sexta-feira, 10 de abril de 2015

A HORA DE ACELERAR NA ENDURANCE



Porsche, Audi (ao centro), e Toyota estão prontas para a disputa de 2015 do Mundial de Endurane. Quem vai ser o campeão este ano?

            Está para começar o campeonato do Mundial de Endurance, as corridas de longa duração, e o palco da primeira etapa do campeonato é a pista de Silverstone, na Inglaterra, onde neste domingo serão disputadas as 6 Horas de Silverstone. Na pista, a Toyota terá a missão de defender o seu título, conquistado no ano passado, após finalmente destronar a Audi em seu terceiro ano de participação na categoria. E foi aqui neste circuito inglês que os nipônicos mostraram que iam mesmo derrubar os alemães no ano passado, quando venceram a corrida britânica de forma categórica, enquanto os carros da marca das quatro argolas abandonaram a corrida com problemas.
            A Audi perdeu o segundo embate, em Spa, na Bélgica, e dava a impressão de que o duelo seria renhido, pois perdeu a vitória por pouca diferença. Em Le Mans e Austin, o time alemão fez uso de sua experiência e confiabilidade para vencer e assumir a liderança da competição, mas foi só: nas etapas de Fuji ao Bahrein, a Toyota deitou e rolou, conquistando seu primeiro título. Para a Audi, restou o consolo do vice-campeonato, uma vez que nas provas finais, até a Porsche, que retornou oficialmente às corridas de longa duração de Esporte-Protótipos, estava mostrando desempenho superior, culminando com sua vitória na última etapa do campeonato, em Interlagos.
            Este ano, Audi, Porsche e Toyota terão a companhia de uma nova escuderia de fábrica na categoria protótipos da LMP1: a Nissan. A montadora japonesa vem para tentar repetir o sucesso da rival Toyota nas corridas de longa duração, e apresentou seu modelo GT-R LM Nismo em fevereiro exibindo um belo visual e motor dianteiro, ao contrário dos rivais, que usam motores traseiros. As novidades do modelo, contudo, cobraram seu preço: com problemas para resolver e com uma performance abaixo da esperada, além de problemas na homologação do carro, a Nissan postergou sua estréia para junho, nas 24 Horas de Le Mans, a prova mais importante do campeonato. Espera-se que até lá os japoneses consigam desenvolver melhor seu modelo de estréia na competição e resolvam todas as pendências com relação à homologação do modelo.
            O Mundial de Endurance, em seu 4° ano de existência, mostrou-se muito atrativo, a ponto de conseguir 35 carros para a disputa regular do campeonato, o que exibe a popularidade crescente da categoria. Para a prova de Silverstone, contudo, além da ausência da Nissan, a equipe Rebellion também estará de fora desta etapa, em virtude de estarem trocando seu motor, e não ter tido tempo hábil para resolver todos os detalhes que essa mudança impõe. Quem também acabou ficando fora desta primeira corrida foi a equipe Sard Morand, da categoria LMP2 por problemas variados. Com isso, o número de competidores que entram a partir de hoje na pista serão "apenas" 29 competidores, sendo 7 carros na LMP1, 8 na LMP2, 7 na GTEPro, e mais 7 na GTEAm. Mas a disputa está garantida na pista.
            No que tange ao campeonato, continuam as 8 etapas, com a diferença de que o Brasil está ausente da categoria este ano, em virtude das obras que irão reformular o paddock de Interlagos pelas exigências da F-1 em continuar competindo no circuito de São Paulo. No lugar da etapa brasileira entrou as 6 Horas de Nurburgring, que ficou sem condições de receber à F-1 este ano devido às altíssimas taxas cobradas pela FOM, mas que está garantido no Mundial de Endurance, cujas taxas não são as loucuras cobradas por Bernie Ecclestone. As 24 Horas de Le Mans serão disputadas nos dias 13 e 14 de junho, e continuam sendo o ponto alto da competição.
A Toyota foi campeã em 2014 e quer o bi em 2015. Falta combinar com os concorrentes...
            O grande destaque da competição será a tentativa de revanche da Audi para recuperar o trono da categoria, após sua derrota para a Toyota no ano passado. O modelo R18 e-tron passou por uma reformulação, além de ter seu sistema de recuperação de energia evoluído, para fazer frente ao modelo TS040 da Toyota, com seu supercapacitor de energia no ERS, o que fazia com que o motor dos carros nipônicos chegasse aos incríveis 1000 HPs de potência. Não por acaso, a Porshe também resolveu incrementar o seu modelo 919 com seu ERS também passando por uma grande evolução para desafiar os japoneses. A Porsche terminou 2014 vencendo, e quer iniciar 2015 mostrando ser um dos postulantes ao título da competição. E a disputa tem tudo para ser eletrizante, pois os alemães mostraram que seu carro ganhou bastante velocidade nos testes, mostrando que a Toyota poderá ter trabalho para manter seu cetro de campeã. E também não podemos deixar de considerar a Audi na briga, pois o time das quatro argolas tem condições de voltar à dianteira, e mostrar que o que aconteceu no ano passado foi apenas um desvio de percurso. Fica a dúvida de como a Nissan estará para encarar estes três times a partir de Le Mans, mas só o fato de termos mais um time oficial de fábrica nos protótipos já é motivo de comemoração, significando mais duelos em potencial, e firmando a Endurance como campeonato de alta performance e desempenho.
Vencedora em 2012 e 2013, a Audi acabou desbancada pela Toyota no ano passado, e quer mostrar que foi apenas um percalço passageiro, retomando a coroa de campeã este ano.
            E ainda teremos boas disputas nas categorias LMP2, a GTEPro, e a GTEAm. No ano passado, a Toyota venceu aqui em Silverstone finalizando as 6 horas de competição com 167 voltas completadas, deixando o segundo colocado, também da Toyota, a 1 volta atrás, e o terceiro colocado, da Porsche, com 2 voltas de desvantagem. Vejamos como se dará a luta este ano.
            Para os torcedores brasileiros, o destaque será Lucas Di Grassi, que continua firme no carro N° 8 da equipe da Audi, formando trio com os pilotos Oliver Jarvis e Loic Duva, competindo na categoria LMP1. E com chances de título, se a Audi confirmar que recuperou todo o seu poderio. Na LMP2, teremos a presença de Pipo Derani, que defenderá o carro N° 28 da equipe G-Drive, competindo com o modelo Ligier JSP2 Nissan, em conjunto com o colombiano Gustavo Yacamán e o mexicano Ricardo González. E na categoria GTEPro, teremos novamente Fernando Rees defendendo a Aston Martin, ao volante do modelo Aston Martin Vantage V8, em parceria com os pilotos Alex MacDowall e Richie Stanaway. O canal pago SporTV transmitirá partes das corridas em sua programação. Para este final de semana, deverá exibir a primeira hora da competição, além da chegada da prova.
            Confiram o calendário 2015 do Mundial de Endurance:

DATA
ETAPA
CIRCUITO - PAÍS
12.04
6 Horas de Silverstone
Silverstone - Inglaterra
02.05
6 Horas de Spa-Francorchamps
Spa-Francorchamps - Bélgica
13 e 14.06
24 Horas de Le Mans
Le Mans - França
30.08
6 Horas de Nurburgring
Nurburgring - Alemanha
19.09
6 Horas do Circuito das Américas
Circuito das Américas - EUA
11.10
6 Horas de Fuji
Fuji - Japão
01.11
6 Horas de Shanghai
Shanghai - China
21.11
6 Horas do Bahrein
Sakhir - Bahrein
A Nissan será a 4ª fábrica na categoria LMP1, mas estréia apenas nas 24 Horas de Le Mans...


