sexta-feira, 5 de julho de 2024

HORA DE CRESCER, NORRIS

Amigos, amigos, na pista, fica na sua, entendeu? O recado de Max Verstappen ao amigo Lando Norris foi dado de forma dura na pista em Zeltweg, e os dois soltaram mais do que faíscas da disputa na pista.

            A Fórmula 1 chega a Silverstone, palco do GP da Inglaterra, vendo se um dos astros da temporada 2024 irá de fato crescer na competição, mais como piloto do que exatamente como desafiante efetivo. A pessoa em questão é Lando Norris, que domingo passado, na etapa da Áustria, marcou bobeira e pareceu ter criado brios para, enfim, se postar como um piloto mais determinado a se impor perante os rivais, em especial, o maior astro da categoria máxima do automobilismo no momento, o holandês Max Verstappen, a quem já veio ameaçando nas últimas provas, é verdade, mas pela primeira vez entrou em confronto efetivo na briga pela vitória em uma corrida.

            O piloto da McLaren, em que pese seu crescimento na competição, em especial no último ano, quando o time de Woking começou efetivamente a crescer a ponto de reassumir seu velho posto de protagonista, ainda era visto como um garoto, e não exatamente um homem, mais pelas posturas do que pela idade. E, também, começou a sofrer algumas críticas por ser meio “seletivo” em algumas disputas, especialmente quando cruzava com Verstappen na pista, onde era acusado de ser até leniente com o holandês, não dificultando a disputa de posição como deveria, enquanto com outros pilotos ele engrossava a briga por posição. Pois bem, a vitória em Miami, este ano, pareceu fazer bem ao piloto, que vez por outra, estava sendo até superado por Oscar Piastri, que mesmo sendo o novato no time, já tinha até conseguido vencer uma corrida sprint. A vitória pareceu fazer Lando subir de patamar, e sejamos justos, com o crescimento da performance do modelo MCL38 do time de Woking, Norris acumulou pódios nos últimos GPs, se colocando como o piloto mais próximo de Max no resultado das corridas. Mas sempre havia algum detalhe, seja por parte do piloto, ou do time, que não permitiu que a vitória se concretizasse, enquanto Verstappen ia conseguindo driblar os adversários, e seguir vencendo.

            Na Áustria, vimos um resumo disso na prova sprint. Lando até conseguiu tomar a liderança do piloto da Red Bull, mas abriu para fazer uma curva, e o holandês não apenas não perdoou, recuperando a ponta, como Norris até acabou perdendo a posição para o companheiro Piastri, que aproveitou a deixa e foi à frente. Para o inglês, pareceu um tapa na cara, e ele mesmo admitiu a postura “amadora”, ainda mais perante um adversário que não perdoa erros dos adversários. E ele foi com essa lição para a corrida principal, no domingo, tentando dar a outra face. A corrida, contudo, estava parecendo cada vez mais decidida a favor do tricampeão holandês, até que a última rodada de pit stops mudou a situação.

            Com uma rara parada ruim, Verstappen perdeu boa parte de sua vantagem na pista, enquanto a McLaren fez um bom trabalho, e Norris ganhou a chance de encostar no rival. E com um adendo: a Red Bull não tinha pneus zerados para colocar no carro de Max, que precisou voltar com compostos semi-usados à pista, enquanto Lando recebeu pneus novos em folha, o que complicou de vez a situação para o holandês, que viu a McLaren do inglês chegar rapidamente em sua traseira. E aí, Norris viu que mesmo com a vantagem dos pneus, seria duríssimo superar o piloto da Red Bull. Na perseguição, ele até acabou saindo da pista, e estava para tomar uma punição de 5s por exceder o limite de avisos, quando acabou ocorrendo o toque entre ambos. O resultado foi desastroso para ambos, mas Norris levou a pior, já que sua suspensão acabou afetada, e até chegar ao box, o pneu furado no contado se destroçou, causando novos danos no chassi. Já Max conseguiu chegar ao box e receber outro jogo de pneus, sendo ainda considerado culpado o entrevero entre ambos, e ganhando uma punição de 10s que apenas o relegou ao 5º lugar na bandeirada.

