sexta-feira, 5 de abril de 2019

STOCK CAR 40 ANOS

A Stock Car Brasil está completando 40 anos, firme e forte, e prepara-se para disputar sua 500ª corrida, na pista do autódromo de Velopark (abaixo) neste domingo.

            A principal categoria do automobilismo nacional está em festa. Neste final de semana, no circuito de Velopark, na Grande Porto Alegre, a Stock Car Brasil inicia as comemorações de seus 40 anos de existência, e com uma outra marca de respeito: a prova de estréia da temporada 2019 será a 500ª corrida da categoria.
            Não são marcas a serem menosprezadas. Afinal, na semana que vem, a Fórmula 1, que disputa este ano o seu 70º campeonato, completará 1.000 corridas com a realização do Grande Prêmio da China. Por mais que alguns digam que não há como comparar a F-1 com a Stock Car, não há como negar que uma categoria durar tanto tempo assim não seja digna de elogios e respeito, mesmo que tenha alguns defeitos e precise de algumas correções. Mas, nem a F-1 é perfeita, então, tudo bem.
            Na pista, 28 pilotos de 14 equipes iniciarão a luta pelo título da temporada. E, por ser a corrida de número 500 da Stock, ela será disputada em uma única rodada, e não em prova dupla, como tem sido praxe nos últimos anos, à exceção da Corrida do Milhão. Daniel Serra, o atual bicampeão, continua defendendo a equipe RC, com a qual conquistou os campeonatos de 2017 e 2018, e se prepara para enfrentar os rivais de peso, que incluem vários pilotos. Dentre os competidores no grid, temos vencedores de 13 campeonatos, com destaque para Cacá Bueno, 5 vezes campeão, ao lado dos bicampeões Daniel Serra e Ricardo Maurício, além de Rubens Barrichello, Marcos Gomes, Felipe Fraga, e Max Wilson.
            A transmissão da corrida será feita ao vivo no canal pago SporTV2, a partir das 11:00. Um campeonato com 12 etapas, com início no Velopark, e terminando em Interlagos, no dia 15 de dezembro. Equipes com patrocinadores fortes, e muitos pilotos com currículos de respeito, inclusive alguns que disputaram a F-1, como Barrichello, e Nelson Ângelo Piquet. A Stock Car é um oásis no mundo do automobilismo nacional, onde praticamente escasseiam campeonatos fortes e duradouros. A F-Truck, que vinha rivalizando com a Stock em anos recentes, encerrou suas atividades, sendo substituída pela nova Copa Truck, que vem conseguindo obter um bom sucesso, mas sem conseguir igualar o prestígio da categoria de Daniel Serra, Felipe Fraga & Cia. O Brasileiro de Endurance, e a F-3 Brasil também não possuem o mesmo respaldo. E enquanto isso, nestes últimos 40 anos, nosso país perdeu vários certames, uma situação que não é exclusividade de nosso país e de sua economia cheia de altos e baixos. Afinal, até mesmo na Inglaterra, berço do automobilismo mundial, várias categorias acabaram encerrando suas atividades no decorrer destas últimas quatro décadas.
            E tudo começou quando a primeira corrida foi disputada no dia 22 de abril de 1979, no autódromo de Tarumã, no Rio Grande do Sul. Foi o resultado do esforço de 2 anos, desde que o certame foi anunciado, ainda em 1977, em substituição à Divisão 1, um campeonato que acabou sendo extinto devido ao desinteresse do público e de patrocinadores. Contando com o apoio da Chevrolet, e espelhando-se na categoria similar dos Estados Unidos, a Nascar, a Stock Car nasceu com o intuito de unir desempenho e sofisticação. Na prova inaugural da nova categoria, 19 pilotos aceleraram seus carros Opala na pista gaúcha, com José Carlos Palhares sendo o primeiro pole-position da Stock. Mas a vitória acabou ficando com Affonso Giaffone Filho. No final do ano, Paulo Gomes viria a se tornar o primeiro campeão da Stock.
Nas primeiras temporadas, os pilotos competiam com o modelo Opala, da Chevrolet (acima). E Ingo Hoffman começou sua carreira de vitórias na Stock Car ao volante destes carrões (abaixo), conquistando um total de 12 títulos em sua longa carreira.
            E ele não ficaria apenas com um título: Gomes conquistaria também os títulos de 1983, 1984, e 1995. Quatro títulos parece muito? Não para Ingo Hoffmann, que em sua longa carreira na Stock, é o recordista de títulos, com nada menos que 12 campeonatos. Ele faturou a competição em 1980, 1985, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, e 2002. O “Alemão”, como era conhecido, venceu nada menos do que 77 corridas, largando 60 vezes na pole-position. Não por acaso, Paulo Gomes, o primeiro campeão, anotou 40 vitórias e 25 pole-positions. Do grid atual, quem tem mais triunfos é Cacá Bueno, com 5 títulos, obtidos em 2006, 2007, 2009, 2011, e 2012, com um total de 36 vitórias, e 37 pole-positions.
            Contando com um regulamento criado para conter custos, e manter um equilíbrio entre os times, a categoria nasceu monomarca, mas a adoção do nome Stock Car ajudou a desviar a atenção para este detalhe. Com carros iguais, modelo Opala da Chevrolet, e com motores de 6 cilindros e 4 litros, a categoria caiu no gosto do público, apresentando grandes disputas, corridas movimentadas, e pilotos de grande talento. O prestígio da categoria chegou ao ponto de serem realizadas as primeiras etapas fora do Brasil, no Autódromo do Estoril, em Portugal.
            Na pista, os velhos Opalas rodaram intactos até 1987, quando foram introduzidas as primeiras carenagens, que eram instaladas por cima do chassi do velho Opala, dinamizando a imagem da categoria, e aprimorando a performance aerodinâmica dos bólidos, o que se refletiu na melhoria do desempenho nas pistas. Apesar de tudo, no início dos anos 1990, a Stock passou por um período de baixa, em virtude da concorrência de outras categorias nacionais que existiam na época. Com o envolvimento maior da Chevrolet, a partir de 1994 o veículo de competição passou a ser o modelo Omega, devidamente adaptado para competição na pista. A partir do ano 2000, os carros passariam a usar a carenagem do Vectra, em cima de chassis tubulares projetados especialmente para competição. O novo século também viu os velhos motores 4.1 saírem de cena, para entrarem os V-8 Chevrolet. Condições de segurança, nos carros e nos circuitos, vão evoluindo a cada ano.
