sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MASSA FICA; NASR SAI


Felipe Massa passou de aposentado a piloto titular novamente na Williams para a temporada de 2017. Resta esperar que o time produza um bom carro e ele possa mostrar porque ainda merece estar no grid, liderando o time nas pistas da F-1 este ano.

            O que muitos nem imaginavam no fim do campeonato do ano passado aconteceu: Felipe Massa praticamente “aposentou” sua aposentadoria, e pelo menos por mais uma temporada, irá estar presente no grid da F-1. O abandono repentino de Nico Rosberg deixou a Mercedes numa saia justa, onde o time alemão precisou ver suas possibilidades para achar um substituto ideal para o atual campeão da categoria máxima do automobilismo, que deu por encerrada, pelo menos até segunda ordem, sua carreira de piloto profissional.
            E Vallteri Bottas foi o grande sortudo da vez. O piloto finlandês, que era agenciado justamente por Toto Wolf, hoje o chefe da Mercedes na F-1, sempre foi visto como um talento em potencial, e era uma das possibilidades. Até a Mercedes dar seus indícios de que ficaria com o finlandês, o que exigiu uma negociação com muito jogo de cintura com a Williams, falou-se de um monte de candidatos possíveis a ser o parceiro de Lewis Hamilton na temporada deste ano. Até a própria escuderia alemã alimentou a gozação que surgiu sobre o assunto, mas quando a coisa ficou séria mesma, Bottas foi quem ganhou o maior prêmio da carreira: terá enfim um carro vencedor neste ano, e poderá confirmar tudo o que sempre se disse sobre sua capacidade. Ou talvez não?
            Valtteri terá pela frente um osso duríssimo de roer, que é Hamilton, talvez o piloto mais veloz do grid atual da F-1. Depois de perder o título de 2016 para Rosberg, Lewis deverá vir com tudo nesta temporada, e se o novo modelo W08 for tão bom quanto os projetos anteriores de Brackley nas últimas 3 temporadas, vai lutar pelo tetra com unhas e dentes. Bottas é talentoso, sem dúvida: em 2014, no ano em que a Williams terminou a temporada como segunda força do grid, o finlandês terminou o campeonato em 4° lugar, e em 2015, era seriamente considerado pela Ferrari, até o time italiano resolver dar uma nova chance a Kimi Raikkonen. No ano passado, com a queda de rendimento do time de Frank Williams, Bottas também decaiu em seus resultados, restando-lhe somente continuar no time inglês, na esperança de que a escuderia produzisse um bom carro que lhe permitisse ficar novamente em evidência.
            Bottas vai incomodar ou ficará à sombra de Hamilton? Pelo sim, pelo não, a própria Mercedes já lhe dá a deixa: o contrato é de apenas um ano, e se ele quiser ser considerado para 2018, vai ter de andar como nunca andou antes. Caso contrário, a bênção de ir para o time alemão pode virar um tremendo mico para a próxima temporada, dependendo do que ocorrer até lá. Se não realizar um bom trabalho, o que muitos acham difícil, poderá ter que procurar novos ares em outros times, talvez menos agradáveis e de menor expressão. Não se pode esquecer do exemplo de Heinz-Harald Frentzen, que em 1997 foi piloto da Williams, substituindo o demitido Damon Hill, campeão da temporada anterior. Visto como um talento maior até do que Michael Schumacher quando correram juntos no Mundial de Esporte-Protótipos, Frentzen acabou sendo uma decepção, e perdeu talvez sua melhor chance de firmar-se como piloto de ponta. Bottas precisa evitar cair em armadilha semelhante. Talento para isso ele tem. Veremos se conseguirá impressionar a direção da Mercedes, a fim de garantir o seu amanhã em 2018.
