sexta-feira, 7 de outubro de 2022

RETORNO A SUZUKA

Depois de dois anos de ausência por causa da pandemia da Covid-19, o espetacular circuito de Suzuka (acima) está de volta ao calendário da F-1. E com boas chances de Max Verstappen (abaixo) chegar ao bicampeonato na pista da Honda, que equipa os carros da Red Bull.
           


Depois de dois anos de ausência, eis que a Fórmula 1 está de volta ao Japão, e no circuito de Suzuka, uma das pistas mais espetaculares do calendário da categoria, com um traçado técnico e seletivo que desafia equipes e pilotos. Felizmente, a pandemia da Covid-19 começa a ceder de forma mais firme, embora alguns países ainda enfrentem um número de casos que inspire cuidados. Mas, graças à vacinação, a vida está voltando ao normal, e podemos sonhar com dias melhores, e o retorno da rotina pré-pandemia. Para o Japão, contudo, as normas de acesso ao país continuaram sendo extremamente rígidas, e só recentemente o país se reabriu para o turismo, ainda que de forma muito tímida, e que só a partir da semana que vem, de acordo com os anúncios feitos pelo governo nipônico, as restrições de entrada deverão ser mais flexibilizadas, de modo a permitir a entrada de turistas com muito menos regras sanitárias.

            Tal fechamento, contudo, teve consequências sérias na economia japonesa, em especial o setor hoteleiro, que perdeu 10% de sua capacidade, devido ao fechamento quase completo do país à entrada de estrangeiros devido à pandemia do coronavírus. Todo o setor de turismo japonês tenta agora esperar por dias melhores para se recuperar com a volta do público estrangeiro, que em 2019, antes da pandemia, fez com que o país recebesse quase 32 milhões de visitantes. O fim das restrições também permitiu a volta dos eventos esportivos internacionais, como a MotoGP, que retornou a Motegi na semana passada, e agora temos a volta da F-1 ao palco icônico de Suzuka, ao lado de Nagoya, uma das mais vibrantes metrópoles do arquipélago japonês, e que está comemorando 60 anos de existência.

            Projetado pelo holandês John Hans Hugenholtz, que também fez o desenho original da pista de Zandvoort, a pista de Suzuka foi inaugurada em 1962, e tinha uma extensão de 6,004 Km. Mesmo com a participação da Honda na F-1 nos anos 1960, apenas na década seguinte a categoria máxima do automobilismo aportaria nas terras do Sol Nascente, e ainda assim, não fez isso na pista da região de Aichi, mas em Fuji, outro circuito, mais próximo de Tóquio, e ao lado da montanha-símbolo do país, o Monte Fuji. Foram apenas duas provas, em 1976, e 1977, sendo que a prova de 76 decidiu o título da temporada, a favor de James Hunt, da McLaren, contra Niki Lauda, da Ferrari. O Japão só voltaria ao calendário praticamente uma década depois, agora sim na pista de Suzuka, devido ao grande sucesso da Honda naquela década, obtendo vitórias com os carros da Williams, e naquele ano, também com a Lotus.

