sexta-feira, 24 de novembro de 2017

UM SENNA NOVAMENTE CAMPEÃO



Bruno Senna comemora, no pódio de Sakhir,a vitória e o título de 2017 na classe LMP2 do Mundial de Endurance.

            Para muitos brasileiros, ficamos órfãos no automobilismo internacional após o último título conquistado por Ayrton Senna – o tricampeonato de Fórmula 1, em 1991, e o universo das corridas perdeu a graça desde então. Nada mais equivocado. É verdade que, com o falecimento de Ayrton em 1994, deixamos de ser protagonistas na categoria máxima do automobilismo, com algumas raras exceções nestes últimos 23 anos, mas tivemos conquistas em outros campeonatos, talvez menos famosos, e menos divulgados por aqui, mas nem por isso fáceis ou desinteressantes. Mas, eis que, após 26 anos, o sobrenome Senna volta ao topo de um campeonato de automobilismo. Sim, é isso mesmo: Senna novamente campeão! E não foi uma conquista à toa, podem apostar.
            Bruno Senna tornou-se, no último domingo, campeão da classe LMP2 (Le Mans Prototype 2), vencendo as Seis Horas do Bahrein na respectiva categoria. Junto de seu companheiro de equipe, o francês Julien Canal, fechou o ano com 186 pontos, terminando o ano com nada menos que 4 vitórias e uma pole-position, defendendo a equipe Rebellion. Em 14 anos de carreira, desde que optou por seguir novamente os passos de Ayrton Senna, foi o primeiro título conquistado por Bruno, que até então, tinha como melhor resultado o vice-campeonato na GP2 em 2008. Apesar de algumas vitórias, faltava um título. Bruno começou a correr ainda garoto, tendo como inspiração seu tio Ayrton, mas ele interrompeu sua carreira por 10 anos, após a morte de Senna, em 1994, estreando como piloto profissional apenas em 2004, começando nas Fórmulas Renault Challenge asiática e BMW, passando então pela F-3 inglesa, Porsche Supercup, GP2, Le Mans Series, entre outras. Quando chegou à F-1, não teve a sorte de possuir um carro competitivo logo de cara. Em sua estréia, em 2010, pela Hispania, o pior carro do grid, ele arrastou-se pelos fins dos grids, sem as mínimas condições de mostrar do que era capaz. No ano seguinte, entrou na segunda metade do campeonato, substituindo Nick Heidfeld na Lotus, um time que havia entrado em crise após perder Robert Kubica no início do ano em um acidente de rali. Bruno mostrou seu talento, mas não conseguiu obter os resultados necessários para continuar na escuderia. No ano seguinte, ele teve sua melhor chance, na Williams, mas apenas esquentou banco para a chegada de Valtteri Bottas em 2013, mesmo tendo sido mais regular e técnico do que o venezuelano Pastor Maldonado.
A semelhança física com Ayrton, quando está de capacete, impressiona. Mas pára por aí. Bruno não é um piloto fenomenal como o tio, mas também não é um piloto qualquer.
            Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, sempre foi questionado pelos fãs em termos de talento. Sendo um “Senna”, ele teria, na opinião destes, a missão de resgatar a mítica do nome que se tornou lenda no mundo das corridas, graças a seu tio Ayrton. E olhando para Bruno, especialmente com o capacete, quase idêntico ao usado por seu famoso tio, é impossível não notar a grande semelhança, como se Ayrton ainda estivesse entre nós, no auge, e com a juventude preservada. Mas, é preciso encarar a realidade: Bruno nunca foi Ayrton... Ele é um Senna, sim, mas o Bruno... Para os torcedores, isso não bastava: Bruno precisava ser o que seu tio foi, assim como qualquer outra promessa brasileira nas pistas.
            Verdade seja dita: Bruno não é o fenômeno que seu tio foi, mas está longe de ser um mau piloto. Se levarmos em conta a década “perdida” do rapaz, que viu o tio falecer nas pistas, e pouco tempo depois também perdeu o pai, deixar as corridas de lado era o mais “racional” a fazer, uma vez que a família estava traumatizada com os acontecimentos. Mas Viviane, mãe de Bruno, sabia que o filho queria correr, e anos depois, o liberou para seguir o seu sonho. O sobrenome, claro, ajudou Bruno em vários momentos, mas nas cobranças, ele também atrapalhava. Afinal, era um “Senna”. Ayrton chegou a se casar, mas se divorciou antes de fazer sucesso como piloto, e nunca teve filhos, ao contrário de Piquet e a família Fittipaldi, cujas novas gerações estão por aí até hoje. Cabia a Bruno defender o “legado” de Senna, ou para muitos, o mito que Ayrton foi. E justamente por isso, o tempo que Bruno perdeu entre a morte do tio e o início efetivo de sua carreira na Europa, tiveram de ser recuperados da melhor forma possível, e ele não se saiu mal.
            Em seu primeiro ano na F-3 inglesa, em 2005, ele foi o 10º colocado no campeonato, tendo subido ao pódio 3 vezes, e feito uma pole. Podia parecer pouco, afinal, estava competindo pelo bem estruturado time de Steve Robertson, uma das forças da categoria, mas não era o fim do mundo. No ano seguinte, Bruno mostraria a que veio, obtendo suas primeiras vitórias. Foram 9 pódios, com 5 vitórias e 3 poles, terminando o ano em 3º lugar. Ainda em 2006, ele terminou em 1º lugar no Grande Prêmio Australiano de F-3, vencendo 3 das 4 provas da disputa. Se não era um fora de série, estava muito bom para quem havia começado a correr praticamente dois anos antes. Em 2007, sua principal atividade foi a disputa da GP2, terminando o ano em 8º lugar, e vencendo uma corrida, competindo pela equipe Arden. No ano seguinte, defendendo a iSport, foi vice-campeão, com 6 pódios, entre eles duas vitórias, sendo uma delas justamente no Principado de Mônaco, onde Ayrton vencera 6 vezes, um momento antológico para todos e para o próprio Bruno, de vencer onde seu tio havia triunfado tantas vezes. Ao fim do ano, tudo estava pronto para o jovem Senna ser piloto titular da Honda na F-1 em 2009, reeditando a parceria Honda-Senna que havia sido tão vitoriosa entre 1987 e 1992, mas o abandono repentino da fábrica japonesa abortou a entrada do rapaz na F-1 em 2009, levando-o a disputar algumas provas da Le Mans Series. Em 2010, ele enfim faria sua estréia na categoria máxima do automobilismo, mas em um time sem as mínimas condições de mostrar seu talento. No ano seguinte, passaria a temporada apenas como piloto de testes da Lotus, não fosse a demissão do alemão Nick Heidfeld na segunda metade do campeonato. Bruno, enfim, teria melhores chances de mostrar do que era capaz, e sua participação nas corridas foi cheia de nostalgia, afinal, era um Senna pilotando a Lotus que reeditava a mítica pintura preta e dourada que havia sido defendida por seu tio entre 1985 e 1986.
