sexta-feira, 7 de junho de 2024

DANÇA NA MOTOGP 2025

No duelo fora da pista por um lugar no time de fábrica da Ducati em 2025, Marc Márquez atropelou Jorge Martin, que vai defender a Aprilia no próximo ano.

            A classe rainha do motociclismo viveu uma semana agitada em termos de anúncios para a próxima temporada. Nem mesmo as vitórias de Francesco Bagnaia na etapa de Mugello conseguiram sobrepor o impacto do anúncio da contratação de Marc Márquez para ser o novo companheiro do atual bicampeão da categoria no time oficial da Ducati para a próxima temporada, algo que dividiu opiniões, e certamente não agradou a todo mundo.

            Jorge Martin que o diga. O piloto espanhol, vice-campeão do ano passado com o time satélite da Pramac, faz uma temporada vigorosa, liderando a competição, e submetendo “Pecco” Bagnaia a ter de correr atrás do prejuízo para tentar chegar a seu terceiro título consecutivo na MotoGP. A Ducati teria acertado a contratação de Martin para 2025, mas deu para trás, e foi assinar com o hexacampeão Márquez, que está defendendo a Gresini este ano. Nem é preciso dizer que Martin ficou, mais uma vez, desencantado, e cumprindo a ameaça que já fazia há algum tempo, de que só aceitaria ir para um time de fábrica, não pensou duas vezes em assinar com a Aprilia, dando uma bela esnobada com ares de vingança para a turma de Borgo Panigale.

            Para muitos, é melhor que “Pecco” garanta o tricampeonato este ano, porque em 2025, ele poderá viver o inferno na equipe oficial da Ducati tendo Marc Márquez como companheiro de equipe. E quem conhece a “Formiga Atômica”, sabe que ele gosta de chegar chegando. Foi assim desde que estreou na classe rainha, em 2013, arrasando tudo e todos pela frente. Não se pode ignorar o talento de Bagnaia, mas fica a dúvida de como se dará o duelo entre os dois pilotos defendendo a mesma escuderia, que por tabela, ainda possui a melhor moto do grid. Márquez arrasou com todos os companheiros de equipe com os quais dividiu a equipe de fábrica da Honda, mas atravessava uma fase ruim desde 2020, tendo começado com o acidente onde fraturou o braço logo no início daquela temporada, e desde então, entre problemas de recuperação, e depois problemas de competitividade da moto japonesa, Márquez tinha assumido quase uma posição secundária na competição, diante da falta de um equipamento competitivo à altura, enquanto a Ducati assumiu o posto de equipamento reinante da MotoGP.

            O hexacampeão perdeu a paciência com a Honda no ano passado, quando tentou fazer o que sempre fazia antes, andar acima do limite, e conseguir com a moto nipônica resultados que normalmente não seriam possíveis. Mas a Honda decaiu a tal ponto que, mesmo recuperado, Márquez não conseguia tirar o time do buraco onde se enfiou. E começou a duvidar até de sua capacidade de pilotagem, depois de praticamente quatro anos de entreveros, percalços, e azares. Ele mesmo admitiu que, dado o momento da carreira, não poderia ficar esperando a recuperação da Honda, e tomou um passo ousado para um campeão de seu currículo: aceitou dar um passo para trás, para depois tentar dar um novo passo adiante. O passo para trás foi romper com a Honda, um time de fábrica, e aceitar pilotar para um time satélite, a Gresini, um time menor, ganhando menos, mas tendo à sua disposição uma moto Ducati, ainda que não o último modelo da Desmosédici. O objetivo, ele mesmo dizia, era testar a si próprio, e ver se ainda tinha o talento e capacidade que fizeram dele seis vezes campeão da MotoGP.

Mesmo liderando o campeonato de 2024, Jorge Martin (acima) acabou sendo deixado para trás, com a escolha da Ducati por Marc Márquez (abaixo), que vem fazendo uma boa temporada em sua primeira experiência com a moto italiana.


