sexta-feira, 3 de setembro de 2021

ZANDVOORT DE VOLTA À F-1

O circuito holandês de Zandvoort está oficialmente de volta à F-1.

            E hoje começam os treinos da F-1 na pista de Zandvoort, que faz seu retorno ao mundial da categoria máxima do automobilismo depois de mais de 35 anos. A última corrida no circuito foi disputada em 1985. E, diferente daqueles saudosos tempos, os holandeses têm um ídolo nacional para torcer. Max Verstappen é a estrela da casa, e um dos responsáveis pelo retorno do circuito holandês ao circo da categoria máxima do automobilismo, aproveitando a fama do intrépido piloto da Red Bull.

            Um retorno que deveria ter ocorrido no ano passado, mas que diante da pandemia da Covid-19, que virou pelo avesso o mundo inteiro, acabou cancelada, assim como várias outras corridas. E neste ano, enfim, está podendo fazer o seu retorno. E com público, graças ao avanço da imunização no país, apesar de algumas restrições. Portanto, chegou a hora da torcida holandesa fazer a sua festa em solo próprio, uma vez que, nos últimos anos, sem um GP nacional, os torcedores foram manifestar seu apreço a Verstappen nos GPs de países próximos, como Alemanha, Bélgica, e Áustria, cujas arquibancadas foram coloridas de laranja pelos fãs alemães.

            E não dá para ignorar que o sonho de todos é ver um repeteco do que ocorreu nas duas corridas disputadas em Zeltweg, na Áustria, este ano, onde Max Verstappen deitou e rolou em cima da concorrência, e principalmente, de Lewis Hamilton, desde já o “inimigo público número 1” declarado por parte da torcida presente, que deve vaiar o heptacampeão com grande vigor, não apenas por ser o grande rival de seu ídolo, mas especialmente depois do ocorrido em Silverstone, onde ambos os pilotos se tocaram, resultando no abandono do holandês da prova, que acabou vencida por Hamilton. E que muitos torcedores desejam que se repita no circuito holandês, com os papéis invertidos: abandono de Hamilton, e vitória de Verstappen, que reassumiria a liderança do campeonato, perdida após o GP da Hungria.

            Com um traçado de 4,259 Km de extensão, e 14 curvas, Zandvoort passou por uma grande reforma para voltar a receber a categoria máxima do automobilismo, já que as instalações antigas não eram compatíveis com as atuais necessidades das escuderias da F-1. Na verdade, o circuito venceu uma disputa com outra pista holandesa, Assen, um dos mais icônicos circuitos do Mundial da MotoGP, onde é chamado de “Catedral” pela turma de competição das duas rodas. Infelizmente, o traçado atual de Zandvoort não é o mesmo de antigamente, e de relevante mesmo, só a mudança feita na última curva, que dá acesso à reta dos boxes, e que ficou inclinada, bem ao estilo das pistas ovais da Indycar, e contando inclusive com o softwall, o muro de segurança que equipa estes circuitos. O grau de inclinação é de 18º, e deve causar um certo frisson nos corredores, que entrarão com tudo na reta do circuito. Aliás, esta curva ganhou o nome de Arie Luyendyk, que foi um nome importante das categorias Indy nos anos 1990 nos Estados Unidos, tendo vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 1990 e 1997.

O traçado atual de Zandvoort (em preto) é muito mais travado do que o antigo (acima). De igual mesmo, só a largura da pista, estreita já nos velhos tempos, e que ajudava a complicar as tentativas de ultrapassagem, como no duelo entre Alain Prost e Niki Lauda, na corrida de 1985 (abaixo), vencida pelo austríaco, apesar das insistentes tentativas por parte do francês.


            E um dos problemas que os pilotos terão neste novo circuito é em fazer ultrapassagens. Há muitas curvas e os trechos de retas são pequenos, de modo que as disputas de posição serão complicadas, especialmente para quem largar de trás. E ainda tem um agravante: a pista é estreita, o que complica ainda mais a situação. Já era um agravante nos velhos tempos, quando a pista não tinha problemas crônicos de ultrapassagem por possuir um traçado mais aberto e menos travado. Mas atualmente, isso pode transformar a prova holandesa em uma procissão igual à vista nas ruas de Mônaco, o que vai tornar a classificação para o grid tão decisiva quanto, pois quem largar na frente pode ter praticamente a corrida ganha. E, infelizmente, não há como recuperar o traçado antigo, já que parte do terreno ao redor foi ocupado por bairros residenciais.