Nelsinho Piquet averbou em Long Beach, sábado passado, sua primeira vitória no campeonato da Fórmula E, a categoria de monopostos elétricos que está conquistando mais adeptos a cada etapa. A vitória foi antológica por ter sido conquistada na mesma pista onde seu pai, 35 anos atrás, venceu pela primeira vez na Fórmula 1. Nelsinho, aliás, pensando na possibilidade de vencer a corrida na mesma pista onde o pai triunfou pela primeira vez, disputou a corrida com o capacete com as mesmas cores do pai, branco com as listras e pingos vermelhos, que fez os mais saudosos lembrarem dos velhos tempos. A corrida teve outra particularidade interessante e coincidente com a corrida de 1980 vencida por nosso primeiro tricampeão na F-1: o Brasil foi maioria no pódio. Na corrida da F-1 de 1980, Nélson venceu a prova, com a Brabham, seguido do italiano Riccardo Patrese, da Arrows, e Émerson Fittipaldi foi o 3° colocado, no que seria seu último pódio na categoria, que deixaria ao fim daquela temporada, passando a atuar apenas como chefe de sua equipe, a Fittipaldi, que começaria seu agonizante fim. Na corrida da F-E, sábado passado, Nelsinho Piquet venceu, pela equipe China Racing, o francês Jean-Éric Vergne, da equipe Andretti,  foi o 2° colocado, e Lucas Di Grassi fechou o pódio com a 3ª posição na prova, pela equipe Audi ABT. Na corrida da F-1, Piquet largou na pole-position e simplesmente dominou a corrida de ponta a ponta. Nelsinho alinhou na 3ª posição do grid, mas na largada, partiu para cima dos primeiros colocados e assumiu a ponta já na freada da primeira curva, assumindo a liderança da prova que só perderia momentaneamente na troca de carros. Finalizadas as trocas de monopostos entre todos os competidores, Nélson Ângelo retomou a liderança e seguiu firme até a bandeirada. A atuação de Piquet foi firme e categórica, pois até então, nenhum piloto conseguiu impôr uma vitória de forma tão absoluta numa corrida como a de Nelsinho no balneário californiano. Tão logo assumiu a dianteira, imprimiu um ritmo forte, sem desgastar seu equipamento, enquanto os adversários disputavam as posições atrás de si. A vitória catapultou o brasileiro para a vice-liderança da competição, com 74 pontos, apenas 1 ponto a menos que o de seu compatriota Lucas Di Grassi, que retomou a liderança do campeonato, que havia perdido para Nicolas Prost na etapa de Miami. Aliás, foi Prost quem teve problemas em Long Beach, enfrentando uma queda de performance em seu carro na segunda metade da corrida que o deixou apenas em 14° colocado, sem marcar pontos. Outro forte competidor na luta pelo título, Sam Bird, também não teve o que comemorar nesta etapa, abandonando após 13 voltas. Bruno Senna, por sua vez, fez uma prova combativa, largando a meio do grid para fazer novamente uma corrida de recuperação, finalizando em 5° lugar, atrás de Sébastien Buemi. Com 6 etapas disputadas, a F-E passou da metade de seu campeonato inicial, restando 5 provas para o fim da competição, com a dupla de pilotos brasileiros passando a ser os nomes mais fortes para a conquista do primeiro título da modalidade, pelo que demonstraram nas corridas até aqui. Lucas tem sido bem constante, com 1 vitória, 1 segundo lugar, e dois terceiros, não tendo marcado pontos apenas na etapa da Argentina, por problemas mecânicos. Já Nelsinho tem 1 vitória, 1 segundo lugar e 1 terceiro, e não marcou pontos na etapa da Malásia. Desde a etapa do Uruguai, vem andando muito forte em todas as etapas. Mas é muito cedo para baixar a guarda, pois ainda tem muita corrida pela frente, e pelo que se viu até agora, pode acontecer de tudo. A próxima corrida da F-E é no dia 9 de maio, em Mônaco.
Momento histórico para Nelsinho Piquet em Long Beach na F-E: 1ª vitória na categoria dos carros elétricos na mesma pista onde seu pai venceu pela primeira vez na F-1 em 1980.


A F1 inicia hoje os treinos oficiais para o Grande Prêmio da China, e todo mundo no paddock está querendo saber se a Ferrari será capaz de repetir nesta prova o desempenho exibido em Sepang, na última etapa. Mas a própria Ferrari adverte que não pode garantir ter a mesma performance da última corrida. A contrário do forte calor enfrentado por todos na etapa malaia, o ambiente em Shanghai é bem mais ameno e fresco, e o carro da Mercedes ainda é o alvo a ser batido. Mas é inegável que o triunfo da escuderia italiana deu uma balançada no time alemão, que certamente está bem mais precavido para esta corrida. Vamos esperar para ver quem dá as cartas na China.


Tem início neste fim de semana o Campeonato Europeu de F-3. Serão 10 etapas com corridas triplas, iniciando com a etapa deste fim de semana, em Silverstone, ao lado da etapa de abertura do Mundial de Endurance. E o Brasil terá 2 pilotos na competição: Pietro Fittipaldi estréia na categoria, defendendo a equipe Fortec, enquanto Sérgio Sette correrá pela equipe Motopark. Com o fim dos certames britânico e alemão da F-3, o campeonato europeu começa com tudo, tendo nada menos do que 36 pilotos inscritos para este início de competição. Daqui de Silverstone, as escuderias seguirão para as seguintes etapas do calendário 2015: 03/05 - Hockenheim (Alemanha); 17/05 - Pau (França); 31/05 - Monza (Itália); 21/06 - Spa-Francorchamps (Bélgica); 12/07 - Zandvoort (Holanda); 02/08 - Red Bull Ring (Áustria); 30/08 - Moscou (Rússia); 27/09 - Nurburgring (Alemanha); e 18/10 - Hockenheim (Alemanha).