            A partir de 2005, a categoria se tornou multimarcas, com novas montadoras instalando suas carenagens sobre os chassis tubulares de competição. Mitsubishi e Peugeot passaram a conquistar títulos, desafiando o longo histórico da Chevrolet, que continua firme até hoje. A Volkswagen até participou por um tempo, mas não permaneceu na Stock. Desde 2017, contudo, a categoria voltou a ser monomarca, utilizando a carenagem do Chevrolet Cruze na competição.
            Desde o ano 2000, a Stock tem acordo de transmissão do campeonato com as Organizações Globo, o que garante o televisionamento das corridas. Um acordo que já foi muito criticado em várias oportunidades, pelo fato de a categoria muitas vezes render-se aos caprichos da emissora carioca, na formulação das corridas, e sistemática de treinos. Nos últimos anos, a Globo preferiu escalar a transmissão das corridas nos canais pagos do SporTV, o que reduziu o alcance obtido normalmente pela transmissão no canal aberto, o que passou a ser feito apenas vez ou outra, em geral na Corrida do Milhão, ou no encerramento da temporada.
            Felizmente, hoje a audiência no canal pago está ajustada à realidade nacional, e os patrocinadores seguem satisfeitos com os resultados. E convenhamos, não é qualquer certame que tem mais de 30 carros no grid por tantas temporadas, ainda mais se compararmos com vários outros certames internacionais, cujos grids andam mais esvaziados. Essa é outra marca que a Stock pode se orgulhar de exibir, e olha que estamos falando da realidade econômica nacional, que desde 2015, está bem ruim e com várias dificuldades de conseguir achar uma melhora a curto prazo. Mas mesmo assim, a grande maioria dos times presentes na competição ostenta bons patrocínios que lhes garantem orçamentos suficientes para competirem em bom nível.
            Um dos estigmas que volta e meia assombra a Stock é ser chamada de categoria de “velhos”, ou “fim da estrada”, por abrigar pilotos cujas carreiras internacionais findaram-se, seja por encerrarem seu ciclo, seja por terem ficado sem opções. Especialmente para quem teve chance de disputar a F-1, e precisou voltar ao Brasil, sem conseguir seguir adiante no exterior. Embora haja certa justificativa para isso, o que pesa é a conotação negativa para isso ocorrer, que seria pelo piloto “estar acabado, e tornado-se decadente”, sem interessar aos times de competições de categorias no exterior.
Rubens Barrichello foi mais um piloto com passagem pela F-1 a engrossar o grid da Stock Car, e já foi campeão pela categoria nacional.
            Mas é uma caracterização equivocada. Vários ex-pilotos que atuaram no exterior ajudaram a elevar o padrão de competição da Stock, como foi o caso de Rubens Barrichello, que depois de 19 anos disputando a F-1, e um ano na IRL, voltou para o Brasil para se dedicar à Stock, onde continua a exibir o talento e capacidade que o levaram a competir na categoria máxima do automobilismo, chegando a conquistar o título da Stock. E, antes, pelo menos até o início dos anos 2000, se a Stock contava com vários pilotos já de mais idade, que realmente tinham a categoria nacional como último refúgio para suas carreiras, ela passou a ser a primeira opção para muitos pilotos novos que passaram a dedicar-se ao automobilismo nacional, e não a tentar carreira no exterior. Embora vários desses pilotos tenham chegado a disputar competições internacionais, seu foco principal é na Stock Car, cujo calendário lhes permite participar, quando possuem oportunidade, de várias provas de renome no automobilismo mundial, como as 24 Horas de Le Mans, ou outras etapas no Mundial de Endurance. É o caso, por exemplo, de Cacá Bueno, que fez da Stock sua opção de carreira, nela faturando 5 títulos.
            Mas não se pode negar que, em alguns casos, o adjetivo pejorativo de “piloto decadente” acaba “pegando”, pela falta de resultados recentes de alguns deles quando optaram por competir por aqui, como é o caso de Nelsinho Piquet, recentemente dispensado pela equipe Jaguar na Formula-E, devido à falta de resultados apresentada pelo filho do tricampeão Nélson Piquet no último ano.
            Para a Vicar Promoções Desportivas, que promove a competição, e que tem em Carlos Col seu atual presidente, a boa administração da competição, aliada a patrocinadores confiáveis, e um bom plantel de pilotos no grid, garante a atração das corridas ao público nacional amante da velocidade, que está sempre lotando os autódromos por onde a categoria passa. Trabalhando junto à CBA nas definições dos padrões de segurança tanto dos autódromos como dos equipamentos de competição, a Vicar pode-se realmente orgulhar do trabalho desenvolvido desde que passou a organizar o campeonato da Stock desde a temporada de 2001.
            Mas é importante também a Stock tentar se manter livre de controvérsias, e algumas punições e problemas com pilotos ocorridos em anos recentes poderiam ter sido muito melhor trabalhados e resolvidos, sem dar margem de interpretações que acabam por desmerecer a seriedade e imparcialidade da competição. E pela marca histórica que a Stock está comemorando, espero que este campeonato esteja livre deste tipo de picuinhas e manobras que em nada contribui para sua história, muito pelo contrário.
            Que a Stock Car Brasil possa prosseguir firme e forte, e oferecendo aos fãs nacionais das competições do esporte a motor as melhores provas com muitas emoções e disputas na pista. E que possam, daqui a muitos anos, chegar firme para disputar também sua milésima corrida, e continuar brindando a todos com suas provas pelo Brasil, e até mundo afora. O campeonato de 2019 está para começar, e a disputa está aberta a todos. Que venha o sinal verde, e que vença o melhor...