A estréia na F-1 ocorreu em 2010, com o sofrível carro da Hispania. No ano seguinte, pela Lotus, marcaria os primeiros pontos na categoria (abaixo).
            Mas os resultados foram fracos, com Bruno marcando apenas 2 pontos. Contratado a tempo integral pela Williams em 2012, mesmo que por apenas aquela temporada, era a chance de sua afirmação, mas Bruno não conseguiu um lugar para o ano seguinte. O jovem então competiu no Mundial de Endurance, defendendo a Aston Martin nas classes de Turismo, e correndo em outras provas aqui e ali, procurando se estabelecer. No ano seguinte, com a estréia da Fórmula-E, ele foi um dos pilotos titulares da equipe Mahindra, e participou das duas primeiras temporadas da categoria, terminando a primeira em 10º lugar, com40 pontos; e a segunda em 11º, com 52 pontos. Ele acabou dispensado para a terceira temporada, e reencontrou-se novamente no Mundial de Endurance, defendendo a equipe RGR Sport na classe LMP2 da competição, onde finalmente se estabeleceu, e começou a ganhar seu merecido prestígio e respeito: terminou a competição como vice-campeão, ao lado do português Felipe Albuquerque e do mexicano Ricardo González, obtendo duas vitórias e uma pole-position.
            Neste ano,o brasileiro defendeu a Rebellion, time que até então vinha disputando a classe LMP1, mas resolveu descer à classe LMP2 por questões de custos. E a batalha foi acirrada durante todo o campeonato, em especial com a equipe Jackie Chan DC Racing, que começou o ano de forma contundente, vencendo 3 das primeiras 4 provas do ano, incluída aí o triunfo na LMP2 nas 24 Horas de Le Mans, onde a pontuação é dobrada. Le Mans, aliás, foi o ponto mais”baixo” da temporada para Bruno Senna, com o carro Nº 31 terminando apenas em 6º lugar. Até então, eles haviam obtido dois segundos lugares nas primeiras duas provas, repetindo o feito em Nurburgring. A partir daí, a Rebellion deslanchou no campeonato, com 4 vitórias nas 5 provas seguintes, só não triunfando nos Estados Unidos, onde foi a 3º colocada com o carro 31, mas ficou em 2º lugar com seu segundo carro, o Nº 13, que tinha entre seus pilotos o brasileiro Nelsinho Piquet.
Bruno Senna chega aos boxes da pista do Bahrein com os companheiros Nicolas Prost e Julien Canal. Prost, contudo, por não ter disputado uma das corridas, não chegou ao título, que ficou apenas para o seu compatriota e o brasileiro.
            Não foi uma conquista fácil. E domingo passado, no Bahrein, a Rebellion ainda precisou de estratégia para superar o time de Jackie Chan na pista, com quem disputava o título da classe LMP2, sendo que coube a Bruno guiar no stint final da prova, tendo inclusive problemas com o sistema hidráulico do carro, que deixou a direção pesada, e o fez perder performance. Bruno, contudo, ficou firme, conseguiu se manter à frente dos adversários, e cruzou a linha de chegada com determinação, conquistando a vitória, e sendo finalmente campeão. Não só isso: Bruno repete o feito de Raul Boesel, que exatos 30 anos atrás, tornou-se o primeiro piloto brasileiro a ser campeão no Mundial de Endurance, à época defendendo a equipe Jaguar. Curiosamente, muitos desconhecem a conquista de Boesel, já que no mesmo ano, Nélson Piquet conquistou o tricampeonato de F-1 pela Williams, o que atraiu a grande maioria da imprensa esportiva brasileira, até pelo campeonato de provas de longa duração ser muito pouco conhecido no Brasil.
            Da mesma maneira, muitos brasileiros também não deram muito valor às conquistas de Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi como campeões da Fórmula-E, uma vez que o campeonato de carros elétricos é muito novo, e igualmente pouco conhecido em nosso país. O Mundial de Endurance, que inclusive já teve algumas provas disputadas por aqui, segue ignorado pela grande massa de “torcedores” nacionais, ficando mais restrito ao círculo dos torcedores de automobilismo. E, até pela conquista ter sido obtida na classe LMP2, e não na LMP1, a mais visada, muitos tenderão a dizer que não é um título muito importante no automobilismo, o que é uma grande bobagem. A classe LMP2 teve nada menos do que 10 times competindo de forma acirrada neste ano, ao passo que na LMP1, a disputa ficou restrita aos 4 carros das equipes Porsche e Toyota. Em outras palavras, os duelos foram muito mais parelhos na LMP2, mesmo que Rebellion e Jackie Chan DC tenham sido as protagonistas da disputa.
            Bruno Senna, ao lado de Julien Canal, é campeão com todos os méritos, pelo empenho, e pela performance exibida na pista. Ao conquistar o seu primeiro título, Bruno sai da sombra de seu tio Ayrton, e poderá trilhar com muito mais propriedade sua trajetória no mundo do automobilismo a partir de agora, começando pelo desafio de competição da próxima temporada, onde certamente continuará no Mundial de Endurance, tendo seu nome consolidado na categoria como campeão. Aos brasileiros que preferirem ignorar esta importante conquista do piloto, azar o deles. Para Bruno, foi um momento histórico para ele, uma conquista merecida, e respeitada por muitos. Ele já disse que nunca seria Ayrton, mas apenas o Bruno. E está se saindo muito bem, enfim. Mesmo que esteja longe da F-1, que parece ser a única categoria na qual os brasileiros prestam atenção, mesmo que no ano que vem não tenhamos nenhum representante por lá. Bruno está feliz, e começa a se sentir realizado como piloto, sendo campeão. E é o que é importante para ele. Parabéns pela conquista, Bruno, e por fazer do sobrenome Senna novamente campeão no universo do automobilismo internacional!


