sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

ARQUIVO PISTA & BOX – ABRIL DE 2000 – 07.04.2000

            Voltando a trazer um de meus antigos textos, este foi publicado no dia 7 de abril de 2.000, e o assunto principal era o delírio dos torcedores ferraristas com a melhor estréia da Ferrari em mundiais de que havia memória. Michael Schumacher havia vencido as duas corridas iniciais da temporada, enquanto os rivais mais fortes, a dupla da McLaren, iniciava o ano cheia de problemas, o inverso do que costumava ocorrer com o time italiano. E a coluna, escrita às vésperas do GP de San Marino, mostrava com os tiffosi estavam em êxtase, e o piloto alemão era o grande favorito para vencer na pista italiana, a mais próxima de Maranello. Eles esperavam enfim terminar com o jejum de títulos que a equipe rossa enfrentava desde 1979, e teriam bem mais do que isso, pois justamente naquele ano a Ferrari e Michael Schumacher iniciavam um reinado de cinco anos ininterruptos que nunca mais foram repetidos. Confiram o texto, e boa leitura para todos...

OS TIFFOSI EM DELÍRIO

          O campeonato de Fórmula 1 deste ano inicia sua fase européia, e como já tem sido hábito há muitos anos, é a pista de Ímola que dá partida às provas da maior categoria automobilística mundial no Velho Continente. E hoje, quando os carros entrarem na pista do Circuito Enzo e Dino Ferrari, os fãs da Ferrari estarão presentes em peso mais do que nunca.

          É a primeira corrida em solo italiano, e Ímola, mais do que Monza, fica próximo a Maranello, onde fica a sede da Ferrari, praticamente a mais venerada instituição italiana depois do papa. E este ano, os tiffosi estão em delírio pleno como há muito não se via. O motivo, claro, não poderia ser outro: a liderança da Ferrari no mundial de F-1, tanto na classificação de pilotos como de construtores. Michael Schumacher venceu as duas etapas iniciais do certame, na Austrália e no Brasil, e chegou a Ímola como o favorito destacado para repetir no domingo mais um triunfo, e agora em casa. Se acontecer, nada mais poderia ser melhor para os torcedores italianos.

          Mas há que se respeitar o poderio da McLaren. Os carros prateados ainda são os mais velozes, e Mika Hakkinen foi pole com autoridade tanto em Melbourne quanto em Interlagos. Mas na Austrália, ambos os carros de Ron Dennis ficaram pelo meio do caminho, com problemas no motor Mercedes. E em Interlagos, o panorama foi similar: Hakkinen abandonou com problemas na pressão do óleo, enquanto David Coulthard acabou desclassificado. E Schumacher, sempre pronto para agarrar as oportunidades, venceu ambas as provas, e é líder disparado da competição.

          O panorama só não é melhor para a Ferrari porque Rubens Barrichello, que fez a festa completa para Maranello em Melbourne, quando estreou com um belo 2º lugar em sua corrida de estréia com os carros vermelhos, voltou a ser derrubado pelo azar no Brasil, onde abandonou com problemas hidráulicos em seu carro, impedindo uma festa igual à da Austrália. Mesmo assim, o brasileiro também é cotado para fazer bonito domingo, no seu primeiro GP em terras italianas como piloto Ferrari oficial. Mas Rubinho já sentiu o carinho dos torcedores em Monza, no ano passado, quando foi ovacionado pela bela corrida que disputou, quando todos praticamente já sabiam que ele iria para Maranello este ano.

          A Ferrari tem o seu melhor início de campeonato em muitos anos, e as chances de que possa ser encerrado o jejum de títulos, que já vem perseguindo os carros vermelhos desde 1979, seja finalmente alcançado. Nos últimos anos, a Ferrari tem começado o campeonato em baixa, precisando correr atrás do prejuízo, o que tem feito com grande competência, graças à maestria de Schumacher na pista, sempre tirando dos carros mais do que eles podem dar, na grande maioria das vezes. E é graças ao bicampeão alemão que o time italiano tem conseguido equilibrar a briga com os rivais mais poderosos na pista, como foi com a Williams em 1997, e com a McLaren nos últimos dois anos. Mas o tempo perdido na recuperação tem se mostrado um crucial calcanhar de Aquiles para o time rosso: até conseguir equilibrar a disputa, os rivais abrem vantagem relativamente confortável, e isso lhes permite manter a dianteira com mais calma na competição.