            A disputa pela pole-position deve ser intensa, e será interessante ver quem irá se dar melhor neste “novo” velho circuito que retorna à categoria. E depois do fiasco que foi o não-GP da Bélgica no domingo passado, o anseio dos fãs é que haja uma corrida de verdade, para variar. E, dependendo do resultado, podemos ver nova mudança na liderança do campeonato, já que a diferença entre Lewis Hamilton e Max Verstappen agora é de míseros 3 pontos. Os dois pilotos devem duelar pela vitória no circuito holandês, e algo que todos querem saber é se a Mercedes conseguiu reequilibrar a disputa o suficiente para lutar a fundo pelo título da temporada, já tendo encerrado as atualizações do modelo W12 para se concentrar no carro de 2022, enquanto a Red Bull pretende apostar tudo por tudo no RB16B para ser novamente campeã este ano. Em Silverstone, Hamilton conseguiu reverter as expectativas, e dar a alegria da vitória à torcida britânica. Max Verstappen conseguirá fazer o mesmo feito diante de seu público, no GP de seu país? Começaremos a ver alguns indícios da resposta já hoje mesmo, pois sendo um circuito desconhecido de todos os times, todo mundo vai usar os treinos livres desta sexta a fundo para encontrar os melhores ajustes para os carros, e tentar definir suas estratégias de corrida.

            Que Zandvoort possa fazer um bom retorno à F-1, e apesar dos prognósticos, consiga nos surpreender apresentando uma emocionante corrida...

 

Keke Rosberg, da Williams, assumiu a liderança inicial da última corrida da F-1 na Holanda, em 1985 (acima), depois que Nélson Piquet, o pole-position, ficou parado na largada (abaixo) e precisou ser empurrado para conseguir largar para a prova.


 

De coincidência, o último GP disputado em Zandvoort, e a corrida deste ano, tem o fato de que ambas as corridas foram protagonizadas por bólidos impulsionados por motores turbo. Se nos dias de hoje os nomes dos propulsores são Renault, Mercedes, Honda, e Ferrari, só a marca alemã não estava presente no grid da pista holandesa em 1985. Nélson Piquet foi o pole-position naquele ano, com a Brabham/BMW turbo, em uma temporada onde a equipe fundada por Jack Brabham exibia seus últimos resquícios de competitividade, com um carro até rápido, mas de performance inconstante, e de fiabilidade ainda pior, digladiando-se com pneus da Pirelli que eram inferiores aos Goodyear, que equipavam os demais times vencedores. E o calvário de Piquet começou logo na largada, quando o brasileiro não conseguiu arrancar daquela que foi sua única pole-position na temporada, ficando parado no grid, e caindo para o último lugar, tendo uma luta inglória para tentar recuperar posições e algum resultado decente, o que era quase impossível de fazer. Tanto que o brasileiro terminou apenas na 8ª posição, 1 volta atrás do vencedor, Niki Lauda, com a McLaren/TAG-Porsche, que conquistava ali a última vitória de sua gloriosa carreira na F-1, que encerraria ao fim daquela temporada, aposentando definitivamente o capacete. Lauda havia largado apenas em 10º lugar, e fez uma corrida combativa, bem ao seu velho estilo, em uma temporada onde o veterano piloto, que havia conquistado o tricampeonato na temporada anterior, já mostrava que não estava mais rendendo como gostaria de fazer. Alain Prost, que havia largado em 3º lugar, terminou em 2º, fazendo uma dobradinha da equipe McLaren na corrida. O pódio foi completado por Ayrton Senna, com a Lotus/Renault, em mais uma boa prova do brasileiro, que havia largado em 4º lugar, mas não teve como desafiar a performance dos carros de Ron Dennis, e precisou batalhar para segurar um aguerrido Michele Alboreto, com a Ferrari, para não perder seu lugar no pódio, uma vez que seu motor Renault estava falhando de forma intermitente. Keke Rosberg, que havia largado na 1ª fila, ao lado de Piquet, com a Williams/Honda, ficou pelo meio do caminho, abandonando com problemas de motor. A corrida foi a 11ª prova da temporada de 1985, que contou com 16 corridas, e ao fim do GP holandês, Alain Prost assumia de forma decidida a liderança do campeonato, com 56 pontos, 3 à frente de Alboreto. Os dois pilotos chegaram à Holanda empatados em 50 pontos, mas com Prost classificado em 1º lugar por ter 4 vitórias, contra apenas 2 de Alboreto, no único ano em que o italiano disputou o título mundial da F-1. Infelizmente, para a Ferrari, e principalmente para Michele, seria seu último resultado positivo na temporada: Alboreto abandonou as 4 últimas corridas do ano, e fez um melancólico 13º lugar na Itália. Já Prost venceria em Monza, e com mais 2 pódios em 3º e um 4º lugar, terminaria o ano como campeão, com 73 pontos válidos contra os 53 de Alboreto, o primeiro título do “Professor” na F-1, que ainda venceria as temporadas de 1986, 1989, e 1993.

