sexta-feira, 5 de maio de 2023

FIASCO ANUNCIADO?

Se a chapa esquentou, literalmente, para Pierre Gasly no único treino livre em Baku, o resto do fim de semana foi um balde de água fria nas pretensões da FIA e da Liberty Media em tentar promover mais emoção e disputas com as novas regras para as corridas Sprint, que se mostraram inócuas.

            O primeiro Grande Prêmio da temporada de F-1 de 2023 realizado com uma prova Sprint deixou uma sensação contundente no público e no pessoal que participa da competição, mas não no sentido esperado pelos organizadores. Muito pelo contrário. No que deveria ser uma aposta para resultar em mais disputas e emoções, o que vimos foi uma disputa monótona, enfadonha, e sem qualquer emoção que faça juz à perda do tempo assistindo às atividades de competição de um fim de semana de Grande Prêmio. Nada do que foi prometido se concretizou. Ao limitar parte das atividades, esperava-se gerar um pequeno caos que deixasse times e competidores na berlinda, misturando as possibilidades e oferecendo um cenário de incerteza que pudesse oferecer mais surpresas. Isso até ocorreu, em parte, e com resultados igualmente desastrosos.

            Um fiasco anunciado? Muito, até. Mas, claro, como muitos tinham esperança de que as alterações dessem certo, as críticas antes do fim de semana foram amenas. Na teoria, tem muita coisa que parece interessante. Na prática, que é o que interessa de fato, tudo pode confirmar a teoria, ou não, muito pelo contrário. De uma aposta interessante, que até os pilotos achavam que poderia ser mais viável, tudo o que se viu foi uma sensação de perda de tempo monumental, que em praticamente nada agregou ao fim de semana de GP.

            Pior: tanto a prova Sprint, no sábado, como a corrida no domingo, careceram de maiores disputas e emoções, resultando no pior GP do ano até aqui, e olhe que as outras corridas já não foram nem um pouco inspiradoras, para mostrar que o buraco ficou ainda mais embaixo. Se alguns sinais pareciam encorajadores, outros, mais óbvios, prenunciavam que as coisas poderiam dar errado. Pois os sinais encorajadores foram um tiro pela culatra, enquanto os que indicavam o erro das opções se mostraram mais certeiros do que se imaginava.

            Uma obviedade: Baku era um péssimo lugar para se testar mudanças na corrida Sprint. Um circuito de rua, e de alta velocidade, onde o risco de problemas já era grande. E Alpine e Alpha Tauri confirmaram problemas com seus pilotos que praticamente comprometeram o fim de semana deles, e olha que tiveram mais de um incidente cada um, no caso de Nyck De Vries, e Pierre Gasly. O único treino livre na sexta-feira não deu para pilotos e equipes acertarem da melhor maneira seus carros, de modo que, com exceção óbvia da Red Bull, e um pouco para Ferrari, Aston Martin e Mercedes, todos os demais times e pilotos ficaram devendo, sem conseguirem acertos melhores para a corrida. Aliás, a regra do parque fechado em um fim de semana de Sprint revela-se um grande revés, para times, pilotos, e para o próprio GP, já que problemas surgidos na Sprint que exigiram consertos nos carros comprometem as posições de largada originais por “quebra” do parque fechado. Na falta de tempo, todo mundo tem de adotar soluções de compromisso, de forma quem nem sempre se acha o melhor desempenho. Mas, quem disse que a FIA ouve o pessoal? Ela vem baixando as regras goela abaixo, ainda que discuta algumas delas com todo mundo, mas no caso da Sprint em Baku, tudo acabou discutido em cima da hora, e claro, sem se analisar todos os pormenores necessários. Mesmo entre times e pilotos, apesar de certo consenso, as expectativas já não eram muito animadas. Mas, acabou-se indo adiante do mesmo jeito, e seja o que Deus quiser...

            Sejamos francos: as corridas Sprint viraram mais um mico do que uma solução para trazer mais emoção à F-1. Com exceção à edição do Brasil, onde as duas provas Sprint, de 2021 e 2022, ofereceram de fato disputas e emoção ao público, as demais provas realizadas em outros lugares não agregaram nada aos fins de semana de GPs realizados.