            Circuito de propriedade da própria Honda, a marca japonesa teve bons motivos para comemorar na estréia de sua pista no mundial, com a conquista do título de pilotos por parte do brasileiro Nélson Piquet, então defendendo o time de Frank Williams, um momento histórico para os torcedores brasileiros, por terem um piloto que entrava para a seleta galeria dos tricampeões mundiais da F-1, já que Nélson já era bicampeão. Foi o seu último título na categoria, mas se iniciava ali a lenda de Ayrton Senna, que com a McLaren, conquistaria nos anos seguintes, e sempre em Suzuka, também três títulos mundiais, passando a ser um ídolo para os fãs japoneses da velocidade, e um piloto muito admirado e respeitado pela Honda. Foram cinco títulos consecutivos obtidos pelos japoneses em Suzuka, entre 1987 e 1991. Piquet faturou o de 1987, com Senna vencendo os campeonatos de 1988, 1990, e 1991. Alain Prost fechou a conquista de 1989 nesta pista, também pela McLaren. Um momento de grande orgulho para a Honda, e para o torcedor japonês. Foi também neste circuito que, em 1990, pela primeira vez um piloto japonês subiu ao pódio em uma prova da F-1, façanha que coube a Aguri Suzuki, então piloto da equipe Larrousse. Naquele ano, aliás, tivemos a última dobradinha 1-2 de pilotos brasileiros na F-1, com Nélson Piquet vencendo a corrida, com Roberto Moreno terminando a corrida em 2º lugar. Um resultado que nunca mais se repetiu, e que dificilmente será visto, uma vez que já há algumas temporadas, o Brasil nem mais tem um piloto competindo na categoria máxima do automobilismo.

            Este será o 36º Grande Prêmio do Japão, sendo que até hoje a pista de Suzuka sediou, com a prova deste domingo, 32 edições da corrida, sendo outras quatro provas realizadas na pista de Fuji, que além das etapas de 1976 e 1977, sediou também as corridas de 2007 e 2008. Além destas corridas, em 1994 e 1995, o Japão também sediou mais duas corridas de F-1, o intitulado Grande Prêmio do Pacífico, no circuito de Ainda, em Okayama, totalizando 38 provas da categoria máxima do automobilismo em solo japonês, incluída a corrida deste domingo. Em fins dos anos 1990, a Honda inauguraria o Twin Ring Motegi, um complexo automobilístico situado ao norte de Tóquio, e se especulou na época que a prova de F-1 poderia ser transferida para lá, o que felizmente nunca aconteceu. O complexo de Motegi tem um circuito misto que poderia receber a categoria máxima do automobilismo, mas a pista de Suzuka é muito melhor em todos os aspectos, de modo que Motegi até hoje limitou-se a receber as provas da antiga F-Indy na pista oval, uma da Indy Racing League no circuito misto, e tem como grande destaque atual a MotoGP, que corre em seu traçado misto.

Os dados da pista de Suzuka (acima). Yuki Tsunoda (abaixo) corre pela primeira vez em seu país na F-1, e é o destaque do fim de semana para a torcida nipônica.


            No início dos anos 1990, aliás, a F-1 tinha virado uma verdadeira febre no Japão, devido ao grande sucesso da Honda na categoria, e ao sucesso de Ayrton Senna. A ponto de os ingressos para o GP em Suzuka serem sorteados entre os compradores, já que nada menos do que um milhão de pessoas se candidatavam para ir ver o GP. Esse sucesso também motivou a entrada de muitas outras empresas japonesas na F-1. Entre elas, tivemos a Yamaha, tradicional rival da Honda no mercado de motos, mas que não teve o mesmo sucesso na categoria máxima do automobilismo. Empresas como Leyton House e Footwork, por exemplo, além de patrocinadoras, se tornaram até proprietárias de times já estabelecidos na categoria na época, no caso, as equipes March e Arrows, respectivamente. Claro que nem tudo na área deu certo na área. Houve o projeto de um megautódromo do grupo Autopolis, que chegou até a patrocinar a Benetton, mas que faliu sem conseguir sequer iniciar a empreitada. Reveses financeiros também levaram a Leyton House à falência, e a Footwork também se retirou da categoria, para nunca mais voltar até hoje. Aliás, alguns anos atrás, cruzei com um caminhão da empresa Footwork quando estava no Japão, quando já nem lembrava mais do nome da empresa, que existe até hoje, e atua no setor de logística no país nipônico.

