade para o autódromo do Nashville Superspeedway, um circuito trioval de 2,14 Km de extensão, e que já sediou provas da Indy Racing League (atual Indycar) entre 2001 e 2008. Com a realização de uma rodada dupla na pista oval de Milwaukee na virada de agosto para setembro, a temporada atual da Indycar terá 3 provas ovais encerrando a competição este ano. Dos pilotos do grid atual, Scott Dixon é o maior vencedor, com três triunfos, obtidos em 2006, 2007, e 2008. Os brasileiros tiveram chance de vencer neste circuito, com Gil de Ferran tendo triunfado em 2003, e Tony Kanaan vencendo a prova em 2004. Ed Carpenter, Will Power e Graham Rahal, além de Dixon, são os únicos pilotos que já correram no circuito.

 

 

A exemplo da F-1, os pilotos da Indycar também andam descontentes com o reduzido número de testes da pré-temporada. Álex Palou, atual bicampeão da competição, foi enfático ao dizer que o período limitado de testes não permite aos times testarem tudo o que é necessário para começarem bem o ano. O piloto espanhol reclama que a categoria precisa planejar melhor seus dias de testes, a fim de proporcionar às escuderias melhores chances de poder desenvolver seus carros a contento para iniciarem a temporada. Foram apenas duas sessões de testes, com um total de cinco dias, para os times se apresentarem para a temporada de 2024, mas Palou criticou também o esquema das equipes de não utilizarem todos os seus pilotos ao mesmo tempo nos dias de testes, o que reduz ainda mais o tempo que cada piloto está no carro efetivamente. E, se levarmos em conta que as escuderias ficam praticamente quase seis meses sem atividades, já que a temporada de 2023 terminou em meados de setembro, fica ainda mais crítico todo mundo precisar entrar na pista e desenferrujar a estrutura. A exemplo da F-1, cuja pré-temporada tem ficado cada vez mais ridícula e ínfima nos últimos anos, parecendo mais um shakedown coletivo do que sessão de testes propriamente, a Indycar é outra categoria que parece enveredar pela prática questionável de testar ao mínimo. Uma prática que não vem apresentando nenhum ponto positivo aos certames, é bom dizer. Vai longe os tempos em que a F-Indy original chegou a criar o Spring Training, que era uma sessão de testes coletivos de alguns dias, com grande divulgação à imprensa especializada, numa espécie de “apresentação” oficial da temporada da competição. Não havia frescuras de apenas um piloto, e todo mundo entrava na pista, com direito até de chamarem alguns jornalistas para andar nos carros da competição, e sentirem como era tentar dominar um carro da F-Indy da época, claro que com alguns limites. Era uma promoção que dava uma verdadeira goleada no que temos em termos de pré-temporada nos dias de hoje, dando até a sensação de parecer que a competição está vivendo na penúria, de tão pouco que o pessoal testa, uma crítica mais do que contundente ao modo como a competição está sendo gerida neste aspecto. Desnecessário dizer que a F-1, mesmo quando limitou os testes, já foi bem mais condescendente em dias de testes de pré-temporada. Quando essa chatice começou, em 2009, tivemos 12 dias de testes coletivos, algo que parece até milagre, diante da palhaçada que vem sendo apresentada de “pré-temporada” nos últimos tempos. Na F-1, Fernando Alonso, a exemplo de seu compatriota Palou, também detonou o tempo ridículo da pré-temporada, afirmando ainda que essa limitação absurda de testes na categoria máxima do automobilismo inclusive tem prejudicado a estréia de novos pilotos na competição, uma vez que eles não contam com uma quilometragem satisfatória para entender todas as nuances do comportamento dos carros, o que só aumenta ainda mais as dificuldades dos times em sua relutância para promover novos talentos na categoria. E não deixa de ter razão, porque hoje os pilotos novos são literalmente jogados na fogueira da competição, sem margens para erros, o que pode comprometer a chegada de potenciais talentos que acabam queimados antes de terem chance efetiva de mostrarem do que são capazes, e até podendo dar idéias equivocadas sobre suas capacidades, dependendo das circunstâncias. Nyck De Vries, por exemplo, fez uma participação convincente no GP da Itália de 2022, precisando substituir Alexander Albon na Williams por conta de uma cirurgia de apendicite que o anglo-tailandês precisou passar bem no fim de semana de GP, a ponto de alguns times terem disputado o passe do piloto para a temporada seguinte, que acabou vencida pela Alpha Tauri. Mas o campeão da F-E não conseguiu se adaptar ao carro da escuderia B dos energéticos, e acabou sendo demitido a meio da temporada, sendo mais um piloto “queimado” na lista de Helmut Marko, em uma F-1 que fica cada vez mais impaciente com a estréia de novos pilotos na competição, ainda que tenham sido campeões em outro certame. Mas, diante da postura da categoria máxima do automobilismo, eles não parecem interessados em mudar esse quadro, muito pelo contrário... E é triste ver outras categorias seguindo postura semelhante, praticamente acabando com suas sessões de testes...

 

 

A Hyundai segue firme dominando a temporada 2024 do Mundial de Rali. Esapekka Lappi venceu a segunda etapa do campeonato, o Rali da Suécia, quebrando um jejum de praticamente sete anos depois de vencer pela primeira vez na competição. Lappi havia obtido sua primeira vitória no WRC em 2017, quando venceu o Rali da Finlândia, e desde então, nunca tinha conseguido vencer novamente outra etapa do principal campeonato off-road do mundo, até no último dia 18 de fevereiro, ao vencer o Rali da Suécia de 2024. Elfyn Evans, da Toyota, foi o 2º colocado; e Adrien Fourmaux, da Ford, fechou o pódio na 3ª colocação. Thierry Neuville, também da Hyundai, havia vencido a etapa inaugural, o Rali de Montecarlo, e com o 4º lugar na Suécia, manteve a liderança da competição, com 48 pontos. Elfyn Evans, da Toyota, vem na vice-liderança, com 45 pontos. Fourmaux é o 3º colocado, com 29 pontos. Sébastien Ogier, com Toyota, é o 4º colocado, com 24 pontos, à frente de Ott Tanak, da Hyundai, com 21 pontos. Atual bicampeão da categoria, Kalle Rovanperä não teve uma boa estréia na temporada 2024, e terminou a etapa sueca apenas em 39º lugar. Ele não participou da primeira etapa, tendo decidido participar de maneira parcial o campeonato de 2024. Isso o coloca apenas na 8ª colocação do campeonato, com 11 pontos, mostrando que dificilmente brigará pelo título este ano, depois de vencer por duas temporadas o Mundial de Rali. No campeonato de fabricantes, a disputa está parelha, com Toyota e Hyundai acumulando 87 pontos no campeonato, com a Ford ostentando apenas 47 pontos. A próxima etapa do campeonato é o Rali do Quênia, marcado para os dias 28 a 31 de março.