Com a zona do DRS na reta principal mais curta, as ultrapassagens ficaram mais complicadas. Até demais, tirando emoção da corrida. E a FIA se prepara para fazer a mesma burrada neste fim de semana em Miami...

            E a resposta é a mais óbvia possível: ninguém quer comprometer seu fim de semana de GP, cujo objetivo primordial é a corrida do domingo, fazendo alguma besteira numa corrida curta aos sábados. Com um regulamento recheado de normas imbecis restringindo o uso de diversos componentes dos carros de competição em números ínfimos, com a extrapolação do limite resultando em punição na posição do grid, como esperar que os pilotos se arrisquem sabendo que a recompensa não vale o seu custo?

            Começo pelo ponto que já repeti diversas vezes: corridas são o esforço máximo de um propulsor, e a FIA, há quase uma década, impôs uma restrição leonina de apenas 3 unidades por temporada. Quanto mais corridas, longas ou curtas, mais quilometragem as unidades precisam aguentar. O recente aumento em mais uma unidade por temporada, acertado semana passada, é mero paliativo, não resolvendo absolutamente nada, em uma temporada tão longa. E vamos lembrar que tem outros componentes com limitação de unidades para uso durante o ano. Assim, em uma corrida curta, se você está fora dos pontos, e forçar o ritmo é arriscado, e sem chance de chegar à frente, quem é que vai querer forçar o carro. Foi o que vimos em Baku, onde teve até piloto que fez pit stop, porque como não ia pontuar mesmo, resolveu fazer teste de ritmo de corrida com os pneus. A corrida mesmo se resumiu a uma ou outra disputa, como a de Max Verstappen e George Russell logo no início, com o inglês superando o holandês com um toque da Mercedes na Red Bull que deixou o bicampeão indignado com o “excesso de agressividade e risco” – justo ele, Verstappen, falando disso? Mas, com Yuki Tsunoda perdendo uma roda e pneu, tivemos o Safety Car, e com isso, nada de disputa. Com a prova curta recomeçada, Verstappen recuperou a posição perdida para Russell, e ficou nisso. Uma monotonia do começo ao fim. Mesmo os ponteiros pouco fizeram. Sergio Pérez assumiu a ponta e de lá não mais saiu. E só. Com as posições da corrida de domingo agora sendo definidas em uma classificação só para isso, ninguém tentou dar o ar da graça na Sprint, que agora tendo uma classificação só dela, tivemos na prática uma corrida e classificação “extras” que em nada alteravam o resto do fim de semana. Se jogássemos o sábado de Baku fora, ninguém daria falta de nada, para ver como o experimento das novas regras deu com os burros n’água.

            FIA e Liberty Media parecem cada vez mais perdidos recentemente. Os exemplos são tantos que levaria uma semana para colocar tudo aqui, e poderia encher um livro inteiro. Stefano Domenicalli, como alguém que teve a vivência da F-1 por muitos anos, parece não compreender mais a categoria que comanda comercialmente como CEO do Liberty Media. E é incrível como a FIA, por sua vez, se enrola sozinha, em situações simples, que poderiam ser resolvidas com soluções teoricamente simples, demonstrando um despreparo e amadorismo incompatíveis para a categoria que se arvora como a TOP de todos os campeonatos do mundo do esporte a motor.

Confusão no pit lane de Baku: começaram a montar o procedimento pós-corrida com a corrida ainda em andamento, enquanto Ocon entrava para fazer seu pit stop...

            Em Baku, novamente a entidade complicou o que não precisava ser complicado: demorou para acionar o Safety Car tanto no sábado quanto no domingo, o que influenciou na corrida de alguns pilotos, entre eles, Verstappen, no domingo, que se viu prejudicado quando foi ao box trocar pneus. Depois, no pódio, acabou trocando as posições de Verstappen e de Charles LeClerc, tendo de trocar a marcação de bandeiras, quando viu a gafe, e seguiu desse jeito então. Tanto formalismo para quê? Mas isso ainda foi café pequeno: poderíamos ter tido um acidente sério quando Esteban Ocon entrou no box na penúltima volta para a troca obrigatória de pneus, e todo mundo já estava aglomerado no pit lane com as posições dos três primeiros colocados já demarcadas para se posicionarem ao fim da corrida, que nem tinha acabado ainda. Felizmente, nada aconteceu, mas... A FIA é cheia de moral para aplicar multas de procedimentos inseguros no pit lane às equipes que fazem alguma burrada. Mas, e quando ela própria faz besteira? Vai multar a si mesma e aplicar alguma punição? Deveria, para deixar de ser besta, no mínimo...