 

 

Mas a história do GP da Holanda, ou mais propriamente, Grande Prêmio dos Países Baixos, é bem antiga. Começou com a terceira temporada da F-1, em 1952, e teve o italiano Alberto Ascari vencendo as duas primeiras edições da corrida, defendendo a Ferrari. O GP esteve ausente na temporada de 1954, mas em 1955, viu o argentino Juan Manuel Fangio, com a Mercedes, faturar a vitória. A Holanda ficaria novamente de fora do calendário da categoria máxima do automobilismo em 1956 e 1957, retornando em 1958, para ver Stirling Moss, com a Vanwall, vencer a corrida. De 1958 a 1985, Zandvoort esteve presente em todas as temporadas da F-1, sediando o Grande Prêmio da Holanda, com exceção da temporada de 1972.

 

 

O escocês Jim Clark é o maior vencedor da F-1 na pista de Zandvoort, com 4 triunfos, obtidos nas temporadas de 1963, 1964, 1965, e 1967. Jackie Stewart vem a seguir, com 3 vitórias, conquistadas em 1968, 1969, e 1973, empatado com Niki Lauda, também com 3 triunfos, nas edições de 1974, 1977, e 1985. Alberto Ascari, Jack Brabham, James Hunt e Alain Prost subiram ao degrau mais alto do pódio holandês em duas ocasiões cada um. E houve apenas uma vitória brasileira neste GP, obtida em 1980, por Nélson Piquet, com a Brabham/Ford, no ano em que terminou como vice-campeão da temporada.

 

 

E Kimi Raikkonen anunciou sua aposentadoria definitiva da F-1, ao fim da atual temporada da categoria máxima do automobilismo. Atual recordista de GPs disputados na F-1, Kimi estava fazendo praticamente figuração nos últimos anos, desde que foi dispensado pela Ferrari para a chegada de Charles LeClerc. Kimi é até hoje o último piloto a ser campeão pela Ferrari, em 2007, superando por um ponto a dupla da McLaren naquele ano, formada por Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que se digladiaram durante todo o ano, e acabaram permitindo a conquista do piloto finlandês, que ocorreu aqui em Interlagos, em uma prova onde Felipe Massa, atendendo aos anseios do time italiano, declinou da luta pela vitória no GP do Brasil, para a conquista de Kimi. Mesmo com a conquista do título, o finlandês acabou dispensado pela Ferrari ao fim da temporada de 2009, devido ao seu desinteresse na competição, com a escuderia promovendo a entrada de Fernando Alonso no seu lugar na temporada de 2010. Kimi foi se divertir em outras categorias automobilísticas nos dois anos seguintes, retornando à F-1 em 2012 na Lotus, fazendo duas excelentes temporadas em 2012 e 2013, até vencendo corridas, em um time que não era tão competitivo quanto Ferrari, Red Bull, e McLaren. Chamado de volta à Ferrari, o finlandês substituiu seu antigo companheiro de equipe Felipe Massa no time de Maranello a partir de 2014, quando o brasileiro se mudou para a Williams. A segunda passagem de Raikkonen pela Ferrari foi bem mediana, tendo ficado sempre à sombra de seus companheiros de equipe Fernando Alonso (2014) e Sebastian Vettel (2015 a 2018). Mas, pelos serviços prestados à Ferrari, esta o realocou na Alfa Romeo, a antiga Sauber, que foi abraçada pela marca da primeira campeã da F-1, e hoje pertencente ao Grupo Ferrari. E, nestas últimas temporadas, Kimi continuou fazendo parte do grid, mas deixando de ser protagonista das disputas.