A Ferrari tinha tudo para sair como a grande vencedora do Grande Prêmio do Bahrein, quando as coisas começaram a dar errado para o time italiano na segunda metade da corrida. Charles LeClerc marcou a pole-position com uma pilotagem firme e inspirada, mostrando o talento e capacidade que o levaram a Maranello após sua temporada de estréia na Sauber em 2018. O monegasco perdeu a liderança no arranque da largada, chegando inclusive a ser superado por Valtteri Bottas, mas manteve a cabeça fria, e foi buscar novamente a liderança, sabendo do bom carro que tinha em mãos, não demorando a reassumir a primeira colocação, com uma ultrapassagem perfeita e limpa sobre Sebastian Vettel poucas voltas depois. Dali em diante, Charles comandou a corrida como quis, sem cometer nenhum erro. Mas, atrás dele, Vettel não estava tendo a vida fácil como esperava: Lewis Hamilton, mesmo tentando uma estratégia a meio da corrida com pneus macios que não deu certo, foi para o ataque contra o alemão, e conseguiu uma ultrapassagem decidida após sua troca de pneus. Sebastian, na tentativa de resistir à perda de posição, perdeu o controle do carro e acabou rodando, e com isso, dando adeus às suas pretensões de ainda vencer a corrida. Como desgraça pouca é bobagem, a asa dianteira do carro do alemão despedaçou-se de forma estranha pouco depois, obrigando Vettel a ir aos boxes reparar seu carro, o que o derrubou ainda mais na corrida, e tendo de recuperar várias posições. Restava para a Ferrari a performance impecável de LeClerc, até que a 11 voltas do final, o monegasco avisou que havia um problema com seu motor, passando a rodar vários segundos mais lento. E não deu outra: com um ritmo inferior, tentando simplesmente chegar ao final da prova, Charles acabou superado por Hamilton e Bottas na pista, e só não perdeu a 3ª posição para Max Verstappen porque o Safety Car precisou entrar nas voltas finais para retirada de carros que abandonaram e ficaram em posição perigosa. Com isso, a Mercedes conseguiu sua segunda dobradinha, e o 3º lugar de LeClerc, se não foi o fim do mundo, foi uma tremenda desilusão para o piloto, que vinha sendo perfeito na sua segunda corrida pela Ferrari, que ainda viu Vettel terminar em 5º lugar, após se recuperar na pista de seus percalços. Um resultado magro para o time que tinham os melhores carros na pista, mas não deu sorte.