            O regulamento está cheio de normas que só prejudicam a competição, e como se isso ainda não bastasse, a FIA ainda joga na contramão: em Baku, por exemplo, a entidade reduziu a zona do DRS na reta principal em cerca de 100 metros. O objetivo era dificultar as ultrapassagens, de forma a não deixar tudo tão fácil. Certo. Conseguiu dificultar, mas até demais! Com exceção da dupla da Red Bull, todos os demais competidores tiveram extrema dificuldade em tentar ultrapassar na reta, mesmo com o uso do DRS. A dupla da Mercedes, por exemplo: Lewis Hamilton ficou mais da metade da corrida embutido em Carlos Sainz, sem conseguir passar o espanhol, com DRS e tudo; George Russel, por sua vez, ficou empacado atrás de Lance Stroll, com resultados tão infrutíferos quanto os de Hamilton. Foram apenas 18 ultrapassagens durante toda a corrida de domingo, e em um circuito com trechos tão longos de reta como Baku, isso mostrou quão enfadonha foram as disputas de posição durante a prova. As reclamações foram gerais a respeito disso, mostrando que a FIA meteu os pés pelas mãos ao mexer na zona do DRS da grande reta.

Charles LeClerc foi pole na prova Sprint e na corrida de domingo, mas não conseguiu impedir novos triunfos da favorita Red Bull.

            E, mostrando que não aprende mesmo, eis que a FIA anunciou ontem, apesar de todas as reclamações dos pilotos, e dos fatos comprobatórios de como isso foi um tiro no pé em Baku, que duas das três zonas de DRS da pista de Miami, onde a F-1 corre neste fim de semana, serão reduzidas em 75 metros, com o mesmo objetivo visado no Azerbaijão. É mole? Vamos lembrar que no ano passado, a corrida da cidade da Flórida já não foi nenhum primor, e a FIA, contra tudo e contra todos, rema na direção contrária. E ainda espera que a corrida apresente emoção e disputas? A entidade que comanda o automobilismo mundial ficou retardada, ou acha que todo mundo é imbecil para acreditar que medidas tão idiotas vão funcionar? Não sei nem o que dizer...

            O pior é ver que medidas tecnicamente lógicas, e que tinham tudo para melhorar o show, tiveram o efeito contrário ao pretendido. Nem tanto pelas regras em si, mas pelo trabalho feito em cima delas. No ano passado, a expectativa de que as novas regras técnicas ajudassem a melhorar a competição, com o retorno do efeito-solo, e novas diretrizes que em teoria ajudavam nas tentativas de ultrapassagens pareciam ótimas no papel, além da darem às escuderias a chance de efetuarem o “pulo do gato” se fizessem um trabalho mais competente na interpretação das regras. Se por um lado as ultrapassagens realmente melhoraram – um benefício relativo, já que mesmo assim não se pôde prescindir do sistema do DRS nas corridas, por outro lado, as escuderias fracassaram no objetivo de melhorarem suas performances em relação aos concorrentes. A Ferrari começou o ano bem forte, ao lado de uma Red Bull que mantinha a força vista no excelente ano de 2021, mas a Mercedes, tendo feito uma aposta em um conceito diferente, deu com os burros n’água, produzindo seu pior carro desde a temporada de 2013. Pior que, conforme a temporada avançava, a Ferrari desandou, a Red Bull deslanchou, e a Mercedes ficou onde estava, enquanto os demais times não apenas não conseguiram chegar mais à frente, como até ficaram mais para trás. Não se pode culpar as regras quando a imensa maioria dos times não se mostrou à altura do desafio e perdeu a oportunidade de mudar seu status na relação de forças da competição.