            E a resposta já foi dada. Mesmo com a moto de 2023, que diga-se de passagem não é um equipamento qualquer, a “Formiga Atômica” já voltou a dar show na temporada de 2024, mesmo ainda aprendendo a descobrir todos os macetes da Desmosédici. Tanto que Marc ocupa a 3º posição no campeonato, com 136 pontos, atrás apenas de Francesco Bagnaia, com 153, e de Jorge Martin, com 171. Mas já à frente de Enea Bastianini, da Ducati oficial, com 114 pontos. E deixando o irmão caçula, Álex, que já tinha um ano com a Gresini, comendo poeira, em 10º lugar, com apenas 51 pontos. Ainda falta vencer novamente, mas já andou marcando pole-position, e no ritmo em que vem se apresentando, que ninguém duvide que não vai demorar para voltar ao topo do pódio. E, vendo que ainda tem muita lenha para queimar, já voltava a falar grosso, dizendo que só aceitaria correr com uma moto de fábrica em 2025, jogando-se no mercado de pilotos, e atiçando os rivais. Chegou a desdenhar da Pramac, que já usa motos oficiais iguais ao do time de fábrica da Ducati, mostrando que não aceitaria apenas ter a moto do ano. E fez a fábrica italiana acabar se rendendo a ele, que ocupará o lugar de Enea Bastianini no time oficial de Borgo Panigale.

            Muitos criticaram a Ducati por “se render” à chantagem velada de Marc Márquez, alegando que o time italiano se fez campeão sem precisar dele, e que estava bem servido por seus próprios talentos, começando por Bagnaia, e tendo Jorge Martin na fila de espera, e que era a opção mais natural para finalmente ser promovido ao time de fábrica. Para eles, a rasteira que Martin sofreu agora foi muito mais grave do que a de dois anos atrás, quando a Ducati promoveu Enea Bastianini para a equipe oficial, e não ele, mas ao menos tinha a justificativa da excelente temporada que o italiano fazia na Gresini, um time satélite da Ducati, mas um piloto “da casa”, algo que não é atribuído a Márquez, que simplesmente atropelou a fila e desalojou o espanhol da Pramac de seu sonho. E, de certa forma rancoroso, ele não pensou duas vezes ante a “traição”, indo para a Aprilia. E quem pode culpa-lo por se sentir novamente preterido pela marca que defende?

            Para outros, contudo, a chance de perder alguém como Marc Márquez, que já tinha se anunciado disponível para correr por outro time de fábrica, poderia ser um passo em falso que muitos nunca perdoariam a direção da Ducati. E eles mesmos afirmaram que a decisão foi complexa e difícil de se tomar, diante das opções na mesa. E, além da capacidade de geração de marketing, algo que Marc Márquez tem como grande trunfo hoje em dia na MotoGP, a Ducati certamente deve ter analisado com muito cuidado os dados de desempenho obtidos pelo hexacampeão com a GP23, uma vez que só eles sabem exatamente a diferença de performance para o modelo atual GP24, para se convencerem de sua contratação, apesar de todos os riscos envolventes de se ter dois pilotos campeões dentro do mesmo box, o que pode se tornar uma guerra em potencial no próximo ano entre ambos, dependendo da performance de cada um. Para os críticos, a Ducati acabou de selar o fim de sua paz e provável domínio na MotoGP. Para os que aprovaram a contratação, apenas uma reafirmação da Ducati de contar com os melhores talentos do grid, sejam eles quais forem, e não se deixar levar pelos possíveis pontos negativos que isso pode gerar. Quem estará certo? Quem terá errado de fato? Respostas que só saberemos efetivamente em 2025.

Enea Bastianini (acima) sobrou, e tenta se acertar com a Tech3 para o próximo ano. Já Francesco Bagnaia (abaixo) pode ganhar uma dor de cabeça maior do que Jorge Martin na Ducati em 2025 com Marc Márquez por lá.


            Da mesma forma, há aqueles que defendem e reprovam a saída de Martin da Pramac. O piloto espanhol lidera o campeonato, e vem andando forte desde o ano passado. Sua meta, claro, era ser promovido ao time oficial da Ducati. Mas o time italiano honrou o contrato de Enea Bastianini para 2024, diante da justa colocação de que Enea não rendeu o que poderia em 2023 por causa do acidente sofrido logo na primeira etapa, em Portugal, e que merecia ter sua chance de mostrar do que é capaz este ano. Mas, mesmo assim, a promoção de Martin ao time principal já era dada como praticamente certa. Até o fator Márquez entrar na equação, e bagunçar as expectativas. Mas, por mais legítima que fosse a ambição de Martin, por outro lado, ele não podia reclamar das condições de onde estava, na Pramac, que mesmo sendo um time satélite, conta com as motos iguais às do time de fábrica, e com a política da fábrica italiana de todos os seus times compartilharem abertamente os dados de performance das motos, a Pramac tem todas as informações tanto do time de fábrica quanto das demais satélites VR46 e Gresini. E Martin tem feito bom uso dos recursos de seu time, tanto que vem liderando o campeonato com autoridade, e pode até ser campeão este ano. Em 2023, Martin quase chegou lá, numa disputa praticamente homem a homem com Bagnaia, perdendo basicamente para erros de si próprio.

