quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

FLYING LAPS – NOVEMBRO DE 2022

            Já estamos no último mês de 2022, dezembro. Mais alguns dias, e estaremos em 2023. Realmente, o ano pareceu ter passado bem rápido, e felizmente, sairemos de 2022 muito melhor do que como começamos, em termos da pandemia da Covid-19, que aos poucos, vai ficando no passado, embora ainda mereça atenção e cuidados, lembrando que o desafio ainda não foi plenamente vencido, apesar de tudo. E, com o início do último mês do ano, é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns acontecimentos do mundo da velocidade neste último mês de novembro, com algumas novidades interessantes a serem mencionadas e comentadas aqui. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do próximo mês, já em janeiro de 2023, quando iniciaremos um novo ano...

De mudança de time para a temporada 2023 da MotoGP, Pol Spargaró e Alex Márquez muito provavelmente não sentirão saudades de sua passagem pela Honda. Pol, que defendeu o time de fábrica da marca nipônica nos dois últimos anos, não escondeu a frustração com o modo de trabalho da equipe, onde conseguiu poucos resultados, devido à má competitividade da moto, inicialmente ainda projetada para um estilo de pilotagem no qual apenas Marc Márquez conseguia extrair desempenho de nota com ela. O piloto defenderá a equipe GasGas, que utilizará motos KTM, marca que Pol defendeu antes de tentar a sorte na Honda em 2021 e 2022. Spargaró, contudo, apesar de classificar seu período no time japonês como o pior de sua carreira na MotoGP, não acha que os dois anos foram de perda total, afirmando que é nas dificuldades onde você costuma aprender mais, e que certamente o período em que passou defendendo a Honda trouxe lições importantes para seu desenvolvimento, que espera poder usar para voltar a evoluir na competição em seu novo time. Já Alex Márquez, que irá defender a Gresini no próximo ano, já ficou encantado com o equipamento no teste de fim de temporada realizado em Valência, afirmando que se sentiu competitivo logo de cara ao utilizar a moto da Ducati pela primeira vez, ainda que não tenha procurado estabelecer tempos significativos, procurando compreender o comportamento da moto, muito diferente da Honda que pilotou desde sua estréia na classe rainha do motociclismo, primeiro no time de fábrica, e mais recentemente no time satélite LCR, onde não conseguiu mostrar muita coisa. Um sinal mais do que claro de que a Honda vai precisar trabalhar muito para recuperar o respeito de seus pilotos, e consequentemente, voltar a ser protagonista no grid, o que só conseguiu fazer na última década graças a Marc Márquez, mas ficando completamente dependente dele, sem conseguir brilhar com outro piloto, e por conta disso, perdendo o rumo do melhor desenvolvimento de seu equipamento...

 

 

Não é só a Honda que precisa melhorar, e muito, para se recuperar na classe rainha do motociclismo. A Yamaha, apesar de ter disputado o título até a última etapa, com Fabio Quartararo, que foi campeão em 2021, tem muito trabalho para fazer até o início da próxima temporada. Em busca de mais potência, para tentar contrabalançar a maior força de motor das Ducati, e ter mais velocidade de reta, o time dos três diapasões iniciou testes com um novo motor que a princípio, pareceu apresentar boas perspectivas, mas que no teste coletivo de fim de temporada em Valência, não apresentou as melhoras esperadas, na opinião dos pilotos titulares do time. Cal Crutchlow, que atua como piloto de testes da Yamaha, foi contundente nas críticas, ao afirmar que, neste ano, tentando melhorar sua performance frente à Ducati, que no final de 2021 já assustava toda a concorrência no grid, a moto nipônica ficou mais nervosa, e por isso, exigia uma pilotagem mais agressiva por parte do piloto, o que Quartararo conseguiu fazer, mas Franco Morbidelli não, e muito menos os pilotos do time satélite na RNF, de modo que apenas o piloto francês conseguiu obter resultados expressivos, e mesmo assim, á custa de uma pilotagem no fio da navalha, sem margem para erros, os quais comprometeram a luta pelo título quando a Ducati acertou a mão de seu equipamento, frente a uma performance irrepreensível de Francesco Bagnaia. Para Crutchlow, a Yamaha precisa voltar à sua filosofia tradicional, que era uma moto dócil, flexível e estável, que conseguia compensar a menor velocidade de reta com um comportamento nas curvas que lhe permitia disputar de igual para igual, e por vezes, até melhor, do que os concorrentes. Para Cal, ao focar em recuperar a velocidade de reta, a moto ficou agressiva, perdendo sua estabilidade nas curvas, o que comprometeu o desempenho dos seus pilotos nesta temporada. Agora, o novo motor deveria permitir manter a recuperação de velocidade, e deixar o time desenvolver melhor a estabilidade da moto nas curvas, mas parece que o novo propulsor ainda não está rendendo o que se esperava, já que os resultados em Valência foram na contramão dos testes preliminares, o que exige uma análise dos dados, para tentar entender porque os resultados não se confirmaram. De qualquer maneira, o prejuízo da Yamaha foi claro neste ano: além de perder a luta pelo título de pilotos, a marca dos três diapasões também perdeu seu time satélite, que descontente com a performance do equipamento, e com o tratamento recebido da marca nipônica, vai competir com motos da Aprilia no próximo ano. Será que eles vão conseguir corrigir os problemas da moto para 2023? A conferir...