            Para esta temporada, com uma compreensão bem melhor das novas regras técnicas, esperava-se que os times pudessem ficar mais equilibrados, mas como desgraça pouca é bobagem, deu tudo errado novamente. A Red Bull não apenas manteve sua força, como está mais favorita do que nunca. A Ferrari empacou, e a Mercedes não voltou para a briga como se esperava. E os demais times se afundaram ainda mais na disputa na segunda metade – a de trás, do grid. A única exceção foi a Aston Martin, que começou a colher os frutos de seu investimento nos últimos dois anos, e hoje briga pelo posto de 2ª força do grid, disputando junto com Ferrari e Mercedes, mas igualmente incapaz de desafiar efetivamente o domínio do time dos energéticos.

            Já tivemos momentos de domínio de outros times na F-1, como a recente era de hegemonia da Mercedes, mas a situação atual parece até pior, porque não se vislumbra uma chance de a disputa sofrer alterações. Muito pelo contrário, tudo parece caminhar para a mesmice, e sem esperanças de mudança. Talvez porque tenhamos visto tantas lambanças ultimamente, que já tenhamos jogado a toalha, e visto que não dá mais para esperar algo melhor. Talvez seja melhor ir assistir a outros certames, em busca de corridas interessantes, e sem tanta palhaçada. Definitivamente, a F-1 cansou... E estou sendo educado, ainda por cima, porque a vontade era de falar coisas verdadeiramente impublicáveis a respeito disso... Mas para que gastar tanta energia, parecendo que as idiotices da cartolagem vão continuar, e as corridas passam a virar um entretenimento cada vez mais dispensável? Seria bom que este fim de semana me fizesse quebrar a cara, mas todo mundo já espera outro festival de chatice... Mas, quem sabe ainda tenhamos alguma esperança... Mas que está difícil, está...

 

 

Se teve um piloto que comemorou o fim de semana do GP do Azerbaijão este ano foi Sergio Pérez. O piloto mexicano saiu de Baku quase com a pontuação máxima de um fim de semana de GP com corrida Sprint. Sergio venceu as duas provas, marcando 33 de 34 pontos possíveis. Só escapou o ponto da volta mais rápida do domingo, arrebatada por George Russell, com pneus macios na volta final após ir ao box. De quebra, o mexicano encostou em Max Verstappen na pontuação do campeonato, mostrando uma diferença de pontos que poucos apostariam que seria possível, dada a preferência da escuderia austríaca pelo holandês. Perez tem se mostrado forte em circuitos de rua, e na atual temporada, ele venceu tanto em Jeddah quanto em Baku. E hoje começam os treinos oficiais para o GP de Miami, outra corrida disputada em circuito urbano. Se Pérez demonstrar aqui a mesma desenvoltura do fim de semana passado, e vencer novamente, ele deverá assumir a liderança do campeonato, o que pode melindrar Max Verstappen e deixar o atual bicampeão mundial em uma situação que ele não vivencia há muito tempo, a de ser superado por um companheiro de equipe. A Red Bull, claro, fala que seus pilotos estão liberados para disputar, ciente da superioridade que possui na atual temporada. Será que dá para acreditar nisso? É claro que Verstappen é mais piloto que Pérez, mas isso não significa que, se fizer seu trabalho direito, o mexicano não pode engrossar a parada e complicar a disputa de um título que até então tinha somente um único e destacado favorito. Para o bem da competição, isso é o que pode salvar um campeonato que até aqui vem devendo muito em disputa e emoção. Até onde a Red Bull vai deixar a disputa correr solta? O time sempre tratou Max Verstappen a pão-de-ló, passando a mão na cabeça mesmo nos momentos mais escabrosos do holandês na pista, quando chegou a abalroar e até jogar fora da corrida o próprio companheiro de equipe. Se nenhum dos outros times mostrar capacidade de reação a ponto de ameaçar a supremacia da Red Bull, não há porque interferir na disputa, deixando que ambos lutem abertamente. Mas como Verstappen irá reagir a essa situação, que se não é inédita na carreira, é nova no sentido de duelar pelo título com um companheiro de equipe que deveria ser apenas o “segundão” do time.