 

 

Desnecessário dizer que a F-1, quando precisa mostrar traquejo e competência, costuma dar alguns tiros no próprio pé. Foi o que vimos domingo passado, na Bélgica, quando tivemos um GP que na verdade não foi um GP. OK, as condições de tempo em Spa-Francorchamps não eram viáveis para se disputar uma corrida. Já tínhamos visto a batida de Lando Norris na última parte da classificação no sábado, e uma batida de nada menos de seis carros na W Series, ambos os acidentes praticamente no mesmo ponto, a saída da Eau Rouge e a tomada da Raidillon, um dos trechos mais velozes do circuito belga. Depois de vários adiamentos, que se constatasse a impossibilidade de se realizar a corrida, adiando-a para a segunda-feira, ou cancelando o GP, praticamente. Mas não, nada tão simples. Fizeram os carros dar algumas poucas voltas atrás do Safety Car, e então encerraram a prova, inclusive com atribuição de vitória, que ficou para Max Verstappen, que largava na pole, e os pontos respectivos, mas reduzidos à metade. Mas, como se chama de corrida, algo que não foi corrida, pura e simplesmente? Uma corrida é uma disputa, e com a carro de segurança à frente, tudo o que não houve foi disputa, pois não havia luta por posições, ninguém podia ultrapassar ninguém, e como você pode dar pontos, se o pessoal praticamente não batalhou por eles como deveria ser? Quando se fala que a F-1 tem um monte de regras esdrúxulas e inúteis, os artigos regulamentares que usaram como justificativa para se fazer o que foi feito resumem bem quão incapaz a FIA pode ser. Por mais que se apregoe respeito às regras, estas deveriam ser evoluídas e melhoradas para quando fossem necessárias. A F-1, contudo, parece só se mexer na base do tranco, pois a situação de domingo poderia ter sido muito melhor conduzida, não fossem regras imbecis, e falta de jogo de cintura para se contornar a situação. E, com a próxima corrida no fim de semana seguinte, o que deveria ser mais uma justificativa para se cancelar de vez a corrida, já que não haveria como correr na segunda-feira, acaba jogando contra também, já que entre as pistas de Spa, na Bélgica, e Zandvoort, na Holanda, são cerca de 300 quilômetros, tanto é que todo o material das equipes já se encontrava no paddock da pista holandesa no início da tarde de segunda mesmo. Com alguma sorte, poderia se disputar a prova belga na segunda-feira, e teríamos uma corrida. Talvez sem público, mas quantas provas ficaram sem público por causa da Covid-19 desde o ano passado? A Indycar já fez isso várias vezes, em que pese sua estrutura ser bem menor do que a da F-1. E, suspender a corrida, para realiza-la em outro momento também expõe um problema que a categoria vem criando nos últimos tempos: o inchaço do calendário, de modo que não sobram datas viáveis que poderiam ser utilizadas em caso de corridas suspensas por problemas climáticos. Com uma temporada prevendo 23 corridas, e que se concluirmos 22 já será muito, não há praticamente um fim de semana livre para se realizar a prova belga em outro momento. Depois desse fiasco, a FIA promete rever os regulamentos para evitar que o caso se repita, mas a mancha na reputação de profissionalismo da categoria vai ficar. E repito: não correr foi o certo. Mas poderiam ter tomado tal decisão sem tanta palhaçada... Veremos se farão bom uso dessa experiência no futuro...