Se a Ferrari teve azar, a Renault foi uma desgraça no GP barenita: Nico Hulkenberg fazia uma bela prova, tendo largado na parte de trás do grid, e se recuperado durante a corrida, e Daniel Ricciardo iria pontuar, de modo que o time francês seria o melhor do “resto”. Mas, faltando três voltas para o final, os carros de ambos os pilotos “apagaram”, parando na pista, e fazendo Nico e Daniel amargarem um abandono duplo. E ainda sobrou de novo para Carlos Sainz Jr., da McLaren, que foi mais um carro de motor Renault a ficar fora de combate na corrida, por problemas, repetindo a sina do espanhol em Melbourne. A Renault só pôde ter como compensação o 6º lugar de Lando Norris, um bom resultado dando à McLaren/Renault os primeiros pontos da escuderia, que também usa os motores franceses, na atual temporada, e que demonstrou uma performance encorajadora durante a corrida, mostrando que o time de Woking parece estar no caminho certo para escalar novamente o grid da categoria máxima do automobilismo, em busca de melhores dias.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

FLYING LAPS – MARÇO DE 2019


            E começaram alguns dos mais importantes campeonatos do mundo do esporte a motor de 20198 neste mês de março, como a MotoGP, Indycar, a F-2, e a Fórmula 1. Por isso mesmo, é hora de mais uma postagem da sessão Flying Laps, com alguns tópicos sobre alguns acontecimentos de alguns destes campeonatos ocorridos neste último mês, que não deu tempo de citar e dissertar nas colunas regulares, sempre com os tradicionais comentários e observações. Infelizmente, nem deu tempo de acompanhar tudo o que andou acontecendo em outras categorias, mas espero que possam apreciar o texto. Então, uma boa leitura a todos, e até a sessão Flying Laps do próximo mês...
 