            Hoje, os tempos são outros, e apesar da imensa procura, já não se precisa de sorteio para se conseguir os ingressos, com a capacidade atual do autódromo sendo de cerca de 155 mil pessoas. O número de empresas nipônicas que apostam na F-1 também se reduziu drasticamente, e até mesmo a Honda, em que pese ser a patrocinadora oficial da prova, ela não teve como comemorar em casa a conquista do título do ano passado por Max Verstappen, que deu à marca nipônica seu primeiro título desde a conquista de Ayrton Senna em 1991, ou seja, 30 anos depois da última conquista, por causa das restrições da pandemia da Covid-19. Mas pretende tirar o atraso na dição deste ano, uma vez que o atual campeão mundial tem boas chances de conquistar aqui o bicampeonato mundial, dada a sua grande vantagem na classificação. Apesar da Honda ter deixado oficialmente a F-1 no fim do ano passado, a marca japonesa continua presente na categoria, com suas unidades de potência sendo atualmente desenvolvidas pela Red Bull Powertrains, empresa montada pela equipe austríaca para cuidar dos propulsores, que ainda são produzidos pela Honda no Japão.

Nélson Piquet (acima) e Ayrton Senna (abaixo) foram campeões com a Honda na pista de Suzuka, nas temporadas de 1987, 1988, 1990, e 1991.


            Aliás, o atual sucesso da Red Bull, em conquistar novamente o título da categoria, já faz a Honda se mexer para voltar oficialmente à categoria, onde até a corrida de Singapura tudo o que se tinha era o logotipo HRC (Honda Racing Corporation) nos carros da Red Bull, indicando a participação na produção das unidades de potência. Tanto que, já a partir dos treinos de hoje, a Honda volta a ostentar seu logo nos carros na Red Bull e da Aphatauri, não apenas na etapa do Japão, mas também nas etapas restantes do calendário. E a cúpula da Red Bull esteve na sede da Honda esta semana, para tratar da parceria entre ambas, não apenas em relação ao presente momento da F-1, mas também em relação a partir da temporada de 2026, quando estrearão a novas regras técnicas de motores da competição. Vale lembrar que a Honda já manteve-se presente na F-1 de forma semi-oficial, em épocas passadas, mesmo não participando oficialmente da categoria, através da Mugen, uma empresa subsidiária da marca, que forneceu os propulsores a diversos times na década de 1990.

            O traçado de Suzuka atualmente conta com uma extensão de 5,807 Km. Algumas curvas tiveram ligeiras modificações, além da introdução de uma chicane na aproximação da reta dos boxes, procurando aumentar a segurança da pista, que tem alguns trechos bem velozes, com áreas de escape pequenas para a velocidade com que os carros passam. Há quem critique o traçado justamente pelas áreas de escape serem pequenas, alegando falta de segurança no circuito, o que é um exagero. A pista apenas impõe respeito, e erros geralmente de pilotos que saem do traçado custam caro. Atualmente, as áreas de brita possuem uma camada que impede que os carros atolem facilmente, embora por outro lado também sejam menos eficazes na redução de velocidade de quem escapa do traçado, que tem vários pontos com asfalto circundante, que ajuda os pilotos no controle do carro quando perdem o rumo. A pista de Suzuka possui um traçado extremamente seletivo, com várias curvas que exigem um bom acerto no primeiro setor do traçado, onde o equilíbrio é essencial, sem comprometer o segundo setor, bem mais veloz, onde os carros atingem altas velocidades. E onde o braço do piloto no trecho sinuoso também conta muito. O treino de classificação é importante, porque ultrapassar não é tão fácil em Suzuka, já que as melhores chances se concentram no trecho de alta velocidade após a curva Spoon, até chegar na 130R, a curva mais veloz da pista. E Suzuka é a única pista do campeonato que passa por cima dela mesma, em seu formato que lembra um “S”, e nem é preciso mencionar que os pilotos adoram esta pista, justamente por seu estilo “old age”, com várias curvas de alta, e não trechos travados de acelera-e-freia que empesteiam outros circuitos mais novos mundo afora. O desafio para se achar o melhor ajuste, e acertar a pilotagem do carro, motivam os pilotos, além é claro, do apoio da torcida japonesa, que manifesta seus preferências pelos pilotos na pista, com destaque, na edição deste ano, para Yuki Tsunoda, o piloto “da casa”, que corre pela primeira vez em Suzuka na F-1, e tem seu momento de grande estrela, sendo reconhecido pelos fãs da velocidade onde quer que vá, desde que chegou aqui no início da semana, vindo de Singapura.