 

 

A Formula-E estará de cada nova na TV brasileira em 2023. O certame de carros monopostos 100% elétricos dividiu-se nos últimos dois anos entre a TV Cultura na transmissão em TV aberta, e no SporTV, nos canais pagos. Para a próxima temporada, contudo, as provas do campeonato, que entrará em sua terceira geração de carros, será exclusiva da Bandeirantes, inclusive com Sergio Mauricio confirmando a transmissão do certame durante a etapa de Abu Dhabi da F-1. Não foi divulgado, porém, como será o esquema de transmissão, mas as provas deverão estar na grade do canal pago Bandsports, que já transmite a a Nascar, a F-2, a F-3 e o Mundial de Superbike. A F-E reforça a aposta no automobilismo por parte do Grupo Bandeirantes, cuja grande estrela é, sem sombra de dúvidas, a F-1, que passou a transmitir desde o ano passado, e já garantiu a renovação por mais três temporadas. Certamente pesou na decisão da emissora o fato de em 2023 o Brasil estrear no calendário da competição dos carros elétricos, com uma etapa que será disputada em São Paulo, em pista que está sendo planejada junto ao Sambódromo e o Complexo do Anhembi.

 

 

O certame dos carros elétricos, aliás, retornará em 2023 para o formato de corridas com número de voltas pré-determinado, de acordo com a pista que será utilizada. Este modo de prova foi utilizado durante as primeiras quatro temporadas da competição, quando eram utilizadas a primeira geração de carros, nos quais os pilotos precisavam trocar de monoposto durante a prova, uma vez que as baterias não tinham autonomia para toda a corrida. Com o advento dos carros Gen2, com baterias mais evoluídas, o formato das provas passou a ser por tempo de duração, com 45 minutos + uma volta, sendo que os pilotos não precisavam mais trocar de carro. Este formato apresentou problemas nas etapas em que ocorreram muitos acidentes, já que o tempo de prova sob bandeira amarela diminuiu significativamente, frustrando os torcedores que queriam ver disputas na pista. Agora, com a introdução dos novos carros de terceira geração, as provas voltarão a ter um número de voltas a ser cumprido, e em caso de haver momentos de bandeira amarela em todo o circuito, a corrida ganhará algumas voltas adicionais, dependendo da duração da bandeira amarela.

 

 