            Este ano, mais centrado, Martin vem sendo o grande desafiante de Bagnaia na luta pelo título, e a expectativa é de um duelo acirrado entre ambos até o fim da temporada, e não se pode dizer quem será campeão. Para a Ducati, pode-se imaginar o impacto de ver Martin ser campeão, e perder ele para a rival Aprilia em 2025, um time que, apesar de ter conseguido inegáveis avanços nos últimos anos, não atingiu ainda o nível de ser uma ameaça séria à Ducati. Um nível de competitividade que certamente pesará nos resultados de Jorge se ele quiser defender um possível título. Permanecesse na Pramac, ele continuaria desfrutando das melhores motos da Ducati, e se campeão, teria todas as condições de defender com mais chances um título, ou de tentar novamente o mesmo, caso não tenha sucesso novamente em 2024. E mais: poderia desafiar novamente a dupla oficial da Ducati, como já vem fazendo atualmente, com o adicional de poder superar também Marc Márquez, e mostrar aos italianos uma vingança merecida superando na pista aquele que lhe “roubou” a vaga, além claro, de também superar Bagnaia mais uma vez. A insistência em ter um lugar no time de fábrica seria mais justificável se ele tivesse de competir com uma moto defasada, como fazem os pilotos da VR46 e da Gresini, mas como já mencionei, não é o caso da Pramac, que tem um status diferenciado em relação a estes times, e conta com a mesma moto oficial da equipe de fábrica, a Desmosédici GP24.

            Mas talvez tenha pesado os rumores da Pramac trocar de equipamento em 2025, já que circularam rumores de que o time poderia passar a usar as motos da Yamaha, que neste mometo estão longe de terem a mesma competitividade das Desmosédicis. A Pramac afirma que não pretende trocar de fornecedora de suas motos, mas a Ducati alega que o contrato entre ela e a Pramac para o próximo ano ainda não foi renovado, então, talvez Martin tenha optado pelo seguro, garantindo para si uma posição em um time de fábrica, e que pelo menos, no presente momento, está acima da Yamaha, que tenta se reerguer na competição, sendo mera figurante na atual temporada, a exemplo da Honda. Mas, seria a Pramac capaz de trocar um equipamento de qualidade comprovada por outro que ainda não se recuperou na competição? Só se a Yamaha oferecesse muitas compensações em troca de tal acordo, sem poder oferecer garantias de competitividade de seu equipamento. E, claro, Jorge Martin não iria querer correr o risco de perder relevância no grid, se acabar sem uma moto decente para pilotar, e portanto, preparou-se para pular fora na oportunidade disponível, se tal mudança ocorrer de fato no time da Pramac.

            Alguns criticam a falta de “lealdade” ao time do piloto, criticando inclusive Marc Márquez por abandonar a Honda depois de tantos momentos de glória juntos, diante das dificuldades atuais da marca nipônica na MotoGP, e enaltecendo Fabio Quartararo por se manter “leal” à Yamaha, mesmo nas dificuldades enfrentadas. Em primeiro lugar, eles não estão errados em querer procurar os melhores equipamentos disponíveis. Marc Márquez admitiu que não queria sair da Honda, mas precisava não apenas de uma moto melhor, mas também se provar se ainda era o piloto que foi. E podemos ver que Márquez ainda é boa parte do grande campeão que foi ao conquistar seis títulos na MotoGP, enquanto a Honda, ainda perdida, ocupa a lanterna do campeonato, sem enxergar melhorias a curto prazo. Até Ayrton Senna, na F-1, não hesitou em largar a McLaren pela Williams assim que teve chance, ao ver que o time pelo qual fora tricampeão não lhe oferecia mais as mesmas condições de vitória de seus anos de supremacia na categoria máxima do automobilismo.

