sexta-feira, 3 de novembro de 2023

DISPUTA PELO VICE

Sergio Perez está sentindoa pressão de sua posição de vice-líder no campeonato estar perigando, e foi para o vai ou racha na largada do GP do México, e rachou, infelizmente.

              Restando três provas para o campeonato de F-1 de 2023 chegar ao fim, a emoção que resta na temporada é a disputa pelo vice-campeonato de pilotos, restrita entre o mexicano Sergio Perez, e o inglês Lewis Hamilton. Para muitos, um duelo que nem deveria acontecer, dada a diferença de performance entre o modelo RB19, dominador da temporada com a equipe Red Bull e o holandês Max Verstappen, e o modelo W14 da equipe Mercedes, um carro “remendado” na atual temporada, tendo sido reconfigurado após o time alemão abandonar o conceito “zeropod” adotado no início de 2022 e mantido no início desta temporada.

              Perez em teoria deveria ser o favorito nesta disputa, mas não é isso que temos visto, e o resultado do GP do México foi um balde de água fria para o mexicano, que justo na prova de seu país, foi com muita sede ao pote na largada, e na primeira curva, errou a tangência e acabou colidindo com a Ferrari de Charles LeClerc, sendo catapultado ao ar, e sofrendo danos comprometedores em seu Red Bull, fazendo Sergio abandonar a corrida ali mesmo, para desalento dos torcedores locais. E como desgraça pouca é bobagem, eis que Lewis Hamilton fez outra grande corrida, chegando novamente em 2º lugar, repetindo o desempenho visto na etapa anterior, nos Estados Unidos, e colocando o mexicano na alça de mira na pontuação do campeonato. Mas, se em Austin Perez teve o alento de ver Hamilton desclassificado por desgaste da prancha de resina do assoalho de seu carro, e com isso viu seu esforço na prova ir pelo ralo, no México, o ganho obtido nos Estados Unidos foi pelo ralo com a estripulia da primeira curva.

              Faltando três provas para fechar o campeonato, a diferença de 20 pontos que separa Perez de Hamilton não seria tão comprometedora, não fosse o histórico recente do mexicano na competição, ainda mais por ele dispor do melhor carro do grid. Mas a temporada de Sergio entrou em parafuso após a corrida de Miami, onde até então Perez vinha se mostrando um piloto muito forte, e que se não seria capaz de ameaçar o favoritismo de seu companheiro de equipe Max Verstappen, pelo menos poderia animar a competição com alguma esperança de disputa ocasional, ajudando a tornar a temporada menos previsível, e quem sabe, num lance de sorte, até discutir o título de fato com o piloto holandês. Seria difícil, claro, mas não impossível, e sonhar não custava nada.

              Mas aí, no GP de Mônaco, Perez bateu logo no início da classificação da corrida, e ferrou com suas chances na prova do Principado onde em 2022, havia vencido a corrida. Largando lá atrás, numa pista difícil como é Monte Carlo, suas expectativas na corrida já eram, até porque Verstappen, mais uma vez, largava na pole, e como não quer nada, venceu a corrida tranquilamente, e nunca mais o mexicano conseguiria se aproximar de seu companheiro de equipe no restante em diante da temporada. Enquanto o holandês vencia de forma ininterrupta quase todas as provas dali em diante, Sergio começava a oscilar nas provas, e sua presença no pódio passou a ser um pouco menos frequente. O baque psicológico do massacre imposto por Verstappen certamente foi decisivo para o mexicano não se encontrar mais na temporada.

              Não foi apenas isso, contudo. A Red Bull, no desenvolvimento do modelo RB19, começou a deixar o carro um pouco mais veloz, porém mais complicado de guiar, e Perez sentiu isso muito mais do que Verstappen, que foi tirando de letra as dificuldades com seu talento superior. E aqui cabe um esclarecimento: não é que o carro foi sendo desenvolvido para o estilo de pilotagem de Verstappen; o que acontece é que o carro ficou um pouco mais nervoso de ser conduzido, embora mais veloz, e um talento diferenciado como Max não encontrou dificuldades para extrair do bólido toda a sua performance, enquanto o mexicano, sem ter a mesma capacidade, começou a se sentir menos confiante para levar o carro ao limite. E acreditem, quando você não consegue ter confiança no bólido que conduz, isso faz diferença. E, tentando tirar essa diferença, pela pressão de ver Verstappen deslanchando no campeonato, vencendo praticamente todas as corridas, as coisas começaram a ficar mais complicadas para “Checo”, que foi ficando cada vez mais pra trás na pontuação.