A Indy Racing League também acelera neste final de semana, com a nova etapa da Louisiana, em uma nova pista mista no campeonato. O Nola Motorsports, circuito que sediará a nova corrida, tem 13 curvas, e 4,42 Km de extensão. Juan Pablo Montoya é o líder do campeonato, após vencer a etapa inicial em São Petesburgo, e todos esperam que a Penske não mostre na nova pista o domínio demonstrado na corrida de estréia da competição, mas é melhor se prepararem para ver novamente os carros de Roger Penske dando as cartas.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

FLYING LAPS - MARÇO DE 2015



            E ano de 2015 segue avançando, e o mês de março já ficou para trás. Então, é hora, como tem rotina, lançar a mais nova edição da Flying Laps, trazendo em notas rápidas algumas considerações de alguns dos acontecimentos vividos pelo mundo da velocidade neste último mês. Uma boa leitura a todos, e até a próxima edição da Flying Laps do mês que vem...
 
A estréia dos novos kits aerodinâmicos no campeonato deste ano da Indy Racing League deu uma renovada no visual dos carros da categoria, mas já se tornaram objeto de polêmica logo na primeira corrida, disputada em São Petesburgo, quando pedaços dos bicos dos carros acabaram se desprendendo e ficando espalhados pela pista, o que fez as bandeiras amarelas serem agitadas diversas vezes. Houve até um caso bizarro de um pedaço que atingiu uma torcedora após voar quase 100 metros de onde se desprendeu do carro e indo atingir a moça na cabeça, causando fratura no crânio. Brigitte Hoffstetter foi levada para o hospital onde seu ferimento foi tratado, e felizmente, não houve maiores complicações, em que pese a postura mais assustada de seu marido, que achou um milagre sua esposa não ter morrido com a pancada da peça, mesmo que pequena. O brasileiro Tony Kanaan, que terminou a corrida de São Petesburgo em 3° lugar, afirmou que as peças acabaram se desprendendo não por problemas de fabricação, mas pelo excesso dos pilotos, que andaram tocando uns nos outros mais do que deveriam. Tony reafirmou que eles competem em uma categoria de monopostos, não carros de turismo, que normalmente suportam toques durante a competição. Além dos pilotos terem abusado nas disputas de posição, é inegável que o desenho das asas dianteiras mostra várias peças com suportes que poderiam ser melhor fixados. As laterais do kit dos times da Chevrolet, por exemplo, possuem uma asinha mais alta que tem apoio apenas por uma barra, e são bem vulneráveis a toques e batidas. Os kits da Honda, por sua vez, também tem um grande número de peças nas laterais das asas dianteiras, bem mais distribuídas que as da Chevrolet, é verdade, mas que parecem precisar de um reforço estrutural também. Não é nenhum problema insolúvel: basta a Honda e a Chevrolet fazerem ajustes nos suportes destas asas que isso deve resolver boa parte dos problemas das asas se soltando, pelo menos com relação à pressão aerodinâmica. Mas os pilotos também vão precisar dar uma maneirada nas encostadas que dão uns nos outros durante as disputas nas corridas, a fim de evitar maiores incidentes, para não mencionar que estragos nas carenagens sempre podem significar prejuízo na performance durante a corrida, para não falar do prejuízo financeiro de ter de encomendar mais peças de reposição também...



O piloto francês Frank Montagny pode ter dito adeus à sua carreira esportiva. Montagny foi pego no exame antidoping após a prova da Malásia da F-E, e desde então estava suspenso preventivamente, até que seu caso fosse julgado, o que aconteceu neste mês de março. O piloto francês tomou uma suspensão de dois anos do automobilismo pelo uso de substâncias derivadas de cocaína. Frank já tem 37 anos, e ao fim da suspensão, terá 39 anos, idade que muitos consideram a aposentadoria definitiva para um piloto. Como consequência da punição, Montagny também acabou excluído do resultado da etapa malaia da categoria de carros elétricos, depois de haver terminado em 2° lugar na primeira etapa, disputada em Pequim, e conquistado 18 pontos. O piloto francês não teve sorte em sua passagem pela F-1, tendo participado apenas de 7 corridas, pelo time de Aguri Suzuki em 2006, tendo sido em 2007 piloto de testes da Toyota. Montagny também disputou 12 edições das 24 Horas de Le Mans, tendo passado por várias categorias. Infelizmente, drogas e esporte não combinam, e ser pego no exame antidoping, ainda mais por uma substância derivada da cocaína, é certamente uma mancha grave no currículo de qualquer esportista que se preze.


O francês Sebastien Ogier continua largando brasa sobre a concorrência no Mundial de Rali. O piloto da Volkswagen venceu a etapa do México, marcando o perfeito score de 3 vitórias em 3 provas disputadas até agora na competição deste ano, para desespero dos rivais, que já estão ficando para trás na classificação do campeonato. Ogier lidera com 81 pontos, quase o dobro do segundo colocado no certame, o norueguês Andreas Mikkelsen, que tem "apenas" 47 pontos. Na 3ª colocação está o belga Thierry Neuville, com 35 pontos, seguido de perto por Mads Ostberg, da Noruega, com 32 pontos. Na competição por equipes, a Volkswagen Motorsport lidera a competição com 99 pontos, seguida pela equipe Hyundai WRT, com 75 pontos. Na 3ª posição está a M-Sport WRT, com 48 pontos. Pelo campeonato de marcas, a Volkswagen está com mais do que o dobro de pontos da segunda colocada, a Hyundai, que tem apenas 63 pontos contra 147 da marca alemã. A Ford está encostada atrás da marca coreana, com 61 pontos, enquanto a Citroen, que viveu quase uma década de ouro no rali quando tinha Sébastian Loeb ao volante, tem apenas 50 pontos na classificação. A próxima etapa da competição é na Argentina, no último fim de semana de abril.