Lando Norris e Max Verstappen se tocaram na disputa pela liderança na Áustria (acima), e como diz o ditado, enquanto dois brigam, o terceiro sai lucrando, que no caso, foi George Russell, que chegou à sua segunda vitória na F-1 (abaixo).


            Bom, o clima esquentou fora da pista, e não é difícil entender os motivos. Depois de praticamente dois anos sem ter rivais à altura, Verstappen parece ter ficado meio mal acostumado, e a postura do holandês quando se viu na eminência de perder o triunfo na pista de Zeltweg fez ressurgir aquele holandês atrevido e abusado que se insinuava jogando o carro para cima dos adversários, ou fazendo manobras consideradas perigosas para se defender do ataque dos outros pilotos, ou na tentativa de superá-los, no estilo “sai da frente ou a gente bate”. E, claro, não foram poucos os que o acusaram de ser “sujo”, “desleal”, “desrespeitoso”, entre outros adjetivos menos elogiosos. E Norris, por seu lado, ajudou a engrossar o clima, com a McLaren também apoiando o ponto de vista de seu piloto, algo que a Red Bull também fez em relação a Max Verstappen, inclusive com Helmut Marko chamando a atitude de Norris de patética, entre outras críticas. Quem está certo, e quem está errado?

            Na pista, ambos os pilotos erraram. Norris, pela primeira vez batalhando a fundo por um triunfo, subestimou Verstappen, e poderia ter calculado melhor suas tentativas de superar o piloto da Red Bull. De positivo, foi seu ímpeto, disposto a ir para o tudo ou nada, como convém a um piloto que almeja, um dia, querer ser campeão, e que precisa mostrar gana, determinação, e força, especialmente perante um oponente perigoso e determinado como é Verstappen. É um aprendizado que todo piloto precisa passar, e a pose de Lando, até então de um sujeito “bonzinho demais” na pista, precisava ser corrigida, a fim de ele ser mais incisivo quando precisar lutar por posições com adversários duríssimos nas corridas. De Verstappen, além de voltar à velha prática de mudar a trajetória antes das freadas, dando bloqueadas sutis, mas perigosas, algo que já rendeu muitas críticas ao holandês, lhe faltou também visão estratégica de campeonato: com uma imensa vantagem em mãos na pontuação, ele poderia ter cedido a vitória, e com isso, garantido uma pontuação maior do que a que obteve, e mesmo assim, ainda estaria bem longe na frente, mas pronto para duelar novamente no próximo GP, aproveitando as chances, como sempre faz. Mas ele não aceitou perder a vitória, foi para o tudo ou nada, e deu sorte de ficar no meio-termo, ao contrário do piloto da McLaren, que deu em nada. As desculpas de que está ali para vencer, e não para ser segundo, só mostra uma determinação que beira mais uma obsessão radical do que uma pessoa mais madura, como chegaram a caracterizar o holandês nestes últimos dois anos.

            Só que, nem sempre, vencer é a melhor solução. Com pneus em pior estado, as chances de defesa contra Norris eram bem menores. Não fossem as manobras questionáveis de mudar levemente as trajetórias nas frenagens, como meio de intimidação, Verstappen possivelmente já teria sido superado por Norris na disputa, ou talvez não. Sua intransigência naquele momento acabou sendo mais prejudicial do que benéfica. Assim como Norris também precisava ser mais cauteloso na tentativa de ultrapassagem, algo complicando quando você precisa arriscar demais, e manter a pressão pela disputa.

            Para Verstappen, ele não acha que fez algo errado, embora de certo modo tenha culpa sim no acidente, mas na minha opinião um pouco inferior à de Lando. Fica a questão se ambos aprenderão as lições que este acidente pode fornecer, mas pela postura de Verstappen, isso parece difícil, já que continua a negar sua culpa. Já Norris, por outro lado, com a cabeça mais fria, parece ter assimilado melhor o que há pare se aprender neste tipo de situação. O inglês assumiu seu erro na manobra, e até botou um pouco de panos quentes na discussão, da qual antes exigia desculpas de Verstappen, chegando a colocar até a amizade entre ambos na balança, e o respeito que tinha pelo holandês.