              Isso levou a outro problema, que já virou praxe no time rubrotaurino: a fritura do segundo piloto da escuderia. E não demorou para Helmut Marko, dirigente que coordena o programa de pilotos da marca dos energéticos, começar a arrancar o couro publicamente de Perez, só apimentando ainda mais o ambiente sobre o mexicano, que de certo ponto, nem ia assim tão ruim, não fosse a comparação com a campanha arrasadora de Verstappen, que de Miami até a Itália, venceu praticamente 10 corridas consecutivas, detonando o recorde anterior que era de Sebastian Vettel, com a mesma Red Bull, em 2013, ano de seu último título mundial. Para muitos, o mexicano começou a ser “sabotado” pelo time, o que é um exagero sem nenhuma base real. Verstappen é melhor que Perez, e pronto. Porém, o nível de atenção que um piloto recebe do time também costuma fazer muita diferença, e Perez começou a ser deixado um pouco de lado, exceto pelo lance das cobranças e críticas públicas de Marko, que certamente não foram o melhor dos ambientes para aumentar a confiança e o apoio a Perez, que inclusive pediu para usar a configuração antiga do carro, para poder render mais, pedido que foi negado pela escuderia, a meu ver, totalmente desnecessário, dado o nível de domínio que a Red Bull estava impondo este ano. Desse modo, uma superioridade natural que seria esperada por parte do holandês sobre o mexicano acabou sendo até muito maior do que poderia ser de fato. E que foi só aumentando a olhos vistos.

Lewis Hamilton vem pilotando forte nas últimas corridas e se aproximando de Perez na classificação. O mexicano que abra o olho.

              Apesar dos pódios do 2º lugar na Bélgica e na Itália, Perez teve erros no Japão e desempenhos pífios em Cingapura e no Qatar, não demorando para surgirem as fofocas de um ultimato da equipe: se perdesse o vice-campeonato, também perderia o lugar na escuderia, tendo de arrumar um novo rumo na carreira para 2024, mesmo com contrato válido até o fim do próximo ano. Com a conquista do tricampeonato por parte de Verstappen, nada mais lógico do que centrar apoio no mexicano para ele render tudo o que pode na conquista do vice, certo? Deveria, mas o que se viu foi mais pressão por resultados, e não apoio por parte do time. Helmut Marko chegou a insinuar que por ser mexicano, Perez era um piloto inferior, e a declaração pegou muito mal, sendo necessário o dirigente se desculpar, após a ira de críticas dos fãs mexicanos. Resumindo, o time também teve parcela decisiva de culpa pela queda de rendimento do piloto mexicano, mas nem tudo fica na conta da direção da escuderia. Os erros de Sergio, em especial o ocorrido na primeira curva da etapa do México, mostraram que o piloto precisa lidar melhor com a pressão, e controlar o nervosismo. Chistian Horner pareceu colocar panos quentes na situação, enfatizando o apoio ao piloto, e reafirmando que seu contrato com o time em 2024 segue firme. Será mesmo? Pelo sim, pelo não, a Red Bull se previne, e a excelente prova de Daniel Ricciardo com a Alpha Tauri, com o 7º lugar conquistado na Cidade do México, mostra que Perez na melhor das hipóteses fica só até o fim do ano que vem como titular, com o australiano, caso repita a performance do último domingo, se credenciando a voltar para o time principal com muitos méritos. Mas, contratos podem ser relativos, e não seria a primeira vez que a Red Bull dá o dito pelo não dito, quando o assunto é defenestrar seus pilotos, portanto, até começar a temporada 2024, nada é seguro com relação à permanência de Perez no time dos energéticos.