A F-1 está encerrando o ano, e hoje começam os treinos oficiais em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para a disputa da última prova do ano. Na pista, a disputa mais relevante é pelo vice-campeonato, praticamente garantido por Sebastian Vettel após a vitória em Interlagos, na última corrida. Valtteri Bottas ainda tem chances matemáticas, mas precisa vencer a corrida, além de torcer para Vettel não marcar pontos, pois está 22 pontos atrás do alemão da Ferrari, e o desempenho do finlandês na corrida brasileira infelizmente não o credencia a merecer tal conquista, pela apatia demonstrada no duelo contra o piloto da Ferrari. Um pouco mais atrás, Daniel Ricciardo, com 200 pontos, defende sua 4ª colocação contra Kimi Raikkonem, que está apenas 7 pontos atrás do piloto da Red Bull, e ficou o ano todo em segundo plano na Ferrari. E a briga está liberada na pista para a Force India, com o 4º lugar já assegurado no Mundial de Construtores, o que já ocorreu no Brasil, mas sem vermos um duelo entre seus pilotos, uma vez que Esteban Ocon abandonou a prova logo no início ao ser tocado por Romain Grosjean. As expectativas de uma boa corrida, contudo, esbarram no péssimo traçado do circuito de Yas Marina, que apesar de contar com uma grande reta, não é favorável às ultrapassagens como muitos podem imaginar. Aliás, circuitos que não favoreçam boas corridas podem estar com os dias contados no campeonato. A Liberty Media pretende rever os conceitos dos circuitos, e alguns autódromos, muito provavelmente aqueles projetados por Hermann Tilke, tem tudo para ficarem em baixa na categoria, e até deixarem o campeonato, ao vencimento dos atuais contratos de corridas em vigor. Ainda é cedo para comemorar, entretanto. Aguardemos o desenvolvimento dessa idéia, e de como isso será feito, em busca de melhorar as disputas na pista.
Imponente, a pista de Yas Marina, em Abu Dhabi, não proporciona boas corridas na F-1. GP encerra a temporada 2017.