            Mas a principal lição que ele precisa aprender é que terá de partir sim para os limites, e talvez até além deles, no duelo com pilotos do naipe de Verstappen, que dão tudo de si e mais um pouco, e por vezes nem sempre com manobras limpas, na briga para defender ou ganhar uma posição. Norris já foi muito criticado por facilitar demais nas disputas com o piloto da Red Bull, e a justificativa de que a diferença de carros em determinados momentos era muito grande não era desculpa para ser tão passivo quando poderia ter lutado um pouco mais, mostrando sua garra e determinação em não se entregar tão facilmente a um oponente tido por muitos como superior. Talvez agora ele demonstre essa gana e determinação férrea, pois vai precisar dela se quiser de fato duelar com Verstappen na pista, e sair como vencedor. Mas ele precisará ser mais inteligente nestas manobras, sem necessariamente ser desleal ou desrespeitoso, para saber evitar as armadilhas que adversários mais matreiros e agressivos possam aprontar para cima dele, seja na defesa de posição, ou na tentativa de fazer uma ultrapassagem.

            Com uma performance revigorada, a McLaren vive seu melhor momento em mais de uma década e meia, e Norris tem tudo para ser sua grande estrela, e mostrar ser o campeão em potencial que seu talento sugere ser capaz. Mas ele ainda tem que crescer em suas atitudes, e como piloto. Como ser um competidor mais sagaz, e determinado a ir aos extremos. Resta esperar que a F-1 também deixe de ser tão fresca com certas disputas, pois as punições por toques de carros entre os pilotos começam a ficar extremamente destrambelhadas e incômodas, ajudando a comprometer a imagem de categoria que busca disputas. Toques entre os carros por vezes são inevitáveis, e o público quer ver os pilotos se encarando na raça, no mano a mano, em duelos ferrenhos e acirrados, onde eles não podem baixar a guarda, nem cometer um único erro, mas que haja o risco do duelo terminar em derrota para ambos, se exagerarem em seus ataques ou defesas. Não há triunfo se não assumir alguns riscos, da mesma forma que nem todo duelo tem um vencedor ou perdedor. Por vezes, dependendo das circunstâncias, ambos podem sair vencendo, ou ambos podem sair perdendo.

            Domingo passado, ambos perderam, um mais, outro menos. Poderiam ambos ter vencido, cada um à sua maneira. Mas é do jogo, e a FIA deveria parar de ter certas punições, e pilotos e equipes também deveriam parar de fazer tanta frescura a respeito de disputas mais acaloradas, sob o risco permanente da F-1 virar uma categoria de dondocas que não suportam se tocar umas nas outras, como franguinhas covardes. Veremos neste final de semana se as coisas pegarão fogo novamente na pista, no GP da Inglaterra. E os fãs, no que depender da maioria deles, quer ver ação firme na pista, e não conversas fiadas. O que irá prevalecer?

 

 

E a Haas anunciou Oliver Bearman como um de seus pilotos para a próxima temporada. O jovem piloto, que foi sensação na etapa da Arábia Saudita, quando precisou substituir de última hora Carlos Sainz Jr. na Ferrari, devido a uma crise de apendicite do piloto espanhol, já vinha sendo cogitado nas últimas semanas para a vaga de Nico Hulkenberg no time norte-americano, quando o piloto alemão assinou com a Audi para 2025. Agora, fica a dúvida sobre quem será o seu companheiro de equipe, já que Kevin Magnussen vem tendo um desempenho inferior ao de Hulkenberg desde o ano passado, e com um calendário cada vez mais extenso, o próprio dinarmaquês já cogita rumar para outros campeonatos que não exijam tantas viagens, como o mundial de endurance, por exemplo, a fim de poder se dedicar mais à família. Além disso, especula-se que Esteban Ocón, dispensado pela Alpine, pode ser o escolhido da Haas para compor sua dupla titular no próximo ano.

 

 

A Indycar chegou a Mid-Ohio para a disputa do GP na pista de Lexington, um dos traçados mistos mais tradicionais das categorias Indy. Na pista, Álex Palou defende a liderança do campeonato, depois de uma vitória incontestável na prova anterior, em Laguna Seca, onde conseguiu sopbrepujar novamente os percalços da corrida e deixar os adversários para trás. A corrida tem transmissão ao vivo a partir das 14:30 Hrs. deste domingo, pela TV Cultura, pelo canal ESPN4, e pelo sistema Disney+.

O circuito de Lexington verá mais uma etapa da Indycar neste final de semana.