O campeonato da Formula-E continua mais equilibrado e imprevisível do que se imaginava. Na etapa de Hong Kong, foi Edoardo Mortara, da equipe Venturi, quem acabou enfim comemorando a vitória, mas isso depois que Sam Bird, da Virgin, acabou punido em virtude de um toque dado no carro de Andre Lotterer, da Techeetah, na parte final da corrida, quando Lotterer defendia a liderança dos ataques do inglês, que tentava fazer a ultrapassagem, estando mais veloz, e acabou dando um toque que resultou num pneu furado no bólido do piloto da Techeetah, arruinando sua prova. A direção da corrida acabou punindo Bird, que acabou sendo reclassificado na 6ª posição, perdendo o triunfo. Com o resultado da punição, Lucas Di Grassi, da Audi ABT, que havia terminado em 3º, ficou com a 2ª colocação. Logo atrás, vieram Robin Frijns, da Virgin; Daniel Abt, da Audi ABT; Felipe Massa, da Venturi; Bird; Mith Evans, da Jaguar; Gary Paffett, da HWA; Oliver Turvey, da Nio; e Antonio Félix da Costa, da BMW Andretti, fechando a zona de pontuação. A corrida teve uma interrupção com bandeira vermelha logo no seu início, quando o carro de Felipe Nasr, da Dragon, com problemas, acertou o muro numa curva fechada, e acabou sendo atingido pela dupla da Mahindra que vinha logo atrás. Os carros ficaram parados, bloqueando a pista, motivando então a interrupção da prova, para ser feita a retirada dos monopostos e liberar o traçado. Jerôme D’Ambrosio e Pascal Wehrlein acabaram ficando sem pontuar nessa etapa, com a Mahindra ficando zerada na pontuação. Mesma situação vivida pela Nissan e.dams, que também viu seus dois pilotos ficarem pelo meio do caminho.


O ePrix de Hong Kong, apesar do resultado ruim de ter sido decidido fora da pista, pela aplicação posterior de punição ao inglês Sam Bird, teve uma nota importante: foi a 50ª prova da Formula-E, desde que a categoria disputou sua primeira corrida, em 2014, lá mesmo, na China, em um circuito montado nas ruas da capital chinesa, Pequim, que acabou sendo vencida pelo brasileiro Lucas Di Grassi. Muitos achavam que a categoria de carros de competição monopostos inteiramente elétricos não vingaria, mas está firme, e atraindo muitas atenções da indústria, mais até do que da Fórmula 1, no momento, e tendo até mais times disputando. E com mais duas fábricas chegando na próxima temporada, a Mercedes e a Porsche, com a perspectiva de um grid de 12 times e 24 pilotos na pista. A categoria ainda tem vários pontos onde precisa melhorar, mas ninguém pode negar que, nesta 5ª temporada, as coisas andam bem mais equilibradas e inesperadas, e passada metade do quinto campeonato, não temos um favorito destacado na luta pelo título, o que mostra como tudo está mais emparelhado este ano. Há muito o que evoluir, mas também há muito o que comemorar, e isso não é pouca coisa...


E mantendo seu equilíbrio, a sexta etapa da 5ª temporada da F-E trouxe uma nova pista para a competição, na cidade de Sanya, na China. E desta vez, quem levou a vitória foi o atual campeão, Jean-Éric Vergne, da Techeetah, que travou um renhido duelo com o pole Oliver Rowland, da e.dams, numa briga onde os dois dispararam na frente, deixando todos os demais para trás. Pouco depois da metade da prova, o francês atacou firme e conseguiu a ultrapassagem sobre Rowland, que acabou por terminar em 2º lugar. Antônio Félix da Costa fechou o pódio, e com isso, reassumiu a liderança do campeonato, com 62 pontos, 1 a mais que Jerôme D’Ambrosio, da Mahindra, que terminou a corrida em 6º lugar, logo à frente de seu companheiro de time Pascal Wehrlein. E, a exemplo das duas corridas anteriores, esta também teve uma interrupção com bandeira vermelha, desta vez motivada para se efetuar a remoção do carro de Alexander Sims, da BMW Andretti, que acabou tocado e acertando o muro, ficando com o carro em posição perigosa, e sem ser resgatado com eficiência. Quem acabou também ficando sem pontuar foi Lucas Di Grassi, após ser atingido por Robin Frijns, que por sua vez, havia sido tocado por Sébastien Buemi, numa tentativa de ultrapassagem que acabou por tirar o piloto da Audi e da Virgin da prova a duas voltas do final. Buemi acabou tomando uma punição por isso, o que o deixou em 8º lugar. Com a vitória, Vergne assumiu a 3ª posição no campeonato, com 54 pontos, empatado com Sam Bird, também com 54. Lucas Di Grassi vem a seguir, com 52 pontos, também empatado com Edoardo Mortara. Felipe Massa acabou em 10º, e Nelsinho Piquet acabou batendo sozinho em sua última corrida pela categoria de carros elétricos. O brasileiro e seu time, a Jaguar, rescindiram de forma “amigável” o contrato, e o novo companheiro de Mith Evans a partir da próxima corrida, em Roma, será Alex Lynn.