Uma novidade que a F-E pretende introduzir na próxima temporada será o chamado “Attack Charge” (Carga de Ataque, numa tradução livre). Este recurso deverá substituir o já conhecido “Modo Ataque”, implementado com a introdução dos carros Gen2. De acordo com a direção da F-E, esta “Carga de Ataque” será introduzida em corridas selecionadas no final da nova temporada 9. Segundo eles, o desenvolvimento tecnológico das baterias e sistema de carga permitirão que os novos carros Gen3 recebam um impulso de energia durante a corrida. Para tanto foi desenvolvida uma bateria capaz de receber 4 kWh de energia em 30 segundos , e com uma parada obrigatória de 30 segundos da Carga de Ataque a ser realizado durante um período predeterminado da corrida desbloqueará dois períodos aprimorados do Modo de Ataque a serem implantados posteriormente na corrida, onde a potência dos carros de corrida de 3ª geração aumentará de 300 kW para 350 kW. Não foram divulgados maiores detalhes de como isso ocorrerá. Nas provas onde este recurso não for utilizado, os pilotos terão à sua disposição o Modo Ataque que todos já conhecem, quando os pilotos, ao passarem por um determinado trecho, ganharão potência extra para utilizarem durante alguns minutos da corrida. A direção da F-E queria tentar flexibilizar um pouco o recurso também, onde o modo ataque poderia ser sua utilização fracionada, e não direta, de uma vez, como foi visto nestas últimas quatro temporadas, mas a proposta, feita muito tardiamente, não agradou às equipes, que alegaram precisar estudar mais este tipo de recurso. Lembramos que para a próxima temporada o recurso do Fanboost foi eliminado, depois de estar presente deste a primeira corrida da competição.

 

 

Campeão da Indycar em 2021, o espanhol Álex Palou seguirá defendendo a Ganassi na categoria norte-americana de monopostos, mas terá uma ocupação extra em 2023: será piloto reserva da McLaren na F-1. Palou, aliás, tentou ir para o time de Woking na Indycar, após uma negociação atrapalhada em meio deste ano que criou muitos atritos com seu time, a ponto de Chip Ganassi ter entrado até na justiça para manter seu direito de opção contratual sobre o piloto, que no final, acabou se acertando com Chip, e permanecendo na equipe onde foi campeão. Palou fez dois testes com o carro de F-1 da McLaren, além de ter participado do primeiro treino livre do GP dos EUA, em Austin, e agora, em 2023, nos fins de semana em que não estiver ocupado com a Indycar, o espanhol estará presente nos boxes das etapas do campeonato da F-1 acompanhando todas as atividades da McLaren na pista e fora dela. O acordo de permanência na Ganassi na Indycar é válido para 2023, e muito provavelmente em 2024, ele vá para o time da McLaren na categoria, se não houver outros desdobramentos durante o próximo ano. O espanhol estava cotado para assumir a vaga de Daniel Ricciardo no time inglês na F-1 em 2023, mas as complicações junto à Ganassi, e a contratação de Oscar Piastri pelo time de Woking frustraram seus planos de vir para a F-1 como piloto titular, pelo menos, por enquanto. Mas, tudo indica que a categoria máxima do automobilismo continua na mira de Palou, com este acordo para ser reserva da escuderia inglesa na categoria...

 

 

A Toyota faturou mais um título no Mundial de Endurance, e na etapa final, disputada na pista de Sakhir, no Bahrein, deu de novo a equipe japonesa no degrau mais alto do pódio, com o trio Mike Conway/Kamui Kobayashi/José Maria López, pilotando o carro Nº 7. Mas foi o trio do outro carro da marca, o Nº 8, composto por Ryo Hirakawa/Sébastien Buemi/Brendon Hartley que sagrou-se campeão da temporada 2022, terminando a prova na 2ª colocação, e garantindo à marca nipônica a dobradinha no pódio barenita, totalizando 149 pontos. Mas, o carro Nº 7 da Toyota, por incrível que pareça, terminou a temporada em 3º lugar. Isso mesmo: Conway, Kobayashi, e Maria López marcaram 133 pontos, e perderam o vice-campeonato para o carro 36 da Alpine, conduzido pelo trio André Negrão/Nicolas Lapierre/Matthieu Vaxiviere. O carro da Alpine, aliás, deu trabalho para os Toyotas durante a temporada, onde venceu duas etapas, e inclusive chegou para a etapa derradeira do campeonato empatada com o carro Nº 8 da Toyota. No calor do deserto de Sakhir, contudo, a melhor forma do carro japonês fez valer sua força, de modo que o carro francês teve de se render à 3ª colocação, e mesmo assim, garantindo ao brasileiro André Negrão o título de vice-campeão da temporada 2022 do WEC na categoria principal, a dos Hypercars, feito que não é de se desprezar. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A F-1 2022 – PARTE II

Se os times melhores classificados da F-1 2022 tiveram seus altos e baixos, as escuderias de trás do grid também tiveram motivos para comemorar e frustrar-se, dependendo das expectativas que tinham para a temporada.