Felipe Massa se despede da F-1 em Abu Dhabi, e afirmou já saber quem ocupara seu lugar na Williams no próximo ano. A equipe inglesa, claro, nega, mas Robert Kubica deve ser o novo titular da escuderia de Grove em 2018. O polonês, inclusive, irá testar nos dois dias que a F-1 terá em Yas Marina, na semana que vem, pela Williams. Todos ficam na expectativa de saber como Kubica, que era apontado como um futuro campeão até sofrer o acidente no rali que quase o matou e deixou fortes sequelas em um de seus braços, se apresentará de fato com um carro atual de F-1, e se ele conseguirá mostrar a performance exigida para extrair o máximo destes bólidos. A conferir na semana que vem...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ESPECIAL FORMULA-E 2017/2018



            Dentro de duas semanas os carros elétricos voltarão às pistas para iniciar a quarta temporada da F-E, que a cada ano se consolida mais e mais, atraindo mais expectadores, fãs, e fábricas interessadas em participar da competição, com o advento de importantes nomes para a quinta temporada, que se iniciará no fim do ano que vem. Confiram agora um pequeno texto com algumas das novidades desta nova temporada que está para começar, os times e pilotos envolvidos, e as corridas que serão disputadas. Uma boa leitura a todos...


FORMULA-E 2017/2018: LARGADA PARA A QUARTA TEMPORADA DA CATEGORIA

Campeonato dos carros de competição elétricos monopostos inicia mais uma temporada com vistas a um grande crescimento a partir da quinta temporada.