          Este ano, com os poderosos carros prateados a enfrentarem problemas de fiabilidade, a Ferrari enfim iniciou o ano na frente, e Schumacher já conseguiu uma boa vantagem de 20 pontos, enquanto o bicampeão Mika Hakkinen, mais provável rival de Schumacher, ainda está praticamente zerado. Se nos anos anteriores era Schumacher quem tinha de correr atrás, agora são os rivais do alemão que terão de recuperar o tempo perdido, só que Michael não tem o costume de permitir que os adversários possam se recobrar de um mal resultado. Vai tratar de abrir ainda mais vantagem para liquidar a fatura o quanto antes. E, se conseguir, pode estar a meio caminho andado para conquistar o tricampeonato.

          Mas não é bom subestimar a McLaren. O time prateado ainda tem o carro mais veloz, e se resolver seus problemas de confiabilidade, podem reverter o panorama da competição rapidamente, como já fizeram nos anos anteriores, quando davam a sensação de terem perdido a dianteira na disputa. Mika Hakkinen mantém a confiança em que seu time consiga resolver todos os problemas apresentados, e voltar a vencer corridas, posição que é compartilhada por seu colega de equipe, David Coulthard, que mais uma vez, quer sair da sombra do piloto finlandês no seio do time inglês.

          E a pista de Ímola, ainda de média alta velocidade, parece ser feita sob medida para os carros ingleses, que possuem uma aerodinâmica mais refinada, graças a Adrian Newey, que desde que passou a conceber os modelos MP4, o time foi campeão nos últimos dois anos. E aí, a única esperança dos ferraristas é o braço de Michael Schumacher, que sempre consegue desequilibrar, como fez no ano passado, quando venceu nesta pista, aproveitando-se do azar de Hakkinen, que havia abandonado por causa de um acidente. Mesmo assim, foi uma vitória sob risco, pois esteve com Coulthard no calcanhar praticamente toda a corrida, que venceu por apenas 4s de vantagem para o piloto da McLaren.

          Um resultado favorável aqui em Ímola é crucial para a Ferrari e Schumacher, pois na corrida seguinte, na Inglaterra, o favoritismo teórico passa a ser da McLaren, que costuma dar as cartas na pista inglesa. E, para piorar a situação, a próxima prova depois é em Barcelona, pista onde os times fazem a maioria dos testes da pré-temporada, e que deve ser totalmente favorável aos carros da McLaren, a tal ponto que nem mesmo Schumacher poderá fazer a diferença por lá se Hakkinen e Coulthard não tiverem algum tipo de contratempo. A parada é ganhar aqui em San Marino e tentar se garantir em Silverstone para, na pior das hipóteses, poderem administrar a corrida da Espanha.

          Para tanto, a Ferrari trouxe várias modificações no modelo F2000, com vistas a tornar o carro ainda mais veloz, e permitir encarar os McLaren em igualdade de condições. O problema é que McLaren também vem com novidades, mas a pior delas, na opinião dos ferraristas, será ter resolvido seus problemas de fiabilidade, pois o carro já é extremamente veloz. Os treinos hoje darão as primeiras pistas do que poderemos ver no domingo, e a perspectiva é de uma luta feroz por parte de ambos os lados.

          Que vença o melhor, então...

 

 

O início da temporada européia é a esperança de dias melhores para algumas das escuderias que ainda estão zeradas na pontuação até aqui. Nada menos do que 5 times ainda não conseguiram marcar um ponto sequer este ano: Arrows, Sauber, Prost, Minardi, e Jaguar. De todos eles, a Jaguar é quem está decepcionando mais, por se tratar do novo time oficial da Ford, que no ano passado, quando era a Stewart, já tinha dado bons indícios de performance tanto na Austrália quanto no Brasil, e só não tiveram melhor sorte por quebras nos carros. Este ano, nem isso: os carros verdes, agora com Eddie Irvinne e Johnny Herbert, ainda não conseguiram mostrar nem metade do desempenho do ano passado. Em 1999, o time não foi mais longe por falta de recursos, que agora tem em fartura até. Pelo visto, a nova direção do time ainda tem muito o que aprender sobre como conduzir um time de F-1.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