A MotoGP abriu a temporada 2015 com vitória de Valentino Rossi na etapa do Catar, disputada no circuito de Losail. Mas quem deu um susto nos favoritos foi a Ducati, que dominou a corrida com Andrea Dovizioso, que travou um belo duelo com Jorge Lorenzo, da Yamaha, durante muitas voltas. Dovizioso, inclusive, conquistou a pole-position para a corrida. E, para mostrar que não foi um resultado de sorte, Andrea Ianonne, companheiro de Dovizioso no time italiano, largou na 4ª posição. A Honda acabou surpreendida com a força da Ducati, mas tinha esperanças de neutralizar a rival na corrida, até porque Dani Pedrosa era o 2° no grid, seguido pelo atual bicampeão Marc Márquez. Só que o time nipônico acabou se dando mal na corrida: Márquez fez uma largada terrível, caindo para as últimas posições. Pedrosa também perdeu algumas posições, enquanto Lorenzo saltava para disputar a liderança com Dovizioso. Valentino Rossi, largando em 8°, também começava a escalar o pelotão rumo às primeiras colocações. Lorenzo conseguiu tomar a ponta da corrida, mas nunca conseguiu escapulir de Dovizioso, que sempre esteve na cola do espanhol, e por várias vezes trocaram de posições na liderança. Na sua escalada, Rossi foi passando um a um, até que chegou na dupla que travava a disputa pela liderança. Seu companheiro na Yamaha, Jorge Lorenzo, foi o primeiro a sucumbir, sendo depois ainda superado por Andrea Ianonne. Rossi partiu para cima de Andrea Dovizioso, e assistiu-se a uma batalha épica entre o multicampeão e o piloto da Ducati. Com a maior velocidade em reta, a Ducati de Dovizioso parecia intransponível. Mas Rossi não é um dos maiores vencedores da motovelocidade a troco de nada, e nas últimas voltas, ele e Dovizioso duelaram pela liderança da corrida, trocando de posição algumas vezes. Valentino assumiu a ponta em definitivo na 21ª volta, e segurando com bravura o rival. Márquez fez uma bela corrida de recuperação, terminando em 5° lugar, à frente do companheiro de equipe Dani Pedrosa, em 6°, mas sem condições de entrar na briga pela liderança da corrida. O pódio tinha Rossi no degrau mais alto, mas as demais posições foram da Ducati, com a sua dupla Dovizioso/Ianonne na 2° e 3° colocação. Jorge Lorenzo finalizou em 4° lugar. A MotoGP tem sua próxima etapa no dia 12 de abril, no Circuito das Américas, no Texas, Estados Unidos. E tudo indica que poderemos ter uma temporada com muito mais fortes disputas do que todos esperavam.


A Nissan, que estréia no Mundial de Endurance este ano, postergou sua estréia na competição, e vai faltar às duas primeiras corridas do calendário, em Silverstone e Spa-Francorchamps. A estréia se dará apenas em junho, nas 24 Horas de Le Mans. A marca nipônica apresentou em fevereiro o modelo GT-R LM Nismo, com o qual irá desafiar Audi, Toyota e Porshe na categoria LMP1, mas o novo modelo, que tem como destaque motorização dianteira, teria sofrido mais percalços do que a concorrência, pelo que a fábrica decidiu fazer uma preparação mais acurada para estrear devidamente na competição. No ano passado, a categoria LMP1 ganhou a adição da Porshe, que voltou oficialmente às corridas de esporte-protótipos de longa duração, ajudando a dar mais variedade na disputa da principal categoria do Endurance, que estava restrito à luta Audi X Toyota. Agora é esperar que a Nissan entre para valer na disputa, e ajude a dar ainda mais emoção às provas da Endurance este ano, que terão a Toyota defendendo o seu título de campeã, conquistado no ano passado, após finalmente desbancar a Audi.


A Toyota, aliás, confirmou a contratação do japonês Kamui Kobayashi como piloto reserva de sua escuderia no Mundial de Endurance. Kamui ficou sem vaga na F-1, e foi com a Toyota que ele estreou na F-1, em 2007. É torcer para que ele tenha chance de correr firme pelo time japonês em algum momento...

sexta-feira, 3 de abril de 2015

PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE 2015



Com uma parada a menos nos boxes, Sebastian Vettel e a Ferrari surpreenderam a favorita Mercedes na Malásia, dando esperança de um pouco mais de disputa ao campeonato.