A chuva deu o ar da graça nesta sexta-feira em Suzuka (acima), e Mick Schumacher conseguiu dar mais prejuízo para seu time, a Haas, ao bater forte novamente com seu carro (abaixo).


            E o fim de semana começou complicado. Os treinos de hoje foram debaixo de chuva, e pelo menos, o pessoal foi para a pista, experimentando os acertos de pista molhada e os dois tipos de pneus, intermediários e de chuva pesada. Para o sábado, a previsão é de tempo seco, mas no domingo, existe a chance de voltar a chover. Por isso mesmo, os tempos obtidos hoje na pista não são muito representativos, com Fernando Alonso marcando o melhor tempo no primeiro treino, com a Alpine, e George Russell tendo a melhor marca do segundo treino. A menção negativa do treino ficou com Mick Schumacher, que conseguiu a façanha de bater com o carro, depois do encerramento do primeiro treino livre, quando deveria voltar para os boxes em velocidade reduzida, e perdeu o controle de seu bólido, batendo até forte, a ponto de a Haas não ter tido como reparar o carro a tempo do segundo treino livre, podendo ter comprometido a integridade do chassi, e nem preciso mencionar que, a esta altura do campeonato, a situação de Mick no time é cada vez mais débil, dando claros sinais de que seu tempo no time, e talvez na própria F-1, está se esgotando. Como desgraça pouca é bobagem, as outras batidas do filho de Michael Schumacher, em Jeddah, e em Mônaco, este ano, foram tremendamente custosas para as finanças da escuderia de Gene Haas, resultando em perdas totais dos carros, em um ano onde o time está com o orçamento contado, depois de ficar sem o patrocínio da empresa russa do pai de Nikita Mazepin, diante da guerra desvairada promovida por Vladimir Putin contra a Ucrânia.

            E será que Max Verstappen comemora enfim o bicampeonato? As chances são grandes, e depende unicamente da Ferrari tentar impedir isso. O holandês teve uma corrida complicada em Marina Bay, e o time de Maranello, em que pese ter ido ao pódio com seus dois pilotos, não capitalizou tudo o que podia com o azar do adversário. Será que terá melhor sorte em Suzuka? Vamos ver a partir deste sábado se Charles LeClerc e Carlos Sainz Jr. poderão dizer algo a respeito...

 

 

Três pilotos brasileiros venceram o Grande Prêmio do Japão na história da corrida. E todos os triunfos foram na pista de Suzuka. Ayrton Senna venceu a prova nas temporadas de 1988 e 1993, com a McLaren. Nélson Piquet venceu a corrida na edição de 1990, pela Benetton. E Rubens Barrichello, com a Ferrari, venceu em 2003. O maior vencedor da corrida é o alemão Michael Schumacher, que venceu aqui em 1995, 1997, 2000, 2001, 2002, e 2004. Dentre os pilotos atuais, Sebastian Vettel tem 4 vitórias, empatado com Lewis Hamilton, pelo menos em Suzuka, sendo que o heptacampeão venceu a etapa de 2007, mas na pista de Fuji. Fernando Alonso tem duas vitórias, mas apenas uma em Suzuka, sendo a outra em Fuji, em 2008. Valtteri Bottas foi o último vencedor deste GP, em 2019, quando defendia a Mercedes.