Sergio Pérez venceu a corrida Sprint e a prova de domingo, comemorando muito no pódio. Por que será que Max Verstappen não compartilhava da mesma alegria...?

 

 

A Formula-E chegou a Mônaco para o ePrix do principado, que será disputado neste sábado, a partir das 10:00 Hrs., pelo horário de Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports e pelo canal aberto da TV Bandeirantes, com a transmissão nos respectivos canais começando a partir das 09:30 Hrs., assim como também pelo canal do site Grande Prêmio no You Tube. Pascal Wehrlein chega em um momento decisivo na temporada 2023, com o piloto alemão da Porsche ainda na liderança da competição, mas vendo os concorrentes chegarem cada vez mais perto, em especial Nick Cassidy, da Envision, vencedor da última corrida, e que pode assumir a dianteira do campeonato, se não houver uma reação tanto da Porsche quanto de Pascal. O piloto, que subiu ao pódio na etapa inaugural, na Cidade do México, e venceu com autoridade as duas provas da rodada dupla em Diryah, na Árabia Saudita, despencou nos resultados dali em diante, não conseguindo mais manter o mesmo ritmo visto no início da temporada, quando dava a impressão de que ele e a Porsche seriam os grandes favoritos para a luta pelo título. Pascal até tem conseguido pontuar regularmente, mas abaixo dos rivais. A sua sorte é que, até o presente momento, a vantagem na pontuação o tem mantido em relativa segurança da maioria dos demais pilotos, com exceção de Cassidy, que está apenas 4 pontos atrás na contagem do campeonato, e dependendo do que virmos amanhã, tem tudo para ser o novo líder da competição. Os demais concorrentes em potencial, como Jean-Éric Vergne e Jake Dennis, que já venceram corridas no ano, ainda encontram-se relativamente distantes na pontuação, mas podem chegar para a briga, no ritmo em que o piloto da Porsche vem pontuando nas últimas provas. A marca alemã também vê sua posição ameaçada seriamente pela Jaguar, em especial pelo time cliente da marca britânica, a Envision, que vem encostando no time alemão na pontuação, estando apenas 15 pontos atrás. Já o time oficial da Jaguar ainda está a 30 pontos de distância, uma diferença razoável, mas que tem tudo para ser pulverizada, pelo que temos visto. Vale lembrar que a temporada da F-E 2023 tem um total de 16 corridas, sendo que oito delas já foram realizadas, restando as outras oito, e com um panorama de luta pelo título completamente indefinido no momento. Vimos uma grande disputa e um pelotão bastante compacto na rodada dupla realizada na pista de Tempelhof, em Berlim, e fica a expectativa do que poderemos ver em Monte Carlo, uma pista que é tradicionalmente desfavorável em pontos de ultrapassagem, como temos visto na F-1 há muitos anos. Mas os carros da F-E, com sistemas de frenagem não tão eficientes, para não mencionar que os novos carros Gen3 são menores também, podem nos oferecer um panorama bem diferente na corrida. Vamos ver quem consegue triunfar na corrida amanhã, e não faltam opções na disputa.

A F-E agora usa o mesmo traçado da F-1 no seu ePrix de Mônaco, mas tem chances muito melhores de fazer uma boa corrida que a categoria máxima do automobilismo.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

FLYING LAPS – ABRIL DE 2023

            E já estamos no mês de maio, tendo deixado para trás o primeiro mês do segundo trimestre de 2023, que mais uma vez, parece ter começado ontem. O tempo parece continuar voando, tão rápido quanto os bólidos dos principais campeonatos do mundo da velocidade. E todo início de mês é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns acontecimentos do mundo da velocidade ocorridos neste último mês de abril, com destaque para os andamentos da MotoGp e da Formula-E, sempre com alguns comentários rápidos sobre os eventos citados. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do próximo mês, já em junho...