            Mudanças de time nem sempre são as mais justas e corretas. São as mais possíveis, e convenientes, claro. Se a Ducati acabou por ser injusta com Jorge Martin, não dá para saber com exatidão, embora a mensagem aparente seja disso mesmo: injustiça. Não terá sido o primeiro, e certamente não será o último. Nem sempre o mundo do esporte premia os melhores de fato, mas aqueles que tiveram as chances de estarem nos lugares certos nos momentos certos. Desde já, a Ducati garante toda a atenção para si em 2025, com a provável perspectiva do duelo entre seus dois pilotos. Um deles, de uma nova geração, que vai precisar se reafirmar perante o maior campeão da MotoGP da última década, que quer voltar a reinar, de preferência esmagando seus adversários como costuma fazer em seus tempos áureos. A única certeza é que teremos um vencedor, e um perdedor. Mas até que esse duelo comece de fato, só podemos ficar na expectativa, e ter algumas prévias durante as provas desta temporada, quando ambos se cruzarem na pista em disputa por posições.

 

 

Aleix Spargaró anunciou que está pendurando o capacete ao fim da atual temporada da MotoGP, e com isso, abriu-se uma vaga até disputada no grid da classe rainha do motociclismo, que já foi devidamente preenchida por Jorge Martin, com direito até a um anúncio em tempo recorde por parte do time da Aprilia, que ainda não confirmou a renovação de seu outro piloto, Maverick Viñalez, que certamente vai ter um osso duro de roer com seu novo companheiro de equipe na próxima temporada. Depois de quinze temporadas na competição, Aleix afirmou querer poder curtir mais a família, e já afirmou que seguirá pilotando, mas agora na função de piloto de testes, e as conversas indicam que ele deverá se dedicar a essa função na Honda, não seguindo na Aprilia, onde ajudou o time a se erguer nos últimos anos, sendo capaz de fazer poles e até vencer algumas provas. Mas a Aprilia não conseguiu consumar efetivamente essa ascenção, e depois de quase disputar o título em 2022, decaiu em 2023, e este ano ainda briga com a KTM pelo posto de melhor rival da Ducati, tendo como único mérito ter vencido uma corrida com Viñalez, enquanto a marca austríaca ainda está em branco neste quesito na temporada.

 

 

A KTM, aliás, já oficializou sua equipe para 2025 da maneira mais óbvia: Brad Binder segue no time, agora com Pedro Acosta como companheiro de equipe. Acosta vem surpreendendo na Tech3, time satélite da KTM, e seu lugar deve ser ocupado por Jack Miller, que já se resignou a ser rebaixado para o time. A Tech3, aliás, pode ter uma dupla inteiramente nova no próximo ano, contando não apenas com Miller, mas possivelmente também com Enea Bastianini, que rifado da Ducati, está em negociações com a escuderia para ocupar uma de suas vagas.

 

 

A F-1 chegou a Montreal para o Grande Prêmio do Canadá, e a expectativa é alta para vermos como a Red Bull estará na pista, depois de enfrentar dificuldades nas últimas corridas. Mas a fim de semana deve ser mais agitado, já que a previsão do tempo prevê possibilidade de chuva começando por hoje, e indo até domingo. Isso tem tudo para embaralhar ainda mais as possibilidades de disputa na pista, normalmente propensa a apresentar surpresas pelas particularidades do traçado usado pela F-1. Vejamos o que irá acontecer...

O GP do Canadá pode voltar a ter interferência da chuva na edição deste ano.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

FLYING LAPS – MAIO DE 2024

            O mês de maio já se foi, e já estamos em junho, e logo chegaremos ao fim do primeiro semestre deste ano. Como já mencionei tantas vezes aqui, o tempo parece voar, tão ou até mais rápido do que os bólidos de competição. Cada dia que se vai parece ser pouco, mas quando olhamos para trás, é que notamos como o tempo vem passando, e rápido, e os dias que aguardamos parecem demorar a chegar. O mês de maio teve várias competições, e aqui vamos nós em mais uma edição da Flying Laps, com destaque para as corridas da Formula-E neste mês que se passou, mas também com uma menção à Stock Car Brasil, e como não poderia deixar de ser, às 500 Milhas de Indianápolis, a mais famosa corrida de todo o continente americano, que teve um final eletrizante naquela que foi sua 108ª edição. Curtam o texto, e até a próxima edição da Flying Laps, no início do mês de julho, já entrando no segundo semestre de 2024...

