quarta-feira, 7 de maio de 2025

FLYING LAPS – ABRIL DE 2025

            Já chegamos ao mês de maio, um dos mais importantes do mundo do automobilismo mundial, pela disputa de provas icônicas, como as 500 Milhas de Indianápolis, e o Grande Prêmio de Mônaco de F-1. Mas nem por isso devemos deixar de lado alguns acontecimentos ocorridos neste último mês de abril, no mundo da velocidade. Por isso mesmo, como é de costume no início de cada mês, é chegada a hora de mais uma edição da Flying Laps, relatando alguns acontecimentos das competições que acabaram sendo deixadas de lado nas colunas regulares. Portanto, uma boa leitura e espero que curtam o texto, e até a próxima edição da Flying Laps, no mês que vem...

O Circuito de Homestead, em Miami, fez sua estréia no campeonato da Formula-E, e viu Pascal Werhlein sair como vencedor da corrida, que teve seus percalços no final, com vários pilotos recebendo punições por não terem feito uso devido de todo o recurso do Modo Ataque. A corrida vinha se desenrolando bem, até que uma batida causou um engavetamento numa chicane, bloqueando a passagem dos carros, e obrigando ao uso da bandeira vermelha para que os carros danificados fossem retirados do traçado. Os pilotos envolvidos foram Jake Hughes, Maximilian Günther e Mitch Evans, e isso mudou toda a prova. O safety car foi acionado e alguns momentos depois, foi dada a bandeira vermelha, paralisando a prova, que depois de tudo arrumado, foi retomada na volta 22, com relargada liderada por Antonio Félix da Costa, seguido por Pascal Wehrlein, Edoardo Mortara, Robin Frijns e Lucas Di Grassi. O problema é que restariam 4 voltas para encerrar a corrida, e todos os pilotos precisavam ainda fazer uso da segunda ativação do Modo Ataque, que deveria ser finalizado antes da bandeirada de chegada, conforme define o regulamento da competição. Mas os pilotos precisaram esperar completar a volta para poderem então acionar o recurso. Mortara tomou o segundo lugar, enquanto os pilotos ativavam o Modo Ataque, e as disputas pelas primeiras posições se tornaram frenéticas. O problema é que, com algumas exceções, como de Di Grassi, que tinha menos tempo disponível no recurso, vários pilotos não conseguiram receber a bandeirada antes que o tempo do Modo Ataque se esgotasse. Norman Nato, na prática, venceu a corrida, com Robin Frijns, Sam Bird e Oliver Rowland também perdendo posições pela punição de não terem utilizado o recurso na sua integralidade. E com isso, o triunfo caiu nas mãos do atual campeão, Pascal Wehrlein, da Porsche. E Lucas Di Grassi acabou promovido ao 2º lugar, com Antonio Félix da Costa fechando o pódio, em 3º lugar. Com a punição, Nato, da Nissan, acabou classificado apenas em 6º lugar.

 

 

Homestead substituiu a etapa de Portland dos Estados Unidos na competição da Formula-E nesta temporada, sendo que nos dois últimos anos a categoria disputou o ePrix na capital do Estado do Oregon, no tradicional circuito utilizado pela Indycar, e surpreendeu com corridas alucinantes de pelotão, com quase todos os competidores andando juntos a maior parte da corrida, com disputas e ultrapassagens frenéticas. Embora o argumento de buscar novos públicos possa ter suas razões, ninguém achou que a substituição de Portland por Homestead teria a mesma atratividade, embora a tentativa fosse válida de se buscar novas etapas para o calendário. Mas também não precisavam ter tirado Portland como fizeram. Apesar do traçado misto até interessante montado no autódromo de Miami, a prova da categoria de carros elétricos infelizmente não conseguiu empolgar o público como se esperava, e muito provavelmente não retornará no próximo campeonato, cujo calendário já está sendo montado, e deverá ser divulgado em breve, onde presume-se que deverá ser o mais longo da história da categoria, com 18 corridas. Já se estudam alternativas para onde a corrida pode migrar nos Estados Unidos, sendo que já houve provas disputadas em um circuito urbano na própria Miami, em Long Beach, e até em Nova Iorque. Comenta-se que a categoria poderia voltar à pista de Valência, onde por vários anos já esteve na pista para os testes de pré-temporada, ou quem sabe ir para Jarama, onde fez a última pré-temporada, diante dos estragos causados pela chuva na região de Valência. Roma e Paris, cidades que já sediaram etapas da competição, parecem descartadas no momento. E não se confirmou se o Excel Arena, onde tem sido realizado o ePrix de Londres, será mantido para o próximo ano, diante das limitações da pista montada no centro de exposições londrino. O Brasil certamente deverá abrir mais uma vez a temporada, muito provavelmente em dezembro deste ano, tal como foi feito no final do ano passado, abrindo a atual temporada da competição.