 

 

Há dez anos atrás, os japoneses ficaram eufóricos em Suzuka, quando Kamui Kobayashi, então na Sauber (atual Alfa Romeo) terminou a corrida em um excelente 3º lugar, subindo ao pódio no GP de casa, repetindo o feito de Aguri Suzuki na prova de 1990. Sebastian Vettel venceu a corrida, com Felipe Massa em 2º lugar. Apesar do resultado, Kamui não conseguiu manter seu lugar na escuderia, e nem na F-1, para a temporada seguinte, indo competir em outras categorias, como o Mundial de Endurance. Foi também o último pódio de um piloto japonês na categoria máxima do automobilismo, sendo que de 2013 a 2020 o Japão não teve nenhum piloto no grid, até a entrada de Yuki Tsunoda no ano passado pela Alphatauri, cujo melhor resultado até agora foi um 4º lugar em Abu Dhabi, prova que encerrou a temporada do ano passado.

 

 

A última vez que Suzuka viu uma decisão de título foi em 2011. Sebastian Vettel, que disputa neste final de semana seu último GP do Japão, já que vai se aposentar da competição, então defendendo a Red Bull, chegou ao bicampeonato, conquistado matematicamente na pista japonesa com um 3º lugar, numa corrida que foi vencida por Jenson Button, com a McLaren, e que teve Fernando Alonso, da Ferrari, em 2º lugar. O campeão de 2009 terminaria o ano como vice-campeão. Assim como neste ano, a F-1 ainda disputaria mais 4 provas naquele ano, Coréia do Sul, Índia, Abu Dhabi, e Brasil. Hoje, depois do Japão, a F-1 ainda vai correr nos Estados Unidos, México, e também Brasil e Abu Dhabi.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2022

            E já estamos no mês de outubro, com o ano de 2022 entrando em sua reta final, e felizmente, muito melhor do que como começou, com a pandemia da Covid-19 caindo bastante, e podendo retomarmos na maior parte a vida normal que tínhamos antes disso surgir, há quase três anos atrás, e bagunçar por completo o dia-a-dia de todo o nosso planeta. O dilema ainda persiste, mas já sem causar tanto alvoroço como antes, graças à vacinação, que aos poucos vai transformando o coronavírus em apenas mais uma doença com a qual teremos de conviver daqui para frente, assim como várias outras. No mundo do automobilismo, tivemos um ano já praticamente normal, com os campeonatos sendo disputados como se planejavam, e com percalços comuns. E que tudo continue melhorando cada vez mais, com todos os países, com algumas exceções, podendo retomar suas rotinas de sempre. No mundo do automobilismo, vários certames iniciam suas retas finais, com alguns deles, já tendo se encerrado, como a Indycar. Mas ainda devemos ter pelo menos dois meses cheios de disputas pela frente, antes que possamos dar o ano por encerrado, neste que é o último trimestre de 2022. E é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns acontecimentos do mundo da velocidade neste último mês de setembro, como a Stock Car Brasil, Indycar, e MotoGP, sempre com alguns comentários rápidos a respeito de cada um deles. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do próximo mês...

A Stock Car disputou no último final de semana de setembro uma rodada dupla na pista de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Largando na pole-position, Ricardo Maurício, da equipe RC Eurofarma, liderou a corrida praticamente de ponta a ponta, segurando as investidas de Rubens Barrichello, da Fulltime, que terminou a prova na 2ª posição, com Daniel Serra, da RC Eurofarma, completando o pódio em 3º lugar, após a punição do argentino Andi Jakos em 20s por cruzar a linha de entrada dos boxes na corrida. Logo no início da prova, Felipe Massa, Cesar Ramos, e Allam Kodhair, acabaram se enroscando, com os três pilotos dando adeus à corrida, mas sem maiores consequências. Líder do campeonato, Gabriel Casagrande, da equipe Mattheis Vogel, finalizou a corrida em 4º lugar, mantendo uma boa vantagem na classificação da temporada. Bruno Baptista, da equipe RCM Motorsport, foi o 5º colocado. Nelsinho Piquet, da equipe Motul TMG, teve problemas no seu carro, que sofreu um superaquecimento, obrigando-o ao abandono.