Nick Cassidy iniciou a rodada dupla do ePrix de Berlim da Formula-E com o pé direito. O piloto da Jaguar teve problemas nos treinos e nunca parecia se encontrar com o carro, chegando a fazer uma classificação apenas mediana para a primeira corrida do fim de semana na pista do antigo aeroporto de Tempelhof. Como desgraça pouca parecia bobagem, o neozelandês ainda teve um enrosco logo no início da prova, e chegou a cair para a 21ª colocação na corrida. Mas, a partir daí, Nick iniciou uma recuperação fenomenal, aproveitando as circunstâncias da prova, e economizando energia. E conseguiu ir para a liderança da corrida, que chegou a vencer com uma diferença de cerca de 4,65s para Jean-Éric Vergne, da DS Penske. Não menos impressionante foi o desempenho de Oliver Rowland, da Nissan, que largou em 15º, e terminou no pódio, em 3º lugar. Se Mith Evans teve que se contentar em ver o companheiro de equipe vencer sua segunda prova na temporada enquanto ele terminava em 4º lugar, a situação foi menos satisfatória para a Porsche, que viu Pascal Wehrlein ser apenas o 5º lugar, logo à frente de Antonio Felix da Costa, em 6º. Mas frustração mesmo deve ter sido a de Edoardo Mortara, que conseguiu uma milagrosa pole-position com a Mahindra, diante da falta de competitividade do trem de força do time indiano, que foi caindo pelas tabelas conforme a corrida avançada, mas ainda conseguiu um 8º lugar, e marcar os primeiros pontos dele e de seu time no ano. Stoffel Vandoorne deve ter sentido frustração similar, pois largou em 2º lugar, e terminou apenas em 7º, vendo seu companheiro Vergne largar logo atrás em 3º, mas terminar a prova na 2ª posição.

 

 

O bom momento de Nick Cassidy se repetiu na segunda corrida de Berlim, com o neozelandês terminando a prova em 2º lugar, mesma posição em que largou. Em contrapartida, foi a vez da Porsche tirar um pouco de satisfação, com uma brilhante atuação de Antonio Felix da Costa, que largou da 10ª posição para vencer de forma decisiva a corrida, e reabilitar-se na competição, depois de ter sido desclassificado da primeira prova de Misano por uma decisão complicada da direção da categoria. Pascal Wehrlein até tentou acompanhar o ritmo de Da Costa, mas foi apenas o 4º colocado, perdendo a chance de subir ao pódio diante de outra exibição de gala de Oliver Rowland, que mais uma vez largou lá de trás, para chegar lá na frente, e fechar o pódio com mais um 3º lugar para o piloto da Nissan.

 

 

A rodada dupla de Berlim foi mais uma vez infrutífera para os pilotos brasileiros. Sergio Sette Camara (ERT) ainda fez uma classificação primorosa, largando em 4º lugar na primeira prova do fim de semana, enquanto Lucas Di Grassi também conseguiu se destacar com a ABT, obtendo o 7º lugar no grid. Mas a corrida de ambos foi para o brejo quando Lucas acabou acertado por Dan Ticktum, da ERT, causando o abandono de Di Grassi, e indiretamente também prejudicando Sergio, que não conseguiu evitar de tocar nos carros de ambos, e acabou danificando seu carro também, tendo um pneu furado, e perdendo várias posições, terminando em um modesto 16º lugar. Já na segunda corrida a sorte não foi melhor: ambos até terminaram, mas fora das posições pontuáveis. Lucas Di Grassi largou em 12º, e terminou em 11º, enquanto Sergio Sette Camara largou em 15º, e finalizou apenas em 13º. Lucas ficou revoltado com o ocorrido, já que seu time vem trabalhando duro para conseguir superar a falta de competitividade do trem de força da Mahindra, e pela primeira vez no ano, tinha reais condições de marcar pontos, quando tudo foi para o espaço no toque dado por Ticktum. Um ano que certamente será para esquecer, e sem perspectivas de melhorar, infelizmente.