 

 

E a McLaren anunciou que está deixando a Formula-E ao fim da atual temporada. O motivo é o ingresso da escuderia no Mundial de Endurance (WEC) a partir da temporada 2027, na classe Hypercar. A direção da equipe já foi liberada para encontrar novos parceiros e proprietários para seguir adiante na F-E, lembrando que o time assumido pela McLaren há alguns anos atrás era o time oficial da Mercedes na F-E, que também resolveu deixar a categoria dos carros elétricos para se concentrar unicamente na F-1. A McLaren tem uma vitória na competição, obtida por Sam Bird no ano passado, e na atual temporada tem Taylor Barnard como uma das sensações da competição, sendo que o jovem até marcou pole-position na primeira corrida de Mônaco na rodada dupla deste ano. Uma pena, pois a McLaren, além da F-1, já vem competindo regularmente na Indycar, e vinha tendo um desempenho também razoável na F-E, e sua presença no meio automobilístico só cresceria com a adição do WEC, mas infelizmente o programa no certame de carros elétricos será sacrificado para isso. Outro time que anda meio mal das pernas é a Maserati, que também pode dar adeus à F-E, mas especula-se que a Stellantis, dona da marca, poderá manter a escuderia na competição, adotando nova nomenclatura, talvez usando até mesmo o nome do conglomerado, que também tem parceria de fornecimento de trem de força com a Penske, através da marca DS. Curiosamente, a atual Maserati também é um time que foi incorporado, sendo a antiga Venturi, que nos seus melhores momentos, utilizada trens de força da Mercedes. Esperemos que o número de equipes presentes na competição não diminua, já que toda perda de alguma escuderia é um ponto negativo na competição, e até pouco tempo atrás, a F-E perdeu a Techeetah, que havia conquistado três títulos de pilotos na competição, o bicampeonato com Jean-Éric Vergne, e o título de Antonio Félix da Costa. Falou-se de uma ausência temporária, mas já se foram algumas temporadas, e nada do retorno da Techeetah ao grid, o que confirma que, mesmo sendo um certame muito mais acessível, seus times também não estão imunes a crises financeiras.

 

 

Jorge Martin, atual campeão da MotoGP, finalmente voltou para casa, na Espanha, após duas semanas de tratamento no Qatar, após sofrer queda e ter sido atingido por outro competidor no GP, o que lhe causou 11 fraturas além de um pneumotórax, situação que exigiu várias dias internado no hospital geral Hamad para tratamento. Examinado no Hospital Ruber Internacional Quirón, o Dr. Ángel Charte, diretor-médico da MotoGP, deu boas notícias a respeito da recuperação do piloto da Aprilia, mas evitou dar qualquer prazo de retorno para o campeão mundial. Segundo o Dr. Charte, a pleura, membrana que envolve o pulmão, e que havia sido ferida no acidente, ocasionando o quadro de pneumotórax, já está completamente fechada, e que das 11 fraturas que tinha nas costelas, sobraram apenas três, mas apresentando bom progresso. Martin segue a rotina de recuperação, e seu retorno deve se dar somente após as férias de verão do calendário, muito provavelmente no mês de agosto, embora datas não tenham sido anunciadas, sendo apenas uma estimativa possível. De qualquer forma, a temporada de Martin na competição já foi para o espaço, e mesmo com a aprovação de uma mudança no regulamento que daria a Jorge o direito de um dia de testes, por estar sem competir por tanto tempo, mesmo assim o piloto terá dificuldades para se inteirar com a moto da Aprilia. O jeito será ter paciência, e contar com um efetivo retorno às competições apenas no ano que vem.