Uma no cravo, outra na ferradura, poderíamos dizer do tradicional ditado popular. Bem, no Grande Prêmio dos Estados Unidos de MotoGP, disputado no belo Circuito das Américas, em Austin, Texas, Francesco Bagnaia resolveu lavar a honra maculada com a queda na etapa anterior, na Argentina, quando vinha para uma tranquila segunda posição. O atual campeão mundial fez uma performance firme na corrida Sprint, no sábado, sem cometer erros, mesmo diante de um inspirado Álex Rins, que tomou a dianteira de Bagnaia no arranque da largada, e resistiu firme no início, até que o italiano da Ducati assumiu a dianteira para não mais perde-la. Atuação irrepreensível, portanto, ajudando a esquecer o mau momento vivido em Termas do Rio Hondo. Mas, no domingo, na corrida principal, eis que Bagnaia voltou a cair, perdendo novamente a chance de vencer como fizera na véspera. Com isso, um retrospecto preocupante para o atual campeão do mundo, que em 6 provas, 3 principais e 3 Sprints, acumulou 2 quedas, evitáveis na opinião da maioria, fazendo reacender os temores de 2022, quando o italiano perdeu vários resultados potenciais na primeira metade da temporada, em virtude de quedas, precisando ir recuperar a desvantagem para os rivais, o que conseguiu com notável capacidade a partir do meio do campeonato, chegando a pulverizar uma desvantagem de 91 pontos para o então líder Fabio Quartararo. A favor de Bagnaia está o fato dos rivais não estarem tão fortes como no ano passado, e o modelo 2023 da Desmosédici ser bem mais dócil do que a moto do ano passado. Mas, mesmo assim, não se pode marcar bobeira, e quando se é um campeão, erros costumam ser muito mais cobrados do que de outros pilotos. Não há motivos para se preocupar no momento, mas é preciso tomar cuidado para não se errar novamente, ainda mais quando se é o favorito ao título, e ainda teve a facilidade de seu companheiro de time ficar de fora de algumas provas por causa de um acidente sofrido logo na primeira etapa, o que impediu uma competição interna no time de fábrica da Ducati. Portanto, “Pecco” ainda tem tudo para deslanchar na temporada, e lutar firme pelo bicampeonato. Basta ele ficar mais atento, e não dar mole para o azar. Por enquanto, quem comemora suas quedas são os concorrentes e a torcida por um campeonato mais equilibrado, já que por enquanto estamos vendo uma disputa mais parelha do que se pensava.

 

 

O grande destaque da etapa dos Estados Unidos na MotoGp este ano foi Álex Rins. O piloto, egresso da Suzuki, que se retirou da competição, acabou na equipe satélite da Honda, a LCR, enquanto seu ex-parceiro Joan Mir foi para o time de fábrica, correr ao lado de Marc Márquez. Rins se queixou de que, no planejamento da Honda para os fins de semana de corridas, estaria sendo subaproveitado pela marca nipônica, que poderia contar mais com ele. Bom, com a ausência forçada de Márquez em alguns GPs devido a ter fraturado a mão na etapa de Portimão, eis que a Honda ficou novamente à deriva neste início de competição, sem sua maior estrela, ainda mais em Austin, corrida que nos últimos anos foi quase inteiramente monopolizada pela “Formiga Atômica”. Mas Rins conseguiu quebrar essa marca este ano, e inclusive devolvendo à Honda um pouco do sabor de glória que anda tão escasso nos resultados da marca japonesa. O piloto italiano brilhou na prova Sprint, chegando a duelar no início com Francesco Bagnaia, mas acabando por terminar em 2º lugar, sempre estando atrás do atual campeão. Esse cenário se repetiu no domingo, com Álex comboiando “Pecco”, mantendo sempre o atual campeão na alça de mira, esperando por uma oportunidade. E ela veio, quando Bagnaia caiu, deixando a liderança com o espanhol da LCR. Mas não foi um triunfo fácil: Luca Marini vinha firme no seu encalço, seguido por Fabio Quartararo, que conseguia uma brilhante recuperação na prova. Mas Rins segurou a onda, não deixou os rivais pressionarem, a cruzou a linha de chegada com pouco mais de 3s de vantagem, coroando sua primeira vitória pela Honda. Rins venceu a etapa de encerramento da temporada de 2022, em Valência, na corrida de despedida de seu antigo time, a Suzuki, onde tinha vencido também o GP da Austrália da temporada passada. Se Rins reclamava um pouco mais de atenção da Honda, ele conseguiu dar o seu recado, ainda mais porque os demais pilotos da Honda na corrida ficaram pelo caminho, abandonando. Está na hora da marca nipônica fazer algo a respeito de sua dependência extrema de Marc Márquez.