 

 

Uma novidade da Indycar na prova de Mid-Ohio será finalmente a estréia dos propulsores híbridos na competição, medida que foi postergada desde a pandemia da Covid-19, por motivos econômicos e de melhor desenvolvimento da tecnologia, que inclusive era para estrear no início da temporada, mas teve seu uso novamente postergado, até que enfim ele estará nos carros da categoria. Os novos motores projetados com uma parceria entre a Chevrolet e a Honda, fornecedoras dos propulsores da IndyCar, e a direção da competição, são compostos pelo atual motor V-6 biturbo de 2.2 litros, combinado com um sistema de impulsão elétrica, composto por uma Unidade Motor Geradora (MGU) de baixa tensão (48V) e por um Sistema de Armazenamento de Energia (ESS), composto por 20 ultracapacitores, que fornecerão uma potência extra aos pilotos, que eles poderão acionar durante a prova, ganhando maior desempenho. Um sistema ligeiramente diferente do já conhecido “botão de ultrapassagem”, onde os pilotos possuem um tempo limitado de uso durante toda a corrida. No caso da nova potência extra, seu uso será bem mais liberado, ficando restrito somente à capacidade de regeneração de força do sistema, que só poderá estar disponível para as corridas em circuitos mistos e de rua, sendo seu uso vetado nas pistas ovais por questões de segurança. Até agora, os últimos testes realizados demonstraram que a nova tecnologia está enfim apta para estrear na competição, onde poderemos ver os resultados na pista de Mid-Ohio. Um recurso interessante, e também importante, é que com o novo sistema, em caso do motor do carro apagar por algum motivo, como uma rodada ou saída de pista, os pilotos poderão religar o propulsor através do novo recurso de potência elétrica, não sendo mais necessária a ajuda dos fiscais de pista, que precisavam usar um equipamento para religar os propulsores. Isso pode ser útil para evitar que os pilotos abandonem a corrida ou fiquem com suas perspectivas de resultados muito comprometidas, quando tinham que esperar muito tempo pela ajuda, e com isso chegavam a perder até voltas na prova, o que era difícil de ser recuperado. Da mesma maneira, também ajudará os pilotos a tirar o carro do lugar, caso ele fique em posição perigosa, o que demandaria o uso de bandeira amarela justamente para sua retirada.

 

 

Hora da MotoGP partir para suas férias de verão na temporada de 2024, neste mês de julho. Mas, antes, temos o GP da Alemanha, em Sachsenring, neste final de semana, e a expectativa é de mais um duelo direto entre Francesco Bagnaia e Jorge Martin, com o piloto italiano em busca da liderança do campeonato, nas mãos do espanhol da equipe Pramac. Nas últimas duas etapas, Bagnaia foi impecável, vencendo tanto a prova Sprint quanto a corrida principal, e com isso, reduzindo substancialmente a desvantagem para Martin, que agora é de apenas 10 pontos. Mas quem pode se meter na briga é Marc Márquez, que na década passada praticamente reinou absoluto na pista alemã, mas nos últimos anos, devido aos percalços de saúde que sofreu, e à queda de performance da Honda, ficou impossibilitado de manter seu currículo de sucesso no circuito. Porém, agora pilotando uma Desmosédici, mesmo sendo a motor de 2023, as chances de Márquez ser um dos protagonistas da corrida voltam a crescer, e não se pode subestimar a “Formiga Atômica”, que já vem batendo na trave há algum tempo em busca de uma nova vitória, e ocupa a 3ª colocação no campeonato. A corrida Sprint tem largada neste sábado às 10:00 Hrs., enquanto no domingo a largada será às 09:00 Hrs., com transmissão ao vivo pela ESPN4, e pelo Disney+.

A pista de Sachsenring mais uma vez é palco do GP da Alemanha da MotoGP.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

FLYING LAPS – JUNHO DE 2024

            E o primeiro semestre de 2024 já se foi, e entramos na segunda metade do ano, e os campeonatos da velocidade seguem firmes, com várias disputas entre os pilotos. Mas, antes de seguirmos adiante rumo aos acontecimentos de julho, é hora de recapitular alguns dos acontecimentos do último mês do primeiro semestre, junho, em mais uma edição da Flying Laps, com menção às 24 Horas de Le Mans, um pouco da Formula-E, e também da Indycar. Uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps, no início de agosto, com um relato de alguns dos acontecimentos de julho, seguindo firme adiante pelo segundo semestre de 2024...