            Quanto a Felipe Massa, consta que o brasileiro pretendia tirar umas longas férias, mas que já teria acertado um contrato para defender a Jaguar no campeonato da F-E a partir da próxima temporada da categoria, que deve começar somente em novembro. Pego de surpresa pela aposentadoria de Nico Rosberg, o interesse da Mercedes por Bottas levou a Williams a ter de procurar rápido um substituto. Pressionada pelo seu principal patrocinador, a Martini, que é uma marca de bebida alcóolica, por não poder capitalizar com a imagem do outro piloto do time, o novato canadense Lance Stroll, por este ter apenas 18 anos recém-completados, o time inglês precisou se mexer rápido, na busca por um piloto experiente e bom para o time. Mas quem melhor do que Felipe, que mal havia saído do time? As vantagens do brasileiro eram óbvias: Massa estava livre, ainda em forma, e possui conhecimento da estrutura do time, do corpo técnico, e de como os carros foram concebidos nas últimas temporadas, além de contar com a simpatia dos engenheiros e mecânicos.
            Massa ainda nem tinha curtido direito o gosto da aposentadoria, quando recebeu o comunicado de Claire Williams para voltar ao time. Sem perspectivas de obter um carro competitivo para 2017, Felipe preferiu se aposentar do que batalhar por um lugar onde faria mera figuração. Ganhou um prêmio também, e terá mais uma temporada para mostrar o que sabe. Talvez até mais do que isso. O acordo, que prevê um salário de cerca de 6 milhões de euros, é por apenas uma temporada, mas se a Williams conseguir acertar no novo FW39, com o novo regulamento técnico que se inicia nesta temporada, quem sabe Massa não se empolga e decide continuar em 2018, se enxergar boas possibilidades de competição no time inglês? Talvez seja precipitado afirmar isso, mas é uma possibilidade que não se pode descartar totalmente. O brasileiro ainda tem lenha para queimar, e como será o líder do time em 2017, em tese tem tudo para ficar realmente motivado a dar o seu melhor neste ano a mais nas pistas, e quem sabe, como falo acima, ficar até mais, se sentir-se prestigiado realmente no time, e ver potencial no projeto em que está trabalhando. De certo modo, faltou um pouco disso no ano passado
            No último ano, Felipe sentiu que suas opiniões não estavam sendo devidamente levadas em conta em Grove, especialmente na área técnica, que ele defendia que precisava ser reforçada, e sobre aspectos do carro que ele via que o potencial já havia se esgotado. Sua aceitação para voltar ao time certamente incluiu ser mais ouvido tanto pelo grupo de projetos, como pela direção da escuderia. E a Williams terá de ouvi-lo: com as novas regras técnicas, e um piloto novato de 18 anos, caberá a Massa dar o feedback necessário para os engenheiros desenvolverem o FW39, tarefa ainda muito arriscada para ser confiada a Stroll. Portanto, em que pesem os prós e contras, todo mundo saiu ganhando no acordo. Felipe volta à F-1 sem ter saído propriamente, e a Williams ganhou um belo desconto de praticamente 100% no pagamento das unidades motrizes da Mercedes, que utiliza desde 2014, pela liberação de Bottas, que deve reforçar sobremaneira o caixa da escuderia ainda mais para esta temporada, que já conta com o elevado investimento das empresas do pai de Stroll, um empresário muito rico, e que banca a carreira do filho. Serão cerca de 16 milhões de dólares, o que não é pouca coisa. Só de não ter de pagar a conta dos motores, isso deve permitir ao time inglês investir muito mais no desenvolvimento técnico dos projetos, já que mesmo com a folga financeira das últimas temporadas, o orçamento da escuderia de Frank nunca esteve no mesmo nível da Mercedes, Red Bull, Ferrari, e até mesmo da McLaren, apesar dos maus resultados desta nos últimos dois anos. Uma vantagem a se considerar também com o retorno de Massa é a garantia do calmaria de ambiente nos boxes do time inglês: em suas três temporadas defendendo o time de Grove, Felipe nunca se envolveu com bate-bocas e outras confusões, sejam externas ou internas, que pudessem causar stress na escuderia. Um caso até raro na categoria, onde o que não falta é briga de egos em vários lugares. Massa, que teve uma das despedidas mais comoventes da categoria em muitos anos em Interlagos e Abu Dhabi em novembro passado, já começou a ser questionado por alguns sobre este “retorno”, mas a verdade é que, do jeito que as coisas se sucederam, ele praticamente nem chegou a sair. E se a Williams o quis de volta, por que ele não deveria aceitar? Massa é um piloto profissional, e as decisões de sua carreira cabem somente a ele. Se sua permanência será um erro ou não, isso é algo que concerne somente a ele e mais ninguém. Se este ano for bem-sucedido, e ele quiser até continuar, é direito dele, se o time desejar isso. Se não der, paciência: ele cumpriu o trabalho para o qual foi contratado.