              Enquanto isso, Lewis Hamilton veio crescendo na temporada. Apesar do comportamento irregular do modelo W14, que apesar de ter sido reconfigurado para um projeto mais convencional, ainda carrega muitos defeitos do conceito do “zeropod”, e se não evoluiu o suficiente para desafiar Verstappen, ao menos deu ao piloto oportunidade de se colocar na luta pelo vice-campeonato, muito mais graças à instável campanha de Perez nesta segunda metade do campeonato. E olhe que a disputa atrás da dupla da Red Bull na temporada foi cheia de altos e baixos para vários times e pilotos, entrando nessa cumbuca nada menos que Mercedes, Aston Martin, Ferrari, e mais recentemente, a McLaren. Cada um destes times em determinado momento foi a segunda força do grid, em que pese o fato de não terem conseguido questionar a hegemonia do time dos energéticos e do piloto holandês. Mas a Aston Martin empacou, e está caindo de produção nas últimas etapas, perdendo o rumo do desenvolvimento de seu carro. A Ferrari ora anda muito, ora anda pouco, e ainda se perde nas estratégias para complicar a situação, quando poderia lutar com mais afinco pelo vice-campeonato de construtores com a rival Mercedes. E a McLaren, devido a uma primeira metade de campeonato completamente desastrosa, tem muito chão para recuperar para entrar nessa briga, o que não vai ocorrer por estarmos na reta final da temporada.

              E a Mercedes, apesar de tudo, alcançou a vice-liderança graças aos esforços de sua dupla de pilotos, talvez a mais parelha do grid, seguida pela McLaren. Ainda que George Russell esteja devendo nesta temporada o mesmo brilhantismo que apresentou em 2022, ele costuma andar forte, e já chegou a ter algumas divididas com Hamilton na pista que deixou o pessoal no box meio ressabiado. E Hamilton mostra que sua decadência ainda é exagerada, como apregoam milhares de detratores do heptacampeão internet afora, chegando a trata-lo como “farsante” no que tange a grande piloto, argumentando que seus títulos foram mérito apenas do carro superior que pilotou na era hegemônica da Mercedes, e que agora, sem aquele supercarro, é alguém incapaz de vencer corridas. Menos idiotice, pessoal, menos...

              Não que Lewis esteja fazendo uma supertemporada com o que carro que tem, ele mesmo reconhece que este não está sendo um bom ano, e que ele próprio ainda está devendo, mas que ele está na briga pelo vice-campeonato, ainda que mais pela campanha instável de Perez, isso ele está, e no ritmo das últimas etapas, pode até terminar à frente do mexicano, se este não se aprumar como deve. Temos 3 provas para fechar o ano, e este fim de semana, aqui em Interlagos, ainda temos a última prova Sprint do ano. Hamilton terminou as duas últimas corridas em 2º lugar, ainda que tenha sido desclassificado em Austin, e vem andando forte neste fim de temporada. Não convém subestimar sua capacidade, até porque ele vem tendo um ano mais positivo que seu companheiro de equipe, que tem enfrentado mais problemas com o modelo W14 do que o heptacampeão. Mesmo assim, seria um grande feito para Hamilton conquistar o vice-campeonato, mesmo com todos os problemas de competitividade de seu carro, que parece ter melhorado um pouco após a introdução de um novo assoalho nos Estados Unidos, já visando o carro de 2024, mas que ainda desafia os pilotos e engenheiros da Mercedes na busca pelo seu melhor ajuste.

A Ferrari briga pelo vice com a Mercedes (acima), enquanto a Aston Martin (abaixo) perde terreno e já foi superada pela McLaren no campeonato de construtores.


              Christian Horner, diretor da Red Bull, ameniza o tom da disputa afirmando o óbvio, de que a aproximação de Hamilton é mais pelos problemas que Perez tem enfrentado do que um mérito mais próprio do heptacampeão, apesar de admitir que Lewis vem pilotando muito forte nas últimas corridas. Mas a teoria, pelo menos no que diz respeito ao mexicano, tem sido inversa, quando a realidade mostra uma potencial disputa onde Sergio é o azarão e o inglês o favorito na briga, pelo retrospecto recente, e que uma virada pode ocorrer já neste final de semana, a depender dos acontecimentos. Será? Vinte pontos ainda é muita coisa, e uma troca de posições, mesmo com outro infortúnio de Sergio, poderia vir mais na prova seguinte, em Las Vegas. Ou não, se Perez voltar a mostrar seu bom retrospecto em provas de rua, e despachar a ameaça do piloto da Mercedes de vez. Mas nada está garantido, e tudo pode acontecer.