            Disputadas as primeiras etapas do campeonato deste ano da Fórmula 1, podemos fazer um pequeno balanço das impressões sentidas até aqui com relação à disputa na pista este ano. A primeira delas, a mais óbvia de todas, é que a Mercedes é o carro a ser batido, e apesar dos sustos iniciais vistos nos testes da pré-temporada, e na etapa da Austrália, os carros alemães poderão ter alguns percalços pelo caminho, como visto na Malásia, onde o forte calor e a degradação dos pneus os fizeram perder a vitória para a Ferrari, numa agradável surpresa logo no início do calendário, dando a esperança de que isso possa acontecer outras vezes durante o ano. Se isso vai significar um campeonato mais disputado do que o do ano passado, em se tratando de título, só esperando para ver, pois ainda é cedo para dizer que os carros prateados perderam o seu favoritismo destacado na competição.
            A corrida da Austrália foi a pior dos últimos anos. Poucas disputas, e o menor número de carros em prova dos últimos tempos. A Manor nem conseguiu ligar o motor, embora para muitos, ter conseguido construir o carro, ainda que seja basicamente o mesmo modelo do ano passado, já foi uma proeza e tanto. Com isso, tivemos dois carros a menos no grid, de um total inicial de 20, e no domingo, outros dois pilotos foram a nocaute antes mesmo de alinharem para a prova. Menos outros dois carros. Largariam apenas 16, ou melhor, 15, já que Valtteri Bottas acabou vetado pelos médicos por causa das dores nas costas, que se mostraram piores do que o esperado após as pancadas sofridas durante a classificação. E, como costuma acontecer em Melbourne, as curvas após a largada são pródigas em confusões e incidentes, e por ali ficaram Pastor Maldonado, na primeira batida em corrida do ano. Ao fim da primeira volta, novo abandono, de Romain Grossjean, e com isso, a corrida acabou disputada na prática por apenas 13 carros.
            De negativo, tivemos a confusão extra-pista causada pela ação movida por Giedo Van Der Garde contra a Sauber, por ainda possuir um contrato válido para ser piloto titular da escuderia suíça, o que a fez passar por uma tremenda saia justa com a justiça australiana, que a fez perder o primeiro treino livre, e até a correr o risco de ter seus bens apreendidos. Por fim, chegou-se a um acordo, mas com sua popularidade levando alguns sobressaltos, a F-1 certamente podia passar sem essa, já tendo os problemas da crise econômica que afeta meio grid algo suficiente para tirar o sono de muita gente.
            De positivo, a boa impressão de que a Ferrari recuperou-se totalmente do mau ano de 2014, tendo produzido de fato um excelente carro, e corrigido os problemas na sua unidade de potência. E também teve a excelente corrida de Felipe Nasr, que aproveitou-se das oportunidades da corrida para chegar num excelente 5° lugar, fazendo uma prova competente e firme. Também se confirmou que a Red Bull terá um ano mais difícil do que se imaginava, além de que a McLaren terá muito trabalho em seu primeiro ano da retomada parceria com a Honda.
            Como a pista do Albert Park geralmente não reproduz exatamente o perfil que se vê em toda a temporada, devido às suas características particulares, e também pelo fato de, na primeira corrida, alguns times adotarem um grau conservador, quando não estão ainda tentando descobrir os melhores acertos de seus equipamentos, sempre se espera pela prova seguinte, geralmente na pista de Kuala Lumpur, um autódromo de verdade, para vermos uma expressão mais exata do que o campeonato pode nos mostrar. E, confirmando a teoria, tivemos uma corrida muito mais interessante e disputada do que em Melbourne.
            O melhor de tudo foi vermos outro carro que não a Mercedes a vencer, surpreendendo os atuais campeões do mundo, que certamente imaginavam poder desfilar com muito mais calma e vantagem. Sebastian Vettel, que saíra da Red Bull meio desacreditado, reencontrou sua melhor forma no time italiano, e já tinha dado prova disso na Austrália, subindo ao pódio e sendo o melhor do "resto" do grid, vencendo o duelo com Felipe Massa pelo lugar restante do pódio. O modelo SF-15T, de autoria de James Allison, mostrou a que veio, e embora esteja ainda abaixo do modelo W06 da Mercedes em performance absoluta, é bom o suficiente para apresentar algumas surpresas com um bom talento ao volante. Aliás, Allison tinha produzido este tipo de característica positiva nos modelos da Lotus de 2012 e 2013, que permitiram naqueles anos a Kimi Raikkonem terminar o campeonato em 3° lugar, até conseguindo vencer algumas corridas, pelo trunfo do chassi ser extremamente dócil com os pneus, permitindo em inúmeras oportunidades economizar uma parada de box em relação aos rivais, o que foi decisivo para a vitória de Vettel em Sepang, além da excelente boa performance do próprio Raikkonem, que caiu para último, e veio fazendo uma excelente prova de recuperação, terminando em 4° lugar com o outro carro da Ferrari.
Felipe Massa perdeu o duelo não só com as Ferraris em Sepang, mas também com o próprio companheiro de equipe Valtteri Bottas, que o superou na última volta da corrida da Malásia.
            A corrida em Sepang também mostrou que Williams e Red Bull não estão com a bola toda que imaginavam. O time de Frank Williams foi amplamente superado pela Ferrari na Malásia, mostrando que já ficou para trás em relação ao time de Maranello como principal força da temporada depois da Mercedes, tendo terminado ambos os pilotos com mais de 1 minuto de desvantagem para o vencedor Vettel, diferença alta demais para ser atribuída apenas a uma parada a menos durante a prova. Fica pior ainda quando se vê que tanto Valtteri Bottas quanto Felipe Massa terminaram a prova malaia atrás de Kimi Raikkonem, que havia caído para último lugar por um pneu furado por um toque e veio passando todo mundo à sua frente, incluídos os dois carros da Williams. É verdade que em 2014 a escuderia também esteve abaixo das expectativas nas primeiras corridas, mas a perspectiva para este ano era de evolução em relação ao ano passado, e se não reagirem logo, podem perder a chance de terminarem melhor do que em 2014. No caso da Red Bull, a situação foi ainda pior, com o time principal sendo superado pela time satélite, que tem menos recursos e, teoricamente, um carro não tão bom quanto o time principal.
            Aliás, o clima entre a Red Bull e a Renault esquentou da Austrália para cá, com algumas farpas e trocas de acusações pouco levianas por parte do time dos energéticos, o que fez com que levassem algumas reprimendas públicas da Renault, cansada de ser acusada de todos os problemas. Para azar do time principal, a Toro Rosso fez uma corrida bem melhor com seus dois pilotos na Malásia, mostrando que os problemas não são apenas da unidade de potência. Mas foi decepcionante mesmo o clima de falta de esportividade exibido pela Red Bull, chegando a ameaçar até deixar a F-1 se não tiver condições de vencer corridas. Se todos os times tivessem este tipo de atitude quando tem problemas, não teríamos mais categoria alguma. Pelo visto, os anos de sucesso fizeram muito mal à escuderia, que já esqueceu que foi um time médio um dia, de 2005 até 2008, vencendo suas primeiras provas apenas em 2009.
A Toro Rosso está na frente da Red Bull no campeonato, o que não acontecia desde 2008: menos reclamação e mais trabalho na pista...
            Sauber, Lotus e Force India mostraram que tem carros com potencial, mas que precisam ser desenvolvidos para efetuarem um bom campeonato e marcar pontos com regularidade. Todos eles mostram que os percalços financeiros comprometeram suas expectativas de performance, em maior ou menor grau. Por azares diversos, a Lotus ainda não conseguiu pontos, enquanto a Sauber aproveitou os azares alheios na Austrália para faturar bons pontos com sua dupla de pilotos, que não teve a mesma sorte na Malásia. Já os carros da Force India sempre costumavam iniciar o ano com boas performances, o que não é o caso deste ano, onde colheu apenas alguns pontos pingados em Melbourne. Com a Toro Rosso mostrando mais performance do que eles imaginavam, e se levarmos em conta que as primeiras colocações serão ocupadas por carros da Mercedes, Ferrari, Williams, e Red Bull, as chances de aqueles 3 times pontuarem se resumirão às oportunidades onde enfrentem algum problema, liberando "vaga" nos lugares pontuáveis. Portanto, que tratem de desenvolver seus carros o quanto antes for possível, sob o risco de irem ficando mais para trás, com sérias consequências no campeonato de construtores.
            Enquanto isso, a McLaren confirma os prognósticos preocupantes da pré-temporada, com os japoneses da Honda enfrentando mais problemas do que imaginavam na sua unidade de potência e sistemas de recuperação de energia. Mas o modelo MP4/30 mostra ter potencial, e em Sepang, já conseguiu demonstrar uma evolução capaz de deixar Sauber, Lotus e Force India para trás a curto prazo, se conseguir melhorar a fiabilidade. E se levarmos em conta que, para evitar quebras, a unidade de potência nipônica está rodando muito abaixo do limite permitido, dá para especular que o salto de performance, tão logo adquiram a fiabilidade necessária, deverá ser bem significativo, embora seja impossível precisar exatamente onde possam chegar ainda este ano. Se conseguirem voltar a pontuar regularmente, já será uma grande façanha.
Aos trancos e barrancos, a McLaren/Honda mostra que pode crescer bastante se conseguir maior fiabilidade no equipamento, especialmente na unidade de potência nipônica.
            Tudo indica que o campeonato pode oferecer algumas boas surpresas, talvez nem tanto quanto se possa esperar efetivamente, mas certamente mais do que se imaginava a princípio, quando tudo o que parecia restar seria ver qual dos pilotos da Mercedes seria o campeão, e quando. Ainda é uma questão de tempo saber quando isso vai acontecer, mas a corrida da Malásia oferece a esperança de que os campeões mundiais possam vir a ter alguns problemas, mesmo que ocasionais, pelo seu caminho rumo ao bi consecutivo. E isso já ajuda a encarar as próximas provas com expectativa renovada de pelo menos vermos esperança de melhores disputas. Sigamos então para a China, próxima etapa, para conferirmos se a esperança se confirmará. Até Shangai...