E a Ferrari fez a festa novamente nas 24 Horas de Le Mans, conquistando sua segunda vitória consecutiva na maior e mais famosa prova de Endurance do mundo. Desta vez, a esquadra de Maranello teve uma vitória mais sofrida na famosa corrida, onde a Toyota sempre esteve no páreo para brigar pelo primeiro lugar, enquanto Porsche/Penske volta e meia também davam certo ar da graça. O triunfo do carro 51, aliás, veio somente na hora final da prova, e depois que o time precisou lidar com um problema inusitado: a porta do bólido não fechava, o que levou a direção da corrida a ordenar a ida ao boxe para resolver o problema, por questões de segurança. Mas, de volta à pista, eles conseguiram recuperar a liderança, que tinha ficado para um dos carros da Toyota, e conseguir repetir o triunfo da Ferrari obtido no ano passado com o carro Nº 50. Aliás, a festa ferrarista em Le Sarthe foi grande: além do triunfo do carro 51, pilotado pelos pilotos Nicklas Nielsen, Antonio Fuoco e Miguel Molina, o carro 50, com o trio James Calado, Antonio Giovinazzi e Alessandro Pier Guidi, que venceram em 2023, fecharam o pódio com a 3ª colocação, a 36s73 de distância dos parceiros vitoriosos, que por sua vez, cruzaram a linha de chegada com 14s22 sobre o Toyota Nº 7, conduzido pelo trio Kamui Kobayashi, José María López e Nyck de Vries, que até sonharam com a vitória, mas acabaram sucumbindo aos rivais italianos mais uma vez. A Porshe/Penske, com seu carro Nº 6, fechou na 4ª posição, com os pilotos Kévin Estre, André Lotterer e Laurens Vanthoor. O outro carro da Toyota, o Nº 8, com Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryo Hirakawa, terminou em 5º lugar. O outro carro da Porsche Penske, Nº 5, com Matt Campbell, Michael Christensen e Frédéric Makowiecki, acabou em 6º lugar, seguido pelo carro Nº 2 da equipe oficial da Cadillac, com Earl Bamber, Alex Lynn e Álex Palou. A equipe Jota, com seu carro Nº 12, com o trio Callum Ilott, Norman Nato e Will Stevens, fizeram um respeitável 8º posto, bem à frente do outro carro do time, o Nº 38, pilotado por Jenson Button, Phil Hanson e Oliver Rasmussen. Fechando o TOP-10 de Le Sarthe, tivemos a Lamborghini Nº 63, conduzida por Mirko Bortolotti, Daniil Kvyat e Edoardo Mortara.

 

 

A prova de Le Mans este ano foi bem agitada. A chuva esteve presente em boa parte da corrida, e como não poderia deixar de ser, isso bagunçou com as estratégias de vários times durante a corrida. E, claro, vários carros ficaram pelo caminho. Se por um lado os nove primeiros colocados ficaram na volta do vencedor, tendo completado as 311 voltas da edição de 2024, muita gente ficou pelo caminho. Alguns em definitivo, enquanto outros voltaram para completar a corrida, mesmo com inúmeras voltas de desvantagem. Entre os brasileiros, a sorte simplesmente não sorriu para nossos compatriotas na prova de Le Sarthe este ano. Na classe dos hypercars, Pipo Derani e Felipe Drugovich ficaram pelo caminho devido a um acidente, classificando-se em 29º, com 31 voltas de desvantagem para os vencedores. Felipe Nasr foi outro que também ficou a ver navios, com outro acidente, e acabou classificado apenas em 52º lugar na classificação geral da corrida. Daniel Serra, na classe LMGT3, até que tentou, chegando a ficar no TOP-5 em determinado momento da prova, mas terminou apenas em 12º na sua classe. A exceção foi Augusto Farfus, também na classe LMGT3, que terminou em 2º lugar na classe, defendendo o Team WRT. Melhor sorte para todos na edição de 2025.