            Na semana passada, iniciei uma avaliação de como foi a temporada 2022 da Fórmula 1. Definitivamente, foi um campeonato que demandava alta expectativa, depois do embate titânico entre Lewis Hamilton e Max Verstappen na temporada do ano passado, e que agora, além da perspectiva de uma revanche entre ambos, havia também as expectativas do que o novo regulamento técnico que entrava em vigor poderia apresentar para melhorar a competição. Bem, como mencionei, nem tudo saiu como se esperava, e em termos de disputa pelo título, a temporada acabou sendo um passeio, ou quase isso, de Max Verstappen, com decepções por parte da Ferrari, que não soube dar luta tanto quanto poderia, tropeçando em si mesma em diversos momentos; e da Mercedes, que errou no projeto de seu carro, e ficou impotente para entrar na disputa. McLaren e Alpine, que poderiam ter chegado mais à frente, empacaram onde estavam, frustrando quem esperava por um maior protagonismo de ambas as equipes, que vinham de temporadas em crescimento. Isso ocupou uma avaliação destas cinco equipes, sendo que ainda tinha muito mais a dissertar sobre a temporada deste ano.

            Portanto, nesta segunda parte da avaliação do campeonato, é hora de vermos como foi o ano dos demais times da Fórmula 1 na temporada de 2022, analisando o desempenho dessa segunda metade do grid, que neste ano foi formado por Alfa Romeo, Aston Martin, Haas, Alpha Tauri, e Williams. Todos eles tinham a perspectiva de que, com a introdução do novo regulamento técnico, poderem dar um salto de performance na competição, se pudessem fazer um bom aproveitamento da interpretação das novas regras dos carros. Bem, a exemplo do que vimos com McLaren e Alpine, os resultados foram mais ou menos, também nessa segunda metade do grid.

            Começando pela Alfa Romeo, não há dúvidas de que o time sediando em Hinwill teve um ano bem melhor do que em 2021. Se na temporada passada eles ficaram em 9º lugar, com apenas 13 pontos, este ano terminaram em 6º, com 55 pontos. O time mudou totalmente seus pilotos, tendo agora Valtteri Bottas, trocando o protagonismo da Mercedes pelo secundarismo que o time lhe proporcionaria em termos de resultados, e o novato chinês Guanyou Zhou. Bottas mostrou a que veio, colhendo os melhores resultados do time nas primeiras corridas do ano, enquanto Zhou tentava cumprir seu noviciado sem comprometer-se demais na pista. Infelizmente, o desenvolvimento do carro não conseguiu ser constante, e a meio do ano, o desempenho caiu muito, com o time só se recuperando um pouco na reta final. O bom início da temporada foi crucial para o time manter-se em 6º lugar, já que foi alcançado pela Aston Martin, que igualou a equipe suíça nos pontos, mas ficou à sua frente por ter um 5º lugar, contra um 6º como melhor resultado do time inglês. Foi uma boa recuperação, mas que poderia ter sido um pouco melhor, diante das possibilidades, especialmente se tivessem conseguido manter o desenvolvimento com mais regularidade, e tivessem tido menos azares em alguns momentos. Bottas, a exemplo do que aconteceu na Mercedes, alternou bons momentos com algumas performances bastante apagadas, sendo até superado por Zhou em vários GPs, apesar de ser novato na equipe, e na F-1. E o chinês, primeiro titular de seu país numa equipe da categoria máxima do automobilismo, ganhou mais uma chance para mostrar seu desenvolvimento como piloto em 2023, onde então será mais cobrado por resultados.

Em seu novo time, a Alfa Romeo, Valtteri Bottas continuou a ter performances altas e baixas, dependendo das corridas. O time melhorou em relação a 2021, e ficou à frente da Aston Martin nos critérios de desempate.