 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

FLYING LAPS – AGOSTO DE 2021

            E o mês de agosto já ficou para trás, e já adentramos o mês de setembro de 2021, ainda aos trancos e barrancos, com os percalços da pandemia ainda varrendo boa parte do mundo, e complicando nossas vidas em muitos aspectos, apesar da esperança de dias melhores com a vacinação seguindo em frente em muitos lugares, inclusive aqui no Brasil. E o mundo da velocidade segue em frente do jeito que dá, com o andamento de seus campeonatos aqui e ali, com algumas corridas sendo canceladas, enquanto outras conseguem ser realizadas, por causa da pandemia. Esperemos que esse pesadelo se encerre o quanto antes, algo que só devemos ver mesmo em 2022, pois o que resta de 2021 ainda fica em dúvidas. E já que estamos novamente no início de um novo mês, é hora de mais uma sessão Flying Laps, reportando alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor mundial ocorridos neste último mês de agosto, sempre com alguns comentários rápidos a respeito, desta vez com enfoque nos campeonatos da Indycar e da MotoGP. Então, boa leitura a todos, e espero vocês por aqui na próxima sessão Flying Laps no mês que vem...

Grande novidade na temporada 2021 da Indycar, o GP de Nashville foi bem agitado. Na verdade, agitado até demais para muitos pilotos, que tiveram uma corrida das mais complicadas, com direito a engarrafamentos provocados por batidas, enroscos entre pilotos, e até uma “decolagem” por parte do sueco Marcus Ericsson, da Ganassi, que encheu a traseira do carro de Sébastien Bourdais, da Foyt, causando o abandono do francês. Mas Ericsson conseguiu se manter na corrida, e com uma estratégia que acabou dando certo, em meio ás confusões que ocorreram na prova, ele ainda por cima acabou vencendo a corrida, em uma daquelas situações insólitas que vez por outra acontecem. Isso porque o piloto sueco esteve longe de ser unanimidade na prova, justamente pelo acidente bisonho que provocou, mas, coisas da vida... Enquanto isso, Colton Herta, da Andretti, vinha dando um verdadeiro show, superando os adversários e partindo para o ataque em busca da liderança da corrida e da vitória. Só que Herta empacou atrás de Ericsson, e na luta para pressionar o piloto da Ganassi, foi Colton quem acabou errando, acertando o muro, e dando adeus à corrida. Ao todo, foram 9 bandeiras amarelas durante a prova, que ajudou a bagunçar as estratégias de todos, para não falar dos prejuízos nos carros de quem acabou batendo, ou sendo batido, havia espaço para todo mundo aprontar alguma, como por exemplo Will Power, que acabou dando uma prensada no próprio companheiro de equipe Simon Pagenaud, da Penske, que foi parar no muro, e provocou o bloqueio da pista devido ao número de carros parados no trecho, obrigando a uma bandeira vermelha para colocar tudo em ordem. E sobrou também para Scott McLaughlin, que também andou se estranhando com Dalton Kellett. Apesar de um traçado interessante, a pista de Nashville esteve longe de agradar aos pilotos. O piso ondulado deixava os carros saltando demais, e havia um trecho da pista pra lá de apertado. Para 2022, um retorno à cidade do Tenesse deve obrigar os organizadores a darem uma corrigida no traçado e no piso, para evitar maiores complicações. Scott Dixon, da Ganassi, conseguiu sobreviver ao caos na corrida e terminou em 2º lugar, com James Hinchcliffe, da Andretti, espantando um pouco a má fase da temporada 2021 com o 3º lugar. Alex Palou, líder do campeonato, finalizou em 7º, mantendo uma boa vantagem na classificação. E Hélio Castro Neves, retornando à Meyer Shank após a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, terminou em 9º lugar, ainda tentando se achar com o carro do novo time em circuitos mistos e de rua.

 

 

Com uma temporada zicada, Will Power vinha batendo na trave em várias provas onde esteve perto de vencer em 2021, com alguma coisa sempre acontecendo com o australiano. Mas, dizem que não há azar que sempre dure, e Power conseguiu enfim vencer na Indycar este ano, ao faturar a segunda corrida no traçado misto do Indianapolis Motor Speedway. Quem também se redimiu um pouco, depois do erro cometido na prova anterior, em Nashville, foi Colton Herta, que terminou em 3º lugar. E quem deu show novamente no misto de Indianapolis foi Romain Grosjean, que terminou em 2º lugar. E quem teve um dia para esquecer foi Alex Palou, que a 18 voltas do final da prova, ostentando um pódio potencial, parou no meio da pista, com seu motor fumegando: era o abandono do líder do campeonato, que sofria um duro golpe em sua luta pelo título da temporada 2021. Com um 5º lugar, Patrício O’Ward diminuiu sua desvantagem na perseguição a Palou, enquanto Josef Newgarden finalizava num modesto 8º lugar, e Scott Dixon era apenas o 17º, depois de ter de largar lá atrás. Ainda lutando para entender o comportamento do carro em pistas mistas, Hélio Castro Neves foi apenas o 21º, enquanto seu companheiro de time Jack Harvey era um respeitoso 6º lugar. Jimmie Johnson, que vem fazendo uma temporada de puro aprendizado na Indycar, até que teve um bom desempenho nesta corrida, terminando em 19º, mas numa prova onde 28 carros largaram, e tivemos apenas 2 abandonos.