 

 

Na comemoração dos 50 anos do GP de Long Beach, a corrida, hoje válida pelo campeonato da Indycar, teve Kyle Kirkwood, da Andretti, como vencedor. O piloto largou na pole-position e controlou a corrida do começo ao fim, e nas voltas finais, suportou a pressão de Álex Palou, que vinha forte para tentar manter a invencibilidade na atual temporada da competição, mas acabou barrado pelo piloto da Andretti, que comemorou a vitória. Christian Lundgaard, da McLaren, fechou o pódio com uma corrida consistente, enquanto Felix Rosenqvist, da Meyer Shank, foi o 4º colocado, à frente de Will Power, o melhor piloto da Penske na corrida, chegando imediatamente à frente do companheiro de time Scott McLaughlin. Colton Herta, de quem se esperava um forte desempenho, tratando-se de corrida de rua, e por largar na primeira fila, ao lado do companheiro de time Kirkwood, não teve um bom desempenho, e no final, foi apenas o 7º colocado. Scott Dixon, da Ganassi, também teve uma atuação mediana, e foi apenas o 8º colocado, perdendo cada vez mais contato com Palou na classificação, com o espanhol dando as cartas no time de Chip Ganassi, e rumando firme para mais um campeonato, apesar de estarmos ainda no início da temporada.

 

 

A prova de Long Beach foi disputada pela primeira vez em 1975, inicialmente contando como uma etapa do campeonato da F-5000. O GP foi criado por Chris Pook, e em 1976, a corrida passou a fazer parte do campeonato da F-1, nomeado como GP dos EUA-Oeste. A corrida seguiu no calendário da categoria máxima do automobilismo até 1983, quando as exigências financeiras da F-1 e requisitos de segurança se tornaram inviáveis para a organização do evento, que então migrou para o calendário da F-Indy original a partir de 1984, fazendo parte do calendário até a sua extinção, no início de 2008, quando foi disputada a última corrida da categoria Indy original. De lá para cá, Long Beach passou a fazer parte da nova Indycar, originalmente a IRL (Indy Racing League), criada em 1996 por Tony George. A prova nunca deixou de ser disputada desde 1975, à exceção de 2020, devido à pandemia da Covid-19, e hoje, é o maior evento do calendário da Indycar, perdendo apenas para as 500 Milhas de Indianápolis, obviamente. Em pouco tempo, depois de suas primeiras edições, ainda nos anos 1970, e na primeira metade dos anos 1980, principalmente, o evento ganhou destaque no calendário de competições da F-Indy original, e o sucesso da corrida ajudou a desencadear um renascimento econômico da cidade de Long Beach. A corrida foi usada para promover a cidade e, nos anos desde o início da corrida, muitos edifícios antes decadentes e até e condenados na área próxima ao mar foram sendo substituídos por complexos de hotéis e diversas atrações turísticas. Hoje, Long Beach é uma cidade movimentada, e um destino turístico muito procurado, fazendo de sua proximidade a Los Angeles um dos fatores positivos para o público que procura a cidade. Obviamente, a corrida já foi objeto de cobiça de certames rivais, e em tempos recentes, a Nascar e a F-1 tentaram se apoderar do GP, trazendo-o para seus campeonatos, mas felizmente as negociações não tiveram êxito, e a própria direção da Indycar também se mexeu para garantir a prova em seu calendário pelos próximos anos, evitando de ficar desfalcada de uma de suas corridas mais famosas e bem-sucedidas. Long Beach também sedia, além da Indycar, uma das etapas do campeonato norte-americano de endurance, o IMSA WheatherTech Sportscar, e a corrida deste ano foi vencida por Felipe Nasr, da Porsche/Penske, em companhia de seus colegas de time na escuderia, mantendo a liderança no campeonato da competição, após as provas das 24 Horas de Daytona, e as 12 Horas de Sebring.