A F-E volta à pista neste sábado, para sua segunda etapa em solo estadunidense. O palco é o circuito de Long Beach, na Califórnia, que já sediou provas da F-1, da F-Indy, e atualmente faz parte do calendário da Indy Racing League. A pista que será utilizada pela categoria de carros elétricos, contudo, será bem menor que a utilizada pelos monopostos Indy, contando com 2,1 Km de extensão, com 7 curvas, incluindo o famoso cotovelo que dá acesso à reta dos boxes, palco onde os competidores costumam se estranhar na disputa de posições nas corridas já disputadas naquela pista. O traçado terá vários trechos de retas, o que deve proporcionar bons pontos de ultrapassagens, especialmente na reta dos boxes, em curva, onde os pilotos poderão efetuar seus ataques. E, ao contrário da pista de Miami, bem estreita, as ruas do balneário californiano são bem mais largas, e deverão realmente facilitar as tentativas de ultrapassagem, prometendo muita disputa entre os competidores. A liderança da competição está com o francês Nicolas Prost, da equipe e.Dams, o vencedor da última corrida, em Miami, seguido pelo brasileiro Lucas Di Grassi, que corre pela equipe Audi ABT, que foi o vencedor da primeira etapa, em Pequim, e que vinha liderando o certame até a corrida da capital do Estado da Flórida, onde teve um mal resultado e perdeu a liderança da competição. Prost está com 67 pontos, contra 60 de Lucas. Na 3ª colocação está o inglês Sam Bird, da Virgin, com 52 pontos. Nelsinho Piquet, da China Racing, vem subindo de produção nas últimas corridas, e é o 4° colocado na competição, com 49 pontos. Bruno Senna, por sua vez, continua enfrentando problemas e é apenas o 13° colocado, com 18 pontos. O canal pago Fox Sports transmite a corrida ao vivo, às 16 horas, com reprise da prova às 23 horas.


Sobre a corrida em Long Beach, aliás, é preciso fazer uma importante lembrança: na última segunda-feira, 30 de março, fez exatamente 35 anos da primeira vitória de Nélson Piquet na F-1, exatamente em Long Beach, que naquela época sediava o GP-Oeste dos EUA, enquanto Watkins Glen sediava o GP-Leste. Era a segunda temporada completa de Nelson, que havia estreado em 1978, no meio da temporada, no GP da Alemanha, correndo pela Ensign, até ir parar na Brabham onde disputaria toda a temporada de 1979. Com a primeira "aposentadoria" de Niki Lauda, o brasileiro assumiu a liderança do time, que em 1980 voltaria finalmente a disputar um título depois de muitos anos. Piquet terminou o ano como vice, depois de uma luta árdua contra Alan Jones, que conquistava o primeiro título de pilotos para a equipe Williams. Mas a vitória de Nélson em Long Beach foi emblemática por ter sido também o último pódio de Émerson Fittipaldi, que terminou a corrida em 3° lugar, conseguindo ali o último resultado positivo da equipe comandada por ele e seu irmão Wilsinho. Era uma passagem de geração, à qual Piquet deu seguimento nas conquistas brasileiras na F-1, que depois seria sucedido por Ayrton Senna. E, não por acaso, Nelsinho Piquet, que disputa amanhã a etapa de Long Beach da F-E, já mencionou que seria antológico vencer a corrida na mesma pista onde seu pai triunfou pela primeira vez na F-1, em 1980. Nelsinho vem andando bem nas últimas corridas, quem sabe ele consegue este feito? Nelsão pai certamente iria gostar, e muitos torcedores também.


Juan Pablo Montoya iniciou o campeonato 2015 da IRL na frente. O colombiano travou uma luta ferrenha com Will Power na parte final da corrida, disputada no circuito de rua em São Petesburgo, e voltou a vencer uma corrida de monopostos depois de praticamente 10 anos. A última vez que Juan Pablo vencera uma prova com este tipo de carro foi em Interlagos, em 2005, no GP Brasil de F-1 daquele ano. Na época, o colombiano corria pela McLaren. Numa categoria Indy, o jejum era ainda mais longo: Montoya havia vencido numa pista de rua em 1999, na etapa de Vancouver, pelo campeonato da F-Indy original, defendendo a Chip Ganassi, onde terminaria o ano como campeão da categoria. No ano seguinte, ainda defendendo o time de Chip Ganassi, ele ainda venceria 3 provas no campeonato, mas todas em circuitos ovais. Além de Montoya, quem fez mesmo a festa em São Petesburgo foi a Penske: a escuderia colocou seus 4 pilotos nas 4 primeiras posições do grid, com o atual campeão, Will Power, na pole-position, tendo a seu lado o francês Simon Pagenaud, novo reforço do time de Roger. Hélio Castro Neves foi o 3°, e Juan Pablo o 4°. Takuma Sato, da Foyt, foi o primeiro colocado dos "demais" times. Na bandeirada, Montoya ficou em 1°, com Power em 2°. Helinho foi o 4° colocado, à frente de Pagenaud, atestando o domínio da Penske na corrida, interrompido apenas pelo 3° lugar do brasileiro Tony Kanaan, da Chip Ganassi, que se intrometeu na festa particular que o time de Roger Penske estava fazendo. Ainda é cedo para dizer que a Penske vai monopolizar o campeonato, mas é melhor que a concorrência abra o olho, se não quiser ficar apenas comendo poeira na pista...
Juan Pablo Montoya iniciou o ano vencendo na Indy, em São Petesburgo.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - MARÇO DE 2015



            Saudações a todos. Começaram alguns dos principais campeonatos mundiais do mundo da velocidade, e com o fim do mês de março, é hora de termos novamente a COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, analisando os acontecimentos do mundo do esporte a motor neste início dos campeonatos e vendo o panorama exibido pelas disputas vivenciadas até aqui. Portanto, uma boa leitura a todos, com o velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). E a próxima edição da Cotação Automobilística estará disponível aqui no final do mês de abril. Até lá...