Adriano de Avance Moreno

A Formula-E está pronta para acelerar novamente. E o campeonato promete ser disputado.
            A Fórmula-E prepara-se para acelerar novamente pelas pistas do mundo afora. Na semana que vem, os times disputarão as primeiras corridas da quarta temporada do certame de carros de competição monopostos totalmente elétricos, e ao contrário do que muitos esperavam, todos estão cheios de perspectivas com a chegada de novos fabricantes à competição, o que irá ocorrer a partir da quinta temporada, quando mais algumas novidades também serão introduzidas. Uma das mudanças serão nas baterias que os times usam. As atuais, em uso pela última temporada e a nova que se inicia, são fornecidas pela divisão de tecnologia da Williams, que compete na F-1. As que serão usadas na quinta temporada serão outras, agora fornecidas pela divisão de engenharia da McLaren, não por acaso outro grupo que também compete na F-1, e que ganhou a concorrência aberta pela organização da categoria para o fornecimento do novo sistema de baterias.
            Mas, enquanto a temporada 2018/2019 não chega, é hora de começar a disputa da temporada 2017/2018. Teremos um certame com 14 corridas, duas a mais do que a temporada passada, que corou o brasileiro Lucas Di Grassi como campeão, derrotando o suíço Sébastien Buemi num duelo eletrizante, para ser redundante, com o piloto da escuderia e.dams a dominar o campeonato, e acabar perdendo a taça na reta final da competição, sucumbindo à pressão. O piloto brasileiro, aliás, estampará o Nº 1 em seu monoposto, sendo o segundo piloto tupiniquim a conseguir tal feito, repetindo a conquista feita por Nelsinho Piquet na primeira temporada da categoria.
            A competição continua com 10 times e 20 pilotos na pista. Todos os chassis continuam a ser fornecidos pela Sparks, e os pneus continuam sendo os Michelan. Entre as novidades, a Audi ABT agora é um time oficial de fábrica, reforçando ainda mais as atenções da marca de Ingolstadt na competição, agora que não disputa mais o Mundial de Endurance. O anúncio, somado à conquista do título por parte de Lucas, transforma a escuderia numa força de respeito, uma vez que Di Grassi, com muita competência e alguma sorte, conseguiu destronar Buemi e a poderosa e.dams, que caminhava firme para levar o suíço ao bicampeonato. Mantendo a parceria com a Schaeffler, a Audi reforçou o trabalho de desenvolvimento do powertrain (trem de força) da escuderia, rebatizando-o agora como Audi e-tron FE04. Daniel ABT continua no time, sendo companheiro de Lucas, e ainda aguarda a oportunidade de poder mostrar toda a sua capacidade, uma vez que nos três primeiros anos da parceria, poucas vezes andou no nível do parceiro brasileiro.
            A temporada está começando mais tarde do que nos outros anos, e em 2017, teremos apenas a prova de Hong Kong, que será em rodada dupla, com uma corrida no sábado, e outra no domingo. Depois, os pilotos só voltam à pista em 2018, com uma seleção de datas um pouco mais regular. As novidades no calendário são as novas etapas na América do Sul. Saíram a Argentina e o Uruguai, entram Chile e o Brasil. O país Andino terá uma corrida em Santiago, marcando o retorno de uma competição de carros em circuito fechado ao país após décadas. E o Brasil finalmente terá uma etapa na competição, marcada para o mês de março, em um traçado que será montado junto ao Centro de Convenções do Anhembi, aproveitando trechos que foram usados anos atrás para a corrida da Indycar.
Roma, na Itália, será um dos novos palcos de corridas nesta quarta temporada.
            O calendário também terá novas provas na Europa. Roma, capital da Itália, fará sua estréia no certame. Mas um país que finalmente voltará a sediar uma corrida de carros é a Suíça, com uma etapa marcada para Zurique. O país europeu proibiu as corridas em 1955, após o desastre que vitimou inúmeras pessoas nas 24 Horas de Le Mans. A lei foi mudada recentemente, abrindo uma exceção para permitir a disputa de corridas de carro estritamente elétricos, visando sediar uma etapa da F-E. No encerramento da competição, as cidades de Nova Iorque e Montreal continuarão a ter rodadas duplas. A etapa canadense, aliás, apesar de ter o melhor circuito de rua até hoje já usado pela categoria, ainda cogita de realizar a corrida no circuito Gilles Villeneuve, pista que também é usada pela F-1, mas por enquanto isso ainda está sendo apenas estudado.