FLYING LAPS – DEZEMBRO DE 2023

            E já chegamos a 2024. O ano de 2023 já ficou para trás, e cá estamos com a primeira postagem do novo ano, em mais um mês de janeiro. Realmente, o tempo parece voar, e o ano que se passou parece ter sido apenas um lampejo de vários momentos que vivenciados. Hora de começar um novo ano, e renovar mais uma vez nossa jornada no universo sempre apressado do mundo do esporte a motor. Mas, nem tudo de 2023 terminou, e alguns acontecimentos e corridas tiveram lugar neste mês de dezembro, portanto, antes de nos ocuparmos com os acontecimentos do novo ano, é hora de relacionar aqui alguns acontecimentos do mundo da velocidade deste último mês de dezembro que encerrou mais um ano, em mais uma edição da tradicional sessão Flying Laps, como é de praxe, sempre com alguns comentários rápidos sobre os eventos citados. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início de fevereiro, já relacionando os fatos deste novo ano que se inicia...

 

Gabriel Casagrande, da equipe A.Mattheis Vogel Chevrolet conquistou o bicampeonato da Stock Car na rodada final do campeonato, em Interlagos, no mês de dezembro. O piloto terminou a primeira corrida do fim de semana com uma ótima classificação, fechando o pódio com um 3º lugar, enquanto seu rival mais direito, Daniel Serra, da equipe Eurofarma-RC Chevrolet, ficou em 5º lugar, sendo que dali em diante, apenas os dois poderiam disputar o título na corrida final. Não foi uma das decisões mais empolgantes da história da competição, uma vez que ambos os pilotos enfrentaram problemas. Casagrande terminou apenas em 21º lugar, mas a 12ª colocação de Serra foi determinante para garantir o título a Casagrande, que coroou seu segundo título na principal categoria automobilística nacional com uma campanha que primou acima de tudo pela regularidade. Com apenas 3 vitórias no ano, ele empatou em triunfos com Daniel Serra e Ricardo Zonta, mas marcou presença 7 vezes no pódio, contra 5 dos outros dois pilotos, totalizando 308 pontos. Serra, com 296 pontos, teve que se contentar com o vice-campeonato na competição, enquanto Ricardo Zonta, RCM-Motorsport Toyota, acabou em 3º lugar no campeonato, empatado com 280 pontos com Thiago Camilo, da Ipiranga Racing Toyota, mas ficando à frente na classificação por ter 1 vitória a mais. Gabriel já tinha conquistado o título na temporada de 2021, e no ano passado, o duelo entre ele e Serra acabou favorecendo Rubens Barrichello, que acabou levando o bicampeonato da Stock Car. Gabriel revelou que a conquista tirou um grande peso das costas, e que parte com ânimos renovados para a temporada de 2024, pronto para tentar chegar ao tricampeonato.

 

 

Ricardo Zonta pode ter terminado o ano em 3º lugar na classificação da Stock Car, mas o piloto sai de 2023 bem satisfeito. Foram 3 vitórias na temporada, a última delas na primeira prova de Interlagos na última etapa da competição, e sua segunda melhor temporada desde que passou a disputar o certame, em 2007. A melhor temporada do piloto, que já chegou a competir na F-1, foi em 2020, quando terminou o ano como vice-campeão, perdendo apenas para Ricardo Maurício.

 

 

Felipe Massa fez sua melhor temporada na Stock Car, finalizando o ano em 10º lugar, tendo conquistado suas primeiras vitórias na competição, a última delas na prova final em Interlagos, numa manobra questionável da direção de prova, que demorou até colocar o carro de segurança na pista após o piloto Sergio Ramalho, da Hotcar Chevrolet, enfiar seu carro na barreira de pneus na saída da curva do Laranjinha. Àquela altura, Felipe Massa era o líder, com Marcos Gomes em segundo lugar, e ambos ainda precisavam fazer a parada obrigatória. Rubens Barrichello, que já tinha visitado os boxes, era o terceiro colocado, e assumiria a liderança com a parada de ambos. Mas, sabe-se lá por qual motivo, resolveram colocar o Safety Car logo após os pilotos entrarem nos boxes para fazerem seus pit stops. O procedimento do carro de segurança fez com que os demais pilotos reduzissem sua velocidade, de modo que tanto Massa quanto Gomes voltaram à pista, até à frente do Safety Car, que travava os demais pilotos no circuito, Barrichello entre eles, impossibilitando que ele pudesse tentar discutir a liderança. Felizmente, Ramalho não se feriu com a forte pancada. Com isso, a corrida terminou praticamente em bandeira amarela, com vitória de Massa, da equipe Lubrax Podium TMG Chevrolet, e Marcos Gomes, da Cavaleiro Sports Chevrolet em 2º. Barrichello completou o pódio, e não faltaram críticas ao procedimento dos fiscais que atrasaram demais a entrada do carro de segurança, quando já havia veículo de socorro e fiscais prestando atendimento no carro de Ramalho, com a corrida ainda andando em ritmo forte. Alguns fizeram até piada perguntando se Michael Masi, ex-diretor de provas da FIA que armou a cumbuca da polêmica decisão da F-1 em Abu Dhabi em 2021, estava trabalhando em Interlagos na decisão da Stock Car. Já outros disseram que, se Massa acabou se achando prejudicado deliberadamente pelo Safety Car na polêmica prova de Singapura de F-1 em 2008, agora ele foi favorecido por outro Safety Car, que também poderia ser considerado polêmico, apesar de outros aspectos. De qualquer forma, Felipe fez uma boa temporada, e já planeja brigar pelo título em 2024. Vamos ver se ele consegue cumprir a promessa, lembrando que a Stock Car é uma categoria bem disputada, e ele vai precisar dar duro para brigar pelo título. Rubens Barrichello que o diga, afinal, desde que passou a competir em tempo integral na competição, foram apenas dois títulos conquistados. Massa não terá vida fácil em sua meta, e vários outros pilotos estarão na jogada.