EM ALTA:

Sebastian Vettel: Criticado por muitos sob a alegação de ter vencido seus quatro campeonatos mais pelo fato de ter um excelente carro projetado por Adrian Newey do que por seu talento de gênio da velocidade, Vettel resolveu assumir o risco de mudar para a Ferrari no ano passado, mesmo com o time italiano passando por uma complicada reestruturação geral que culminou até na mudança da direção tanto do grupo Ferrari quanto do time de F-1. E a aposta de Sebastian se mostrou certeira: em duas provas neste campeonato, já subiu duas vezes ao pódio, sendo que na Malásia conquistou sua primeira vitória pela escuderia italiana, e dando uma resposta mais do que cabal a seus críticos.

Equipe Penske na IRL: Que todo mundo já imaginava, não foi nenhuma novidade ver o time de Roger Penske colocar praticamente todos os seus carros largando na frente da corrida inicial do campeonato em São Petesburgo, na Flórida. E o resultado da corrida só reforçou que, pelo menos no início da competição, dificilmente alguém tira o título de um de seus pilotos: o time terminou com seus 4 pilotos dentro das 5 primeiras posições, e o massacre só não foi completo porque Tony Kanaan se intrometeu no meio da disputa e cravou um 3° lugar, subindo ao pódio. Os concorrentes que se preparem...

Valentino Rossi: Iniciando seu 20° campeonato no motociclismo, Valentino mostrou na etapa da abertura do campeonato de 2015 que ainda tem muito o que mostrar na classe rainha: mesmo largando no meio do pelotão e caindo algumas posições, partiu para cima dos concorrentes e, como nos velhos tempos, travou vários duelos em sua ascenção à liderança da prova em Losail, conquistando uma vitória importante em um ano onde tudo indica que a luta pelo título vai ser bem mais disputada do que nos últimos anos. O "Doutor" está querendo mais, e mostrando que a idade, aos 36 anos, é apenas um detalhe quando entra na pista...

Lewis Hamilton: O bicampeão começou 2015 da mesma maneira como terminou 2014: na frente. O piloto inglês venceu de forma competente e firme o GP da Austrália, e foi 2° colocado na Malásia mesmo com uma parada extra que acabou por acabar com suas chances de vencer a prova. Além de andar sempre mais do que o parceiro de equipe, Lewis demonstra estar mais sereno e compenetrado, mostrando que o fim de seu relacionamento amoroso não o afetou como das outras ocasiões, o que tornava seu rendimento irregular. Vai ser um oponente duríssimo na luta pelo título deste ano, com ou sem domínio da Mercedes na competição.

Equipe Ducati na MotoGP: Ainda é cedo para afirmar que o que vimos no Catar vai se repetir por toda a temporada, mas tudo indica que a Ducati conseguiu mesmo criar uma excelente máquina para a temporada 2015, a ponto de se intrometer de forma firme e impositiva no dueto Honda-Yamaha que dominou a categoria nos últimos anos. Em Losail, Andrea Dovizioso não apenas largou na pole da etapa como travou um duelo renhido pela ponta da corrida em sua maior parte, dando a entender que encerraria o longo jejum de triunfos da marca italiana. E ele quase conseguiu, perdendo a ponta na volta final da prova para um fulgurante Valentino Rossi que teve muito trabalho para superar o rival. A Ducati ainda fez maioria no pódio catariano, com o 3° lugar de Andrea Iannone, que chegou logo atrás de ambos. Se mantiver esse ritmo nas demais corridas, Honda e Yamaha terão uma bela dor de cabeça adicional para encararem na luta pelo título da competição, que deve fazer a alegria dos fãs da categoria.



NA MESMA:

Equipe Williams: O time do velho Frank começou o ano prometendo ser a segunda força da competição, assim como em 2014, pelos resultados que se viu nos testes da pré-temporada. E, a exemplo do ano passado, as primeiras corridas deste ano mostram que o time andou se superestimando. Como resultado, já levou um baile da Ferrari nas duas provas disputadas até aqui, revelando que será preciso muito trabalho e suor para voltar a ser a principal força a desafiar os carros alemães. Se no ano passado isso foi facilitado pelo péssimo carro da Ferrari, este ano o time italiano parece ter recuperado toda sua desvantagem e já se encontrando à frente de todos os outros perseguidores da esquadra alemã. É hora de o time mostrar que 2014 não foi um ano bom apenas de sorte dos rivais estarem mal, é preciso mostrar força especialmente quando a concorrência está forte.

Pastor Maldonado: Em que pese as melhorias de performance no carro novo da Lotus, o piloto venezuelano continua tendo um calvário no time preto e dourado, com dois abandonos nas duas etapas da competição em 2015. Na Austrália, então, Maldonado nem teve oportunidade de disputar a corrida, levando um toque logo na largada e ficando pouco depois por ali mesmo. Enquanto isso, ele vê seu ex-time pontuar em ambas as etapas. Por mais que falem do péssimo timing de Fernando Alonso de ter saído da Ferrari e ido para uma McLaren que anda entre os últimos enquanto seu ex-time volta até a vencer corridas, o venezuelano não está muito atrás do asturiano neste quesito. A Williams ainda não voltou a vencer, mas vem andando muito melhor do que a Lotus.

Transmissão da IRL: Depois do fiasco que foi o cancelamento do GP Brasil da Indy devido aos rolos na feitura do contrato da Bandeirantes com o governo do Distrito Federal, muitos consideraram lucro a emissora ainda transmitir o campeonato deste ano, após a saia justa sofrida. E, como já deveria ser esperado por muitos, a transmissão da etapa inicial em São Petesburgo mostrou a "qualidade" de sempre das transmissões feitas pela Bandeirantes, que não apenas jogou a corrida no canal Bandsports, como ainda parece ter escalado um narrador que pouco entendia do riscado do que acontecia na pista. O desempenho foi sofrível, e para um grupo que tem em seu grupo esportivo nomes como Téo José e Celso Miranda para se narrar uma corrida, a emissora paulista precisa urgentemente reformular sua escalação de profissionais, ou fazer um treinamento intensivo para que cada um saiba com mais propriedade o que está narrando. A Bandeirantes só não fica pior na fita porque a Globo não apenas fez uma transmissão sem sal da abertura da F-1, como ainda quis inventar de transformar aquilo em um programa ridículo que nada agregava de informação à transmissão.

Manor/Marussia: O time pode ter "renascido" na F-1, depois de se encontrar praticamente morto financeiramente, mas a situação da escuderia continua extremamente instável, e a performance só ajuda aos outros times não ficarem em último lugar. Os carros conseguiram andar na Malásia, mas como já era esperado, ficaram atrás de todo mundo, e um deles nem conseguiu largar para a corrida, o que foi um alívio para os concorrentes, com um retardatário a menos pelo caminho. Resta saber até onde o time consegue ir, pois os carros estão praticamente virgens, sem patrocínios que ajudem a dar sustentação efetiva à escuderia. A brincadeira da F-1 está ficando cara demais para muita gente que antigamente até ajudava os times menores a se sustentarem na categoria, mas não mais. Desse jeito, realmente não dá para ir muito longe.