 

 

Rubens Barrichello esteve em grande forma em Santa Cruz do Sul. Além de duelar pela vitória na primeira corrida da rodada dupla, onde terminou em 2º lugar, o ex-piloto de F-1 venceu a segunda corrida, depois que Thiago Camilo acabou desclassificado. Matias Rossi, da equipe Mattheis Vogel foi o 2º colocado, com seu companheiro de equipe Gabriel Casagrande fechando o pódio em 3º lugar. Com o resultado, Casagrande manteve firme a liderança do campeonato, com 259 pontos, enquanto Rubinho subiu para a 3ª posição, com 239 pontos, 20 de diferença para Gabriel. Daniel Serra, que conquistou a 5ª posição na corrida de domingo, está na vice-liderança da competição, com 241 pontos. Matias Rossi é o 4º colocado, com 236 pontos, mostrando que o campeonato pode ter uma boa briga pelo título entre estes quatro pilotos.

 

 

Mas o destaque da segunda corrida da Stoc Car em Santa Cruz do Sul foi, infelizmente, um acidente ocorrido dentro dos boxes, onde alguns mecânicos acabaram se ferindo no toque de alguns carros na passagem da área do pit lane. Durante a janela de pit-stops obrigatória na prova, Denis Navarro (equipe Cavaleiro) foi liberado da parada, voltando para a área de tráfego do box, e acertou Pedro Cardoso (Crown Racing), que vinha no embalo logo atrás, sem ter como desviar. O toque entre ambos fez com que o carro de Navarro desviasse para a área de pits, acertando o carro de Bruno Baptista (RCM Motorsport), que fazia sua parada, atingindo os mecânicos que lhe atendiam. Três deles acabaram envolvidos, sendo um deles atropelado e ficando prensado entre os carros. Lucas Loures foi o mais prejudicado, tendo sido levado de ambulância para o hospital com fratura confirmada na perna direita. Daniel Asensio também foi parar no hospital com fratura no joelho. Eslaeu Correia, por sua vez, deu sorte, pois teve apenas leves escoriações, e até seguiu trabalhando normalmente. A Stock Car confirmou que os mecânicos ficaram bem, felizmente, apesar do susto. Com o problema nos boxes, a direção de prova precisou acionar o Safety Car, o que demorou para fazer, causando algum rebuliço e mais preocupação nos boxes, além de provocar discussões acaloradas entre os envolvidos no acidente. O drama do acidente fez com que a festa do pódio não tivesse a tradicional comemoração de champanhe, em respeito aos mecânicos acidentados. Como resultado da liberação insegura do carro de Denis Navarro, os comissários da corrida anunciaram um acréscimo de 20s ao tempo do piloto, além de uma multa para sua equipe, a Cavaleiro Sports. O problema poderia ter sido ainda maior, uma vez que um ou outro carro acabou passando pelo local da confusão, escapando por pouco de se envolver no acidente, que felizmente só não foi mais grava pelo fato dos carros trafegarem com velocidade controlada no pit lane, o que evitou ferimentos maiores nos mecânicos envolvidos.

 

 

Além da vitória na segunda corrida de Santa Cruz do Sul, Rubens Barrichello teve outra vitória neste mês de setembro. O piloto brasileiro participou da etapa de Valleleunga, válida pelo Campeonato Italiano de Endurance GT3, pela equipe Scuderia Baldini, em parceira com outro ex-piloto de F-1, o italiano Giancarlo Fisichella, que anotou a pole-position para a corrida, e pilotou o carro na primeira parte da corrida. Rubinho assumiu o carro em seguida, e manteve o forte ritmo imposto por Giancarlo, conquistando o primeiro lugar na prova. De certa forma, foi um “retorno” de Barrichello à Ferrari, já que ele pilotou um modelo Ferrari 488, lembrando os tempos em que defendeu a marca italiana na F-1, entre as temporadas de 2000 e 2005, quando anotou 9 vitórias e dois vice-campeonatos.