 

 

Quando dizem que a situação não pode piorar, aí é que o bicho pega mesmo: se Alex Palou já tinha ficado desolado com o abandono na segunda corrida no misto de Indianápolis, o que dizer então da prova seguinte, em Gateway, onde o piloto espanhol acabou tendo sorte pior, com um novo abandono, ao ser colhido em um strike promovido por Rinus Veekay no meio da prova, que levou junto Scott Dixon, acabando com a corrida de todos eles na última prova em circuito oval da temporada 2021. Com o 2º lugar na corrida, o mexicano Patricio O’Ward assumiu a liderança do campeonato, que até então era de Palou, que agora é o vice-líder, com 10 pontos de desvantagem para o piloto da McLaren. Josef Newgarden venceu a prova, o seu segundo triunfo na temporada, e voltou à luta pelo título, subindo para a 3ª posição, com 413 pontos, apenas 12 a menos do que Palou, com 425, mas também colocando O’Ward em sua alça de mira, com 435 pontos, uma vez que restam 3 provas, onde teremos 150 pontos em jogo, só contabilizando a pontuação das vitórias, sem mencionar os pontos extras pela pole e por ocupar a liderança da corrida. Vitimado por Veekay em Gateway, Scott Dixon é o 4º no campeonato, com 392 pontos, ainda mantendo esperanças de chegar ao seu sétimo título na categoria, apesar de não fazer uma temporada das mais inspiradas, mas chegando lá novamente. O pau vai comer nestas etapas finais da competição, que serão realizadas em Portland, Laguna Seca, e com o encerramento no circuito de rua de Long Beach. Devemos ter uma boa disputa entre estes quatro pilotos, embora outros nomes ainda apareçam com chances matemáticas, mas que dificilmente entrarão firmes na briga.

 

 

E Tony Kanaan despediu-se da temporada 2021 da Indycar com mais uma atuação que não fez juz ao seu grande currículo na competição. O piloto baiano terminou apenas em 13º, à frente apenas de Romain Grosjean, que teve uma apresentação cheia de altos e baixos em sua estréia em um circuito oval. Para 2022, muito provavelmente Kanaan repita o esquema de participar apenas das corridas em ovais com a Ganassi, como fez neste ano. E Pietro Fittipaldi acabou sacado da Dale Coyne, uma vez que estava substituindo Grosjean nos circuitos ovais, mas como o piloto resolveu disputar a corrida, e a escuderia não disponibilizou um terceiro carro, o jovem Fittipaldi preferiu ficar de fora, e se concentrar em obter um lugar de titular para 2022, ao invés de lutar por participações esporádicas, até porque continuar como piloto reserva da equipe Haas na F-1 não vai levar mesmo a lugar nenhum, e é melhor começar a verificar outras opções mais viáveis de seguir com a carreira no mundo do automobilismo...

 

 

E a passagem de Maverick Viñales pela equipe oficial da Honda chegou ao fim. Depois de ser suspenso pelo time nipônico na segunda corrida realizada na pista de Zeltweg, na Áustria, por ter tentado danificar de forma premeditada o seu equipamento, a escuderia dos três diapasões já havia resolvido deixar o piloto espanhol fora da etapa de Silverstone, de modo que ambos preferiram adiantar o encerramento do contrato entre ambos, que já havia sido antecipado para o fim desta temporada, com previsão inicial de terminar somente no fim de 2022. Desse modo, Cal Cruthlow, que é piloto reserva da Yamaha, e havia substituído o lesionado Franco Morbidelli na equipe satélite SRT na segunda corrida da Áustria, foi chamado para ocupar o lugar de Maverick na corrida britânica. Mas não ficará por aí: Morbidelli, que se recupera de uma cirurgia realizada no joelho antes das férias de julho, irá ocupar a vaga de Viñales no time oficial de fábrica da Yamaha assim que puder voltar à competição, o que deve ocorrer na próxima corrida, em Aragón. E seu lugar na SRT será ocupado pelo italiano Andrea Dovizioso, ex-Ducati, que havia ficado sem lugar para correr nesta temporada, fazendo dupla com Valentino Rossi em suas últimas provas como piloto na MotoGP.