A MotoGP iniciou mais uma temporada com uma corrida pra lá de disputada na pista de Losail, no Catar, e o que vimos foi uma reprise do duelo roda a roda travado entre Marc Márquez, da Honda, e Andrea Dovizioso, da Ducati, ocorrido em 2018. E deu Dovizioso novamente, após uma troca de posições com Márquez nas voltas finais, com o pentacampeão da Honda conseguindo tomar a ponta na volta final, para Dovizioso retomar a liderança em plena entrada da reta de chegada, e conseguir manter a posição na linha de chegada por míseros 0s023. Cal Crutchlow, da LCR, completou o pódio, após um duelo onde vários pilotos andaram juntos durante toda a corrida, com vários deles trocando de posições constantemente, até serem superados pelo piloto do time satélite da Honda. Alex Rins, da Suzuki, fez uma grande prova neste bolo, cruzando na 4ª posição, seguido de Valentino Rossi, da Yamaha, um dos destaques da corrida, por ter largado do meio do grid, em 14º lugar, e ir escalando o pelotão até chegar perto dos líderes. Danilo Petrucci, estreando pela Ducati, foi um bom 6º lugar, enquanto Maverick Viñalez foi apenas o 7º, depois de largar na pole-position, e ficar para trás logo no arranque da largada. Quem também não teve a estréia esperada foi Jorge Lorenzo, novo companheiro de Marc Márquez no time oficial da Honda. Lorenzo largou apenas em 15º, para terminar em 13º lugar, fazendo uma corrida completamente apagada, em que pese afirmar que ainda estava se recuperando das sequelas de um tombo onde precisou submeter-se a uma operação. Uma prova de como a corrida foi bem disputada reside no fato dos 7 primeiros colocados terem cruzado a linha de chegada a menos de 2s5 de diferença para o vencedor Andrea Dovizioso. E durante toda a corrida, apesar de estar na liderança, em nenhum momento o piloto da Ducati disparou na frente, sendo seguido de perto pelos demais pilotos, com Marc Márquez a desafiar o vice-campeão das duas últimas temporadas apenas na parte final da corrida, depois de se desvencilhar dos outros pilotos.