            Que sua 15ª temporada, comandando a Williams na pista, e servindo de professor para o novato Lance Stroll, seja bem-vinda. A Williams não tem por que se arrepender de voltar atrás e trazer Massa de volta. Mas é verdade que o time inglês já vinha pegando uma fama ruim entre os torcedores nacionais, por ter “aposentado” outros pilotos brasileiros na F-1, como Antonio Pizzonia, Rubens Barrichello, Bruno Senna, e cuja lista seria engrossada por Massa. Ao menos por enquanto, as nuances do destino permitiram a Felipe escapar dessa “maldição”, mesmo que, teoricamente, isso tenha sido adiando por um ano, a princípio.
            Outro ganho do time inglês deverá ser a contratação de Paddy Lowe, que está deixando o time alemão, que não concordou em renovar seu contrato com o aumento salarial pretendido. E com Pat Symmonds se aposentando das pistas, seu cargo de chefia no grupo de projetos da Williams ganhará um sucessor muito capacitado, que poderá ajudar a escuderia a sanar os defeitos que sua área técnica ainda possui. Junte-se a isso às possíveis contratações para reforçar a área técnica, e poderemos ter uma Williams revigorada para encarar, se não a temporada desde ano, a de 2018 com muito mais potencial e otimismo. Para este ano, mesmo com o time tendo ciência de onde errou no desenvolvimento do carro em 2016, ainda não dá para apontar quanto o time pode evoluir. Uma meta plausível é ser pelo menos a 4ª força no campeonato, no mínimo, já que Mercedes, Red Bull, e até Ferrari, devem continuar sendo muito fortes. Mas há o perigo da McLaren finalmente desencantar em sua parceria com a Honda, e tornar-se novamente uma rival de peso. Portanto, com otimismo ou não, a Williams não terá vida fácil neste ano.
            Quem ganha também é o torcedor brasileiro, que estava na iminência de ver a primeira temporada sem um piloto verde-amarelo desde 1969, e que prenunciava dias sombrios para a manutenção das transmissões das corridas de F-1 na grade da TV Globo, a menos para 2018, já que a emissora vendeu até com ágio suas cotas de patrocínio para esse ano, garantindo a transmissão do campeonato de 2017 nos moldes já conhecidos do público. Com a manutenção de Felipe no grid, e ainda mais em um time que pode apresentar um carro competitivo, o Brasil continua firme no grid por pelo menos mais um ano, e com isso, a emissora deve manter o padrão de transmissão com mais boa vontade do que no ano passado, quando só contou com o time de transmissão completo “in loco” apenas na etapa do Brasil, além de transmitir o treino de classificação somente na etapa brasileira, preferindo nas outras etapas, ignorar solenemente as sessões, transmitindo programas mais insossos e até filmes, no caso dos treinos da madrugada.
Sem grana, nada feito! Não bastou Felipe Nasr ter marcado os únicos pontos da Sauber em 2016. Sem o patrocínio do Banco do Brasil, o time dispensou o brasileiro, que está sem carro para 2017, e deve ficar a pé na F-1.