            Quanto à Aston Martin, bem, podemos dizer que a temporada do time sediado ao lado da pista de Silverstone teve um ano que novamente deixou a desejar. Se em 2021, a principal dificuldade foi as regras de redução de pressão aerodinâmica que impactaram principalmente o projeto da Mercedes (sendo que o carro deles era uma evolução do modelo do time alemão do ano anterior, usado pela antecessora Racing Point), e eles não conseguiram os resultados que esperavam, este ano a performance foi ainda mais decepcionante, com a equipe a se mostrar completamente perdida no início da temporada, tentando entender onde tinham errado no projeto do carro, construído em bases totalmente novas. Resumindo: não conseguiram aproveitar o novo regulamento técnico para avançar no grid, muito pelo contrário. O que deveria ser um ano do “sim” para o time acabou por se tornar uma segunda temporada de “transição”, onde o time ainda está acertando as arestas na novíssima fábrica construída em Silverstone, que em nada deve aos times de ponta como Mercedes, Red Bull e Ferrari, e com recursos abundantes para se buscar bons resultados. Mas, dinheiro sem sempre é garantia de resultados na F-1, e a temporada de 2022 da Aston Martin foi uma luta para reencontrar o rumo, a ponto do time efetuar grandes mudanças no modelo AMR22, a ponto de o time receber um processo de acusação de espionagem industrial pelas semelhanças que o carro passou a ter com o modelo RB18 da Red Bull, ainda mais porque alguns de seus engenheiros tinham sido contratados da equipe dos energéticos, daí a acusação de terem usado dados que teriam sido “roubados” por estes profissionais, o que conseguiram provar que não era verdade, mostrando desenhos de desenvolvimento do carro que já existiam na própria Aston Martin à época em que tais profissionais foram contratados.

            O desempenho do carro melhorou, mas ainda assim, ficou abaixo do que a equipe demonstrou em 2021. Tudo o que o time conseguiu de melhor foram dois 6ºs lugares, um com Sebastian Vettel, e outro com Lance Stroll. O time conseguiu alcançar a pontuação da Alfa Romeo no encerramento da temporada, mas como a escuderia suíça tinha um 5º lugar de Bottas como melhor resultado, ficou à frente na classificação no critério de desempate. Stroll, pelo segundo ano consecutivo, acabou vencido por Vettel, que disputou duas corridas a menos por ter tido Covid-19 no início da temporada, e após tendo anunciado sua aposentadoria, o tetracampeão pareceu ter recuperado boa parte de sua verve para pilotar, dando o melhor de si para ter uma despedida decente da categoria máxima do automobilismo, o que conseguiu realizar. Stroll, por outro lado, manifestou certa propensão a arrumar algumas confusões na pista, como em Austin, onde se envolveu em um toque com Fernando Alonso e se acidentou feio. Aliás, a Aston Martin que se prepare, pois a chegada do bicampeão ao time em 2023 promete incendiar a escuderia na busca por uma evolução na competição. E se Lance Stroll penou para competir com Vettel, que muitos davam por acabado na F-1, espere só até o canadense se debater com o espanhol na pista e nos boxes... Diante do enorme investimento feito na fábrica e no time, é de se esperar que a performance melhore, e Alonso vai enfatizar essa cobrança mais do que nunca. Resta saber se a escuderia vai conseguir acertar seu rumo, o que fazia com certa maestria em seus tempos de Force India, quando conseguia operar milagres com um orçamento curto. Agora, com recursos sobrando, é preciso recuperar aquela eficiência técnica que poderia assombrar a concorrência se obtivesse o mesmo rendimento.

O ano de 2022 foi de retrocesso para a Aston Martin, em relação a 2021, que já não tinha sido como o esperado. O time perdeu Sebastian Vettel, que resolveu pendurar o capacete, e terá Fernando Alonso no próximo ano.

            A Haas claramente sacrificou a temporada de 2021 para concentrar esforços neste ano. A justificativa é que o carro de 2020 já era pouco competitivo, e uma vez que o carro de 2021 seria o último nas regras técnicas vigentes, não seria compensador investir muitos recursos num projeto de curta duração, já que este ano entraram em vigor as novas regras, inclusive com a volta do efeito-solo. Pode-se dizer que a escuderia foi bem-sucedida no seu intento, mas seus planos acabaram atropelados pela invasão russa à Ucrânia, o que fez com que o time demitisse Nikita Mazepin, por não poder contar com o patrocínio da empresa do pai do piloto, a Uralkali, que possuía ligações com o Kremlim, e por tabela, estava sujeita às sanções econômicas impostas pelos países ocidentais como represália à invasão russa. Isso fez com que o time perdesse seu principal apoio financeiro, e consequentemente, limitou severamente as possibilidades de evolução do modelo VF-22 durante o campeonato, fazendo o time se concentrar mais em conseguir terminar o ano e seguir adiante na F-1, do que tentando alçar vôos mais altos na pista.