 

 

A Jaguar reafirmou sua posição de melhor time da temporada atual da Formula-E com mais um triunfo, desta vez com Mith Evans, que venceu a primeira corrida da rodada dupla da competição em Shanghai, no retorno à China, de onde estava ausente nos últimos anos devido às regras de isolamento da pandemia da Covid-19. Evans superou Pascal Wehrlein, da Porsche, na volta final, para vencer a corrida de forma emocionante. E ainda teve Nick Cassidy novamente no pódio, em 3º lugar. Na verdade, era para a Porsche ter tido um melhor resultado nesta primeira corrida, mas uma punição a Antonio Felix da Costa por um toque com Jean-Éric Vergne fez o português cair para a 18º posição. Oliver Rowland manteve a constância de bons resultados, ficando em 4º lugar, e quem diria, depois de Edoardo Mortara ter conseguido pontuar em Berlim, desta vez foi Nyck De Vries a conseguir pontuar com a Mahindra, e ajudar o time indiano a tentar escapar da lanterna do campeonato, com um 7º lugar. Com as punições da corrida, Lucas Di Grassi acabou subindo para a 10ª colocação, marcando seu segundo ponto na temporada. Já Sergio Sette Camara não teve o que comemorar, tendo largado em 17º, e terminado em 13º.

 

 

O clima na Porsche anda em altos e baixos. Na segunda prova da rodada dupla de Shanghai da F-E, enquanto Antonio Felix da Costa mais uma vez deu show, vencendo a corrida, Pascal Wehrlein não teve o que comemorar, com o alemão praticamente ficando zerado após ter se enroscado com Sam Bird, da McLaren, e ter tido um pneu furado que arruinou sua corrida, enquanto o inglês acabou por abandonar a prova. O restante do pódio da segunda corrida foi ocupado por dois pilotos que andavam muito em baixa na temporada: Jak Hughes marcou a pole, e terminou em 2º lugar com a McLaren; já Norman Nato marcou o 3º lugar com a Andretti, que viu Jake Dennis ficar zerado nesta corrida. O pódio de Nato, contudo, ainda não é garantia de manutenção de sua posição no time da Andretti para 2025, com a equipe ainda considerando se mantém o piloto ou não. E a Jaguar, apesar de não ter ido ao pódio nesta segunda prova, saiu mais do que no lucro: com o 4º lugar, Nick Cassidy se distanciou ainda mais na liderança do campeonato, diante dos percalços sofridos por Wehrlein. E Mith Evans, com o 5º posto, assumiu a 3ª posição na tabela, superando Oliver Rowland, que foi apenas o 10º colocado nesta prova.

 

 

No campeonato de equipes, a Jaguar segue disparada em 1º lugar, com 299 pontos, diante da Porsche, a vice-líder, com 226 pontos. A Nissan ocupa a 3ª colocação, com 157 pontos, acossada pela DS Penske, com 154 pontos na 4ª colocação. Na lanterna da classificação, ainda está a Mahindra, com apenas 13 pontos, em 11º lugar. A ABT vem em 10º, com 20 pontos; enquanto a ERT ocupa a antepenúltima posição, com 23 pontos. E a Envision, que foi campeã de equipes no ano passado, segue fazendo uma temporada incompreensível, estando apenas na 8ª posição, com apenas 49 pontos, sem conquistar nenhuma vitória, e tendo apenas dois pódios no ano até o presente momento. Já no campeonato de fabricantes dos trens de força, a Porsche está na liderança, com 337 pontos, com a Jaguar na segunda posição, com 328 pontos. A Nissan vem mais uma vez em 3º lugar, com 236 pontos. A Stellantis é a 4ª colocada, com 213 pontos. A Mahindra é a 5ª, com 33 pontos, e em último está a ERT, com apenas 23 pontos.