 

 

Não é de hoje que a Honda vive às sombras do hexacampeão. Tendo obtido seis títulos em sete temporadas, de 2013 a 2019, a Honda praticamente negligenciou seus outros pilotos, contando sempre com o talento inegável de sua grande estrela, que chegou à MotoGP como um verdadeiro meteoro, arrasando a concorrência. Com uma moto nervosa que só Márquez conseguia domar, os demais pilotos que competiam com as motos da Honda raramente conseguiam obter os mesmos resultados, mas a marca estava vencendo provas e conquistando títulos com Márquez, para quê mudar isso? Mas, quando ficaram sem a “Formiga Atômica”, lesionado no início da temporada de 2020, a conta chegou, e foi devastadora: a Honda virou figurante no campeonato, situação que se mantém até o presente momento, tendo disputado poucas vitórias nos últimos tempos, a conseguido algumas vitórias esparsas, graças a Marc Márquez, nas provas onde ele conseguiu mostrar do que é capaz. Mas a Honda luta para conseguir evoluir sua moto, e fazer com que ela seja mais competitiva, e capaz de oferecer a seus pilotos melhores condições, não podendo ficar refém de um único piloto, por melhor que ele seja. Mesmo tendo se recuperado completamente para este ano, eis que Marc se acidentou novamente, na prova de estréia, em Portimão, e já ficou de fora das etapas da Argentina, Estados Unidos, e Espanha, e o que se viu foi a Honda virar novamente farelo na competição, sem conseguir exibir um mínimo de competitividade que lembrasse os bons tempos, à exceção do desempenho de Álex Rins na etapa de Austin. E a moto nipônica está longe de agradar até mesmo a Márquez no momento. Para se ter uma idéia de como a Honda ficou refém do hexacampeão, o último piloto fora Marc Márquez a vencer com uma moto Honda havia sido Cal Cruthlow, na etapa da Argentina de 2018, com o time satélite da LCR. Com a Honda mesmo, Dani Pedrosa tinha vencido a prova de encerramento da temporada de 2017 pelo time oficial da fábrica. O fato do time não dar ouvidos a suas reclamações sobre a moto japonesa ser nervosa demais, de modo que só Márquez conseguia obter resultados com ela, foi um dos motivos que levou o espanhol a resolver deixar o time, ao fim da temporada seguinte, passando a atuar como piloto de testes e desenvolvimento. Pedrosa, aliás, disputou a última corrida, na Espanha, em Jerez, como wild card da KTM, onde está atualmente, e mesmo sem competir regularmente, fez uma apresentação bastante razoável, terminando a corrida de domingo em 7º lugar, sendo que Sprint ele foi o 6º colocado. A situação da Honda não é nenhuma novidade, mas até o presente momento a marca nipônica não tem conseguido resolver seus problemas, e já se comenta a possibilidade de Marc Márquez deixar o time, procurando um equipamento mais competitivo...

 

 