            Se a perda do patrocínio russo foi um problema, por outro lado, a substituição de Mazepin foi um grande golpe de sorte, pois a escuderia repatriou seu antigo piloto, Kevin Magnussen, que se mostrou uma escolha certeira: o dinamarquês, mesmo tendo ficado um ano afastado da F-1, manteve-se em forma competindo nos Estados Unidos, e nem pareceu ter um dia se afastado do time. Kevin aproveitou logo de cara o potencial do novo carro, e conseguiu para a Haas resultados importantíssimos, como um 5º lugar logo na prova do Bahrein, e dois 9ºs lugares até a prova de Ímola. Como não poderia deixar de ser, os demais times foram evoluindo seus carros, e conforme a temporada avançava, bons resultados passaram a escassear. Mesmo assim, Magnussem mostrou o quanto o time precisava de um piloto competente, e sua performance deixou até Mick Schumacher na sobra, com o filho do heptacampeão sofrendo para conseguir acompanhar o ritmo do dinamarquês. Mesmo assim, Mick mostrou evolução, e seu melhor momento ocorreu a meio da temporada, onde conseguiu seus únicos resultados positivos durante o ano, com um 8º e um 6º lugares nas provas da Inglaterra e da Áustria. Infelizmente, Mick não foi além disso, e as batidas com o carro perpetradas pelo piloto, que para azar do time foram várias durante o ano, só serviram para combalir as finanças já débeis do time, que optou por dispensar o jovem Schumacher e promover a volta de outro veterano, Nico Hulkenberg, visando ter melhor garantia de resultados, e menos acidentes, na temporada de 2023. A estratégia da Haas, se por um lado sofreu com o desfalque financeiro da perda do patrocínio russo, o que não lhe permitiu desenvolver a contento seu carro, por outro lado compensou isso com a volta de Magnussem, que certamente conseguiu resultados que jamais seriam possíveis ao time se tivesse permanecido com Mazepin como piloto, evidenciando quão fraco era o russo, e que ele só chegara á F-1 devido ao patrocínio da empresa de seu pai. Visto por esse lado, a temporada foi mais do que positiva para a escuderia. E, sem a pressão forte que recebeu da performance de Magnussen, muito provavelmente Mick Schumacher poderia ter se contentado em apenas ficar à frente do colega russo, e poderia não ter obtido os poucos bons resultados que demonstrou. Talvez não tivesse batido tanto com o carro, tentando melhorar sua performance sob a pressão de resultados que eram obtidos por Magnussen, mas isso é outro assunto. De qualquer forma, apesar de tudo, o 8º lugar obtido nos construtores pela Haas ainda foi um golpe de sorte, já que a Alpha Tauri não teve um bom ano, e a Williams não conseguiu, mais uma vez, sair da rabeira do grid da categoria máxima do automobilismo. Com uma dupla de pilotos mais experiente, vejamos se o time de Gene Haas volta a progredir em 2023.

Na Haas, repatriar Kevin Magnussen (acima) foi uma medida certeira para conseguir bons resultados, enquanto Mick Schumacher se notabilizou mais pelos fortes acidentes, como em Mônaco (abaixo), onde destruiu seu carro, do que pelos resultados.