            Entre as novidades para deixar a competição mais aguerrida nesta nova temporada, está o novo limite de utilização de energia para os pilotos. A potência em corrida foi aumentada dos 170 Kw para 180Kw. A força no treino de classificação também aumentou de 190 Kw para 200Kw, e por tabela, a força “extra” proporcionada pelo fanboost também teve um acréscimo de potência de 10 Kj, tudo para deixar os carros mais rápidos neste novo campeonato. Mas, a potência a mais terá também um ônus: como a capacidade de carga das baterias permanece a mesma do último ano, times e pilotos precisarão ser ainda mais eficientes na gestão da energia disponível por carro durante as corridas. Na temporada passada, alguns pilotos conseguiram surpreender a concorrência neste quesito, sabendo economizar energia no momento certo para avançar para a frente e obter resultados inesperados. A maior potência a ser utilizada pelos carros também promoverá o desenvolvimento dos trens de força, já que os motores precisarão ser mais econômicos para poderem utilizar essa força adicional sem comprometer a autonomia de corrida, um desafio que certamente vai exigir muito trabalho dos engenheiros de cada escuderia, bem como do talento de seus pilotos em serem rápidos sem desgastarem seu equipamento demasiado.
Outra mudança anunciada é no número de dias de filmagem que as equipes podem realizar, que era de três e foi aumentado para seis, com a obrigatoriedade de apenas metade destes dias ser feito em um circuito de corrida permanente. Além de permitir que os times andem mais um pouco, a medida visa que eles usem os dias a mais permitidos para realizarem demonstrações de seus carros nas ruas de algumas cidades, a fim de atrair o público para a competição. Outra novidade é em relação à pontuação da volta mais rápida na corrida, que agora ficará restrita aos carros das primeiras 10 posições. A medida é para evitar que alguém volte lá no fim dos competidores da prova apenas para fazer a volta mais rápida e ganhar o ponto de bonificação.
            Os fins de semana que apresentarem rodadas duplas passarão a contar com apenas um treino livre na manhã de domingo, ao invés dos tradicionais dois treinos livres, que continuarão a ser realizados no sábado. Os treinos de classificação continuam sem mudanças.
            A exemplo do que foi feito na F-1, os carros passarão a utilizar números maiores nas carenagens, que trarão também de forma visível as iniciais dos nomes dos pilotos, visando facilitar a identificação dos mesmos junto ao público, tanto no circuito quanto na transmissão pela TV.
            Diferente dos anos anteriores, a categoria realizou os testes da pré-temporada na Espanha. O palco escolhido foi o Circuito Ricardo Tormo, em Valência, nos dias 2, 3 e 5 de outubro. Em termos de resultados, Sébastien Buemi e Oliver Turvey foram os destaques, liderando três sessões cada um, com Jerôme D’Ambrosio e Sam Bird comandando as sessões restantes. As posições dos pilotos variaram bastante, e como alguns times testaram com pilotos que não eram seus titulares, os tempos ficaram ainda mais misturados. Mas, de positivo, foi ver praticamente metade do grid dentro de 1s de diferença para o mais veloz, o que deixou alguns pilotos, como o atual campeão, Lucas Di Grassi, animado para as expectativas de disputa da próxima temporada, prevendo muita briga e equilíbrio na pista, o que deve deixar as corridas bem animadas.
Sam Bird continua firme na Virgin, e quer incomodar mais do que nunca.
            Os times seguem desenvolvendo seus trens de força, com o apoio de suas parceiras. A Dragon está trazendo para a competição o apoio técnico da Penske Automotive, enquanto a Andretti já começa a estreitar sua colaboração com a futura vinda da BMW. A Renault, campeã de construtores com a e.dams nestes três anos, mantém firme seu trabalho para o ano de sua despedida da competição, quando será substituída pela Nissan na próxima temporada, sendo uma das poucas marcar a dar preferência para aumentar seus esforços na F-1.
            Entre as escuderias, a Audi ABT, Mahindra e e.dams mantiveram suas duplas de pilotos. Uma das principais mudanças foi de Nelsinho Piquet, da NexTev para a Jaguar. Cansado de outra temporada com resultados abaixo do esperado, o primeiro campeão da categoria foi buscar novos ares e será o líder na pista da marca inglesa, que fez sua estréia no campeonato passado e apesar de ter ficado na última colocação na classificação de equipes, vem investindo forte para desenvolver seu equipamento e batalhar por melhores resultados.