 

 

A Formula-E anunciou o seu calendário de 2025, e a novidade é que a temporada volta a ser iniciada em um ano e terminando no outro, como era antigamente. E outra novidade, como já vinha sendo cogitado há várias semanas, é que o Brasil abrirá o próximo campeonato do certame de carros monopostos 100% elétricos, diante de problemas de agenda no complexo do sambódromo, em virtude da data do carnaval do próximo ano, que exige que o local esteja disponível cerca de dois meses antes e depois do evento. Por isso, e até para distribuir melhor as datas das corridas no próximo ano, eis que o ePrix de São Paulo abrirá a temporada 2024/2025, no dia 7 de dezembro deste ano, mais uma vez no circuito montado no sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo, capital, oferecendo aos fãs brasileiros da velocidade a oportunidade de verem duas provas da F-E no mesmo ano, tendo já realizado a corrida do atual campeonato no último mês de março. O calendário do ano que vem será o maior da categoria, com 17 corridas programadas, começando em dezembro deste ano, com a etapa de São Paulo, e finalizando em Londres, no Excel Arena, no fim de julho. Entre as mudanças no calendário, sai a etapa de Portland, nos Estados Unidos, sendo substituída por uma corrida no traçado misto da pista de Homestead, na Flórida, mantendo os Estados Unidos presentes no calendário da categoria. Jakarta está de volta no ano que vem. E teremos nada menos que 6 rodadas duplas, perfazendo 12 corridas. Nestas rodadas duplas, a novidade é que Tóquio, que sediou seu primeiro ePrix este ano, será palco de uma destas rodadas duplas. E neste quesito, o palco mais charmoso do calendário do automobilismo, Mônaco, também sediará uma rodada dupla da F-E pela primeira vez na história. Outra corrida que ainda pode estrear, mas não pôde ser confirmada, é a etapa da Tailândia, que ainda está em negociação para ser realizada no dia 08 de março. E, claro, uma baixa foi sentida: Misano, que este ano sediou uma rodada dupla da competição, não estará presente em 2025, deixando a Itália sem sediar uma etapa em vários anos. Confiram as datas das corridas da nova temporada: 07.12.24) eP de São Paulo (Brasil); 11.01.25) eP da Cidade do México (México); 14 e 15.02.25) ePs de Diriyah (Arábia Saudita); 08.03.25) Etapa a confirmar; 12.04.25) eP de Miami (Estados Unidos); 03 04.05.25) ePs de Mônaco (Mônaco); 17 e 18.05.25) ePs de Tóquio (Japão); 31.05 e 01.06.25) ePs de Xangai (China); 21.06.25) eP de Jacarta (Indonésia); 12 e 13.07.25) ePs de Berlim (Alemanha); 26 e 27.07.25) ePs de Londres (Inglaterra).

 

 

Numa corrida caótica onde aconteceu de tudo, inclusive com 9 bandeiras amarelas, a vitória no GP de Detroit, prova logo após as 500 Milhas de Indianápolis no calendário da Indycar deste ano, o triunfo coube a Scott Dixon, que usando sua capacidade magistral de economizar combustível e ler as nuances da corrida, além de conseguir se safar de todos os percalços que atingiram vários competidores durante a corrida, levou a Ganassi a mais uma vitória na categoria. O time de Chip Ganassi, aliás, fez maioria no pódio, com Marcus Armstrong também conseguindo sobreviver ao caos na prova, e finalizar em 3º lugar, fechando o pódio. A Ganassi só não fez dobradinha porque Marcus Ericsson, em uma corrida para lavar a alma depois do vexame de bater na Indy500 logo na primeira volta, fez uma bela corrida, e superou Armstrong nas voltas finais, alcançando o 2º lugar, e conquistando seu primeiro pódio pela equipe Andretti, que ainda viu Kyle Kirkwood terminar em 4º lugar. Alexander Rossi (McLaren) foi o 5º colocado, e Will Power, tendo uma corrida bem complicada, ainda salvou um 6º lugar, e parte da honra da Penske, que viu Scott McLaughlin terminar em 20º, e Josef Newgarden, o novo bicampeão da Indy500, fazer uma corrida desastrosa e abandonou após bater no muro e danificar a suspensão. Outro que prometia muito, e mais uma vez acabou errando foi Colton Herta, da Andretti, que foi apenas o 19º, após fazer uma ultrapassagem estabanada e acertar a proteção de pneus. Pietro Fittipaldi, com a Rahal/Letterman/Lanigan, que depois dos problemas em várias corridas, conseguiu ter um desempenho mais decente e terminou em 13º, conseguindo evitar os problemas surgidos durante a corrida. Hélio Castro Neves, assumindo o carro que era de Tom Blonqvist, levou um toque e rodou, perdendo muitas posições, e terminando apenas em 25º.