            A Williams, por sua vez, perdeu totalmente a chance de sair do fundo do grid. Se no ano passado o time fundado por Frank Williams deu sorte de ficar à frente da Haas pela postura do time dos Estados Unidos se focar para este ano, dessa vez não houve nada que compensasse. A escuderia perdeu George Russell, devidamente promovido para a Mercedes, e se Alexander Albon foi uma boa escolha para substitui-lo, ainda assim o anglo-tailandês sucumbiu na maioria das vezes à pouca competitividade do carro, em raros momentos conseguindo capitalizar com as circunstâncias, para marcar 4 mirrados pontos e não passar o ano de seu retorno à F-1 em branco. Já Nicholas Latifi, comprovadamente fraco para a F-1, admitiu que não conseguiu se entender com o carro deste ano, tendo sofrido mais para conseguir tirar performance do modelo FW44. O canadense, que finalmente perdeu seu lugar no time, e na F-1 para 2023, só teve um raro momento de satisfação, quando terminou a prova do Japão em um honrado 9º lugar, obtendo seus únicos pontos do ano, mas insuficientes para convencer a direção do time a mantê-lo para o próximo ano, algo que nem mesmo o grande patrocínio trazido pelas empresas de seu milionário progenitor conseguiu mudar desta vez. Para 2023, o time vem com um novo piloto, Logan Sargeant, fazendo dupla com Albon, mas para muitos, a escuderia marcou bobeira ao não garantir a posse de Nyck De Vries, campeão da F-E em 2021, que na etapa da Itália deu um show com o carro do time, tendo de substituir Albon às pressas com um problema de apendicite, e ainda por cima conseguindo pontuar com o bólido, em um incrível 9º lugar, e tendo de se entender com o carro apenas no sábado, já que fizera um treino livre na sexta com a Aston Martin, outra escuderia. O desempenho do holandês mostrou que, apesar de Albon, talvez o time inglês pudesse ter tido melhores resultados se contasse com melhores pilotos, indicando que não foi só o equipamento fraco o culpado pelo mau desempenho em 2022. De Vries acabou fisgado pela Red Bull, que colocará o holandês como titular na Alpha Tauri no próximo ano. Já a Williams, vai novamente para mais um ano tentando sair do fundo do grid, um projeto que o próprio Grupo Dorilton, seu atual proprietário, define como de longo prazo, mas que cada vez mais parece estender esse prazo ainda mais, sem perspectivas de melhora real...

            Mas, se a Williams não aproveitou a chance de sair lá de trás, e apesar das melhoras, Alfa Romeo e Haas deram a impressão de que poderiam ter feito mais do que realmente fizeram, e quem tinha boas perspectivas, e deu quase tudo errado? Bem, foi o caso da Alpha Tauri. O time “B” dos energéticos, que tinha feito uma boa temporada em 2021, finalizando o ano em um honroso 6º lugar, e 142 pontos marcados, e até um pódio, despencou este ano. O modelo AT03 não honrou as qualidades de seus antecessores, e Pierre Gasly e Yuki Tsunoda tiveram um ano para esquecer, com o time terminando à frente apenas da Williams no campeonato, com míseros 35 pontos marcados. Com um desempenho instável, o carro também foi pouco fiável, fazendo seus pilotos ficarem a ver navios em várias provas, enquanto em muitas outras, a performance era horrorosa, sem nenhuma chance de marcarem pontos. Diferente da Aston Martin, que ao menos conseguiu reagir, e pontuar com alguma frequência, mesmo que pouco a pouco em cada prova, no time de Faenza nada funcionou direito, e só em alguns raros momentos a situação pareceu engrenar, ou aproveitando os azares alheios. A escuderia precisará repensar seu projeto para o próximo ano, quando terá Nyck De Vries, piloto de grande talento, que precisará de um carro minimamente competitivo para poder mostrar o que sabe.

Depois de boas temporadas em 2020 e 2021, a Alpha Tauri regrediu em 2022, derrubando sua dupla de pilotos, mas Pierre Gasly conseguiu finalmente arrumar lugar em outra escuderia para a temporada de 2023.

            Quem saiu no lucro, apesar dos pesares, foi Pierre Gasly, que graças às trapalhadas da Alpine na gestão de sua dupla de pilotos para 2023, conseguiu garantir um lugar no time francês, deixando finalmente a tutela da Red Bull, onde não tinha mais para onde ir, pela implicância de Helmut Marko para com o piloto, e agora poderá alçar vôos mais altos, pilotando um carro de maior potencial competitivo, se a Alpine não errar o projeto do próximo ano. Tsunoda conseguiu se manter, tendo andado até melhor do que Gasly em determinadas provas, mas sem convencer muito o time, que já prepara alternativas de novos nomes para 2024, se necessário.

            E assim, tivemos a análise de todos os times da F-1 neste ano de 2022. Mas a temporada da Fórmula 1, como um todo, teve seus altos e baixos, que deverei dissertar com mais atenção na próxima coluna, encerrando a avaliação da temporada deste ano, na próxima semana. Até lá, então.

Mais uma vez, a Williams não conseguiu deixar o fundo do grid. Já Nicholas Latifi deu adeus à F-1 após três anos defendendo a escuderia de Grove.