 

 

sexta-feira, 2 de maio de 2025

DINASTIA MÁRQUEZ?

Álex Márquez venceu a primeira corrida na MotoGP em Jerez de La Frontera, e reassumiu a liderança do campeonato.

            A temporada 2025 da MotoGP segue conforme era esperado, e estamos vendo o domínio da Ducati se repetir, tal como aconteceu nos últimos anos, uma vez que as marcas concorrentes não se encontram capazes de oferecer oposição à altura, pelo menos com a constância necessária para efetivamente ameaçar o domínio da marca italiana na classe rainha do motociclismo.

            O que não quer dizer que a MotoGP não esteja oferecendo alguns atrativos interessantes para quem curte mais as corridas do que a temporada em si. E domingo passado, na etapa de Jerez de La Frontera, tivemos um novo vencedor na competição: ninguém menos que Álex Márquez, o irmão mais novo de Marc Márquez, hexacampeão da categoria. É a primeira vez que irmãos se tornam vencedores na história da classe rainha do motociclismo, repetindo o feito já ocorrido na F-1, quando Michael Schumacher e seu irmão Ralf se tornaram os primeiros irmãos vencedores de Grandes Prêmios na categoria máxima do automobilismo.

            Não que a F-1 já não tivesse tido irmãos competindo, mas alcançar o sucesso de vencer corridas é outra história. Nos anos 1970, tivemos o exemplo dos irmãos Rodriguez no México, mas apenas Pedro venceu GPs, enquanto seu irmão Ricardo passou em branco na história da competição. E nos anos 1980, Teo Fabi e seu irmão Corrado participaram da F-1, mas nenhum deles venceu corridas. E, claro, temos o exemplo nacional de Wilsinho e Émerson Fittipaldi, onde apenas Émerson alcançou a glória na categoria, sendo até bicampeão mundial, enquanto seu irmão mais velho Wilsinho fez apenas figuração.

            E agora, é a vez da MotoGP ter dois irmãos com vitórias na competição. Se Marc Márquez, o irmão mais velho, dispensa apresentações, tendo estreado no início da década passada na classe rainha e arrasado os rivais em várias temporadas em que foi campeão, tornando-se um dos maiores nomes do motociclismo mundial, agora é a vez de seu irmão mais novo, Álex, trilhar o caminho do sucesso na categoria.

Marc felicita o irmão caçula pela vitória. Os irmãos são os primeiros vencedores em família na MotoGP. E como ficará a briga pelo título entre ambos?

            A primeira vitória na MotoGP veio com um pouco de sorte, e talento, claro. A sorte foi a queda de seu irmão Marc Márquez, o favorito na competição, caindo lá para trás e tendo de fazer uma prova de recuperação. Mas o talento veio na superação do duelo com Francesco Bagnaia, companheiro de Marc na Ducati, e de Fabio Quartararo, da Yamaha. Com determinação e cuidado, Álex levou sua Desmosédici ao ataque, conseguindo superar os dois rivais na pista e comemorar o primeiro triunfo da carreira. É verdade que ele já tinha vitória em corrida sprint, mas é a corrida de domingo que entra nas estatísticas oficiais da competição.

            Não há como negar que Álex tem sido um dos destaques da temporada. O piloto da Gresini tem frequentado assiduamente o pódio, quase sempre na 2ª posição, e tendo até batalhado com o irmão mais velho a vitória em algumas provas, mas só domingo passado ele desencantou mesmo, e subiu ao degrau mais alto do pódio, feito que claramente foi comemorado por Marc. E reforçando a impressão de que poderemos ter um duelo entre os irmãos Márquez pelo título da temporada. Pode até parecer meio exagerado, mas também não é improvável de acontecer. Afinal, Álex conta na Gresini com a moto GP24, que foi campeã no ano passado com Jorge Martin, que defendia a Pramac, time satélite da Ducati, que se tornou a primeira escuderia na atual era da MotoGP a ser campeã como satélite de uma marca, tendo superado Francesco Bagnaia, que corria pelo time oficial da marca italiana. E, até o presente momento, a moto GP25 não demonstrou uma superioridade tão grande em relação ao modelo de 2024, lembrando até que, por questão de confiabilidade, diante do congelamento imposto pelo regulamento da competição, a Ducati manteve o motor de 2024, diante das incertezas que o propulsor deste ano trazia, cuja performance não era tão distinta do propulsor do ano passado, de modo a justificar sua adoção.