Para a segunda corrida da MotoGP, na única etapa realizada na América do Sul, em Termas do Rio Hondo, na Argentina, Marc Márquez tratou de mostrar que não estava para brincadeira. O pentacampeão largou na pole, e foi-se embora, fazendo uma corrida praticamente à parte, enquanto os demais pilotos digladiavam-se atrás dele na busca pelas melhores posições. E no duele pela vice-liderança da corrida, Valentino Rossi e Andrea Dovizioso batalharam como nunca, com o “Doutor” dando o bote na parte final da corrida, e garantindo o 2º lugar depois de trocar algumas vezes de posição com seu compatriota da Ducati, que fechou o pódio, em 3º, tendo que se contentar com a derrota tanto para Márquez quanto para Rossi. Jack Miller, da Pramac, fez uma bela corrida para finalizar em 4º, logo à frente de Alex Rins, que teve de fazer uma bela prova de recuperação, tendo largado em 16º para terminar em 5º. Danilo Petrucci repetiu o 6º lugar de Losail. Já Maverick Viñalez mais uma vez largou na primeira fila, e de novo, caiu para trás, tendo de recuperar várias posições perdidas, e acabou se enroscando com Franco Morbidelli, da SRT, na última volta, com os dois pilotos caindo ao chão e ficarem fora dos pontos. E Jorge Lorenzo largou em 12º, para terminar... em 12º. Lorenzo caiu para último na largada, ao que afirmou ter acionado acidentalmente o limitador de velocidade de sua moto no momento do arranque, além de ter perdido o revestimento de espuma de um dos lados do guidão de sua moto, o que comprometeu parte de seus movimentos na condução da moto. Pode ser verdade, mas já começam os comentários de quando Lorenzo irá se adaptar enfim à Honda, e mostrar porque foi contratado pelo time campeão do mundo da classe rainha do motociclismo. Tricampeão pela Yamaha, Jorge era um dos nomes mais conceituados do grid, e sua passagem pela Ducati não foi o que ele esperava, tendo sido superado na grande maioria das vezes por Andrea Dovizioso. Ao mudar para a Honda, Lorenzo esperava voltar a disputar as primeiras colocações com mais facilidade, mas ao que parece, vai tendo novamente alguns problemas que certamente darão muitas razões a seus desafetos para criticá-lo. E enquanto isso, Márquez assume a liderança do campeonato com 45 pontos, contra 41 de Dovizioso, e 31 de Rossi. Lorenzo é o 14º colocado, com 7 pontos. Alex Rins, da Suzuki, é o 4º colocado, com 24 pontos, enquanto Petrucci é o 5º, com 20 pontos. A MotoGP terá sua próxima corrida no Circuito das Américas, em Austin, onde Marc Márquez é o rei da pista, tendo vencido todas as corridas por lá desde que estreou na MotoGP. E a “Formiga Atômica” está decidido a manter a escrita... Quem vai conseguir pará-lo?


Colton Herta venceu a corrida da Indycar realizada no belíssimo Circuito das Américas, em Austin, e se tornou o mais jovem piloto a vencer uma corrida nas categorias Indy, com a idade de 18 anos, 11 meses, e 22 dias. Por mais que seu triunfo tenha sido ajudado por uma bandeira amarela decorrente do toque entre James Hinchcliffe e Felix Rosenqvist, que prejudicou Will Power e Alexander Rossi, que estavam à sua frente na corrida, o piloto da equipe Harding mostrou um ritmo forte durante toda a corrida, distanciando-se do restante do pelotão em pista, e mantendo sempre Power e Rosenqvist na sua mira. Quando a bandeira amarela foi retirada, Herta pistou fundo para deixar os outros pilotos para trás, impedindo qualquer reação que colocasse sua liderança em risco, e cruzando a bandeirada com uma vantagem de 2s7 para Josef Newgarden, da Penske, que acabou ficando em 2º, logo à frente de Ryan Hunter-Reay, da Andretti. Herta havia feito sua última parada de box pouco antes da bandeira amarela ser deflagrada, e quando Will Power e Alexander Rossi puderam ir para os boxes, voltariam no final do pelotão, tendo de recuperar as posições frente a quem havia tido a sorte de parar antes. Mas o carro de Power enguiçou no pit stop, tirando o australiano, que até então liderava a prova, da corrida. Rossi conseguiu voltar ainda no meio do pelotão após sua parada, e tentou recuperar o que dava, mas terminou em 9º lugar. Tony Kanaan, depois de largar na última fila, conseguiu fazer uma prova bem satisfatória, terminando em 12º lugar. Já Matheus Leist teve sorte um pouco menor: conseguiu largar no meio do pelotão, mas também acabou prejudicado na bandeira amarela, e acabou em 17º. Com o resultado da corrida de Austin, Josef Newgarden, que havia vencido a corrida inaugural, em São Petesburgo, manteve-se na liderança do campeonato, com 93 pontos. Colton Herta, com a vitória, é o vice-líder, com 75 pontos. Scott Dixon, 13º em Austin, e 2º em São Petesburgo, vem em 3º lugar, com 57 pontos. Alexander Rossi é o 4º colocado, com 53 pontos. Tony Kanaan, com 33 pontos, é o 16º; Matheus Leist, com 21 pontos, é o 23º colocado na classificação.