 

 

Na visita da Stock Car Brasil ao autódromo de Cascavel, no Paraná, tivemos vitória de Dudu Barrichello (Mobil Ale) na corrida Sprint do fim de semana. Ricardo Zonta (RCM Motorsport) largou na pole-position, com Ricardo Maurício (Eurofarma-RC) ao seu lado, mas Dudu, largando logo atrás, veio para cima dos dois, e já na segunda volta, assumiu a liderança para mantê-la até a bandeirada de chegada, deixando Zonta terminar em 2º, e Maurício fechando o pódio na 3º posição. Lucas Foresti (A. Matheis Voggel) veio logo a seguir, em 4º lugar, à frente de Rafael Suzuki (TMG Racing), na 5º colocação. Gabriel Casagrande (A. Matheis Voggel) foi o 6º colocado. Já na corrida principal, o triunfo acabou com Bruno Baptista (RCM Motorsport), que aproveitou a quebra do carro de Daniel Serra (Eurofarma-RC), que largara na pole-position e vinha comandando a corrida, para faturar a vitória na pista paranaense. Enzo Elias (Crown Racing) foi o 2º colocado, com Rafael Suzuki (TMG Racing) fechando o pódio com o 3º lugar. Ricardo Maurício (Eurofarma-RC) veio em 4º lugar, com Ricardo Zonta (RCM Motorsport) em 5º, e Felipe Massa (TMG Racing) em 6º lugar. Com o resultado desta rodada, Rafael Suzuki ocupa a liderança do campeonato, com 285 pontos, 30 de vantagem para Ricardo Zonta, o vice-líder, com 255. Júlio Campos, da Pole Motorsport, é o 3º colocado, com 240 pontos. Na 4ª colocação temos Felipe Baptista, com 238 pontos, enquanto o 5º colocado e atual campeão da Stock Car, Gabriel Casagrande, tem 229 pontos, apenas 1 a mais que Felipe Massa, com 228, ocupando a 6ª colocação na tabela. Bicampeão da categoria, Rubens Barrichello vem fazendo uma temporada abaixo das expectativas, ocupando apenas a 16ª posição, com 150 pontos, enquanto seu filho e companheiro de equipe, Dudu, vem apresentando uma performance até melhor, ocupando a 8ª posição, com 214 pontos.

 

 

E deu vitória da Penske na edição 2024 das 500 Milhas de Indianápolis. Depois de arrasar no treino classificatório, monopolizando a primeira fila do grid com seus três pilotos, a escuderia do “capitão” conquistou sua 20ª vitória na Brickyard, agora com Josef Newgarden, que largou em 3º lugar e repetiu a vitória obtida no ano passado, se tornando o primeiro piloto desde Hélio Castro Neves a vencer por duas vezes consecutivas a Indy500. A vitória de Newgarden, contudo, foi épica, pois o norte-americano havia sido superado por Patrício O’Ward, da McLaren, no início da volta final da prova, mas Newgarden conseguiu ir ao ataque e, no final da reta oposta, recuperar a liderança numa manobra arrojada, e partir para seu segundo triunfo em Indianápolis, deixando o piloto mexicano mais uma vez a ver navios no momento derradeiro da famosa corrida. Scott Dixon, da Ganassi, foi outro piloto que deu show, tendo largado em 21º lugar para terminar na 3ª colocação. Scott McLaughlin, que marcou a pole-position, andou na frente na corrida em boa parte da prova, mas acabou terminando em 6º lugar. Já Will Power, que havia partido em 2º, abandonou a corrida devido a um acidente. A corrida, aliás, teve oito interrupções por bandeiras amarelas decorrentes de acidentes entre os pilotos, felizmente, nada graves, e com prejuízos apenas pelos danos nos carros. E nem precisou de muita espera: logo na primeira volta, Tom Blonqvist, da Meyer Shank, roçou parte das rodas na grama interna da pista, perdendo o controle do carro, e atingindo Marcus Ericsson, da Andretti, com ambos indo parar no muro. O acidente também envolveu Pietro Fittipaldi, que ao se desviar, acabou tocado por outro piloto e foi parar no muro, acabando com a prova do brasileiro. Hélio Castro Neves, que tentava vencer a corrida pela 5ª vez, até andou forte, mas deu azar nas últimas paradas, e acabou terminando a corrida em 20º lugar, a mesma posição em que largou, tendo chegado a andar até em 3º lugar em determinado momento da prova. O sonho do penta na Indy500 ficou para 2025. Outros pilotos que ficaram pelo meio do caminho na Indy500 foram Marco Andretti, Ryan Hunter-Reay, Katherine Legge, Felix Rosenqvist, Linus Lundqvist, e Marcus Armstrong. Melhor sorte na prova do ano que vem para todos.