            Entre os novatos na competição está Andre Loterer, oriundo do Mundial de Endurance, que fará dupla com Jean-Éric Vergne na Techeetah. Outro estreante será Eduardo Mortara, campeão da F-3 Européia, que terá Mauro Engel como parceiro de equipe na Venturi. Luca Filippi, por sua vez, substituirá Nelsinho Piquet na nova NIO Formula E Team, ex-China Racing, ao lado de Oliver Turvey. Na Dragon, Loic Duval acabou dispensado, tendo seu lugar ocupado por outro piloto egresso do WEC, Neel Jani, que foi campeão em 2016 na classe LMP1, com a Porsche. E outro piloto que acabou demitido foi José Maria López, que perdeu seu lugar na Virgin para Alex Lynn, que tem no currículo a vitória nas 12 Horas de Sebring deste ano, nos Estados Unidos. E a Andretti contará com Kamui Koabayashi como um de seus pilotos, pelo menos na rodada dupla de Hong Kong. No cômputo geral, o grid da F-E tem pilotos com grandes currículos nesta temporada, mostrando que a categoria dos carros elétricos está deixando de ser algo considerado apenas por pilotos sem opções em outros certames. O nível dos competidores é o mais alto desde que o campeonato começou a ser disputado, e isso é visto como algo muito positivo.
A Audi deixou o Mundial de Endurance (WEC) e agora focará suas forças na Formula-E.
            Várias cidades mundo afora se mostraram interessadas em receber corridas da categoria, e o fato de novos fabricantes de carros manifestarem interesse em participar, com anúncios já confirmados de BMW, Nissan e Porsche, além do aumento de interesse por parte da Audi, Penske, e outros nomes que já participam da competição mostram que a F-E só tende a ganhar cada vez mais importância e destaque no meio do esporte a motor. É muito cedo para afirmar que isso seja apenas uma moda passageira, mas com vários países europeus começando a impor restrições para a fabricação em um futuro próximo de carros a combustão, os fabricantes começam a ver a competição da categoria com mais interesse e atenção. Não dá para saber até que ponto a F-E crescerá, mas o certame segue dando um passo de cada vez, para evitar que os custos sufoquem os times, e o desenvolvimento da tecnologia se foque no que precisa ser desenvolvido de fato. O resto cabe aos times e pilotos mostrarem nas pistas do que são capazes. E se conseguirem oferecer uma boa disputa, melhor ainda. Urge, contudo, melhorar o design de algumas das pistas utilizadas, para tentar melhorar o nível das disputas, com traçados que favoreçam a competição, e não a prejudiquem, com traçados excessivamente travados e/ou estreitos, algo que poderá ser melhorado com o tempo.
            O canal de esportes pago Fox Sports continua firme como um dos parceiros da categoria, e é através dele que os brasileiros continuarão firmes em acompanhar as corridas da F-E, que terá todas as suas provas transmitidas ao vivo pelos dois canais do grupo no Brasil, o Fox Sports e o Fox Sports 2, que terá um time acompanhando in loco a corrida que será realizada em São Paulo, prometendo trazer todas as informações para os fãs da velocidade, que vem aumentando paulatinamente em número, motivados pelos títulos conquistados por Piquet e Di Grassi, mas também pelas boas disputas que as etapas do certame vem apresentando em várias ocasiões.
            Aliás, o Brasil contará mais uma vez apenas com Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi no grid da categoria. Atual campeão, Lucas lutará pelo bicampeonato, em um dos melhores times da competição, que com o envolvimento oficial agora da Audi, tende a ser bem mais forte e competitivo, oferecendo a Di Grassi melhores condições de disputa do que já possuía. Para Nelsinho, que após a conquista do título penou nas duas temporadas seguintes com o pouco competitivo carro da China Racing, a expectativa é de voltar a ter melhores resultados ao volante da Jaguar, que tem grandes ambições para o seu projeto de competição na categoria, e quer vencer corridas. E sabe que o piloto brasileiro é um grande reforço para o time nesta nova temporada. Resta saber se a Jaguar aprendeu bem os macetes em seu ano de estréia para vir realmente forte nesta sua segunda temporada e mostrar que está ali para brigar de fato entre os primeiros.
            A F-E já mostrou que, apesar do equilíbrio nos testes da pré-temporada, a disputa vai ser de gente grande. Portanto, é hora de se preparar firme, e ligar as tomadas para mais uma temporada que tem tudo para deixar os amantes da velocidade vidrados com as disputas na pista. E que vença o melhor!