 

 

Maverick Viñales, aliás, não ficará a pé: o piloto já acertou contrato para defender a Aprilia na próxima temporada, mas como o espanhol já ficou livre de seu compromisso com o time nipônico, sua nova escuderia já pretende contar com seus serviços ainda este ano. A estréia de Maverick deve ser no GP de Misano, na Itália, no dia 19 de setembro, substituindo Lorenzo Savadori na escuderia. A Aprilia, aliás, confia em conseguir obter vôos mais altos com a contratação de Viñales, ainda mais depois do pódio obtido por seu piloto Aleix Spargaró na etapa da Grã-Bretanha, que terminou a corrida em 3º lugar. Foi o primeiro pódio do piloto, e da escuderia. E não fosse um inspirado Fabio Quartararo, da Yamaha, o vencedor da corrida, e um decidido Alex Rins, da Suzuki, que foi o 2º colocado, poderia ter sido até a primeira vitória da Aprilia na classe rainha do motociclismo. Aleix pilotou forte durante a corrida, mas acabou tendo de se render à melhor performance de Quartararo e Rins. Não foi um resultado fácil, mas tanto Spargaró quanto a Aprilia se mantêm esperançosos de continuarem evoluindo, com meta a superar seus melhores resultados no próximo ano. A Aprilia está na MotoGP desde a temporada de 1997, com algumas interrupções, tendo participado também das categorias de acesso Moto3 e Moto2. Resta saber como Viñales vai se sair no seu novo time, já que o piloto espanhol surpreendia quando defendia a Suzuki, mas não conseguiu repetir o mesmo brilho na Yamaha. E, quanto teve a concorrência de um inspirado Quartararo este ano, desandou por completo a parceria entre o piloto e a escuderia japonesa. Maverick parece ser mais um caso com alguma similaridade com seu antecessor, Jorge Lorenzo, que depois de deixar a Yamaha, também não se acertou mais na MotoGP. Seus dois anos na Ducati não foram um desastre, mas também não foram tão bons quanto ele esperava, tendo demorado muito para se aclimatar à moto italiana, o que o fez ser engolido por Andrea Dovizioso, que lutou pelo título, enquanto Jorge tentava retomar o protagonismo perdido. E só piorou quando Lorenzo foi para a Honda, onde acabou completamente destroçado por Marc Márquez, sem conseguir sequer andar perto da “Formiga Atômica”. Vejamos como Maverick vai ser dar com a moto da Aprilia.

 

Marc Márquez está tendo mais dificuldades do que imaginava no seu retorno à MotoGP. Apesar da vitória em Sachsenring, a “Formiga Atômica” não conseguiu recuperar a velha forma de pilotagem, e vem amargando resultados aquém do esperado por ele mesmo. Na segunda corrida em Zeltweg, o hexacampeão revelou que precisou fazer uso de analgésicos no braço lesionado no ano passado, para conseguir disputar a corrida, pois as dores eram muito fortes. E o perigo não está longe: Marc tem sofrido quedas em corridas recentes, e isso pode comprometer sua recuperação, que não está totalmente completa. E, para variar, na etapa de Silverstone o piloto da Honda foi novamente ao chão, depois de tocar em Jorge Martin, da Pramac, amargando mais um abandono na temporada. O próprio piloto admite que não sabe precisar em que ponto ele está recuperado ou não, pois tem dias em que não sente nada, enquanto em outros, a dor volta forte, obrigando ao uso de analgésicos injetáveis que são usados com prescrição médica. Melhor que ele vá um pouco mais devagar na pista este ano, para tentar voltar melhor em 2022, do contrário, Márquez poderá ser considerado apenas um ex-campeão em atividade na MotoGP, sem brilhar mais como fazia antigamente...