 

 

A Indycar anunciou o calendário da categoria para 2023, e não houve praticamente nenhuma mudança em relação ao calendário realizado neste ano. Permanecem as mesmas 17 corridas, tendo início no dia 05 de março, com a prova em São Petesburgo, e encerrando no dia 10 de setembro, com a corrida de Laguna Seca. Texas, Iowa e Gateway continuam sendo as únicas corridas em ovais da temporada, além da tradicional 500 Milhas de Indianápolis. Confiram as datas: 05/03 - GP de São Petesburgo; 02/04 - GP do Texas; 16/04 - GP de Long Beach; 30/04 - GP do Alabama; 13/05 - GP de Indianápolis 1; 28/05 – 500 Milhas de Indianápolis; 04/06 - GP de Detroit; 18/06 - GP de Road America; 02/07 - GP de Mid-Ohio; 16/07 - GP de Toronto; 22/07 -      GP de Iowa 1; 23/07 - GP de Iowa 2; 06/08 - GP de Nashville; 12/08 - GP de Indianápolis 2; 27/08 - GP de Gateway; 03/09 - GP de Portland; 10/09 - GP de Laguna Seca.

 

 

Heptacampeão da Nascar, Jimmie Johnson resolveu se aventurar na Indycar nos últimos dois anos, procurando novas emoções na carreira. Defendendo a equipe Ganassi, Johnson disputou a maioria das corridas da temporada de 2021, ficando de fora apenas das provas em pistas ovais. O veterano piloto enfrentou muitas dificuldades na adaptação ao monoposto da Indy, andando sempre do meio do pelotão para trás, o que o fez terminar o ano apenas em 26º lugar, marcando 108 pontos. Nesta temporada, ele optou por correr em todas as provas, inclusive nos ovais, onde teve seus resultados mais destacados, um 5º lugar em uma das provas de Iowa, e um 6º no Texas. Ele também melhorou um pouco sua performance nas pistas mistas e de rua, mas mesmo assim, ficou bem distante dos demais pilotos da Ganassi, terminando a temporada de 2022 em 21º lugar, com 214 pontos marcados. E agora, para 2023, o piloto declarou que não deverá mais competir na Indycar a tempo integral, optando por participações eventuais na categoria, sem especificar quais provas ele deve correr. Jimmie justificou sua decisão afirmando que “ainda tenho o desejo de competir, mas em termos de uma temporada completa, é necessário, a energia, o esforço e o tempo fora de casa, todos são comprometimentos para dar o seu melhor. Eu não estou aqui agora, e sinto que 2022 completou muitos itens na minha lista”, de modo que ele não conseguiria manter a dedicação necessária para competir em alto nível na categoria. Johnson já declarou também que gostaria de disputar as 24 Horas de Le Mans, compromisso que poderá tentar no próximo ano, ao se afastar da disputa do campeonato da Indycar. A Ganassi já indicou que está aberta para receber Johnson nas corridas de 2023 que ele quiser participar, ao lado do já confirmado trio de pilotos da escuderia, Scott Dixon, Marcus Ericsson, e Álex Palou.

 

 