            Mas, se Massa fica, outro brasileiro saiu perdendo essa semana, e Felipe Nasr viu seu time, a Sauber, confirmar o nome do alemão Pascar Werhlein para ser o companheiro de Marcus Ericsson para a temporada. Com a diminuição do patrocínio de Nasr, estava mais do que óbvio que o brasileiro estava descartado pelo time suíço, que precisa completar o seu orçamento. E isso também envolveu a negociação com Wehrlein, através da Mercedes, para um possível fornecimento de motores visando a temporada de 2018. Sem ter como oferecer contrapartidas à altura, resta agora a Nasr torcer para que a Manor sobreviva para disputar a temporada deste ano. O time inglês encontra-se praticamente falido, e sua venda é negociada para um novo comprador, mas as perspectivas são completamente incertas.
            Nasr fez boa temporada em 2015, mas sua permanência na Sauber em 2016 acabou sendo ruim: perdeu boa parte das disputas com Ericsson, e quando conseguiu uma performance salvadora em Interlagos, marcando os únicos pontos do time suíço, indiretamente acabou condenando a Manor, por permitir à Sauber passar à frente no campeonato de construtores, e deixar a Manor com muito menos dinheiro a receber na premiação da FOM. E, com a situação financeira crítica, se a Manor sobreviver, certamente irá atrás de pilotos com aporte financeiro bem mais alto do que Nasr. Tudo ainda pode acontecer, mas a chance final do brasileiro, infelizmente, é ínfima, e é bom Felipe já ir pensando no que fazer no restante do ano. Talvez tenha de se contentar em seguir para outra categoria, ou tentar a sorte de ser piloto de testes em algum time, algo que também será complicado de conseguir.


A “despedida” de Felipe Massa da F-1 não durou muito. Pouco mais de um mês e meio, se contarmos do encerramento da temporada ao anúncio oficial de sua permanência na Williams para 2017, mas certamente menos de um mês, se for contado o dia da assinatura do novo contrato para ficar em 2017, ainda antes do Natal de 2016. Mas o caso de Massa não é o primeiro de um piloto que anuncia sua aposentadoria, e depois volta atrás. Em 1990, Nigel Mansell, insatisfeito com sua posição na Ferrari, anunciou durante o Grande Prêmio da Inglaterra que iria aposentar o capacete. Bom, ele nem chegou a ficar “parado”, como Felipe: Pouco mais de dois meses depois, em Jerez de La Fronteira, durante o Grande Prêmio da Espanha, o piloto inglês anunciou seu retorno à equipe Williams para a temporada seguinte. E a temporada nem tinha terminado ainda, ou seja, a aposentadoria foi aposentada antes mesmo de começar. No caso do brasileiro, o anúncio foi feito em Monza, mas Felipe terminou o ano, quando surgiu o lance da retirada de Nico Rosberg. Então, de certa forma, Massa iniciou sua aposentadoria, que durou praticamente menos do que todo mundo esperava. A de Mansell, em 1990, nem chegou a ser efetivada. Em comum, apenas o fato de terem acontecido com o mesmo time, a Williams, que conseguiu convencer ambos a mudarem de idéia.
Em 1990, Nigel Mansell também anunciou sua retirada das pistas. Mas Frank Williams fez o "Leão" desistir de seus planos, e voltar ao time para a temporada de 1991, onde disputou o título com Senna, e seria campeão em 1992.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

ARQUIVO PISTA & BOX – NOVEMBRO DE 1997 – 28.11.1997



            Voltando a publicar um de meus antigos textos, trago hoje a coluna que foi publicada no dia 28 de novembro de 1997, que trazia um pequeno balanço da atuação dos pilotos brasileiros nos campeonatos de competição pelo mundo. Alguns nomes, como Hélio Castro Neves e Tony Kanaan, fizeram uma bela carreira, e estão por aí até hoje. Outros, infelizmente, sumiram do mapa, ou suas carreiras não decolaram como se esperava, o que normal no mundo do automobilismo, pois nem sempre as coisas transcorrem da maneira como se esperava. Dá para ver como nossos pilotos conseguiam conquistar o mundo na época, disputando vários certames pelo mundo afora, e mostrando seu talento, em um momento onde nosso automobilismo nacional produzia uma leva de pilotos que, se não eram gênios como foram Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet, e Ayrton Senna, eram bons o suficiente para impressionarem europeus, norte-americanos, etc, onde quer que fossem para competir. Hoje, infelizmente, graças ao declínio das competições nacionais, em virtude de uma CBA cada vez mais inoperante, vimos nosso número de representantes minguar a cada ano. O olha que muitos torcedores ainda reclamavam da falta de resultados, já que não vencíamos nos principais campeonatos, como a F-CART e a F-1. Mas, comparado com o que temos hoje, éramos felizes e não sabíamos.