              E não podemos esquecer também que a disputa pelo vice também ocorre no Mundial de Construtores, e envolve duas equipes: Mercedes e Ferrari, com o time de Maranello tentando descontar 22 pontos de desvantagem para o time alemão, numa briga que também promete ser acirrada, já que os dois carros tem tido oscilações de performance, ainda que a Ferrari, que teve o mérito de vencer uma prova em um ano de domínio implacável da Red Bull e de Verstappen, pareça tropeçar mais em si mesma do que na pista, complicando os esforços de sua dupla de pilotos na briga com os rivais de Brackley. Aqui em Interlagos, no ano passado, a Mercedes conseguiu seu melhor fim de semana no ano, com vitórias tanto na prova Sprint quanto na corrida principal, com George Russell. Será que eles repetem a performance este ano? Até meio da temporada, a Aston Martin seria forte candidata na parada, mas o time esmeralda despencou de rendimento, fora o fato de Fernando Alonso não ter tido em Lance Stroll um companheiro forte para trazer pontos ao time, muito pelo contrário. E a McLaren só chegaria nessa disputa se Mercedes e Ferrari ficarem zeradas completamente para poder descontar a diferença ainda existente, apesar de ainda termos muitos pontos em jogo na teoria.

              Pode parecer pouco ter de realçar uma briga pelo segundo lugar na temporada, mas com os títulos de pilotos e construtores já fechados, é o que nos resta de mais relevante. A menos que alguém ache que a disputa para ver quem ficará na lanterna da tabela seja mais empolgante de acompanhar, entre Haas, Williams, Alfa Romeo, e Alpha Tauri. Será esta disputa é melhor? Façam suas escolhas, e que vença o melhor, seja de qual duelo for...

 

Nico Hulkenberg atingiu a marca de 200 GPs disputados no Grande Prêmio do México. O piloto alemão, porém, é conhecido mais por um recorde incômodo de nunca ter conseguido um pódio sequer na categoria máxima do automobilismo até hoje, e na atual temporada, seu grande mérito foi ter retornado ao grid como piloto titular pela equipe Haas, escuderia que está longe de oferecer a Nico a chance de debutar finalmente no TOP-3 de algum GP. Hulkenberg estreou na temporada de 2010, como companheiro de Rubens Barrichello na equipe Williams. Na sua temporada de estréia, ele conseguiu sua primeira e única pole-position, aqui mesmo em Interlagos, em um treino caótico com chuva, mas na corrida, não conseguiu superar os rivais mais competitivos, terminando em 8º lugar. Ele perdeu seu lugar no time inglês para 2011, que preferiu os petrodólares de Pastor Maldonado, mas voltou à F-1 em 2012, como piloto titular da Force Índia. Em 2013 defendeu a Sauber, e entre 2014 e 2016 voltou à Force Índia, de onde saiu em 2017 para a equipe Renault, onde ficou até 2019, quando novamente ficou a pé na F-1. Entre 2020 e 2022, Nico acabou disputando alguns GPs substituindo pilotos com diagnóstico de Covid-19 nas equipes Racing Point e Aston Martin, novos nomes da antiga Force Índia após a escuderia ter sido adquirida por Lawrence Stroll. Na temporada atual, Nico tem se notabilizado por bons treinos de classificação, mas seu melhor resultado no ano foi um 7º lugar na Austrália. O piloto também acumula duas voltas mais rápidas na carreira e sua melhor classificação em uma temporada foi em 2018, quando terminou o ano em 7º lugar, com 69 pontos.

 

Confiram os horários para o Grande Prêmio do Brasil neste fim de semana: hoje, sexta-feira, temos o primeiro e único treino livre do fim de semana a partir das 11:30 Hrs. à tarde, às 15:00 Hrs., temos o treino de classificação para a corrida de domingo. Amanhã, sábado, teremos a classificação da prova Sprint às 11:00 Hrs., com a prova curta tendo sua largada às 15:30 Hrs. E a corrida no domingo, a partir das 14:00 Hrs.

 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

FLYING LAPS – OUTUBRO DE 2023

            E já chegamos ao mês de novembro, tendo deixado outubro para trás. Já estamos no penúltimo mês de 2023, e o ano se encaminha para sua reta final, com uma velocidade que parece tão ou até maior do que a dos bólidos de competição, e logo estaremos em 2024. Portanto, com mais um início de mês, é hora de relacionar aqui alguns acontecimentos do mundo da velocidade deste mês de outubro que se foi, em mais uma edição da sessão Flying Laps, como é de praxe, sempre com alguns comentários rápidos sobre os eventos citados. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início de dezembro, cada vez mais perto do fim de 2023...