A MotoGP divulgou o seu calendário provisório para a temporada 2023, e a exemplo da F-1, também terá o maior campeonato de sua história, com 21 etapas, Dentre as novidades, termos os GPs da Índia e do Cazaquistão, que deverão fazer suas estreias na competição, embora ainda estejam para serem oficialmente confirmados, necessitando de homologação das pistas por parte da FIM – Federação Internacional de Motociclismo. Portimão irá abrir a temporada, em março, com o tradicional GP de Valência fechando o ano no final de novembro. A exemplo da categoria máxima do automobilismo, o calendário inchado também preocupa a classe rainha do motociclismo, que se preocupa com a logística e cansaço que um campeonato tão longo poderá ter em seus participantes e no pessoal das equipes. Confiram as datas: 26.03 – GP de Portugal; 02.04 – GP da Argentina; 16.04 – GP das Américas; 30.04 – GP da Espanha; 14.05 – GP da França; 11.06 – GP da Itália; 18.06 – GP da Alemanha; 25.06 – GP da Holanda; 09.07 – GP do Cazaquistão; 06.08 – GP da Grã-Bretanha; 20.08 – GP da Áustria; 03.09 – GP da Catalunha; 10.09 – GP de San Marino; 24.09 – GP da Índia; 01.10 – GP do Japão; 15.10 – GP da Indonésia; 22.10 – GP da Austrália; 29.10 – GP da Tailândia; 12.11 – GP da Malásia; 19.11 – GP do Qatar; 26.11 – GP de Valência. O GP de Aragón, na Espanha, acabou dançando na programação da nova temporada, aceitando entrar em um revezamento com outras corridas realizadas na Espanha. Já a prova do Qatar, que tradicionalmente abria a temporada, ficou para o final da temporada, uma vez que a pista de Losail passa por reformas, e não estaria pronta a tempo de sediar o GP que normalmente ocorria em março. Das pistas, enquanto o autódromo de Sokol, que sediará a nova corrida no Cazaquistão é completamente inédita, o circuito de Buddh, na Índia, é o mesmo que já recebeu a F-1 há anos atrás, entre as temporadas de 2011 a 2013, e que agora receberá a MotoGP. E ainda não vai ser desta vez que a Finlândia fará sua entrada na categoria, com a etapa nórdica praticamente nem sendo mencionada no release da Dorna, o que indica que a situação da corrida finlandesa está tendo outros problemas para serem resolvidos antes que possa realmente entrar no calendário da classe rainha do motociclismo.

 

 

Marc Márquez fez seu retorno à MotoGP depois de obter liberação dos médicos em sua recuperação. A volta do hexacampeão, ocorrida na prova de Motorland Aragón, na Espanha, contudo, não foi do jeito que ele gostaria. O piloto da Honda acabou se envolvendo em dois acidentes, e teve sorte de não sofrer maiores problemas, o que não pôde ser dito dos outros pilotos que acabaram envolvidos. Ainda na primeira volta, uma súbita desacelerada da moto de Marc pegou o atual campeão, Fabio Quartararo, que vinha embutido para tentar uma ultrapassagem, e surpresa, de modo que o piloto da Yamaha atingiu a traseira da Honda do espanhol, caindo para fora da pista, e tendo muita sorte de não sofrer ferimentos graves ao ser atingido por sua própria moto. Mais adiante, com a moto sofrendo as consequências do impacto por trás da Yamaha de Quartararo, Márquez acabou não conseguindo evitar um toque com o japonês Taakaki Nakagami, da equipe LCR, o que resultou na queda do nipônico, que sofreu ferimentos nos dedos de uma das mãos, e abandonou a corrida, o mesmo acontecendo com Quartararo. Com a moto comprometida, não restou a Márquez também abandonar a prova, indo aos boxes da LCR e da Yamaha para se desculpar com os rivais envolvidos nos acidentes, explicando que seu equipamento perdeu repentinamente a velocidade, o que resultou no choque de Fabio, e depois, desequilibrada pela batida, acabou levando-o a se tocar com Nakagami. Líder do campeonato, o prejuízo para Quartararo só não foi maior porque Enea Bastianini, num duelo espetacular, roubou a vitória de Francesco Bagnaia no final da corrida, o que impediu que o italiano da equipe oficial da Ducati reduzisse ainda mais sua vantagem na liderança do campeonato, já que “Peco” vinha de quatro vitórias consecutivas nas últimas corridas, reduzindo sistematicamente a vantagem acumulada pelo atual campeão, que vê seu rival se aproximando muito rápido e colocando em risco suas chances de chegar ao bicampeonato na atual temporada.