 

 

Rubens Barrichello não teve a melhor das temporadas da Stock Car em 2023, e terminou o ano apenas na 7ª posição no campeonato. Mesmo assim, o veterano piloto, ex-F-1, ganhou pelo quarto ano consecutivo uma eleição feita pelos profissionais do site Grande Prêmio (www.grandepremio.com.br) como melhor piloto em atividade no Brasil, no balanço dos Melhores do Ano promovida pelo site. Os resultados dos votos foram os seguintes: 1) Rubens Barrichello – 46,2%; 2) Gabriel Casagrande – 25,7%; 3) Daniel Serra – 10,8%; 4) Felipe Fraga – 10,1%; 5) Thiago Camilo – 7,1%. Rubens ganhou essa votação nos anos de 2020, 2021, e 2022. Daniel Serra, terceiro colocado na votação deste ano, havia sido eleito o melhor piloto nos anos de 2017, 2018, e 2019. Barrichello havia sido eleito o melhor também em 2016.

 

 

A Stock Car anunciou durante o fim de semana da etapa final da temporada 2023 em Interlagos que irá mudar de carro para a temporada de 2025. Sairão as “bolhas” dos carros tipo sedans, que competem na categoria há anos, e entrarão novas “bolhas”, que devem ser dos carros SUVs. Este tipo de carro já é utilizado em outras provas de turismo, como o TC2000 na Argentina. Outra novidade importante é que a competição passará a contar com mais duas marcas de carros no grid, atualmente composto apenas de Chevrolet e Toyota. Os nomes das novas marcas não foram divulgados, o que deve ser anunciado somente agora em 2024, muito provavelmente antes de junho, quando a categoria deverá anunciar os novos modelos dos carros com mais detalhes. É uma importante mudança em termos de visual na competição, e um incremento de importância para a Stock contar com mais dois fabricantes no grid. Vale lembrar que os carros usam apenas as carrocerias dos carros de rua, daí o termo “bolha” que é usado para definir a forma dos carros, que são monocoques de competição devidamente preparados, aos quais são moldadas as carrocerias dos carros da Chevrolet e da Toyota, e que seguirão com o esquema com as novas marcas. Não foram dados maiores detalhes de quais poderão ser as novas participantes na competição, mas muita gente já anda especulando nomes. Segundo a direção da Stock, o público hoje tem migrado em sua preferência de carro para os SUVs, com os Sedans perdendo apelo, fora que os novos carros tem maior potencial esportivo. Foi mencionada também a possibilidade de motorização híbrida, mas algo a se tratar mais para o futuro, uma vez que no atual momento, isso não é possível diante dos custos necessários para se implantar tal recurso na competição. Mas com a evolução da tecnologia, que deve ir se tornando mais comum, os gastos deverão ser mais acessíveis, e quem sabe, facilitar sua introdução em um futuro próximo.