PILOTOS E EQUIPES DA TEMPORADA 2017/2018

EQUIPE
POWERTRAIN
PILOTOS (Número)
Audi Sport ABT Schaeffler
Audi e-tron FE04
Lucas Di Grassi (1)
Daniel ABT
MS & AD Andretti Formula E
Andretti ATEC-03
Kamui Kobayashi (27)
Antônio Félix da Costa (28)
DS Virgin Racing
DS Virgin DSV-03
Sam Bird (2)
Alex Lynn (36)
Dragon Racing
Penske EV-2
Jerôme D’Ambrosio (7)
Neel Jani (6)
Jaguar Racing
Jaguar I-Type II
Nélson Angelo Piquet (3)
Mitch Evans (20)
Mahindra Racing
Mahindra M4Electro
Nick Heidfeld (23)
Felix Rosenqvist (19)
NIO Formula E Team
NextEV NIO Sport 003
Oliver Turvey (16)
Lucca Filippi (68)
Renault e.dams
Renault Z.E. 17
Sébastien Buemi (9)
Nicolas Prost (8)
Techeetah
Renault Z.E. 17
Jean-Éric Vergne (25)
Andre Lotterer (18)
Venturi Formula E
Venturi VM200-FE-03
Eduardo Mortara (4)
Maro Engel (5)

CALENDÁRIO DA FORMULA-E 2017/2018

DATA
ETAPA/PAÍS/CIRCUITO
02.12.2017
Eprix de Hong Kong/China/Hong Kong Central Harbourfront Circuit (Corrida 1)
03.12.2017
Eprix de Hong Kong/China/Hong Kong Central Harbourfront Circuit (Corrida 2)
13.01.2018
Eprix de Marrakesh/Marrocos/Circuit International Automobile Moulay El Hassan
03.02.2018
Eprix de Santiago/Chile/Circuito de Rua de Santiago
03.03.2018
Eprix da Cidade do México/México/Autódromo Hermanos Rodriguez
17.03.2018
Eprix de São Paulo/Brasil/Circuito do Anhembi*
14.04.2018
Eprix de Roma/Itália/Circuto Cittadino dell’EUR
28.04.2018
Eprix de Paris/França/Circuito de Rua de Paris
19.05.2018
Eprix de Berlim/Alemanha/Tempelhof Airport Street Circuit
10.06.2018
Eprix de Zurique/Suíça/**
14.07.2018
Eprix de Nova Iorque/Estados Unidos/Circuito de Rua do Brooklin (Corrida 1)
15.07.2018
Eprix de Nova Iorque/Estados Unidos/Circuito de Rua do Brooklin (Corrida 2)
28.07.2018
Eprix de Montreal/Canadá/Circuito de Rua de Montreal (Corrida 1)
29.07.2018
Eprix de Montreal/Canadá/Circuito de Rua de Montreal (Corrida 2)

(*) = Traçado ainda a ser definido.
(**) = Traçado e local ainda a ser definido.

Nelsinho Piquet defenderá a Jaguar, na busca pelo bicampeonato. Lucas Di Grassi, o atual campeão (abaixo), segue firme na Audi ABT, e também lutará pelo bicampeonato.
Vice-campeão na primeira e na terceira temporada, Sébastien Buemi vai querer dar o troco e conquistar o bi. O suíço, bem como a equipe e.dams é um adversário a ser respeitado...e temido.
A Mahindra manteve sua dupla e pretende vir forte nesta temporada.