E eis que a FIM divulgou o calendário do primeiro Campeonato Mundial Feminino de Motovelocidade, nova categoria que estréia em 2024, e como o nome diz, será disputada apenas por mulheres. A criação da nova categoria de competições feminina já tinha sido anunciada meses atrás, mas apenas neste mês de outubro a entidade que comanda o motociclismo mundial deu maiores detalhes e anunciou enfim as etapas que comporão a temporada de disputa, que será realizada junto com etapas do Mundial de Superbike. Teremos um total de seis etapas, nas datas a seguir anunciadas, e os respectivos circuitos que sediarão as provas: 14 a 16/06: GP da Emília-Romagna (Misano); 12 a 14/07: GP Da Grã-Bretanha (Donington Park); 9 a 11/08: GP De Portugal (Portimão); 23 a 25/08: GP Da Hungria (Balaton): 20 a 22/09: GP Da Itália (Cremona); e 11 a 13/10: GP Da Espanha (Jerez de La Frontera). As etapas do novo campeonato seguirão o esquema de competição do Mundial de Superbike, com cada etapa sendo composta de duas provas no fim de semana, de modo que teremos então 12 corridas. A FIM havia anunciado no momento da criação da nova competição que seria uma categoria monomarca, a fim de possibilitar a todas igualdade de equipamento, e onde o talento de cada competidora pudesse se sobressair. E junto com a apresentação do calendário, anunciou que todas vão correr com motos Yamaha modelo YZF-R7. As inscrições para o certame devem ser feitas até 31 de janeiro do próximo ano, com o anúncio das vagas ocorrendo em fevereiro de 2024. As competidoras interessadas em participar do campeonato precisam ter pelo menos 18 anos e podem optar por correr com uma equipe ou serem independentes. Haverá um teste de pré-temporada em data e local ainda a ser divulgado. A nova categoria deve ser uma boa oportunidade para as mulheres que desejam competir a fundo no motociclismo, já que na MotoGp até hoje nunca tivemos mulheres na competição na pista. Não deixa de ser uma iniciativa importante para as garotas que anseavam por uma competição de maior nível para mostrar sua capacidade e talento no comando de uma máquina mais possante. O fato de ser uma competição monomarca dará a todas as participantes condições iguais na pista, de modo que o talento de cada uma possa se destacar. Agora é esperar para ver quantas competidoras teremos, e como as corridas se apresentarão. Que a empreitada seja bem- sucedida, e se mostre viável, oferecendo uma excelente oportunidade de competição para as mulheres, que merecem ter seu lugar no mundo do esporte a motor.

 

 

Antes tarde do que nunca, diz um ditado popular. Pietro Fittipaldi, após ficar “empacado” como piloto de testes e reserva da equipe Haas na F-1, decidiu dar novos ares à sua carreira, e em 2024, irá disputar o campeonato da Indycar em tempo integral, tendo assinado contrato com a Rahal/Letterman/Lanigan, ocupando um dos carros da escuderia sediada em Ohio, no Estados Unidos. Pietro já disputou o certame de monopostos dos Estados Unidos alguns anos atrás, mas em participações apenas em determinadas corridas, e na época, também deu azar de se acidentar em uma corrida do Mundial de Endurance, o que comprometeu seu desempenho nas corridas, impedindo de aproveitar a oportunidade como deveria. Mas agora Pietro irá cumprir toda a temporada da Indycar, como piloto titular efetivo do time comandado por Bobby Rahal, e em teoria disporá de um carro competitivo onde poderá mostrar o seu talento e capacidade. Pietro ocupará o carro Nº 30, que neste ano foi ocupado por Jack Harvey nas primeiras 14 provas da temporada, quando o piloto britânico acabou dispensado por falta de resultados. Este ano, apesar de alguns percalços, a escuderia teve bom desempenho em algumas provas, com direito até a algumas pole-positions com seus pilotos Graham Rahal e Christian Lundgaard, sendo que este venceu o GP de Toronto, e terminou a temporada em 8º lugar, à frente até dos pilotos da Andretti na competição. Rahal, por outro lado, teve uma temporada menos vistosa, e foi apenas o 15º colocado na competição. Pietro terá competição forte no time, que busca recuperar protagonismo na categoria, e por isso mesmo, a oportunidade vem a calhar para o piloto dar uma retomada firme em sua carreira, depois de ver que, sendo piloto reserva e de testes da Haas, não iria a lugar nenhum, apesar de ter feito algumas provas em outras categorias, como o Mundial de Endurance, mas de forma ocasional, aqui e ali, sem dar um foco claro sobre qual competição se dedicar. Na verdade, meio que já deu para o piloto perceber que a Haas, apesar dos discursos de “valorização” sobre o piloto brasileiro, na verdade virou uma conversa para boi dormir, pois o time nestes últimos dois anos preferiu repatriar ex-pilotos da F-1 de volta ao grid da categoria máxima do automobilismo do que apostar na “prata da casa” como poderia ter feito se quisesse de fato mostrar que valoriza o trabalho desempenhado pelo brasileiro nos bastidores. Não que Kevin Magnussen e Nico Hulkenberg não merecessem a chance, mas Pietro nem chegou a ser cogitado para uma análise válida para ocupar um dos lugares titulares da escuderia, então, está mais do que na hora de procurar um lugar mais efetivo para competir, se quiser de fato ter maior destaque como piloto. Pietro ainda cogita, contudo, seguir como piloto de testes da Haas na F-1, algo que será bem complicado diante de muitas datas dos dois campeonatos, pelo menos até o mês de setembro, quando a Indycar encerra sua competição, mas a escuderia de Gene Haas ainda não se manifestou a respeito disso. Ao menos, com Pietro, o Brasil ainda mantém um piloto no grid da Indycar, que até então, pelo menos em 2024, ficaria restrito a Hélio Castro Neves nas 500 Milhas de Indianápolis, e agora teremos um brasileiro em toda a temporada, além de vermos o nome Fittipaldi de volta a uma categoria Indy, depois das passagens de seu avô Émerson e de Christian na antiga F-Indy, décadas atrás.