            É claro que aqui fica a questão? Álex vai deslanchar na competição? Ou o triunfo será meio fogo de palha? Algo do momento, e que vai se repetir apenas esporadicamente? Até aqui, Álex não mostrou ter o mesmo nível de talento do irmão mais velho, o que não quer dizer que ele não possa fazer sucesso na MotoGP. Só quer dizer que ninguém pode esperar que ele vá colecionar vitórias e títulos como Marc já fez, e ainda pode fazer. O que não quer dizer que não possa vencer mais corridas, e até disputar e ganhar um campeonato.

A disputa entre os irmãos pela vitória já aconteceu em algumas provas este ano, mas Marc Márquez sempre tinha saído vencedor.

            Na F-1, logo ficou claro que Ralf Schumacher era talentoso, mas não um gênio como seu irmão mais velho Michael. E Ralf, mesmo depois de começar a vencer corridas, não conseguiu se estabelecer como um piloto de ponta. Ele estreou em 1997 na Jordan, um time médio, com capacidade até de vencer uma corrida aqui e ali, mas de forma ocasional, e excepcional. Mesmo quando se mudou para a Williams em 1999, demorou até 2001, quando o time de Frank Williams voltou a ter um carro realmente competitivo, para ele vencer suas primeiras corridas. Ele venceu provas também em 2002 e 2003, mas diante da hegemonia da Ferrari, e de seu irmão mais velho, ele não conseguiu “decolar” como líder da Williams, tanto que após a temporada de 2004, quando não conseguiu vencer nenhuma corrida, ele perdeu seu lugar no time inglês, indo para a Toyota, que também nunca conseguiu brigar pelas primeiras posições, e acabou deixando a competição ao fim da temporada de 2007, com míseras 6 vitórias em corridas, praticamente nada diante das 91 vitórias obtidas pelo irmão mais velho, para não falar de seus sete títulos. Ralf nunca conseguiu se livrar da alcunha de “little” Schummy, ou o irmão menor de Schumacher.

            Na MotoGP, contudo, Álex pode ter melhores chances de escapar de ser considerado “apenas” o irmão caçula de Marc Márquez. Ele dispõe de uma moto competitiva, e de um time que já conseguiu surpreender na competição em momentos passados, e parece disposta a reviver estes momentos. No ano passado, no mesmo time, o próprio Marc foi uma das sensações da temporada, terminando em 3º lugar, e ficando atrás apenas da dupla postulante do título, Jorge Martin e Francesco Bagnaia, conseguindo vencer corridas, e quase até se metendo na disputa pelo título. Não fosse ter passado parte do início da temporada se adaptando à nova moto Ducati, depois de mais de uma década pilotando para a Honda, Marc poderia até ter entrado firme na disputa pelo título. Mas, mesmo sendo novato no time, Marc superou Álex com relativa facilidade, já que o irmão mais novo terminou a temporada apenas na 8ª colocação.

            Claro que demorou até Álex ter em mãos um equipamento competitivo. Ele estreou na classe rainha do motociclismo em 2020, logo no time de fábrica da Honda, mas a marca já vivia problemas com uma moto instável, da qual só Marc Márquez conseguia domar o equipamento e tirar resultados competitivos. Mas o “Formiga Atômica” se acidentou logo na primeira prova daquele ano anormal onde explodiu a pandemia da Covid-19, ficando de fora da competição. Álex pouco pode fazer com o equipamento, obtendo apenas um ou outro resultado mais relevante. Ele acabou rebaixado para o time satélite da Honda, a LCR, onde podia correr sem maiores pressões, mas também onde não conseguiu bons resultados diante da queda de performance da moto japonesa. Depois de penar por lá em 2021 e 2022, onde terminou em 16º e 17º, respectivamente, ele mudou-se para a Gresini em 2023, onde teve acesso a uma moto mais competitiva, a Ducati, e os resultados começaram a aparecer, terminando o ano em 9º lugar. No ano passado, o jovem acabou ofuscado pelo irmão mais velho no time, com Marc terminando o ano em 3º, e Álex em 8º, mesmo sendo mais experiente com a moto italiana, o que comprova o talento maior de Marc em relação ao irmão.