            Enquanto o automobilismo brasileiro não voltar a ser o que era, o destino de nossos pilotos no exterior se resumirá a alguns poucos que terão a sorte de conseguir competir lá fora. As levas de profissionais brasileiros que a cada ano desembarcavam mundo afora para dar seguimento às suas carreiras, infelizmente hoje são coisa do passado. Um passado que talvez nunca volte, a persistir o panorama atual. Aproveitem o texto, e em breve trago outros por aqui...


BRASIL REVIEW 1997

            Perto de encerrar mais um ano, é hora de fazer uma retrospectiva dos pilotos brasileiros presentes nos campeonatos internacionais de automobilismo deste ano. E a torcida não pode reclamar muito, pois nossas feras da velocidade tiveram o melhor desempenho dos últimos anos. E a conta não é modesta: nada menos do que 6 campeonatos e 5 vice-campeonatos conquistados, o que dá uma idéia do sucesso de nossos pilotos em 1997.
            O último a integrar a lista de títulos foi Bruno Junqueira, que na etapa de Florianópolis, domingo passado, válida pelo campeonato de F-3 Sul-Americano, faturou o título por antecipação, deixando o argentino Nestor Furlan com o vice-campeonato. E Bruno fez a conquista em grande estilo, ao vencer pela 7ª vez no ano. Não é pouco.
            Mas a categoria onde passamos de novo perto do título foi a da F-CART. Nossos representantes, apesar de só terem conquistado 1 vitória, marcaram presença pela regularidade. Gil de Ferran, mesmo sem vencer nenhuma corrida, foi vice-campeão. Só faltou mais sorte aos nossos pilotos para chegar ao título.
            Na F-1, já era de se esperar um ano de poucos resultados. Rubens Barrichello voltou à sua melhor fase, e levou a nova equipe Stewart a brilhar em algumas corridas e classificações, enquanto o carro não quebrava. Já Pedro Paulo Diniz evoluiu muito em conceito nos bastidores da categoria, e conseguiu até alguns desempenhos notáveis com a TWR-Arrows, um carro também muito limitado em diversas provas. Já Tarso Marques, nas poucas ocasiões em que o carro da Minardi andou a contento, mostrou o seu talento. Quem se deu mal foi Ricardo Rosset, pela entrada furada da Lola na F-1. Para aqueles que dizem que o Brasil não tem mais piloto, a afirmação é totalmente furada. Temos piloto sim, mas eles precisam de equipamento à altura para brilhar.
            Não por coincidência, justamente nas categorias monomarcas, isto é, que utilizam equipamento igual para todos os pilotos, tivemos os desempenhos mais notáveis. Vejam o caso da Indy Lights, onde os brasileiros praticamente massacraram a concorrência. Das 13 corridas do campeonato, 8 foram vencidas por brasileiros. Tony Kanaan faturou o título. Hélio Castro Neves foi o vice-campeão, e para completar o show brasileiro, Cristiano da Matta ainda foi o 3º colocado no campeonato. Se por um lado Tony e Hélio correram pela Tasman, e Cristiano pela Brian Stewart, duas equipes de estrutura invejável dentro de sua própria categoria, o equipamento foi basicamente igual para todos: chassi Lola, motor Buick atmosférico e pneus Firestone. Não há como negar que o talento de nossos pilotos não tenha feito nenhuma diferença.