 

 

Problemas potenciais para a Indycar a curto prazo. A Honda, que divide o fornecimento de motores para os times da competição, ao lado da Chevrolet, anuncia que pode rever seu posicionamento de participação na competição, e ao fim do atual contrato de fornecimento de propulsores, que vai até 2026, pular fora da categoria. A divisão americana da marca nipônica alega que os custos não estão compensando nos níveis atuais, e que pode redirecionar seu investimento para outras paragens, até mesmo se concentrando apenas na Fórmula 1, onde fará nova parceria com a Aston Martin a partir justamente de 2026. Segundo a Honda, a atual configuração de apenas dois fornecedores de motores mostra que a Indycar não está sendo uma categoria atrativa para os fabricantes, e se tivesse mais fornecedores, não teria de gastar tanto quando precisa fazer o fornecimento de praticamente metade dos competidores do grid, sem mencionar os participantes extras, especialmente em Indianápolis, por ocasião das 500 Milhas, quando o grid é de 33 participantes regulares, ao contrário das demais corridas, geralmente tendo por volta de 27/28 participantes. A situação se mostra potencialmente mais complicada com a estréia das novas unidades híbridas na temporada deste ano, que deveria ocorrer já no início da temporada, mas acabou postergada para após a Indy500, a fim de dar aos times maior tempo para se adaptarem aos novos propulsores, mas também diminuir um pouco os gastos. Caso a Honda resolva pular fora, a Indycar volta a ser uma categoria monomarca, algo que não é inédito na história do certame, que anos atrás, também correu apenas com os motores nipônicos, antes da Chevrolet fazer seu retorno à competição. Entre as temporadas de 2006 e 2011, todos correram com os motores da Honda, após as rivais Chevrolet e Toyota desertarem da então chamada IRL (Indy Racing League). Apenas em 2012 a competição voltou a ter alguma diversidade, quando a Chevrolet voltou ao grid. Desde então as duas marcas são as únicas fornecedoras de motores para as equipes da competição, com exceção de 2012, quando a Lotus tentou ingressar na competição, utilizando propulsores concebidos pela Judd, mas os resultados de sua participação na temporada daquele ano foram tão fracos que ninguém quis utilizar os motores, o que fez a marca desistir de competir.

 

 

Chuck Schifsky, diretor da divisão norte-americana da Honda, contudo, procurou não polemizar, avisando que a empresa não tem pressa de sair, mas que o assunto deve ser discutido com a direção da Indycar para se viabilizar redução de custos que possa ser atrativa para a marca permanecer na categoria, afirmando que outros certames como o IMSA e até a própria Nascar poderiam ser praias mais condizentes para a Honda. Curiosamente, ele chegou a sugerir que a Ilmor fabricasse os motores de combustão interna para todos, como forma de reduzir os custos. Ocorre que a Ilmor, que atualmente pertence a Roger Penske, já faz isso, sendo dela a fabricação dos propulsores da Chevrolet na competição. Vale lembrar que a Honda, quando implementou o seu plano de adentrar nas categorias Indy, ainda nos anos 1990, após deixar a F-1, criou seu próprio departamento de motores nos Estados Unidos, fornecendo motores inicialmente para a antiga F-Indy, com o time de Bobby Rahal, mas o primeiro título veio apenas em 1996, com a Chip Ganassi e Jimmy Vasser. Depois, foram títulos consecutivos na F-Indy de 1997 até 2001, quando a Honda deixou a competição e migrou para a rival Indy Racing League, atual Indycar.

 

 

Não deixa de ser algo preocupante para a Indycar essa possibilidade da Honda abandonar o barco. O certame de monopostos dos Estados Unidos veio se consolidando nos últimos anos, tentando recuperar o terreno perdido na cisão motivada por Tony George nos anos 1990, e que resultou no fim da F-Indy original no início de 2008, restando apenas a IRL, atual Indycar, que mudou de dono e agora é propriedade de Roger Penske, que tem se esforçado para reforçar a categoria e torna-la mais saudável economicamente. Mas, na contenção de custos, os chassis continuam os mesmos há anos, e o lance dos motores não tem de fato atraído novas marcas para a competição, e se formos lembrar, a F-Indy original foi um show de variedade dos anos 1990, com participações de Porsche, Judd, Chevrolet, Honda, Toyota, Buick, e Ford, fora os chassis, que tinham como fornecedores a Lola, Reynard, Swift, e a Penske fabricando seu próprio carro. Uma diversidade que nunca mais se repetiu, e nem mencionei que tinha mais de um fornecedor de pneus, Goodyear e Firestone. Hoje diversidade virou tabu em nome da economia de gastos, mas parece que isso agora pode ter um efeito bumerangue na atratividade da competição...