"Pecco" Bagnaia já estava ficando à sombra de Marc Márquez na Ducati, e agora ainda é superado na pista por Álex Márquez com a Gresini. O italiano precisa se recompor se quiser brigar pelo título este ano.

            Mas este ano, Álex subiu de nível, e está no páreo, até o presente momento, da briga pelo título, que pelo que se viu até aqui, possui apenas três pilotos que podem ser candidatos sérios a brigar pelo campeonato, que é Marc Márquez e Francesco Bagnaia, do time oficial da Ducati, e justamente Álex Márquez, da Gresini. Os demais pilotos, salvo uma mudança de panorama inesperada, devem ocupar posições secundárias no campeonato, podendo brilhar, mas dificilmente entrando no duelo pelo título, como Quartararo e a Yamaha, que ainda não conseguiram recuperar o desempenho a tempo integral para voltarem a desafiar as Desmosédicis. O duelo, contudo, não deverá ser fácil. Marc vem dominando a competição, e só perde para ele mesmo, uma vez que as quedas que o impediram de vencer foram decorrentes de erros do próprio piloto, e não de problemas alheios. E mesmo assim, o hexacampeão está apenas 1 ponto atrás na classificação, mostrando como a tarefa do irmão caçula é complicada.

            E não se pode ignorar “Pecco” Bagnaia, que ainda não despontou a contento na temporada, mas tem todas as condições de virar o jogo, e complicar a disputa. E, como bicampeão, e defendendo o time oficial, Bagnaia tem a obrigação de melhorar de nível, já que saiu com a reputação arranhada no ano passado, quando perdeu a disputa para Jorge Martin, e certamente não vai querer repetir a dose, seja para o companheiro de time, ou para o piloto da Gresini. De qualquer forma, a expectativa em torno de mais um título da família Márquez vem crescendo a cada etapa. Na década passada, Marc Márquez passou feito um rolo compressor por cima da concorrência, conquistando seis títulos em sete temporadas na competição, e depois de passar pelos percalços físicos e de competitividade da Honda desde 2020, a “Formiga Atômica” está de volta ao melhor time, e à melhor moto da categoria, prometendo reviver aqueles tempos onde mandava na competição. E, se não for ele, tem o irmão Álex para brigar pelo título, no que pode ser um campeonato a ser decidido pela primeira vez entre dois irmãos, numa briga em família, numa categoria TOP do mundo do esporte a motor.

            Acredito que o mais próximo que tivemos de algo assim, no mundo do esporte a motor, foi na antiga F-Indy, em 1985, quando a disputa do título da competição se deu entre Al Unser, e seu filho Al Unser Jr. E deu o pai, campeão por apenas 1 ponto, sobre o filho. Será que Álex irá conseguir sobrepujar o irmão Marc na disputa pelo título da MotoGP? O que estamos vendo é que a Gresini parece ter achado um acerto da GP24 melhor até do que o acerto da GP25 do próprio time de fábrica, e Álex está fazendo seu papel na pista, e colocando pressão no irmão mais velho, numa disputa que até aqui tem se mostrado bem equilibrada, em que pese a vantagem no número de vitórias do irmão mais velho, enquanto Álex conquistou apenas a sua primeira vitória na competição. Será que a MotoGP poderá ver uma “dinastia Márquez”?

            Ainda é cedo para confirmar, até porque ainda temos muito chão pela frente na temporada de 2025, mas não podemos esperar ficar surpresos se isso acontecer. Só esperemos que a decisão seja empolgante, e possamos ver ótimos duelos e disputas, e se de preferência, que o título mais uma vez saia apenas na prova de encerramento da temporada. Até lá, cruzemos os dedos para vermos uma briga emocionante, seja ou não em família...