 

 

Nada como um dia depois do outro, certo? Pelo menos para a Penske, este foi o panorama em Road America, depois de ter um desempenho complicado em Detroit, prova que inclusive tinha o Grupo Penske como um dos patrocinadores da prova. No circuito de Elkhart Lake, o mais extenso do calendário, e considerado a “Spa-Francorchamps” dos Estados Unidos, o time do “capitão” Roger Penske deu a volta por cima, e ainda por cima, praticamente monopolizando o pódio, com vitória de Will Power, encerrando um jejum bem longo, de praticamente dois anos sem vencer. Depois de abandonar em Detroit, Josef Newgarden voltou ao pódio, com o 2º lugar, enquanto Scott McLaughlin ficou em 3º lugar. E o inverso também foi verdadeiro: Scott Dixon, da Ganassi, que havia dado show na capital do automóvel, não teve a mesma sorte no belo circuito de Road America, onde terminou apenas em 21º. Na sua última corrida em circuito misto no carro que era de Tom Blonqvist na Meyer Shank, Hélio Castro Neves teve um desempenho um pouco melhor do que em Detroit, mas mesmo assim, foi apenas o 19º colocado. Pietro Fittipaldi também não foi tão feliz quanto na corrida anterior, e fechou a corrida em 16º. Já Colton Herta, da Andretti, redimiu-se um pouco das estripulias de Detroit, e foi o 6º colocado, logo atrás do companheiro de time Kyle Kirkwood, que por sua vez, teve Álex Palou terminando em 4º.

 

 

E Théo Pourchaire, depois de ter sido confirmado para assumir o carro Nº 6 da McLaren pelo resto da temporada da Indycar em 20924, eis que o time de Woking simplesmente dispensou o piloto, quase sem mais nem menos, substituindo-o por Nolan Siegel, que teria assinado um contrato “plurianual” com a escuderia, já começando na nova casa na etapa de Laguna Seca. E Pourchaire só foi comunicado praticamente na semana da corrida, quando já se preparava para disputar a prova na pista de Monterey. A desculpa do time foi de não poder perder a oportunidade de desperdiçar a disponibilidade de um grande talento potencial como o californiano, em posição do time que teve a participação de Tony Kanaan como um dos grandes defensores da contratação de Siegel, chegando até a apostar sua reputação na confiança do talento do jovem piloto. Certamente, ajudou o fato de Nolan ter vencido as 24 Horas de Le Mans na classe LMP2 defendendo, por coincidência, o time da United Autosport, que pertence a Zak Brown, principal executivo da McLaren. Tendo que estrear meio que às pressas na nova escuderia, Siegel até que conseguiu um resultado razoável em Laguna Seca, terminando a corrida em 12º lugar, e com isso, ganhando crédito na justificativa de sua contratação de forma tão abrupta. Mas quem se ferrou nessa foi Pourchaire, que já tinha se desvinculado de seus outros compromissos de competição no ano acreditando estar garantido na McLaren na Indycar até o fim do ano. Claro que o time ainda alegou que, ainda sendo piloto reserva da Sauber na F-1, isso era um fator de incerteza sobre poder contar efetivamente com o piloto até o fim do campeonato da categoria de monopostos norte-americana, e que precisava de um piloto mais disponível, uma desculpa que ficou meio esfarrapada, e certamente não ajuda muito na imagem da escuderia, que já se enrolou em duas oportunidades recentes tentando garantir a contratação de Álex Palou, que deu uma banana ao time nas duas ocasiões e acabou ficando na Ganassi, situação que rendeu brigas nos tribunais, e que acabou terminando na derrota da McLaren. Como desgraça pouca é bobagem para Pourchaire, a Sauber avisou que não tem planos para ele em 2025, e ia tentar ajudar a encontrar-lhe um lugar na Indycar, para poder seguir carreira ali, mostrando como a desculpa da McLaren foi esfarrapada para justificar sua dispensa...