 

 

E Pietro pode não ser o único brasileiro novo na Indycar em 2024. Segundo notícia recente, seu irmão mais novo, Enzo, que disputa a F-2 este ano, fará um teste com e equipe Dale Coyne agora em novembro, na pista de Sebring. A Red Bull confirmou que o brasileiro não fará mais parte de sua academia de pilotos no próximo ano, o que em tese indica que o brasileiro pode ter começado a procurar alternativas, e o teste com a equipe da Indycar pode já visar lutar por uma vaga para competir na próxima temporada. Nada está garantido, porém, de que Enzo tenha chances efetivas de alinhar no grid, mas seria uma boa opção e mudança de ares. Se tiver um bom patrocínio, isso ajudará a lutar pela vaga no time, que geralmente depende muito dos patrocínios trazidos por seus pilotos. Pietro e Enzo já manifestaram desejo de poderem competir juntos em uma mesma categoria, e os Fittipaldi não seriam os primeiros a ter feito isso, lembrando de quando Mario e Michael Andretti competiam na antiga F-Indy, que em determinado momento contou também com a presença de John Andretti, lembrando que Al Unser e seu filho Al Unser Jr. também dividiram pistas na antiga Indy nos anos 1980. E a própria família Fittipaldi também teve Émerson disputando o campeonato de 1995 e 1996 com seu sobrinho Christian na competição. Mas cabe a Enzo mostrar sua capacidade para impressionar a escuderia norte-americana, se quiser realmente brigar por uma vaga, pois certamente não vai ser o único interessado nessa vaga. Mas seria interessante ver os irmãos Fittipaldi dando seguimento à presença do clã nas categorias Indy, além de garantir um interesse maior dos torcedores nacionais pelo campeonato dos Estados Unidos.

 

 