Fernando Alonso: O piloto espanhol finalmente retornou à McLaren, mas seu calvário permanece. Além de não poder aspirar a nenhum resultado de monta nesta temporada, Alonso ainda teve o desprazer de assistir a Ferrari, seu ex-time, vencer a corrida malaia com aquele que foi contratado para substituí-lo, Sebastian Vettel. Pior, ainda se viu até alguns mecânicos soltarem risinhos velados quando o asturiano passou em frente ao box da escuderia italiana, após finalizar o treino. Fernando deveria ter tido mais sensibilidade e paciência, pois todos apostavam que o time rosso cresceria nesse ano, e o espanhol ainda tinha mais um ano de contrato. Só que a impaciência e o egocentrismo falaram mais alto do que a paciência e a perseverança, e o resultado é o que todos já imaginavam. Agora, resta ao bicampeão apenas muito trabalho duro e ter justamente a paciência que não teve em 2014 com a Ferrari, para ter esperança de retornar a disputar no futuro as primeiras colocações, assim que a parceria McLaren/Honda começar a dar resultados, o que pode demorar um pouco, ou mais do que se espera...



EM BAIXA:

GP a nocaute: A crise financeira que ronda a F-1 fez sua mais nova vítima: o Grande Prêmio da Alemanha foi rifado da temporada 2015 devido à falta de fundos do autódromo de Nurburgring para pagar as altas taxas exigidas pela FOM para a realização da prova. Um acerto emergencial com Hockenhein também foi por água abaixo pelo mesmo motivo: falta de dinheiro para segurar o pepino da realização do GP. Apesar de uma tentativa da Mercedes de ainda salvar a etapa germânica do calendário, não teve jeito, e a corrida da Alemanha foi sacada da competição, e pode até ficar de fora definitivamente do certame, uma vez que ano que vem Bernie Ecclestone quer inaugurar o GP do Azerbaijão, e muito provavelmente vai rifar a prova alemã de vez, já que os novos integrantes do calendário pagam o que o chefão da FOM pede sem pestanejar.

McLaren/Honda: Depois do desastre que foram os testes da pré-temporada, todo mundo ainda esperava que a escuderia britânica, retomando sua antiga parceria de vitórias com a Honda, pelo menos se recuperasse um pouco no início do mundial de F-1. Infelizmente, os péssimos resultados vistos em Jerez e Barcelona se repetiram nas duas etapas disputadas até agora, com os carros andando entre os últimos colocados, e tendo de utilizar uma boa restrição de potência em sua unidade de força para que os motores aguentassem toda a prova. Apesar de algum avanço no potencial de performance do novo MP4/30, que chegou a andar em ritmo até animador para os problemas apresentados, a confiabilidade do motor nipônico ainda é sofrível: Kevin Magnussem quebrou ao levar seu carro para o grid em Melbourne, e ambos os carros ficaram pelo caminho na Malásia. Na Austrália, Jenson Button pelo menos conseguiu terminar a corrida, ainda que em último lugar entre os que cruzaram a bandeirada. Mas o trabalho de levantar o time ainda vai ser bem árduo...

Red Bull/Renault: Definitivamente, os anos de sucesso fizeram mal para o time dos energéticos. Vislumbrando não ter condições de alcançar o time da Mercedes, a direção da Red Bull já começou a disparar farpas na direção de sua parceira Renault, pela falta de performance da unidade de potência francesa, que hoje só ganha da novata Honda. O nível das críticas foi tão que a Renault começou a devolver as acusações, alegando que o time austríaco tem abusado das especificações necessárias para dar as devidas condições de funcionamento da unidade, e que apesar dos problemas da unidade, ela não é a culpada de toda a queda de rendimento enfrentada pela escuderia. A prova é que o time B, a Toro Rosso, vem andando melhor, com o mesmo motor, e chegou à frente da escuderia principal na Malásia. Depois, ainda vem com as ameaças veladas de abandonar a F-1 se a categoria se mostrar "desinteressante" e sem ter condições de vencer...O time que era o mais descontraído do paddock está se revelando agora ser um péssimo perdedor, o que é muito ruim.

Transmissão fora de tom: A abertura do campeonato 2015 de F-1 teve uma novidade na transmissão da Globo, com a emissora tentando mostrar um pouco de como é feita a transmissão da corrida, de como é feita a narração e os comentários. A idéia até seria boa, não fosse a emissora tentar transformar isso em uma espécie de programa sem nada a ver, estilo altas horas, com convidados que pouco tinham intimidade com a coisa, exceção a Bia Figueiredo e Raul Boesel, que foram muitíssimo mal aproveitados para se discutir os aspectos da corrida australiana. O que poderia ser muito instrutivo para o telespectador, de mostrar os detalhes de como é feito todo o processo de transmissão e narração da prova, virou um bate-papo sem utilidade nenhuma, mostrando que a Globo desperdiçou uma idéia que originalmente poderia até ser boa, não fosse seu hábito de querer mostrar tudo do jeito que ela acha que tem que ser mostrado, como se fosse um show da emissora, e não o que realmente deveria ser exibido. E, para as etapas da madrugada, a emissora continua com seu tiro no pé de exibir apenas o Q3, para frustração dos telespectadores que não têm acesso aos canais pagos do SporTV, único lugar onde se pode acompanhar os treinos na íntegra. Depois, a emissora ainda vem reclamar de queda na audiência...

Estréia dos kits aerodinâmicos na IRL: Principal novidade no campeonato da Indy Racing League este ano, os kits prometiam dar um novo visual os carros Dallara utilizados pela categoria, e promover novos desafios para os times tentarem descobrir as melhores formas de acertar a nova aerodinâmica proporcionada aos bólidos. Chevrolet e Honda seguiram diretrizes distintas que realmente ajudaram a proporcionar um visual diferente aos monopostos, mas na corrida, o excesso de aletas, em especial nos bicos dos carros, proporcionaram um festival de pedaços caindo a torto e a direito, fossem com os carros sozinhos na pista, fossem em toques e raspões de outros carros. Teve um pedaço que conseguiu até ferir a cabeça de uma torcedora, mostrando que tanto Honda quanto Chevrolet precisam dar uma reforçada nas estruturas dos kits, para evitar essa quebradeira ocorrida na estréia do campeonato, que poderia ter implicâncias mais sérias dependendo do que pudessem causar. Nada que não possa ser corrigido, mas depois de levar tanto tempo para se oferecer estes kits, imaginava-se que o tempo gasto tivesse sido melhor aproveitado para se evitar este tipo de ocorrência com o equipamento.