            Outra categoria monomarca internacional é a F-Opel, onde também são utilizados chassis e motores iguais para todos. E foi nessa categoria que Marcelo Battistuzzi arrepiou os europeus, faturando os campeonatos europeu e alemão da categoria, obtendo a incrível marca de 9 vitórias no ano. Mais significativo é o fato de que, ao iniciar a temporada, Battistuzzi nem era considerado favorito ao título, especialmente por ocupar a posição de 2º piloto em sua equipe, a Vergani. Mas Marcelo não se intimidou e botou seu pé direito para trabalhar. O resultado está aí, e Battistuzzi deve disputar a F-3000 em 1998. Bons convites não faltam...
            Voltando de novo para este lado do Atlântico, e de volta aos EUA, tivemos Zaqueu Morioka como vencedor da F-Ford 2000 Americana. Curioso ainda é que Zaqueu não teve manager nenhum. Morioka praticamente se associou à sua equipe e ainda cuidou meticulosamente de toda a verba que tinha disponível. Com todo este trabalho extra-pista, o desempenho de nosso “samurai” tupiniquim deixou os americanos de queixo caído.
            Na F-3000, último degrau para a F-1, voltamos a faturar o caneco da categoria. Ricardo Zonta foi imparável no campeonato com 3 vitórias, sem contar o triunfo do início da temporada, da qual foi desclassificado por irregularidades em seu carro. Zonta foi impecável e já começou sua ascençao à F-1. Já fez diversos testes com a Jordan em configuração com as novas regras de 1998 e assombrou a equipe e outros profissionais da categoria com sua velocidade e capacidade técnica, dando sempre dados precisos para acertar o carro. Para 1998, o caminho deverá ser esse, piloto de testes, mas que ninguém se surpreenda se o vir já em algum grid de largada no próximo ano.
            E na Inglaterra, berço mundial do automobilismo, nossos pilotos também marcaram presença. Neste caso, foi Luciano Burti, que disputou e venceu o campeonato de F-Vauxhall. Burti correu pela equipe de Paul Stewart, e derrotou todos os favoritos do certame, o que incluiu até Justin Wilson, que era seu próprio companheiro de equipe.
            Esses foram nossos campeões em 1997. Mas, além deles, tivemos inúmeros outros pilotos que brilharam nas pistas, embora em níveis mais modestos. Antonio Pizzonia, por exemplo, faturou o Festival de Inverno da F-Vauxhall Jr. Enrique Bernoldi conseguiu vencer 1 prova na F-3 inglesa. Mário Haberfeld conseguiu 2 vitórias na mesma categoria. Na F-Ford 2000 americana, Luciano Zanguirolami venceu uma etapa do certame, assim como Urubatan Helou Jr. Na F-Vauxhall, Wagner Ebrahim conquistou 4 vitórias no campeonato. A lista de brasileiros que venceram corridas ainda vai longe, e a lista de nossos representantes pelo mundo afora é ainda maior. Ficaria difícil relacionar e comentar aqui o desempenho de todos eles.
            Nossos pilotos disputaram diversas categorias. Das conhecidíssimas F-1, F-CART, Indy Lights e outras mais, até categorias praticamente desconhecidas por aqui, como a Vectra Challenge, a Copa Mégane Michelin, o Norte Americano de Turismo, entre muitos outros. Nossos pilotos estiveram praticamente por quase todo o mundo. Comparados em número, os títulos podem parecer poucos, mas não são. O automobilismo, apesar de todos os interesses que o envolvem, ainda é basicamente o mundo da competição. E o importante, além de vencer, é competir, mas é claro que os nossos pilotos sempre lutarão pela vitória quando puderem fazê-lo. Que em 1998 eles consigam ainda mais títulos no automobilismo do que em 97.
            E viva o Brasil nas pistas!