Depois do bom resultado obtido no ePrix de São Paulo, a Jaguar se saiu ainda melhor na primeira corrida de Berlim da F-E, neste mês de abril. E Mith Evans, mais uma vez, chegou na frente, conquistando sua segunda vitória consecutiva, depois de subir ao degrau mais alto do pódio em São Paulo. E o triunfo da Jaguar foi em dose dupla, com Sam Bird terminando a corrida em 2º lugar. A grosso modo, a marca inglesa tinha tido um triunfo completo na etapa de nosso país, já que Evans foi o vencedor, e Bird tinha terminado em 3º lugar, fechando o pódio, mas com Nick Cassidy terminando em 2º lugar, sendo que a Envision, seu time, utiliza o trem de força da Jaguar. Desta vez, na primeira prova, o triunfo não foi total da marca inglesa, já que o 3º colocado foi Maxximilian Gunther, da Maserati. O pódio de Gunther, aliás, foi para lavar a alma do time italiano, que até agora vinha tendo resultados pífios na temporada, apesar do bom potencial de competição demonstrado em vários momentos, mas que nunca haviam conseguido converter em resultados efetivos. Mesmo assim, a Jaguar teve bons motivos para comemorar, já que a dupla da Envision terminou logo atrás, em 4º e 5º lugares, com Sébastien Buemi e Nick Cassidy, resultando em nos quatro carros com trens de força da marca britânica classificados entre os 5 primeiros colocados, mostrando que a Jaguar é a força do momento na temporada da Formula-E. Quem não conseguiu se sobressair como esperava foi a Porsche, que em sua primeira prova do ano em terras alemãs, viu Pascar Wehrlein terminar em 6º lugar, e vendo Antônio Félix da Costa abandonar após ser atingido por Jake Dennis numa manobra estabanada de ultrapassagem na parte final da corrida.

 

 

Para mostrar que está no seu melhor momento na temporada 2023 da F-E, a Jaguar também faturou a vitória na segunda corrida em Berlim, mas não foi com seu time oficial. Desta vez, o triunfo ficou com Nick Cassidy, da Envision, time cliente do trem de força da marca britânica, que venceu a corrida e, mais importante, encostou no líder do campeonato, Pascal Wehrlein, da Porsche, que a exemplo da primeira prova em Tempelhof, fez outra corrida apenas razoável, terminando em 7º lugar, e ainda se mantendo no comando da tabela de pontos, mas agora com uma vantagem de apenas 4 pontos para o neozelandês da Envision, que vem subindo de produção na temporada e, mais importante, mantendo-se constante. É verdade que tanto Cassidy quanto Wehrlein tem se mantido constantes no ano até aqui, com cada um tendo apenas uma prova de cada um sem marcar pontos, mas o piloto alemão da Porsche vem se mantendo em um patamar inferior ao rival desde as vitórias na rodada dupla de Diryah, permitindo a aproximação perigosa de Nick. Quem também deu uma reagida, depois de 4 provas sem marcar pontos, foi Jake Dennis, que foi o 2º colocado, redimindo-se um pouco da estripulia da prova do dia anterior, quando bateu e ainda azarou com a prova de Antônio Félix da Costa. E Jean-Éric Vergne segue pontuando aqui e ali, apesar da DS Penske ainda estar um pouco aquém de poder enfrentar os times da Jaguar em pé de igualdade. Já a Jaguar, depois do bom momento vivido na primeira corrida do fim de semana, teve uma segunda prova menos satisfatória, com Mith Evans terminando em 4º, mas vendo Sam Bird fora dos pontos. Com o resultado da rodada dupla do fim de semana em Berlim, Pascal Wehrlein lidera com 100 pontos, seguido por Nick Cassidy com 96 pontos. Um pouco mais atrás, Jean-Éric Vergne é o terceiro colocado, com 81 pontos, com Jake Dennis colado atrás, com 80. Mith Evans completa o TOP-5, com 76 pontos. O cenário ainda é indefinido sobre quem é o favorito na luta pelo título, neste ponto onde a temporada 2023 da Formula-E encerrou sua primeira metade. Quem será que irá deslanchar agora na segunda metade do certame? A conferir...

 

 

Quanto aos brasileiros, a rodada dupla da F-E em Berlim foi mais um fim de semana para ser esquecido, a exemplo do que já havia ocorrido em outras etapas. Lucas Di Grassi, com a Mahindra ainda apresentando um carro deficiente de performance, até lutou, mas novamente ficou fora dos pontos, depois de fazer provas de recuperação no sábado e no domingo. Já Sergio Sette Câmara, por sua vez, até conseguiu se classificar bem na primeira corrida com o carro da NIO, mas novamente não conseguiu converter isso em um bom resultado, também ficando muito longe de pontuar, ficando zerado no fim de semana alemão. A temporada para ambos segue complicada, e a expectativa de melhora a cada dia parece mais distante. Melhor começar a pensar em 2024, porque 2023 parece que já era mesmo...