E Kalle Rovanperä, atual campeão do Mundial de Rali, conquistou o bicampeonato na penúltima etapa da temporada, ao terminar na 2ª colocação o Rally da Europa Central. Kalle, que já havia feito história na competição em 2022 ao se tornar o mais jovem campeão da competição, com apenas 22 anos, disputava o título com seu companheiro da equipe Toyota, Elfyn Evans, que precisava descontar uma grande vantagem para tentar tirar o título do finlandês, que só precisava chegar à sua frente para garantir o segundo título. Mas Evans acabou sofrendo um acidente com seu carro, abandonando a etapa, o que garantiu o título de Kalle Rovanperä pelo segundo ano consecutivo. Com seu único adversário fora de combate, o finlandês até abrandou o ritmo para evitar problemas, e com isso, acabou superado pelo belga Thierry Neuville, da Hyundai, que venceu pela segunda vez na temporada. Resta agora apenas o Rally do Japão, em Aichi, no mês de novembro, para fechar o campeonato, e a disputa ainda não acabou. Com o abandono de Evans, e a vitória de Neuville, o belga ficou agora com 184 pontos, contra 191 de Elfyn Evans, que vê até seu vice-campeonato em perigo, diante da aproximação do piloto da Hyundai, ameaçando a dobradinha da Toyota na classificação. Neuville, por sua vez, deve ir para o ataque, buscando a 2ª colocação na tabela, já que tem uma certa folga para o 4º colocado, Ott Tanak, da Ford, em 22 pontos, o que lhe dá tranquilidade para atacar Evans sem se preocupar tanto em perder sua colocação para Tanak. Será que estamos vendo o início de uma nova dinastia no Mundial de Rali? Sébastien Loeb reinou por 9 anos consecutivos, enquanto Sébastien Ogier, por sua vez, também obteve vários títulos consecutivos, e até poderia ter lutado pelo caneco em 2023 se estivesse competindo a tempo integral na competição, e não apenas em algumas etapas. Mas é o segundo título consecutivo de Kalle Rovanperä, com o mesmo time, a Toyota, e isso já faz dele o homem a ser batido na temporada de 2024. Será que vem aí um terceiro título consecutivo? Os rivais já começam a ficar com a pulga atrás da orelha com a possibilidade de verem uma nova dinastia na competição, e para piorar a situação, o novo bicampeão é bem novo, muito mais novo que seus principais rivais, o que pode significar que seu reinado, se vier a se confirmar, pode ter tudo para ser beeem longo...

 

 

A Formula-E teve neste mês de outubro sua sessão de testes de pré-temporada para 2024, e as coisas ficaram literalmente quentes na pista de Valência, onde mais uma vez a categoria dos carros monopostos elétricos fizeram sua preparação. Ocorreu um incêndio no box da Williams Advanced Engineering, empresa que fornece as baterias para todos os carros da competição, que chegou a preocupar, a ponto de o autódromo ter sido evacuado por precaução. O incidente acabou interrompendo os testes por quase dois dias, o que fez com que parte do tempo de preparação das equipes fosse perdido. Parte dos treinos posteriores tiveram sua duração aumentada, mas mesmo assim, o tempo de preparação dos times acabou inferior ao programado. Não se sabe ainda se a direção da categoria irá repor este tempo perdido, realizando uma nova sessão de testes coletivos, o que seria bem-vindo para as escuderias completarem sua preparação, já que com o incêndio, alguns pilotos e times não conseguiram realizar suas atividades a contento, por problemas derivados do incêndio. A Mahindra, por exemplo, teve danos significativos, perdendo boa parte de sua programação de testes. Felizmente, ninguém se feriu, e depois de vários trabalhos das equipes de segurança inclusive nos dias seguintes, parte da programação pode ser retomada. Mesmo assim, o incêndio preocupou, por ter sido originado de uma bateria que havia sido usada por um dos carros da equipe DS Penske no primeiro treino do dia, quando o mesmo acabou tendo um percalço na pista. A bateria foi encaminhada para análise depois do encerramento do treino matutino, e houve uma explosão no box, ocasionando o incêndio. Em praticamente dez anos de existência, a F-E nunca teve um problema desse tipo com os sistemas de baterias utilizados nos carros da competição, e estando para iniciar a segunda temporada com os novos carros Gen3, com seus novos sistemas de baterias bem mais potentes, é de se verificar se as condições de segurança do equipamento estão de fato em ordem, e se não oferecem nenhum problema que possa colocar os pilotos e a competição em risco.

 

 

A Formula-E também oficializou o seu calendário para a temporada de 2024, com 16 corridas programadas. A temporada começa no dia 13 de janeiro, com a etapa da Cidade do México, no Autódromo Hermanos Rodriguez. Nos dias 26 e 27 de janeiro, teremos a rodada dupla em Diryah, na Arábia Saudita. Dia 10 de fevereiro é a vez de Hyderabad, na Índia, prova que estava em risco, mas acabou garantida na competição. No dia 16 de março é o ePrix de São Paulo, aqui no Brasil; e no dia 30 de março, a nova etapa de Tóquio, no Japão. Dias 13 e 14 de abril deverá ser na Itália, em cidade ainda a ser anunciada. Dia 27 de abril, teremos Mônaco. Dias 11 e 12 de maio em Berlim, Alemanha; 25 e 26 em Xanghai, China; 29 de junho em Portland, Estados Unidos; e dias 20 e 21 de julho fechando a competição, em Londres, na Inglaterra.