 

 

A Formula-E está em Mônaco para a disputa de sua etapa no principado, que pela primeira vez, terá uma rodada dupla da categoria de carros monopostos elétricos na famosa pista que também é usada pela F-1. Contando com transmissão do site Grande Prêmio em seu canal do You Tube, e pelo canal pago Bandsports, as corridas terão transmissão a partir das 09:30 da manhã, pelo horário de Brasília, tanto no sábado quanto no domingo. E vamos lembrar que, diferente da corrida da F-1, as provas da F-E em Mônaco, mesmo usando o mesmo traçado, são inteiramente diferentes, com os carros elétricos a entregarem uma prova disputada, com várias ultrapassagens, e pegas, numa amostra de que, apesar das dificuldades que a pista monegasca apresenta, o problema de corridas monótonas mesmo se deve aos carros da F-1, muito mais do que o traçado. Nos últimos dois anos, a F-E mostrou uma corrida empolgante e com muitas brigas entre os pilotos, com várias trocas de posição e diversos duelos entre os pilotos na pista. E as chances de podermos ver isso novamente este ano são altas. Confiram neste final de semana, e depois, podem fazer um paralelo com a corrida da F-1 no final deste mês, para verem a diferença.

 

 

A F-1 está em Miami, para a primeira corrida nos Estados Unidos, e o clima é de expectativa para vermos o que a Red Bull poderá fazer nesta pista, onde está com várias atualizações no carro, e até mesmo um novo assoalho. Foi aqui que, no ano passado, Lando Norris obteve sua primeira vitória na competição, e onde a temporada deu uma guinada para lá de positiva, passando de uma expectativa de Max Verstappen correr sozinho, sem oposição, para um duelo muito mais empolgante e imprevisível, com a performance renovada não apenas da McLaren, mas também da Ferrari e da Mercedes, que nas corridas seguintes ajudariam a deixar a competição mais embolada, embora Verstappen nunca tenha perdido a liderança, ou o controle da disputa pelo título, pelo menos do de pilotos, já que desde então a Red Bull acabou superada na tabela de construtores, e nunca mais recuperou a dianteira. Coincidentemente, foi aqui também a primeira corrida da Red Bull após Adrian Newey anunciar sua saída da escuderia, e até então, o modelo RB20 dava a parecer que Max venceria todas as temporadas quase que com um pé nas costas. Será que o time dos energéticos conseguirá justo aqui dar a virada de que precisa para proporcionar a Verstappen as chances firmes de brigar pelo pentacampeonato mundial? A situação deste fim de semana é mais complicada, se lembrarmos que, tal como no ano passado, será uma etapa com corrida sprint, com apenas um treino livre para todos conseguirem acertar seus carros. A corrida Sprint terá largada às 13:00 Hrs. deste sábado, enquanto a corrida de domingo começará às 17:00 Hrs., tudo com transmissão ao vivo da TV Bandeirantes.

Miami é a primeira corrida da F-1 nos Estados Unidos, e vai ficar no calendário por um longo tempo, tendo renovado contrato para sediar seu GP até 2041.

 

 

A Indycar também estará na pista neste final de semana, com o GP do Alabama, no belo circuito misto de Barber Motorsport. A transmissão da corrida, ao vivo, será feita pelo Disney+, pelo canal por assinatura ESPN4, e pela TV Cultura, com largada prevista para as 14:30 Hrs. de domingo, pelo horário de Brasília. No ano passado, a Penske fez dobradinha nessa prova com Scott McLaughlin vencendo a corrida, com Will Power terminando em 2º lugar. A Penske, aliás, precisa reagir na atual temporada, uma vez que McLaughlin, o piloto mais bem classificado da escuderia, é apenas o 8º colocado na classificação, com Power e Josef Newgarden vindo logo atrás, com menos da metade dos pontos de Álex Palou, da Ganassi, o líder da temporada até aqui.